8 de mai de 2019

O que significa Bolsonaro no poder

A eleição de Jair Bolsonaro foi um protesto da população brasileira. Um protesto financiado e produzido pela elite colonizada e sua imprensa venal, mas, ainda assim, um “protesto”. Uma sociedade empobrecida – cheia de desempregados, de miseráveis e violência endêmica, cujas causas, segundo a elite e a grande imprensa que a mantém, é apenas a “corrupção política” – elege o mais nefasto político que os 500 anos de história brasileira já produziu. Segundo a imprensa comprada, a corrupção é, inclusive, culpa do PT e de Lula manipulando a informação e criando uma guerra entre os pobres. Sem compreender o que acontece, a sociedade como um todo é manipulada e passa a agir contra seus melhores interesses.

A única classe social que entra no jogo sabendo o que quer é a elite de proprietários. Para a elite, o que conta é a captura do orçamento público via “dívida pública” e juros extorsivos, e ter o Estado como seu “banco particular” para encher o próprio bolso. A reforma da previdência é apenas a última máscara desta compulsão à repetição. Mas as outras classes sociais, manipuladas pela elite e sua imprensa, também participaram do esquema, sempre “contra” seus melhores interesses.

A classe média real entrou em peso no jogo, como sempre, contra os pobres para mantê-los servis, humilhados e sem chances de concorrer aos privilégios educacionais de que desfruta. Os pobres entraram no jogo parcialmente, o que se revelou decisivo do ponto de vista eleitoral, pela manipulação de sua fragilidade e pela sua divisão proposital entre pobres decentes e pobres “delinquentes”. Esses dois fatores juntos, a guerra social contra os pobres e entre os pobres, elegeram Bolsonaro e sua claque.

Foi um protesto contra o progresso material e moral da sociedade brasileira desde 1988 e que foi aprofundado a partir de 2002. Estava em curso um processo de aprendizado coletivo raro na história da sociedade brasileira. Como ninguém em sã consciência pode ser contra o progresso material e moral de todos, o pretexto construído, para produzir o atraso e mascará-lo como avanço, foi o pretexto, já velho de cem anos, da suposta luta contra a corrupção. Sérgio Moro incorporou esta farsa canalha como ninguém.

A “corrupção política”, como tenho defendido em todas as oportunidades, é a única legitimação da elite brasileira para manipular a sociedade e tornar o Estado seu banco particular. A captura do Estado pelos proprietários, obviamente, é a verdadeira corrupção que, inclusive, a “esquerda” até hoje, ainda sem contradiscurso e sem narrativa própria, parece não ter compreendido.

Agora, eleição ganha e Bolsonaro no poder, começam as brigas intestinas entre interesses muito contraditórios que haviam se unido conjunturalmente na guerra contra os pobres e seus representantes. Bolsonaro é um representante típico da baixa classe média raivosa, cuja face militarizada é a milícia, que teme a proletarização e, portanto, constrói distinções morais contra os pobres tornados “delinquentes” (supostos bandidos, prostitutas, homossexuais, etc.) e seus representantes, os “comunistas”, para legitimar seu ódio e fabricar uma distância segura em relação a eles.

Toda a sexualidade reprimida e todo o ressentimento de classe sem expressão racional cabem nesse vaso. O seu anticomunismo radical e seu anti-intelectualismo significam a sua ambivalente identificação com o opressor, um mecanismo de defesa e uma fantasia que o livra de ser assimilado à classe dos oprimidos. Olavo de Carvalho é o profeta que deu um sentido e uma orientação a essa turma de desvalidos de espírito.

É claro que Bolsonaro é um mero fantoche ocasional das elites brasileira e americana. Quando ele volta de mãos vazias dos Estados Unidos, depois de dar sem qualquer contrapartida o que os americanos nem sequer tinham pedido, a única explicação é que ele estava lá como sujeito privado e não como presidente de um país. Como sujeito privado, é bem possível que ele estivesse pagando, com dinheiro e recursos públicos, os gastos de campanha até hoje secretos e sem explicação. Mas é óbvio que sua campanha foi feita e muito provavelmente financiada pelos mesmos que fizeram e bancaram a campanha de Trump.

