26 de abr. de 2019

Lula: A entrevista completa




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Carta aberta ao Presidente sobre seu medo de homossexuais


Senhor Presidente da República

Na condição de cidadão e advogado, venho publicamente fazer uma sugestão em relação à postura que o senhor vem adotando perante a comunidade LGBT+. 

Inicio dizendo que não é preciso ter medo dos LGBTs. Isso não faz o menor sentido para homens hétero com a sexualidade resolvida, como é o nosso caso – imagino que o senhor também tenha a sexualidade resolvida, certo?

Normalmente o medo é decorrência de uma fragilidade. Sentimos medo daquilo que ameaça algo que é frágil em nós. Por isso que homens héteros não sentem medo de homossexuais, por exemplo. E, por isso mesmo, não precisam atacar, bater, espancar, matar, enfim, agir como quem precisa desesperadamente retirar da frente algo assustador que se enraíza no íntimo secreto da própria subjetividade.

Registro de início, também, que faço aqui uma fala com respeito às instituições. As instituições precisam funcionar e, para que não reste dúvidas, se as instituições validaram o pleito eleitoral que elegeu o senhor, sigo escrevendo disposto a respeitar a institucionalidade desse reconhecimento. Por isso me refiro ao senhor como Presidente. Não discuto aqui a sua eleição, mas quero discutir a importância de o senhor cumprir os compromissos assumidos perante a Constituição e o povo, pois isso é inegociável. 

Quando o senhor manifesta tamanha preocupação com a comunidade LGBT+, dedicando tempo precioso de uma gestão que poderia estar se preocupando com a economia, o trabalho, o desenvolvimento da nação, o senhor se desvia da finalidade constitucional do seu cargo. Chefe de Estado não tem a incumbência constitucional de cuidar das vidas privadas de cidadãos amparados por uma Constituição em suas liberdades. Chefe de Estado cuida do Estado e age dentro da legalidade, ou seja, dentro dos limites dessa função.

Isso significa que suas opiniões pessoais são livres e devem seguir sendo livres sempre, mas na condição de Chefe de Estado o senhor dever atuar atento à Constituição e respeitando as instituições. O senhor mesmo tem feito questão de reforçar o respeito às instituições, e isso já é digno de nota num governo que fez campanha eleitoral com base em ideias que propunham a quebra da institucionalidade e da ordem constitucional, como o elogio à tortura, o estímulo ao ódio e o culto da violência. Convenhamos que vez ou outra o senhor e os seus ministros cometem alguns deslizes nessas matérias, mas ando com a sensação de que o senhor tem compreendido, a duras penas, que governar um país não é o mesmo que ser instrutor de tiro.

Isso tudo para dizer que desde 2011 o STF pacificou o entendimento de que no conceito constitucional de família o Estado brasileiro (que o senhor chefia atualmente, friso) devem ser consideradas também as famílias homoafetivas (ADPF 132). Assim, na condição de Chefe de Estado, o senhor não pode fazer apologia ou militância ideológica por um tipo de mundo que exclua a comunidade LGBT+ do direito à família.

Como indivíduo, o senhor pensa o que o senhor quiser pensar. Mas na condição de Chefe de Estado, o senhor tem o dever de respeitar as instituições e, nesse aspecto, andou muito mal, andou fora da lei ao dizer que não podemos ser um “país do mundo gay por termos famílias”. O senhor acertou ao usar “famílias”, no plural, mas errou ao recusar, na condição de Chefe de Estado, espaço no mundo às famílias LGBT+.

Presidente, o país não está bem. A economia vai mal, pois o senhor e o presidente que o antecedeu não conseguiram pensar em nada novo para levantar a economia. Falta emprego, Presidente. Tem gente passando fome, criança sem escola, escola abandonada, gente morrendo em fila do SUS, professor mal remunerado, o tráfico, com apoio das milícias, segue destruindo a vida de muito trabalhador pelo país afora.

Do mesmo modo, tão real quanto essas mazelas que devem ser combatidas, está a lei que deve ser respeitada: o STF já reconheceu o direito à família aos casais homoafetivos, razão pela qual perder tempo incitando picuinha, ódio e alimentando desejos estranhos em relação a essa comunidade é algo que o senhor deveria retirar da pauta do governo para que lhe sobrasse mais tempo para fazer pelo Brasil, nossa pátria amada, o que realmente precisa ser feito para vivermos todos com dignidade.

Todo brasileiro, LGBT+ ou não, paga muito caro pelos tributos que sustentam o senhor e sua família em altos cargos de gestão e, mais do que isso, pelos tributos que sustentam as milionárias emendas parlamentares que o senhor e seus ministros andam prometendo pagar para quem se aliar aos senhores na reforma da Previdência.

Por isso, Senhor Presidente, trabalhe institucionalmente e só! Trabalhe com respeito às instituições democráticas da nossa República Federativa, pois é isso que o povo espera de um Presidente eleito nas urnas.

Pedro Pulzatto Peruzzo é advogado e professor do Programa de Pós-Graduação em “Direitos Humanos e Desenvolvimento Social” da PUC – Campinas.
No Justificando
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Bolsonaro diz que Brasil tem “mil amputações de pênis por ano por falta de água e sabão”



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Agora se entende por que não queriam deixar Lula falar


Enganou-se quem acreditou que assistiria a um Lula derrotado, sem viço, sem força, sem ser Lula na primeira entrevista desde que foi colocado em Curitiba pelo Poder Judiciário federal no Paraná.

Talvez fosse exatamente isso que temiam aqueles que tanto lutaram, que tão pouco se importaram com o Estado de Direito no Brasil, para manter Lula calado, guardado, vedado enquanto transformavam e transformam o país em uma versão século 21 das repúblicas bananeiras do século 19.

Lula está atento a tudo, tem força para enfrentar tudo, agora se entende o que tanto temem.

Atento ao delírio de Deltan Dallagnol, que sonhou em meter as mãos em R$ 2,5 bilhões de dinheiro público para tocar sua fundação privada.

