28 de abr de 2019

Espanha: vitória dos socialistas, irrompe Vox, desabam PP e Podemos


O surgimento de Podemos na Espanha parecia apontar para o fim do bipartidismo na Europa. Com os dois partidos tradicionais em cada país apoiando a politica de Austeridade – o nome que o Banco Central Europeu deu à sua politica de ajuste fiscal, se abria um espaço para uma nova esquerda. Podemos foi a primeira expressão dessa nova tendência.

Estas eleições impõe uma nova perspectiva para a política espanhola. Em primeiro lugar, se o PP consolida sua decadência, caindo para o pior resultado da sua história, não acontece o mesmo na esquerda. O Psoe, depois de ter sofrido uma baixa significativa quando Podemos surgiu, se recuperou e passa a ser o único partido que pode dirigir uma coalizão de governo na Espanha.

Podemos, por sua vez, se nas eleições anteriores se havia colocado o objetivo de superar o Psoe, cometeu erros graves e teve uma debacle, perdendo quase a metade da sua bancada e ficando com um terço dos parlamentares socialistas. Os dois, o PP à direita, e o Podemos à esquerda, são os principais derrotados destas eleições.

No campo da direita, depois do surgimento de Cidadaos, uma variante mais moderada do que o PP, a maior novidade foi a aparição de Vox, com a extrema direita chegando à Espanha. Em outros países essa corrente já havia aparecido – como a Franca, a Alemanha, a Itália, entre outros -, mas não na Espanha. Para tentar evitar o crescimento de Vox, o PP escolheu um novo dirigente na sua ala mais de direita, mas não foi suficiente.

O problema é que, se Podemos tem uma tendência decrescente, demonstrando que não é nova corrente de esquerda que se fortalece, mas na extrema direita, com Vox com tendência ascendente. Tudo vai depender do novo governo. Seu sucesso pode brecar a tendência ao fortalecimento de Vox. Mas se o novo governo socialista fracassa, a tendência será que o fortalecimento venha da extrema direita e não de Podemos, que pode acentuar sua crise nessa circunstância.

Podemos irrompeu de forma espetacular na política espanhola, mobilizando a setores de juventude e conquistando as bases de apoio do Psoe, desgastado pela adesão desse partido a políticas neoliberais. Mas Podemos não chegou a desenvolver amplo trabalho de massas, ao contrário dos partidos da nova esquerda na América Latina. Exagerou no protagonismo na mídia, não conseguiu administrar as diferenças internas, que levaram a que vários dirigentes se afastassem, ao mesmo tempo que foi perdendo parte significativa das novas gerações de eleitores, com o Psoe recuperando votos que tinha perdido.

Falta o conhecimento da experiência do PT e do Brasil, com seu trabalho de massas, seus governos nacionais e regionais, para que Podemos possa encarar o duro balanço que tem que fazer. Isso teria permitido que o Podemos tivesse aproveitado mais seu auge.

A maior novidade então nas eleições espanholas é a chegada de uma corrente de extrema direita, uma das consequências do fracasso de Podemos. Em outros países, como a Franca, a Alemanha e a Itália, quem capitaliza o debilitamento dos partidos tradicionais, em especial os da esquerda, é a extrema direita. Como no caso da Franca, em que é a extrema direita da Le Pen quem volta a se fortalecer, com as grandes manifestações dos jaquetas amarelas.

A própria formação do novo governo não está resolvida, porque os votos do Psoe e do Podemos não são suficientes para a maioria necessária para formar um governo. Os socialistas terão que contar com os pequenos grupos nacionalistas, com os quais não tem tido boas relações. A alternativa, uma aliança com Cidadaos, partido moderado de direita, parece fora de possibilidades, pelas juras deste de não se somar de forma alguma aos socialistas. Veremos se, caso o Psoe não consiga a maioria suficiente, se essa possibilidade reaparece ou se, revelando que a crise de governabilidade é mais profunda, se cheguem a convocar novas eleições.

Emir Sader, sociólogo e cientista político
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Pronunciamento de Lula antes da entrevista - assista


Antes do início da entrevista histórica concedida aos jornalistas Florestan Fernandes Júnior e Mônica Bergamo, o ex-presidente Lula fez um pronunciamento, que não foi registrado nas transmissões do El País e da Folha. Leia, abaixo, a íntegra do que foi dito por Lula aos jornalistas:



“Minha condenação injusta e minha prisão ilegal, há mais de um ano, são mais que o resultado de uma farsa jurídica. São consequências diretas do fracasso social, econômico e político do golpe político do impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff em 2016. Aquele golpe começou a ser preparado em 2013 quando a Rede Globo de Televisão usou sua concessão pública para convocar manifestações de rua contra o Governo e até contra o sistema democrático. Tudo valia para tirar o PT do Governo, inclusive a mentira e a manipulação pela mídia. 