O seu discurso de ódio era o único remédio contra a volta do PT ao poder. E como a elite e sua imprensa querem o saque do povo, e para isso se aliam até ao diabo, ou pior, até a Bolsonaro, sua escolha teve este sentido. O ódio, por sua vez, é produzido pela revolta de quem não entende por que fica mais pobre e a única explicação oferecida pela imprensa venal é o eterno “bode expiatório” da corrupção política. Mas a corrupção política era a forma, até então, como se manipulava a falsa moralidade da classe média real. Como se chega com esse discurso manipulador também nas classes baixas? O voto da elite e da classe média no Brasil não ganha eleição nenhuma. Este é um país de pobres.

A questão interessante passa a ser como e por que setores das classes populares passaram a seguir Bolsonaro e permitiram sua eleição. Para quem Bolsonaro fala quando diz suas maluquices e suas agressões grosseiras? Ele fala, antes de tudo, para a baixa classe média iletrada dos setores mais conservadores do público evangélico. Este público que ganha entre dois e cinco salários mínimos é um pobre remediado que odeia o mais pobre e idealiza o rico. O anticomunismo, por exemplo, tem o efeito de irmanar este pobre remediado com o rico, já que é uma oportunidade de se solidarizar com o inimigo de classe que o explora e não com seu vizinho mais pobre com quem não quer ter nada em comum. Isso o faz pensar que ele, em alguma medida, também é rico – ou em vias de ser –, já que pensa como ele.

O anti-intelectualismo também está em casa na baixa classe média. Isso é importante quando queremos saber a quem Bolsonaro fala quando ataca, por exemplo, as universidades e o conhecimento. A relação da baixa classe média com o conhecimento é ambivalente: ela inveja e odeia o conhecimento que não possui, daí o ódio aos intelectuais, à universidade, à sociologia ou à filosofia. Este é o público verdadeiramente cativo de Bolsonaro e sua pregação. É onde ele está em casa, é de onde ele também vem. Obviamente esta classe é indefesa contra a mentira institucionalizada da elite e de sua imprensa. Ela é vítima tanto do ódio de classe contra ela própria, que cria uma raiva que não se compreende de onde vem, e da manipulação de seu medo de se proletarizar. Quando essas duas coisas se juntam, o pobre remediado passa a ser mais pró-rico que o Dória.

A escolha de Sérgio Moro foi uma ponte para cima com a classe média tradicional que também odeia os pobres, inveja os ricos e se imagina moralmente perfeita porque se escandaliza com a corrupção seletiva dos tolos. Mas, apesar de socialmente conservadora, ela não se identifica com a moralidade rígida nos costumes dos bolsonaristas de raiz, que estão mais perto dos pobres. Paulo Guedes, por sua vez, é o lacaio dos ricos que fica com o quinhão destinado a todos aqueles que sujam as mãos de sangue para aumentar a riqueza dos já poderosos.

Os primeiros meses de Bolsonaro mostram que a convivência desses aliados de ocasião não é fácil. A elite não quer o barulho e a baixaria de Bolsonaro e sua claque, que só prejudicam os negócios. Também a classe média tradicional se envergonha crescentemente do “capitão pateta”. Ao mesmo tempo, sem barulho nem baixaria Bolsonaro não existe. Bolsonaro “é” a baixaria. Sérgio Moro, tão tolo, superficial e narcísico como a classe que representa, é queimado em fogo brando, já que o Estado policial que almeja, para matar pobres e controlar seletivamente a política, em favor dos interesses corporativos do aparelho jurídico-policial do Estado, não interessa de verdade nem à elite nem a seus políticos. Sem a mídia a blindá-lo, Sérgio Moro é um fantoche patético em busca de uma voz.

O resumo da ópera mostra a dificuldade de se dominar uma sociedade marginalizando, ainda que em graus variáveis, cerca de 80% dela. Bolsonaro e sua penetração na banda podre das classes populares foi útil para vencer o PT, mas é tão grotesco, asqueroso e primitivo que governar com ele é literalmente impossível. A idiotice dele e de sua claque no governo é literal no sentido da patologia que o termo define. Eles vivem em um mundo à parte, comandado pelo anti-intelectualismo militante, o qual não envolve apenas uma percepção distorcida do mundo. O idiota é também levado a agir segundo pulsões e afetos que não respeitam o controle da realidade externa. Um idiota de verdade no comando da nação é um preço muito alto até para uma elite e uma classe média sem compromisso com a população nem com a sociedade como um todo.  Esse é o dilema do idiota Jair Bolsonaro no poder.

