4 de mai de 2019

Moro e a sua busca pelo bilhete premiado do STF

Quem conhece sabe que a busca incansável pelo bilhete premiado do STF começou ainda no governo do golpista Michel Temer
Meu amigo Décio foi criado com José Maria Marin no bairro de Santo Amaro, em São Paulo.

Jogaram bola em campinho de terra batida, pescaram em riachos de águas então diáfanas, trocaram confidências sobre as primeiras namoradas.

Marin ganhou o mundo, fez sucesso como advogado e político, tornou-se vice-governador de SP. E depois governador, quando o titular, Paulo Maluf, se afastou para disputar uma eleição.

Foi quando voltaram a se encontrar. Era o dia da posse de Marin no palácio dos Bandeirantes.

Ao reencontrar o amigo, estendeu os braços e abriu um sorriso.

– Décio, ganhei na loteria!

Tem muito mais para contar, mas vamos ficar por aqui pois o foco deste texto não são as peripécias de Marin.

E sim de Sérgio Moro, que numa entrevista recente repetiu o deslumbramento do ex-cartola para explicar a sensação de um dia chegar ao Supremo Tribunal Federal.

– Seria como ganhar na loteria, disse o ex-juiz da pequena Maringá.

Agora leio que Moro estaria insatisfeito no cargo e teria confidenciado a amigos o desejo de cair fora.

Ele anda injuriado por causa de dilemas que envolvem desde desvio de dinheiro público pela família do chefe, o envolvimento dela com milicianos e indícios confirmados pela Polícia Federal de corrupção do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, no caso dos laranjas do PSL de Minas.

Para piorar, teve de ouvir de Dias Toffoli, presidente do STF, um recado dirigido aos seus parceiros de Curitiba que tentaram criar um fundo de R$ 2,5 bilhões da Lava Jato com dinheiro da Petrobras sabe-se lá para qual finalidade.

“Não se pode criar recursos para si próprio nem se apropriar de algo que é da União. Isto tem até nome no Código Penal, mas não vou dizer o tipo”, disse Toffoli, medindo as palavras para evitar maiores constrangimentos.

Moro tem lá seus seguidores, é verdade, mas, convenhamos, a maioria deles gente como o empresário Luciano Hang, dono da Havan, que se intitula “cidadão de bem” e por debaixo dos panos não se diferencia do pior lixo que a nossa sociedade consegue produzir.

O chefe do ex-justiceiro de Curitiba é outro exemplo emblemático. Bolsonaro e filhos têm uma vida de erros no baixo clero da vida pública, alçaram o poder atiçando o ódio e os sentimentos primitivos dos eleitores e, no exercício do poder, continuam agindo da mesma forma, retaliando adversários, agredindo e colocando o Estado à disposição de grupos de interesses.

Moro na pele de juiz agiu como político. Condenou um ex-presidente sem provas, interrompeu suas férias para tramar contra a decisão de um desembargador, não teve compaixão nem diante das mortes que envolveram Lula.

E, no fim, o que se revelou é que estava mancomunado com uma candidatura à presidência, de olho na ocupação de espaços de poder para si próprio, no caso uma vaga no STF, e para apaniguados, como Deltan Dallagnol, obcecado pela vaga de Raquel Dodge na procuradoria-geral da República.

O constrangimento de Sérgio Moro é evidente. Antes de ser avacalhado por Toffoli nesta semana, foi acusado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de ter se apropriado de um texto de Alexandre de Moraes para montar o seu projeto “anticrime”.

Sobre os casos das milícias, dos funcionários fantasmas de Flávio, Jair e Carlos Bolsonaro, nenhum pio. Da mesma forma os laranjas do PSL e as arbitrariedades praticadas todos os dias pelas polícias e pelo Exército país afora.

Há quem já o chame de bobo da corte, numa associação com o caipira que apostou todas as suas moedas na compra do viaduto do Anhangabaú.

A notícia sobre a renúncia, obviamente, abalou os bastidores da família Bolsonaro, que joga com duas variantes: desmentir os boatos e minimizar a importância do ex-juiz no governo.

Preso em Allenwood, no interior do Estado da Pensilvânia (EUA) pelos crimes de organização criminosa, fraude bancária e lavagem de dinheiro cometidos no período em que presidiu a CBF, Marin é o típico personagem conhecido no Brasil por utilizar a vida pública para acumular recursos a perder de vista.

O prejuízo de Moro está sendo de outra natureza, não menos pernicioso. Alguém que até onde se sabe não roubou como o velho cartola mas causou danos talvez irrecuperáveis na imagem institucional da Justiça ao transformá-la em balcão de interesses do mundo político.

Marin conta nos dedos os dias que faltam até junho de 2021 quando, finalmente, aos 89 anos, estará em liberdade para desfrutar da riqueza que acumulou com seu prêmio de loteria no elegante apartamento de 600 metros quadrados na região dos jardins.

