9 de mai de 2019

Bolsominion desmascarado

Bolsonarista que propaga fake news e ofensas nas redes é músico de pizzaria no interior

Postagem do perfil falso de Tarik Mohad (à direita), que é um baixista de pizzaria em Lins

O perfil colaborativo do Twitter Tweetleaks desmascarou nesta quinta-feira (9) um perfil falso criado nas redes sociais para propagar fake news, ofensas e perseguição a militantes de esquerda.

Na internet, ele se chama Tarik Mohad e se diz policial militar com ligações com o PCC. Na vida real, toca baixo em uma banda de pizzaria na cidade de Lins, no interior de São Paulo. Veja abaixo o trabalho de apuração do Tweetleaks que levou à descoberta da real identidade do “baixista opressor”.




Esse desespero por apagar tudo nesse nome foi um sinal que era um caminho certo. Buscando um pouco + o e-mail carlito_mohad, descobrimos um 2º nome ligado a ele: Antonio Carlos Ravazzi. Há uma empresa (já fechada) em nome desse Antonio Carlos, con sede em Lins. pic.twitter.com/RC8K0T0y2T

— Tweetleaks (@_tweetleaks_) May 9, 2019



Vinicius Segalla
No DCM
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ONU quer investigar atuação de milícias no Brasil


Relatores da ONU solicitaram autorização para fazer uma missão ao Brasil para investigar as execuções sumárias e a atuação das milícias. Documentos oficiais revelam que os pedidos já foram apresentados em 2018. Mas, até agora, o Brasil não deu sinal verde para a realização dessas missões.

O Brasil mantém uma política de portas abertas aos relatores da ONU. Mas condiciona as missões a um acordo sobre datas, uma forma encontrada pelo governo para administrar as eventuais visitas.

Em 2018, por exemplo, praticamente nenhum dos relatores foi autorizado a entrar no país. O Itamaraty justificava que, diante do período eleitoral no Brasil, essas visitas não tinham como ser realizadas.

Hoje, relatores diferentes da ONU aguardam na fila para que sejam autorizados a entrar no Brasil para realizar inspeções sobre violações aos direitos humanos. Alguns dos pedidos de missão ao Brasil datam ainda de 2017 e jamais foram atendidos pelo governo de Michel Temer (MDB).

No DCM
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O que a oposição está indo fazer nos quartéis?

Até 2018, os militares – como corporação – só chegaram ao poder no Brasil pela via do golpe de Estado. Não vale colocar na conta os mandatos de Hermes da Fonseca (1910-14) e de Eurico Gaspar Dutra (1946-51). Ambos despiram-se da farda e foram às urnas como líderes civis, dentro das regras do jogo (eu ia complementar com o adjetivo “democrático”, mas ele não cabe na lógica da República Velha).

Nas eleições passadas, uma terceira via foi encontrada. O aboletamento – com grande dose de oportunismo – na garupa de um líder de extrema direita, que usou a patente de “capitão” como marketing pessoal, sem nunca ter tido vinculação real com a tropa. No máximo, trata-se de sujeito ligado às milícias, com quem a banda podre dos quartéis topou fazer uma joint-venture de ocasião.

OS CÁLCULOS DOS ELEMENTOS fardados não levavam em conta a deterioração tão acelerada do miliciano. Possivelmente avaliaram que o poder das armas lhes daria o poder de tutela sobre o Planalto. O aboletamento de quase duas centenas de oficiais em cargos de primeiro e segundo escalão pareciam ser a garantia de mar de almirante por quatro anos.

Bolsonaro repeliu a tutela e exibe suas armas: 57 milhões de votos e uma fatia compacta de apoiadores que soma algo em torno de 20% da população. Raciocina como chefe de falange e não como político. AS SA (Sturmabteilung, ou milícia paramilitar), no início do nazismo alemão nos anos 1920, se prestavam a esse fim. Opositores deveriam ser tratorados e ganhava-se o poder na base da intimidação e do terror.

Até agora, o presidente e seus capangas – o guru do ânus alheio, os titulares das pastas da Educação, Mulher, Relações Internacionais e Meio Ambiente e seus três rebentos – têm levado a melhor nas disputas intestinas da administração.

TÊM LEVADO A MELHOR SOBRE OS MILITARES, é bom sublinhar. Anunciou cortes de 43% e ninguém lhe fez oposição frontal, segundo relatos de uma reunião com tais setores, ocorrida na terça (7).

Tudo indica que a moeda de troca é a reestruturação da carreira – com ganhos reais nos soldos da oficialidade para cima – e a garantia de que ficarão fora da reforma da Previdência. E, tudo indica também, ser esse o motivo dos quartéis, apesar de tensos, não terem se manifestado abertamente sobre a navalhada. Em outras palavras, Bolsonaro comprou seus aliados fardados com boa moeda.