No GGN
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Olavo não passa de porta-voz do Governo Trump

Baixarias contra militares escondem o objetivo de colonizar o Brasil


O Conversa Afiada publica artigo sereno (sempre!) de seu colUnista exclusivo Joaquim Xavier:

Há muito de caricatura, estardalhaço e sobretudo baixo calão nos posts do astrólogo Olavo de Carvalho. A imprensa gorda dá destaque aos destemperos verbais do charlatão de Virginia e à sua falta de decoro. O mais importante não é isso, embora enoje qualquer um acostumado a uma discussão civilizada.

O buraco é mais profundo. Olavo de Carvalho age abertamente como porta-voz do imperialismo americano, valendo-se da condição de "brasileiro" e supostamente conhecedor de problemas nacionais. Só por isso suas opiniões ganham repercussão.

Se algum representante do governo americano viesse a público dizer que um militar brasileiro é b...engomada, deveria usar melhor o c..., que generais são analfabetos dirigidos por um cadeirante e outras pérolas do gênero, a grita seria imediata. Mas quando um “brasileiro” espalha estes impropérios, a coisa muda de figura.

O panorama é bem mais complexo, como tudo na política.

Bolsonaro é um acidente histórico, resultado da ofensiva contra Lula, falência do tucanato, divisão personalista das forças progressistas e covardia da chamada elite nativa com seus aliados de sempre. Como militar, Bolsonaro não é respeitado nem sequer por recrutas. Uma presa caída do céu na exata medida dos interesses do rentismo internacional.

É a este que ele responde. Problema: por mais que as Forças Armadas brasileiras não sejam propriamente flores que se cheirem, a maioria de seus representantes mais graduados é formada com base na ideia de defesa mínima de interesses nacionais. Nisso entram a Petrobras, a Amazônia, a base de Alcântara, política externa mais ou menos autônoma.

O alinhamento automático com Trump, Israel e governos de extrema-direita em geral incomoda a caserna. Ninguém se esqueça: foi durante o governo Lula que as Forças Armadas receberam recursos capazes de levantar o moral das tropas. Agora, vê-se o contrário. O horizonte é de desmantelamento. Transformar o Brasil numa Guantánamo continental.

Bolsonaro e sua turma estão determinados a ir em frente nesta política. Claro que isso não sai da cabeça dele e de sua famiglia. Vem de fora. O dito chanceler nacional vive numa ponte aérea Brasília-Washington para receber instruções, com direito a visitas constantes à CIA.

O jantar promovido na embaixada brasileira nos EUA reunindo o tenente-capitão, Olavo de Carvalho, Steve Bannon e figuras carimbadas da direita americana mostrou o grau de subserviência. A insistência de Bolsonaro em endeusar o paspalho de Virgínia junto com a recusa em criticar as baixarias contra assessores e ministros diz tudo.

Bolsonaro, sua famiglia, Carvalho e asseclas como Paulo Guedes fazem parte de uma força intervencionista destinada a eliminar a soberania nacional. O tenente vestido de capitão não tem ascendência real sobre a cúpula militar, seja pela patente, trajetória, folha corrida e condições intelectuais.

A crise entre os “de cima” está instalada sem prazo para terminar. Nenhum dos lados esta disputa oferece uma alternativa de progresso para o Brasil. Cabe ao povo aproveitar este momento para mostrar sua própria força nas jornadas em defesa da educação e na greve geral.
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Xadrez do golpe de Bolsonaro a caminho


Peça 1 – O fator Olavo de Carvalho

Depois das últimas escaramuças, não resta dúvida de que a alma do governo Jair Bolsonaro são seus filhos Carlos e Eduardo. E, por trás de ambos, Olavo de Carvalho. Conforme foi possível conferir ao longo desses meses iniciais, todas as loucuras ditas por Olavo e pelos filhos de Bolsonaro têm consequências políticas. Não são meramente bazófias e grosserias. Têm que ser interpretadas ao pé da letra.

Três opiniões relevantes para compor essa primeira peça

A opinião de Olavo sobre os militares


É evidente que, para Olavo, os generais representam o maior empecilho para a guerra final contra o marxismo cultural.

A opinião de Eduardo Bolsonaro sobre o armamento para a população

 

Em mais de um Twitter, Carlos e Eduardo Bolsonaro deixaram claro que armar a população é condição essencial para a libertação do país. Deram como exemplo os EUA dos pioneiros e a Venezuela da Maduro. Se a população tivesse armas, Maduro não imporia sua ditadura.