A trajetória de Moro até o sonhado bilhete premiado é mais curta (a próxima vaga no STF vai surgir no ano que vem) mas, pelo andar da carruagem, mais improvável de se realizar: o céu não é de brigadeiro para o ex-juiz de Maringá.

José Cássio
No DCM
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Tem que tirar Bolsonaro, antes que acabe com o sistema educacional brasileiro


O bloqueio das verbas de custeio, autorizado por Jair Bolsonaro, vai paralisar todo o sistema de ensino superior e dos Institutos Federais de Educação

O bloqueio das verbas de custeio, autorizado por Jair Bolsonaro, vai paralisar todo o sistema de ensino superior e dos Institutos Federais de Educação. E foi motivado exclusivamente pela tal guerra ao marxismo cultural que orienta todas as ações de governo e pelos investimentos de Paulo Guedes no setor privado.

É tão maluco esse desmonte quanto seria a ideia de estatizar o setor privado. São posições ideológicas sem nenhuma avaliação sobre o resultado final para o país.

Essa loucura vai desestruturar o sistema universitário, prejudicar milhares de alunos, interromper pesquisas científicas, comprometer o atendimento dos hospitais universitários.

Insisto: o país não pode continuar refém desses celerados. O governo é transitório. Dura um mandato, dois, com reeleição. Há obras que são permanentes, como é o caso do sistema de ensino público. Não há nenhuma possibilidade de conferir a um mandatário o poder de destruir uma construção intergeracional e, mais do que isso, essencial para o desenvolvimento do país.

Talvez essa irresponsabilidade seja derrubada em breve, por uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal). Mas como se pode conviver com armadilhas diárias, desmontes diários de toda uma construção política, social, de várias gerações de brasileiros, não apenas destruindo o que foi construído ao longo de décadas, mas deixando um vácuo, sem nenhum projeto alternativo?

O STF, o Congresso, o Judiciário, as Forças Armadas são parte do Estado brasileiro. Não podem permitir a continuidade dessa loucura. Se não agirem, serão cúmplices da destruição do país como Nação.

Luís Nassif
No GGN
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Olavo de Carvalho: O problema não é a falta de diploma, é a desonestidade intelectual

No afã lacratório das redes sociais, muita gente boa acaba enfatizando que Olavo de Carvalho não tem diploma.

Mas o problema não é a ausência de diploma.

Um diploma é um certificado público de que se possuem determinadas competências. Se o sistema funciona com perfeição, podemos ter certeza de que os portadores de diplomas possuem aquelas competências. Às vezes, no entanto, ocorrem falhas e uma pessoa possui o diploma sem ter as competências, como parece ser o caso do atual ministro da Educação.

É razoável que sejam exigidos diplomas para o exercício de determinadas atividades, já que as pessoas leigas por definição não têm como aferir as competências - e por isso se fiam nas certificações. Assim como é razoável exigir que os motoristas tenham habilitação oficial.

Mas isso não impede que alguém saiba dirigir sem ter carteira. Assim como alguém pode aprender economia, física, engenharia mecânica, medicina ou filosofia por conta própria, sem passar pelos bancos universitários. É difícil, dado o grau de especialização de cada área, mas não é impossível.

Um ambiente mais formal de ensino e aprendizagem também provê estímulos para que se respeitem dois elementos essenciais para a formação: a disciplina intelectual e a honestidade intelectual. São elas que inibem a opção por soluções fáceis e nos forçam a verdadeiramente enfrentar os problemas.

São elas que faltam a Olavo de Carvalho.

Ele é um espertalhão, cujo talento é mistificar uma plateia de pessoas que, tanto quanto ele, não possuem estofo para se engajar na efetiva busca pelo conhecimento. A agressividade contra tudo e contra todos substitui os argumentos, anula as exigências de coerência e lógica, transita como transgressão e permite que se tomem todos os atalhos possíveis para chegar a quaisquer conclusões que se queira.

O problema não é a falta de diploma, é a desonestidade intelectual.

Mas nossa justificável repulsa por Olavo de Carvalho não pode nos levar a uma posição elitista e cartorial, negando a contribuição, por vezes valiosa, que pode ser dada por pessoas que se construíram como intelectuais à margem do sistema universitário ou com trajetórias acadêmicas heterodoxas.

Luis Felipe Miguel
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Chega! Entramos no 5º mês de boçalnarismo: ninguém vai segurar esse trem-fantasma?

https://www.balaiodokotscho.com.br/2019/05/04/chega-entramos-no-5o-mes-de-bocalnarismo-ninguem-vai-segurar-esse-trem-fantasma/

Confesso que, no atropelo dos fatos horríveis que se sucedem a cada dia, a cada hora, chega um ponto em que nem sei mais o que escrever.

Por isso, estou publicando mais textos curtos (só duas linhas) e comentários na minha página oficial no Facebook do que aqui.

