24 de mai. de 2019

Bolsonaro em pele de cordeiro

Quem acredita? Pergunte aos bancos, ao Queiróz e à multidão de desempregados


O Conversa Afiada reproduz artigo sereno (sempre!) de seu colUnista exclusivo Joaquim Xavier:

De repente, não mais do que de repente, Jair Bolsonaro abaixou o tom e agora tenta convencer a todos que é o apóstolo do diálogo, da coexistência pacífica, do respeito ao Congresso e à democracia.

Fritou Sérgio Criminoso Moro publicamente nesta quinta-feira ao aceitar, pelo menos de boca, que o COAF saia da jurisdição do ex-juizeco de Curitiba. Antes disso, já havia voltado atrás na declaração de que Moro tinha lugar assegurado no Supremo.

Bolsonaro pode ser ignorante, como é de fato, mas não é bobo. A sequência dos fatos não deixa dúvidas.

No dia 15, milhões de brasileiros foram às ruas para protestar contra sua política de destruição do Brasil. No Congresso, o tenente-capitão não conseguia aprovar nem a mudança de móveis no Planalto. A economia se dissolve a olhos vistos.

Entre os militares, sua capacidade de liderança raspa o chão. Bolsonaro tentou esconder a coleção de derrotas reforçando o discurso moralista, armamentista, messiânico. Recorreu até à ajuda de um pastor do Congo baseado em Paris. Fracassou. Enquanto isso, a elite gorda passou a discutir abertamente como se livrar do encosto.

O pano de fundo: existe um processo em curso contra seu filho que, se levado a sério e até às primeiras consequências, tende a provar que o Brasil foi entregue a uma ... de larápios cúmplices de milicianos fora da lei. É uma conjectura, a ser provada na Justiça, que assombra a famiglia no Planalto. A propósito, onde está Fabrício Queiróz?

Tirar o COAF de Moro, flertar com Raquel Dodge e fumar o cachimbo da paz com Rodrigo Maia faz parte da nova tática. Idem com relação às últimas declarações sobre as “manifestações” do dia 26, um fracasso anunciado. Trata-se de salvar a famiglia e a si próprio, Jair Bolsonaro.

Ele parece ter percebido que a caneta caiu na sua mão apenas por acaso, mas com um único objetivo: rifar o Brasil a preço de ocasião. O fim da aposentadoria é um primeiro teste verdadeiro. Se ele não servir para isso, a lâmina da guilhotina descerá sem clemência. Com ele irão as cabeças da prole e até da mulher.

Isso é o que verdadeiramente importa nos lençóis do Alvorada. O Brasil hoje é pedra preciosa no cenário mundial.

Recolonizar o país é o fim manifesto dos abutres internacionais. Bolsonaro não passa de capataz de Paulo Guedes, que acha que o país gasta muito com o social.

O que está em jogo é liquidar a Petrobras, lotear a Amazônia e suas riquezas, dizimar o Minha Casa, Minha Vida, entregar o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e eternizar regras trabalhistas e de aposentadoria à moda da semi-escravidão. Acabar com o BNDES. Destruir a universidade livre e gratuita, desocupar as faculdades de gente pobre, idiotizar o ensino básico e até disseminar o HIV. Bater continência à bandeira americana. Distribuir armas a granel, embora grave e inadmissível, é a cereja do bolo.

As forças progressistas não podem cair neste canto de sereia. A famiglia Bolsonaro quer salvar a própria pele. Tanto que a “equipe de governo” pouco se refere aos cerca de 40 milhões de desempregados que de fato vagam pelas ruas, às famílias desesperadas incapazes de garantir ao menos o café da manhã, aos homens, mulheres e jovens relançados ao estado de miséria, à lenha e ao carvão.. Que programa ou projeto foi anunciado para esta gente?

O dia 15 de maio mostrou o caminho. 14 de junho deve ser um novo marco com uma greve geral ainda maior do que a de abril de 2018. Nada de ilusões com conchavos no Congresso ou lágrimas de crocodilo. A história se move nas ruas.

Joaquim Xavier
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Bolsonaro é um fascista

No debate político, é importante dar nome às coisas. E dar-lhes o nome correto.