A hora do enfrentamento, segundo Olavo

 

De todos os tuites de Olavo, o que mais chamou a atenção foi o que ele avisa para deixar para mais tarde a briga com o general Villas-Boas. Quem o avisou foi “o anjo da guarda”. Não é necessário muito tirocínio para intuir quem é o tal de anjo da guarda.

É evidente que o sentido da frase embute a questão da correlação de forças. Mas o que impediria, neste momento, se o próprio Bolsonaro deixou claro que, entre militares e Olavo, fica com Olavo? Certamente não é a correlação de forças políticas dentro do governo Bolsonaro, onde Olavo saiu vitorioso. É a correlação entre o bolsonarismo e as forças externas – incluindo aí, os generais.

Peça 2 – o decreto de Bolsonaro

 
Portanto, é ingenuidade supor que o decreto de Bolsonaro, ampliando desmedidamente o direito às armas seja mero lobby dos clubes de tiro ou da indústria de armas dos Estados Unidos.

É um posicionamento político para impor-se amparado pelo poder das milícias, dos ruralistas, pelas armas nas mãos de seus seguidores, pelos aliados nas empresas de segurança e, provavelmente, por sua influência junto à média oficialidade das Forças Armadas.

As ligações de Bolsonaro e do PSL com as milícias são óbvias. E há evidências de monta sobre sua proximidade com os mercadores de armas. Dono de um arsenal de 120 armas pesadas, o ex-PM Ronnie Lessa era vizinho de condomínio de Bolsonaro. Ligado a tantos milicianos, colega de tantos ex-militares que vieram dos porões, é impossível que Bolsonaro não soubesse das atividades de Ronnie Lessa

Aqui o primeiro mapa feito mostrando essas ligações.


Peça 3 – as ligações com a indústria de armas dos EUA

No artigo “Xadrez da indústria de armas e o financiamento da direita” mostrei as estreitas ligações entre o lobby das armas e o avanço da ultradireita no mundo. Mostra também a associação dos Bolsonaro com a NRA, a associação dos fabricantes de rifles dos EUA.

Dizia a matéria;

No dia 10 de novembro de 2018, o site da America´s 1st Freedom, da NRA, dizia (https://goo.gl/F7mkKV):  “Tiremos o chapéu para Bolsonaro por ver a situação pelo que realmente é”.

Um ano antes, em 2017, Jair e Eduardo Bolsonaro foram recebido com todas as regalias pela NRA, conforme reportagem da Bloomberg (https://goo.gl/KWcMhy):

“Enquanto estavam lá, eles experimentaram uma AK-47 e outras armas de assalto. Depois, Eduardo, vestindo uma camiseta “F — ISIS”, segurou cartuchos de grande calibre para a câmera e expressou consternação por eles poderem “ter um problema” se tentassem trazer a munição para o Brasil.”

Quando entrou em crise, depois de ter defendido o armamento para a população dias antes da chacina e ela passou a ser alvo generalizado de críticas, inclusive do prefeto de Nova York, a saída foi invocar Deus:

A reação da NRA veio através de seu líder, Wayne LaPierre, alertando contra uma “agenda socialista” por trás das campanhas contra o desarmamento. E dizendo que o direito às armas “é garantido por Deus a todos os americanos como direito de nascença” (https://goo.gl/QKwpaa).

A atuação política da NRA é fundamentalmente contra as instituições, das quais a mais visada é a imprensa.

Peça 4 – o fator Wilson Witzel

O governador carioca Wilson Witzel está claramente preparando sua polícia – civil e militar – para a guerra. Pode-se supor que seja contra as organizações criminosas adversárias das milícias. O que aconteceria com essa estrutura armada, caso o bolsonarismo decidisse peitar a hierarquia das Forças Armadas?

É mais uma evidência do posicionamento dos bolsonaristas.

Peça 5 – o caos que se avizinha

Não há a menor possibilidade da economia melhorar. A equipe econômica conduzida pelos inenarráveis Paulo Guedes e Mansueto de Almeida, parecem determinados a inviabilizar o país, a pretexto de cumprir a Lei do Teto. E sempre com a promessa impossível de que tudo irá melhorar, em um passe de mágica, se for aprovada a reforma da Previdência.

Todas as medidas tomadas parecem ter o intuito de promover a reação da população. Pode ser mera miopia política, de economistas desvairados, pode ser a busca do álibi para o confronto final contra o tal do “marxismo”, que os bolsonaristas vêem até nas Forças Armadas.

