19 de jun de 2019

Os pecados de FHC que a Lava Jato não viu


Fernando Henrique Cardoso deu dois macro-presentes para a Ambev.

Quando avançavam as trativas para a compra da Antárctica, a operaçao foi aprovada com voto de Gesner de Oliveira, presidente do CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) e do grupo de José Serra. Foi um voto de poucas páginas, dele e de Hebe Tolosa. Um dos pontos a serem analisados era a distância entre estabelecimentos que vendiam cerveja. O CADE tinha um software para esse tipo de avaliação. Gesner preferiu se basear em uma consulta ao Guia Quatro Rodas, apresentando a conclusão sem demonstração, no chutômetro.

Foi um voto que chegou constrangedor, sem nenhuma preocupação em encorpar as justificativas técnicas.

Logo depois, o Secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, alterou a sistemática de cobrança de tributos das bebidas. Passou a cobrar por litro vendido, ao invés de ser um percentual sobre o preço. Com isso, inviabilizou o funcionamento formal de todos os fabricantes de tubaína.

É fácil saber porque. Suponhamos uma alíquota de 20%. Sobre um litro de bebida vendida a R$ 1,50, significava 13,33%. Sobre um litro de tubaína, vendido a 80 centavos, significava 25%.

O mercado de tubaína caiu para a economia informal e a Polícia Federal se incumbiu da repressão.

Outro tema relevante, a preservação da rede de distribuidores da Antárctica, foi igualmente rifado pelo CADE.

Assim que saiu do governo, a primeira palestra de Fernando Henrique, que serviu de balizamento para as palestras seguintes, foi para a Ambev.

Não me recordo agora do valor. Foi algo entre 150 mil a 250 mil dólares.

Sua postura, agora, de comprar proteção da Lava Jato, a ponto de defender a indicação de Sérgio Moro ao STF, e a manutenção da prisão de Lula, é um espelho fiel do pior estereótipo de homem público que o Brasil produziu.

Luís Nassif
No GGN
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Moro e Lava Jato nunca foram unanimidade

Tudo considerado, o fato mais relevante a respeito da imagem de Sergio Moro e da Lava Jato é que nunca contaram com o apoio unânime (ou perto disso) da opinião pública brasileira. Os números relativos à sua taxa de aprovação sempre foram bons, mas abaixo do que deveriam ser.  

Ainda não há pesquisas a respeito do que ocorreu depois das revelações do The Intercept Brasil. Muito antes delas, porém, a proporção dos que colocavam em dúvida o juiz e a operação já era elevada.    

Não se esperava isso lá atrás, quando começou. De um lado, tínhamos a corrupção, identificada pela ampla maioria das pessoas como um grave problema de nosso sistema político e administrativo (mais grave, na verdade, do que é objetivamente). De outro, um grupo de juízes, promotores e delegados, tidos como destemidos e competentes, dispostos a enfrentar os poderosos e a não deixar pedra sobre pedra. A marca de fantasia que adotaram era boa: prometia que, a jatos d’água, iriam limpar a sujeira.   

Tratava-se, no entanto, de uma dupla mentira, que a mídia corporativa impingiu ao País. Ao invés de mostrar que o estereótipo era falso, referendaram e consolidaram a noção de que a corrupção é a causa dos males nacionais. Escamotearam as evidências de incompetência e parcialidade de Moro e companheiros, a fim de glorificá-los como heróis.  

Nunca se investiu tanto, no Brasil, para produzir uma imagem. Desde quando engatinhava, essa imprensa os apresentou como se fossem a resposta contra a corrupção, como se houvesse um Dragão da Maldade que só os Santos Guerreiros seriam capazes de derrotar. Nem uma coisa, nem outra, era verdade mas tinha função: criava um caminho para combater, com aparente legitimidade, o PT e a liderança de Lula.     

Todas as emissoras de televisão, a começar pelo Sistema Globo, os jornais, revistas e veículos de internet ligados aos conglomerados de mídia martelaram durante anos nessa tecla, mas não conseguiram convencer a sociedade. Uma parcela expressiva não comprou a tese do heroísmo dos lavajatistas, especialmente nos segmentos populares. A República de Curitiba só foi efetivamente endeusada pelos antipetistas, até com razão, pois, no fundo, seu alvo primordial sempre foi o PT, como os vazamentos de suas conversas deixam claro.       