Isso posto, fica difícil entender um trecho da coluna de Maria Cristina Fernandes, publicada hoje (9), no Valor (eu a reproduzi mais cedo nesta página). Escreve a articulista:

“SE DEMONSTRA PREOCUPAÇÃO com sua vulnerabilidade, o presidente da República, ao manter a Defesa no topo dos ministérios atingidos [pelos cortes orçamentários], favorece a aproximação dos militares com o Congresso. Uma comitiva de deputados foi à base de Alcântara a convite do comandante da Aeronáutica. Um grupo de deputados petistas já esteve com o comandante da Marinha e outro se encontrará com o comandante do Exército, o general Edson Pujol, na próxima semana. A pauta, encabeçada pelo projeto de reestruturação de carreira, em tramitação na Casa, ganha, com o bloqueio, mais substância”.

Maria Cristina retrata a tensão mencionada acima. O que não se entende é o porque “um grupo de deputados petistas” foi se meter numa seara que não lhes diz respeito. Aliás, foram com o seguinte propósito, repetindo o artigo do Valor:

“A pauta, encabeçada pelo projeto de reestruturação de carreira, em tramitação na Casa, ganha, com o bloqueio, mais substância”.

Disso tudo, infere-se que deputados petistas topam o lobby da farda na defesa da moeda oferecida por Bolsonaro. Entram num negócio de compra e venda, em que de um lado está a milícia oficial e de outro oficiais de extrema-direita.

Se for isso mesmo, trata-se de roubada sem tamanho. As facções dentro do governo estão se comendo. Não é função da oposição servir o tempero e a sobremesa para um banquete para o qual não foi convidada.

Faz isso, sabe-se lá o porquê, dando objetivamente força a um setor que comunga de duas metas essenciais de Bolsonaro: eliminar a esquerda e os setores populares da vida pública e implantar a ferro e fogo uma nova etapa do projeto neoliberal no Brasil.

Gilberto Maringoni
No GGN
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Barroso, Fux e Raquel: os deuses são cruéis – 2

Bastou a visão dos raios, para os homens bons fraquejarem e passarem a obedecer aos desígnios de Vulcano.


Os homens bons chegaram, se aboletaram na Suprema Corte e se proclamaram homens bons. Mas, das profundezas, os filhos de Vulcano lançaram raio de fogo em direção aos homens bons.

Bastou a visão dos raios, para os homens bons fraquejarem e passarem a obedecer aos desígnios de Vulcano. E os homens bons se tornaram cruéis, usando as chaves da crueldade para abrir, uma a uma, as jaulas que mantinham prisioneiros os filhos das profundezas. E, das jaulas, saíram serpentes, polvos, espécies marinhas que se julgavam extintas.

E o pais passou a conviver com o ódio em todos os níveis, com uma guerra intestina, pertinaz e feroz, da qual não sobreviveu sequer um indulto presidencial.

Michel Temer assinou o indulto de Natal de 2017. O clima persecutório vigente, a falta de humanidade e de coragem fez com que a Procuradora Geral da República Raquel Dodge questionasse a constitucionalidade do decreto. Temia-se que pudesse reduzir a culpa de meia dúzia de condenados da Lava Jato e eles, os deuses, ficassem à mercê dos raios das profundezas.

Carmen Lúcia, a inacreditável frasista, acolheu a representação.

A Constituição de vários países – inclusive a brasileira – prevê como um dos poderes centrais do Presidente a concessão do indulto. Como, há muito tempo, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu reescrever a Constituição, Ministros defenderam a tese de que, ao definir a pena, o Executivo estaria avançando sobre as prerrogativas do Judiciário.

No ano passado, quando havia maioria pela constitucionalidade do decreto, Luiz Fux pediu vistas e segurou a votação.

Luis Roberto Barroso, o Ministro que abriu as portas do país para o estado de selvageria vigente, defendeu a tese de que caberia ao STF tutelar o Executivo. Enquanto se discutia se crimes de colarinho branco deveriam ou não ser contemplados, milhares de pequenos delitos ficavam sem os benefícios do indulto.

Quatro Ministros expostos às chantagens das redes sociais – Barroso, Fachin, Carmen e Fux – votaram contra o decreto.

Foram derrotados. Hoje, o STF decidiu pela constitucionalidade do decreto. Os milhares de prejudicados não terão a quem pedir reparação.

Luís Nassif
No GGN
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Prisão de Temer atrapalha a liberdade de Lula

Xavier: Histeria punitivista joga a favor da ruína da Constituição


O Conversa Afiada publica artigo sereno (sempre!) de seu colUnista exclusivo Joaquim Xavier:

Comemorar a volta de Michel Temer e do Laranja Lima à prisão é uma estupidez. Saudar a decisão de um Tribunal Regional Federal – da mesma sopa dos tribunais que condenaram Lula a viver numa solitária — é agir como biruta de aeroporto. Vira de lado de acordo com os ventos de ocasião.

