26 de mai de 2019

Vídeo histórico de Brizola na Unicamp em 1987


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Lava Jato cria comissão para escapar da crise dos delatores pagos

Para o advogado Cristiano Zanin, da defesa de Lula, os delatores "são pagos para sustentar versões, e os pagamentos põem em xeque a voluntariedade exigida pela lei no processo de colaboração"


A Lava Jato em Curitiba criou uma comissão especial para debater formas de “blindar” as delações premiadas que passam por questionamento pelas defesas dos réus da operação – inclusive Lula – desde que ficou provado que os colaboradores receberam dinheiro para ajudar o Ministério Público Federal.
Segundo a Folha de S. Paulo deste sábado (25), pagar delatores para colaborar com a Lava Jato é uma “prática” que “nunca foi segredo para os procuradores do outro lado da mesa e sempre foi considerada essencial para assegurar a cooperação dos executivos”.
Há alguns meses, um ex-executivo da OAS entrou na Justiça trabalhista porque, diferente dos colegas delatores, ele foi demitido da empresa sem receber pagamentos por ter cooperado com a Lava Jato. Mais recentemente descobriu-se que a Odebrecht lançou mão do mesmo expediente: paga o salário mesmo após demissão, mais indenização e as perdas decorrentes da Lava Jato para quem ajudou a fazer a delação do grupo.

A procuradora encarregada da comissão especial é Samantha Dobrowolski, que disse à Folha que o MP não tinha como “se imiscuir nas tratativas das empresas com seus funcionários.”

Durante julgamento de Lula em Curitiba, a defesa tentou trazer informações sobre esses pagamentos à tona, mas o então juiz Sergio Moro impediu. Em julho de 2018, Moro alegou que não via “pertinência a uma coisa que é feita pela empresa e uma coisa que é feita no acordo [de colaboração].”

Para o advogado Cristiano Zanin, da defesa de Lula, os delatores “são pagos para sustentar versões, e os pagamentos põem em xeque a voluntariedade exigida pela lei no processo de colaboração.”

Dobrowolski respondeu que “a possibilidade de um colaborador mentir ou omitir fatos de que tenha conhecimento existe mesmo sem as indenizações das empresas (…).

No GGN
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The Guardian: Bolsonaro enfrenta “desconforto” por elo com milicianos

"O enfraquecimento do apoio a Bolsonaro provocou conversas crescentes sobre seu possível impeachment entre os observadores políticos", avisou o jornal


O jornal The Guardian repercutiu as manifestações a favor de Jair Bolsonaro neste domingo (26) em várias cidades brasileiras. Segundo a publicação, o presidente tenta demonstrar alguma força em meio à crise no governo e no âmbito pessoal.

Além da dificuldade em avançar com qualquer projeto ao longo destes 5 meses no poder, Bolsonaro ainda se vê acossado pela investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro contra seu filho mais velho, Flávio. O hoje senador é acusado de lavagem de milhões de reais, supostamente desviados em esquema comandado por Fabrício Queiroz em seu antigo gabinete de deputado, que empregava também a esposa e mãe de um chefe miliciano.

“Cinco meses depois do mandato de quatro anos de Bolsonaro, seus índices de aprovação despencaram, com a economia do Brasil gaguejando, brigas políticas e o presidente enfrentando perguntas desconfortáveis ​​sobre os laços de sua família com o crime organizado e um escândalo de corrupção envolvendo um de seus filhos”, escreveu o Guardian.

“Bolsonaro também enfrentou o repúdio internacional como resultado de suas visões extremistas, cancelando recentemente uma visita a Nova York por causa de protestos contra ele lá”, lembrou o jornal, frisando que as dificuldades do governo extrapolaram as fronteiras.

Mesmo com a tentativa de demonstração de força pelas ruas – os manifestantes pedem o fechamento do Congresso e a substituição de ministros do Supremo Tribunal Federal – não é possível esquecer que as pesquisas de opinião dão conta de que o governo é mal avaliado pela ampla maioria da população.