“Quero desmascarar toda a farsa, agravada pela criação da Fundação Criança Esperança do Dallagnol, com R$ 2,5 bilhões da Petrobras.”

Atento à Polícia Federal, e suas articulações com autoridades estrangeiras:

“Quero provar a farsa montada aqui dentro (na Polícia Federal do Paraná), com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Tenho uma obsessão. Provar minha inocência.”

Atento àquela imprensa que comprou e vendeu uma mentira, muitas mentiras, um powerpoint de mentiras:

“Quando vejo essa gente que me condenou na televisão, sabendo que eles são mentirosos, sabendo que eles forjaram uma história, aquela história do powerpoint do Dallagnol,aquilo nem o bisneto dele vai acreditar naquilo. Esse messianismo ignorante, sabe?”

Atento ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e a tudo que ele está fazendo com o país.

“O Brasil era referência na América do Sul. Eu sonhava criar um bloco para ter força nas negociações internacionais. O Brasil foi muito importante no G-20. Tudo isso desmanchou, agora o prefeito de Nova York, museu, restaurante, se recusam a receber o presidente do Brasil. A que pontos chegamos? Que avacalhação! O que não pode é esse país estar sendo governado por esse bando de maluco.”

Atento, por fim, ao atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e à máscara que ele nunca tira, mas que um dia vai cair:

“Muita gente disse que eu deveria fugir do país, para uma embaixada, mas o meu lugar é aqui no Brasil. Eu tenho tanta obsessão em DESMASCARAR o Moro que eu posso ficar preso cem anos, mas eu não trocarei a minha dignidade pela minha liberdade.”

Luiz Inácio Lula da Silva vai dormir hoje, como de resto tem feito todas as noites, o sono dos justos.

E o senhor, ministro Sergio Moro?

Vinícius Segalla
No DCM
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Entrevista com Lula em Curitiba

Foto:





Lula: “Fico preso cem anos. Mas não troco minha dignidade pela minha liberdade”

O ex-presidente Lula falou com exclusividade ao EL PAÍS e à 'Folha' na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, na manhã desta sexta-feira

ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entra em um pequeno auditório da superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Lá dentro, é esperado pelos jornalistas do El País e do jornal Folha de S. Paulo. Chega de tênis, camisa social, calça jeans e paletó cinza, e um calhamaço de papeis embaixo do braço. Senta-se numa mesa ao centro com alguns poucos microfones. Não está feliz nem triste. Nem tampouco envelhecido. Mas está diferente. “Tudo bem?”, diz ele aos presentes, ainda com o rosto um pouco fechado, e se dirige para uma mesa improvisada ao centro, onde fica de frente para o repórter do El País e para Mônica Bergamo da Folha, que vão conduzir a entrevista. “Antes de vocês fazerem a primeira pergunta... quero fazer um micropronunciamento para tratar especificamente do meu caso, e depois do caso do Brasil”, diz ele, em tom grave.

Suas mãos tremem um pouco quando começa a ler. Seu rosto fica vermelho olhando para o texto que traz um rosário de críticas contra seus julgadores. “Sei muito bem qual lugar que a história me reserva. E sei também quem estará na lixeira.” Lula critica o ex-juiz Sergio Moro, responsável pela sua condenação, a Operação Lava Jato, e o procurador Deltan Dallagnol. “Reafirmo minha inocência, comprovada em diversas ações”. O silêncio é absoluto, apesar da presença de delegados da Polícia Federal e de três oficiais armados, todos a serviço da PF, que está sob o guarda-chuva do Ministério da Justiça, conduzido por Sergio Moro.

Lula está engasgado e sabe que esta entrevista é a oportunidade para falar depois de um ano silenciado pela prisão em abril de 2018. A conversa tem início e o ex-presidente ainda mantém um semblante sério. Mas uma pergunta quebra a rigidez. Quando é questionado sobre a morte do irmão Vavá, em janeiro deste ano, e o neto, Arthur Araújo Lula da Silva, de 7anos, dois meses depois. “Esses dois momentos foram os mais graves”, lembra ele, citando também a perda do ex-deputado Sigmaringa Seixas, morto no final do ano passado. “O Vavá é como se fosse um pai pra família toda. E a morte do meu neto foi uma coisa que efetivamente não, não, não… [pausa e chora]. Eu às vezes penso que seria tão mais fácil que eu tivesse morrido. Porque eu já vivi 73 anos, eu poderia morrer e deixar meu neto viver."
“Não tem problema que eu fique aqui para o resto da vida. Quem não dorme bem é o Moro”
Lula diz que há outros momentos que o deixam triste, com uma mágoa profunda. “Quando vejo essa gente que me condenou na televisão, sabendo que eles são mentirosos, sabendo que eles forjaram uma história, aquela história do powerpoint do Dallagnol, aquilo nem o bisneto dele vai acreditar naquilo. Esse messianismo ignorante, sabe? Então eu tenho muitos momentos de tristeza aqui. Mas o que me mantém vivo, e é isso que eles têm que saber, eu tenho um compromisso com este país, com este povo”, completa.

Começa a entrevista, que virou caso de Justiça. Só foi realizada após a interferência do Supremo Tribunal Federal. Uma conversa que vai durar duas horas. E o ex-presidente começa a relaxar. É o Lula de sempre. Ele está igual. Quem esperava vê-lo envelhecido ou derrotado, se frustra. Ele tem fúria. E obsessão para provar sua inocência. “Não tem problema que eu fique aqui para o resto da vida. Quem não dorme bem é o Moro, Dallagnol e o juiz do TRF-4 [que confirmou sua condenação em segunda instância].”

Florestan Fernandes Junior | Carla Jiménez
No El País



Brasil é governado por um bando de maluco, diz Lula em entrevista na prisão

Ex-presidente diz que a elite brasileira deveria fazer uma autocrítica depois da eleição de Bolsonaro

O ex-presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (26), em entrevista exclusiva concedida à Folha e ao jornal El País, que o Brasil está sendo governado por "um bando de maluco".