Não dá para esperar o dia seguinte e escrever um texto mais pensado no Balaio porque as maluquices e arbitrariedades em série do governo Boçalnaro não deixam.

Além de passar a manhã de sexta-feira distribuindo medalhas aos filhos, amigos e seguidores, o presidente da República (?) ainda encontrou tempo para comemorar no Twitter a primeira exportação de abacates para a Argentina.

Dá para acreditar? E agora o capitão quer ir à guerra na Venezuela… Se não fossem os generais que o tutelam, ele já teria convocado as tropas.

O homem não tem noção nenhuma do cargo que ocupa e fica todo mundo em volta batendo palmas e dando risadinha envergonhada quando ele levanta a camisa para mostrar a cicatriz da facada num programa de televisão.

Militares sempre curtiram esse negócio de cerimonias e entrega de medalhas, eu sei, mas o país reclama a presença, no Palácio do Planalto, de alguém que o governe.

Estamos há cinco meses, literalmente, sem governo, assistindo placidamente ao festival de sandices e atrocidades praticadas no circo de horrores de Brasília.

Também não temos mais Congresso Nacional, submetido ao domínio do baixo clero de Eduardo Cunha, o famigerado centrão, agora sob o controle de Rodrigo Maia.

O Supremo Tribunal Federal não julga o que tem que julgar e também se dedica a cerimonias de desagravo aos seus membros, enquanto faz licitação para comprar lagostas e vinhos premiados.

Com os três poderes em frangalhos, o que nos resta fazer?

Não temos mais lideranças, nem no governo nem na oposição. É tudo um balaio de gatos pardos disputando nacos de poder.

Em compensação, bem longe daqui, em Nova York, entidades democráticas, congressistas e até o prefeito da cidade se mobilizaram para impedir a homenagem ao capitão como “personalidade do ano”.

Quem será que o elegeu para isso? Baseado em que fatos concretos, a não ser o de que ele está se dedicando, com muito afinco, para destruir o país e suas instituições, determinado a não deixar pedra sobre pedra.

Chega! Basta! Assim os jornais antigos gritavam em suas manchetes quando achavam que a situação ficava insustentável.

Quem faria isso hoje? Estamos todos bestializados diante de tanta insanidade, sem saber o que fazer.

E o que nós poderíamos fazer para evitar este avanço do retrocesso?

* * *

Recomendo a leitura diária da seção “Acervo Folha”, que o jornal publica no pé da coluna “Painel”, mostrando o que acontecia há 50 anos.

Está tudo lá, exatamente como é hoje.

Manchete do jornal no dia 4 de maio de 1969:

“Presidente chega à capital de SP para ver prova de turfe e ser homenageado”.

Presidente era o general Costa e Silva, ou melhor, o marechal Costa e Silva, que veio a São Paulo para ser homenageado no Jockey Clube e assistir a um páreao do Grande Premio São Paulo de turfe.

De marechal a capitão, fomos caindo na hierarquia do poder, mas os militares voltaram a ser protagonistas.

O Brasil tinha entrado no quinto ato, o golpe dento do golpe, que cassou, prendeu e matou sem piedade, numa ditadura feroz, que agora os atuais ocupantes do poder negam ter existido.

Querem agora voltar para aquele tempo sombrio da nossa história, galopando rumo a um novo regime de exceção, que já começou.

Só não vê quem não quer ver, fazendo de conta que vivemos na maior normalidade, graças à exportação de abacates.

O quadro é cada vez mais sinistro, mas amanhã tem São Paulo e Flamengo no Morumbi.

Vida que segue. Pra onde?

Ricardo Kotscho
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Senhores ministros: Bolsonaro está de olho em vocês


Depois de Sérgio Moro dizer que “é prematura” a discussão sobre liberar a fuzilaria no campo, liberando armas de grosso calibre para os fazendeiros, agora é a vez da Ministra da Agricultura, Teresa Cristina, apor suas ressalvas ao anúncio presidencial, dizendo que “não sabe” se é favorável à medida.

A segunda “escorregada” ministerial em apoiar o “faroeste caboclo” de Bolsonaro acaba dando um novo sentido ao que disse, há poucos dias, o ex-capitão:

- Eu não sou armamentista? Então ministro meu ou é armamentista ou fica em silêncio. É a regra do jogo.

Bem, Moro e Cristina, embora falando de forma amedrontada, não ficaram em silêncio, embora não tenham tido a coragem de dizer que são contrários.

Ninguém ache, porém que seja por um entendimento intransponível de que a violência não é a forma de convívio social.

É que ambos estão percebendo, em suas respectivas platéias, que a selvageria de Jair Bolsonaro está respingando sobre eles.

Que se cuidem, porque o ex-capitão não aceita senão os incondicionais e não é só aquela frase que o revela. Desde o expurgo de Gustavo Bebianno isto está claro.

Portanto, para além dos elogios públicos que faz a ambos, Jair Bolsonaro, nas suas entranhas, já pôs ambos em sua alça de mira.