“O enfraquecimento do apoio a Bolsonaro provocou conversas crescentes sobre seu possível impeachment entre os observadores políticos”, avisou o jornal.

No GGN
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Nas ruas, apoiadores de Bolsonaro pedem fechamento do Congresso e do STF

As manifestações também são uma resposta ao mega protesto que ocorreu em 15 de maio, organizado por estudantes e trabalhadores, contra os cortes do MEC e a reforma da previdência

Jornalistas Livres




Contra a corrupção, os “vagabundos” do Congresso, pela substituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal que não ouvem as vozes das ruas. Pelas reformas de Jair Bolsonaro e o pacote anticrime de Sergio Moro. São essas as principais bandeiras das manifestações que ocupam as principais capitais do País neste domingo (26).

No início desta tarde, jornais da grande mídia, como a Folha de S. Paulo, relata dificuldade de conversar com os manifestantes. Alguns admitem que foram orientados a não responder perguntas. Outros ficam agressivos quando descobrem que falam com jornalistas. Outros fazem questão de registrar a indignação com as instituições que estariam impedindo Bolsonaro de governar.

O El País obteve declarações de populares defendendo explicitamente o fechamento do Congresso e do Supremo.

Em cinco meses de governo, Bolsonaro ainda não apresentou nenhuma ação para aquecer a economia e reduzir o desemprego. A reforma da Previdência é a única grande cartada do Planalto até o momento, que vende a necessidade de sua aprovação como essencial para recuperar a saúde financeira da máquina pública e atrair investimentos.

Mais do que vender a ideia de que não consegue convencer o Congresso a apoiá-lo sem apelar para o “toma lá, dá cá”, Bolsonaro também precisa encher as ruas para mostrar força em um momento em que seu filho mais velho, Flávio Bolsonaro, é investigado por desvios milionários da época em que era deputado no Rio de Janeiro.

Nas redes sociais, Bolsonaro disse que as manifestações são “espontâneas” e um recado contra a “velha política”.

Em artigo na Folha deste domingo, Janio de Freitas disse que Bolsonaro tentou, sim, obter conquistas no Congresso por meio de métodos da chamada “velha política”, fosse sinalizando com ministérios ou com a liberação de emendas parlamentares. Ainda assim, fracassou em suas últimas batalhas.

REPÚDIO AOS PEDIDOS ANTI-DEMOCRÁTICOS

Em suas redes sociais, o governador do Maranhão, Flávio Dino, compartilhou fotos das manifestações em seu estado. Ele disse que respeita todas as formas de protestos, sejam eles pequenos ou grandes multidões. “A única coisa com a qual não concordo: a agenda de pequenos grupos contra a democracia e as instituições. Repudio pedidos de fechamento do Parlamento e do Supremo, bem como aqueles que querem acabar com direitos sociais e com a educação pública”, ressaltou.


Agência Brasil/Brasília


Jornalistas Livres/SP


Agência Brasil/Brasília


Jornalistas Livres/SP


Em Brasília, a polícia estimou que até o início da tarde de domingo cerca de 10 mil pessoas se concentraram perto da praça dos três poderes.

Na Avenida Paulista, o volume de pessoas passou a ser notável a partir das 14h. A deputada Carla Zambelli, uma das agitadoras, acredita que, até o final do dia, a principal rua da capital paulista receberá 1 milhão de apoiadores de Bolsonaro.

As manifestações também são uma resposta ao mega protesto que ocorreu em 15 de maio, organizado por estudantes e trabalhadores, contra os cortes do MEC e a reforma da previdência.

Abaixo, transmissão do Jornalistas Livres, com entrevistas na Avenida Paulista.



