17 de mai. de 2019

Carlos Bolsonaro e Adélio: As perguntas ainda sem resposta no caso da facada


Antes da repercussão da notícia de que Adélio Bispo de Oliveira esteve no estande de tiro em Santa Catarina no mesmo período que um de seus filhos, Jair Bolsonaro cobrou rigor e celeridade no inquérito da Polícia Federal que apura se houve mandantes para o crime da facada em Juiz de Fora. Em vídeo divulgado no dia 10 de fevereiro, Bolsonaro não tem dúvida: houve mandantes para o crime.

“Espero da nossa querida Polícia Federal, a polícia que nos orgulha a todos, que tenha uma solução para o nosso caso nas próximas semanas. Esse crime, essa tentativa de homicídio, esse ato terrorista praticado por um ex-integrante do PSOL não pode ficar impune e nós queríamos, sim, e gostaríamos que a PF — obviamente com dados concretos — apontasse quem foi ou quem foram os responsáveis por determinar que o Adélio praticasse aquele crime lá em Juiz de Fora”.

Todas as informações tornadas públicas dão conta de que Adélio agiu por conta própria. Foi um lobo solitário, na linguagem do terrorismo. Porém existe um inquérito em curso para apurar se houve mandantes. Se a investigação existe, tem que ser levada a sério. E se não é apenas jogo de cena, é necessário esmiuçar as razões que levaram Adélio Bispo de Oliveira a praticar tiro ao alvo no mesmo estande frequentado por seus filhos.

No mínimo, é uma linha de investigação.

Não é uma questão de levantar suspeita sobre Carlos Bolsonaro, que esteve no estande em data próxima da de Adélio, mas de afastar hipóteses e dar uma resposta satisfatória a quem não acredita que o autor da tentativa de homicídio agiu sozinho. É o caso de Bolsonaro.

A presença de Adélio no estande 38 é estranha. O local não é um ambiente típico dele, que teve empregos modestos, de baixa remuneração, como o de servente de pedreiro. O estande, como se vê pelas fotos e pelo custo dos serviços que oferece, é frequentado por quem tem, no mínimo, um razoável poder aquisitivo.

Foi o próprio Bolsonaro quem manifestou estranheza quanto à presença de Adélio no estande, segundo registrou a revista Época. Como Adélio poderia gastar “centenas de reais em dinheiro vivo” na prática de tiro naquela clube?

Esta é apenas uma das perguntas sem resposta. Mas há outras:

Por que Adélio viajaria de Montes Claros a Florianópolis, percorrendo uma distância de quase 1.700 quilômetros, apenas para praticar tiro ao alvo?

Por que advogados que costumam cobrar caro defendem Adélio, tendo usado até um avião particular para chegar a Juiz de Fora?

Quem pagou os honorários desses advogados?

Bolsonaro também considerou a contratação dos advogados suspeita.

“No mesmo dia do crime, quatro advogados se apresentaram para defendê-lo. Usaram inclusive um jatinho particular. Então está na cara que gente com dinheiro e preocupada com que ele não abrisse a boca foi em seu socorro”, disse ele.

A investigação da PF não apresentou até agora uma explicação convincente para a origem dos recursos que bancam a defesa de Adélio.

Um dos advogados do autor da facada, Zanone Manuel de Oliveira, disse que foi contratado por uma pessoa ligada à Igreja do Evangelho Quadrangular de Montes Claros.

O encontro para selar a contratação teria ocorrido em um hotel em Juiz de Fora, conforme relato publicado em Época:

“Um homem malvestido, com calça de prega e camisa de pastor”, foi ao hotel do advogado na manhã seguinte ao atentado. Queria pagar pela defesa de Bispo. Tomando café da manhã, Oliveira disse a ele que o serviço custaria R$ 300 mil se durasse até o último recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF), R$ 150 mil se fosse até sair a primeira sentença ou R$ 25 mil para simplesmente dar início à defesa. O advogado disse ter concordado em receber R$ 5 mil em dinheiro do cliente, de quem nem sequer registrou o nome. Os outros quatro pagamentos nunca chegaram.

Adélio foi membro destacado da Quadrangular de Montes Claros, inclusive chegou a pregar. Mas seus dirigentes negaram que tivessem contratado a defesa do ex-membro, muito menos pago honorários.

A suspeita de que a explicação do advogado é fantasiosa aumenta quando se sabe que a Polícia Federal não encontrou imagens do suposto encontro no hotel com o contratante de seus serviços.

Zanone poderia estar trabalhando de graça, apenas com objetivo de obter visibilidade profissional? Sim, mas nesse caso não precisaria contar uma história inconsistente. Bastava alegar sigilo profissional e não dizer se estava recebendo pelo serviço.

O que se sabe é que Adélio tinha informações precisas sobre o deslocamento de Bolsonaro por Juiz de Fora e chegou a fotografar alguns lugares, como o hotel onde Bolsonaro se reuniria com empresários.

Imagens obtidas pela Polícia Federal no dia da facada mostram Adélio muito à vontade, sempre em local próximo do então candidato.

Na chegada à cidade, Bolsonaro parou com sua comitiva em uma rua, desceu do carro e fez um discurso.

Muito perto dele, no lado contrário da multidão, vê-se Adélio andando de um lado para o outro, segurando em uma das mãos a faca enrolada em jornal.

É um comportamento que deveria levantar a suspeita de seguranças. Mas passou batido. Alguns minutos depois, Adélio cravou a faca na barriga de Bolsonaro.

Muito estranho é que, nesse dia, Bolsonaro não usava colete à prova de balas. Em reportagens sobre suas viagens anteriores, quase sempre há referência de que ele vestia o equipamento de proteção.

Em Rio Branco, no Acre, por exemplo, dois dias antes da viagem a Juiz de Fora, ele vestia o colete sob uma jaqueta esportiva.

Foi nessa viagem que disse: “Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre”.

Carlos Bolsonaro, o filho que esteve no estande em Santa Catarina em datas muito próximas das de Adélio, não foi à capita acreana, mas estava em Juiz de Fora.

Gustavo Bebianno, que era o presidente do PSL e acompanhava Bolsonaro em todas as viagens da época das eleições, contou que esta foi a única vez que Carlos Bolsonaro acompanhou o pai em viagem de campanha.

Bebianno soltou a informação no meio de uma entrevista à Jovem Pan, enquanto fazia críticas muito duras ao filho de Bolsonaro.

“Durante toda a campanha, ele nunca viajou conosco, a única viagem que ele fez durante a campanha foi exatamente a viagem para Juiz de Fora, da facada. As outras viagens nós fazíamos o grupo. Segurança, o presidente e tal”, comentou.

Bebianno também comentou que, depois da facada, quando Bolsonaro era operado na Santa Casa de Juiz de Fora, Carlos Bolsonaro chorou muito, apoiado em seu ombro.

Já tinham alguma diferença, segundo ele contou, mas foi no ombro do futuro desafeto que encontrou consolo para aquela hora difícil.

Carlos Bolsonaro não pode ser considerado suspeito de absolutamente nada. Mas, se o objetivo é elucidar o crime, a presença de Adélio no estande de tiro em São José, na região de Florianópolis, precisa ser investigada.


