23 de mai. de 2019

Autoridades e personalidades da fase Forrest Gump brasileira

Corra, Forrest, corra! E das histórias intermináveis de Forrest Gump, que participou da história como um personagem ausente, correm causos desses incríveis portadores de currículos impressionantes.


Corra, Forrest, corra! E das histórias intermináveis de Forrest Gump, que participou da história como um personagem ausente, correm causos desses incríveis portadores de currículos impressionantes. A mentira é uma realidade aumentada ou é um projeto para o futuro? Pode escolher. Das passadas de Forrest ao currículo do ministro, muita água escapou pela peneira.

É preciso ser intelectual, mesmo que seja de ocasião. Ler biografias é o passatempo favorito de Sergio Moro, hoje ministro antes juiz. Leu muitas. Mas são tão efêmeras as leituras que citar um só foi complicado, deixou-o sem voz, sem norte e sem memória. E, na Globo, em rede nacional, saiu um ‘não me lembro agora do último que li’. Mentira que foram essas as palavras, mas verdade que nada foi citado. Mas nem se falou em currículo aqui, aliás, bem pobre, assim como o vocabulário. E uma estreia mal contada nos concursos deste país.

O governador Wilson Witzel usou de licença poética em seu currículo Lattes, aquele que sacramenta o caminhar de profissionais respeitados. Lascou ali um doutorado sanduíche em Harvard. Mas Harvard não há, era somente uma intenção para o futuro. Alguém me disse que tinha intenção de ser presidente, e para pavimentar o caminho já estava lançando a pérola em seu currículo Lattes.

No currículo de uns e outros, ministros e quetais, informações pertinentes que caíram na impertinência dos escrutínios. Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, disse que era ‘mestre em Direito Público em Yale’. E afirma isso desde 2012. Mas o ministro não conseguiu manter a balela com a lupa apontada para o currículo. A universidade Yale declarou desconhecer tal ilustre estudante.

Já Damares Alves, prestimosa titular do ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, declarou, em alto e bom som, ser mestre em educação, em Direito Constitucional e da Família. Ao ser indagada sobre a origem do diploma, Damares subiu na goiabeira do ‘não foi bem isso’ e explicou que sim, era mestre, ‘no sentido de que são mestres todos os que interpretam a Bíblia’. E continuou a interpretar o santo livro dizendo que personagem Disney que fica sozinha é lésbica, que crianças do Nordeste estudam bruxaria e que viu papai do céu na goiabeira. Lá em cima.

Lembram do Ricardo Vélez Rodríguez, o colombiano ministro da Educação? Ele, em seu currículo, afirmou ter a coautoria da obra em que o outro autor morreu em 1859. Mero detalhe. Esotéricos entenderão.

O guru do governo em curso, Olavo de Carvalho, diz ser filósofo, tem aversão profunda por titulação dos outros, levantou a lebre de que nas universidades só aconteciam ‘putarias’, diz que vacinas causam infertilidade, avisa aos incautos que a Pepsi é adoçada com fetos humanos abortados e, pérola maior, é o defensor da tese de que os negros escravizaram os brancos durante séculos. E não é tudo, mas é o suficiente.

Deltan Dallagnol, por outro, o muso da Lava Jato, depois que viu disparos contra ministros que turbinaram seus currículos, tirou da sua descrição de twitter a informação de que seria ‘Mestre em Direito por Harvard’. A informação se foi. Desturbinou a biografia e avisou, no lugar, que falava por ele e nunca pela corporação, acá Lava Jato. Mas tá lá no seu currículo que o curso existe. E, se existe, não deveria ter mantido no twitter?

Joice Hasselmann, deputada federal pelo PSL-SP e líder do governo no Congresso, foi demitida da revista Veja depois do imbróglio apontado pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná, de que a moça plagiou 65 reportagens escritas por 42 pessoas diferentes entre os dias 24 de junho e 17 de julho de 2014. É campeã em fake News e já carrega algumas reprimendas da Justiça por cria-las e espalhá-las. Mas fazedor de fake News é titulação?

Danilo Gentilli, em entrevista a Marcelo Tass, no novo #Provoca, avisou que leu algumas coisas de Paulo Freire mas, na real, ele não gosta é das pessoas que o defendem. Daí soltou a pérola: “Ele parece um estelionatário falando”. Daí Tass pediu para ele citar uma frase de Freire que ilustrasse esse pensamento. E o Gentilli falou que poderia pegar no Google, pois que já que ele não gosta, nem memoriza. E eu acreditei.

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, conseguiu seus feitos. Pulou o mestrado e fez doutorado em 2 anos e esse doutorado foi concomitantemente feito com o pós-doc, que começou antes do doutorado. Está na ficha corrida. Um caso de pós-doc feito antes do doutorado e que o tornou livre-docente no ano seguinte. E nem se fala em plágio aqui, pois que já foi o exemplo da deputada federal do PSL.

Mas as mentirinhas são pessoais. Pior se lembrarmos que Paulo Guedes, o super-mega-blaster-ministro da economia, quer nos vender a Torre Eiffel travestida de benefícios advindos com a reforma da Previdência. Comprovadamente titulado na academia, Guedes afirma que isso equilibrará as contas do governo e tirará os privilégios de tantos que ali se acomodaram. Assim como Victor Lustig vendeu a dita Torre, como se representante fosse da prefeitura de Paris, Guedes, travestido de fiel escudeiro, vende a imagem de que salário de 984 reais por mês é privilégio, e não menciona jamais as filhas de militares que recebem pensão eterna por eternizarem-se solteiras, mesmo casadas. Acho que já contei a história da Maitê Proença.

E se enfeitar currículo dá ibope, governar via redes sociais também deve dar.

Lourdes Nassif
No GGN
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Conselho de Ética pode ser acionado contra Waldir após afirmar que “a Bahia é um lixo”

Ele
O líder do PSL na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir (GO) afirmou, nesta quarta-feira (22), durante sessão na Casa, que “a Bahia é um lixo governado pelo PT”.

O estado é administrado pelo governador Rui Costa (PT), que foi reeleito no primeiro turno das eleições de 2018 com 75,45% dos votos válidos.

O vídeo foi compartilhado pelo deputado federal Jorge Solla (PT), que, em uma postagem no Twitter, provocou a presidente do PSL na Bahia, a deputada federal Dayane Pimentel. “A deputada concorda?”, indagou o petista.