Depois de uma batalha judicial na qual a entrevista chegou a ser censurada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), decisão revista na semana passada pelo presidente da corte, Dias Toffoli, o petista enfim recebeu os dois veículos, em uma sala preparada pela Polícia Federal na sede do órgão em Curitiba, onde está preso desde abril do ano passado.

Os agentes explicaram aos jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas presentes que ele seria colocado em uma mesa a uma distância de 4 metros de todos. Ninguém poderia se aproximar.

Segundo a PF, eles estavam cumprindo um protocolo de segurança comum a todos os presos.

Em duas horas e dez minutos de conversa, o ex-presidente falou da vida na prisão, da morte do neto, do governo de Jair Bolsonaro, das acusações de corrupção que sofre e da possibilidade de nunca mais sair da prisão.

"Não tem problema", afirmou, ele quando questionado sobre a possibilidade. "Eu tenho certeza de que durmo todo dia com a minha consciência tranquila. E tenho certeza de que o [procurador Deltan] Dallagnol não dorme, que o [ministro da Justiça e ex-juiz Sergio] Moro não dorme."

Reservou ao ex-magistrado, o primeiro que o condenou pelo caso do tríplex de Guarujá, algumas de suas principais ironias. "Sempre riram de mim porque eu falava 'menas'. Agora, o Moro falar 'conje' é uma vergonha", afirmou. Lula disse também acreditar que "Moro não sobrevive na política".

Já sobre o presidente Jair Bolsonaro, não foi tão taxativo. Apesar de várias críticas, afirmou que "ou ele constrói um partido sólido, ou não perdura".

Lula disse que a elite brasileira deveria fazer uma autocrítica depois da eleição de Bolsonaro. "Vamos fazer uma autocrítica geral nesse país. O que não pode é esse país estar governado por esse bando de maluco que governa o país. O país não merece isso e sobretudo o povo não merece isso", afirma.

E comparou o tratamento que a imprensa dá a ele com o que reserva ao atual presidente da República.

"Imagine se os milicianos do Bolsonaro fossem amigos da minha família?", questionou, referindo-se ao fato de o filho do presidente, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), ter empregado familiares de um miliciano foragido da Justiça em seu gabinete quando era deputado estadual pelo Rio.

O ex-presidente chorou quando falou da morte do neto Artur, de 7 anos, vítima de uma bactéria, há um mês: "Eu às vezes penso que seria tão mais fácil que eu tivesse morrido. Eu já vivi 73 anos, poderia morrer e deixar o meu neto viver".

Lula disse ainda que, se sair da prisão, quer "conversar com os militares" para entender "por que esse ódio ao PT", já que seu governo teria recuperado o orçamento das Forças Armadas.

Disse que acompanha a briga de Bolsonaro com o vice-presidente, o general Hamilton Mourão. Mas afirmou que era "grato" ao general "pelo que ele fez na morte do meu neto [defender que ele fosse ao velório], ao contrário do filho do Bolsonaro [Eduardo]", que afirmou no Twitter que Lula queria se vitimar com a morte do menino.

Afirmou que o país tem hoje "o mais baixo nível de política externa que já vi na vida". E disse, em tom de brincadeira, que o ex-chanceler de seu governo, Celso Amorim, tem uma dívida por ter deixado o atual chanceler, Ernesto Araújo, seguir carreira no Itamaraty.

Questionado sobre Fernando Henrique Cardoso (PSDB), disse que o ex-presidente poderia "ter um papel de grandeza e mais respeitoso com ele mesmo, não comigo".

O ex-presidente falou ainda da necessidade de diálogo entre partidos de esquerda. E comentou o episódio em que o senador Cid Gomes (PDT-CE), irmão de Ciro Gomes, afirmou em um encontro do PT: "Lula está preso, babaca!". O petista disse que não ficou chateado pois está mesmo preso. "Isso é uma verdade. Só não precisava chamar os outros de babaca", disse, rindo.

Lula foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá. Ele está preso desde abril de 2018, depois de ter sido condenado pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), a segunda instância da Justiça Federal.

Na última terça-feira (23), em decisão unânime, a Quinta Turma do STJ reduziu a pena do ex-presidente e abriu caminho para ele saia do regime fechado ainda neste ano. O tribunal manteve a condenação do petista, mas baixou a pena de 12 anos e 1 mês de prisão para 8 anos, 10 meses e 20 dias.

O petista já foi condenado também no caso do sítio de Atibaia (SP) —a 12 anos e 11 meses pela juíza Gabriela Hardt, na primeira instância em Curitiba, pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção. O caso, porém, ainda passará pela análise do TRF-4.

O pedido de entrevista com o ex-presidente passou por um vaivém de decisões judiciais. Em julho de 2018, a juíza federal Carolina Lebbos, responsável pela execução da pena de Lula, barrou a realização da entrevista, afirmando não haver previsão constitucional que dê ao preso direito de falar com a imprensa.

Após reclamação ao STF (Supremo Tribunal Federal) feita pela Folha, o ministro Ricardo Lewandowski autorizou em 28 de setembro que a entrevista fosse realizada em Curitiba. A liminar, porém, foi derrubada no mesmo dia pelo ministro Luiz Fux, também do Supremo. Ele julgou pedido do partido Novo, que alegava que o PT apresentava Lula como candidato à Presidência da República, desinformando os eleitores. ​

O petista foi impedido de concorrer na eleição presidencial devido à Lei da Ficha Limpa, que barra candidaturas de condenados em segunda instância, e acabou substituído por Fernando Haddad, também do PT.

Ao suspender a entrevista, Fux determinou ainda que, caso já tivesse sido realizada, sua divulgação estaria censurada. A liminar de Fux foi revogada no último dia 18 pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli.