Afirmar que Bolsonaro é fascista é ir além de dizer que se trata de um conservador, um reacionário ou um governante de direita. Isso ele é, mas é perfeitamente possível ser direitista e não ter afinidade com o fascismo. Muitos políticos de direita foram e são antifascistas.

Tampouco significa que é um autoritário no plano ideológico e capaz de atitudes e comportamentos violentos. Sempre foi assim, como demostrou ao longo da vida, através de palavras e gestos, mas não é isso que se discute.

Há governantes autoritários que não são fascistas. Em nossa história, tivemos chefes de governo autoritários que não o eram, como os militares que ocuparam a presidência da República de 1964 em diante. Autoritarismo e fascismo podem ser próximos, mas são diferentes.    

Em seu uso atual, as expressões fascismo e fascista adquiriram sentido amplo, maior que as que designam fenômenos políticos e ideias até semelhantes, como o nazismo, o salazarismo e o franquismo. Esses, contudo, são conceitos de aplicação específica e se referem a casos históricos particulares, enquanto fascismo alude a algo além de Mussolini e da experiência italiana de entre 1922 e 1943.

Não seria, portanto, correto dizer que Bolsonaro é nazista, por exemplo. Pelos mesmos motivos e em que pese o fato de ele compartilhar com elas a noção de supremacia branca ou a idolatria das armas de fogo, não caberia dizer que é um homem da Ku Klux Kan ou membro da Associação Nacional do Rifle norte-americana. Um dia, quem sabe, chega lá.  

Como afirmou Umberto Eco em um texto de 1995, intitulado “Ur-Fascismo” e publicado na New York Review of Books, a possibilidade de uso amplo do conceito de fascismo decorre de uma das características mais importantes do fenômeno histórico: a imprecisão, indefinição ou falta de nitidez.

Nos 20 anos em que Mussolini foi primeiro ministro, o fascismo na Itália passou de republicano a monarquista e voltou à república, manteve um exército regular e uma milícia pessoal para o Líder Máximo, conviveu em harmonia com a Igreja Católica e propôs o culto à violência na educação pública, defendeu a primazia do livre mercado e interveio drasticamente na economia. Não é que o fascismo italiano, em suas contradições, contivesse os elementos das formas de totalitarismo que o sucederam. A questão é que não passava de uma colagem de ideias filosóficas e políticas heterogêneas e, muitas vezes, antagônicas. Nas palavras de Eco, Mussolini não tinha uma filosofia, mas somente uma retórica (e uma iconografia), que outras lideranças totalitárias à direita puderam adotar dali em diante.     

Não há um fascismo único, mas formas diferentes de fascismo, assim como não há apenas um tipo de fascista, mas diversos. Tal qual ocorre com as doenças do organismo, em relação às quais se pode afirmar que os indivíduos têm experiências singulares, o fascismo é uma espécie de doença do sistema político, que cada sociedade atravessa à sua maneira. 

Eco identifica alguns traços que integram a “nebulosa fascista” e que os fascismos concretos compartilham, em maior ou menor grau. Muitos são visíveis no Brasil de hoje: o irracionalismo, de braços dados com o fanatismo religioso e o ocultismo; a desvalorização do pensamento e a exaltação do fazer; a desconfiança nos intelectuais (identificados como “degenerados” ou “vermelhos”, traidores dos “valores nacionais tradicionais”); o medo do diferente e o racismo. Bolsonaro repete Mussolini e Hitler no modo como procura manter insuflada sua militância, como uma tropa de “combatentes heroicos”, da qual espera adesão cega. Também como eles, o fascista brasileiro transfere sua vontade de poder para o campo sexual, no machismo que implica desdenho das mulheres e intolerância e condenação de formas não-convencionais de sexualidade. Como Hitler e Mussolini, da dificuldade em lidar com o sexo real, Bolsonaro escapa para brincadeiras com armas, um exercício fálico substitutivo.

O capitão brasileiro é, no entanto, menos capaz e qualificado intelectualmente que esses personagens. Nada tem da imaginação institucional que possuíam. O carisma de sua imagem é menor, sua comunicação popular é limitada, não transmite autoridade, não provoca o respeito. Ninguém interrompe seus afazeres para ouvi-lo, muito menos permanece imantado, como ficavam milhares de italianos ou alemães na presença de seus líderes.    