O senador pela Bahia, Angelo Coronel (PSD), resolveu entrar com uma representação junto à Mesa da Câmara dos Deputados, por quebra de decoro parlamentar, perturbação da ordem de reunião e prática de ofensa moral contra o líder do PSL, Delegado Waldir (GO), após o congressista afirmar que “a Bahia é um lixo governado pelo PT”.

No documento a qual o blog teve acesso, o senador afirma que a manifestação do congressista é inaceitável e pede abertura de processo contra o congressista no Conselho de Ética da Câmara.



No Fórum
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Bolsonaro e a cisão nas classes dominantes | Café Bolchevique com Mauro Iasi


Neste episódio, nosso comunista de carteirinha parte das recentes mobilizações em defesa educação e contra a reforma da previdência para analisar a conturbada conjuntura brasileira. Recorrendo às considerações clássicas de Lênin sobre os indicativos de uma situação revolucionária, Mauro analisa as possíveis implicações disso para a sustentação do governo. Para ele, é evidente uma cisão no seio das classes dominantes quanto ao que fazer com Bolsonaro. Quanto basta para elas optem por descartar Bolsonaro? Quais deveriam ser os próximos lances das esquerdas diante desse cenário?

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Por que a família Bolsonaro quer acabar com o “monopólio” da Taurus?

A importação de armamentos é bandeira pessoal dos Bolsonaro
Após Jair Bolsonaro (PSL) assinar decretos que flexibilizam o porte e a posse de armas no país, as ações da Taurus, fabricante brasileira de armas, estão em intensa movimentação. Apenas nos três primeiros meses de governo, a empresa registrou lucro líquido de R$ 92 milhões, aumento de 15,5% em comparação com o primeiro trimestre de 2018.

Apesar dos lucros resultantes do incentivo às armas feito pelo político do PSL, a fabricante é criticada constantemente por Bolsonaro e por seus filhos, que defendem a “quebra do monopólio” da Taurus no mercado brasileiro. Eles alegam que as armas fabricadas pela empresa com frequência apresentam defeitos que vitimam policiais e civis por disparos acidentais.

A “reserva de mercado” da fabricante é garantida pelo regulamento do Exército para produtos controlados. O artigo 190 do chamado R-105 determina que “o produto controlado que estiver sendo fabricado no país, por indústria considerada de valor estratégico pelo Exército, terá a importação negada ou restringida”.

Existem ainda outras fabricantes de material bélico nacionais como a estatal Imbel, vinculada ao Ministério da Defesa, mas que apresentam uma produção muito menor em comparação a da Taurus.

A preferência para a produção nacional também foi reafirmada pela portaria 620/06 do Ministério da Defesa, que define que “a importação de produtos controlados poderá ser negada, quando existirem similares fabricados por indústria brasileira do setor de defesa”. A restrição à importação tem como justificativa proteger um setor estratégico para a soberania nacional.

Na avaliação de Larissa Rosevics, professora do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da Universidade Federal de Rio de Janeiro (UFRJ), a abertura de mercado para importação de armas defendida do Bolsonaro pode enfraquecer a indústria de Defesa Nacional.

Com a ressalva de que o setor é amplo e envolve muito mais do que armamentos letais e não letais, como por exemplo aviação, vestuários e equipamentos, ela opina que, a partir da experiência de outras áreas, a abertura defendida pelo governo pode ser prejudicial.

“Na década de 90 muitos setores da economia não tiveram uma proteção e não conseguiram fazer frente à concorrência internacional, que tinham produtos com preços mais baixos, e as empresas acabam falindo. Um setor estratégico interessante para fazer paralelo é o setor de informática, um setor onde houve a tentativa de se criar mecanismos para que o setor se desenvolvesse, até porque é uma área extremamente importante. No entanto, houve abertura de mercado sem nenhum tipo de mecanismo que garantisse uma concorrência para a indústria nacional e tivemos a falência de várias empresas do setor”, explica Rosevics.

O decreto de Bolsonaro, segundo a especialista, não faz nenhuma observação no sentido de impedir que o mesmo aconteça com a Defesa do país. Empresas estrangeiras como a austríaca Glock, CZ e Berreta já demonstraram disposição para comercializar armas de fogo, munições e outros equipamentos em território brasileiro.

“O governo não se preocupou em garantir à indústria nacional condições de igualdade e concorrência com empresas estrangeiras, pelo menos da maneira como está no decreto publicado. Não se criou nenhum tipo de restrição, cota, taxa ou porcentagem de conteúdo nacional. O que pode acontecer é que esse produto estrangeiro vai chegar ao Brasil com preço mais baixo e com uma qualidade superior ao nacional. Algumas restrições em relação a essas importações poderiam estimular o surgimento de empresas nacionais e desenvolvimento da indústria nacional”, critica a também pesquisadora do Observatório de Política Externa Brasileira da Universidade Federal do ABC, na área de comércio internacional.

Outros interesses

A defesa do clã Bolsonaro pela importação de armas busca atender interesses econômicos e políticos de países estrangeiros. É o que afirma, em off, um diplomata brasileiro em entrevista ao Brasil de Fato.

O especialista faz uma análise mais rigorosa em relação a abertura do mercado de armas. Para ele, o presidente é submisso ao “imperialismo internacional” e visa atender demandas de exportação dos Estados Unidos e de Israel.

“A atual política externa é contra os interesses do Brasil. Mais uma vez vamos demonstrar isso e vão nos enterrar mais ainda. Vamos importar um produto que temos condição de produzir. Um produto de valor agregado”, comenta.

Ele ressalta a importância estratégica do setor do Defesa para qualquer país e cita que os Estados Unidos tem seu desenvolvimento tecnológico impulsionado pela área. A internet e avanços da aviação civil americanas, por exemplo, são frutos de pesquisa no setor.

“Os países do norte se desenvolvem protegendo sua indústria e depois chutam a escada, não querem que os países do sul façam o mesmo”, acrescenta, em alusão ao livro “Chutando a escada”, do economista sul-coreano Ha-Joon Chang. A obra discorre sobre como potências mundiais impedem que países em desenvolvimento adotem políticas e instituições que eles próprios usaram para alcançar o crescimento.

A fonte que atuou no Itamaraty acredita que o argumento dos Bolsonaros sobre a qualidade de armas da Taurus é apenas um pretexto que esconde outros interesses.