Isso aconteceu quando nossos governos tinham alcançado nossas maiores marcas: multiplicamos o PIB por várias vezes, chegamos a 20 milhões de novos empregos formais, tiramos 36 milhões de pessoas da miséria, levamos quase 4 milhões de pessoas às universidades, acabamos com a fome, multiplicamos de modo espetacular a produção e o comércio da agricultura familiar, multiplicamos por quatro a oferta do crédito, isso em meio a uma das maiores crises do capitalismo da história. E, ainda assim, quase quadruplicamos as nossas exportações. 

O novo Brasil que estávamos criando junto com o povo e as forças produtivas nacionais, foi retratado pela Rede Globo e seus seguidores na imprensa como um país sem rumo e corroído pela corrupção. Nem em 1954 com Getúlio nem em 1964 contra Jango se viu tanta demonização contra um partido, um governo ou um presidente. Centenas de horas do Jornal Nacional e milhares de manchetes de revistas contra nós. Nenhuma chance de defender nossas opiniões. 

Mesmo assim, em 2014, derrotamos os poderosos nas urnas pela quarta vez consecutiva. Para quem não conhece o Brasil, nossas elites dizimaram milhões de indígenas desde 1500, destruíram florestas, enriqueceram por 300 anos a custas de escravos tratados como se fossem bestas. Colonos e operários tratados como servos. Divergentes como subversivos, mulheres como objetos. Diferentes, como párias. Negaram terra, dignidade, educação, saúde e cidadania ao nosso povo. 

Mas a Globo, o mercado, e os representantes dos estrangeiros, os oportunistas da política, e os exploradores da gente simples, disseram que era preciso tirar o PT do Governo para resolver os problemas do Brasil e do povo brasileiro. Hoje, o povo sabe que foi enganado. Criamos o PT em 1980 para defender as liberdades democráticas, os direitos do povo e dos trabalhadores. 

O acúmulo das lutas do PT e da esquerda brasileira, do sindicalismo dos movimentos sociais e populares nos levou a consolidar um pacto democrático na constituinte de 1988. Esse pacto foi rompido pelo golpe do impeachment em 2016 e por seu desdobramento que foi a minha condenação sem culpa, e minha prisão em tempo recorde para que eu não disputasse as eleições. 

Reafirmo minha inocência, comprovada por todos os meios de prova nas ações que fui injustamente condenado pelo ex-juiz Sergio Moro, sua colega substituta e três desembargadores acumpliciados do TRF-4. Repudio as acusações levianas dos procuradores da Lava Jato e denuncio [Deltan] Dallagnol, que nunca teve a coragem de sustentar, ante meus olhos, as mentiras que levantou contra mim, minha esposa e meus filhos. 

Mais de um ano depois da minha prisão arbitrária, está cada dia mais claro para o povo brasileiro que fui injustiçado para não ser candidato às eleições presidenciais do ano passado. Nas quais, segundo todas as pesquisas de opinião pública, teria sido eleito em primeiro turno contra todos os adversários. 

O povo sabe que minha prisão teve motivos políticos. Posso reafirmar com a consciência tranquila por ser inocente, os que me condenaram, não. Fui condenado sem prova e sem crime. Minha pena ilegal foi agravada pelo arbítrio de três desembargadores do TRF-4, tão parciais como o juiz Sergio Moro. Os recursos da minha defesa lastreados em argumentos sólidos foram ignorados burocraticamente pelo STJ. 

Meus direitos políticos foram negados contra a lei, a jurisprudência e uma decisão da ONU pela Justiça Eleitoral. Mesmo assim, minhas ideias e meus ideais continuam vivos na memória e no coração do povo brasileiro. 

Mantenho minha esperança e a confiança no futuro em um julgamento justo, por causa das generosas manifestações de solidariedade que recebo todos os dias aqui em Curitiba por parte dos companheiros maravilhosos da vigília e de todos os cantos do Brasil e do mundo. 

Eu sei muito bem qual o lugar que a história nos reserva, meus companheiros e companheiras, e sei também quem estará na lixeiras dos tempos quando o povo vencer mais essa batalha. 

Mais importante do que isso, sei que a injustiça cometida contra mim recai sobre o povo brasileiro que perdeu direitos, oportunidades, salários justos, emprego formal, renda e esperança num futuro melhor. 

Hoje estou aqui para falar com jornalistas como sempre fiz ao longo da minha vida. Na verdade, para falar com o nosso povo. Esse direito me foi negado por sete meses e durante o processo eleitoral e que estava absolutamente fora da lei. 