É claro como a luz do sol que Temer, Padilha, Moreira Franco são (...) de longa data. Mas a batalha no Brasil de hoje não é a de trancafiar qualquer um sem que haja trânsito em julgado de seus crimes verdadeiros ou supostos. O combate do momento é o de respeito ao Direito básico, às regras democráticas e ao que reza o que sobrou da Constituição.

Sei que estou na contramão daqueles que, com razão e fígados compreensíveis, guardam um ódio visceral ao ladrão Temer e sua (...). Temer é uma das figuras mais asquerosas da vida política nacional. Além das acusações de ladrão, entrou para história como traidor descarado.

O coronel Laranja Lima é (...) conhecido. Eliseu Padilha foi batizado de “Eliseu Quadrilha” por Antonio Carlos Magalhães, conhecedor do riscado como ninguém. Já Moreira Franco tinha que ser mantido “longe do cofre”, conforme a opinião de gente não propriamente limpa como Fernando Henrique Cardoso.

Que sejam então julgados dentro dos trâmites legais. Que tenham direito àquilo que a maioria do Brasil quer ver acontecer com relação à Lula.

Com uma diferença gritante. Contra Lula, inexiste qualquer prova sobre crimes. Estiveram e estão em curso processos fabricados de encomenda para impedir o maior líder popular da história do país de interromper a liquidação do Brasil como país soberano.

Já contra Temer e sua turma abundam evidências de delitos comprovados em gravações, e-mails, notas fiscais, malas em pizzarias e o que mais se quiser. Sua condenação, se respeitadas normas processuais elementares, é questão de tempo.

A histeria punitivista entoada pelo ministério público repleto de falsos justiceiros tem que ser interrompida. Que todos sejam julgados de acordo com o que diz a lei. Pouco importa quando Temer e sua troupe vão ver o sol quadrado, desde que no momento devido.

De minha parte, considero que a melhor punição é recuperar tudo o que foi roubado, assim como tem que acontecer com Paulo Maluf, por exemplo. Que vá morar num albergue ou quitinete, sem as benesses obtidas graças ao roubo de dinheiro público. Essa é a melhor punição.

Celebrar a prisão de Temer equivale a esquecer que a liberdade de Lula é o objetivo principal. É uma doença infantil. Só faz desorientar o povo sobre o caminho a seguir.

Joaquim Xavier
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Prisão de Temer acirra reação a Moro e Lava Jato no Congresso


Aparentemente, não há relação direta entre os dois principais fatos políticos de hoje: a volta do ex-presidente Michel Temer à prisão e a derrota do ministro Sergio Moro na comissão especial do Congresso que examina a MP 870 e tirou o Coaf da Justiça para a Economia. Mas são dois capítulos do mesmo enredo, que tem como trama central a influência da Lava Jato nas decisões do Congresso e a reação do establishment político. Vai ficando claro que tudo continua girando em torno disso – e que votações importantes, como a da Previdência, podem acabar sendo atropeladas.

A prisão de Temer não é uma novidade, e não se achará, no Congresso, um só politico – do MDB ou de qualquer outro partido – disposto a suar a camisa na defesa do ex-presidente, agora réu em seis ações. A questão não é Temer, mas sim o velho efeito Orloff sobre boa parte dos políticos: “eu sou você amanhã”, tem muita gente pensando a esta altura. Na tarde desta quarta, no Cafezinho do Senado, um personagem importante contava que, entre seus pares, havia grande apreensão com a situação de Michel Temer, pois “a fila anda”.

Com o ex-presidente preso, boa parte de seus companheiros do MDB e de políticos de partidos do Centrão, como o DEM, o PR, o PP, o PRB e outros, igualmente citados na Lava Jato e assemelhadas, tendem a paralisar votações e articulações congressuais para colocar no topo da lista de prioridades uma ofensiva para limitar o poder e o alcance das ações d dos agentes de investigação.

Tal reação vem sendo articulada há tempos, e ainda não é possível avaliar sua dimensão, mas uma coisa é certa: ninguém vota Previdência e outras reformas profundas num clima desses. Ao contrário, a pauta passa a ser objeto de barganha para aprovação de medidas para conter a Lava Jato.

A derrota de Moro – e, por tabela, do Planalto – nesta manhã faz parte dessa ofensiva e deve ser a primeira de uma série. Bolsonaro e seus articuladores sabem disso, e esta pode ter sido a razão pela qual eles, inicialmente, tenham concordado em tirar o Coaf de Moro para apaziguar os ânimos parlamentares. O ex-juiz, porém, parece ter esticado a corda no Planalto, acenando até com um eventual pedido de demissão, e reenquadrou o chefe.

O assunto ainda será votado nos plenários da Câmara e do Senado,e em tese ainda seria possível que o Coaf voltasse à Justiça. Todo mundo sabe, porém, que a questão não é exatamente o Coaf – até porque o ministro Paulo Guedes já anunciou publicamente que manterá a mesma estrutura e funções dadas pelo colega na Justiça. O órgão passou a ser, isso sim, símbolo de uma briga bem maior, da qual dependerá o destino de muita gente daqui para frente, incluindo aí o da Lava Jato e o do próprio Sérgio Moro.