O estímulo a que o Congresso retire de Moro o Coaf e o anúncio da liberação de armas no campo  (prestigiando Nabhan  Garcia, ex-UDR, secretário do Ministério da Agricultura) é sinal disso.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Greg News | Justiça Militar


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“Se caio, hermano, te levo comigo”


Em operação temerária, deflagrada a pedido de Trump, FMI torra US$ 57 bilhões na Argentina, para tentar salvar Macri. Fracasso é provável – e exporá miséria do projeto neoliberal. Por isso, Buenos Aires tira o sono de Bolsonaro

Em 1958, a Argentina teve de pedir, pela primeira vez, um empréstimo ao Fundo Monetário Internacional. Nas seis décadas seguintes, o país assinou 22 acordos com o Fundo. A maioria descarrilhou mais tarde, ou terminou em fracasso.

As credenciais pró-mercado do atual presidente da Argentina, Mauricio Macri, não o impediram de se somar a este desfile de decepções. Em pouco mais de três anos, seu governo firmou dois acordos com o FMI. E os acontecimentos recentes sugerem que a problemática história da Argentina com o Fundo pode estar a ponto de se repetir.

O último capítulo começou em junho de 2018, quando o país tinha déficits fiscais e de conta corrente [externo] que, somados, equivaliam a cerca de 11% do PIB. Os investidores desconfiaram dos bônus da dívida argentina, o que obrigou o governo Macri a bater às portas do FMI em busca de ajuda.

Com forte respaldo dos Estados Unidos, o Fundo concedeu à Argentina, rapidamente, um empréstimo de 50 bilhões de dólares, que deveria ser usado em três anos. O governo fingiu que era apenas um programa “preventivo”: a Argentina não necessitava do dinheiro, o importante era que os investidores privados soubessem que este estava à disposição.

No entanto, apenas dois meses depois, Macri admitiu que a Argentina precisava até mais que os 50 bilhões, e de imediato. Na gíria do FMI, o acordo tinha de ser “pago à vista” [charged up front”].

Neste ponto, a amizade de Macri com o presidente norte-americano, Donald Trump (conheceram-se no mundo imobiliário), deu frutos. O FMI concordou, ainda que rangendo os dentes, em engordar o empréstimo com 7 bilhões adicionais, o que o elevou a US$ 57 bi. Além disso, 90% do valor total, ou US$ 51,2 bilhões, serão desembolsados antes da próxima eleição presidencial da Argentina, marcada para 27 de outubro.

É o maior empréstimo já concedido pelo FMI a um país, e a economia da Argentina, em crise, depende muito deste apoio financeiro. Em 15 de abril, o Fundo enviou uma quota de US$ 9,6 bi. Mas, em vez de usar este dinheiro para acumular reservas de divisas ou recomprar dívida em dólares, o governo Macri vai usá-lo para comprar pesos argentinos [Trata-se de uma jogada protelatória, quase idêntica à de Fernando Henrique Cardoso, na crise cambial brasileira de 1998. O Brasil estava quebrado. Mas o dinheiro das reservas internacionais, e o do FMI, foi usado para vender dólares aos especuladores (ou seja, para “comprar reais”). Estes puderam “fugir” da moeda brasileira, evitando a mega-desvalorização que se seguiria às eleições. Mas durante meses, com a cotação do real em queda vagarosa, foi possível fingir certa “estabilidade” (Nota do Tradutor)].

Como era de esperar, as taxas de risco da Argentina dispararam. Os investidores estão inquietos, e não apenas porque a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner lidera as pesquisas. Sabem que, ao concentrar praticamente todo o apoio financeiro do FMI em seu atual mandato, Macri também concentrou os vencimentos das obrigações de reembolso da Argentina com o Fundo. Como o FMI tem status de credor preferencial, será o primeiro da fila dos credores e, por isso, o primeiro a cobrar. Em outras palavras, se depois de 2020 a Argentina não tiver dólares suficientes para pagar todos os seus credores, os inversores privados podem ver-se obrigados a reestruturar seus créditos, com perdas. Eles sabem disso e também sabem que têm oportunidade limitada para sair da Argentina. É provável que a usem rápido

O governo argumenta que o Tesouro precisa vender os US$ 9,6 bilhões no mercado interno, para cobrir os gastos orçamentários em pesos. Que o governo use empréstimos do Fundo para comprar pesos argentinas parece alarmante, mas o FMI aceitou. No entanto, o governo só poderá comprar pesos argentinos em doses homeopáticas, de até US$ 60 milhões por dia, através do Banco Central e em leilões públicos.

Isso não tem sentido. Em virtude de seu acordo com o FMI, o governo comprometeu-se a executar o Orçamento de 2019 sem déficit primário (ou seja, excluído o pagamento de juros) e também a refinanciar pelo menos 70% dos vencimentos da dívida em pesos e de seus juros. O governo está cumprindo ambas condições. Mais ainda: está refinanciando mais de 100% da dívida que vence, superando a meta deste ano.