Mas guardo comigo uma certeza. Preso ou livre, censurado ou não, tenho com o povo brasileiro uma comunhão eterna que o tempo não vai apagar. Contra todos os poderosos, contra a censura e a opressão, estaremos sempre juntos por um Brasil melhor, mais justos com oportunidades para todos. Obrigado”

Lula
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“Estudante” que delatou professora que criticou Olavo é, na verdade, secretária-geral do PSL

Tamires de Paula
Foto: Reprodução/Twitter
A tal estudante que gravou e expôs uma professora que criticou Olavo de Carvalho é secretária-geral do PSL.

Em seu perfil no Twitter, Tamires de Paula se descreve como “Ativista Politicamente Incorreta. Co-fundadora do DIREITA ITAPEVA. Secretária-Geral PSL Itapeva”.

O vídeo gravado pela jovem foi repercutido, inclusive, por Jair Bolsonaro.

No DCM
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Ensaio fotográfico de Ricardo Stuckert mostra cenas inéditas de Lula e de seus entrevistadores
























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Oito perguntas de Lula cujas respostas devemos a ele

Foto: Ricardo Stuckert
E se Lula nos entrevistasse?

E se ele, detido e retirado do convívio em sociedade, questionasse o que estamos fazendo desde que foi abduzido para a República de Curitiba?

Destaco a seguir oito perguntas que o ex-presidente fez durante a entrevista de ontem, a primeira após mais de um ano encarcerado, depois de juízes, Supremo Tribunal Federal e Polícia Federal fazerem gato e sapato para evitar que ocorresse:
  1. Cadê aquele cidadão dos R$ 7 milhões? Cadê a imprensa que não está atrás do Queiroz?
  2. Imagine se os milicianos do Bolsonaro fossem amigos da minha família?
  3. Onde Paulo Guedes fez esse curso de economia dele?
  4. Estou vendo a obsessão que está acontecendo agora de destruir a soberania nacional, de juntar R$ 1 trilhão com a reforma da Previdência. Para que? Às custas dos aposentados?
  5. E aqueles juízes do TRF-4 que nem leram a sentença? (Aqui Lula versava sobre ter consciência tranquila, mas podemos – e devemos – questionar onde estão todos os integrantes do Judiciário que escreveram a ópera bufa “Anticorrupissaum” que demonstravam tamanho empenho e patriotismo chegando ao ponto de interromper as próprias férias pelo dever cívico)
  6. Quem é o primeiro inimigo do Bolsonaro? (Neste ponto da entrevista o ex-presidente perguntou e ele mesmo respondeu afirmando que era Mourão, mas gostaria que refletíssemos bem e respondêssemos com sinceridade: Quem é o primeiro inimigo de Bolsonaro?)
  7. Militares, por que tanto ódio ao PT?
  8. Vamos fazer uma autocrítica geral nesse país. (Foi em tom de afirmação mas o contexto era de interrogação. Aqueles que votaram nessa turma que está aí, irão fazer a autocrítica que tanto cobravam do PT e que muitos usaram como justificativa infame para optarem por passar o comando do navio para um capitão tresloucado, despreparado e irascível?)
O que responderíamos caso fôssemos instados a responder aos questionamentos do ex-presidente que perdeu um neto e um irmão durante esse período?

E se Lula tivesse feito essas perguntas objetivas direcionadas a nós? E se ele perguntasse o que estamos esperando para acender o pavio ao assistir impávidos a todos os retrocessos que um bando de malucos está a nos impor?

O que estamos fazendo desde a ascensão daquilo que o cientista político André Singer define como “PJ” e “PF” (Partido da Justiça e Partido Fardado)?

Quando iremos pegar pelos colarinhos aquele amigo ou parente que bateu panela e iremos perguntar por que Lula está preso e exigir uma resposta inteligível e embasada?

Afinal de contas, ninguém é obrigado a gostar de Lula. E ele errou. O principal erro do governo Lula, segundo até mesmo André Singer, “foi acreditar que poderia eliminar a pobreza e reduzir a desigualdade de cima para baixo. Não é. Chegado certo limite, as classes dominantes repõem o atraso”.

Mas daí a colocar alguém atrás das grades durante período eleitoral e fundamentado em “convicções” em vez de provas, vai um pulo.

A Justiça mesmo acabou de determinar que a OAS devolva a Lula o valor pago em parcelas pelo tríplex. Valores desembolsado para quitar cotas de um prédio que estava sendo construído em forma de cooperativa antes da OAS assumir o empreendimento e que sempre foram declaradas no Imposto de Renda.

Se era propina, por que pagou? Se a Justiça manda devolver o que foi pago, onde está o crime e quem o cometeu? Se o tríplex já havia sido penhorado como bem da OAS em outro processo, de quem afinal é o imóvel?