Adélio, à esquerda, em frame de um video inédito: faca na mão esquerda, enrolada em jornal

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Pequena prévia da entrevista de Lula ao jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil


Em sua terceira entrevista desde que foi preso, em abril do ano passado, o ex-presidente Lula demonstrou a mesma energia e altivez que foram constatadas nas duas primeiras.

Desta vez, o petista falou ao jornalista norte-americano Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil. Uma pequena prévia editada de um minuto da conversa foi divulgada nesta sexta-feira (17). Entre outros temas, Lula chega a afirmar que tem “clareza” que o departamento de Justiça dos Estados Unidos está por trás da Lava Jato e, consequentemente, se dua prisão.

“O senhor tem evidências, provas?”, perguntou Greeenwald, ao que Lula respondeu ironizando uma frase do ex-juiz Sérgio Moro: “Tenho convicção”.

Na quarta-feira (15), dia em que a entrevista foi gravada, o jornalista do The Intercept Brasil andiantou alguns pontos. “Uma discussão abrangente sobre Bolsonaro, a ascensão da direita nacionalista, os problemas da esquerda, Trump, Venezuela e muito mais”, escreveu em suas redes sociais.

A íntegra da conversa será divulgada na próxima segunda-feira (20.

Confira, abaixo, a prévia da entrevista.


No Fórum
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Não tem mais jeito: o que se discute agora é como e quando Bolsonaro vai cair


Renúncia? Internação? Impeachment? Golpe dos generais?

Como diria o êmulo Trump, todas as opções estão sobre a mesa, mas uma coisa é certa: Jair Bolsonaro não tem mais condições políticas, mentais e morais para governar o país.

Já não tinha quando tomou posse. Mas, de lá para cá, tudo só piorou - para ele e para nós.

O país esta perto de um colapso político e econômico sem precedentes na nossa história.

Antes de completar cinco meses no poder e de começar a governar, o tempo do capitão já acabou.

Quem ainda sustenta Bolsonaro e quer a sua permanência? Quem vai sair às ruas para defender seu desgoverno?

Cada vez mais isolado e raivoso, ele mesmo já falou em impeachment num dos confrontos com os jornalistas na sua escalafobética viagem relâmpago a Dallas para fazer uma homenagem a ele mesmo.

“Nossa senhora, hein? É uma Lava Jato aí. Vai fundo, tá ok? O objetivo é me atingir”, deixou escapar logo cedo, ao ser perguntado sobre o Queirozgate que está fazendo uma devassa no modus-operandi dos bolsonaros.

Ainda atordoado com as grandes manifestações contra seu governo na véspera, as maiores desde o Fora Collor, o capitão saiu atirando para todo lado.

“Não vão me pegar!”, bradou Bolsonaro, mas agora é tarde. Já pegaram, como ele pode constatar ao ler a Folha de hoje:

“Apuração sobre Flávio pode avançar sobre milícia, PSL e primeira-dama”, informa o jornal na página A8.

Para completar, os editoriais dos três principais jornais brasileiros nesta sexta-feira já decretaram o fim do seu governo.

O Globo – “Não é possível governar assim. Não se governa por meio de confrontos”.

Estadão – “Hostilidade como método”. No texto, o jornalão conservador, que apoiou sua candidatura, constata que “Bolsonaro age como um chefe de facção”.

Folha – “Idiotia inútil”. Começa assim: “O obscurantismo agressivo do governo Jair Bolsonaro (PSL) converteu o crucial debate sobre o financiamento do ensino superior público, já tardio no país, em um confronto de bandeiras ideológicas”.

Com a economia e a articulação política em frangalhos, sem conseguir entregar as reformas prometidas, Bolsonaro já perdeu o apoio da mídia e do mercado que bancaram o Fora PT.

Só faltava o povo nas ruas. Não falta mais. Novas manifestações já foram marcadas para o dia 30 e uma greve geral está sendo organizada para 14 de junho.

Só as redes sociais dos guerrilheiros de internet do filho Carlucho 02 não vão segurar Bolsonaro no poder.

Ao contrário, agora com sinal invertido, podem apressar a sua queda, como mostram as pesquisas feitas pelos jornais após os protestos contra o governo esta semana.

Em guerra permanente, Bolsonaro abriu várias frentes de batalha ao mesmo tempo - e perdeu todas.

Até o inacreditável gurú Olavo de Carvalho (de onde saiu isso?) já pulou do navio e avisou que não vai mais se meter na política nacional.

Restou a Bolsonaro a companhia apenas dos três belicosos filhos parlamentares, que só lhe causam problemas.

Triste fim de um capitão expulso do Exército, que passou 30 anos escondido no baixo clero da Câmara, e achou que poderia ser presidente da República para se vingar dos seus inimigos reais ou imaginários.

Alguém precisa avisar o presidente que a Guerra Fria já acabou faz tempo, mas acho que agora não adianta mais.

Enquanto se procura uma “saída institucional” para tirar o estorvo do Palácio do Planalto, com o vice general Mourão ou com Rodrigo Maia, o herdeiro do centrão de Eduardo Cunha, não para de crescer o número de desempregados e de moradores de rua jogados nas calçadas.

O que virá depois de Bolsonaro? É a pergunta que mais se houve agora, diante da terra arrasada pela “nova política”, que fez o país retroceder 50 anos, ou mais.

Perdeu, capitão. Acabou a brincadeira de fazer arminha com as mãos.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Bozo, na sua ignorância, divulga texto de renúncia


Jair Bolsonaro distribuiu na manhã desta sexta-feira em grupos de WhatsApp um texto que em tudo lembra a retórica de Jânio Quadros e insinua as hipóteses de um golpe de Estado para implantar um Estado policial ou a renúncia. O texto, que ele diz ser de "autor desconhecido", usa a expressão "corporações" sem nomeá-las, quase num sinônimo das "forças ocultas" a que se referia Jânio Quadros, para falar das supostas dificuldade de Bolsonaro para governar. Termina com uma expressão típica do mercado financeiro, "Sell" (vendam), como a dizer que o governo acabou. Para introduzir o texto nos grupos, Bolsonaro escreveu: "Um texto no mínimo interessante. Para quem se preocupa em se antecipar aos fatos sua leitura é obrigatória. Em Juiz de Fora (06/set/2018), tive um sentimento e avisei meus seguranças: 'Essa é a última vez que me exporei junto ao povo. O Sistema vai me matar'. Com o texto abaixo cada um de vocês pode tirar suas próprias conclusões."

Segundo a repórter Tânia Monteiro, do jornal O Estado de S.Paulo, a resposta de Bolsonaro por meio de seu porta-voz, o general  general Otávio do Rêgo Barros, ao questionamento sobre a iniciativa no Whatsapp foi: "Venho colocando todo meu esforço para governar o Brasil. Infelizmente os desafios são inúmeros e a mudança na forma de governar não agrada àqueles grupos que no passado se beneficiavam das relações pouco republicanas. Quero contar com a sociedade para juntos revertermos essa situação e colocarmos o País de volta ao trilho do futuro promissor. Que Deus nos ajude!”

O texto anônimo divulgado por Bolsonaro afirma que ele estaria sofrendo pressões das misteriosas corporações e que o País "está disfuncional", não por culpa do presidente, mas que "até agora (Bolsonaro) não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou".