Portanto, o governo não tem necessidade orçamentária de utilizar os dólares do FMI para comprar pesos. Ainda assim, as autoridades, com o respaldo do Fundo, utilizarão o dinheiro para manter estáveis as cotações do dólar, até as eleições deste ano, aumentando as possibilidades de reeleição de Macri.

O FMI não poderia apoiar esta manobra, por várias razões. Para começar, o disparate de se endividar com o FMI para comprar pesos colocará os esforços para normalizar as relações entra a Argentina e o Fundo. Em segundo lugar, os dólares que o governo se propõe a vender agora, para comprar pesos, serão muito necessários para que o próximo governo possa fazer frente aos pagamentos da dívida e dos juros que vencem em 2020.

Além disso, ter US$ 9,6 bilhões, em vez da quantidade equivalente de pesos depreciados, colocaria o próximo governo em posição um pouco mais cômoda — já que, como parece inevitável, precisará renegociar o atual acordo com o FMI. Vale notar, que Macri pode inclusive fracassar, em seu objetivo de assegurar um peso estável até as eleições. Um leilão diário de US$ 60 milhões não dará ao governo munição suficiente para evitar picos de volatilidade no mercado cambial.

Por fim, quanto mais dinheiro a Argentina dever a um credor privilegiado, como o FMI, mais difícil será convencer os investidores privados, “não privilegiados”, a retornar seus capitais e continuar financiando o país em 2020 e depois.

Lamentavelmente, a história pode estar a ponto de se repetir. Em outubro de 2001, uns 60 dias antes de interromper o pagamento de suas dívidas, a Argentina solicitou um empréstimo de US$ 8 bilhões ao Fundo. A maior parte do dinheiro foi usada para comprar pesos de investidores institucionais que abandonavam o país . O FMI está a ponto de cometer o mesmo erro. Não se deve esperar, agora, um resultado diferente.

Hector R. Torres
No Outras Palavras
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Uma lição de resistência


A entrevista de Lula à Folha de S.Paulo e ao El País ainda vibra nesta redação e o que nos toca em primeiro lugar é a lição de altivez e desassombro que a marca para sempre. As palavras do ex-presidente sobre as razões que o levam a manter a resistência a partir da prisão curitibana nos comovem e nos empolgam.

Fundamental na análise deste momento crucial da história nacional o depoimento de Lula, dado antes do início da entrevista e gravado pelo valente Ricardo Stuckert, extraordinário e fidelíssimo biógrafo de quem acompanha a largo tempo. A Folha não o publicou, ao contrário do El País, representado por Florestan Fernandes Júnior, e pelo site online da Fórum. Alguns trechos, os mais significativos, estão abaixo.

Lúcida e implacável a análise da sequência de ações que do impeachment de Dilma Rousseff levam à condenação sem provas, aos desmandos de Temer e à eleição de Jair Bolsonaro. Fio condutor: a demência como forma de governo, o entreguismo do súdito e a demolição do Estado. O entrevistado reconhece a unicidade da conspiração à brasileira, do fatídico jeitinho de inventar motivos e enganar a plebe rude e ignara. Sublinha Lula haver países ameaçados, ou a pique, de perder as benesses criadas pela democracia, enquanto o Brasil nem chegou a conquistá-las. Os primeiros passos essenciais neste sentido, dados pelo governo petista, foram engolidos pelo golpe e suas consequências.

Tenho pelo meu eterno presidente, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema à República, uma amizade irrecorrível vincada pela franqueza a caracterizar uma relação de autêntica substância. Ele nunca deixou de se abrir comigo e eu nunca deixei de expor meu pensamento. Lula me cita a propósito do caso Battisti: é fato que insisti junto ao então presidente, a lamentar a espantosa ignorância de quantos viam um herói em um mero terrorista, ex-ladrãozinho do arrabalde romano. Preferiu dar ouvidos a quem nada sabe a respeito da história recente da Itália. Já a história deste Brasil brutalmente desigual ele a conhece a fundo e desnuda em toda a sua malignidade.

A situação em que precipitamos ele a percebe desde as raízes, aponta inclusive a diferença abissal a separar os atuais parlamentares que desonram o País e o Congresso que editou em 1988 a nova Constituição, presidido por Ulysses Guimarães, notabilíssima personagem merecedora da melhor lembrança. E a mim vem à memória o dia do começo de janeiro de 1984, quando o doutor e o governador Montoro me pediram para procurar o jovem líder do PT e reiterar o convite a participar da manifestação das Diretas Já convocada em São Paulo na Praça da Sé no aniversário da cidade, a 25 daquele mês. Logo almocei com Lula e ouvi dele o que esperava: “Estarei lá, obviamente”. Acompanhava-me um amigo caríssimo, jornalista italiano de passagem por São Paulo, e ele carregou a certeza de que eu era um potentado da República, a despeito do meu esforço de demovê-lo desta convicção. Lula foi à manifestação e figurou na linha de frente do palanque diante de uma plateia de 500 mil pessoas. Ao cabo da memorável festa cívica, um grupo dirigiu-se à Avenida Paulista e incendiou uma perua da Globo.