Bolsonaro não passa de um fascista tardio, tolo e mal educado, que, em sua truculência, nada tem a dizer ao País. Isso não desobriga, no entanto, o pensamento democrático de fazer, em relação a ele, o que Eco propõe: “Nosso dever é revelar o fascismo e apontar suas novas manifestações, a cada dia, em qualquer lugar do mundo”.

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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A casa está caindo: protestos no Recife, Guedes jogando a toalha e Bolsonaro num beco sem saída

https://www.balaiodokotscho.com.br/2019/05/24/a-casa-esta-caindo-protestos-no-recife-guedes-jogando-a-toalha-e-bolsonaro-num-beco-sem-saida/

Bolsonaro entrou num beco sem saída e a casa dele está caindo.

Já no desespero, o capitão chamou sua seita fundamentalista para ir às ruas no domingo, depois desistiu de ir aos protestos a favor, mas o estrago já está feito.

Com a popularidade em queda, só consegue mobilizar protestos contra ele por onde passa, como aconteceu hoje no Recife. Perde mais aliados a cada dia.

Até o guru Olavo de Carvalho, o roqueiro Lobão e a deputada Janaína, três esteios do bolsonarismo, já pediram o penico.

Entre ataques de insanidade e recuos, este presidente de fancaria testou a paciência do povo brasileiro para ver até onde poderia ir, e acabou produzindo a tempestade perfeita, que avança sobre seu desgoverno.

Com o Congresso conflagrado, tem que correr de um lado para outro para apagar incêndios, e sai cada vez mais queimado, junto com o ex-juiz Sergio Moro, o outro superministro que está cada vez mais desmoralizado.

O maior dos incêndios nesta sexta-feira foi a entrevista à revista Veja em que o superministro Paulo Guedes já ameaçou jogar a toalha ao ver o seu Posto Ipiranga em chamas.

“Pego as coisas e vou morar lá fora. Já tenho idade para me aposentar”, desabafou. Cabe perguntar se pela antiga ou pela nova Previdência da capitalização dos bancos?

Sentindo o cheiro de queimado, Guedes falou à revista que sem a reforma do 1 trilhão “o Brasil pega fogo”.

Para completar, nova pesquisa da XP/Ipespe, a bússula do mercado financeiro, mostrou pela primeira vez que a rejeição superou a aprovação ao governo Bolsonaro, em apenas cinco meses de governo, algo inédito.

A avaliação do governo como ruim ou péssima chegou a 36%, uma alta de 5 pontos percentuais em comparação com a pesquisa da primeira semana de maio.

Em compensação, o nível de ótimo ou bom oscilou um ponto para baixo, ficando em 34%.

Nestas condições de tempo e temperatura, só um ato de completa insanidade leva um governo a convocar “protestos a favor” do governo e contra o Congresso e o Judiciário, nos esgotos das redes sociais comandadas pelos filhos do presidente e movimentos da extrema direita cada vez mais radicalizada e ensandecida.

Só para lembrar: o vice presidente, general Hamilton Mourão, está viajando pela China, exatamente no mesmo lugar onde se encontrava o então vice João Goulart, quando Jânio Quadros renunciou em 1961, e deu origem ao golpe militar, três anos depois.

Aqui as coisas costumam se repetir, ao mesmo tempo, como farsa e como tragédia, não vamos nos esquecer.

E vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Bens de Flávio Bolsonaro e o Panamá. Currículos falsos. Moro perde o COAF. Armas... Coisa de doido.


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Lula ao Der Spiegel: Bolsonaro é como Nero, 'incendeia todo país'


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comparou o presidente Jair Bolsonaro a Nero, o imperador que ateou fogo em Roma. "Bolsonaro é como o imperador romano Nero: incendeia todo o país. Não quer construir, apenas destruir", disse Lula em entrevista em Curitiba à revista alemã Der Spiegel. Para Lula, feito prisioneiro político em 7 de abril de 2018, Bolsonaro é um "perigo" para o país.

Lua afirmou ao jornalista Von Jens Glüsingque é alvo de um "processo político" e que a Justiça ainda não conseguiu provar sua culpa. "Queriam impedir minha candidatura", afirmou. A entrevista foi publicada na edição online da Der Spiegell desta sexta-feira (24).

O imperador romano Nero Cláudio César Augusto Germânico, que governou entre os anos de 54 a 68 da era cristã, ficou conhecido por causa do incêndio que devastou Roma no ano de 64, apesar de não haverem evidências de que ele tenha sido o responsável pelo fato.

Desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que Lula tem o direito a conceder entrevistas, ele já concedeu quatro entrevistas à veículos de imprensa. Para a Der Spiegel, Lula reafirmou que é alvo de um "processo político" que visava impedir sua candidatura à Presidência da República na última eleição.
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Militares entreguistas esconderam veto à venda da Embraer!

Antagonista: entregaram e pediram desculpas por ficar de costas...


Exclusivo: Comando da FAB ignorou ressalvas técnicas e aprovou negócio com a Boeing

No parecer sigiloso, obtido por O Antagonista, o Comando da Aeronáutica conclui favoravelmente pelo negócio da Embraer com a Boeing.

Curiosamente, ignora as ressalvas técnicas feitas ao longo do documento e endossa a versão oficial de salvação da companhia brasileira.

Nada fala das necessidades da Boeing, que dariam à Embraer posição estratégica para melhorar as condições do negócio. Nada também sobre a incapacidade de garantir investimentos na área de Defesa ou sobre o risco de absorção do corpo de engenheiros pela Boeing.


No CAf
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'Ruim e péssimo' de Bolsonaro ultrapassa 'ótimo e bom'

Para 86%, protestos contra governo voltarão a acontecer

Só 4% avaliam andamento da agenda do governo no Congresso como 'satisfatório' Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
Só 4% avaliam andamento da agenda do governo no Congresso como 'satisfatório'
Pela primeira vez, a avaliação negativa do governo Bolsonaro ultrapassou a positiva. Os dados são da mais nova pesquisa da XP Investimentos, realizada pelo Ipespe. Dos entrevistados, 36% avaliaram o governo como ruim ou péssimo, enquanto 34% o classificaram como ótimo ou bom.

Em comparação com a última edição da pesquisa, divulgada há duas semanas, a avaliação de ruim ou péssimo subiu 5%. A de ótimo ou bom caiu 1%.

Apenas 4% dos entrevistados responderam que é "satisfatório" o andamento da agenda do governo no Congresso, enquanto 85% julgaram que é o ritmo é "lento".

Do total, 57% disseram que os protestos do dia 15, contra os cortes na Educação, tiveram importância, ante 38% que responderam que não tiveram relevância. Quando perguntados se as manifestações acontecerão novamente, 86% afirmaram que sim.


Mil entrevistas foram realizadas em 20 e 21 de maio. A margem de erro é de 3,2%.

Guilherme Amado
No Época
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Justiça bloqueia R$ 3,5 bi de empresas e políticos do MDB, PSB e PP investigados na Lava Jato

Líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB/PE) teve bens bloqueados. A decisão também atinge os espólios de Sérgio Guerra (PSDB/PE) e Eduardo Campos (PSB/PE), que já morreram

Bezerra
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) bloqueou cerca de R$ 3,5 bilhões de políticos do MDB e do PSB e de empresas em decisão referente a uma ação de improbidade administrativa da Operação Lava Jato, movida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Petrobras.

Entre os acusados que respondem ao processo, estão os parlamentares Valdir Raupp (MDB/RO), Eduardo da Fonte (PP/PE) e Fernando Bezerra (MDB/PE) – atualmente líder do governo no Senado. Antes de ingressar no MDB, em 2018, Fernando Bezerra era filiado ao PSB e chegou a ser líder da legenda no Senado.

O bloqueio também atinge os espólios de Sérgio Guerra (PSDB/PE) e Eduardo Campos (PSB/PE), que já morreram. As empresas acusadas na ação são a Queiroz Galvão e a Vital Engenharia Ambiental.

De acordo com o TRF-4, há indícios da prática de atos de improbidade por líderes de partidos e agentes públicos em prejuízo ao erário e é necessário “garantir a efetividade do resultado final da ação – em que é apurada a existência de um amplo esquema criminoso, com prejuízos expressivos para toda a sociedade”.

No Fórum
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Moralista sem moral: Ex-juiz que chamou Lula de meliante é investigado por corrupção

O advogado fecha a janela da casa dele, para fugir da imprensa, hoje de manhã.
Reprodução da TV Globo
Em 15 de fevereiro deste ano, o advogado Bady Elias Curi Neto, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, escreveu o artigo publicado no site O Debate em que chama Lula de “meliante” e afirma:

“Acreditar na inocência de Lula é crer em uma vestal criada no meio de um prostíbulo de corrupção, lavagem de dinheiro e outros tipos penais.”