De qualquer modo, a cada dia que passa o desalento será maior, assim como a corrosão na popularidade de Bolsonaro. Isso explica a pressa em acelerar providências, a pretexto de recuperar o contato com a base.

O país corre o mais sério risco da sua história, de ser efetivamente controlado por organizações criminosas. Seria relevante que caísse a ficha das instituições – STF (Supremo Tribunal Federal), Forças Armadas e Congresso, antes que seja tarde.



Luís Nassif
No GGN
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Pesquisa CNI/Ibope mostra que maioria é contra reforma da Previdência


Cerca de dois terços da população ainda desconhecem as armadilhas da proposta de “reforma” da Previdência do governo Bolsonaro. Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta quarta-feira (8) – com a hashtag #NovaPrevidência, em apoio à medida – mostra que 36% dos entrevistados afirmam ter conhecimento amplo ou conhecer os principais pontos das mudanças pretendidas nas aposentadorias em discussão na Câmara dos Deputados.

Ou seja, quase dois terços dos brasileiros estão desinformados sobre os direitos que podem ser perdidos se a reforma passar. Dos que conhecem os detalhes do projeto, 51% são contrários e apenas 35% se dizem favoráveis.

Outro dado relevante é que a maioria esmagadora dos brasileiros (80%) disse que a aposentadoria deveria ocorrer até os 60 anos – e não acima, como prevê a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6, que tramita na Câmara. Na proposta do governo Bolsonaro, a idade mínima é de 65 anos para homens e de 62 para mulheres.

O caráter solidário do sistema de Previdência também é defendido por ampla maioria: 77% dos brasileiros acreditam que é dever da sociedade garantir um salário mínimo a todos os idosos de baixa renda, inclusive àqueles que nunca contribuíram para a Previdência.

Pela proposta do governo, o Benefício de Prestação Continuada (BCP), que paga um salário mínimo a idosos a partir dos 65 anos que não conseguiram contribuir, teria o seu valor reduzido de um salário mínimo para R$ 400. O mínimo integral só seria alcançado aos 70 anos.

O levantamento, realizado pelo Ibope, ouviu 2 mil pessoas em 126 municípios entre 12 e 15 de abril. No site especial Minha Aposentadoria, as pessoas têm acesso a todos os pontos da “reforma” e às suas principais consequências.

Segundo a pesquisa, intitulada Retratos da Sociedade Brasileira – Reforma da Previdência, a maior parte dos brasileiros (59%) diz que é preciso reformar o sistema de aposentadorias (a pergunta da pesquisa não esclarece se é mudar para melhor ou para pior). E 83% dos entrevistados afirmam que não estão dispostos a pagar mais impostos para manter as regras atuais.

Outros dados do levantamento revelam que 68% dos brasileiros acreditam que saem prejudicados quando alguns grupos se aposentam com regras diferentes do restante da população, e 59% dizem que é injusto que o valor da aposentadoria das pessoas que se aposentam mais cedo seja menor que o das pessoas que se aposentam mais tarde. Minoria de 24% acredita que os brasileiros se aposentam mais cedo do que as populações de países desenvolvidos.

No RBA
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Decreto sobre armas não é só para agradar eleitores do Bozo, mas seus financiadores


A fotografia de deputados e senadores repetindo com as mãos o gesto estúpido de arminha [tal como o imbecil-mor] e gargalhando como hienas excitadas, dispensa qualquer legenda.

A malta de apoiadores do governo celebrava a assinatura do Decreto abjeto que liberaliza a posse, o porte, a compra e a importação de armas e armamentos.

Os bolsonaristas celebravam, enfim, a medida que assegura os meios para poderem exercer, na plenitude, a licença para matar concedida por Moro e Bolsonaro.

Bolsonaro radicalizou a autorização de porte de armas em casos que não se enquadram na Lei nº 10.826/2003, ou seja, dispensa os requerentes da obrigação de “demonstrar a sua efetiva necessidade por exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça à sua integridade física” [inciso I, § 1º do Artigo 10].

Em clara burla à Lei 10.826/2003, além das previsões anteriores [colecionadores, clubes de tiro, agentes policiais etc], Bolsonaro generalizou e facilitou a autorização de posse e porte de armas para:

– políticos com mandatos em todos os níveis [vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, prefeitos, governadores e presidente da República];

– advogados;

– oficiais de justiça;

– residentes em área rural;

– jornalistas;

– agentes de trânsito;

– caminhoneiros e, pasme-se, autoriza o porte para conselheiros tutelares.