Lula fez perguntas que fazem-nos questionar até onde vai nossa passividade diante de injustiças.

Responderemos?

Mauro Donato
No DCM
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Liberdade de exceção


Existem diversas leituras razoáveis para a crise que envolveu o STF, o Ministério Público e veículos da direita midiática. Nenhuma delas inclui a defesa ou o cerceamento da liberdade de expressão. Essa narrativa é sedutora, mas não condiz com as atitudes dos seus porta-vozes e tampouco motiva os interesses que a puseram no centro dos debates.

Se as prerrogativas constitucionais de fato importassem, seus atuais defensores teriam reagido com a mesma veemência quando a Folha de São Paulo censurou judicialmente uma página virtual que a ironizava. Ou quando certo diretor da Globo processou um blogueiro que o mencionou de maneira indireta, em contexto ficcional. Ou ainda quando a delegada federal conseguiu silenciar os questionamentos incômodos que lhe fazia um jornalista.

Os exemplos são mais numerosos e absurdos do que nosso espírito libertário seria capaz de suportar. Nos rincões interioranos, os conflitos se resolvem com ajuda policial, para não citar o fuzilamento sumário, dispensando requintes processuais. Nos grandes centros, os casos mais civilizados arruínam indivíduos econômica e profissionalmente, por litigâncias intermináveis, caríssimas, abusivas. E quase sempre vencidas pelos cerceadores.

O desrespeito à livre manifestação está em todo lugar. Na proibição a Lula de conceder entrevistas e participar da propaganda eleitoral do PT. Nos vetos a reuniões de estudantes universitários. No patrulhamento a professores e funcionários públicos. Nas exposições de arte suspensas e nos artistas presos e humilhados. Na repressão violenta a manifestantes pacíficos e até a faixas políticas em estádios de futebol.

Judiciário, Ministério Público, imprensa corporativa, governo federal, ninguém dá a mínima para a liberdade de expressão. A dos outros, entenda-se bem. Para os “nossos”, vale tudo. Especialmente se a vítima da ofensa é a deputada petista, a vereadora do PSOL assassinada, o deputado gay que sofre ameaças, o ex-presidente retratado como bandido no filme de quinta categoria. Mas ninguém se atreveria a ofender a honra de Sério Moro, “talquei”?

Exatamente porque seletiva, a defesa de direitos é um discurso calcado no pressuposto de que uma parcela da sociedade não pode ter a mesma garantia. Ou melhor, um gesto simbólico que afirma a insignificância dos prejudicados e a superioridade dos seus antagonistas. O sigilo que impede a plena defesa de Lula torna-se desnecessário para os veículos divulgarem dados sigilosos que supostamente o incriminam. O absurdo faz parte da mensagem.

O uso retórico das liberdades é tudo, menos inocente. Dos grampos ilegais das conversas de Dilma e Lula, nas vésperas do golpe, ao apelido inócuo de um ministro da corte que julgará o recurso do ex-presidente, passando pelo depoimento inválido de Antônio Palocci, em plena campanha presidencial, há sempre um nexo oportunista nas boas intenções da mídia.

Por isso, quando se escudam na defesa da livre expressão, sabemos apenas o que os ataques ao STF não pretendem. A defendida liberdade para constranger o tribunal é a apologia pura desse constrangimento. Fosse um email insinuando a amizade de Moro com advogados de réus, teríamos uma campanha pela limitação responsável do que pode vazar.

Ninguém está acima da lei, exceto quem repete essa mentira.

Guilherme Scalzilli
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Há ameaça mais perigosa e terrível do que arma nuclear, avisa analista


A extinção da humanidade ocasionada por desastre ecológico é uma ameaça mais séria do que arma nuclear, considera o ex-diretor do Serviço de Inteligência Externa da Rússia.

O ex-diretor do Serviço de Inteligência Externa, general Vyacheslav Trubnikov, afirmou em entrevista à Sputnik que a humanidade está dando passos para diminuir a ameaça de arma nuclear sem dar atenção devida à questão ecológica.

"Deve-se olhar adiante. Se nós formos temer somente as ameaças atuais, deixaremos passar a ameaça mais terrível – extinção da humanidade com a natureza mudando de uma forma que as pessoas simplesmente não conseguirão viver", ressaltou o general.

O editor-chefe do jornal Sociedade e Ecologia, Sergei Lisovsky, concordou com a opinião do general, dando a catástrofe da usina nuclear de Chernobyl e o desaparecimento do mar de Aral como exemplos de tragédias causadas pelo homem, em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik.

"Realmente, a ameaça de catástrofe ecológica não é entendida por todos. Mas diariamente, a cada hora e a cada minuto, estamos nos movimentando para um beco sem saída com final ecologicamente catastrófico", considera o editor-chefe.