No GGN
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Bolsonaro tem pouco a perder

Tornou-se quase lugar comum, entre analistas da centro-direita à esquerda, dizer que Bolsonaro sai perdendo, qualquer que seja o resultado das manifestações de hoje. Se forem um fiasco, ele perde capital político. Se foram um sucesso, ele piora sua relação com o Congresso e com o Supremo.

Eu acho, ao contrário, que Bolsonaro tem pouco a perder. Dificilmente as manifestações vão flopar de maneira indiscutível, o que seria, sim, um problema. Mesmo que sejam fracas, devem reunir gente suficiente para que seus seguidores garantam que foi um sucesso retumbante - e seus seguidores, não custa lembrar, são bem treinados na arte de negar evidências.

Manter a agressividade de uma minoria radicalizada em alto grau é o que interessa a Bolsonaro. Ele construiu Mourão e o centrão como inimigos, o que faz com que as soluções à mão para a velha elite política (impeachment, parlamentarismo branco) despertem a ira de sua tropa só de serem cogitadas.

A classe dominante brasileira, por motivos diversos, alguns deles psicanalíticos, fechou para si mesma o caminho que a racionalidade política exigiria: retomar as negociações com uma esquerda pra lá de moderada, tirar Lula da prisão e pacificar o país isolando as hordas de fanáticos do nosso projeto subnormal de Duce tupiniquim.

Ela quer manter, sozinha, o veto ao campo popular como interlocutor legítimo do debate político e, ao mesmo tempo, colocar Bolsonaro de escanteio. O objetivo do ex-capitão é mostrar que isso não será possível e que terão que aceitá-lo com Queiroz, com Olavo, com tudo.

Em suma: ele não quer governar, quer manter-se no governo para avançar o pequeno elenco de pautas que o interessam diretamente (liberação das armas, flexibilização da legislação de trânsito e ambiental, proteção ao clã e às milícias vinculadas). Sabe ou intui que não tem condições de manter negociações efetivas com os outros poderes. Quer é estar em posição de força para as escaramuças que certamente continuarão.

Se as manifestações forem grandes, ótimo. Se não forem um malogro completo, dá pro gasto.

Luis Felipe Miguel
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Investigação sobre Flávio Bolsonaro alcança 37 imóveis

Promotoria já apontou indícios de lavagem de dinheiro em transações do senador


A investigação sobre o gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) atinge um total de 37 imóveis supostamente ligados ao senador do PSL, sua família, além da empresa Bolsontini Chocolates e Café. São 14 apartamentos e 23 salas comerciais em Copacabana, Botafogo, Barra da Tijuca e Jacarepaguá. O parlamentar afirma que não cometeu nenhum crime e se diz vítima de perseguição.

No pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Flávio e outras 94 pessoas e empresas, de 15 de abril, o Ministério Público afirmava já ter reunido informações de que ele investira R$ 9,4 milhões na aquisição de 19 imóveis. “As vendas declaradas entre 2010 e 2017 representariam uma lucratividade de R$ 3 milhões.” Em 21 de março, no entanto, relacionou os 37 imóveis em um pedido de informações a cartórios do Rio.

O documento sobre os imóveis é assinado por três promotores estaduais, que requisitaram cópias das certidões para verificar se existe algum tipo de dívida ligada ao imóvel, quem são seus proprietários e quando e como eles foram adquiridos. A devassa patrimonial é uma das linhas de investigação do Ministério Público no caso dos supostos pagamentos irregulares detectados no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro e das movimentações bancárias atípicas nas contas de seu ex-assessor Fabrício Queiroz.

‘Arrecadação’

A apuração começou após reportagem do jornal Folha de S.Paulo sobre a evolução do patrimônio da família Bolsonaro em janeiro de 2018. Ela envolvia negociações de 19 imóveis e foi aberta em 20 de fevereiro, no Grupo de Atuação Originária em Matéria Criminal.