Hoje de manhã, a Polícia Federal realizou operação de busca e apreensão em seu escritório, e o levou para depor.

Bady Curi Neto é suspeito de intermediar propina para conseguir uma decisão favorável no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, num processo que envolve, de um lado, a empresa Pachfoods Comércio Epacotadora e Beneficiadora e, de outro, o banco Rural.

O valor da propina seria R$ 2 milhões.

De acordo com as investigações, Bady Curi Neto repassou parte desse dinheiro a membros do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Bady Eias Curi Neto é filho do desembargador Bady Curi, que faleceu em agosto de 2015 e foi homenageado em cerimônia no tribunal pela Associação Brasileira dos Magistrados Espíritas.

Em nome da família, Bady Elias Curi Neto fez um discurso, em que destacou as qualidades do pai.

“Ele sempre lia o Evangelho e nos dizia que há várias moradas na casa do Pai. Ele também tinha várias moradas em seu coração. A primeira delas era a sua espiritualidade, a segunda era o nosso lar e a nossa família. E a terceira era a Casa da Justiça. Ele dedicou sua vida à magistratura, onde fez vários amigos e onde aplicava o que aprendia no espiritismo”, disse.

Advogado de renome, ex-juiz eleitoral, filho de desembargador, religioso, Bady Elias Curi Neto é o que se conhece por “cidadão de bem”.

Hoje de manhã, a imprensa estava na porta da casa dele, mas o “cidadão de bem” não quis dar entrevista.

Um cinegrafista da TV Globo registrou o momento em que fecha a janela, depois de se recusar a dar esclarecimentos.

Se se usasse contra ele o mesmo critério que usou com o ex-presidente, ele deveria ser chamado agora de “meliante”.

Mas Bady Curi ainda tem a chance de se defender.

Por ora, deve-se dizer apenas que é um moralista sem moral, como tantos outros que, desde 2013, tem vestido a camisa amarela da Seleção Brasileira e ido às ruas para gritar contra a corrupção.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Bolsonaro sonha ser Luís XIV, mas pode acordar na guilhotina

A essa altura dos acontecimentos, resta evidente que o governo Bolsonaro caminha decidido para um fracasso precoce. Não se trata aqui de exercício de futurologia sobre impedimento, renúncia ou golpe, mas de uma inferência a partir das demonstrações dadas e reiteradas.

Ao fazer a opção pela radicalização e estimular um confronto de ruptura, o presidente renova a fé dos mais sectários seguidores da seita bolsonarista, mas se afasta de parcelas cada vez maiores da sociedade, inclusive de seus antigos apoiadores. Não à toa, os tais "protestos a favor", de nítido cariz golpista, provocaram controvérsias entre grupos de empresários, políticos governistas, na própria bancada do PSL e até mesmo entre ministros.

Engolfado por suas próprias crises, todas até aqui autogestadas, Bolsonaro levou o país à paralisia, corroeu grande parte de seu capital político e perdeu, irremediavelmente, a possibilidade de fazer uma maioria política que lhe garantisse um mandato sem sobressaltos. Como não sabe o que fazer nem como fazer, precisa fabricar inimigos internos e externos para legitimar o discurso despótico de um líder cada vez mais isolado e desacreditado. Primeiro foi a esquerda, depois o Supremo, depois o parlamento e o “centrão, depois todos esses juntos e multiplicados.

Como bem apontou, em recente entrevista, o veterano José Sarney, Bolsonaro joga todas as cartas no caos. Assim, em sua compreensão da realidade, receberia do povo – o que ele chama de povo são seus apoiadores – um salvo-conduto para concretizar suas tentações autoritárias. Não tem como dar certo.

A bem da verdade, o único amálgama do bolsonarismo não é um projeto do que fazer pelo país, mas do que destruir: a democracia, as forças progressistas, a educação pública, a cultura, o meio ambiente, o que existir de perspectiva de desenvolvimento soberano, os alicerces do Estado nacional. Só que um programa de desconstrução prega para convertidos e não forma maiorias, é limitado e chega uma hora que cansa.