A humanidade pode interferir na ameaça nuclear, sendo ela momentânea, já o tormento das consequências ecológicas tem grande duração, ressaltou Sergei Lisovsky.

"Pessoas podem morrer, por exemplo, de câncer, sem saber os motivos, que podem ter ligação com as condições ecológicas do meio ambiente", adicionou.

Lisovsky relembra o desmatamento e a poluição do ar e da água, dando atenção ao fato de "nós, de fato, matarmos tudo o que tem vida ao redor". "As pessoas dão conta repentinamente que não há floresta ou que o rio está poluído, de onde elas um tempo atrás fisgavam peixe."

"O processo da degradação do meio ambiente acontece imperceptivelmente, por isso é mais terrível e perigoso de que arma nuclear", concluiu Lisovsky.

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O que é ser normal? As lições de Nise da Silveira

Nise da Silveira e um de seus gatos
Em 1998, estive na casa da Nise da Silveira, no Rio de Janeiro, para entrevistá-la. Era um evento em sua homenagem e a encontrei em uma cadeira de rodas, já bem velhinha, com mais de 90 anos de idade. Rodeada de gatos e de gente importante, ela parecia uma pessoa bastante alegre.

— Você é uma boa pessoa — me disse ela.

— Por quê?

— Porque os gatos gostam de você e gato só gosta de gente boa — disse ela, para dar uma boa risada em seguida.

Pensei em Nise da Silveira quando li a mensagem por escrito que o presidente do Banco do Brasil enviou à BBC para explicar o veto à publicidade da instituição que mostrava gente real, o brasileiro que se encontra no Parque Ibirapuera, na Paulista, na praia.

Disse Rubens Novaes:

“Durante décadas, a esquerda brasileira deflagrou uma guerra cultural tentando confrontar pobres e ricos, negros e brancos, mulheres e homens, homo e heterossexuais etc, etc. O ’empoderamento’ de minorias era o instrumento acionado em diversas manifestações culturais: novelas, filmes, exposições de arte etc., onde se procurava caracterizar o cidadão ‘normal’ como a exceção e a exceção como regra”.

Uau!

O cidadão de bem, economista formado pela Universidade de Chicago, se atreveu a discorrer sobre o que seria um ser humano normal.

É muita pretensão, mas agrada o chefe, um homem que já manifestou seu desprezo pelas minorias, ao dizer que governaria para a maioria, e as minorias, se quisessem continuar existindo, teriam que “se curvar”.

“As leis devem existir para defender as maiorias, as minorias se adequam ou simplesmente desaparecem”, disse ele, em um evento no qual foi ovacionado, ao falar: “Somos um país cristão, Deus acima de tudo. Não existe essa historinha de estado laico, não. É um estado cristão”.

Seria este o cidadão normal?

Nise da Silveira foi uma gigante em seu tempo e isso lhe custou a liberdade, quando a polícia política de Getúlio Vargas a encarcerou a partir da denúncia de uma enfermeira sobre suas “tendências”comunistas.

Ficou dezoito mesas presa, quando conheceu Graciliano Ramos.

“Lamentei ver a minha conterrânea fora do mundo, longe da profissão, do hospital, dos seus queridos loucos. Sabia-se culta e boa. Rachel de Queiroz me afirmara a grandeza moral daquela pessoinha tímida, sempre a esquivar-se, a reduzir-se, como a escusar-se a tomar espaço”, escreveu ele.

Nise revolucionou o tratamento psiquiátrico, ao abolir o eletrochoque e a surra como métodos de tratamento. Foi hostilizada e transferida para outro setor do hospital psiquiátrico Pedro II.

Na terapia ocupacional, decidiu entregar aos internos pincel e tela, para que se expressassem como quisessem.

O resultado foram obras de arte que deram origem ao Museu do Inconsciente, prestigiado por  Carl Gustav Jung, um dos maiores psiquiatras de todos os tempos.

Rubens Novaes, o do Banco do Brasil, já dirigiu o BNDES e o Sebrae, além de dar aula, é a expressão de um país que ficou intelectualmente menor, muito menor. Empoderou as pessoas que se consideram “normais”.

Mas, mesmo nesse espaço pequeno que nos resta, é impossível apagar a história de gigantes como Nise da Silveira, que entre outras coisas disse:

“Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: Vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas ajuizadas”.

É só olhar para Rubens Novaes e seu chefe, para entender o significado das palavras da doutora Nise da Silveira:

“A contaminação psíquica é pior que piolho. Vai passando de uma cabeça para outra, numa rapidez incrível. E, como você sabe, todo mundo já pegou piolho.”