Helena Chagas
No Os Divergentes
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Deputado é baleado nas proximidades do Congresso argentino - assista

O deputado argentino foi trasladado com urgência ao hospital Ramos Mejía, onde se encontra segundo os médicos em estado grave.

Logo após o crime, seus autores fugiram e a polícia já
descarta que tenha se tratado de roubo
O deputado que representa a província de La Rioja, localizada no noreste da Argentina, Héctor Olivares foi baleado nesta quinta-feira a uma quadra do Congresso nacional.

As primeiras investigações indicam que o legislador foi baleado próximo das 7h (hora local) desde um carro que estava estacionado nas imediações do Congresso argentino.



No momento do ataque, Olivares se encontrava com o funcionário Miguel Marcelo Yadon, que morreu no pronto socorro.

Os investigadores trabalham com a hipótese de que não se tratou de um ato de insegurança comum, mas que os agressores tenham estudado os movimentos de Olivares e Yadón e procuram por câmeras de segurança para reconstruir os fatos.

O deputado Héctor Olivares havia estado na quarta-feira no Congresso debatendo uma lei contra as "barras bravas", os grupos organizados nas torcidas de futebol argentino que em muitos casos estão implicados em vários delitos.

No Telesur
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A Comissão dos Desaparecidos e a indicação de Ailton Benedito

Benedito não aceita que em 1964 se implantou uma ditadura, que houve torturas, morte e desaparecimento de presos políticos. Em um de seus acessos, anos atrás, acusou a Comissão de não levantar os presos políticos no período do governo Lula.


Uma das discussões mais estapafúrdias dos últimos tempos, no Ministério Público Federal, é sobre a indicação por Jair Bolsonaro do procurador Ailton Benedito, do MPF de Goiás, para ocupar a vaga do MPF na Comissão dos Desaparecidos.

Benedito não aceita que em 1964 se implantou uma ditadura, que houve torturas, morte e desaparecimento de presos políticos. Em um de seus acessos, anos atrás, acusou a Comissão de não levantar os presos políticos no período do governo Lula.

A Procuradora Federal dos Direitos dos Cidadãos (PFDC) Déborah Duprat, soltou uma nota condenando a indicação. Benedito reagiu alegando que se tratava de censura.

O ponto central de uma indicação é a avaliação da contribuição do indicado para a causa. Pode um defensor do desmatamento radical ser indicado para uma comissão de defesa do meio ambiente? Um defensor da tortura para uma comissão de humanização dos presídios? Um homofóbico militante para uma comissão de defesa dos direitos dos LBGTs?

É simples assim.

O que está em jogo não é uma questão política, mas humanitária: dar aos familiares dos desaparecidos ao menos o direito ao luto, reconhecido até na Antiguidade pelos guerreiros mais selvagens.

Hoje em dia, o MPF é representado na Comissão pelo procurador Ivan Marx, com tradição na luta por direitos humanos e, ao mesmo tempo, procurador ativo da Lava Jato de Brasília. Ontem, aliás, Marx esteve na Câmara, convocado pela CPI do BNDES.

Há anos, o procurador Benedito é o mais lídimo representante do olavismo no MPF, seguidores das mais improváveis fakenews das redes sociais.

Vamos recordar quem é o procurador Benedito, objeto de artigo no GGN em 2014.

Em 2014 abriu representação contra o Itamaraty, acusando-o de fechar os olhos às tentativas de Hugo Chavez de cooptar jovens brasileiros, ao convocar 26 jovens do Brasil para compor uma tal Brigadas Populares de Comunicação, conforme informações críveis (para ele) que corriam a Internet. Deu prazo de dez dias para o Itamaraty levantar a identidade dos jovens sequestrados e investigar uma possível rede de tráfico humano.

Era uma mera notícia de Internet, mencionando a comunidade Brasil, um bairro popular da cidade venezuelana de Cumaná que, com exceção do nome, não tem a menor relação com o país Brasil.

A barriga repercutiu no mundo todo, sendo ironizada em vários idiomas.

Em maio do mesmo ano tentou suspender toda a publicidade da Copa do Mundo (http://migre.me/nabDB) por estar “absurdamente divorciada da realidade”.

Em novembro de 2011, processou professores por desacato, depois de terem ido ao MPF-GO denunciar supostos desvios de verba do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico) pela prefeitura de Goiânia.

Quando foi lançado o programa Mais Médicos, viu mais uma oportunidade de aparecer. Com base em notas de jornal, instaurou um inquérito civil-público para apurar “possíveis ações e omissões das administrações públicas – em todas as esferas – a respeito do programa Mais Médicos” (http://migre.me/nabUf).

Baseava-se exclusivamente em reportagens mal apuradas, sem a preocupação em aprofundar as investigações. Indagado sobre a razão do inquérito, alegou que:

“Primeiro: a notícia de que municípios estariam substituindo profissionais próprios por médicos do “Mais Médicos”.