Segundo a jornalista, Bolsonaro pediu que o texto fosse replicado nos grupos de WhatsApp. Tânia Monteiro acrescente: "fontes ouvidas pelo Estado consideram o desabado reproduzido como 'muito grave' e 'preocupante'".

Uma das fontes chegou a lembrar que o presidente está se deixando tomar pelas "teorias de conspiração", que dominam os discursos em sua família e que, ao endossar o texto, ele pode provocar sim o que chamou de tsunami, na semana passada, e avisou que estava por vir, completou a veterana repórter de Brasília. 

Leia a íntegra do texto, da forma como o presidente compartilhou em grupos de WhatsApp:
TEXTO APAVORANTE - LEITURA OBRIGATÓRIA

Alexandre Szn

Temos muito para agradecer a Bolsonaro.

Bastaram 5 meses de um governo atípico, "sem jeito" com o congresso e de comunicação amadora para nos mostrar que o Brasil nunca foi, e talvez nunca será, governado de acordo com o interesse dos eleitores. Sejam eles de esquerda ou de direita.

Desde a tal compra de votos para a reeleição, os conchavos para a privatização, o mensalão, o petrolão e o tal "presidencialismo de coalizão", o Brasil é governado exclusivamente para atender aos interesses de corporações com acesso privilegiado ao orçamento público.

Não só políticos, mas servidores-sindicalistas, sindicalistas de toga e grupos empresariais bem posicionados nas teias de poder. Os verdadeiros donos do orçamento. As lagostas do STF e os espumantes com quatro prêmios internacionais são só a face gourmet do nosso absolutismo orçamentário.

Todos nós sabíamos disso, mas queríamos acreditar que era só um efeito de determinado governo corrupto ou cooptado. Na próxima eleição, tudo poderia mudar. Infelizmente não era isso, não era pontual. Bolsonaro provou que o Brasil, fora desses conchavos, é ingovernável.

Descobrimos que não existe nenhum compromisso de campanha que pode ser cumprido sem que as corporações deem suas bênçãos. Sempre a contragosto.

Nem uma simples redução do número de ministérios pode ser feita. Corremos o risco de uma MP caducar e o Brasil ser OBRIGADO a ter 29 ministérios e voltar para a estrutura do Temer.

Isso é do interesse de quem? Qual é o propósito de o congresso ter que aprovar a estrutura do executivo, que é exclusivamente do interesse operacional deste último, além de ser promessa de campanha?

Querem, na verdade, é manter nichos de controle sobre o orçamento para indicar os ministros que vão permitir sangrar estes recursos para objetivos não republicanos. Historinha com mais de 500 anos por aqui.

Que poder, de fato, tem o presidente do Brasil? Até o momento, como todas as suas ações foram ou serão questionadas no congresso e na justiça, apostaria que o presidente não serve para NADA, exceto para organizar o governo no interesse das corporações. Fora isso, não governa.

Se não negocia com o congresso, é amador e não sabe fazer política. Se negocia, sucumbiu à velha política. O que resta, se 100% dos caminhos estão errados na visão dos "ana(lfabe)listas políticos"?

A continuar tudo como está, as corporações vão comandar o governo Bolsonaro na marra e aprovar o mínimo para que o Brasil não quebre, apenas para continuarem mantendo seus privilégios.

O moribundo-Brasil será mantido vivo por aparelhos para que os privilegiados continuem mamando. É fato inegável. Está assim há 519 anos, morto, mas procriando. Foi assim, provavelmente continuará assim.

Antes de Bolsonaro vivíamos em um cativeiro, sequestrados pelas corporações, mas tínhamos a falsa impressão de que nossos representantes eleitos tinham efetivo poder de apresentar suas agendas.

Era falso, FHC foi reeleito prometendo segurar o dólar e soltou-o 2 meses depois, Lula foi eleito criticando a política de FHC e nomeou um presidente do Bank Boston, fez reforma da previdência e aumentou os juros, Dilma foi eleita criticando o neoliberalismo e indicou Joaquim Levy. Tudo para manter o cadáver procriando por múltiplos de 4 anos.

Agora, como a agenda de Bolsonaro não é do interesse de praticamente NENHUMA corporação (pelo jeito nem dos militares), o sequestro fica mais evidente e o cárcere começa a se mostrar sufocante.

Na hipótese mais provável, o governo será desidratado até morrer de inanição, com vitória para as corporações. Que sempre venceram. Daremos adeus Moro, Mansueto e Guedes. Estão atrapalhando as corporações, não terão lugar por muito tempo.

Na pior hipótese ficamos ingovernáveis e os agentes econômicos, internos e externos, desistem do Brasil. Teremos um orçamento destruído, aumentando o desemprego, a inflação e com calotes generalizados. Perfeitamente plausível. Claramente possível.

A hipótese nuclear é uma ruptura institucional irreversível, com desfecho imprevisível. É o Brasil sendo zerado, sem direito para ninguém e sem dinheiro para nada. Não se sabe como será reconstruído. Não é impossível, basta olhar para a Argentina e para a Venezuela. A economia destes países não é funcional. Podemos chegar lá, está longe de ser impossível.

Agradeçamos a Bolsonaro, pois em menos de 5 meses provou de forma inequívoca que o Brasil só é governável se atender o interesse das corporações. Nunca será governável para atender ao interesse dos eleitores. Quaisquer eleitores. Tenho certeza que esquerdistas não votaram em Dilma para Joaquim Levy ser indicado ministro. Foi o que aconteceu, pois precisavam manter o cadáver Brasil procriando. Sem controle do orçamento, as corporações morrem.

O Brasil está disfuncional. Como nunca antes. Bolsonaro não é culpado pela disfuncionalidade, pois não destruiu nada, aliás, até agora não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou. Ele é só um óculos com grau certo, para vermos que o rei sempre esteve nu, e é horroroso.

Infelizmente o diagnóstico racional é claro: "Sell".

Autor desconhecido


O cientista político Alberto Carlos Almeida avalia que ao texto compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro em grupos de WhatsApp nesta sexta-feira, 27, indica uma possibilidade de renúncia.




Autor da “carta-renúncia” de Bolsonaro foi candidato a vereador pelo Novo e publicou textão no Facebook

​ ​

Paulo Portinho

O autor da “carta-renúncia” de Jair Bolsonaro se chama Paulo Portinho.

Portinho escreveu a patacoada em forma de textão no Facebook no último dia 11.

Ele diz o seguinte:

Agradeçamos a Bolsonaro, pois em menos de 5 meses provou de forma inequívoca que o Brasil só é governável se atender o interesse das corporações. Nunca será governável para atender ao interesse dos eleitores. Quaisquer eleitores.

Tenho certeza que esquerdistas não votaram em Dilma para Joaquim Levy ser indicado ministro. Foi o que aconteceu, pois precisavam manter o cadáver Brasil procriando. Sem controle do orçamento, as corporações morrem.

O Brasil está disfuncional. Como nunca antes. Bolsonaro não é culpado pela disfuncionalidade, pois não destruiu nada, aliás, até agora não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou. Ele é só um óculos com grau certo, para vermos que o rei sempre esteve nu, e é horroroso.

Infelizmente o diagnóstico racional é claro: “Sell”.

O blablablá — comparado ao de Jânio Quadros, fruto de estupor alcoólico, que deu no que deu — foi distribuído por Bolsonaro em suas redes de WhatsApp.