Já nesta quinta-feira (25), véspera da entrevista, a Polícia Federal tentou modificar a decisão do STF, permitindo que jornalistas de outros veículos assistissem à entrevista, conduzida pela Folha e pelo jornal El País, autores da ação judicial no Supremo.

Lewandowski, no entanto, barrou a presença de jornalistas que não sejam da Folha e do El País e considerou a iniciativa da PF uma "franca extrapolação dos limites da autorização judicial em questão".

Mônica Bergamo | Marlene Bergamo | Victor Parolin
No Folha



A gente queria começar falando sobre a prisão do senhor. O que passou por sua cabeça quando estava sendo preso? Durante todo o processo, eu sempre tive certeza, [pelos] discursos da Lava Jato, de que [a operação] tinha um objetivo central, que era chegar em mim. Aliás uma jornalista importante, amiga nossa, escreveu um artigo em que dizia: o que eles querem é o Lula. E isso foi ficando patente em todos os depoimentos.

A imprensa retratava: prenderam fulano. Vai chegar no Lula. Prenderam fulano. Vai chegar no Lula. E muita gente que era presa, a primeira pergunta que faziam [para a pessoa] era: "Você é amigo do Lula? Você conhece o Lula?".

A imprensa retratava, as pessoas contavam, advogado conversava com advogado. E foi ficando patente que o objetivo era chegar em mim. Tinha companheiros no PT que não gostava quando eu dizia isso. "Eles vão chegar em mim e depois vão caminhar para criminalizar o PT."

Muita gente achava que eu deveria sair do Brasil, ir para uma embaixada, que eu deveria fugir. E eu tomei como decisão que o meu lugar é aqui [no Brasil].

Eu tenho tanta obsessão de desmascarar o [ex-juiz e ministro Sergio] Moro, de desmascarar o [procurador Deltan] Dallagnol e a sua turma, e desmascarar aqueles que me condenaram, que eu ficarei preso cem anos, mas eu não trocarei a minha dignidade pela minha liberdade.

Eu quero provar a farsa montada. Montada aqui dentro, montada no Departamento de Justiça dos EUA, com depoimento de procuradores, com filme gravado, e agora mais agravado com a criação da fundação Criança Esperança do Dallagnol, pegando R$ 2,5 bilhões da Petrobras para criar uma fundação para ele.

Eu tenho uma obsessão. Você sabe que eu não tenho ódio, não guardo mágoa porque, na minha idade, quando a gente fica com ódio a gente morre antes.

Então como eu quero viver até os 120 anos, porque eu acho que sou um ser humano que nasceu para ir até 120 [anos], eu vou trabalhar muito para provar a minha inocência e a farsa que foi montada.

Por isso eu vim para cá com muita tranquilidade. Havia uma briga no sindicato aquele dia [da prisão, em abril de 2018], entre os que queriam que eu viesse e os que queriam que eu não viesse [para a prisão].

E eu tomei a decisão. Eu falei "olha, eu vou". Eu vou lá. Eu não vou esperar que eles venham até mim. Eu vou até eles porque eu quero ficar preso perto do Moro. O Moro saiu daqui [de Curitiba]. Mas eu quero ficar preso. Porque eu tenho que provar a minha inocência.

O senhor, concretamente, é um fato, pode ser que fique aqui para sempre. O senhor mesmo assim acha que tomou a decisão correta?

Tomaria outra vez.

O senhor já pensou que pode ficar aqui para sempre?

Não tem problema. Eu tenho certeza que eu durmo todo dia com a minha consciência tranquila. Eu tenho certeza que o Dallagnol não dorme, que o Moro não dorme. E aqueles juízes do TRF-4 (Tribunal Regional Federal), que nem leram a sentença? Fizeram um acordo lá [entre eles]. Era melhor que um só tivesse lido e falado "olha, todo mundo aqui vota igual".

Então, sinceramente, quem tem 73 anos de idade, quem construiu a vida que eu construí nesse país, quem estabeleceu as relações que eu estabeleci nesse país, quem fez o governo que eu fiz nesse país, quem recuperou a auto estima e o orgulho do povo brasileiro como eu e vocês fizemos no meu período de governo, não vou me entregar.

Então eles sabem que eles têm aqui um pernambucano teimoso. É o que eu digo sempre. Quem nasceu em Pernambuco e não morreu de fome até os 5 anos de idade, não se curva mais a nada.

Você pensa que eu não gostaria de estar em casa? Adoraria estar em casa com a minha mulher, com os meus filhos, os meus netos, os meus companheiros. Mas não faço nenhuma questão. Porque eu quero sair daqui com a cabeça erguida como eu entrei. Inocente. E eu só posso fazer isso se eu tiver coragem e lutar por isso.

Com a decisão da Justiça de que a OAS devolva o dinheiro do apartamento de dona Marisa, o senhor acredita em sua absolvição?

Por incrível que pareça, eu acredito. Eu ainda continuo com a cabeça de Lulinha paz e amor. Eu acredito na construção de um mundo melhor, de um mundo de Justiça.

Eu penso que haverá um dia em que as pessoas que irão me julgar estarão preocupadas com os autos do processo, com as provas, e não com a manchete do Jornal Nacional, com a capa das revistas, com fake news.

As pessoas se comportarão como juízes supremos, de uma corte [o STF] [da qual] não podemos recorrer. E que já tomou decisões muito importantes.

Essa corte, por exemplo, votou [a liberação de pesquisas com] células-tronco contra uma boa parte da Igreja Católica. Já votou a questão [da demarcação da área indígena de] Raposa Serra do Sol contra os poderosos do arroz no estado de Roraima. Essa mesma corte votou a união civil [de homossexuais] contra todo o preconceito evangélico. Essa corte votou as cotas para que os negros pudessem entrar [nas universidades]. Ela já demonstrou que teve coragem e se comportou.

Ora, no meu caso a única coisa que eu quero é que votem com relação aos autos do processo. Eu não peço favor de ninguém, eu não quero favor de ninguém. Eu só quero que as pessoas, pelo amor de Deus, julguem em função das provas.