Segundo: a notícia de que profissionais originários de Cuba estariam sofrendo algum tipo de violação aos seus direitos, principalmente o direito de se locomover no território nacional. Terceiro: a situação de abandono do programa por médicos que se inscreveram no programa e ingressaram na atividade”( http://migre.me/nac3x).

Se amanhã um jornal noticiar que há indícios de propina no escavamento das crateras da Lua, não se tenha dúvida e que o bravo procurador atuará firmemente em defesa da moralidade intimando os lunáticos.

Ser indicado por Jair Bolsonaro para a Comissão dos Desaparecidos, portanto, faz todo sentido. O que não faria sentido seria o endosso do MPF, através do Conselho Superior do Ministério Público. Se não se pronunciar sobre o tema, seria melhor que entregasse o poder diretamente às bases ululantes que esbravejam nas redes sociais.

Luís Nassif
No GGN
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Militares atiraram mais de 200 vezes em ação que terminou com morte de músico e catador


O tenente Ítalo da Silva Nunes Romualdo atirou 77 vezes com um fuzil durante a ação que terminou com as mortes do músico Evaldo Rosa e do catador Luciano Macedo, em Guadalupe, na Zona Norte do Rio. O oficial comandava a patrulha na ocasião. A informação foi revelada pela ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, do Superior Tribunal Militar (STM), durante julgamento de um pedido de habeas corpus feito pela defesa dos acusados. De acordo com um laudo pericial, elaborado pelo Exército e lido pela ministra, os nove militares, que atualmente estão presos, fizeram mais de 200 disparos com fuzis no dia das mortes. Desse total, 83 atingiram o carro onde estavam Evaldo e sua família.

O julgamento do habeas corpus foi interrompido na noite desta quarta-feira após o ministro José Barroso Filho pedir vista do processo. Até o pedido, quatro ministros votaram pela soltura dos acusados. Somente Maria Elizabeth Rocha votou contra a liberdade. O habeas corpus vai voltar ao plenário em até dez dias. Outros dez ministros ainda vão votar. Até lá, os militares vão permanecer presos.

Para embasar seu voto, a ministra citou depoimentos de vítimas, de testemunhas e dos próprios militares, além de laudos periciais. Segundo Rocha, outro militar da patrulha fez 54 disparos e três soldados atiraram 20 vezes cada um. Um laudo pericial feito no local do crime revela que, além do carro onde estava a família, também foram atingidos por tiros um muro, outros dois veículos estacionados perto do local, um bar e um prédio próximos. Evaldo foi atingido por nove disparos, sendo três na cabeça. Luciano foi baleado três vezes pelas costas. A ministra classificou a ação de "desmedida e irresponsável".

— Nenhuma troca de tiros foi constatada pelas testemunhas. A ação foi desmedida e irresponsável. É injustificável esse veículo ser alvejado por 83 balas de fuzil — disse Rocha.

Estão presos pelo crime o tenente Ítalo da Silva Nunes Romualdo, o sargento Fábio Henrique Souza Braz da Silva e soldados Gabriel Christian Honorato, Matheus Santanna Claudino, Marlon Conceição da Silva, João Lucas da Costa Gonçalo, Leonardo Oliveira de Souza, Gabriel da Silva de Barros Lins e Vítor Borges de Oliveira. Todos os militares são lotados no 1º Batalhão de Infantaria Motorizado, na Vila Militar.

Os militares foram presos, no dia seguinte ao assassinato de Evaldo, em flagrante por descumprimento das regras de engajamento — normas sobre uso da força por militares. No último dia 23 de abril, o subprocurador-geral da Justiça Militar Carlos Frederico de Oliveira Pereira pediu a ao STM a liberdade dos militares alegando que "não subsiste o risco à disciplina militar" da parte dos acusados. De acordo com Pereira, os militares não descumpriram regras de engajamento porque "o homicídio aconteceu quando tentavam salvar um civil da prática de um crime de roubo".

O advogado dos militares afirmou, na audiência, que a prisão foi "construída pela mídia".

— Estamos diante de uma prisão genérica, que foi construída pela mídia. A mídia, o tempo inteiro, colocou os militares como assassinos sem uma apuração dos fatos. A imprensa está usando esse caso para macular as Forças Armadas — afirmou o advogado, durante a audiência.

Rafael Soares
No Extra
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Congresso toma o Coaf do Moro!

Conge não ganha uma! Perdeu a serventia!


Do G1:

Comissão do Congresso aprova transferir Coaf para o Ministério da Economia

Por um placar de 14 votos a 11, a comissão do Congresso que analisa a medida provisória (MP) da reforma administrativa aprovou na manhã desta quinta-feira (9) a transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Ministério da Economia.

O órgão é uma unidade de inteligência financeira do governo federal que atua principalmente na prevenção e no combate à lavagem de dinheiro – crime que consiste na prática de disfarçar dinheiro de origem ilícita.