A lenda de que esses personagens são um consenso nacional, que “O Brasil apoia a Lava Jato”, fez parte da construção política que levou ao golpe contra Dilma, à prisão de Lula e à eleição do patético cidadão que hoje a encarna. Não passa, contudo, de uma fabricação.    

Em abril de 2017, em seu auge, depois da escalada contra as empreiteiras, de diversas prisões políticas e da formalização de cinco denúncias contra Lula, uma pesquisa CUT/Vox mostrou que não chegava à metade a parcela da população que considerava que Moro “fazia uma luta justa e usava métodos corretos”. Eram 46%. A maioria estava entre os que opinavam que “a luta de Moro era justa, mas usava métodos questionáveis, que não deveria usar” (16%), que “não fazia uma luta justa e agia politicamente” (19%) ou “não sabia” (19%).   

Um ano depois, em abril de 2018, 59% dos entrevistados em outra pesquisa CUT/Vox estavam de acordo com a frase “O processo, a condenação e a prisão de Lula ocorreram por motivos políticos”, enquanto 32% concordaram com a ideia oposta, de que “Foi um processo normal, sem se misturar com a política”. Agora, em abril de 2019, o quadro permaneceu sem mudanças em nova pesquisa CUT/Vox, sendo 55% os que viam as decisões contra Lula como “políticas” e 37% os que as achavam “normais”. Na mesma pesquisa, 49% responderam que “Sergio Moro condenou Lula à prisão para impedir que fosse candidato a presidente”, enquanto 43% opinaram que havia sido por Lula haver “praticado ilegalidades”. Mesmo entre admiradores de Bolsonaro, apenas 69% avaliaram que Moro agiu sem motivação política.  

O notável é quanto se gastou nesse mito da unanimidade em torno do lavajatismo, que contribuiu para a blindagem de seus atores. E quanta gente agiu oportunisticamente em função dele, achando que respondia “ao clamor das ruas” e se adequava “aos anseios populares”. No Congresso e no Judiciário, em especial nos Tribunais Superiores, não foram poucos os que mudaram suas convicções para se ajustar àquilo que “o povo quer”.   

Perderam tempo. O cenário que Moro e companhia têm pela frente é de desmoralização crescente, seja no plano ético e moral, seja no da eficácia, com a incompetência que exibem no governo do aliado. Quem aderiu ao lavajatismo para se dar bem está se dando mal.

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Corra, Moro, corra

Resultado de imagem para Sérgio Moro no senado

Sérgio Moro não foi ao Senado Federal se explicar, mas apenas participar do primeiro de muitos eventos bajulatórios que o governo Bolsonaro irá programar, dentro e fora do Congresso Nacional, para tentar impor a narrativa de que o alvo da oposição não é o ex-juiz, mas a Operação Lava Jato.

Trata-se de uma manobra tão legítima quanto manjada.

Moro, um desastre de retórica e dicção, foi enquadrado num treinamento de media training eficaz, mas que só reforça o vazio de seus argumentos. De forma pusilânime, conseguiu conduzir seus depoimentos dentro da bolha de segurança montada pela base do governo no Senado. Não esclareceu nada, não respondeu nada, manteve-se naquelas notinhas de falsete na voz, focado nos números e na delirante natureza divinal da Lava Jato.

Enfim, o horror de sempre.

Mimado pela Globo e alçado ao status de herói anticorrupção, o ex-juiz só engrossa a voz quando está sendo paparicado, como cabe a celebridades de ocasião. Estivesse mesmo certo de sua inocência, Moro não estaria se dispondo a falar a um público hostil, coisa que odeia. Estaria, desde o primeiro vazamento do Intercept Brasil, arrotando autoritarismo e processando deus e o mundo.

Não o fez por uma razão: medo da “exceção da verdade”, o recurso processual que permitiria ao Intercept Brasil requerer a abertura do sigilo de Moro, no Telegram, para que ficasse provada a alegada falsidade das mensagens, caso o ex-juiz processasse o site de notícias.

