3 de jul. de 2019

Moro na Câmara: Piores Momentos


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O caminho sem volta de Sérgio Moro



Com a PF investigando Glenn, Moro atravessa o Rubicão

O Ministro Sérgio Moro se rendeu à síndrome do escorpião. É a velha fábula do escorpião que pede carona para um sapo, para atravessar o rio. O sapo reluta:

– Não vou te levar, porque você vai querer me picar.

– Bobagem, sapo. Se eu te picar, você morre e eu morro junto.

O sapo concorda. No meio do caminho, o escorpião pica o sapo. E ele, antes de afundar:

– Por que você fez isso, se vai morrer também?

– É da minha natureza, sapo.

É da natureza de Moro o uso de toda sorte de expedientes contra os réus, e de violência imprudente contra os críticos.

A síndrome do escorpião o fez ordenar condução coercitiva do blogueiro Eduardo Guimarães. A razão foi uma representação feita contra ele junto ao Conselho Nacional de Justiça. O efeito foi tão negativo, inclusive na mídia aliada, que Moro recuou e não seguiu adiante.

Agora, com Glenn Greenwald, a natureza do escorpião aflora novamente. Ao colocar a Polícia Federal e o COAF (Conselho de Cobntrole das Atividades Financeiras) para investigar Greenwald, Moro coloca contra ele não apenas a imprensa nacional, mas a própria imprensa global, que foi decisiva para a disseminação de sua falta imagem de juiz comprometido na luta contra a corrupção.

Razão tem o procurador Luiz Lessa que, em um dos diálogos divulgados, trata Moro e os colegas curitibanos de provincianos deslumbrados. Aparentemente, até hoje Moro não se deu conta da dimensão de Greenwald no universo jornalístico mundial. Trata-se de um vencedor do Prêmio Pullitzer, e autor do maior feito jornalístico da era da telemática, com as denúncias de Snowden.

Com a medida, agravada pelo apoio a manifestações que pediam fechamento do Congresso e do Supremo, Moro confirma o que sempre afirmamos aqui: ele é completamente alinhado com os grupos de ultra-direita, instrumentalizaria a Polícia Federal e tentaria instituir uma república policialesca no país.

Antes, eram convicções fundadas em indícios fortes. Agora, se tem a comprovação. Não duvide se, nos próximos meses, universidades e associações que o premiaram comecem a requisitar de volta as honrarias concedidas.
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Temos nossa cota de reaças


Leio no jornal que hoje professores bolsonaristas lançam sua associação, liderados por um colega aqui da UnB, um elitista agressivo que se tornou folclórico no campus.

Esses defensores do Escola Sem Partido reclamam que estão sendo “oprimidos” nas universidades. Trata-se, para dizer bem diretamente, de uma grande mentira.

Professores de direita dão sua aulas, são aprovados em concursos, ganham financiamento para suas pesquisas, publicam seus papers, progridem nas carreiras.

Fazem política universitária, disputam associações docentes, direções acadêmicas, reitorias. Às vezes até ganham. Às vezes são nomeados mesmo perdendo, o que, reconheçamos, não ajuda a angariar simpatias.

Parece que os que eles querem é fazer proselitismo sem enfrentar oposição. São “oprimidos” porque, cada vez que lançam um discurso reacionário, surge uma voz de esquerda para rebatê-los.

Mas isso não é opressão, isso é o debate livre que é preciso haver na universidade.

Em alguns espaços, como nas ciências sociais, os direitistas são mesmo minoria. Não é por acaso: a ciência social nasceu como esforço de desnaturalização do mundo social, o que leva à contestação das hierarquias e desigualdades. É o oposto do projeto da direita.

Ainda assim, temos nossa cota de reaças. E o discurso ingênuo da “neutralidade”, que infelizmente está tão presente em alguns ambientes, prejudica mais quem está à esquerda.

Na Ciência Política, da qual posso falar com mais propriedade, um artigo com referencial marxista certamente enfrenta mais resistência do que outro, com referencial liberal.

Na reportagem, o chefe do movimento diz que eles não vão se denominar “de direita”, termo que “tem uma conotação ruim”. O nome fantasia será “Docentes pela Liberdade”.

Eu me pergunto se, tal como seu pendant entre os estudantes, eles ganharão dinheiro da Atlas Foundation.

Mas me incomoda o jeito como grupos com práticas absurdamente autoritárias, agora na defesa de um governo com uma indiscutível catinga fascistoide, se apropriam da palavra “liberdade”.

“Liberdade” com Biroliro. “Liberdade” com Escola Sem Partido. “Liberdade” com capitalismo, racismo, sexismo e homofobia.

O discurso é todo baseado na falsa ideia de que a igualdade é o oposto da liberdade. Temos que ter clareza que não é.

Liberdade é, sempre foi, uma bandeira – a maior bandeira – da esquerda.

(Neste link, um texto que publiquei há uns anos sobre o assunto.)

Luís Felipe Miguel
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A entrevista exclusiva de Lula ao Sul21


Entrevistamos nesta quarta, 03, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde se encontra preso há mais de um ano e quatro meses. Confira a primeira parte desta conversa de mais de 1h40min, que será disponibilizada na integra nos próximos dias. Acompanhem!

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A longa despedida de Moro


O chilique do deputado Éder Mauro, do PSD do Pará, e o troféu entregue pelo deputado Boca Aberta, do PROS do Paraná, formam, junto com a tropa histérica de puxa sacos da base governista, o mosaico do que restou de apoio a Sérgio Moro, no Parlamento e, por extensão, na sociedade.

As manifestações do dia 30 de julho, curiosamente chamadas de “protestos de apoio”, demonstraram com bastante clareza o refluxo desse apoio, que pode ser medido pelo número de quarteirões ocupados por esses inusitados protestantes, nos maiores centros urbanos do País.

Fustigado pelos vazamentos do Intercept Brasil, para os quais montou uma estratégia de defesa confusa e errática, Moro tem se virado como pode.

No Senado Federal e na Câmara dos Deputados, comportou-se como um autômato, focado no treinamento de media training que o orientou a fugir das perguntas irrespondíveis e se apegar, não sem algum constrangimento, à bajulação ensaiada dos beócios que hoje compõem a base de apoio do governo Bolsonaro.

A fala final, na Comissão de Constituição de Constituição e Justiça, do deputado Glauber Braga, do PSOL do Rio, acionou todos os gatilhos emocionais dessa gente. Ao chamar Moro de “juiz ladrão”, como antes, no processo de impeachment, havia colado na testa de Eduardo Cunha a pecha de “gangster”, Braga abriu a Caixa de Pandora onde repousavam os piores demônios aliados do ministro da Justiça.

Éder Mauro, delegado de polícia do Pará, foi o primeiro a surtar. Quase perdeu a peruca ao vociferar contra Braga, a quem chamou de “viado”, um xingamento cafona, ridiculamente homofóbico, mas que pode lhe custar uma cassação de mandato. Isso, claro, se ainda houver algum respeito ao regimento interno da Câmara.

Boca Aberta foi mais além, embora sem tantos faniquitos. Sacou um troféu de honra ao mérito para Moro. Segundo ele mesmo, uma taça “à maior estrela do combate à corrupção, no País”. Merecia, ele mesmo, troféu semelhante, de maior puxa saco de Moro. Sem falar na faixa de Miss Brasil Sem Noção.

Ali, naquele momento, reverenciado por esse gueto de loucos e fascistas, Moro percebeu que, daqui para frente, será só ladeira abaixo.

Leandro Fortes, jornalista
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