O porta-voz da Presidência da República, general Otávio Rêgo Barros, declarou ao site Poder360 não saber a quantas pessoas a peça foi enviada.

JB fez questão de vazar para Deus e o mundo.

A semana passada ele havia prometido um “tsunami”.


Aos 45 anos, consta como tendo trabalhado no Instituto Nacional de Investidores – INI. Nasceu no Rio, mora em São Paulo.

Portinho tem um blog que anda meio desatualizado.



Em sua página, ele responde a uma moça que chamou o post de “péssimo”:

Depois que a gente escreve o texto não é mais nosso, é de quem lê e interpreta. Mas me sinto na obrigação de deixar registrado que a sua interpretação não está de acordo com o que eu entendo que quis escrever. Minha crítica não foi ao Bolsonaro, mas às corporações tais como foram descritas por Raymundo Faoro e Sergio Lazzarini. Bolsonaro, no meu texto, apenas permite que as corporações mostrem seus verdadeiros interesses.

Bolsonaro não vai renunciar.

O que existe é aquele mesmo sujeito sem noção espalhando fake news no zap para um bando de malucos.

Kiko Nogueira
No DCM
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Não há registro de entrada na Câmara para assessor de Jair Bolsonaro investigado pela Justiça

Eles
R$ 92,2 mil — esse foi o total que Nelson Alves Rabello, assessor do gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), recebeu dos cofres públicos durante os 19 meses em que foi secretário parlamentar nível 18 da Câmara dos Deputados. Quanto maior o nível do funcionário, maior o salário, que atualmente parte de pouco mais de R$ 1 mil para até mais de R$ 15 mil, fora auxílios e vantagens indenizatórias.

O problema: durante todo esse período, Rabello não teve registro de entrada na Câmara, segundo informação inédita que a Agência Pública obteve via Lei de Acesso à Informação. O ex-funcionário de Jair está na lista das 95 pessoas e empresas que tiveram sigilo bancário quebrado na investigação do Ministério Público do Rio sobre as movimentações financeiras do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

A Pública pediu à Câmara dos Deputados informações sobre o registro de entrada de diversos assessores de Jair Bolsonaro na Câmara. Além de Rabello, a reportagem descobriu que outros cinco assessores não tiveram registro de emissão de crachá durante o período de 2015 a 2018, último mandato do presidente como deputado federal.

Além destes seis nomes, a Pública já havia revelado outras cinco assessoras nas mesmas condições. Portanto, agora são 11 os assessores de Bolsonaro que receberam dinheiro público sem ter colocado os pés nas dependências da Câmara.

Rabello assessorou pai e filhos em seus mandatos

Nelson Rabello é um dos assessores mais longevos da família Bolsonaro. O primeiro registro como funcionário do atual presidente, disponível no site da Câmara, é de 2005. À época, ele era assessor de nível 8. Durante seis anos como secretário parlamentar, Rabello foi promovido até alcançar o nível 26. Segundo a Folha de S. Paulo, Rabello é tenente da reserva do Exército e teria servido junto a Jair nas Forças Armadas.

Em maio de 2011, Rabello deixou o gabinete de Jair e trabalhou até agosto daquele ano com o filho Flávio, na Assembleia do Rio. Em seguida, deixou o gabinete de Flávio para trabalhar com Carlos, onde ficou até 2017.

Em junho de 2017, Rabello voltou a trabalhar na Câmara com então deputado Jair Bolsonaro. Nesse último período, apesar de ter recebido R$ 92,2 mil líquidos — incluindo um auxílio-alimentação mensal de R$ 982,29 — o funcionário não emitiu crachá de entrada no órgão.

A prática é parecida a de outros assessores de Bolsonaro: cinco assessoras — algumas que trabalharam por mais de uma década junto a Jair Bolsonaro — não pediram a emissão de crachás de funcionárias nem se registraram como visitantes em nenhum momento desde 2015. Ser funcionário de um político sem ter entrada registrada na Câmara não é ilegal, pois os assessores parlamentares podem trabalhar nos estados de origem dos parlamentares, contanto que cumpram sua carga horária. A questão é que o controle é feito pelos próprios deputados e a série de casos semelhantes na família Bolsonaro levanta suspeitas.

A Pública procurou a Câmara dos Deputados, que informou que para acessar as  dependências é obrigatório portar crachá funcional. No caso de deputados ou ex-deputados, é possível utilizar “botom parlamentar”. Crachás de visitantes são expedidos apenas após apresentação de documento de identidade e realização de registro de entrada nas portarias. Os crachás funcionais devem ser renovados a cada nova legislatura e a Câmara afirma não guardar registros sobre mandatos passados.

O sigilo bancário de Rabello foi quebrado no dia 24, por autorização do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O pedido veio do Ministério Público, que investiga as movimentações financeiras de Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz. Segundo reportagem do Poder 360, a autorização de quebra de sigilo bancário vai de janeiro de 2007 a dezembro 2018, com quebra do sigilo fiscal de 2008 a 2018.

Atualmente, Rabello é auxiliar de Carlos Bolsonaro na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. O salário líquido para esse cargo é de R$ 6,6 mil. Procurado pela reportagem, Rabello não foi encontrado.

Wal do Açaí também não tinha crachá

Outra funcionária que não teve crachá emitido pela Câmara dos Deputados foi Walderice Santos da Conceição, conhecida como “Wal do Açaí”. Funcionária de Jair Bolsonaro desde 2003, ela foi secretária parlamentar nível 4 de 30 de dezembro de 2015 a agosto de 2018, com um salário de R$ 1,3 mil líquidos mais auxílio-alimentação de R$ 982,29. Nesse período, contudo, ela não emitiu registro de entrada na Câmara, segundo informação obtida pela Pública via Lei de Acesso.

Em 2018, a Folha de S. Paulo havia revelado que Wal trabalhava todos os dias em seu próprio negócio, o Wal Açaí, a 50 km de Angra dos Reis. Na mesma rua do seu negócio também fica uma casa de veraneio do presidente.

Apesar da repercussão, sete meses depois, em agosto de 2018, a equipe da Folha encontrou Wal ainda trabalhando em seu comércio. Em conversa com os repórteres, ela disse que o “sr. Jair” era um amigo e que se ele escolheu pagá-la com dinheiro público, cabia apenas a ele responder. Após a visita da equipe, Wal anunciou que iria pedir demissão e assim o fez. Na época, Jair Bolsonaro disse que o único crime dela foi “dar água para os cachorros”. Ela foi exonerada ainda em agosto.

Quanto às funções que Wal desempenhava, Bolsonaro se contradisse nas duas ocasiões. Em janeiro, afirmou que Wal não cumpria funções além das políticas e que a funcionária estava de férias na época da reportagem. Já em agosto, o então deputado federal afirmou que Wal cuidava dos cachorros que ele possuía na casa de veraneio. Em setembro, a Procuradoria da República do Distrito Federal abriu procedimento para investigar o caso, sob suspeita de improbidade administrativa. O caso corre em sigilo.

Mais quatro assessores de Bolsonaro receberam sem pisar na Câmara

Além de Rabello e Walderice, outros quatro assessores não tiveram registro de emissão de crachá na Câmara e dois deles continuam trabalhando para a família Bolsonaro.