Moro não pode fazer isso, entre outras coisas, porque não é só a pele dele que está em risco. Como se viu no caso de Fernando Henrique Cardoso, os arquivos do Telegram são uma Caixa de Pandora sobre a qual nem Moro, nem ninguém no governo Bolsonaro têm qualquer controle – ou ideia – do conteúdo geral.

Moro vai continuar ganhando comendas militares, vai seguir visitando inferninhos da mídia chapa branca, como o Programa do Ratinho, ou mesmo sendo convocado para esses teatros do absurdo, no Congresso Nacional.

Mas só vai se safar se, ao fim dessa jornada, tivermos, realmente, nos tornado uma República das Bananas sem lei, sem ética, sem vergonha, conduzida por um demente adorado por uma multidão de sociopatas.

Leandro Fortes, jornalista
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A peso de ouro: Governo paga mais sete apresentadores pela Previdência


Com o meu, o seu, o nosso dinheirinho, o governo Bolsonaro vai pagar mais sete apresentadores de televisão – além de Carlos Massa, o Ratinho - para que façam propaganda a favor de sua proposta de reforma da Previdência. Receberão, para isso, parte dos R$ 37 milhões que se investirá para, à margem da política, para que se tente influir nos políticos que a votarão, criando uma opinião pública dirigida.

Sugere-se que se reservem agradecimentos à Ministra Carmem Lúcia que, no governo Temer, aurtorizou este uso abjeto de recursos públicos para criar opinião favorável a projetos que estão sendo votados no Congresso. Pergunta-se também, se o Executivo poderá fazer campanhas de publicidade e comprar a fala de apresentadores de televisão sobre que decisões o Supremo deve tomar, quando estiver julgando algo.

Veja a nota da Época sobre a compra de apresentadores de TV por Bolsonaro:

Depois de desembolsar R$ 268 mil em publicidade no Programa do Ratinho, no SBT, a nova fase da campanha da reforma da Previdência terá merchandising em mais sete programas de quatro emissoras de televisão brasileiras.

No SBT, além de Ratinho, Eliana e Otávio Mesquita farão propaganda da reforma em seus respectivos programas. Na Record, Ana Hickman e César Filho farão merchandising no Hoje em Dia. Na Band, os porta-vozes serão Datena, no Brasil Urgente, e Milton Neves, no Terceiro Tempo. Marcelo de Carvalho fará o merchan na RedeTV!, no programa Mega Senha, e Luciana Gimenez no Luciana By Night.

Segundo o departamento de publicidade, via Lei de Acesso à Informação, a nova fase da campanha encontra-se em execução desde 20 de maio e tem previsão de veiculação até julho. As despesas ainda estão em aberto e não foram informadas. O valor total estimado — que inclui outras ações além do merchandising — é de R$ 37 milhões.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Show de hipocrisia: aliança Moro & FHC revela toda parcialidade da Lava Jato

https://www.balaiodokotscho.com.br/2019/06/19/show-de-hipocrisia-alianca-moro-fhc-revela-toda-parcialidade-da-lava-jato/

Alguma surpresa?

Bem, ao menos agora deu para entender porque FHC defende tanto Sergio Moro e a Lava Jato para atacar Lula e o PT.

É que a Lava Jato e Sergio Moro sempre protegeram FHC e os tucanos.

Apareceram as provas dessa santa aliança nas novas revelações do The Intercept Brasil divulgadas no começo da noite de terça-feira.

A abertura da reportagem do site resume a ópera:

“A parcialidade da República Nostra de Curitiba é mais do que criminosa: é fétida!

Todo mundo sabe que a Fundação de FHC é um poço de pilantragem.

Que o filhinho de FHC mamou na teta do Cerveró.

Mas, para os membros da organização criminosa da Vaza Jato não valia a pena melindrar um amigo importante, mesmo que não fosse possível desfazer a fama – justa – de que são obscenamente parciais”.

Num trecho do chat privado entre o ex-juiz que virou ministro e seu sócio Deltan Dallagnol, Sergio Moro mostra um estranho interesse nas investigações sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em processo que nem estava nas suas mãos.

Moro pergunta a Dallagnol:

— Tem alguma coisa mesmo séria do FHC? O que vi na TV pareceu muito fraco. Caixa 2 de 96?

Segue o diálogo:

Dallagnol — Em pp (princípio) sim, o que tem é muito fraco.

