2 de jul de 2019

O laranjal segue apodrecendo. E na farsa jurídico-político-policial, novos capítulos


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“Abuso de poder”, diz Glenn Greenwald sobre a PF, sob Moro, investigar suas finanças

O ex-deputado federal Wadih Damous (PT) também se manifestou pela rede social: "Se isso for verdade, vai se configurar ato de improbidade da autoridade que determinar a medida"


O jornalista Glenn Greenwald, do Intercept Brasil, reagiu pelo Twitter ao saber que a Polícia Federal encomendou ao Coaf um “relatório” sobre suas movimentações financeiras, com o “objetivo” de descobrir qualquer indício de que conexão com os vazamentos de mensagens de procuradores da Lava Jato. Para Glenn, Moro sequer se esforça mais para “esconder seu abuso de poder para retaliar jornalistas”.

Na rede social, Glenn ainda acrescentou que o “irônico” é que Jair Bolsonaro sempre acusou o PT de perseguir e censurar a imprensa, algo que o partido nunca fez enquanto esteve no poder com Lula e Dilma Rousseff. Quem, como “tirano”, usa o aparato do Estado para “investigar” e “perseguir” um jornalista por causa das reportagens é Sergio Moro, que manda na Polícia Federal.

“Você, @SF_Moro, vai e ‘investiga’ tudo o que quiser. Grupos de liberdade de imprensa em todo o mundo terão muito a dizer sobre isso. Enquanto você usa táticas tirânicas, eu continuarei reportando junto com muitos outros jornalistas de muitos outros jornais e revistas”, disparou Glenn.

“Como eu disse desde o início – tanto no caso Snowden quanto no caso Moro LJ [Lava Jato] -, nenhuma intimidação ou ameaça interromperá as reportagens. Ameaças do estado só servem para expor seu verdadeiro rosto: abuso do poder – e por que eles precisam de transparência de uma imprensa livre”, acrescentou.

O ex-deputado federal Wadih Damous (PT) também se manifestou pela rede social: “Se isso for verdade, vai se configurar ato de improbidade da autoridade que determinar a medida.”

O site Antagonista divulgou na tarde desta terça (2) a informação de que a PF teria acionado o Coaf contra Glenn. Leia aqui.

GGN já havia antecipado que Moro dava sinais de que pretendia promover uma ofensiva contra os profissionais do Intercept. Desde que o assunto veio à tona, o ministro insiste que há um crime de hacking em andamento, mesmo que não tenha evidências de que os relatos mais recentes de invasão estejam conectados ao dossiê do Intercept. VEJA AQUI.

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A cocaína que viajava no avião da comitiva de Bolsonaro

EL PAÍS obtém imagem exclusiva da bagagem que continha 39 quilos de droga que foi levada para a Espanha pelo sargento Manoel Silva Rodrigues no avião da FAB

Maleta com a cocaína encontrada com o militar da comitiva de Bolsonaro
Um, dois, três... assim se contou até que se verificasse a existência de 37 pacotes com pouco mais de um quilo de quantidade cada. Todos enrolados em fita de cor bege, menos um, que apareceu recoberto com uma cor amarela. Todos perfeitamente ordenados em uma mala de mão de cor escura sem nada mais em seu interior. Só cocaína. A apreensão pela Policia Civil em 25 de junho no aeroporto de Sevilha de 39 quilos de droga na bagagem do sargento Manoel Silva Rodrigues, de 38 anos, membro da comitiva do presidente brasileiro Jair Bolsonaro em sua viagem à cúpula do G20, no Japão, ficou refletida em uma fotografia, obtida com exclusividade pelo EL PAÍS. Tirada junto ao raio-x que permitiu que os agentes detectassem, estupefatos, os pacotes a imagem reflete as nulas precauções que o militar tomou para ocultar o conteúdo criminoso.

Rodrigues ingressou um dia após sua detenção no aeroporto na prisão de Sevilha I. Segundo detalham fontes penitenciárias, desde então ocupa uma cela, compartilhada com outro preso, em um dos módulos onde estão enclausurados os internos menos conflitivos. Enquanto isso, a investigação da Policia Civil se centra em averiguar quem recolheria a mala com a cocaína na capital andaluza das mãos do militar brasileiro, que os investigadores consideram uma simples mula ou correio humano. As hipóteses policiais apontam que o agora detento tinha um encontro no hotel onde ficaria com o restante da tripulação do avião para descansar durante a escala em Sevilha, a caminho de sua viagem para a cidade japonesa de Osaka a bordo da aeronave de apoio à que viajava Bolsonaro.