Porque eu tenho certeza, o Moro tem certeza [de sua inocência]. Se as pessoas não confessarem agora, no dia da extrema-unção vão confessar. Ele tem certeza que eu sou inocente. Esse Dallagnol tem certeza de que ele é mentiroso. E mentiu a meu respeito. Então eu tô aqui, meu caro, para procurar justiça, para provar inocência. Mas estou muito mais preocupado com o que está acontecendo com o povo brasileiro. Porque eu posso brigar e o povo nem sempre pode.

O senhor, durante esse um ano, passou por dois momentos de muita tristeza, que foi a morte do seu irmão e depois a morte do seu neto Artur. O que, para o senhor, depois de viver isso, fica da vida?

Esses dois momentos foram os mais graves. Eu poderia incluir a perda de um companheiro como o [ex-deputado] Sigmaringa Seixas, que era meu companheiro de dezenas e dezenas de anos. A morte do meu irmão Vavá... O Vavá era como se fosse um pai da família toda. E a morte do meu neto é uma coisa que efetivamente não, não... [chora].

Eu às vezes penso que seria tão mais fácil que eu tivesse morrido. Eu já vivi 73 anos, poderia morrer e deixar o meu neto viver. Mas não são apenas esses momentos que deixam a gente triste.

Eu tento ser alegre e trabalhar muito a questão do ódio. Eu trabalho muito para vencer a questão do ódio. A questão da mágoa profunda.

Quando eu vejo essa gente que me condenou na televisão, sabendo que são mentirosos, sabendo que forjaram uma história... Aquela história do power point do Dallagnol, nem o bisneto dele vai acreditar naquilo. Nesse messianismo ignorante.

Então eu tenho muitos momentos de tristeza aqui. Mas o que me mantém vivo, e é isso o que eles têm que saber, eu tenho compromisso com esse país.

Eu tenho compromisso com esse povo. E eu estou vendo a obsessão que está acontecendo agora. De destruir a soberania nacional. De destruir empregos. De juntar R$ 1 trilhão, para que? Às custas dos aposentados?

Se eles lessem alguma coisa, se eles conversassem, eles saberiam que esse cidadão aqui, analfabeto, com um curso de torneiro mecânico, juntou R$ 370 bilhões e dólares de reservas, que a R$ 4 o dólar dá mais de R$ 1,2 trilhão, sem causar nenhum prejuízo a nenhum brasileiro.

Então, se eles querem economizar R$ 1 trilhão tem uma fórmula secreta: coloque o povo no orçamento da União. Gere emprego. Gere crédito para as pessoas.

Ah, o povo tá devendo? Tire todo o penduricalho da dívida do povo e ele paga apenas o principal no banco e você vai perceber que as pessoas voltam a comprar. Um país que não gera emprego, não gera salário, não gera consumo, não gera renda, quer pegar do aposentado e do velhinho R$ 1 trilhão? O Guedes precisava criar vergonha.

Onde ele fez esse curso de economia dele? Se ele quiser me visitar aqui, eu discuto com ele esse problema dos pobres sem causar prejuízo aos pobres. Por que ele não mostra os privilegiados [de quem] eles falam que vão acabar com os privilégios? Coloca a lista no jornal de dez privilegiados. Coloca o nome CPF. Não.

É o coitado que vai ter que trabalhar até 65 anos, que vai ter que contribuir 40 anos [para se aposentar]. Ele não percebe que muita gente morre sem chegar a essa idade. Lamento profundamente o desastre que está acontecendo nesse país. E é por isso que eu me mantenho em pé.
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Lula permanece o grande líder brasileiro

A mais recente pesquisa CUT/Vox, realizada no início de abril, fez algumas perguntas a respeito de Lula. Nesta semana, em que o Poder Judiciário desperdiçou mais uma oportunidade de fazer justiça e cometeu outra violência contra ele, é bom lembrar o que o povo brasileiro pensa de Lula. 

Os adversários políticos apostavam que a prisão representaria um golpe definitivo em seu prestígio junto à maioria da população. Foi preso para deixar de ser Lula, em um processo inteiramente questionável, conduzido por um juiz com intenções políticas evidentes, cujas decisões partidárias acabam referendadas por outros que não ousam ou não querem enfrentá-lo.  

A fim de garantir que o encarceramento fosse fatal, decretaram também seu amordaçamento, algo que apenas as ditaduras impõem a condenados com trajetória semelhante. A proibição de visitações mais amplas e de conceder entrevistas à imprensa, longe de ser a comprovação da isonomia do sistema penal e da atuação do Judiciário no Brasil, é símbolo de seus vieses. A máxima de que todos são iguais perante a Lei (uma piada no país em que magistrados e procuradores empilham vantagens monetárias e funcionais a que apenas eles têm “direito”), nunca valeu para Lula.   

Depois de um ano preso nessas condições, a pesquisa mostrou que o carinho e a estima da grande maioria da sociedade por Lula permanecem intocados. Perderam aqueles que o queriam morto politicamente. Não deu certo o plano de acabar com sua imagem.

Isso pode ser visto nas respostas a perguntas que dizem respeito a aspectos pessoais e políticos. Em ambos, Lula continua a ter avaliações predominantemente favoráveis, acima das que recebe qualquer outro político brasileiro.   

Em respostas espontâneas, ele era considerado “o melhor presidente que o Brasil já teve” por 48% dos entrevistados, índice extraordinário nos dias atuais, em que predominam a desconfiança e a desaprovação de lideranças. O segundo colocado era Fernando Henrique e obtinha 10% das respostas, cinco vezes a menos que ele (o que ajuda a explicar a inextinguível mágoa do tucano). Para comparar, o capitão Bolsonaro, fresco de sua recente vitória, era assim considerado por 5% das pessoas ouvidas, metade de FHC e quase dez vezes menos que Lula.   