Moro — Não estaria mais do que prescrito?

Dallagnol — Foi enviado para SP sem se analisar prescrição. Suponho que de propósito. Talvez para passar recado de imparcialidade.

Moro — Ah, não sei. Acho questionável pois melindra alguém cujo apoio é importante.

Como assim? É normal um ex-presidente apoiar a Lava Jato, que persegue seus adversários, e um juiz defender prescrição num processo que não é dele para não melindrar um aliado político?

Se era preciso passar um recado de imparcialidade é porque a Justiça não estava sendo imparcial, o que já não era segredo para ninguém.

Em suas mil e uma entrevistas para a grande mídia, nunca FHC duvidou da sua impunidade e por isso apoiou com fervor o impeachment de Dilma e a condenação e prisão de Lula.

Sergio Moro nem precisava se preocupar com o aliado: em todos os níveis, a Justiça lavajatense cuidou com muito zelo para que prescrevessem os processos contra tucanos em geral e FHC, em particular.

A pressa para condenar e tirar Lula da eleição era proporcional à morosidade para investigar e julgar os casos envolvendo tucanos.

As revelações feitas pelo Intercept Brasil mostram, acima de tudo, toda a hipocrisia, o cinismo, a parcialidade, a promiscuidade e a seletividade dos processos da Lava Jato.

Não sou advogado, mas dá para perceber que Moro e seus procuradores de Curitiba deram um verdadeiro passeio pelo Código do Processo Penal para alcançar seus fins, sem se importar com os meios.

Pior de tudo é ter que ouvir ao vivo na TV a voz de marreco do ex-juiz, fazendo cara de vítima, ao depor nesta quarta-feira na CCJ do Senado, muito bem blindado pela base governista.

Seu discurso parece uma gravação, admitindo ter falado algumas coisas que constam dos diálogos com o procurador, mas colocando sub suspeita a veracidade das mensagens transcritas pelo Intercept que são, segundo ele, “sensacionalistas”.

Vai ficar repetindo isso ainda por muito tempo, mas agora quem está sob suspeita é ele, e o Intercept ainda tem muitas coisas para revelar, segundo Glenn Greenwald.

Com esse governo, esse Congresso e este Judiciário, onde as corporações se protegem mutuamente, logo vão passar o pano nestas denúncias, até estourar outro escândalo.

Bolsonaro, o principal beneficiário desta grande aliança, está mais preocupado com a tomada de três pinos.

Amanhã começa mais um feriadão, e tudo para.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Maquiavel Lava Jato x Maquiavel Intercept


A cada chat de Sérgio Moro e Deltan Dellagnol liberado pelo The Intercept fica mais evidente a crença deles de que, exceto eles mesmos, “…os homens são ingratos, volúveis, simulados e dissimulados, fogem dos perigos, são ávidos de ganhar…” (Maquiavel, O Príncipe, Martins Fontes, São Paulo, 2004, p. 80).

No caso de Lula, os procuradores e juízes da #VazaJato (TRF-4 e STJ incluídos) usaram esse texto de Maquiavel como se ele tivesse mais valor jurídico do que o princípio da presunção de inocência que está expresso na CF/88 (art. 5º, LVII). Ao que parece eles ignoram um outro texto do diplomata florentino.

“Os que, por deliberação errônea ou por inclinação natural, se afastam dos tempos em que vivem, são geralmente infelizes, e condenados ao insucesso em seus empreendimentos: o êxito coroa aqueles que se ajustam ao seu tempo.” (Comentários sobre a Primeira Década de Tito Lívio, Maquiavel, editora UNB, 3ª edição, Brasília, 1994, p. 332)

Na era da internet não existem segredos que não possam ser revelados. Greenwald não é o responsável pela degradação da Justiça brasileira. Foram os próprios juízes e desembargadores que agiram como se fossem ingratos, volúveis, dissimulados, medrosos e ávidos de lucro.

Enredados nas próprias ilegalidades que cometeram, os heróis lavajateiros se desesperam.