As circunstâncias nas quais a droga foi localizada — sem estar oculta — levantam a suspeita dos policiais espanhóis de que o sargento brasileiro acreditava que não seria submetido a nenhum tipo de controle alfandegário por fazer parte da comitiva do presidente brasileiro em viagem oficial. Equivocou-se. Os dois volumes de bagagem que retirou do avião —um porta terno e a mala de mão onde levava a cocaína— foram passados pelo scanner do aeroporto e os agentes descobriram facilmente os pacotes em forma de tijolo com a droga. A primeira estimativa da Policia Civil, sem a realização de análises químicas para determinar com exatidão o grau de pureza do entorpecente, consideraram em 1,3 milhão de euros o valor da cocaína.

A descoberta do suposto narcotraficante no séquito presidencial causou assombro no Brasil. E o fato de o protagonista do crime ser um militar impactou especialmente Bolsonaro, um antigo capitão do Exército que dedicou sua carreira política a defender os interesses corporativos da categoria e que no Governo se rodeou de mais uniformizados que qualquer um de seus antecessores na democracia. O ultradireitista é, além disso, um estrito defensor da lei e da ordem. De fato, o presidente brasileiro lamentou publicamente em duas ocasiões que o sargento de sua comitiva não estivesse na Indonésia, onde o tráfico de drogas é castigado com a pena de morte. Um brasileiro descoberto com 13 quilos de droga foi executado no país em 2015. O caso “está sendo investigado. Jogou na lama o nome das instituições. Prejudicou um pouco o Brasil, mas isto acontece em qualquer local do mundo, em qualquer instituição”, afirmou o mandatário ao regressar da cúpula do G20.

Bolsonaro afirmou considerar o caso “inaceitável”, em sua live semanal no Facebook, feita de Osaka às sete da manhã. Mostrou-se convencido de que esta não era a viagem de estreia do sargento “porque ninguém em uma primeira viagem leva 39 quilos de droga”. E aproveitou para agradecer as autoridades espanholas. Seu ministro da Defesa, o general da reserva Fernando Azevedo e Silva, limitou-se a dizer que o acusado “será julgado sem condescendência pela Justiça espanhola e pela brasileira”. As autoridades brasileiras da Aeronáutica não quiseram precisar se o suboficial e sua bagagem foram inspecionados antes de subir ao avião reserva em que ele voou de Brasília até Sevilha.

Rodrigues está há 19 anos na Força Aérea do Brasil. Há três anos ele ingressou na equipe que transporta os chefes de Estado e outros cargos de alto escalão. Segundo o Portal da Transparência, seu salário líquido é de 6.337 reais e ele participou de 29 viagens oficiais, incluídas algumas com os então presidentes Michel Temer e Dilma Rousseff. As condenações por drogas foram aumentando nos últimos anos entre os mais de 300.000 membros das Forças Armadas do Brasil. Entre 2010 e 2017, 648 uniformizados brasileiros foram condenados por crimes relacionados a drogas, segundo dados do Tribunal Superior Militar que não precisam quantos são por consumo e quantos por tráfico.

A Presidência lamentou que o flagrante tivesse ocorrido a caminho de uma cúpula internacional, o que amplificou a repercussão. O caso coincidiu, além disso, com uma visita do ministro da Justiça, Sergio Moro, à sede da agência antidrogas dos Estados Unidos, a DEA, o que serviu, como todo o episódio, de matéria prima para inúmeras piadas e memes no politicamente ultradividido Brasil.

Óscar López-Fonseca | Naiara Galarraga Gortázar
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Duratex e Nestlé fecham as portas no RS e demitem 500 trabalhadores

Nesta segunda-feira (1º), 480 funcionários foram demitidos da unidade da fabricação de louças Deca, da empresa Duratex, em São Leopoldo
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério da Economia, em maio, apontaram o Rio Grande do Sul como o estado líder em demissões com carteira assinada no Brasil, com o fechamento de 11.207 empregos.

Na manhã desta segunda-feira (1º), essa realidade acentuou-se ainda mais. Sem nenhum aviso prévio, cerca de 480 empregados da unidade da fabricação de louças Deca, da empresa Duratex, em São Leopoldo, na região do Vale dos Sinos, foram demitidos com o fechamento da planta. Em Palmeira das Missões, a empresa Nestlé encerrou as atividades da fábrica no município da região das Missões, com demissão de 18 funcionários.