“Isso é só uma desculpa, uma cortina de fumaça. Até porque não estamos em guerra. A não ser que eles estejam planejando uma guerra interna. Para que essa qualidade de arma? Há algo de errado nesse argumento deles. É uma cortina de fumaça evidente para privilegiar a importação de armas porque certamente eles são representantes de lobbies externos. É pra isso que estão lá”.

A importação de armamentos é bandeira pessoal dos Bolsonaros. Até mesmo políticos da base aliada, como o senador Marcos do Val, mantém outro tipo de relação com a empresa. Como instrutor, o parlamentar tem um histórico de relacionamento com a fabricante de armas.

Em 2017, antes de se eleger para o Senado, criou junto à empresa o prêmio Heróis Reais, que escolheria as “melhores ocorrências” dos agentes de segurança pública. Do Val é conhecido por vídeos publicados na internet em que testa e elogia armas da Taurus.

Totalmente contrário a posse e ao porte de armas, Celso Amorim, ex-ministro da Defesa, argumenta que, do ponto de visto do Estado, deve haver uma preferência à tecnologia brasileira.

“Eu sou contra facilitar o porte de armas e, se o objetivo de liberar a importação é baratear, eu sou mais contra ainda. Se é para o Estado brasileiro, estados federados, União, Exército, polícias federais ou Força Nacional, acho que o melhor é ter armas nacionais. Se a ideia é não fortalecer monopólio da Taurus, é o caso, talvez, de induzir outro investimento para criar a competição dentro do Brasil e não facilitar a importação”, sugere.

Segundo Amorim, não é possível fazer uma correlação direta entre a defesa da abertura comercial no setor de armas e a submissão irrestrita aos Estados Unidos e outras potências. No entanto, ele aponta que a subordinação ao governo estadunidense está explícita em muitas outras políticas do governo Bolsonaro.

“O alinhamento com os Estados Unidos está provado em mil outras coisas. Vende-se a Embraer, anuncia a abertura de um escritório em Jerusalém. Uma política totalmente subserviente à linha mais reacionária de Washington em relação a Venezuela. Se ameaça sair do acordo do Clima. Não entra no acordo de migrações. [A submissão] está mais do que provada”, fundamenta.

O ex-ministro relembra que, em visita ao país estadunidense, Bolsonaro fez questão de visitar a CIA, serviço de inteligência norte-americano.

“Não me recordo de nenhum chefe de Estado visitar a CIA. Não é só subserviência à bandeira americana, é subserviência ao serviço de inteligência norte americano que espionou o Brasil. É como se fossem agradecer: ‘Olha, vocês espionaram a presidenta Dilma. Espionaram a Petrobras, a indústria nuclear. Vim aqui agradecer’. Se não é isso, parece. Em política, o simbolismo tem muito sentido”, conclui Celso Amorim.

Lu Sudré
No Brasil de Fato
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Pseudos bacharéis, autoridades cometem estelionato


A fixação da extrema direita brasileira pelos Estados Unidos e pelo american way of life criou uma onda de estelionatos acadêmicos desnudados, agora, pelo bolsonarismo.

A Universidade de Harvard, que habita o inconsciente coletivo dessa tigrada semi analfabeta, transformou-se em um delírio acadêmico orientador dos currículos de autoridades públicas ávidas por se autoafirmar como gente letrada.

Esse estelionato, além de, obviamente, criminoso, é também simbólico sobre a mentalidade colonizada dessa turba - ministros, procuradores, gestores públicos - em relação ao conhecimento.

Para a maior parte dos eleitores de Bozo, o conceito de alta escolaridade está ligado à fantasia pequeno burguesa de meritocracia, daí a profusão de currículos cheios de mestrados, doutorados e MBAs que não suportam um avaliação minimamente profissional, quando não uma simples checagem jornalística.

O caso mais recente é de um aliado de primeira hora do Reich, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, outro que formou-se na Harvard Fantasy da Bozolândia.

O fato é que o governo Bozo apenas deu visibilidade a um fenômeno que sempre esteve presente no submundo da tecnocracia brasileira, mas que, antes, não chamava a atenção, por desprezível, academicamente falando.

Assim, quatro ministros já foram pegos na mentira: Abraham Weintraub, da Educação; o antecessor dele, Ricardo Vélez Rodriguez; Ricardo Salles, do Meio Ambiente; e Damares Alves, dos Direitos Humanos.

Esta última, como sempre, inovou. Damares colocou no currículo ser mestra em educação, direito constitucional e direito da família. Flagrada no estelionato, argumentou ter sido formada pela Bíblia.

Agora, descobriram que Deltan Dallagnol, o beato Salu do Ministério Público, apagou do currículo um alegado mestrado, claro, em Harvard.

É esse, o nível.

Leandro Fortes, jornalista
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PGR suíço é acusado de conluio com a Lava Jato

As acusações são de ter participado de reuniões informais e não documentadas relacionadas à Lava Jato.


Procurador Geral da Suiça Michael Lauber está sendo acusado de cumplicidade com os colegas brasileiros da Operação Lava Jato. A informação foi divulgada pelo jornal NZZ e repercutida pelo Suwissinfo.

As acusações são de ter participado de reuniões informais e não documentadas relacionadas à Lava Jato.

Rolf Schuler, advogado de Zurique que representa um réu da Lava Jato, afirmou que Lauber, junto com outros membros do MP suíço, participou de runiões não documentadas na Suiça e no Brasil com o objetivo de iniciar um processo de lavagem de dinheiro. Mas não apresentou provas de tal reunião.

Um pouco antes, Lauber foi acusado de irregularidades, também por reuniões sigilosas no caso FIFA. A corregedoria do MP suíço abriu uma investigação disciplinar para apurar essas reuniões entre Lauber e o presidente da  FIFA, Gianni Infantino. Lauber admitiu as reuniões e alegou que visavam ajudar no avanço das investigações.

Em relação à Petrobras, argumentou que as investigações não poderiam ser tocadas de modo eficiente sem as conversas informais.

Com as denúncias, Lauber corre o risco de não ser reconduzido ao cargo.

O procurador que virou advogado

Antes desse episódio, as suspeitas de reuniões informais com a Lava Jato provocaram a demissão do procurador suíço Stefan Lenz. O procurador abriu um escritório de advocacia, está oferecendo serviços a clientes brasileiros, e há rumores de que tendo como parceiro brasileiro parente de personagem influente na Lava Jato.