Enquanto o presidente aspira reinar no deserto, o país segue à deriva. A economia recuou no último trimestre, as previsões do PIB foram todas revistas para baixo – agora se fala em 1,5%, mas o provável é que nem chegue a isso – e a depressão já aponta no horizonte. O desemprego ultrapassou 13 milhões de pessoas e segue em rota ascendente. A desigualdade de renda se ampliou sensivelmente, os ganhos do trabalho só depreciam e o custo de vida tem aumentado a olhos vistos – o combustível e o botijão de gás estão aí para não me deixarem mentir.

Obviamente, a draga econômica tem custo político. Não dá para culpar os outros para sempre. Por isso, os movimentos de massas voltaram às ruas. Embora chamados de “idiotas úteis” pelo presidente, os estudantes e professores protagonizaram um levante de respeito contra o governo, na semana passada. Haja “idiota útil”: foram contados em milhão, em mais de 200 cidades. Programam outro encontro para o dia 30 e ainda haverá a greve geral, no 14 de junho.

O clima contra o governo começa a se instalar, como provam as pesquisas de opinião – em todas, o traço comum é o aumento de ruim/péssimo e diminuição da avaliação do presidente. Os bolsonaristas podem desqualificar o quanto quiserem, mas terão de colocar sob suspeição Datafolha, Ibope, CNT-Sensus, XP-Investimentos, El País e todas as instituições que fizeram sondagens sobre o humor dos brasileiros quanto aos rumos do país. Ainda bem que relinchar, assim como chorar, é livre.

A Reforma da Previdência, agenda única do governo para a economia, só não foi para enterrada ainda porque parte do Congresso assumiu, equivocadamente, essa pauta como central. Mas a maioria para aprová-la ainda está longe de ser realidade. Com o povo na rua e o tempo passando, é possível derrotarmos essa atrocidade e preservar direitos sociais importantes.

Da mesma forma, medidas tributárias ora em estudo na Câmara são de iniciativa dos deputados. Na verdade, até agora, tudo o que se movimenta, afora da pauta divisionista de costumes e da indecência armamentista, se faz apesar do governo.

Caindo em desprestígio popular, pouco confiável e imprevisível, indisposto até com as forças que o elegeram e inútil para obter apoio às medidas que assina, Bolsonaro está virando um estorvo para seu próprio governo. Periga ficar como aquele funcionário que, de tanto faltar no emprego, um dia foi mandado embora porque o patrão descobriu que não precisava dele para o serviço.

Bolsonaro tem caráter autoritário e está inebriado pelo poder, julgando-se em missão divina, o que lhe incompatibiliza com a democracia. Pode se perder nos descaminhos da própria soberba e ganância. O presidente que sonha com um absolutismo de Luís XIV, pode acabar tendo o destino de Luís XVI, a guilhotina.

Orlando Silva é deputado federal pelo PCdoB-SP
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Irmã de milicianos assinava cheques em nome de Flávio Bolsonaro

Valdenice era uma das pessoas a quem o filho do presidente deu procuração, segundo reportagem da 'Isto É'; senador repudia acusações

Ele
Valdenice de Oliveira Meliga, irmã dos milicianos Alan e Alex Rodrigues Oliveira, presos na operação "Quarto Elemento" do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Ministério Público do Rio de Janeiro, assinou cheques de despesas da campanha em nome do então deputado estadual e atual senador, Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair Bolsonaro.

A informação foi publicada em reportagem da revista IstoÉ na edição desta sexta-feira 22. A reportagem obteve dois cheques: um de R$ 3,5 mil e outro no valor de R$ 5 mil. Dona de uma empresa de eventos, a Me Liga Produções e Eventos, Valdenice era uma das pessoas a quem o filho do presidente deu procuração, conforme documento enviado à Justiça Eleitoral, para cumprir a tarefa. Em nota, o senador repudia as acusações, que diz se tratarem de "ilações". Leia a nota na íntegra abaixo.

Valdenice é apontada como um dos elos de Flávio Bolsonaro com milícias do Rio de Janeiro, com o suposto uso de laranjas e expedientes na campanha para fazer retornar ao partido dinheiro do fundo partidário. De acordo com a reportagem, um dos cheques assinados por ela, no valor de R$ 5 mil, é destinado à empresa Alê Soluções e Eventos Ltda, que pertence a Alessandra Cristina Ferreira de Oliveira.