Para agravar o cenário para os trabalhadores e para a economia do Rio Grande do Sul, há ainda no horizonte a Paquetá, com sede em Sapiranga, que pediu recuperação judicial judicial no dia 24 de junho. A empresa, com 74 anos de atuação na produção de calçados, tem uma dívida de R$ 638,5 milhões.

Trabalhadores demitidos após décadas

Ao chegarem nos portões da unidade responsável pela unidade de fabricação de louças e cerâmica Deca, às cinco da manhã, os trabalhadores foram recepcionados com um simples comunicado de que teriam de fazer a rescisão dos contratos. A empresa atuava há 41 anos no Estado e era uma das poucas do setor, o que dificulta a recolocação dos demitidos, afirma o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Indústrias de Vidros de Porto Alegre e Região, Renato Reus dos Santos. “Tem trabalhador com 30 anos de empresa, agora vai trabalhar de que? Tem uma meia dúzia que a ficha não caiu, vão pegar o seguro-desemprego, só que esse dinheiro vai terminar e quando forem para o mercado, não vai ter vaga. Tem trabalhador com 30 anos de carreira, chorando, vão colocar esses trabalhadores onde?”, desabafa.

Apesar de cerca de 1,4 milhão de peças produzidas anualmente pela filial, em nota, a empresa informou que a unidade fabril possuía reduzida capacidade instalada e que o volume produtivo será redistribuído para plantas localizadas em outros estados. Informou ainda que alguns funcionários poderão ser aproveitados em outras fábricas da empresa. Santos, que tem formação em assistência social, diz que foi pego de surpresa com um telefonema nessa manhã. “Em janeiro estava normal a situação da filial no Estado do RS (a matriz fica em São Paulo), não deixaram transparecer nada. Há 15 dias atrás, tudo ainda estava normal”, comenta o diretor, que faz alusão à crise na Argentina e ao impacto da queda do consumo do país vizinho na produção gaúcha.

“Veio a crise na Argentina, o Brasil também está em crise, e piorou ainda mais com esse novo governo”, afirma Santos. O diretor aponta também a reforma trabalhista, de 2017, como um agravante da situação, já que ela acabou por enfraquecer o movimento sindical.  “Antes quando tu ia demitir um grande número de funcionários, teria que chamar o sindicato e negociar. Com a reforma, o sindicato poderá  fazer muito pouco. Só temos a garantia que vai indenizar todo mundo. Sem esse poder de pressão, só temos argumento, que para o fato é nada”, finaliza.

Apesar de não ser de sua base de atuação, o presidente do sindicato dos metalúrgicos de São Leopoldo, Valmir Lodi, se solidarizou com as demissões. “São 480 famílias que ficaram sem salário e para onde irão esses trabalhadores, vão para informalidade também? São Leopoldo perde bastante porque é cadeia produtiva. Independentemente se é metalúrgico, se está em outro ramos, todos os trabalhadores perdem”, comenta.

Prefeitura também foi pega de surpresa

A prefeitura de São Leopoldo informou por meio de nota que foi surpreendida pelo fechamento das atividades da empresa na cidade. No comunicado, frisou o esforço que foi feito em políticas de desenvolvimento econômico e social e no fomento do distrito industrial. “As ações reforçam as enormes dificuldades do cenário nacional para o desenvolvimento econômico e também o fechamento da única unidade instalada no Estado do Rio Grande do Sul faz parte do desequilíbrio e da concorrência desigual tributária”. Ainda de acordo com a nota, a prefeitura lamenta a decisão da empresa e “se solidariza com os trabalhadores e trabalhadoras que serão impactados pelo fechamento”. “O Município se coloca à disposição para dialogar e buscar alguma alternativa”, conclui o comunicado.

Caso Nestlé

A empresa, que no início chegou a ter 70 funcionários fixos em Palmeira das Missões, com o passar do tempo viu sua mão de obra reduzida aos 18 funcionários, que com agora ficam sem rumo certo.  Em comunicado, a multinacional informa que a produção será absorvida pela unidade de Carazinho.

Representantes da empresa Nestlé se reuniram nesta segunda-feira com o prefeito de Palmeira das Missões, Eduardo Russomano Freire (PDT). Conforme apontou Freire, há cerca de dois anos foi observada a redução do ritmo dos trabalhos na unidade. “Em outras ocasiões, já oferecemos ajuda e apoio político para tentar otimizar o uso da planta”, enfatizou. Além disso, o gestor disse que os  empresários alegavam que a crise econômica impactou na diminuição do consumo dos lácteos no país. De acordo com o prefeito, em anos anteriores, a Nestlé chegou a responder por 8% da arrecadação de ICMS do município.