No site do escritório, ao lado de páginas em que repete o mesmo discurso anticorrupção de seus colegas da Lava Jato, Lenz oferece seus serviços para os suspeitos de corrupção.

Para particulares prejudicados ou acusados
  • Nós somos altamente especializados na área do direito penal financeiro e da cooperação jurídica internacional e nos aprimoramos cada vez mais nessa área.
  • a condição de ex-persecutores penais nós sabemos o que realmente importa para uma exitosa defesa penal ou representação dos prejudicados.
  • Nós temos boas relações na área do direito penal financeiro e da cooperação jurídica internacional.
  • Nós temos experiência com a solução consensual de persecuções penais, no sentido de um “Deal”, desde que haja previsão legal e seja possível.
  • Para particulares
  • Para empresas
  • Para Estados ou empresas estatais
  • Os seus direitos na Suíça
  • Porque um advogado suíço
  • Vantagens para Estados ou empresas estatais
Para empresas prejudicadas ou acusadas

Nós lhe auxiliamos em investigações internas, prestamos consultoria e representamos perante autoridades e tribunais. Nós conduzimos investigações internas, chamamos, se preciso for, os especialistas que se fizerem necessários, realizamos tomadas de depoimento e análises de fluxo de dinheiro e reunimos os fatos juridicamente relevantes num relatório de investigação.

Luís Nassif
No GGN

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Buraco negro dispara jatos de plasma em fenômeno nunca antes visto


Um grupo de astrônomos acaba de divulgar imagens incríveis do buraco negro V404 Cygni ejetando jatos de plasma para o espaço em um movimento de oscilação nunca antes visto.

O centro do buraco negro, que está a quase 8.000 anos-luz de distância da Terra, foi comparado a um “pião” devido ao seu movimento peculiar e instável, informa a revista científica Nature.

Enquanto os buracos negros são conhecidos por "cuspir" matéria, os pesquisadores observaram que os jatos do V404 disparam plasma em rápida sucessão.

"Este é um dos sistemas de buracos negros mais extraordinários com que já me deparei”, disse o líder da pesquisa, James Miller-Jones, professor da Universidade Curtin, na Austrália.

O pesquisador explica que "como muitos buracos negros, ele está se alimentando de uma estrela próxima, puxando o gás para longe da estrela e formando um disco de matéria que circunda o buraco negro e as espirais que se aproximam dele sob o efeito da gravidade".


Astrônomos da Universidade Curtin do ICRAR descobriram jatos que oscilam rapidamente vindos de um buraco negro a quase 8.000 anos-luz da Terra

"O que é diferente no V404 Cygni é que pensamos que o disco de matéria e o buraco negro estão desalinhados […] Isto parece estar fazendo com que a parte interna do disco oscile como um pião, lançando jatos de fogo em diferentes direções à medida que ele muda de orientação", declarou o autor principal do estudo.


Astrônomos australianos descobriram um bizarro buraco negro disparando jatos para o espaço em todas as direções!

Enquanto o sistema de buraco negro continua girando, ele arrasta espaço e tempo para junto de si.


Um jato dançante proveniente de um buraco negro, mudando rapidamente em questão de horas, foi pego na câmera pelos pesquisadores do ICRAR da Universidade Curtin. Publicado na revista Nature, esta é a primeira vez que um jato de buraco negro é visto mudando de direção tão rápido!

O buraco negro em questão foi descoberto pela primeira vez em 1989, quando repentinamente liberou jatos de plasma e radiação, embora explosões anteriores tenham sido detectadas em 1938 e 1956, segundo o Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia (ICRAR).

Em 2015, ocorreu outra série de explosões durante duas semanas, quando o centro do sistema formou uma estrutura oscilante em forma de rosquinha.


Esta é a visão de um buraco negro cuspindo jatos giratórios de plasma pelo espaço, depois de arrancar material de uma estrela próxima. Essa é uma sequência de 4 horas, capturada por uma rede de radiotelescópios que está espalhada pelo continente

Os cientistas continuaram observando o sistema com a Very Long Baseline Array, uma rede de radiotelescópios, mas só conseguiram capturar a atividade do jato de forma desfocada.

Eles esperam que as descobertas os ajudem a compreender outros "eventos extremos" no Universo.

No Sputnik
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Bando de fanáticos no poder: seita do capitão doido é que deixa Brasil ingovernável

https://www.balaiodokotscho.com.br/2019/05/23/bando-de-fanaticos-no-poder-seita-do-capitao-doido-e-que-deixa-brasil-ingovernavel/?fbclid=IwAR1NYbFBNC_BL04Qa8dwFMX3JJ-FiC18pvOi77MV5RJ5jHPWMND5lRfZ0ew

As imagens dos deputados do PSL alucinados com seus celulares, fazendo lives no celular enquanto a Câmara votava medida provisória de interesse do governo, mostra a irresponsabilidade não só dos parlamentares da “nova política”, mas também de quem votou neles, sem saber quem eram, na onda conservadora bolsonarista.

São eles, figuras folclóricas ou ilustres desconhecidos, pastores, policiais e militares em profusão, que alimentam as redes sociais dos fanáticos seguidores da seita bolsonarista, sob a alta direção dos filhos do capitão e dos “olavetes” espalhados pelo governo.

É uma comunicação em duas vias que se retroalimentam.

Afinal, foi também por meio destas mesmas redes, movidas pelas fakenews do kit gay e da mamadeira de piroca, com graves e falsas acusações contra os adversários que eles, o capitão Jair Bolsonaro e o general Mourão se elegeram em 2018.

Só agora, aqueles ilustres ministros do TSE, Luiz Fux e Rosa Weber à frente, os mesmos que nada fizeram contra as fakenews criminosas durante a campanha, resolveram promover um seminário em Brasília com “especialistas” para discutir o que fazer nas próximas eleições.

Que fim levaram todas as denúncias feitas durante a campanha pelos outros candidatos? Até hoje, o TSE não conseguiu dar uma única resposta jurídica à engrenagem de robôs e outros bichos, daqui e de fora do país, que foi decisiva na vitória de Bolsonaro, como ele mesmo reconhece e agradece ao filho Carlucho 02.

Quem bancou essa blitzkrieg internética que assolou o país?

Com o governo do bando de fanáticos levados ao poder fazendo água por todos os lados, apenas cinco meses após a posse, agora os mesmos personagens e financiadores se mobilizam para a convocação dos atos pró-governo no próximo domingo.