O pagamento seria referente ao serviço de contabilidade das contas de Flávio Bolsonaro. Ocorre, porém, que Alessandra era também funcionária do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), com um salário de R$ 5,1 mil. Estava vinculada ao escritório da liderança do PSL na Alerj, exercida por Flávio. E, na época da campanha eleitoral, exercia a função de primeira tesoureira do partido.

Ainda conforme informações da Isto É, a primeira tesoureira do PSL, ou seja, a pessoa a quem cabia destinar os recursos, fez, por meio de sua empresa, a contabilidade de 42 campanhas eleitorais do PSL no Rio. Ou seja: cerca de um a cada cinco postulantes a um cargo político do PSL carioca deixou sua contabilidade aos serviços da companhia Alê Soluções, empresa de Alessandra, tesoureira do partido. Assim, a responsável por entregar e distribuir os recursos do partido tinha parte do recurso de volta para as contas de uma empresa de sua responsabilidade. Com preços abaixo da média do mercado, a companhia de Alessandra recebeu cerca de R$ 55 mil das campanhas.

Além disso, a reportagem informa que Alessandra atuou em conjunto com o escritório Jorge L.A. Domingues Sociedade Individual de Advocacia, que tem como um dos sócios o advogado Gustavo Botto. Na prestação de contas à Justiça Eleitoral, Gustavo Botto também aparece como um dos administradores das contas de Flávio Bolsonaro. No combo que coloca Alessandra como contadora e Botto como advogado, estiveram 36 campanhas do PSL na última eleição. Seus serviços também variaram entre R$ 750 e R$ 5 mil. No total, renderam ao escritório R$ 38 mil. Candidatas do PSL ouvidas pela revista relatam que, ao final, praticamente os únicos gastos que efetivamente fizeram em suas respectivas campanhas foram com a empresa de Alessandra e o escritório de Botto.

Outro aspecto considerado estranho, de acordo com a revista, é que a empresa Alê Soluções está localizada na Estrada dos Bandeirantes 11216, na Vargem Pequena, nos registros da Receita Federal, uma área de milícias. Para o Tribunal Regional Eleitoral, no entanto, o endereço anotado é Avenida das Américas número 18000 sala 220 D, no Recreio dos Bandeirantes - endereço da sede do PSL do Rio de Janeiro. Situação semelhante acontece com o escritório Jorge L.A. Domingues Sociedade Individual de Advocacia. Para a Receita, o endereço informado é uma casa em Vila Valqueire. Para a Justiça Eleitoral, foi novamente a sede do PSL do Rio. Por curiosidade, todos os endereços mencionados ficam em Jacarepaguá, onde também mora o ex-motorista de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, diz a IstoÉ.

A revista apurou que, durante a campanha, a companhia Alê só trabalhou na contabilidade dos candidatos. Entre maio de 2007 e agosto do ano passado, a empresa emitiu 183 notas fiscais eletrônicas, conforme os registros do número das notas concedido ao TRE. Uma média de 16 notas por ano. Somente durante a eleição foram 46 notas em 4 meses. Notas sequenciais, o que indica o serviço exclusivo para as campanhas, diz a reportagem. Apenas no dia do primeiro turno da eleição, 7 de outubro, foram emitidas 18 notas fiscais entre as 21h31 e as 22h43. Uma média de uma nota fiscal a cada 4 minutos. Houve caso de notas fiscais emitidas em um tempo inferior a 2 minutos entre uma e outra.

Procurada pela Isto É, Alessandra Oliveira disse não enxergar conflito ético no fato de ser ao mesmo tempo tesoureira do partido, funcionária de Flávio Bolsonaro e ter contratado sua empresa para fazer a contabilidade das campanhas. Gustavo Botto afirma que trabalhava de fato na sede do partido para, segundo ele, "facilitar a administração e resposta de eventuais comunicações processuais", diz a revista. A assessoria de Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou.

Nota enviada pela equipe de Flávio Bolsonaro à imprensa

"A Revista Isto É faz uma ilação irresponsável tentando vincular o senador Flavio Bolsonaro com candidaturas irregulares e a milícia carioca em mais uma tentativa de denegrir a imagem do senador. Val Meliga é tesoureira geral do PSL. Tinha como determinação legal a obrigação de assinar cheques do partido em conjunto e jamais em nome do atual senador.