No início de 2013, antes das manifestações daquele ano, 58% respondiam ‘Lula” à pergunta. Tudo que aconteceu de lá para cá, incluindo as próprias manifestações, a crise do segundo governo Dilma, seu impeachment, a histeria antipetista da grande imprensa, as condenações e a prisão, a vitória de Bolsonaro, somadas, fizeram mover as avaliações em sentido ligeiramente negativo, levando em conta as margens de erro. Mas nada que retire de Lula o posto de melhor presidente que o Brasil já teve, com folgada vantagem.   

Algo parecido ocorre quando se pergunta a respeito dos sentimentos em relação ao ex-presidente: 48% respondem que “gostam” de Lula, de novo um número acima das expectativas, tudo considerado, e apenas 23% dizem que “não gostam”. Os restantes afirmam que “não gostam, nem desgostam de Lula”, o que já se poderia considerar derrota daqueles que querem apresentá-lo como culpado de haver causado graves danos ao País.

Ao solicitar dos entrevistados que façam um balanço da atuação de Lula na política nacional, o que se vê é uma dilatada maioria que considera que o saldo é positivo. Entre as pessoas ouvidas, 65% entendiam que Lula pode “ter cometido erros, mas fez muito mais coisas certas pelo povo brasileiro e pelo Brasil”. Apenas para 30%, menos da metade disso, Lula “errou muito mais do que acertou”.

Se não sofresse uma sucessão de golpes, Lula teria vencido a eleição de 2018, como venceria outra vez, caso houvesse uma agora. Para impedir que a maioria da população o escolhesse, a elite brasileira abraçou a patética figura do capitão Bolsonaro e o carregou nas costas, fazendo vista grossa a seus despropósitos antigos e às trapaças de que precisou lançar mão para vencer. Agora, tem que aturar seu despreparo e desequilíbrio.  

Mas não tiraram o lugar de Lula na consciência e no coração da maioria do povo. Só os tolos (e os oportunistas) acham que seu partido e companheiros deveriam esquecer-se dele e de quanto sua liderança continua a significar na política brasileira.

Marcos Coimbra, sociólogo e prsidente do Vox Populi
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Lula concede sua primeira entrevista após sua prisão - Parte 1


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Onde os picaretas se encontram, Bozo confirma presença

Os picaretas
O pastor Hueslen Santos, vice-presidente do Gideões, confirmou na tarde desta quinta-feira (25), a presença do Jair Messias Bolsonaro, no congresso dos Gideões Missionários da Última Hora (GMUH), na cidade de Camboriú na sexta-feira, dia 03 de maio.

Bolsonaro deve desembarcar no Aeroporto de Navegantes, e seguir de helicóptero até Camboriú, onde pousará no Estádio Robertão. Após, será conduzido ao Ginásio de Esportes Gov. Irineu Bornhausen, onde as pregações principais acontecem. O governador do estado, Carlos Moisés da Silva (PSL), deve acompanhar o presidente, sendo esse o primeiro compromisso oficial do governador na região.

Essa também será a primeira visita de Bolsonaro a Santa Catarina na condição de presidente da República, além de ser o primeiro presidente da república a visitar o evento missionário, que está em sua 37ª edição. Ele esteve no GMUH no ano passado, enquanto pré-candidato. Durante o evento evangélico, Bolsonaro, que é católico (sic), fez um discurso de 15 minutos, se posicionando contra ideologia de gênero e a favor da família e dos bons costumes. O então presidenciável também falou do relacionamento com sua esposa, que é evangélica, e reconheceu que não vai a igreja tanto quanto deveria.

O congresso acontecerá entre os dias 27 de abril e 6 de maio de 2019 em Camboriú e deve receber cerca de 150 mil pessoas de todas as partes do país. A edição deste ano tem o seguinte tema: Gideões: Ajude-nos a salvar os que estão sentenciados à morte. Entre os preletores está confirmada a participação de nomes como pastor Marco Feliciano, Abílio Santana, Ângelo Galvão, Gesiel Gomes, entres outros. Este será o primeiro congresso sob a liderança do novo líder do GMUH, o pastor Zilmar Miguel.
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Ministro da Educação (sic): “Pode estudar Filosofia? Pode. Com dinheiro próprio”

Ao lado de Bolsonaro em live, Abraham Weintraub, que foi doutrinado nos cursos de Olavo de Carvalho, fez a declaração usando o exemplo do Japão onde, segundo ele, faculdades como de Filosofia são "para uma pessoa que já é muito rica ou de elite"

Eles
Ao lado de Jair Bolsonaro (PSL), na live semanal transmitida na noite desta quinta-feira (25), o ministro da Educação, Abraham Weintraub já havia criticado o ensino nas faculdades públicas de Filosofia, dizendo que pretende focar mais a sua atuação à frente do MEC no ensino técnico, que gere renda ao estudante.

“Pode estudar Filosofia? Pode. Com dinheiro próprio”, disse. Weintraub, que foi doutrinado nos cursos de filosofia do astrólogo Olavo de Carvalho, fez a declaração usando o exemplo do Japão onde, segundo ele, faculdades como de Filosofia são “para uma pessoa que já é muito rica ou de elite”.

“O Japão, que é um país muito mais rico que o Brasil, está tirando dinheiro público do pagador de imposto de faculdades que são tidas como faculdades para uma pessoa que já é muito rica ou de elite, como Filosofia”, declarou, reafirmando que o dinheiro deve ser colocado em faculdades que “gerem retorno de fato, como enfermagem, veterinária, engenharia, medicina”.

Antes de sua fala, Weintraub foi precedido por Bolsonaro, que disse ter feito um curso para consertar geladeira e máquina de lavar roupas. “E digo mais o ministro Abraham, se hoje em dia eu fosse exercer essa profissão aí fora iria ganhar muito mais que muita gente que tem um curso superior, com todo respeito ao curso superior”.

Nesta sexta-feira (26), pelo Twitter, Bolsonaro decretou o fim dos investimentos federais nas faculdades de Filosofia e Sociologia. Para ele, os estudos de humanas não “respeitariam o dinheiro do contribuinte” e a educação deve servir para ensinar “leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa”.