Esse era um dos pontos que enfrentavam maior divergência entre os parlamentares.

Após assumir a Presidência da República, Jair Bolsonaro transferiu o conselho do extinto Ministério da Fazenda (atual Ministério da Economia) para o Ministério da Justiça.

Alguns partidos de oposição e do Centrão pressionavam o governo para que a unidade ficasse vinculada ao Ministério da Economia.

A retirada do Coaf do MJ significa uma derrota para o Palácio do Planalto e, especialmente, para o titular da pasta, o ministro Sérgio Moro, que defendia a manutenção do conselho sob a sua alçada.

Em uma audiência na Câmara na quinta-feira (8), Moro havia argumentado que a permanência do Coaf na sua pasta seria estratégica no combate à corrupção e crimes de lavagem.

No CAf
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Bolsonaro, Witzel e Crivella mentem sobre Fórmula 1 no Rio


RIO (rumo ao precipício) – Jair esteve hoje no Rio de Janeiro. Jair participou de uma cerimônia que teve as presenças do ex-juiz Wilson, de Jundiaí, e do pastor Marcelo, sobrinho do bispo Bezerra. Jair disse que a Fórmula 1 vai sair de São Paulo. “Após o resultado das eleições do ano passado, a direção da Fórmula 1 resolveu manter a possibilidade de termos provas no Brasil”, falou.

“Em São Paulo, como tinha participação pública, uma dívida enorme, tornou-se inviável a permanência da F-1 lá.” Wilson, o de Jundiaí, acrescentou: “A Fórmula 1 iria deixar o Brasil. Após unirmos forças com o governo federal e o município, conseguimos convencer que o Brasil voltou a ser um país sério e com um futuro próspero. O embaixador da Inglaterra nos procurou aqui no Rio de Janeiro e, com o esforço e cooperação de todos, vamos permitir que o estado novamente seja mais um polo de atração turística com a Fórmula 1”.
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Jair foi além. Pelo Twitter, plataforma de comunicação na qual é muito ativo, assim como seus filhos, dizem até que um deles tem sua senha dessa rede social, comemorou: “Após nossa vitória nas eleições, a Fórmula 1, que iria embora do Brasil, decidiu não só permanecer, mas também construir um novo autódromo no RJ, que terá o nome do ídolo Ayrton Senna. Com isso, milhares de empregos serão criados, beneficiando a economia e a população do estado”. E seguiu, naquilo que se chama de “fio” nesta conhecida mídia cujo logotipo é um pequeno pássaro azul: “Importante ressaltar que o investimento será totalmente de iniciativa privada, com custo ZERO para os cofres públicos. Boa tarde a todos!”.

Ao que, de imediato, foi saudado por seus seguidores com brados virtuais como “mito!”, “aço!”, “selva!”. O pastor Marcelo, então, informou: “Estamos lançando o edital, as empresas apresentarão suas propostas, em 45 dias sai o resultado e começaremos a obra”. De acordo com Jair, Wilson e Marcelo, a etapa brasileira do Mundial de Fórmula 1 já será realizada no Rio de Janeiro em 2020. Ano que vem. Segundo eles o autódromo será construído num terreno cedido pelo Exército na região de Deodoro, zona oeste da cidade. Pela previsão de Jair, em seis ou sete meses ele estará pronto.

Tudo que escrevi no parágrafo acima é verdade, aconteceu. Jair, Wilson e Marcelo disseram tudo isso.

Mas tudo que Jair, Wilson e Marcelo disseram é mentira.

A Fórmula 1 nunca condicionou sua permanência no Brasil ao resultado das eleições do ano passado, como afirmou Jair. Sua vitória nas eleições não foi objeto de nenhuma manifestação da Fórmula 1. O calendário de 2019 já havia sido publicado, inclusive. Com a presença do Brasil. E a Fórmula 1 não decidiu construir um novo autódromo no Rio. A Fórmula 1 não constrói autódromos, não é uma construtora. Mais: a presença da Fórmula 1 em São Paulo não se tornou inviável. Tanto que o GP foi realizado normalmente no ano passado. E será novamente neste ano, no dia 17 de novembro. O atual contrato da cidade com a Fórmula 1 expira em 2020. E as partes estão negociando sua prorrogação por mais alguns anos.

A Fórmula 1 não iria deixar o Brasil, como afirmou Wilson. Se ele conseguiu convencer o embaixador da Inglaterra de que o Brasil voltou a ser um país sério e com um futuro próspero para garantir a permanência da Fórmula 1 aqui, convenceu a pessoa errada. A Fórmula 1 pertence a um grupo de mídia dos Estados Unidos. As relações do diplomata inglês com a Fórmula 1 se resumem à sua provável torcida por Lewis Hamilton, seu conterrâneo.