Ou esta, que pode ser usada como resposta ao presidente do Banco do Brasil:

“Desprezo as pessoas que se julgam superiores aos animais. Os animais tem a sabedoria da natureza. Eu gostaria de ser como o gato: quando não se quer saber de uma pessoa, levanta a cauda e sai. Não tem papo.”

Cartaz encontrado na internet

Joaquim de Carvalho
No DCM
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O marketing de Bolsonaro é o do Bolsonaro, não o do BB


Num exercício de sabujice que provocaria risos em qualquer evento de marketing, o presidente do Banco do Brasil veio apressar-se a dizer, em honra ao veto de Jair Bolsonaro ao comercial do banco que a propaganda “procurava caracterizar o cidadão ‘normal’ como a exceção e a exceção como regra”.

Chamo o senhor Rubem Novaes de sabujo para não chamá-lo de burro e incapaz de dirigir uma empresa que disputa mercado e mercado de relacionamento, diferente daquele de consumo eventual. Porque esta declaração o inabilitaria para a função, por incompetência.

Lembra-me um contemporâneo de faculdade – lá nos anos 70, vejam só – que o velho professor Cid Pacheco dizia que as empresas não  inventam clientes, vão em busca daqueles que existem, e tentam seduzi-los.  O tema do filme não é negritude, não é gay, não é trans, mas é o mundo jovem do qual eles são parte e que é avidamente disputado pelos bancos por uma simples razão: são aqueles que ainda não têm um relacionamento bancário e que, portanto, não resistem com a inércia natural à mudança dos que aqueles que já o têm.

O “personagem” central do filme é o celular e o “app” do Banco e não a cor ou o sexo dosque se alternam em seu uso.

Ainda assim, o sabujismo do presidente do BB é burro, também.

A preocupação de Jair Bolsonaro com a presença de negros ou gays num filme de propaganda é zero. Só um trouxa acha que isso pode se dever ao “conservadorismo de costumes” do presidente, nem sugere que ele queira usar a propaganda do banco para exaltar “respeito à família” que ele alega.

O marketing de Bolsonaro é outro, é o do “eu mando nesta p…”, o do presidente com autoridade, embora só a use em “abobrinhas”, porque em relação aos grandes porblemas nacionais não sabe e não quer agir.

A crise não cessa, a economia se arrasta, o desemprego se evela, o dinheiro encolhe, a previdência não traz benefício algum que seja palpável mas o presidente é “macho” e manda mesmo.

Como escreveu Gabriel García Marques, em seu “Outono do Patriarca”: a pátria e o poder de decidir o seu destino estão em suas mãos, sua vontade, pois ele é o patriarca – o pai da pátria – e o “dono de todo o seu poder”. E que, ainda que tenha “cheiro de merda” e seja habitada povoada por uma “gente sem história”, é o trono sobre o qual se assenta.

Isso é o que lhe importa, não os cabelos pintados dos sujeitos que aparecem no filme no filme, a quem o presidente do BB chama de “anormais”.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Substituto de Moro assume os lemas de Bolsonaro e passa a atacar o STF

ERRATA: Perfil de substituto de Moro não é oficial

O Jornal GGN pede desculpas aos leitores e ao juiz federal Luiz Antônio Bonat pela informação inicialmente divulgada, sobre as publicações de um perfil no Facebook, com o nome do sucessor na Vara Federal de Curitiba para comandar os processos da Operação Lava Jato.

Verificamos que o perfil não é oficial, sendo as publicações de conotação política e de ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) de autoria dos criadores não identificados.

Se a rede social revelaria alguma postura ou afinidade política do juiz que assumiu o comando da Lava Jato no estado, uma mensagem escrita no dia 25 de janeiro, quando foi criado o perfil, confirma que não se trata da página oficial do juiz: “Página que publicará diariamente as tarefas e trabalhos do Dr. Luiz Antônio Bonat a frente da Operação Lava Jato! Perfil de apoio, não oficial”.

Lamentamos o transtorno e sugerimos a leitura da reportagem divulgada pelo GGN sobre o perfil de Luiz Antônio Bonat, no dia 08 de fevereiro deste ano: Acesse aqui.


As ligações entre Lava Jato e o Bolsonarismo ficam mais nítidas com o Facebook do juiz Luiz Antônio Bonat, que substituiu Sérgio Moro nos julgamentos da Lava Jato.

Até então, Bonat era conhecido como um juiz maduro, discreto, profissional. Bastou a indicação para ele imediatamente aderir às bandeiras da Lava Jato e do bolsonarismo, e passar a atacar o Supremo, em ritual similar aos de iniciados em uma seita.

No dia em que foi indicado para substituir Moro, no mesmíssimo dia, Bonat alterou o perfil do Facebook com o lema bolsonariano: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. E se apresenta como “representante do Governo”. Que Estado, que nada. Qualquer semelhança com fenômenos semelhantes da Europa dos anos 1920 nao é coincidência.