Ao comentar sobre a migração dos trabalhadores para o município de Carazinho, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Alimentação de Carazinho e Sarandi, Adenilson de Souza, comenta que  a distância entre as duas cidades, que é de 80 quilômetros, impede que um número grande de trabalhadores concorde com a transferência.

Efeito negativo para economia gaúcha 

Para Lodi, o fechamento dessas empresas é também uma irresponsabilidade do governo estadual, que não fez tentativa efetiva para que elas ficassem. “É uma irresponsabilidade que o governo está tendo com essas empresas que estão fechando, não estão buscando negociação para que esses postos de trabalho fiquem aqui”, opina o presidente do sindicato dos metalúrgicos.

Durante almoço com jornalista, o governador do Estado, Eduardo Leite (PSDB), comentou a desativação, apontando os efeitos negativos para a economia gaúcha. Sobre o fechamento das fábricas da Duratex e da Nestlé, Leite afirmou que  “não colabora para a nossa pauta de desenvolvimento do Estado”. O governador argumentou que e precisava ter mais detalhes sobre as razões das desativações e qualificou que a recuperação da economia no País está sendo “muito lenta, beirando a estagnação”.

Setor calçadista: A menina dos olhos no século passado

A crise enfrentada pela empresa Paquetá não é nova quando se trata do setor calçadista, em especial ao se analisar a região do Vale dos Sinos. A cidade de Novo Hamburgo foi e ainda é lembrada como “a Capital Nacional do Calçado”, realidade que não condiz, há anos, com a realidade enfrentada na região. Na quarta edição do Brasil de Fato – RS, de agosto de 2018, o jornalista Wálmaro Paz apresentou essa realidade.  Conforme a reportagem, até o final do século passado, o setor coureiro-calçadista representava a principal atividade do Vale do Rio dos Sinos e atraía um contingente de trabalhadores. A crise dos anos 90 fez com que se perdesse essa condição. A indústria calçadista fechou, nos últimos, sete anos 26 mil postos de trabalho.

Confira a nota completa da Duratex 

A Duratex esclarece que o fechamento da unidade industrial de louças na cidade de São Leopoldo é importante para a consolidação industrial e para manter a competitividade no segmento. A escolha desta unidade se deu pela sua reduzida capacidade instalada. O volume de produção será redistribuído entre as outras quatro unidades de louças da Deca – João Pessoa (PB), Cabo de Santo Agostinho (PE), Queimados (RJ) e Jundiaí (SP) –, mantendo o pleno atendimento para todos os nossos clientes.

Confira nota completa da Nestlé

A Nestlé decidiu encerrar a atividade de recebimento de leite em seu posto localizado em Palmeira das Missões (RS). Esse trabalho será absorvido pela unidade de Carazinho, no mesmo Estado. A medida visa otimizar a logística, alcançar maior flexibilidade para o transporte da matéria-prima e, consequentemente, maior eficiência de suas operações em um segmento de alta competitividade.

Será mantida a compra de leite dos atuais 127 fornecedores que possuem propriedades em Palmeira das Missões ou nas proximidades do município, com a captação média de cerca de 100 mil litros/dia.

A empresa oferecerá o apoio necessário aos 18 funcionários que serão desligados em função do encerramento das atividades no posto de Palmeira das Missões. Na cidade, manterá ainda os trabalhos de preservação e manutenção da unidade para futura venda ou locação.

No BdF
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“Não foi hacker, foi fogo amigo”: ex-assessora de imprensa de Moro fala sobre a VazaJato

Christianne Machiavelli e Moro
Com o escândalo da VazaJato, a pergunta que não que calar é: quem é a fonte do vazamento divulgado pelo Intercept?

Esta é uma pergunta que ficará sem resposta até que os profissionais do site fundado e dirigido por Glenn Greenwald decidam quebrar o silêncio.

Ressalvadas as proporções, é como a pergunta que, durante anos, ficou sem resposta em outro caso célebre do jornalismo: quem era o Garganta Profunda da série de reportagens produzidas por Bob Woodward e Carl Bernstein que receberam o nome de Watergate?

Os autores das reportagens tinham se comprometido com a fonte a só revelar sua identidade depois que ela morresse.

Mais eis que, em 2005, 33 anos depois da publicação do primeiro texto, a fonte conta a um advogado que ela era a fonte das reportagens que levaram à renúncia do então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon.