No Fórum
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Serra meteu a mão em R$ 39 milhões de empreiteiras

Será que ele guardou nas malas do Paulo Preto?


Do UOL:

Delações apontam que PSDB-SP cobrou R$ 97 mi para caixa 2, R$ 39 mi a Serra

Delações de executivos das empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez investigadas na Justiça Eleitoral, no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e pelas forças-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo e Curitiba apontam que o senador José Serra e outros políticos do PSDB paulista, além de operadores ligados ao grupo, cobraram ao menos R$ 97,2 milhões em propinas ao longo de oito anos.

Serra teria, segundo delatores, sido o maior beneficiado no esquema, tendo recebido no mínimo R$ 39,1 milhões para caixa 2 de diferentes campanhas suas. O dinheiro teria sido obtido por meio de contratos de obras de infraestrutura do governo do estado.

Os recursos seriam destinados também ao caixa 2 de campanhas do PSDB. Serra governou o estado de 2007 a 2010. Além do senador, são citados nas delações o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), o ex-senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) e ainda Gilberto Kassab (ex-DEM, hoje PSD-SP), ex-prefeito de SP. O senador, o partido e os outros citados pelos delatores negam as acusações (leia mais abaixo).

O UOL teve acesso a oito processos de improbidade administrativa que correm no TJ-SP contra Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa (empresa estatal responsável pelas rodovias paulistas). Ele é apontado pela Lava Jato como operador do PSDB. (...) As delações e investigações apontam que os superfaturamentos e desvios aconteciam pelo menos desde 2004, com doações não contabilizadas para o caixa 2 de campanhas tucanas, e se estenderam pelo menos até 2012.

O período em que teria funcionado o esquema que beneficiava empreiteiras em troca de propina para o caixa 2 do PSDB, porém, pode ser maior - assim como o valor total desviado. (...)

No CAf
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O que é contubérnio? Moro, PF e MPF explicam…


Trabalhar com Leonel Brizola, volta e meia, obrigava-me a procurar o “pai dos burros”, por conta de palavas em desuso que, de vez em quando, ele sacava. Só lá no dicionário, antes do Google, para saber que diabos era o tal d “contubérnio” que ele usava para classificar uniões promíscuas e espúrias. Vem do latim contubernium, menor unidade dos legionários romanos, que dividiam a tenda de campanha.

Pois há, faz tempo, na máquina judicial-policial um contubérnio, o de Curitiba, destacamento feroz cuja missão é massacrar, o quanto puder, o ex-presidente Lula. Sob a tenda de Sérgio Moro, eles agem sempre articulados e têm cúmplices incondicionais em publicações financiadas por gente do mercado financeiro que se apresentam como jornalísticas e agem como agentes provocadores.

Quem quiser pensar que foi da cabeça do delegado Luciano Flores que veio a absurda ideia e que a entrevista de Lula, pela qual Monica Bergamo e Florestan Fernandes Jr lutaram 8 meses no Supremo para obter, numa impensavel “coletiva”, está redondamente enganado.

No dia 28 de setembro de 2018, em seguida à autorização – depois vetada por Luís Fux e Dias Toffoli – para que a entrevista fosse realizada, Deltan Dallagnol e a trupe da Força Tarefa dirigiram a Sérgio Moro, então ainda o juiz da 13ª Vara Criminal, sugerindo a mesma manobra que o delegado Flores tentou fazer ontem: transformá-la num “circo” coletivo, convidando todos os que haviam solicitado entrevistas e mesmo órgão de imprensa que não haviam feito tal pedido a participar.

“(…) tem-se que tal ato deverá se dar em evento único para todos os órgãos de imprensa. Para tal, tem-se que deve a autoridade policial adotar as providências necessárias a fim de que a entrevista pelos órgãos de imprensa interessados se faça em prazo razoável.”

O texto da promoção dos procuradores, que resumo na imagem, está aqui, na íntegra.

A outra parte do acerto é evidente e foi mostrada ontem aqui. Os “jornalistas certos” devem saber antes, inscrever-se para a farsa e, lá, cumprirem seu papel de paladinos da moralidade.

Bem depois de ouvi-lo, entendi que Brizola, que não era bobo, usava contubérnio para evitar o uso de outra palavra, que ajudaria a mentira a arvorar-se em defensora da honra.

E  povão, que igual não é bobo, entendia direitinho o que ele queria dizer.

Fernando Brito
No Tijolaço



Lewandowski deu um murro na cara da polícia política do Moro

O juiz do STF Ricardo Lewandowski não precisou mais que 252 palavras para desferir um murro ético, moral e de decência na cara da polícia política do Moro, que se arvorou a condição de carcereira suprema do Lula [ler aqui].

O delegado da polícia federal do Estado policial do Moro, o carcereiro Luciano Flores Lima, queria sequestrar outra vez a liberdade de expressão do Lula que Lewandowski conseguiu restaurar, depois que Fux e Dias Toffoli sequestraram na época eleitoral, em obediência à tutela militar, para não impedir a vitória do Bolsonaro e do Partido da Lava Jato.

Lewandowski deu uma clara lição aos fascistas:

A liberdade de imprensa, apesar de ampla, deve ser conjugada com o direito fundamental de expressão, que tem caráter personalíssimo, cujo exercício se dá apenas nas condições e na extensão desejadas por seu detentor, no caso, do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao qual não se pode impor a presença de outros jornalistas ou de terceiros, na entrevista que o Supremo franqueou aos jornalistas Florestan Fernandes e Mônica Bergamo, sem a expressa autorização do custodiado e em franca extrapolação dos limites da autorização judicial em questão“.