Em 26 de abril, o parlamentar entregou sua defesa. Disse que os imóveis não valiam o que era estimado pela prefeitura, pois “qualquer habitante da terra sabe que estes valores são superfaturados pelo poder público para aumentar a arrecadação com impostos como IPTU e ITBI e que um imóvel jamais seria vendido se anunciado pelo valor estimado pela prefeitura”.

De acordo com ele, a acusação desconsiderava as formas e o contexto com que os imóveis haviam sido negociados e confundia as datas de “compra e venda dos mesmos”. Flávio disse ter adquirido o imóvel de Botafogo quando era solteiro, em 2005, por R$ 350 mil e o vendido nove anos depois por R$ 1,45 milhão, valores, segundo ele, “compatíveis com a valorização imobiliária ocorrida no Rio durante o período”.

Com esse dinheiro, o então deputado comprou o imóvel na Barra da Tijuca, onde mora, avaliado em R$ 2,55 milhões. Flávio afirma na manifestação ter feito financiamento no banco Itaú para pagá-lo e confirm ter comprado em 2008 salas comerciais na Barra da Tijuca. Pagou “parcelas da compra com muita dificuldade até a cessão de direitos ser adquirida pela MCA Participações Ltda em 2010”. Houve ganho de R$ 210 mil para Flávio. “Nenhuma mágica na operação”, diz ele. “Apenas um arriscado, mas bem-sucedido negócio legal, transparente e devidamente declarado.”

Sobre os apartamentos em Copacabana, ele afirmou que em 2012 vislumbrou outra “oportunidade de investimento em imóveis”. Comprou as “quitinetes em péssimo estado de conservação e com dívida de condomínio”. Disse ter pago R$ 140 mil por um e R$ 170 mil por outro aos proprietários americanos. Revendeu os imóveis “às vésperas da Copa do Mundo de 2014, o que os valorizou bastante”. Ele também negou irregularidades relacionadas ao imóvel em Laranjeiras e pediu o arquivamento da investigação.

Em 17 de maio, o promotor Tulio Caiban Bruno solicitou o arquivamento do caso por não vislumbrar “quaisquer elementos informativos alusivos à prática de infração penal antecedente pelo parlamentar Flávio Bolsonaro da qual o produto ou resultado financeiro estaria sendo ocultado ou dissimulado mediante a aquisição de imóveis”. Em 18 de maio, o subprocurador-geral de Justiça, Alexandre Araripe Marinho, aprovou o relatório.

Em 28 de fevereiro de 2019, o Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc) do MP do Rio pediu o desarquivamento do caso, o que ocorreu em 14 de março em razão da investigação sobre a apropriação de dinheiro de funcionários da Alerj no gabinete de Flávio.

A assessoria do senador informou que “não são verdadeiras as informações vazadas acerca do patrimônio do parlamentar”. “Continuo sendo vítima de seguidos e constantes vazamentos de informações contidas em processo que está em segredo de Justiça”, diz a nota. “Sempre declarei todo meu patrimônio à Receita Federal e tudo é compatível com a minha renda. Tenho meu passado limpo e jamais cometi qualquer irregularidade em minha vida.”


Fabio Leite e Marcelo Godoy
No O Estado de S.Paulo
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A nova velha revolução: em vez do corte de custos a gestão focada no reconhecimento

Fundação Dom Cabral oferece uma imersão a Executivos sob o tema “o que vou legar para minha empresa”. Ou seja, daqui a dez, vinte, trinta anos, o que do meu trabalho ficará registrado na vida da empresa. Trata-se de um valor intangível e extremamente relevante na motivação das pessoas


Nos anos 90 houve um salto na gestão no Brasil. O fim da inflação e a abertura da economia promoveram dois movimentos relevantes.

No plano mais básico, os programas de qualidade, dos quais o maior nome foi o INDG, de Vicente Falconi.

No plano mais sofisticado, as escolas e consultorias de planejamento estratégico, com destaque para a Fundação Dom Cabral, o Coppe (da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e a Poli (ligada à Universidade de São Paulo) e consultorias estrangeiras como a McKinsey.