Nas mensagens ufanistas dos protestos a favor (que beleeeeeeza, como diria o Milton Leite), misturam apelos patrióticos com as visões messiânicas dos “ideológos”, que fazem do capitão um boneco de ventríloquo gaguejante e dos generais de pijama coadjuvantes da ópera bufa encenada no Palácio do Planalto.

Como é que um país pode ser governado com tantas maluquices e cenas explícitas de demência, em que o plenário da Câmara serve apenas de cenário para o circo de horrores das lives dos parlamentares bolsonaristas nas redes sociais?

Para justificar sua manifesta incompetência e inapetência na gestão do governo, eles culpam genericamente o “Sistema”, quer dizer,  a “velha política”, representada pelos outros poderes, atacando o Congresso e o Judiciário, que não deixariam Bolsonaro salvar o país dos malfeitores.

Aonde isso pode nos levar?

Quem tiver estomago e paciência pode encontrar as respostas nas redes dos deputados do PSL e dos movimentos de extrema direita que estão convocando as manifestações de domingo.

Não posso reproduzir esse material aqui, em respeito às famílias, que o capitão tanto defende — defende tanto, que teve várias.

Mas confesso que estou muito assustado.

Bolsonaro não inventou nada de novo. Apenas soltou as feras escondidas nos armários por tanto tempo e deu voz a quem só sabe destruir e agredir os outros, os “inimigos” dessa gente que agora está em guerra permanente contra a democracia e as instituições.

Qualquer que seja o resultado das manifestações do dia 26, o Brasil continuará rachado e paralisado por um governo que tornou o país inviável a curto e a médio prazo, sem saber o que fará no pós-Bolsonaro.

É isso, meus amigos, não dá mais para esconder a triste realidade que estamos vivendo.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Como viramos fascistas?


Como ocorreu a onda fascista no Brasil que elegeu um presidente de extrema-direita? Sem dúvida havia uma grande insegurança da população gerada pela crise econômica mundial que repercutiu no Brasil e foi manipulada para desestabilizar o governo da presidente eleita Dilma Rousseff até chegar no impeachment motivado por interesses políticos e da elite financeira do Brasil.

Houve também o descrédito na classe política em geral devido aos escândalos de corrupção e principalmente seu fomento pela grande imprensa gerando uma saturação da população em relação aos políticos como um todo.

A propaganda anti-petista, anti-comunista, a ameaça de virarmos uma “Venezuela”, uma “Cuba”, serviram muito bem à classe empresarial, ao capital estrangeiro e ao mercado. Enfim ao neoliberalismo radical. E nisso tudo apareceu a figura do líder num deputado inexpressivo, capitão do exército reformado, com um indisfarçado limitado cabedal de conhecimento e pouca capacidade de expressão?

Como que alguém como Jair Bolsonaro chegou a ocupar o cargo de Presidente da República? Trata-se de alguém que foi catapultado à notoriedade durante a votação do impeachment da Dilma (propagado pela televisão e rede nacional para todo o Brasil) ao traçar sua plataforma eleitoral: “pela família e pela inocência das crianças em sala de aula (coisa que o PT não fez), contra o comunismo e pela nossa liberdade, em memória de Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Roussef, por Duque de Caxias e as nossas forças armadas, pelo Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”.

Essa narrativa, declaradamente a favor da tortura e do extermínio dos opositores políticos, parece advir de alguém que efetivamente diz coisas que ninguém diz, que tem o Inconsciente a céu aberto e a pulsão de morte livre de qualquer pudor em sua expressão de destruição.

Essa plataforma já inoculava o veneno da mentira sobre o suposto “kit gay” que jamais existiu (voltaremos a isso em detalhes em uma próxima coluna) e o temor das forças armadas evocando junto com o torturador Ustra os anos da ditadura militar no Brasil.

“Forças armadas” implica bem a sua opção pela “força” e pela “arma” que foi utilizada desde sua campanha eleitoral com a promessa aos “cidadãos de bem” de presenteá-los  com a posse oficial de arma para defenderem a si próprio e  a sua propriedade privada.

E nesse discurso no impeachment de Dilma, Bolsonaro se colocou claramente do lado do “pavor” não só da ex-presidente como de mulheres, negros, gays, trans, servidores públicos, artistas, professores, intelectuais e todos seus opositores. E assim foi instalado o terror anunciado. Seus eleitores passam ao ato de violência sentindo-se autorizados pelo discurso do “mito” indo até o assassinato, como o do capoeirista Moa na Bahia, diante fez declarações desumanas: “Se as pessoas matam evocando o meu nome o que tenho a ver com isso?” E mais recentemente o silêncio em relação aos 80 tiros assassinos.

Como alguém com tal plataforma de atrocidades pode ter tido o maior número de votos no primeiro turno e em seguida ser eleito presidente da República? Não se trata aqui de avaliar as forças geopolíticas, a influência dos Estados Unidos, nem dos interesse econômicos e políticos em jogo que levaram a mídia oficial e a classe empresarial a jogar todas as fichas nesse candidato para manter seus próprios interesses. A pergunta permanece: o que faz a maioria da população brasileira votar nesse candidato?

Podemos supor que sua votação expressiva se deu APESAR dessas características negativas, que seus eleitores minimizam em prol de ser “ficha limpa”, não ser corrupto, ser “patriota”, trazer de volta os valores da família, da pátria e da propriedade privada, de ter com ele um economista de renome, consertar a economia do país, colocar a ordem no caos da política, etc.

Mas também podemos pensar que essa quantidade enorme de votos se deu não apesar disso mas JUSTAMENTE POR CAUSA dessas caraterísticas que nós julgamos negativas, mas que para muitos são positivas.

Escutamos a narrativa de eleitores de Bolsonaro que dizem  “não ter mais saco” de ser “politicamente correto” e não poder “sacanear” negro, gay, fazer piada machista, antissemita, em nome da “liberdade de expressão”. As falas do candidato liberam os diques da pulsão de morte e autorizam o gozo sádico de pisar no outro, no diferente, no fora-da-norma da elite branca, heterossexual, racista, rica, machista, escravocrata, cristã (católicos ou protestantes) e homofóbica.

O que está em questão é que esses grupos antes acuados e considerados “gentalha desprezível” adquiriram fortemente na última década direito e voz de cidadania e começaram a frequentar espaços antes reservados só à elite (classe alta) e aos que não eram mas queriam ser (classe média).