Levy Alves dos Santos Barbosa, assessor nível 21 de Jair de outubro de 2017 a janeiro de 2018, recebia R$ 8 mil líquidos, mais auxílios que chegaram a R$ 1,5 mil em um mês. Sem registro de entrada durante todo esse período, hoje ele trabalha com Carlos Bolsonaro na Alerj como assessor especial — segundo o site da Câmara do Rio de Janeiro, um assessor especial tem um salário líquido de R$ 12,3 mil.

Já Alessandra Ramos Cunha teve seu primeiro posto como assessora de Jair em 2014. No último mandato, ela recebeu salários de diversos níveis de assessores — um deles chegando a mais de R$ 10,8 mil mensais líquidos, mais auxílio de R$ 982,29. Assim como Levy, Alessandra trabalha atualmente com Carlos como oficial de gabinete, recebendo R$ 7,3 mil líquidos. De acordo com reportagem do Metrópoles, ela doou R$ 1,5 mil para a campanha de Carlos a vereador em 2016.

Outras duas assessoras de Jair também não emitiram crachá durante o último mandato como deputado. Helen Cristina Gomes Vieira, que já havia trabalhado com Jair entre 2013 e 2014, foi secretária parlamentar nível 12 entre março e dezembro de 2017. Seu salário líquido era mais de R$ 2,2 mil, além de um auxílio que chegou a R$ 1,8 mil. Helen é uma das assessoras de Jair que fez doações à campanha do próprio chefe, como a Pública revelou.

Completa a lista Bianca de Almeida Santos, secretária parlamentar entre dezembro de 2017 e dezembro de 2018. Ela recebia como nível 4, com um salário líquido de mais de R$ 2,4 mil mais auxílios de R$ 1,6 por mês.

A Pública questionou o gabinete da Presidência da República sobre a falta de registros dos assessores e quais atividades eles teriam realizado, mas não tivemos retorno até a publicação. A reportagem procurou todos os assessores citados, mas não obteve resposta.

Bruno Fonseca, Ana Karoline Silano, Adriano Belisário e Thiago Domenici
No A Pública
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Queiroz fez saques de R$ 661 mil em 18 meses

Movimentação em espécie de ex-assessor de Flávio é apontada em relatórios do Coaf

Ele
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviados ao Ministério Público do Rio apontam que Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), sacou R$ 661 mil em dinheiro durante um período de 18 meses, entre janeiro de 2016 e junho de 2018.

As movimentações consideradas atípicas – detectadas originalmente pelo sistema de compliance do Banco Itaú, onde Queiroz é correntista – foram anexadas pelos promotores ao pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Flávio, do ex-assessor e de outras 93 pessoas e empresas no âmbito do inquérito que investiga o hoje senador por peculato (desvio de dinheiro público por servidor) e lavagem de dinheiro.

Até agora, os dois principais documentos conhecidos da investigação envolvendo o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro eram relatório que apontava movimentações (saques e depósitos) atípicas de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz ao longo de 2016, revelado pelo Estado em dezembro de 2018, e outro que reportava 48 depósitos fracionados de R$ 2 mil na conta de Flávio entre junho e julho de 2017.

Os novos registros mostram, segundo o MP, que Queiroz “movimentou enormes volumes de créditos e saques em espécie”. Só em retiradas de dinheiro foram R$ 146,4 mil entre janeiro e abril e de outubro a dezembro de 2016; R$ 324,8 mil entre janeiro e março de 2017; e R$ 190 mil entre novembro de 2017 e junho do ano passado. Nos mesmos períodos, de acordo com o documento, a conta de Queiroz recebeu R$ 628,2 mil em créditos ou depósitos.

Para os promotores, “as centenas de depósitos e saques em espécie realizados de forma fracionada na mesma conta corrente” de Queiroz “evidencia” a suspeita de que o ex-assessor de Flávio recebia mensalmente parte do salário dos demais assessores, e “distribuía parte do dinheiro a outros integrantes da organização criminosa”, através da prática conhecida no meio político como “rachadinha”.

Os promotores lembram que o próprio Queiroz admitiu em manifestação enviada por escrito – ele faltou aos depoimentos presenciais – que arrecadava dinheiro dos demais colegas de gabinete, mas não conseguiu provar até agora a versão de que usava esses recursos para contratar assessores externos por fora, prática proibida pela Alerj. “Não há evidências de que quaisquer pessoas tenham sido remuneradas pelos valores desviados para a conta de Fabrício Queiroz”, afirmam os investigadores.

Inquérito

Investigação criminal feita por promotores do Rio quebrou o sigilo bancário fiscal do senador Flávio Bolsonaro (PSL), de seu ex-assessor Fabrício Queiroz e de outras 93 pessoas e empresas


O primeiro relatório do Coaf revelado pelo Estado apontou que Queiroz recebeu depósitos de outros nove assessores de Flávio e ainda emitiu um cheque de R$ 24 mil para a primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Segundo relato do presidente, o cheque serviu para quitar um empréstimo feito por ele a Queiroz. Único assessor a prestar depoimento ao MP, o policial militar Agostinho Moraes da Silva admitiu que repassava R$ 4 mil do salário (de R$ 6 mil) a Queiroz, mas que seria para investir na compra e venda de carro intermediada pelo colega.

Segundo os promotores, somente a quebra de sigilo de Flávio e seus assessores permitirá “desvendar os mecanismos utilizados para branquear os valores de origem ilícita”, “quantificar o volume de recursos desviados dos cofres públicos pelo esquema das rachadinhas” e “identificar todos os coautores e partícipes”.

Mãe

Outro relatório do Coaf anexado pelo MP revela que o policial militar Jorge Luis de Souza, também ex-assessor de Flávio na Alerj, fez um depósito de R$ 90 mil em espécie na conta bancária de sua mãe, Nicelma Ferreira de Souza, em 23 de março de 2018, em Rio das Ostras, na Região dos Lagos. Souza era um dos policiais requisitados da corporação para assessorar Flávio na Alerj.

Em nota, Flávio Bolsonaro disse que lamenta que “algumas autoridades do Rio de Janeiro continuem a vazar ilegalmente à imprensa informações sigilosas querendo conduzir o tema publicamente pela imprensa e não dentro dos autos” e reiterou que seus mandatos “sempre foram pautados pela legalidade” e “tudo será provado em momento oportuno dentro do processo legal”.

Procurado nesta quinta-feira, 16, o advogado de Queiroz, Paulo Klein, não respondeu o contato. O ex-assessor sempre negou as acusações de desvio de recursos da Alerj. O Estado não localizou os demais citados, nem seus advogados.

Fabio Leite, Marcelo Godoy e Roberta Jansen
No O Estado de S.Paulo
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Idiotas úteis

O fato será lembrado. A primeira grande ação nacional contra o governo do sr. Bolsonaro, envolvendo manifestações comparáveis ao que vimos em junho de 2013, foi feita pelos estudantes e universitários em ao menos 170 cidades.

Nada poderia ser mais explícito. Há uma juventude que, desde as ocupações de 2011 — passando por 2013, pelas ocupações dos secundaristas em 2016 e pelas várias mobilizações dois últimos dois anos —, aparece como o principal motor de revolta e descontentamento.