Os programas de qualidade foram relevantes para o bê-a-bá da gestão, os mapeamentos, e mensuração e a racionalização dos processos internos. Dado o primeiro passo, a empresa estava apta a absorver conceitos mais sofisticados.

Foi nesse ponto que a gestão empacou. As sucessivas crises da economia brasileira abriram espaço para a entrada agressiva dos fundos de investimento adquirindo empresas familiares, investindo em setores tradicionais (desde empresas de alimentação até redes de padarias, de restaurantes, lojas de conveniência, empresas de serviço).

Com o capital trouxeram a gestão de resultados no curtíssimo prazo. Trouxeram CEOs com participação nos resultados e a idéia fixa do corte de custos. E a busca de resultados sempre para o balanço seguinte inibiu qualquer visão de longo prazo da empresa.

O longo prazo exige investimentos em inovação — e eles comprometiam os resultados trimestrais ou o balanço anual. Exige, também, a identificação de vulnerabilidade de médio prazo, como a questão ambiental, a segurança das operações, as análises de risco. Nesse momento, o grande marqueteiro Vicente Falconi apostou na imagem de exterminador de custos, embalado pelo modo Jorge Paulo Lehmann de ser. Afinal, quem iria contestar o modelo de gestão de um brasileiro que se tornara dos investidores mais ricos do planeta?

E, de curto prazo em curto prazo, foram caindo os campeões nacionais do modelo Falconi, Sadia, Vale, BRF, Unibanco, todos eliminados pela visão do CEO genérico – aquele especializado unicamente em identificar onde cortar sem se preocupar com o amanhã.

Agora, o curso mais atraente da Fundação Dom Cabral oferece uma imersão a Executivos sob o tema “o que vou legar para minha empresa”. Ou seja, daqui a dez, vinte, trinta anos, o que do meu trabalho ficará registrado na vida da empresa. Trata-se de um valor intangível e extremamente relevante na motivação das pessoas: o reconhecimento, o legado, algo que passa a décadas de distância do tecnicismo vazios dos burocratas.

O grupo Ultra levará para sempre o legado de Paulo Cunha. Lembro-me de Luiz Garcia, de uma empresa de telecomunicações de Uberlândia, montando um seminário para tentar enxergar como seria a empresa daqui a 100 anos, e o que fazer para caminhar na direção pretendida. Ou dos quatro sócios da Natura, com sua visão sistêmica, englobando tecnologia, sistemas de vendas e internacionalização.

No setor público deveria vigorar, mais ainda, esses princípios. A pessoa que chega a um alto cargo, um Ministro do Supremo, um Procurador Geral da República, um Ministro de Estado, um Presidente da República, o que pretende deixar de legado?

No entanto, o imediatismo se alastrou em todas as instâncias institucionais. O único longo prazo que pensam é na herança para os filhos.

O tsunami Bolsonaro pelo menos terá o condão de despertar a alma brasileira para os aspectos efetivamente relevantes para a construção de um país.

Luís Nassif
No GGN
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Manifestação é um retumbante fracasso!

Duas mil pessoas em Brasília! Quá, quá, quá!

Esplanada dos Ministérios, Brasília, às 10h48 de domingo
Reprodução: GloboNews
A GloboMews cobriu ao vivo as "manifestações" a favor do Governo (sic) e contra o Supremo.

Foi uma péssima ideia.

Estava tudo programado para as 10h.

Segundo a apresentadora, desde antes das 9h começavam a chegar "manifestantes" à Avenida Atlântica, no Rio.

Às 10h48 tinha tanta gente na praia quando na "manifestação"...

Em Brasília, onde a cobra fuma, segundo o repórter da GloboMews, havia dois mil "manifestantes".

Um colosso!

Em todas as imagens, o Conversa Afiada recorreu a seus especialistas e aplicou o " kamômetro".