O racismo é definido por Lacan como o ódio dirigido ao gozo do Outro, diferente, o Héteros, em grego, o que não é espelho, igual, mesmo. Foi esse ódio mal contido e mal disfarçado que agora explode ao se ver autorizado pelas palavras do “Mito”  (significante que seus eleitores passaram a usar para qualificar o candidato e agora presidente da extrema direita no Brasil).

Durante a campanha, esse candidato soltou diversos significantes degradantes que como dardos espetam etiquetas no suposto gozo desprezível e degradado. Eis alguns significantes que foram utilizados em seu discurso: a “indolência” e a “promiscuidade” dos negros, o gozo sexual do gay que deve ser isolado, evitado e motivo de “porrada”, as mulheres supostamente desavergonhadas que foram nuas na manifestação do #EleNão, segundo uma das mentiras de Fake News forjadas. A manifestação convocada em outubro de 2018 entre o primeiro e segundo turno das eleições presidenciais por grupos de mulheres arrastou multidões de homens, mulheres, crianças, idosos, famílias, grupos de negros, LGBTQIs etc nas maiores cidades de todo o Brasil.

Agora, em nome do “Mito”, pode-se ser cruel e, como na guerra, fazer o que bem entender com o outro já que ele é um “inimigo do povo”.  Na guerra – respondeu Freud a Einstein à questão de Por que a guerra? – pode-se fazer do outro o objeto de sua pulsão de crueldade, e assim, como o outro é inimigo pode-se: humilhar, xingar, machucar, torturar e matar.

O fascismo é como a guerra: o ódio ao outro é a regra. Devido às características próprias da linguagem, aquilo que é possível se torna rapidamente um imperativo.  E a ordem é: Odeie! A possibilidade de saciar seu sadismo no outro se torna um dever. E o gozo da agressividade se satisfaz fazendo do outro a um objeto de descarga de sua privada pulsão de morte, pois ele é um ser abjeto (também voltaremos a esse ponto).

A esse fator de gozo sádico liberado – e rapidamente comandado por fidelidade ao “ Mito”  – se associa  outros três fatores:

1 – Bolsonaro surge no campo eleitoral revestido com a capa de o representante do “anti-sistema”, como uma exceção à regra do “todos corruptos” da classe política.

Dentro do caos político e do desarvoramento causado em grande parte pela mídia oficial que, desde 2014 com a eleição de Dilma, apostou no pior, Bolsonaro surge como o homem simples, genuíno, cuja fala sem pudor, nem educação, nem papas na língua lhe dá um “atestado de autenticidade”.

Esse perfil é típico dos fascistas. Hitler também era considerado um homem simples que fala com uma linguagem popular e direto ao povo. Ao propor governar com as forças armadas, armar os “homens de bem” da população civil e incitar seu uso para defender a propriedade privada, ele é o garantidor da ordem estabelecida pelas elites.

Ao se colocar como representando o Brasil, acima de todos, e o representante de Deus, acima de tudo (com o aval e orações da igrejas evangélicas), ele se apresenta como um “Salvador da pátria, da família, da religião, da moral e da propriedade”. Encarnando assim o Significante mestre, capaz de unificar o Brasil, como o “patriota”. Esse paradigma do patriotismo bate continência hoje para americanos e libera para eles terras, armas e dinheiro de forma vergonhosa.

Pai ideal restaurador da ordem e da lei, ele promete fazer,  auxiliado por uma Ministra de Deus, uma repartição dos seres em “do bem” e “do mal” e assim extrair o joio do trigo que a elite comerá em paz. E para os outros (como os “nordestinos burros”) o capim. Com essa repartitória, o Mito promete limpar o gozo sujo e deixar tudo limpinho e cheiroso. Esse método se chama higienismo e parte da premissa que não só tem seres humanos superiores a outros como tem seres humanos que simplesmente não são humanos. É isso que se espera de um Salvador da pátria: colocar “ordem e progresso”, como está escrito na bandeira do Brasil.

Esse o lugar do Salvador é o lugar do Ideal do eu que a massa coloca o líder (cf. Freud), o qual sustenta determinados ideais com os quais cada indivíduo se vê representado. Assim cada um pode dizer do líder “Ele me representa”. É o lugar do pai ao qual cada um devotará amor estando cego para seus defeitos e rivalizará com seus pares da massa pelo amor deste e fará tudo para chamar a atenção dele, para agradá-lo e receber em troca seu amor.

É essa massa que é manipulada pelo Twiter presidencial. Daí não ser necessário o líder dar ordem disso ou daquilo, basta expressar um desejo, uma rejeição, apontar um inimigo para seus seguidores com uma fidelidade canina atacar. É o caso dos seguidores do “Mito” que transformam em ato de violência o ataque verbal de seu líder a determinados sujeitos a serem eliminados do convívio social. E assim instaura a lógica da segregação, da exclusão que pode ir até o extermínio ou o exílio. Essa é a dimensão real do horror da massa.

2 – O “Mito” ou “O messias”, estruturalmente está, portanto, no lugar do Um da exceção do Pai da horda primitiva do mito freudiano, que representa a Lei sim, mas está –  sem escrúpulo algum –  acima dela fazendo todos lhe prestarem obediência e andarem todos direitos no mesmo passo sob a mira das armas da lei, da qual é exceção.

O Pai do mito freudiano da horda tinha todas as mulheres para si e escravizava os homens. Porque as pessoas se submetem a ele? Por medo e paradoxalmente admiração. E também por gozo masoquista de ser usado como um objeto de gozo do pai, justamente como a fantasia masoquista descrita por Freud em seu estudo sobre o problema econômico do masoquismo.

Na fantasia masoquista o sujeito é um objeto de gozo do pai e seu espancamento no corpo do filho é sinal de seu amor.  Ao se reduzir a um objeto do gozo do Outro – uma fantasia que pode ser atuada em relação ao líder – o sujeito abre mão de sua identidade, de seus desejos e aspirações e se torna um vazio a ser determinado, definido e nomeado por seu dono e senhor. E assim paradoxalmente as sevícias e castigos do senhor são interpretados como prova de amor.

3 – O Messias, como Hitler, apresenta uma onipotência e megalomania que o faz se identificar com o Um do poder que messianicamente tem a solução para todos os males. Na narrativa paranoica, o líder é imbuído de uma certeza tal que não apresenta nenhuma divisão subjetiva. Ele é retido por um ideal ao qual tem uma identificação imediata, como por exemplo, a promessa messiânica: “Tenho a missão de salvar a Alemanha de seus inimigos: os judeus”.