São anos de mobilizações constantes, de capacidade de articulação e de expressão clara de recusa às prioridades e à brutalidade do Estado brasileiro. Quando o sr. Bolsonaro evidenciou a face mais primária de sua violência, chamando-os de “idiotas úteis”, ele acabou por mostrar qual é o verdadeiro inimigo número um de seu governo.

Seu grupo sabe que há uma geração forjada no fogo das ruas que paulatinamente se constitui como sujeito coletivo de um processo possível de transformação radical. O desgoverno que hoje tomou de assalto o Planalto apareceu exatamente como a tentativa desesperada de impedir que tal emergência ocorra. Ela irá apenas acelerá-la.

Contra a transformação, os velhos métodos estão de volta. Nos últimos dias, vimos a já previsível enxurrada de imagens fake de “anarquia sexual” e de “balbúrdia” nas escolas e universidades. Alguém deveria dar livros de Wilhelm Reich para esse pessoal ler.

Desde os anos 1930, sabemos que todo fascismo mobiliza o ressentimento daqueles que fazem de tudo para não serem afetados pela circulação da sexualidade. Como se a sexualidade livre fosse colocar o corpo social em estado de degenerescência e degradação.

Não por outra razão, os nazistas, além que criarem termos como o famoso “bolchevismo cultural”, criaram também o “bolchevismo sexual” — que este governo irá rapidamente ressuscitar. Podem apostar.

Mas, além do método afetivo via WhatsApp, há ainda o método “racional”. Ele consiste em baixar a voz e dizer: “Veja bem, números são números. Não há dinheiro, mas se a reforma da Previdência passar, tudo volta ao normal”. É nessas horas que fica claro o que o governo quis dizer quando vira para a população e a chama de “idiota”. Porque é necessário uma certa limitação de raciocínio para acreditar em algo dessa natureza.

Primeiro, ninguém mostrou número algum, cálculo algum para chegar no valor de 30% de corte nas universidades. Começou-se cortando 30% de três universidades que pretensamente estariam a produzir “balbúrdia”, mas quando ficou evidente que era uma pressão política contra certos reitores, o Ministério da Educação saiu-se com a generalização do corte. Como se vê, tudo com um profissionalismo impressionante.

Segundo, porque o conto de que o crescimento virá com a reforma da Previdência é tão seguro quanto aquela história de que basta o impeachment para reaquecer imediatamente a economia ou de que, diminuindo impostos para empresários, eles voltariam a investir com seu “espírito animal”.

Você pauperiza a população, retira-lhe direitos e garantias, transfere renda para setores que preferirão o investimento seguro do rentismo, descapitaliza o Estado e depois não sabe por que a economia não cresce. Isso não funcionou em lugar algum do mundo e não funcionará aqui.

De toda forma, o jogo enfim começou. As manifestações não terminaram na quarta-feira. Elas apenas começaram, e com força. Quem esteve nas ruas entendeu que não há negociação alguma com este governo, que o sr. Bolsonaro não age como presidente, mas como chefe de gangue, com lógica e modos de chefe de gangue que procura surfar no ressentimento de seus recrutas.

O destino do Brasil era passar por uma polarização radical. Isso estava explícito desde as eleições de 2014. Um polo só havia se configurado. Agora, virá o segundo.

Vladimir Safatle, Professor de filosofia da USP, autor de “O Circuito dos Afetos: Corpos Políticos, Desamparo e o Fim do Indivíduo”.
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O "tsunami da educação" fez a frente ampla nas ruas

A política tem dessas coisas, às vezes um determinado fato tem o condão de catalisar toda uma onda de insatisfação social que vem se sedimentando e transformá-la em movimento de massas. É a "centelha que incendeia a pradaria", diriam os chineses sobre esse tipo de fenômeno.

Quis a dinâmica política que o gatilho a disparar esse sentimento fosse a política educacional do governo e seus irresponsáveis cortes orçamentários. A bandeira de defesa da educação e da ciência galvanizou amplo apoio na sociedade, ultrapassando em muito a "bolha" da esquerda. As lideranças e movimentos souberam, muito habilmente, entrelaçar a luta contra os cortes e a defesa da Previdência Social e da democracia.

O resultado foi expressivo, seja pelo número de participantes, seja pela capilaridade alcançada. Em qualquer contagem que se faça, com dados fornecidos por organizadores ou órgãos de segurança, a barreira do milhão foi rompida.

Em São Paulo, há quem fale em 150, 250 e até 500 mil mobilizados. Seja qual for o número, o fato é inconteste: a Avenida Paulista ficou pequena para a multidão. Mas tão impressionante quanto a massa envolvida nas metrópoles é que cerca de 250 cidades registraram protestos - é muita coisa!

O êxito impediu que o movimento ficasse subsumido na grande mídia, que acabou levando o tema aos telejornais e páginas principais dos impressos, dando-lhe repercussão universal. Ainda mais que, enquanto as praças estavam tomadas pelo povo, o ministro Abraham Weintraub era obrigado a prestar esclarecimentos no plenário da Câmara, em virtude de convocação proposta por mim e aprovada por 307 votos contra 82 - uma construção com quase todos os partidos, o que demonstra por si o isolamento da atual gestão no Congresso.

É inegável que o estrago para o governo foi grande. O presidente, ao tentar minimizar o acontecido como coisa de "militantes" caiu no ridículo - ou, antes, bancou o "idiota", para emprestar o adjetivo com que caracterizou os cidadãos. O fracasso parece ter subido à cabeça de Bolsonaro. A arrogância e a desqualificação não apagam o 15 de maio, justamente ao contrário, potencializam novas manifestações, tanto que a próxima, no dia 30, já está convocada.

Não foram apenas “militantes” os que tomaram as ruas, até porque, se fossem, Bolsonaro não estaria onde está. Tampouco eram “idiotas”. É bem provável que parcela significativa do público fosse composta inclusive por eleitores arrependidos do presidente, categoria que não para de crescer, segundo todas as pesquisas de opinião. Gente que acreditou em algo “diferente” e se viu enganada por um charlatão incapaz de administrar o país.

Está justamente aí a chave do sucesso do “Tsunami da Educação”: sua amplitude. Os atos tinham uma bandeira justa, que foi abraçada por diferentes setores e estratos sociais, e tiveram o mérito de saber agregar e não segregar. Estudantes, professores e funcionários estiveram ombreados com pais de alunos, cientistas, artistas, intelectuais, profissionais liberais e gente simples do povo.

Nada a ver com a despolitização sectária ou o horizontalismo hipócrita das manifestações de 2013. O 15 de maio teve alvo definido – o governo e sua política de desmonte da educação -, lideranças reconhecidas, representações políticas diversificadas e em plena harmonia democrática.

Em uma palavra: foi uma construção prática de frente ampla em torno de uma pauta concreta. É o que devemos continuar perseguindo, a partir de questões que unifiquem largas parcelas do povo, como a educação, a democracia, o emprego e a aposentadoria, fugindo do isolamento que procuram nos impor.

O movimento foi o primeiro duro golpe das ruas no governo. Outros virão, e não porque a oposição aposte no quanto pior, melhor. O povo se levanta porque precisa de emprego, renda, serviços públicos, enquanto o presidente só se ocupa em criar factoides para agradar sua horda de fanáticos nas redes sociais.