Outro era o Brasil. Compreensível agora do ponto de vista político o apoio irrestrito que Lula dá ao PT, a meu ver partido tíbio diante do descalabro terrificante dos dias de hoje. Mas Lula é um ser de emoções à flor da pele, generoso por natureza, amigo irredutível dos amigos – e não lhe faltaram os traidores. Por causa desse aspecto da sua personalidade, se quisermos encantador, e apesar do QI muito elevado, do senso de humor agudo, da vocação da tirada irônica, às vezes ele tropeça em enganos diria mesmo ingenuamente. Nem sempre a paz na terra premia os homens de boa vontade, conforme cantaram os anjos na noite de Nazaré. De todo modo, por raciocínios distintos, apreciei a sabedoria que o inspirou ao falar de Guilherme Boulos e Ciro Gomes.

Se eu estivesse entre os entrevistadores, não teria hesitado em fazer perguntas a respeito de uma alta corte naturalmente incumbida de velar pelo cumprimento da Constituição. Como sabemos, deu-se o exato contrário. O Supremo poderia ter agido desde 2014 para impedir a criminosa atuação da Lava Jato ao longo de um processo que transforma o juiz imparcial em inquisidor disposto a condenar sem provas ao sabor das fantasias dos pregadores de uma cruzada. E ignorou os poderes que lhe permitiam intervir no processo de impeachment de Dilma Rousseff para coibir mais um desacato à Lei Maior e a clamorosa injustiça cometida contra Lula. Um Supremo conivente e velhaco aderiu, tal o verbo correto, ao golpe de forma decisiva em todas as suas passagens. E ainda teria perguntado como enxerga agora os Toffolis e Fachins da vida, as Rosa Webers e Cármen Lúcias, e outros que o quiseram onde hoje se encontra.

De minha parte, recordo que no dia 15 de abril de 2015, Dilma no início do segundo mandato de Joaquim Levy a tiracolo, almocei com Lula em minha casa, com a companhia do professor Belluzzo e de minha filha Manuela. Lá pelas tantas, ao enfrentar um ossobuco com raspa de limão sobre o tutano, sustentei a necessidade imperiosa de uma pronta reação. O plano do golpe estava em andamento desde a eleição e o impeachment da presidenta e a condenação sem provas pelo inquisidor curitibano já figuravam no script. Não se tratava de profecias, mas de constatações. Sugeri: aluga um ônibus e organiza uma caravana, começa por sua terra, Garanhuns, atravessa o Nordeste, vai ao Norte, desce para Salvador, depois Belo Horizonte, enche as praças, abre os olhos do povo, faz um barulho do capeta. Como sempre, disse o que penso. A caravana saiu quando era tarde, Lula já condenado. Ninguém me tira da cabeça que, se ele aceitasse minha sugestão, não haveria golpe e tudo o mais.

O prólogo

Trechos do documento lido antes da entrevista

• Aquele golpe começou a ser preparado em 2013 quando a Rede Globo de Televisão usou sua concessão pública para convocar manifestações de rua contra o governo e até contra o sistema democrático. Tudo valia para tirar o PT do governo, inclusive a mentira e a manipulação pela mídia.

• O novo Brasil que estávamos criando junto com o povo e as forças produtivas nacionais foi retratado pela Rede Globo e seus seguidores na imprensa como um país sem rumo e corroído pela corrupção. Nem em 1954 com Getúlio nem em 1964 contra Jango se viu tanta demonização contra um partido, um governo ou um presidente. Centenas de horas do Jornal Nacional e milhares de manchetes de revistas contra nós. Nenhuma chance de defender nossas opiniões. Mesmo assim, em 2014, derrotamos os poderosos nas urnas pela quarta vez consecutiva.

• Para quem não conhece o Brasil, nossas elites dizimaram milhões de indígenas desde 1500, destruíram florestas, enriqueceram por 300 anos à custa de escravos tratados como se fossem bestas. Colonos e operários tratados como servos. Divergentes como subversivos, mulheres como objetos. Diferentes, como párias. Negaram terra, dignidade, educação, saúde e cidadania ao nosso povo.

• Criamos o PT em 1980 para defender as liberdades democráticas, os direitos do povo e dos trabalhadores. O acúmulo das lutas do PT e da esquerda brasileira, do sindicalismo dos movimentos sociais e populares nos levou a consolidar um pacto democrático na Constituinte de 1988. Esse pacto foi rompido pelo golpe do impeachment em 2016 e por seu desdobramento que foi a minha condenação sem culpa, e minha prisão em tempo recorde para que eu não disputasse as eleições.