“Eu sou o cara a quem chamavam de Garganta Profunda”, declarou o ex-vice-presidente do FBI, Mark Felt.

O que o levou a dar informações para o repórter sobre a espionagem e corrupção praticadas com o conhecimento de Nixon para bisbilhotar os adversários políticos do Partido Democrata foi o corporativismo.

Felt era o segundo no FBI e, com a morte de Edgar Hoove, ele esperava sucedê-lo ou, pelo menos, que alguém dos quadros do próprio escritório de Bureau de Investigação fosse o escolhido.

Mas Nixon acabou chamando para chefiar o escritório um advogado que nada tinha a ver com a ver com os quadros do FBI.

No caso do Intercept, assim como nos Estados Unidos durante décadas, a imprensa especula sobre quem seria a fonte do vazamento.

Em um especial do SBT, o repórter Roberto Cabrini entrevistou um suposto hacker que falou sobre como as mensagens secretas de Deltan Dallagnol, Moro e outros procuradores foram acessadas.

O suposto hacker, Daniel Lofrano Nascimento, teoriza sobre como teria sido o acesso.

“Como as mensagens de Sergio Moro foram invadidas?”, pergunta o repórter.

O suposto hacker fecha o olho e diz:

“Olha, é uma pergunta muito pesada, mas eu vou tentar explicar”, diz. Então, ele fala sobre a invasão de celular e a clonagem do chip.

No mundo das coisas mais simples, aplicativos de mensagens, como o Telegram, são muito mais facilmente acessados.

Basta deixar a tela de computador com o aplicativo na versão web aberta para que qualquer pessoa possa fazer o espelhamento da página.

E os procuradores da Lava Jato usavam o aplicativo na versão web, como mostra o diálogo em que Deltan Dallagnol transmite ao procurador Carlos Fernando dos Santos Lima a sugestão de Moro de tirar Laura Tessler das audiência do caso Lula.

Deltan Dallagnol: Recebeu a mensagem do Moro sobre a audiência também?

Carlos Fernando: Não, o que ele disse?

Deltan Dallagnol: Não comenta com ninguém e me assegura que teu telegrama não está aberto aí no computador, e que outras pessoas não estão vendo por aí que falo. Você vai entender porque estou pedindo isso

Carlos Fernando: Ele está só pra mim, depois apagamos o conteúdo 

“Para mim, não é ação de hacker, é fogo amigo”, disse ao DCM a jornalista Christianne Machiavelli, que foi assessora de imprensa de Sergio Moro durante seis anos, na Justiça Federal de Curitiba.

Christiane deu entrevista ao Intercept em outubro do ano passado, em que falou que a imprensa comprava tudo da Lava Jato, sem um filtro crítico.

A autora da entrevista é Amanda Audi, uma das jornalistas do Intercept que assinam as reportagens sobre as conversas secretas.

Por conta da entrevista que concedeu a Amanda em outubro, especula-se que Christianne Machiavelli seria a fonte dos vazamentos.

“Meu Deus do Céu, eu não tenho nada com isso”, disse Christianne, acrescentando, em seguida, que não acredita na versão do hacker.

“É fogo amigo”, disse ela mais de uma vez.

Como é fogo amigo, também se comenta que o vazador poderia ser o procurador Diogo Castor de Mattos, insatisfeito por ter sido afastado da Lava Jato — oficialmente, é ele quem teria pedido o afastamento por razões médicas, uma vez que estaria com estafa física e mental.

Christianne hoje tem uma empresa de assessoria de imprensa e se afastou da Justiça Federal antes de Moro aceitar o convite para ser ministro de Jair Bolsonaro

Ela não responde se ficou frustrada por não ter sido convidada para ser assessora de Moro no Ministério da Justiça.

Disse apenas que o lugar está sendo ocupado por Giselly Siqueira, esposa do jornalista Vladimir Netto, da Globo, autor da biografia do ex-juiz.

Por conta da nomeação de Giselly, Vladimir Netto foi afastado da cobertura do seu biografado.

Filha de juiz, Christiane conta que, nos seis anos em que trabalhou com Moro, ela acumulou experiência e histórias que estarão em um livro que começou a escrever.

Pode ser ela a fonte? “Não”, refuta.

Mas este será um mistério que permanecerá, até que a própria fonte um dia diga: “Fui eu”.

Enquanto isso, aparecerão na imprensa hackers ou supostos hackers para contar histórias mirabolantes.

Daniel, suposto hacker, entrevistado por Roberto Cabrini

Joaquim de Carvalho
No DCM
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