Que as ruas continuem cheias no dia 30, que ganhe corpo a greve geral de 14 de junho em defesa da aposentadoria. Que essas jornadas democráticas alcancem um reequilíbrio na correlação de forças da sociedade e façam frente ao obscurantismo que vinha se impondo. É a frente ampla democrática se forjando nas ruas.

Orlando Silva é deputado federal pelo PCdoB-SP
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Livraria manda obra de Kafka para Weintraub com corte de 25%

Não é do Kafta, Ministro (sic)...

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Gostou, ministro (sic)?


É verdade esse “bilete”! A livraria Leonardo da Vinci, do Rio de Janeiro, mandou uma edição do livro A Metamorfose, do escritor tcheco Kafka, para o ministro da Educação Abraham Weintraub. A edição, no entanto, veio com um detalhe a mais. Ou a menos, por melhor dizer.

A obra foi enviada serrada. Um bilhete encaminhado junto com o presente explicava a escolha. “Conhecendo seu apreço pela educação, em especial pela leitura de Franz Kafka, tomamos a liberdade de enviar para a vossa excelência um exemplar de uma nova edição do grande clássico do escritor tcheco de expressão alemã. Antecipadamente, pedimos desculpas pelo corte de 25% no livro, mas a situação das livrarias brasileiras está difícil. Temos certeza que isso não impedirá a leitura atenta e apaixonada.”

No CAf
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Bolsonaro é o “tiozão do pavê” passando vergonha na Presidência


Jair Bolsonaro é a personificação certeira do “tio do pavê”. E “com o tiozão do pavê no poder, a vergonha não é uma questão. É oportunidade.” É assim que Matheus Pinochelli resume, em seu blog na Universa (UOL), o episódio em que Bolsonaro destrata um estrangeiro asiático que o abordou em busca de uma foto.

Registrado em vídeo [assista abaixo], o encontro foi mais uma prova de que Bolsonaro habitualmente perde “a compostura das relações diplomáticas, mas não perde a piada.”

Primeiro, o presidente deu um “chega pra lá” no rapaz que só conseguiu proferir duas palavras: “Brasil” e “gostoso”.

Depois de abraçar o asiático, Bolsonaro juntou polegar e indicador e perguntou: “Tudo pequenininho aí?”

Como todo bom tio do pavê, riu da própria piada. O fã reagiu constrangido.

Para Pinochelli, o “tiozão do pavê é a boca aberta do falocentrismo. Como é inseguro, e morre de medo de colocar sua masculinidade frágil à prova, ele precisa o tempo todo emitir sinais de vigor com a ajuda de equipamentos, automóveis e armas. Em alguns casos, a arminha empinada vira até símbolo de campanha.”

E, para finalizar, o tiozão “não costuma economizar oportunidades de desfilar seu abecedário de piadas-prontas para disfarçar seu desinteresse com qualquer assunto que exija um raciocínio mais profundo que um pires. Se acabar o pavê, ele pensa, todos à mesa vão perceber o seu deserto de ideias.”



No GGN
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“Bolsonaro vai responder na Justiça as mentiras lançadas contra mim”


O senhor Jair Bolsonaro, imerso em seu mundo de fake news mostrou mais uma vez seu despreparo para dirigir o País e representá-lo internacionalmente.

Impondo sua presença constrangedora onde não é bem-vindo, e nem sequer é convidado, este senhor que infelizmente dirige o Brasil fez, em Dallas, uma declaração mentirosa e caluniosa sobre minha história política.

Durante a resistência à ditadura — e muito menos no período democrático —, jamais participei de atos armados ou ações que tivessem ou pudessem levar à morte de quem quer que seja. A própria Justiça Militar — as auditorias, o STM e até o STF — em todos os processos que foram movidos contra mim, comprovaram tal fato. Os autos respectivos documentam isso. Ao contrário dos heróis e homenageados pelo senhor Bolsonaro que, durante a ditadura e depois dela, tiveram suas mãos manchadas do nosso sangue – militantes brasileiros e brasileiras – pelas torturas e assassinatos cometidos contra nós.

Minhas mãos estão limpas e foram fortalecidas, ao longo da vida, pela militância a favor da democracia, da justiça social e da soberania nacional. Foi esta luta que me levou à Presidência da República, cargo que honrei representando dignamente meu País, sem me curvar a qualquer potência estrangeira, respeitando todas as nações, da mais empobrecida à mais rica.

Se o senhor Bolsonaro quer se ocultar do “tsunami” das investigações que recaem sob seu clã, a partir da abertura dos vários sigilos, não me use como biombo, nem tampouco menospreze os cidadãos e cidadãs que foram às ruas do País em defesa de uma educação de qualidade.

Senhor Bolsonaro, as ruas estão cheias porque ao se dispor, com seu ministro desinformado, a destruir a educação, vocês estão tirando a esperança de melhores dias para milhões de estudantes já beneficiados e também os que poderiam sê-lo pela expansão e interiorização das universidades e institutos federais de educação. Oportunidades de acesso ao ensino superior que foram proporcionadas pelos nossos governos do PT em todo o País.

“Idiotas úteis” são aqueles que esquecem um ditado popular: “a mentira tem pernas curtas”. O senhor Bolsonaro responderá no juízo criminal e cível por mais essa leviandade contra mim. Ele não poderá se escudar no cargo de Presidente da República e irá ser cobrado por suas mentiras, calúnias e difamações.

Dilma Rousseff


(...) Na entrega do prêmio personalidade do ano da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, Bolsonaro afirmou que "quem até há pouco ocupava o governo teve em sua história suas mãos manchadas de sangue na luta armada". (...)

— Quem até há pouco ocupava o governo tinha suas mãos manchadas de sangue da luta armada, matando inclusive um capitão, como eu. Eu rendo homenagem aqui ao capitão Charles Chandler, um herói americano. Talvez um pouco esquecido na história, mas que escreveu sua história passando pelo Brasil — discursou Bolsonaro, sem citar nomes.
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Coaf descobre "movimentações suspeitas" de ministro (sic) do Turismo

Marcelo Álvaro Antônio é a estrela do escândalo dos laranjas do PSL em Minas


Da Fel-lha:

Coaf aponta operações bancárias suspeitas de ministro do Turismo

Relatório do Coaf aponta operações atípicas em contas bancárias de Marcelo Álvaro Antônio (PSL), ministro do Turismo de Jair Bolsonaro. Segundo o órgão do Ministério da Justiça, o pivô das investigações sobre candidaturas de laranjas do PSL movimentou R$ 1,96 milhão de fevereiro de 2018 a janeiro de 2019.

A Folha teve acesso ao documento, que relata “operação suspeita” e afirma ter havido depósitos e saques em dinheiro vivo que apresentaram “atipicidade em relação à atividade econômica do cliente ou incompatibilidade com a sua capacidade econômica-financeira”, além de movimentação de recursos “incompatível com o patrimônio, a atividade econômica, ou a ocupação profissional e a capacidade financeira do cliente”.

O valor de R$ 1,96 milhão, movimentado em duas contas do Banco do Brasil, considera créditos e débitos, como saques, depósitos, transferências, cheques e pagamentos de boletos, entre outros. As operações em dinheiro vivo informadas pelo BB foram de valores acima de R$ 50 mil.