Mino Carta
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Moro & Damares


Moro e Damares têm que ficar no governo.

Não tem essa de ficar jogando balão de ensaio, com a ajuda de jornalistas amigos, para justificar uma fuga descarada.

Moro e Damares são os padrinhos mágicos do Bozo, Hermes e Afrodite dessa mitologia tosca na qual o principal ídolo é uma Hidra de muitas cabeças dementes.

Cada um com suas loucuras e irresponsabilidades é responsável pela construção dessa imagem apodrecida e ridícula do Brasil atual diante do mundo, da civilização humana.

Moro e Damares são personagens fixos dessa tragédia, não podem sumir, não podem morrer, muito menos se furtar ao julgamento da História.

Moro, o homem que prendeu Lula para que Bozo fosse eleito e, ato contínuo, virar uma paródia de super ministro. Não virou nada, só uma caricatura do juiz que nunca foi.

Damares, a pastorinha da goiabeira, a rainha louca da Bozosfera, é a síntese do hospício montado em Brasília.

Moro e Damares devem ficar, até o fim.

Leandro Fortes, jornalista
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Ao invés de se meter com os vizinhos, Bolsonaro deveria se preocupar em não transformar o Brasil em outra Argentina


Não existem respostas fáceis que expliquem o porquê de impérios sólidos dominantes da economia, do conhecimento e do poder bélico mais cedo ou mais tarde, invariavelmente, ruírem.

Mas, em contraposição, é fácil entender os motivos pelos quais a corda tende sempre a arrebentar do lado mais fraco.

Governos ineptos, inexperientes, periféricos e convictamente subalternos de nações “primeiro-mundistas” possuem por natureza todas as condições necessárias para o desastre anunciado de suas administrações.

Se a política econômica e a postura internacional adotadas pela Argentina de Maurício Macri, por exemplo, já nos davam a ideia do que nos espreitava um governo Aécio Neves, mas que fatalmente foi implementado por Michel Temer e aprofundado por Jair Bolsonaro, o resultado se dá após três anos da retirada do PT do poder.

Com um país em estágio avançado de deterioração de seus principais índices econômicos e, ainda mais preocupante, sem absolutamente nenhuma expectativa de melhora, a queda se torna cada vez mais uma realidade.

Politicamente instável, socialmente injusto e economicamente ignorante, Bolsonaro e sua trupe se esforçam para manter as aparências frente a uma sucessão inédita de derrotas e humilhações movidas a trapalhadas ideológicas.

Completamente sem rumo, não é de se espantar que expoentes do governo tanto da ala esquizofrênica (Damares Alves) quanto da autoritária (Sérgio Moro) já aventem a possibilidade de arriscarem a sobrevivência no mar revolto do desemprego à permanecerem no naufrágio certo da empreitada Olavo-bolsonariana.

Com apenas 120 dias passados, o cenário de terra arrasada na economia, na saúde, na educação, na segurança e nas políticas de inclusão social deixam claro que não existe saída no horizonte próximo.

Nada obstante, enquanto o governo desmorona por inanição sob os seus pés, a preocupação do presidente é que a Argentina não se transforme em outra Venezuela.

O que Jair Bolsonaro parece não perceber com os tremores que o abalam, é que sua preocupação deveria estar voltada para que o Brasil, este sim, não se transforme melancolicamente em outra Argentina.

Carlos Fernandes
No DCM
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Governo do México apresenta proposta para suspender proibição de todas as drogas

Plano visa reorientar recursos usados no combate ao tráfico para programas de reinserção e desintoxicação de usuários


O governo do México, liderado pelo presidente Andrés Manuel López Obrador, enviou para a Câmara dos Deputados nesta sexta-feira (3) o novo Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) do país. Entre outras medidas, o documento propõe alterações nas políticas de combate às drogas, incluindo suspender a proibição do consumo de substâncias que hoje são ilícitas. 

Segundo o plano, os fundos que atualmente são destinados ao combate ao tráfico de drogas devem ser aplicados em programas “personalizados” com o objetivo de reinserir usuários na sociedade. 

“A única possibilidade real de reduzir os níveis de consumo de drogas residem em suspender a proibição das [substâncias] que atualmente são ilícitas e reorientar os recursos hoje destinados a combater seu tráfico”, afirma o texto. Os fundos serão transferidos a “programas – massivos, mas personalizados – de reinserção e desintoxicação”. 

Esses programas, segundo o documento, ocorrerão mediante “acompanhamento clínico e fornecimento de doses com prescrição para, em um segundo momento, oferecer [aos usuários] tratamento e desintoxicação personalizados sob supervisão médica”. 

A proposta do governo sustenta que a guerra às drogas apenas intensificou a violência que o México atravessa e que o uso de substâncias ilícitas deve ser tratado como uma questão de saúde pública.

A estratégia proibicionista, segundo o texto, “é insustentável não só pela violência que gera, mas também pelos maus resultados em matéria de saúde pública”. Além disso, o modelo “criminaliza de maneira inevitável os consumidores e reduz sua probabilidade de reinserção social e reabilitação”. 