Com o Decreto nº 9.785 de 7/5/209 [aqui], Bolsonaro cria uma aberração à sua imagem e semelhança e realiza a utopia de transformar o Brasil num imenso clube de tiro.

Com os 60 mil homicídios por ano, o Brasil se posiciona como o 13º país mais violento do mundo. Com quase 30 homicídios a cada 100.000 habitantes, tecnicamente o Brasil se equipara a países em situação de guerra civil, segundo a ONU.

O Decreto celebrado pelas hienas excitadas é mais uma infâmia produzida pela extrema-direita fascista, cujo efeito será o agravamento dessa barbárie.

Em contrapartida, na Bolsa de Valores dispararam as ações da armamentista Taurus, empresa que financiou as campanhas eleitorais do chefe da Casa Civil bolsonarista.

Jeferson Miola



Um dos aspectos mais dramáticos e de repercussão explosiva do decreto de liberação de porte de armas assinado por Jair Bolsonaro e publicado nesta quarta-feira (8) está escondido no parágrafo 6º do artigo 36 do texto: por ele, crianças e adolescentes, poderão, sem qualquer restrição de idade, ter acesso a armas. Basta para isso a autorização de um dos pais ou responsáveis legais; com ela, crianças e adolescentes poderão ingressar nos clubes e as escolas de tiro e fazer uso de armas. Até agora isso só seria possível mediante autorização judicial, raramente concedida.

Diz o parágrafo 6º do artigo 36 do decreto 9.785 assinado por Bolsonaro: "A prática de tiro desportivo por menores de dezoito anos de idade será previamente autorizada por um dos seus responsáveis legais, deverá se restringir tão somente aos locais autorizados pelo Comando do Exército e será utilizada arma de fogo da agremiação ou do responsável quando por este estiver acompanhado."

Se o decreto não for derrubado, em alguns anos será possível sentir seus efeitos no cotidiano da sociedade - e eles podem ser devastadores, como os seguidos massacres cometidos por crianças e adolescentes nos EUA o demonstram. O Brasil ainda respira o trauma pelo massacre da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), em 13 de março de 2019, com 10 mortes.

Outros aspectos do decreto são de alta permissividade quanto ao porte de armas. Nem aqueles que eventualmente ferirem ou matarem outra pessoas perderão o direito à posse e porte de armas se alegarem "utilização da arma em estado de necessidade, legítima defesa, em estrito cumprimento do dever legal ou exercício regular de direito" (parágrado 3º do artigo 14).

O volume de munição que será colocado em circulação é incalculável. Diz o parágrafo 1º do artifo 19 do decreto que "o proprietário de arma de fogo poderá adquirir até mil munições anuais para cada arma de fogo de uso restrito e cinco mil munições para as de uso permitido registradas em seu nome".
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Luiz Gonzaga Belluzzo: A serpente sai do ovo


Um governo que anuncia um corte de 30% no orçamento das universidades federais e, ainda, propõe a eliminação dos cursos de filosofia e sociologia dos currículos escolares estaria acometido de qual doença? Em artigo publicado nesta terça-feira (7), no jornal Valor, o professor titular do Instituto de Economia da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo procura responder a essa questão, recorrendo aos movimentos históricos que levaram a humanidade a gerar o iluminismo e, agora, a retomar visões medievais.

“Diante das misérias da vida e de uma vida de misérias, as vítimas dos deuses mundanos buscam refúgio no Incompreensível. Nos tempos de cólera, elas fogem das dúvidas e angústias que as atormentam. Adaptadas, conformadas, até mesmo confortadas e felizes preferem aceitar que sua existência é apenas uma permissão dos deuses e de seus procuradores na Terra”, reflete Belluzzo.

“Nos espaços fabricados pelas Novas Crenças não é possível manter conversações, porque neles a norma não é a argumentação, mas o exercício da animosidade sob todos os seus disfarces, a prática desbragada da agressividade a propósito de tudo e de todos, presentes ou ausentes, amigos ou inimigos”, completa.