Sérgio Moro se apega ao cargo como se o Ministério da Justiça fosse sua última tábua de salvação. Quando não reclama do jornalista do The Intercept – como se ele mesmo tivesse o poder de editar o material que está sendo divulgado – o Ministro da Justiça ameaça transformar a PF numa milícia a serviço dos seus interesses pessoais para perseguir um inimigo. Ele se tornou incapaz de perceber a ironia. Se fizer com Greenwald o que fez com Lula, Moro apenas confirmará a tese de que é incapaz de conceber um Estado que atue de maneira impessoal.

Chamado de “bobinho” pelo Ministro Gilmar Mendes, Deltan Dellagnol decidiu não entregar o celular à PF. Uma coisa somos obrigados a admitir. O paladino evangélico da Lava Jato é coerente. Dellagnol não fez prova do crime que imputou a Lula e não pretende fazer prova contra si mesmo do crime que pode ter cometido.

Gabriela Hardt afirmou que vai processar quem divulgar conversas dela. Ela não aprendeu que os membros do Judiciário não têm poder para revogar a liberdade de imprensa prescrita na Constituição Federal? É evidente que Gabriela Hardt deve ter conversado com Sérgio Moro. A sentença dela no caso do Sítio de Atibaia foi considerada uma cópia mal feita da decisão proferida por Moro no caso do Triplex. Ambas provavelmente serão anuladas pelo mesmo motivo.

Acusada de fazer parte da conspiração, a Rede Globo tenta construir uma versão que inocente a empresa e melhore a imagem de Sérgio Moro e Deltan Dellagnol. Entretanto, a tese do hacker criminoso que forneceu provas ilícitas que merecem ser descartadas não se sustenta. Além disso, se os telefones utilizados para a troca de mensagens são funcionais as comunicações entre o procurador e o juiz sobre um processo público não podem ser consideradas privadas.

O STF considera válidas quaisquer provas que corroborem a inocência de um acusado. A ilicitude da prova em relação aos heróis lavajateiros não deve prejudicar a anulação do processo de Lula. Além disso, tudo aquilo que o The Intercept recebeu está também nos telefones de Deltan Dellagno, Sérgio Moro e, eventualmente, de Gabriela Hardt. Eles não querem abrir mão do sigilo telefônico porque tem algo a esconder?

Maquiavel não foi um teórico do Direito, nem da Justiça. Mas ele teve o bom senso de reconhecer que “…uma das instituições mais importantes do Estado deve ser a que impede que os cidadãos possam fazer o mal à sobra do bem; e que só tenham a reputação que possa ser útil e benéfica à liberdade.” (Comentários sobre a Primeira Década de Tito Lívio, Maquiavel, editora UNB, 3ª edição, Brasília, 1994, p. 148).

A reputação que Sérgio Moro e Deltan Dellagnol desfrutaram desde o início da Lava Jato – e inclusive quando eles começaram a cometer abusos – não foi útil ou benéfica à liberdade. Muito pelo contrário. Seguros de si, eles passaram a cometer ilegalidades, a fazer o mal, à sombra de duas instituições que são voltadas para o bem público (o MPF e o Judiciário). Que isso sirva de lição tanto aos órgãos do Estado quanto à chamada imprensa livre que conspira agora para silenciar o jornalista que está relevando toda a verdade.

Fábio de Oliveira Ribeiro
No GGN
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Laranja do Serra financiou o PCC?

Paulo Preto indenizou a mais. PCC e PSDB... precisa desenhar?


Do UOL

MP: Paulo Preto deu R$ 740 mil a grupo ligado ao PCC por obra no Rodoanel

Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, estatal paulista de construção de rodovias, ordenou o pagamento de pelo menos R$ 740 mil em dinheiro da empresa a integrantes de grupo ligado à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em 2009. É o que aponta investigação iniciada no MP-SP (Ministério Público de São Paulo) em 2016 e nunca inteiramente concluída (...)

Paulo Preto, como é conhecido o ex-diretor, é apontado como operador de propinas do PSDB durante o governo José Serra (PSDB-SP) em São Paulo (2007-2010). O advogado de Paulo Vieira de Souza, Alessandro Silvério, não quis comentar o assunto com a reportagem.

De acordo com os autos do processo que correu no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) a que o UOL teve acesso, pelo menos 37 pessoas ligadas à criminalidade na região do Jardim São Francisco e do Jardim Oratório, na zona Sul de São Paulo, e da Vila Iracema, em Barueri, na região metropolitana da capital, foram indenizadas indevidamente. As irregularidades teriam ocorrido em meio a desapropriações para as obras do trecho Sul do Rodoanel Mário Covas e prolongamento da avenida Jacu-Pêssego. A obra foi entregue em 2010.