(...) O documento do Coaf com as movimentações suspeitas do ministro foi enviado no mês passado para a PGR (Procuradoria-Geral da República) e, agora, deve ir para Minas Gerais, onde há apurações sobre esquema de candidaturas de laranjas do PSL.

(...) O Coaf é o responsável no governo federal pela produção de inteligência financeira, em auxílio ao combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. (...) O órgão atualmente está vinculado ao Ministério da Justiça de Sergio Moro, mas há movimentação no Congresso para devolvê-lo ao Ministério da Economia. (...)

No CAf
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Esquema criminoso de Flavio Bolsonaro explica porque Deltan Dallagnol prevaricou


O MP e o judiciário do RJ fizeram aquilo que a Lava Jato, coordenada por Deltan Dallagnol, deliberadamente deixou de fazer: investigar com isenção e profissionalismo o esquema de corrupção, desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e organização criminosa do Flávio Bolsonaro na política.

É preciso recordar que Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz figuravam no relatório do COAF que identificou movimentações financeiras atípicas de deputados estaduais, assessores parlamentares e agentes públicos do Rio de Janeiro.

O relatório do COAF resultou na Furna da Onça, operação da Lava Jato realizada no Rio pela PF e MPF em 8/11/2018 com apoio da Receita Federal que levou à prisão 10 deputados estaduais colegas de Flávio e outros 16 agentes públicos implicados [dentre eles, colegas de Queiroz].

Apesar da movimentação financeira atípica detectada pelo COAF – R$ 1,2 milhão e depósito de R$ 24 mil na conta da primeira-dama Michele Bolsonaro –, a Lava Jato livrou Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz do mesmo destino dos demais parlamentares e agentes públicos presos na ocasião.

Naquela circunstância, os iguais – no caso, Flávio e o assessor e amigo de pescarias e churrascadas da FaMilícia – receberam da Lava Jato do Deltan Dallagnol tratamento desigual: uns bandidos foram brindados com o privilégio da liberdade. Outros, foram enjaulados.

Não bastasse a exclusão do filho presidencial e do amigo da FaMilícia da investigação no contexto da Furna da Onça, a Lava Jato fechou os olhos para a fuga de Queiroz da justiça e da polícia [aqui] – um comportamento absolutamente atípico, se considerado o padrão de prisões espetaculares, conduções coercitivas ilegais e arbítrios perpetrados pelo Partido da Lava Jato contra petistas e inimigos político-ideológicos.

Em 12 de dezembro/18, 1 mês depois da Furna da Onça, Deltan Dallagnol publicou um tweet [aqui] para “oficializar” a prevaricação da Lava Jato, ao abandonar a investigação dos crimes de Flávio e Queiroz:

Relatório do COAF apontou que 9 ex-assessores de Flávio Bolsonaro repassaram dinheiro para o seu motorista. Toda movimentação suspeita envolvendo políticos e pessoas a eles vinculadas precisa ser apurada com agilidade. É o papel do MP no RJ investigar”.

À continuação, não faltaram tentativas, ameaças e pressões para impedir que o MP/RJ investigasse o esquema da FaMilícia. O MP/RJ, a despeito disso, contrariou expectativas e decidiu não só continuar, como aprofundar as investigações.

Com o avanço da investigação, o MP/RJ desvelou uma realidade ainda mais escabrosa, com quase uma centena de pessoas com sigilos quebrados, que compromete não só o filho presidencial Zero1, mas o próprio presidente da República e o modus operandi da FaMilícia Bolsonaro em 30 anos de ação corrupta na política.

As investigações revelaram que Flávio Bolsonaro é o elo de ligação de esquema criminoso de enorme alcance da FaMilícia presidencial, com poder de derrubar o governo.

Examinado o caso em retrospectiva, fica muito claro entender porque o Partido da Lava Jato de Deltan Dallagnol tudo fez para esconder e abafar este escândalo com potencial devastador, que implica mortalmente a FaMilícia Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, ajuda a entender a obsessão do ministro Sérgio Moro em manter sob suas asas e controle o COAF.

Jeferson Miola
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À espera do último vagido de Bolsonaro


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Encurralado


Os fatos são categóricos. Ao abrir uma série de frentes de batalha, Bolsonaro demonstra ignorar uma regra elementar da guerra: um inimigo de cada vez.

O Capitão possui três pilares de sustentação: a Lava Jato, Paulo Guedes e os militares. Brigou com dois e inviabilizou um. Uma verdadeira aula de como atirar no próprio pé.

Moro, líder da Lava Jato, foi derrotado no episódio da transferência do COAF da Justiça para o Ministério da Economia. O governo lavou as mãos. Por que agiu assim? Imperícia apenas?

Os primeiros vazamentos do COAF contra Flávio Bolsonaro ocorreram no auge da guerra entre o Capitão e a Globo. Circulou nos bastidores que quem vazava era a equipe de Moro. Sempre que ele é espremido, a Globo sai em seu socorro. Seria natural ele retribuir.

Tirar poder do ex-juiz pode ter sido um desejo oculto do Planalto.

Com seu pacote anticrime esquartejado pelo Congresso e se sentindo abandonado pelo governo, Moro deu sinais de que poderia abandonar o barco.

Por que Bolsonaro abriu a semana revelando com 18 meses de antecedência o acordo em torno da indicação de Moro ao STF? Jogou o ex-juiz na fogueira ou quis prestigiá-lo?

Os generais, providos de visão estratégica, recolheram os “flaps”. Depois de serem achincalhados pelo “Astrólogo da Virgínia” com o apoio dos filhos do presidente, recuaram. A autocrítica por terem embarcado numa aventura, os assombra.

Fontes do Planalto passaram a semana plantando que o general Santos Cruz seria demitido. Os militares sabem que responder seria fazer o jogo do inimigo. Com Mourão, o “Pacificador”, muito bem posicionado na pequena área, decidiram, por enquanto, jogar parados.

O terceiro pilar jogou a toalha. Guedes ajoelhou no confessionário e declarou em tom melancólico na Câmara: “estamos no fundo do poço”. A queda do PIB no primeiro trimestre acabou de vez com as ilusões do mercado. E o dinheiro não costuma ter muita paciência.

Na política, o Centrão segue insatisfeito. A convocação do Ministro da Educação foi aprovada com 307 votos, pouco menos que o necessário para o impeachment. Muitos deputados do grupo têm frequentado a Vice-Presidência. Saem de lá animados.

As passeatas em defesa da educação extrapolaram a militância da esquerda. Tudo indica que a bolha está sendo furada. O povo parece estar voltando às ruas.

A Globo fez uma cobertura especial das manifestações. A Folha de SP segue atirando no governo. O Estadão coleciona editorias chamando o presidente de incapaz.

Popularidade em queda, imagem internacional em ruínas, povo nas ruas, economia em frangalhos, desemprego subindo, crise política, mídia unida atirando, militares descontentes, um filho “gênio dos negócios imobiliários” nas mãos do MP e cheques suspeitos na conta da primeira dama sendo investigados.

O presidente está cada vez mais encurralado. Seu isolamento cresce numa velocidade espantosa.

A caneta do Planalto continua sendo poderosa, mas sair desta situação exige uma perícia não demonstrada até aqui. Por via das dúvidas – e considerando nossa trajetória histórica -, vindo a Brasília, é prudente dar uma passadinha no Palácio do Jaburu.

Ricardo Cappelli
No GGN
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