Marcelo pode lançar o edital que quiser. Ele nasce morto. Há uma sentença da Justiça Federal do Rio de Janeiro proferida em 19 de setembro do ano passado que suspende qualquer licitação visando a construção de um autódromo em Deodoro sem que seja apresentado um Estudo de Impacto Ambiental para a área, também conhecida como Floresta do Camboatá. O terreno, de dois milhões de metros quadrados, é reconhecido como Área de Preservação Permanente — contém resquícios da Mata Atlântica nativa, além de rica fauna silvestre, árvores e animais em risco de extinção etc. Resumindo, não dá para derrubar tudo e sair asfaltando um circuito ao seu bel-prazer.

Mas o que mais espanta nesse festival de insanidades é a afirmação taxativa do pastor Marcelo de que em 45 dias “sai o resultado e começaremos a obra”. Não vou nem comentar a estimativa de “seis ou sete meses” para construir um autódromo, feita por Jair. É verdade que ele tem conhecidos em alguns bairros do Rio que são até capazes de fazer construções rapidamente, e talvez tenha chegado a esse prazo tendo como referência obras menores, como edifícios de poucos andares. Só que não é a mesma coisa. Um autódromo demora bem mais

Jair disse que o custo para os cofres públicos será ZERO. Mais uma mentira, uma vez que o terreno é público e está sendo oferecido à “iniciativa privada” sem custo algum para a própria. De qualquer forma, não basta tuitar que um novo autódromo será construído no Rio para que ele passe a existir. É preciso que alguém pague pela construção.

O custo de um autódromo em Deodoro, de acordo com um projeto apresentado à Prefeitura do Rio em junho do ano passado, chega à casa de 850 milhões de talqueis. Como é que o pastor Marcelo pode afirmar com tanta certeza que em 45 dias “começaremos as obras”? Aliás, se o custo para os cofres públicos for mesmo ZERO, como promete Jair, Marcelo não pode se incluir entre os que vão começar as obras — vamos considerar que o uso da primeira pessoa do plural foi apenas um ato falho, a questão nem é essa.

A questão é: quem, em pleno exercício de suas funções mentais, dispenderia quase um bilhão de talqueis num negócio como um autódromo num país como o Brasil? Para recuperar esse investimento como? Com uma corrida de Fórmula 1 por ano? E qual a garantia de que a Fórmula 1 correria mesmo neste autódromo? Estes senhores — Jair, Wilson e Marcelo — sabem que a Fórmula 1 cobra uma taxa altíssima das cidades que recebem suas corridas?

E que por isso a Fórmula 1 tem se debandado para países cujos governos bancam integralmente as despesas, inclusive construindo as pistas urbanas (como as de Baku e Singapura) e os autódromos permanentes (como Sochi e Abu Dhabi)? O Rio não consegue consertar uma ciclovia, bancar um serviço de bonde, manter corredores de ônibus, cuidar das pessoas que morrem em enchentes e desabamentos, terá dinheiro para pagar o “fee” de um GP de F-1? Eles têm ideia do custo de manutenção de um autódromo inserido numa área de dois milhões de metros quadrados e de como esses custos afastariam qualquer possível interessado nos termos desse edital?

Refazendo a questão, em três palavras: quem vai pagar?

Jair, Wilson e Marcelo mentiram na cerimônia, nas entrevistas, nos “press-releases” e nas redes sociais.

Jair não tem a menor ideia de como funcionam as relações entre Fórmula 1, cidades, autódromos, governos, promotores de corrida.

Jair não tem a menor ideia de quanto custa construir um autódromo. Não deve se inspirar nos seus conhecidos da zona oeste do Rio, onde as exigências para erguer edifícios são menores, para afirmar que é possível concluir uma obra desse porte em seis ou sete meses.

Wilson, de Jundiaí, não tem nada a ver com essa história — o terreno era do Exército e quem pretende licitar a obra é a Prefeitura. Mas pelo menos ficou ocupado hoje durante uma parte do dia, para alívio dos moradores das comunidades pobres de Angra dos Reis.

Marcelo, o pastor, antes de prometer que em 45 dias “começaremos as obras” de um autódromo que nunca será construído, poderia se ocupar dos flagelos de sua cidade. Que não são poucos. O último deles, 24 mortos num prédio que desabou na Muzema.

Jair não falou uma palavra sobre os mortos da Muzema. O que é de estranhar, pois seus filhos têm conhecidos que moram ali do lado, em Rio das Pedras.

Jair não tem sido sequer um vizinho solidário.

Flávio Gomes, é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo
No DCM
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A metamorfose de W.

Certa manhã, Weintraub acordou em sua cama transformado em ministro

"O livro do Kafta" que o ministro da Educação citou terça-feira (7) em audiência no Senado apresenta um desafio interpretativo considerável. No entanto, à primeira vista o caso parece bastante simples.

Uma autoridade comete uma gafe. Os críticos riem e saem espalhando a notícia nas redes com sádico deleite: "Viram que formidável?" Os apoiadores rebatem: "Seus oportunistas esnobes, foi só uma gafe".