Destes 37, 13 possuem passagem pela cadeia por crimes como homicídio, tráfico de drogas e roubo, entre outros. Ao menos um preso entrou na lista das indenizações enquanto estava na cadeia, e outro foi indenizado mesmo sendo foragido da Justiça. Nenhum deles teria direito aos cerca de R$ 20 mil que receberam cada, em um total de R$ 740 mil, em valores atualizados, de acordo com investigações feitas na época pelo promotor Cássio Roberto Conserino. (...)
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Sem pescoço e sem cabeça


Quando o Gal. Castello Branco transmitiu o cargo de ditador de plantão para o Gal. Costa e Silva, muitos comentaram que saía de cena um general sem pescoço para entrar em evidência de um general sem cabeça. Já que comecei contando maledicências da história, vamos a mais uma. Conta-se que numa visita ao glorioso estado americano de Iowa, o cientista Albert Einstein, no auge de sua fama, teria sido recepcionado pelo governador e pela vencedora do último concurso estadual de misses que, lá pelas tantas, teria dito a ele: “Dr. Einstein, já imaginou se tivéssemos um filho juntos, ele teria a minha beleza e a sua inteligência”. Einstein teria, então, retrucado: “melhor não arriscar, vai que dá o contrário”. Pois é, a natureza as vezes produz resultados indesejados. O Gal. Augusto Heleno parece ser um desses casos, a lamentável decorrência de uma cruza entre o Gal. Castello Branco e o Gal. Costa Silva: não tem pescoço nem cabeça.

Como disse meu amigo e colega Bruno Reis em um texto no Facebook, sobre a fala afetada do Gal.

Heleno no café da manhã do presidente Bolsonaro com jornalistas:

“Nunca vi general falar assim. Ainda mais quando se pensa que veio no mesmo dia em que caiu de sua cadeira no mesmo Planalto o outro general que lá habitava, depois de bater de frente com o zé ninguém Olavo de Carvalho, que por sua vez havia esculhambado da maneira mais vil o general Villas Boas, que ainda outro dia era o comandante do Exército e que mesmo assim reafirmou seu hábito de intimidação antilulista. Sei não, rogo aos céus para estar errado. Mas minha atual impressão é que, neste momento, balbúrdia para valer é o Exército brasileiro”.

A participação no governo Bolsonaro já está impactando negativamente a imagem dos militares. O Gal. Heleno, contudo, parece estar se esforçando para piorar as coisas. Pelo cargo que ocupa, deveria primar pela discrição, afinal, nunca ouvi falar em um chefe de serviço de inteligência com esse tipo de comportamento afetado.

O ataque destemperado ao líder petista – com a afirmação de que seria desonesto, de que teria desonrado a presidência da República, cargo que jamais teria merecido ocupar – foi claramente uma reação à afirmação dele, Lula, de que “general que aceita se subordinar a um presidente que bate continência para a bandeira dos Estados Unidos não merece ser general. O Gal. Heleno saiu da sua zona de conforto burocrático(1) no GSI para uma peleja no campo do adversário, a política. Está se arriscando muito. Afinal, escolheu rivalizar com um gênio no assunto (2).
  1. De burocracia os generais sempre entenderam, como bem demonstrou o historiador José Murilo de Carvalho em seu livro “A Construção da Ordem”.
  2. O Gal. Heleno também deveria pensar que a sua falta de discrição leva muitos a desencavarem sua “condenação pelo Tribunal de Contas da União, o TCU, por autorizar convênios ilegais que custaram R$ 22 milhões ao governo – e favoreceram militares conhecidos seus” (https://theintercept.com/2018/11/26/general-heleno-tcu/).
P.S.: Cadê Queiroz?

Jorge Alexandre Barbosa Neves – Ph.D, University of Wisconsin – Madison, 1997. Pesquisador PQ do CNPq. Pesquisador Visitante University of Texas – Austin. Professor Titular do Departamento de Sociologia – UFMG
No GGN
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Dossiê Intercept: o fator Marlus e o fator FHC


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