Tratou também, de se incluir no mercado de marketing pessoal, anunciando que divulgaria todos seus atos à frente da Lava Jato pelo Facebook.


Assumindo definitivamente a bandeira do lavatismo-bolsonarismo, passa a fazer ctíticas pesadas ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e ao próprio Supremo Tribunal Federal, mostrando o embricamento total entre a Lava Jato e as milícias digitais.


Luís Nassif
No GGN
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A relação promíscua entre a indústria do compliance e os procuradores nos EUA

Não se irá entender a articulação de procuradores e juízes punitivistas se não incluir na analise a milionária indústria do compliance


Não se irá entender a articulação de procuradores e juízes punitivistas ao redor do mundo, unidos em torno da bandeira anticorrupção, se não incluir na analise a milionária indústria do compliance – a tecnologia dos modelos de governabilidade destinados a vacinar uma empresa contra a corrupção e que tem nos grandes escritórios de advocacia e empresas de auditoria os maiores beneficiados.

Em quase todos os países, o jogo é padrão. No início, uma campanha sem quartel dos procuradores contra empresas suspeitas, infundindo terror nos empresários direta ou indiretamente ameaçados pelas investigações. Depois, a campanha pela implementação de sistemas de compliance  nas empresas por grandes escritórios  de advocacia, abrindo um mercado de trabalho para os procuradores.

O jogo é esse. Em um primeiro momento, a cooperação internacional – com procuradores sendo alimentados preferencialmente pelo DHS e Departamento de Justiça dos Estados Unidos – confere enorme poder aos ministérios públicos nacionais destruírem sistemas políticos e outras entidades contaminadas pelo financiamento de campanhas.

Depois, abre um expressivo mercado de trabalho na área de compliance.

É significativo o caso Marcelo Miller – o procurador da Lava Jato contratado pela Trench, Rossi, Watanabe, representando um grande escritório americano, depois de ter sido a parte brasileira nas negociações da Embraer nos EUA. E também da filha de Rodrigo Janot, jovem advogada iniciante contratada por um grande escritório de advocacia para atuar em defesa da OAS, em um julgamento por formação de cartel pelo CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico. E os honorários serão tão maiores quanto maior for o terror infundido pelas ações anticorrupção.

Os Estados Unidos forneceram o modelo. Não é por outro motivo que os maiores beneficiários têm sido grandes escritórios de advocacia e de auditoria norte-americanos (mais à frente, quando o fator Lava Jato se tornar irrelevante, não haverá como o Congresso deixar de abrir uma CPI para analisar os contratos fechados Ellen Gracie com Petrobras e Eletrobras para implantação de sistemas de compliance – consumindo mais recursos do que as suspeitas de propina em cada estatal.

O caso Andre Weisman

Andrew Weismann era o procurador implacável do Departamento Anticorrupção do Departamento de Justiça, responsável pela apuração de propinas políticas. Deu início às grandes ações contra empresas brasileiras. Firmou fama de implacável, recorrendo a métodos abusivos que levaram um senador ao suicídio.

Sua atuação mereceu dois livros completos, narrando todos os abusos que cometia usando as prerrogativas de procurador.

Depois, se afastou para tocar o caso do Russiangate – as suspeitas de interferência russa na eleição de Donald Trump – e seu lugar foi ocupado por Sandra Moser. Sandra supervisionou os processos e acordos com a Petrobras, Odebrecht e Brasken. Em setembro de 2018, assinou, pelo DoJ, o escandaloso class action da Petrobras – pelo qual a empresa se comprometeu a pagar US$ 3 bilhões em indenizações para acionistas que entraram com ações contra a empresa.

Sobre esse tema, voltaremos mais vezes, especialmente para apontar os pontos centrais do maior saque ocorrido contra a Petrobras, maior que todas as propinas recebidas pelas empreiteiras, e praticado por quem deveria defendê-la.

Dois meses depois, Sandra deixou o Departamento de Justiça e foi trabalhar no escritório Quinn Emanuel, para cuidar justamente da conta da Odebrecht.

Aqui, sua assinatura no  acordo firmado com o Departamento de Justiça.


E aqui, o escritório de advocacia vendendo seus serviços.


“ A prática da Sra. Moser se concentra na representação de empresas, conselhos de administração e altos executivos em investigações, assuntos delicados, crises corporativas, litígios e outras disputas envolvendo os governos federal e estadual dos Estados Unidos (incluindo o Departamento de Justiça, a Securities and  Exchange Commission (SEC), a Commodity Futures Trading Commission (CFTC), Procuradorias Distritais, Procuradores-Gerais do Estado, outras agências de aplicação da lei e reguladoras, e o Congresso dos Estados Unidos), bem como agências de aplicação internacional.  Especialista em questões transfronteiriças, Moser foi nomeada como uma das “100 mulheres em investigações” do mundo em 2018 pela Global Investigations Review”.