O economista, considerado entre os 100 maiores heterodoxos do século XX no Biographical Dictionary of Dissenting Economists, pondera que “a angústia sem esperança”, em um mundo onde a desigualdade e a injustiça aumentam, “invoca as trevas da anti-razão”. Isso explica porque o presidente Jair Messias Bolsonaro, e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, mantém grupos de fiéis, mesmo após a exposição de várias ações políticas e de gestão pública incoerentes para seus cargos.

“Para um contingente parrudo de brasileiros, não importam os deslizes de seus Deuses e Messias. Importa, sim, que os Escolhidos insistam e persistam na afirmação das crenças, ideologias, visões do mundo, valores que refletem os ressentimentos dos súditos maltratados pelas frustrações e misérias da vida”, explica.

Ao mesmo tempo, destaca Belluzzo, aumenta a percepção das pessoas de que existem fatores políticos e decisões de governo que resultam no regresso ou progresso individual e coletivo. “Esse sentimento [de que não é uma fatalidade] é cada vez mais intenso. É a nostalgia do futuro, um sentimento que reflete as angústias que povoam as almas de homens e mulheres, pasmos diante de uma situação econômica e social que ronda ameaçadoramente suas vidas e as de seus filhos”.

A crise, assim, é absorvida nas vidas de cada indivíduo e a resposta de cada um, em grande escala, tem influência nos movimentos de entradas e saídas de governantes. Nesse ponto, o economista ressalta que as redes sociais, então prometidas como espaço de movimentos livres de ideias e opiniões, acabaram se transformando “num calabouço policialesco em que a crítica é substituída pela vigilância”.

“A vigilância deve adquirir aquela solidez própria da turba enfurecida, disposta ao linchamento. Não se trata de compreender o outro, mas de vigiá-lo. “Estranho ideal policialesco, o de ser a má consciência de alguém”, diz o filósofo Gilles Deleuze, também suspeito de patrocinar o marxismo cultural”, continua.

Aqui chegamos em um ponto em que parece que a sociedade brasileira (e em termos mundiais) parece que anda na contramão da história. Ou seria a história que mudou de mão? Nessa reflexão, Belluzzo lembra do papel do Iluminismo, movimento contrário ao absolutismo que procurou substituiu a visão teocêntrica da Europa espalhada na Idade Média por uma visão mais racional.

“O homem do Iluminismo cobrou seus direitos de dominação, reivindicando o poder de suas Luzes, abominando os obstáculos da tradição ou de tudo que lhe figurasse contrário aos princípios de uma ordem natural, desvendada e comandada pela razão”, destaca o professor.

“Para Kant [um dos filósofos do Iluminismo], a ousadia de entender por si mesmo liberta o homem, sua imatura dependência de outrem. A imaturidade é auto infligida. Não resulta da incapacidade dos homens, mas da falta de coragem para usar seu entendimento sem a guia do outro”, completa.

Na passagem para os tempos modernos que marca o avanço do Iluminismo, Belluzzo lembra que o medo universal de mudanças deu espaço para o temor da estagnação.

“A concepção de ordem revelada foi progressivamente substituída pela ideia de ordem natural, cujos fundamentos estavam à mercê da análise racional. A sociedade, enquanto aglomerado de indivíduos, sedes da razão, estava submetida a leis de funcionamento semelhantes àquelas que presidiam o reino da natureza. O impulso de perseguir os próprios interesses expunha o indivíduo ao relacionamento com os demais, e o complexo dessas relações voluntárias constituía a sociedade global e ditava as normas de seu funcionamento”, explica. Para ler o artigo de Belluzzo na íntegra, clique aqui.

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Frutas, grosserias e estupidez


Ainda antes de a campanha eleitoral começar, fomos apresentados a uma senhora conhecida como Val do AÇAÍ. Depois da eleição, ficamos conhecendo um LARANJA da família presidencial de sobrenome Queiroz (onde andará este senhor que até hoje não conseguiu ser localizado pelo MP-RJ para dar seu testemunho presencial? Haja dificuldade seletiva!). No caso do LARANJA, descobrimos que não era um só, além do caso Queiroz, havia pelo menos dois laranjais do PSL, um em Pernambuco e outro em Minas Gerais.

Depois, soubemos que Jesus subiu em um pé de GOIABA. Mais adiante, vimos o presidente passar um dia inteiro dedicado a chupar MANGA (fruta que, segundo a ministra da Agricultura, evita a fome no país), ouvimos que a BANANA do Equador é um fantasma a assombrar o Brasil, aprendemos que a Presidência da República é um ABACAXI e, finalmente, descobrimos aliviados que a exportação de três cargas de ABACATE para a dinâmica e potente economia argentina é um grande feito econômico do Brasil. Uau! Que governo frutífero!