Na versão brasileira: “Deus quer que eu seja presidente da república”.  O neurótico está sempre dividido, hesita, duvida mas também é capaz de dialética, ou seja, de opor tese e antítese e chegar à sínteses, capaz de se contradizer, se desdizer, voltar a trás, se retificar e concluir. Sempre entre-dois, dois desejos contraditórios, entre o sim e o não, consciente e inconsciente, o neurótico fica fascinado diante do paranoico que não hesita, que é habitado por certezas e tem certezas sobre o rumo a seguir.

Assim, o líder terá um bando de neuróticos hipnotizados que não querem saber de sua divisão e de sua falta e se agarram ao pensamento único do Mestre e Senhor (que não tem mesmo mais do que um pensamento) e saem por aí repetindo que nem papagaios slogans, memes e palavras de ordem de seu líder. E passam ao ato em nome do líder executando as piores atrocidades como os ataques racistas, homofóbicos, misóginos.

Eis um aspecto da psicologia das massas do fascismo made in Brasil. Mas o neurótico é também dividido estruturalmente em relação à crença: “no creo en la brujas, pero que las hay, las hay”. Devido a essa divisão subjetiva, há sempre a possibilidade de arrancar um neurótico do “pero que las hay las hay ” e daí ele poderá deixar de acreditar em  papai noel, bruxas e super-heróis.

Antonio Quinet – Psicanalista, escritor e dramaturgo
No GGN
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Xadrez da grande disputa entre Sérgio Moro e Raquel Dodge pela atenção de Bolsonaro

Peça 1 – procuradores e o jogo político dos “Billions”

Para o público brasileiro, as séries de TV fechada são o melhor caminho para entender novos aspectos da vida americana e mundial. Já houve boas séries sobre a cooperação internacional, sobre as disputas entre os grandes escritórios de advocacia novaiorquinos e sobre os novos poderes da Procuradoria Federal – e as jogadas protagonizadas por procuradores.

Recomendo a 4ª temporada da série “Billions”, que se desenvolve em cima das disputas de poder envolvendo grandes financistas e procuradores, especialmente, candidatos ao cargo de procurador-geral.

É um jogo em que as partes exploram ao máximo os interesses individuais de juízes, bilionários, políticos e as manchetes da mídia – a tradicional e a das redes sociais. Há um ex-procurador geral que tira um banco de uma investigação de lavagem de dinheiro em troca de crédito para os negócios de seu pai. Outro que faz uma barganha com um juiz para conseguir autorização para grampear o adversário. Os bilionários entram no jogo com seu poder de influência sobre os políticos e sobre outros bilionários que podem influenciar outros políticos.

Cria-se um enorme jogo de xadrez no qual as armas dos diversos procuradores consistem em se valer dos poderes de tirar ou incluir suspeitos em inquéritos, ameaçar com prisões preventivas com estardalhaço ou arquivar as denúncias, e disputar os grandes inquéritos, que podem render dividendos – para procuradores e juízes – na escalada profissional.

O título “Billions” é apropriado para revelar a dimensão do jogo. Todos os movimentos se dão em torno de interesses pessoais dos envolvidos. E os interesses se movem na casa dos bilhões.

Aliás, os recentes entreveros entre o Procurador Geral da Suiça Michael Lauber e o principal responsável pelas investigações da Lava jato, Stefan Lenz, comprovam a disseminação do padrão “Billions”. Lenz saiu do MP levando consigo vários colegas. E montou um escritório de advocacia visando vender seus serviços e sua fama de implacável – e obviamente sua rede de relacionamentos com os MPs implacáveis de vários países – a clientes acusados de corrupção.

O site tem uma página deblaterando contra a corrupção; e outra oferecendo seus serviços aos acusados de corrupção.


Peça 2 – as disputas pela PGR e a lista tríplice

Há dois grupos em disputa pela sucessão de Raquel Dodge na Procuradoria Geral da República: a Lava Jato, tendo Sérgio Moro como padrinho, e a própria Raquel.

A indicação do PGR passa por três julgadores: a corporação, que vota na tal Lista Tríplice, selecionando três procuradores para indicação pelo Presidente da República; o próprio presidente, a quem cabe a indicação; e o Senado, a quem cabe a aprovação do nome escolhido.

Para passar pelo filtro da Lista Tríplice, o candidato deve se apresentar à categoria defendendo suas prerrogativas corporativas: condições financeiras, de trabalho e independência funcional, da qual o exemplo mais simbólico foi o poder assumido pela Lava Jato.

Quanto mais bem-sucedido for junto à corporação, mais mal-sucedido será perante o Presidente da República e o Senado. Ou seja, há um conflito insanável entre as duas primeiras etapas.

Peça 3 – o presidente e a Lista Tríplice

O Presidente não é obrigado a se sujeitar à Lista Tríplice. Mas, fugindo dela, haverá um desgaste político inevitável. A menos que… A menos que reconduza Raquel Dodge ao cargo.

Raquel deu a senha, ao não entrar na disputa da Lista Tríplice.

Hoje, a reportagem de Gustavo Uribe e Reynaldo Turolla Jr na Folha – “Por recondução Dodge é apresentada a Bolsonaro como alternativa previsível” – é precisa ao mostrar os movimentos de assessores jurídicos de Bolsonaro para convencê-lo a manter Raquel no cargo. O argumento principal é de que Raquel é “previsível”, conta com apoio no Supremo Tribunal Federal e no Congresso contra os esbirros da Lava Jato.

De fato, em sua gestão houve notável redução nos abusos da Lava Jato. Não apenas isso. Em toda sua gestão, a única atitude propositiva de Raquel foi contra a própria Lava Jato, ao entrar com uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra a tentativa de criar uma fundação para administrar R$ 2,5 bilhões que a Lava Jato receberia pelos serviços prestados, na ação que surrupiou US$ 3 bilhões da Petrobras, em um conluio que envolveu procuradores do próprio Departamento de Justiça e grandes escritórios de advocacia.

Mesmo seus aliados consideraram desproporcional sua atitude contra os “tigrinhos” da Lava Janot (uma paródia dos “tigrões”, como eram chamados os barras pesadas da repressão), quando uma conversa poderia tê-los demovidos da iniciativa – tão despropositada era a proposta da fundação.