Os supostos irmãos milicianos apontados pela revista são policiais militares.

Em relação aos serviços de prestação de contas eleitorais, não houve qualquer direcionamento do PSL-RJ relacionado à escolha dos profissionais de assessoria contábil e jurídica. Todas as prestações de contas foram aprovadas, ratificando a legalidade e lisura durante o processo eleitoral.

O senador repudia as acusações e clama por uma apuração correta, responsável e honesta dos fatos. "

'Arsenal' de Bebianno contra o governo Bolsonaro

A edição desta semana da revista também traz uma reportagem sobre o "arsenal" de possíveis "bombas" que o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, estaria armazenando. De acordo com a revista, o ministro está ressentido com Bolsonaro e começou a ameaçá-lo antes mesmo de ser demitido do cargo.

A reportagem diz que Bebiano e a esposa, Renata Bebianno, guardam em casa toda a documentação da campanha presidencial de Jair Bolsonaro. O ex-ministro era o presidente do partido, o PSL, durante a corrida eleitoral. De acordo com a revista, Bebianno também teria a listagem completa e detalhada dos repasses de recursos do fundo eleitoral para candidaturas do PSL.

Além disso, Bebianno teria conhecimento de todos os bastidores do julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito da acusação de apologia ao estupro movida pela deputada Maria do Rosádio (PT-RS). Bolsonaro poderia ter ficado inelegível se fosse condenado.

A revista atribui à atuação de Renata Bebianno um dos motivos para o resultado considerado vitorioso no processo. De acordo com a reportagem, ela já havia atuado num escritório onde também trabalha como sócia e advogada a esposa do ministro do STF Gilmar Mendes, Guiomar Feitosa Albuquerque Lima Mendes.

De acordo com amigos de Bebianno ouvidos pela reportagem, o ex-ministro estaria disposto a fazer um "cessar foto", de olho na possibilidade de se candidatar à prefeitura do Rio em 2020.

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Guedes parte para a chantagem explícita. “Não brinco mais”, ameaça


Incapaz de propor qualquer medida econômica que anime um pais que se transformou, nas palavras de Delfim Netto a Claudia Safatle, no Valor, em “um buraco negro”, Paulo Guedes insiste em seu samba de uma nota só: que apenas uma reforma estrondosa na Previdência salvará o Brasil do caos, agora já virá no ano que vem. A sua ameaça, explícita, deveria ser apavorante como a de um deus que diz que abandonará um país.

Se o Congresso não mantiver o saque das aposentadorias perto de R$ 1 trilhão, “pego um avião e vou morar lá fora”, avisa ele em entrevista dada à Veja.

Nenhuma palavra sobre qualquer projeto para a economia que não o de, com o corte dos proventos, esperar um florescimento da atividade econômica pela “confiança do investidor”.  Vê-se que é, então, a mesma ladainha de que o capital financeiro, seguro que às burras do Tesouro não faltará com que remunerá-lo – à custa da desgraça social –  se despejará em caudalosas torrentes sobre o Brasil.

Ofendo o leitor e a leitora se perguntar quantas vezes vocês ouviram esta cantilena?

Guedes, como o seu chefe, aposta em obter tudo com ameaças de caos. Na pauta econômica, seu comportamento é semelhante ao da pauta política e moral do bolsonarismo: a dominação tem de ser completa e todos devem crer no que diz e segui-lo como ovelhas.

Não há nenhum economista sério que encare a reforma da previdência como remédio imediato para uma crise que, unanimemente, todos vêem agravar-se. Certamente quase todos acreditam na necessidade de uma reforma previdenciária, mas sabem que seus efeitos só podem ser de médio e longo prazo e serão zero se não forem adotadas medidas contra o ciclo de encolhimento que o país está a viver.

E estas medidas estão tão em falta no Posto Ipiranga que até Jair Bolsonaro se lança a imaginar um “imposto de atualização de valores de imóveis” que é uma destas tolices rematadas de gente que acredita que vai “descobrir a pólvora”.

Talvez a ideia de Paulo Gueedes de pegar um avião e ir morar lá fora seja uma proposta mais eficaz para a recuperação da economia.

Fernando Brito
No Tijolaço
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