Além do festival de frutas, faz quatro meses que assistimos espetáculos sucessivos de grosserias e estupidez. O ministro da Economia – que na fase de transição já tinha sido extremamente grosseiro com uma jornalista – desfilou seu arsenal de desrespeito nas duas casas legislativas. O presidente da República decidiu brindar os brasileiros com uma postagem de extremo mau gosto com um vídeo de golden shower, durante o carnaval.  Ele próprio e seus filhos – em particular o 02 e o 03 – transformaram as agressões, via redes sociais (a jornalistas, adversários políticos e, para nossa surpresa, aliados) em uma diversão familiar, em particular nos finais de semana.

O festival de estupidez tem superado todo o resto. Descobrimos que o ministro da Justiça é um mentecapto, que o Itamaraty está nas mãos de um despreparado chorão e que os ministros da Educação (o anterior e o atual) são totalmente desqualificados para o cargo que assumiram. Aliás, o MEC tem presenteado os brasileiros com festivais de demonstração de despreparo, em particular no INEP, onde um ex-presidente falou em cidadões (SIC), em seu discurso de posse, e o atual, na companhia do próprio ministro, protagonizou uma das cenas mais vexatórias que já tivemos a oportunidade de assistir, ao confundir R$ 500 milhões com R$ 500 mil e ainda se gabar dizendo “missão dada, missão dada…” (lembrando-se que o ministro, que participou da lambança, é economista, embora tenhamos sido informados de que seu desempenho universitário foi um desastre, o que foi comprovado por seu histórico escolar). Cansei!

Jorge Alexandre Barbosa Neves – Ph.D, University of Wisconsin – Madison, 1997. Pesquisador PQ do CNPq. Pesquisador Visitante University of Texas – Austin. Professor Titular do Departamento de Sociologia – UFMG
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"Balbúrdia": estudantes nas ruas do Brasil contra cortes na educação... Avança rejeição a Bolsonaro


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O corte de 43% do orçamento militar é chantagem ou mentira?


Quando dirigentes de instituições públicas são comunicados, já no quinto mês do ano, que seus orçamentos serão cortados em 43% e dizem que isso “não afetará suas atividades”, das duas uma: ou não vê nenhuma importância naquilo que faz ou está, simplesmente, mentindo.

Afinal, 43 por cento significa, grosso modo, cinco dos 12 meses do ano.

Contingenciar verbas é coisa corriqueira na administração, mas isso se dá, normalmente, sobre parcelas de investimentos, adiados ou cancelados. Como no Orçamento deste ano os investimentos são minúsculos – quando não inexistentes – o corte tem de recair sobre o custeio, as despesas do cotidiano.

Militares que não são capazes de lutar para que seus quartéis funcionem, para que suas tropas comam, para que seus veículos andem, em última análise, ou estão acovarados ou não vêem nenhuma serventia em existirem.

Será que acham que os cortes, depois de aceitos, serão “de mentirinha”? Ou, pior, que seu papel pode ser suprido pelas milícias informais que o atual presidente está formando, sob a capa de “atiradores esportivos”, nas quais a afliação a um “clube de tiro” dá direito a andar com armas de grosso calibre e munição à vontade?

Já há até um comandante pronto para elas, na Virgínia.

Jair Bolsonaro deu mais um grande passo para humilhar as Forças Armadas.

Do lado do Governo, dizer que é um “simples” contingenciamento de verbas, que será revertido “com a aprovação da nova Previdência” é algo que ofende a inteligência de qualquer simples contabilista, porque , ainda que aprovada, o efeito da reforma neste ano fiscal é, literalmente, zero.

Na sua coluna de hoje, Miriam Leitão fala que “na área econômica, a informação é de que está havendo uma queda de nada menos do que R$ 30 bilhões nas receitas esperadas”. E vai ficar pior, porque todos os sinais são de retração da economia, o pior veneno para as scontas públicas.

O país está desmanchando e, infelizmente, uma de suas estruturas permanente, as Forças Armadas, foram arrastadas pela armadilha ideológica e viraram saco de pancadas do “bolsolavismo” que instalaram no Poder.

Estão sendo tratados como idiotas pelo “tenente bombinha” a quem entregaram o comando do país.

Fernando Brito
No Tijolaço
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