Peça 4 – Raquel x Sérgio Moro

Entra-se, então, em um jogo interessantíssimo, em termos de análise de probabilidade, embora vergonhoso em termos de cidadania: a disputa Sérgio Moro/Lava Jato versus Raquel Dodge pela atenção de Bolsonaro.

Ou seja, o mais suspeito presidente da história sendo afagado por representantes das duas corporações que mais poderes ganharam com o combate à corrupção.

Nem se imagine Moro como um defensor da ética e da moralidade contra as manobras políticas de Raquel. Afinal, ele teve participação ativa na eleição de Bolsonaro e foi premiado com o cargo de Ministro da Justiça.

Ambos têm como trunfo maior as investigações sobre Flávio Bolsonaro e sobre o próprio Jair. A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre o caso Flávio e o remeteu à PGR. Mas a titularidade da denúncia é do MPF. E quem comanda a PF é Sérgio Moro, que tem como trunfo maior a parceria com a Globo.

Peça 5 – o país de Macunaíma

Todos os estereótipos de “Billions” tem sua contraparte brasileira. O bilionário André Esteves, que saiu ileso da Lava Jato (e aí, Dallagnol?), o procurador geral Rodrigo Janot, Dallagnol. O único personagem não caracterizado em “Billions”, pela incapacidade do roteirista de aproximar a ficção da realidade brasileira, é Jair Bolsonaro.


Têm-se, então, essa situação esdrúxula que marca o apogeu da politização e da desmoralização da Justiça: as duas instituições que conseguiram notável poder político tendo como bandeira o combate à corrupção, disputando diretamente a atenção de Jair Bolsonaro, tendo como contraproposta a capacidade de blindá-lo, ele,  um presidente da República suspeito de ligações estreitas com as milícias e os porões.

Quando alertávamos, lá atrás, para os perigos da parceria mídia-Lava Jato, para a cegueira de não se perceber o monstro que estava sendo parido, para a lógica de que todo poder absoluto tende à corrupção, era sobre isso que nos referíamos.

E ainda tem a isca da indicação para o Supremo, que Raquel ambicionava desde Michel Temer.


Mas, como declarou o Ministro Luís Roberto Barroso, o país entrou definitivamente na era Iluminista. E quem sou para desmentir um Ministro que fala tão bonito.

Luís Nassif
No GGN
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Globo passa a faca nos salários milionários

Galvinho e Bonner não escapam


De Sandro Nascimento, no Na Telinha:

Após iniciar uma forte redução nos valores do salário de Galvão Bueno e outros profissionais ligados área do esporte, a Globo também pretende passar a faca nos contra-cheques milionários de grandes nomes da área artística.

Estão na mira os seguintes medalhões: Ana Maria Braga, Luciano Huck, Fátima Bernardes, Fausto Silva, Aguinaldo Silva, Pedro Bial e William Bonner.

O NaTelinha apurou que, inicialmente, os cortes na Globo girarão em torno de 20% a 40% e serão calculados em cima dos salários fixos e não sob os percentuais de participação que cada artista tem nos merchandisings. O assunto vem sendo tratado com alto sigilo dentro da Globo.

Neste cenário, os jornalistas que desempenham funções de apresentadores e pertençam ao núcleo de jornalismo, seriam os mais prejudicados. William Bonner não possui permissão para ser garoto propaganda de marca e incrementar seus vencimento. Diferente dos jornalistas que migraram para a área de entretenimento, como é o caso de Tiago Leifert, Patrícia Poeta e Fernanda Gentil, mais recentemente.

As informações sobre corte nos salários de grandes estrelas já foram vazadas dentro da Globo e causou um forte rebuliço entre alguns contratados.

A faca nos vencimentos milionários de medalhões do casting faz parte de um processo de readequação financeira que a Globo pretende realizar nos próximos meses. Alguns contratados que estão próximos da renovação de contrato já foram procurados pela direção da emissora para discutir a redução salarial.

(...)

Corte no salário de Galvão Bueno

Os primeiros medalhões da Globo a sentir a faca da nova política salarial da emissora foi Galvão Bueno e Cléber Machado. Os narradores esportivos tiveram seus salários reduzidos em torno de 50%.

Para compensar a queda drástica nos vencimentos, a Globo mudou a regra que também valia para o setor de esporte e passou a autorizar profissionais ligado ao setor a realizar propagandas durante as partidas esportivas.

O primeiro a estrear as novas normas será Galvão Bueno. O locutor vai faturar cerca de R$ 200 mil com ações de merchandising que devem iniciar na Copa América, que começa em junho.

Queda no faturamento

O resultado financeiro da Globo em 2017, que foi publicado em diversos jornais, informa que o porta da web e a emissora de TV obtiveram uma queda de faturamento de 4,6% em relação a 2016, e 8,2% na comparação com 2015.

No total, no último ano, a TV Globo acumulou um prejuízo de R$ 83,3 milhões.

(...)

No CAf
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A hora da renúncia


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Dallagnol tem de provar que não fraudou currículo com falso mestrado em Harvard


O mestrado do Deltan Dallagnol em Harvard sumiu?

A resposta a essa pergunta vale mais que os R$ 2,5 bilhões que o Partido da Lava Jato do Deltan acertou com o Departamento de Justiça dos EUA para seu Estado paralelo.

O mérito do perfil @bobjackk [foto] no twitter é, justamente, trazer a público a dúvida acerca do paradeiro do mestrado do Deltan Dallagnol em Harvard.

No tweet de cerca das 5 da tarde [aqui], @bobjackk perguntou: “Alguém reparou que com essa onda de verificar currículos, Deltan @deltanmd mudou a Bio [biografia] e sumiu com o Mestrado em Harvard?”.

A pergunta de @bobjackk se refere ao fato da descrição do perfil anterior do Deltan no twitter incluir no currículo o título de Mestre em Direito por Harvard e, na descrição atual do seu perfil, esse título de Mestre em Direito por Harvard ter sumido.

Deltan está convocado a demonstrar, cabalmente, a existência do título de Mestre em Direito por Harvard. Se não provar a existência do título, cometeu crime que o faz incompatível com a função de procurador da República.

Deltan tem a obrigação de demonstrar, de maneira documentalmente incontroversa, que a formação acadêmica em Harvard não é uma farsa tal qual a farsa jurídica que ele e o Moro montaram para tirar Lula do caminho da instalação da barbárie no Brasil.

Jeferson Miola
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