E não registrou a presença de nenhum negro.

Nem viu ninguém em apoio à reforma da "previdênssia".

Se era isso que ia dar estabilidade ao Governo e aprovar a reforma...

Deu chabu!



Avenida Atlântica, Rio de Janeiro, às 10h50...
Reprodução: Globonews
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Sinais do risco

As palavras, a forma, variam um pouco. O motivo é invariável. "A democracia está em risco?" / "resistirá por quatro anos?" / "vão esperar que aconteça o quê?"

As perguntas são também respostas preliminares, como expressões de um sentimento que se espraia e se aprofunda. Indagações inquietas são percebidas até em parlamentares vividos que se apresentaram, no início da legislatura, dispostos a apoiar Bolsonaro.

Enganam-se os que difundem as sucessivas derrotas de Bolsonaro e Sergio Moro no Congresso como represália, por falta de toma lá dá cá, ou falha de coordenação no governismo. Bolsonaro tentou. Mas as promessas de mais ministérios para mais nomeações e, ainda melhor, de R$ 1 bilhão para destinação pelos parlamentares não evitaram as derrotas dele e de Moro.

Bolsonaro é adepto confesso de ditadura. Os contatos que seus emissários têm buscado, no exterior, são com os governantes opressores, na Hungria, na Polônia, na Itália, em Israel. Não é à toa, claro. Tanto pode ser para uma rede de apoios mútuos do direitismo extremado, como — o mais provável — para coleta de vitoriosos modelos de avanço sobre o Legislativo e o Judiciário.

Não falta quem esteja atento, na Câmara e no Senado brasileiros, para os atos de desgaste que Bolsonaro lhes dirige. Agora adotados também por Paulo Guedes, com sua ameaça, recebida como chantagem política, de deixar o governo se a "reforma" da Previdência não sair do Congresso ao seu agrado. O provável é que Paulo Guedes se surpreenda com a resposta prática à ameaça.

A liberação da posse armas, inclusive de fuzis no decreto original, recebeu várias explicações. Fora delas, eis a recomendável: é, no mínimo, uma provocação, de variados alcances. O que não exclui outros objetivos possíveis. O argumento de que Bolsonaro cumpriu o que disse na campanha só é aplicável por bobos e cínicos. E aceito por bobos e distraídos. Bolsonaro disse também, por exemplo, que ia retirar o Brasil da ONU. Onde está a palavra dada nessa e em tantas outras maluquices de igual quilate? Ocasiões para cumpri-la não faltaram, em seus cinco meses de tanta enrolação e nenhum momento produtivo.

Tanto quanto a Bolsonaro, a liberação de armas põe em questão os quase incontáveis militares do governo: nem um só foi capaz de uma atitude, uma palavra ao menos, em favor do bom senso e da vida civil. Há meia dúzia de meses, o Exército estava ainda como interventor no Estado do Rio e em operação no Rio Grande do Norte contra ataques de quadrilhas. Essas ações do Exército confirmam a responsabilidade que assume pela segurança da população. Responsabilidade inconciliável com a medida que não diminui a insegurança, só pode aumentá-la. Ainda assim, aceita e avalizada pelo silêncio dos generais que, não adiantam as negações, representam o Exército no governo mais do que o próprio Ministério da Defesa.

A democracia começa a ficar fora de controle. Com ela, Bolsonaro nunca teve compromisso, nem quando congressista. Se os generais representantes do Exército e o Ministério da Defesa aceitam medida contrária à segurança pública que a Constituição lhes atribui, o risco vai mais longe. É também institucional: os militares expõem a possibilidade de sua maior concordância com Bolsonaro do que a democracia suportaria. É uma hipótese em aberto. Clareada em um ou em outro sentido, servirá de base para uma resposta objetiva àquelas perguntas iniciais.

No que a democracia depender de Bolsonaro, o já indiscutível é sucinto: estamos diante de uma aberração.

Janio de Freitas
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