No alto da página, uma de suas especialidades é o Brasil.

Luís Nassif
No GGN
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O circo

A aparência intempestiva das atitudes dos Bolsonaros é farsante. Estamos diante de uma trupe como são tantas famílias circenses. Grosserias, desobediências, postagem nas redes e logo a retirada, os alvos e temas escolhidos, nada disso é espontâneo. Tudo está combinado, como nos picadeiros. Com funções distribuídas entre os diferentes estilos entre os protagonistas. E para uma plateia aparvalhada.

O pai desobedecido e, no entanto, incentivador de novas sandices do filho tido como o mais destrambelhado, seria bastante para se duvidar de condutas divergentes. Bolsonaro pai, afinal de contas, se sujeita aos desgastes de uma situação ridícula e, em país com algum autorrespeito, desmoralizante. O próprio Bolsonaro pai, porém, dá indicações explícitas de que o jogo de acusações e o divisionismo pelo insulto são combinados. E articulados com objetivos ocultos, capazes de justificar o alto custo político e pessoal para seus persistentes praticantes.

No começo da semana passada, Bolsonaro soltou pequena nota para dizer que "as recentes declarações" (só as recentes, pois) de um dos seus guias, Olavo de Carvalho, não contribuíam para "a unicidade de esforços" do governo. A notinha foi propagada como crítica. Quem difundira dois dias antes, sábado à noite, "as declarações" de virulência ensandecida, contra as escolas militares e "os milicos" em geral, foi o próprio Bolsonaro, no YouTube. Para maior difusão, replicado pelo filho Carlos.

Apesar de possíveis dificuldades, Bolsonaro por certo entendeu "as recentes declarações" e tornou-as públicas por vontade sua. Não foi ingenuidade. Assim como havia um propósito na remessa, houve no passo seguinte de Bolsonaro e do filho. O desagrado de Carlos com a retirada da postagem de Bolsonaro, consta que por pressão, não foi mais do que outra ceninha. Seus ataques não cessaram.

Exemplos nessa linha são numerosos. Já é tempo de se encerrar o papel de tolos manipulados pelas farsas dos Bolsonaros.

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Os condenadores de Lula não ficam bem, dos pontos de vista jurídico e ético, ante a redução da pena do ex-presidente no Superior Tribunal de Justiça. Sergio Moro condenou-o a 9 anos e 6 meses, pelo alegado recebimento da cobertura; no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o relator João Gebran (pretendente à nomeação para o Supremo) aumentou a pena para 12 anos e 1 mês, mais a multa de R$ 29 milhões em valor atual. Foi apoiado pelos outros dois desembargadores da turma.

A quinta turma do STJ não examinou o mérito do processo, os fundamentos da acusação. Apreciou e recusou as irregularidades reclamadas pelo recurso da defesa. Mesmo à margem do mérito, porém, no confronto entre a acusação e as sentenças cabíveis, decidiu por unanimidade que as penas foram superdimensionadas: fixou em 8 anos e 10 meses o que eram 12 anos e 1 mês; e baixou para R$ 2,4 milhões a multa que estava aumentada em mais de dez vezes.

Juízes são dispensados de dar explicação. Quando sentenças e política se misturam, explicações não fazem falta, mesmo.

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Nem notícia se teve, no Brasil, do Dia Internacional do Livro, na terça (23). Só na Catalunha, com a festa centrada na feira de livros de Barcelona, 400 autores autografando, os espanhóis estimam a venda em 7 milhões de exemplares. Entre nós, de janeiro a março a venda caiu 1,2 milhão de livros. O que a diferença significa no presente é quase nada se comparada ao que diz do futuro por aqui.

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Convidado em 1980 para escrever na Folha uma coluna diária sobre política, no espaço vertical da página 2, preferi fazê-la só às quintas e domingos, e sobre poder em geral. Desconhecido em São Paulo, e ainda por cima com prenome inconveniente, quis primeiro me testar. Estudei todos os jornais paulistas por uns três dias, e decidi pela crônica, em vez de artigos engravatados. Por desejo da pessoa extraordinária que foi Octavio Frias, pai, passei à coluna diária na quinta página, mantida por muito tempo e mudando os seus gêneros ao compasso das novas circunstâncias. Nos últimos anos, a coluna passou a três vezes semanais e, mais para cá, a duas — as velhas quintas e domingos. Aos 39 anos quase completos, a de quinta, valha a rima, está extinta. A de domingo ainda sai.

Janio de Freitas
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