O PND não tem caráter de lei, mas é um documento que visa orientar as pautas consideradas importantes pelo governo, servindo como “instrumento para enunciar os problemas nacionais e enumerar as soluções”.

No Brasil de Fato
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Bolsonaro trai caminhoneiros com aumento do Diesel e risco de greve é real


O presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) traiu os caminhoneiros e aumentou o preço do diesel. A Petrobras informou em seu site, na noite desta sexta-feira (4), aumento de 2,56% no preço do combustível nas refinarias. O aumento repercutiu imediatamente no grupo de WhatsApp do Comando Nacional do Transporte e a possibilidade de uma greve semelhante à de 2018 passou a ser real.

Em meados de abril, Bolsonaro chegou a vetar novo aumento, mas dessa vez cedeu a Paulo Guedes e à ala financista do governo e deu as costas à categoria que o apoiou.

Com isso, o valor cobrado às refinarias, sem impostos, passará dos atuais R$ 2,2470 para R$ 2,3047. É um aumento médio de R$ 0,0577. Os novos preços começam a valer a partir do primeiro minuto deste sábado.

Greve

De acordo com informações do Correio Braziliense, a ameaça de greve dos caminhoneiros voltou após o anúncio do aumento do óleo diesel, anunciado ontem pela Petrobras. A indignação da categoria não é só contra a estatal, mas também por causa de medidas não cumpridas pelo governo. Representantes de transportadores autônomos admitem que, no conjunto da obra, ficou mais difícil controlar o clamor por uma paralisação nacional.

O aumento repercutiu imediatamente no grupo de WhatsApp do Comando Nacional do Transporte, o principal canal de comunicação em que líderes dialogam sobre pautas da categoria.

O jornal informa ainda que a maioria dos autônomos cogita unir forças com outra parcela da categoria, capitaneada por Wanderlei Alves, o Dedéco, que havia incitado uma greve para 29 de abril, mas abortou a ideia depois de ser atendido pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

A reunião de Dedéco com o governo, em 22 de abril, ampliou um distanciamento que existia dentro da categoria. O autônomo, que representa alguns transportadores na Região Sul, sobretudo no Paraná, se alinhou aos sindicatos, representados pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA). A proximidade enfureceu uma parcela maior de lideranças que não se sentem representadas pela entidade. A revolta contra o Estado, no entanto, pode unir a classe, admite Ivar Schmidt, líder do Comando Nacional do Transporte.

Caso essa união aconteça, a greve seria muito semelhante à de 2018. “Somos representantes de um setor que depende diretamente de uma economia que parou. Não tem mais carga para transportar. E isso vai criando um clima bélico que está por um fio para explodir com a falta de pautas atendidas”, analisou Schmidt. A classe cobra, sobretudo, as fiscalizações da jornada de trabalho e do piso mínimo de frete.

No Fórum
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Bolsonaro não é “o cara”, é o pária


O cancelamento da viagem de Jair Bolsonaro a Nova York, para receber o prêmio – mambembíssimo – de “Homem do Ano”  da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, afinal uma reunião de homens que querem negócios mais fáceis com os EUA, mostra mais que um constrangimento do atual presidente do Brasil.

Quatro meses após sua posse, Jair Bolsonaro se tornou um estigma – fora dos meios financeiros, de quem sabemos o que provoca-lhes o amor – pelo mundo afora.

Em nota oficial, o porta-voz da Presidência, general Otávio Rego Barros, passou recibo:

“Em face da resistência e dos ataques deliberados do prefeito de Nova York e da pressão de grupos de interesses sobre as instituições que organizam, patrocinam e acolhem em suas instalações o evento anualmente, ficou caracterizada a ideologização da atividade”

É claro que é ideológico, como tudo no mundo é. Mas também é mercadológico.

Se empresas cancelaram o patrocínio a esta homenagem, certamente não foi por “ideologia”, foi pelo prejuízo comercial que ela poderia render.

O jornal Financial Times, a companhia aérea Delta Air Lines e a consultoria Bain & Company, que cancelaram seus patrocínios ao evento não são “ideologicamente opositores” de Jair Bolsonaro, ao contrário.

Mas certamente não estão dispostos a pagar para grudar em si um estigma de selvagens, que é a marca que Jair Bolsonaro tem a lhes oferecer.

É, para tristeza dos “mercadistas” uma questão de mercado. Jair Bolsonaro dá mais prejuízo do que lucro.

Inclusive ao Banco do Brasil, que patrocinará o jantar de milionários ao qual o presidente não comparecerá e no qual  há dúvidas se será representado pelo chanceler Ernesto Araújo ou pelo astrólogo Olavo de Carvalho.

O país que tinha “o cara” como símbolo, agora tem “o pária”.

Fernando Brito
No Tijolaço
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