No caso, o deslize de Abraham Weintraub foi puro pastelão, uma troca de letras infantil e boba de tão óbvia. Quem nunca se deu conta da semelhança entre o nome do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924) e o do acepipe árabe? Quantos de nós, logo após pensar nisso, descartamos o trocadilho como tolo demais para merecer um enunciado?

Até este ponto o caso conserva sua aparente simplicidade binária. Dizem os governistas: tropeço banal, o cara estava nervoso, pode acontecer com qualquer um. Não é bem assim, insistem os gozadores. Convém lembrar que Weintraub é — pois é — ministro da Educação.

Aí a trama começa a se adensar. Se há inegável malícia e talvez até maus modos no riso fácil com um escorregão desse tipo, o ministro não pode fugir às responsabilidades do cargo. Não poderia em lugar nenhum do mundo, que dirá num país que vai definhando à míngua de educação, como no sertão nordestino definham lavoura e criação por falta de chuva.

A cadeira ocupada por Weintraub exige um estofo mínimo. Seria ridículo sugerir que os titulares da pasta, sobretudo nos últimos tempos, foram todos pessoas de excelente formação. Contudo, é fato que nenhum deles "insitou" o público a ler cafta ou comer Kafka, nem passou as verbas do ensino pelo moedor de carne. Entre o imenso Paulo Freire e o mais despreparado dos professores, estende-se um rico leque de possibilidades.

Não se trata de esnobismo intelectual. Kafka é um dos raros escritores que fazem parte do repertório cultural médio da sociedade. Nesse quesito, é o mais bem-sucedido do século 20, léguas à frente de Marcel Proust e James Joyce.

Ou seja, para citar Kafka ninguém precisa tê-lo lido nem sequer saber por alto quando ou em que região do mundo ele viveu. "Kafkiano", adjetivo da linguagem comum, quer dizer o que "evoca uma atmosfera de pesadelo, de absurdo, especialmente em um contexto burocrático que escapa a qualquer lógica ou racionalidade" (Houaiss).

Na mosca. Weintraub se referia ao processo administrativo que sofreu na universidade, comparando-o à burocracia insondável do genial romance "O Processo". Para isso não precisaria — ninguém precisa — ter lido o livro. Kafka é figurinha tão fácil quanto o árabe da esquina.

E ainda não falamos da barata, que nem barata era. O "monstruoso inseto repulsivo" em que Gregor Samsa acorda transformado, na também genial novela "A Metamorfose", nunca é nomeado direito. Pela descrição, parece estar mais para um besourão, talvez um rola-bosta. Em todo caso, foi a barata que ficou na cabeça de todo mundo. Figurinhas fáceis são assim.

Eis por que apontar o erro do ministro é o oposto de esnobismo intelectual. Digamos que, sendo formado em economia, uma das poucas ciências humanas que sua turma não teme e execra, ele nem precisasse ter lido Kafka para estar no cargo. Por que, então, tentar passar pelo que não é?

Ao acordar certa manhã de sonhos intranquilos, Abraham Weintraub se viu transformado em sua cama em ministro da Educação. Kafkiano, bicho.

Sérgio Rodrigues, Escritor e jornalista, autor de “O Drible” e “Viva a Língua Brasileira”.
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Malucos e malucos no governo

O Lula disse que o Brasil está sendo governado por um bando de malucos. Exagero, claro. É difícil associar o que acontece no Brasil hoje com qualquer atividade que lembre o verbo “governar”. A mesma coisa com o termo “bando”, que, bem ou mal, evoca algum tipo de organização. Lula também exagerou ao chamar de “malucos” os que se aproveitam da confusão para promover seus projetos políticos pessoais, e que de loucos não têm nada. No mais, o Lula tem razão.

A alusão mais precisa que Lula, talvez, procurasse para nossa situação seria a do manicômio dominado pelos pacientes. Este sentimento de um país à deriva, sem entender seu governo e sem entender a si mesmo, é — imagina-se — quase total, mesmo entre os que bolsonaram e esperavam em vão que o “mito” começasse a atuar, nem que fosse só na escolha de um ministério menos exótico. Um bando de malucos se apossando da administração deixa o país tremebundo, mas institucionalmente de pé. Maluco se revoltando contra a instituição é outra coisa, mais grave. Não fica nem uma caneca de pé.

Os generais que ganharam uma nação de graça, sem necessidade de disfarçar farda com terno ou tanque com discurso, estão achando difícil a convivência com civis, chame-se Olavo ou não. Descobrem como eram melhores as revoluções clássicas, com tropas nas ruas. Mas os militares não podem se queixar muito. Se a eleição do Bolsonaro provou alguma coisa — e provou várias — é que boa parte de 60 milhões de eleitores do país não deu a menor bola para o passado e os crimes das Forças Armadas brasileiras nos 20 anos da ditadura que o candidato vencedor diz que nunca aconteceu.

Luiz Fernando Veríssimo
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