Jeferson Miola
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Juiz condena OAS e reforça arbitrariedade contra Lula no caso triplex


Sentença proferida hoje (25/04) pelo juiz da 34ª. Vara Cível da Comarca de São Paulo (Processo no. 1076258-69.2016.8.26.0100), Dr. Adilson Aparecido Rodrigues Cruz, reforça a arbitrariedade da condenação imposta ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no chamado caso do "tríplex" do Guarujá.

Referida decisão julgou parcialmente procedente ação proposta pelo Espólio de Marisa Letícia Lula da Silva, representada pelo inventariante, o ex-Presidente Lula, para, dentre outras coisas, condenar a OAS EMPREENDIMENTOS S/A e a BANCOOP – COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS a restituir parte dos valores pagos pela ex-Primeira Dama objetivando a aquisição de um apartamento no Condomínio Mar Cantábrico, atual Condomínio Solaris, no Guarujá.

Conforme observou o juiz, a "então adquirente MARISA LETÍCIA LULA DA SILVA não deu causa ao atraso da obra, pagou todas as prestações tidas pelas partes como devidas até a transferência de direitos e obrigações para a OAS EMPREENDIMENTOS S.A e, de outro lado, a despeito de ter ela assinado a declaração à restituição com a quitação total à cooperativa (fls. 41/42) não recebeu, nos autos, quaisquer quantias à restituição parcial ou total do valor devido".

Ainda de acordo com o magistrado, D. Marisa "não esteve" na assembleia realizada pela BANCOOP para deliberar sobre as novas regras do empreendimento após a sua transferência para a OAS "e também por isto, o acordado com a OAS e o deliberado em Assembleia não vinculou e não vincula a parte autora/seus sucessores ao que lhe é devido de valores respectivos às questões dos autos".

Está-se diante de mais uma decisão judicial que demonstra que Lula e seus familiares jamais receberam um apartamento no Guarujá como vantagem indevida; na verdade tal decisão reafirma que D. Marisa adquiriu uma cota da BANCOOP que daria direito a um apartamento no atual Condomínio Solaris caso todos os valores correspondentes fossem pagos. D. Marisa fez os pagamentos dos valores correspondentes e após a transferência do empreendimento para a OAS não recebeu nem o apartamento, nem a restituição dos valores por ela investidos.

A sentença proferida pelo ex-juiz Sérgio Moro considerou que esse aspecto seria "crucial neste processo" (item 301), e condenou Lula com base em um depoimento mentiroso de Leo Pinheiro e com base em afirmado descumprimento de obrigações em relação à OAS que D. Marisa jamais se vinculou, como reconhecido na sentença proferida nesta data. É o que se verifica, por exemplo, no item 374 da sentença proferida pelo ex-juiz Sérgio Moro ("374. Então o que se tem presente até o momento é que Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa, diferentemente dos demais cooperados do antigo Empreendimento Mar Cantábrico, depois alterada a denominação para Condomínio Solares, não atenderam o prazo de trinta dias contados da assembléia, em 27/10/2009, dos cooperados para celebrar novo contrato com a OAS Empreendimentos ou para requerer a devolução dos valores pagos"). O mesmo ocorreu com as decisões judiciais posteriormente proferidas para manter a condenação de Lula.

Fica cada vez mais claro que Lula e sua família jamais receberam qualquer vantagem indevida da OAS ou de qualquer outra empresa. Lula e seus familiares, em realidade, são credores da OAS porque pagaram valores e nada receberam em troca, conforme reconheceu a sentença proferida nesta data.

Levaremos às instâncias cabíveis mais este substancial elemento para demonstrar que Lula não praticou qualquer crime e que sua absolvição revela-se inafastável de um processo justo, que jamais foi garantido ao ex-Presidente até o momento.

Cristiano Zanin Martins | Valeska T. Zanin Martins
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Carlos Bolsonaro empregou idosa que nega ter trabalhado para vereador

Gabinete diz que irmã de militar entregava mala direta na base eleitoral de filho do presidente no Rio

Ele
Pouco mais de 50 km separam a Câmara Municipal do Rio de Janeiro da pacata cidade de Magé, na região metropolitana da capital fluminense. Lá mora Nadir Barbosa Goes, 70, que até janeiro figurava na lista de assessores do vereador Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Nadir recebia, como oficial de gabinete, uma remuneração de R$ 4.271 mensais.

A Folha procurou a ex-funcionária, que não quis responder quais atividades desempenhava. Somente afirmou que nunca trabalhou para o filho do presidente. Ao final da ligação, disse: "Fala com o vereador que eu não sei de nada".

No início do ano, assim que o pai assumiu o Palácio do Planalto, Carlos fez uma limpeza em seu gabinete na Câmara. De janeiro a fevereiro, exonerou nove funcionários.

Nadir está entre eles. Ela é irmã do militar Edir Barbosa Goes, 71, assessor atual de Carlos Bolsonaro. A esposa dele, Neula de Carvalho Goes, 66, também foi exonerada pelo vereador logo após a posse do pai de Carlos na Presidência da República.

A carga horária prevista para assessores comissionados da Câmara Municipal do Rio é de seis horas diárias, que não precisam ser cumpridas no espaço físico da Casa. Esses funcionários não batem ponto e têm a frequência assinada pelo próprio vereador.

As contas de luz de Nadir indicam que ela morava na cidade ao mesmo tempo em que esteve lotada no gabinete de Carlos na Câmara do Rio. Em Magé, uma sobrinha afirmou que Nadir mora há cerca de dez anos no local e que não costuma ir à capital.

À reportagem o chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro, Jorge Luiz Fernandes, negou que Nadir recebesse salário sem prestar serviços. Ele disse que Nadir, Neula e outras duas funcionárias exoneradas por Carlos trabalhavam em um núcleo chefiado por Edir, o militar irmão de Nadir.

Segundo o chefe de gabinete, esses funcionários entregavam mala direta para a base eleitoral do vereador em Campo Grande, na zona oeste do Rio, e anotavam as reivindicações dos eleitores, principalmente de militares. Para trabalhar diariamente na entrega de correspondências, Nadir teria de percorrer uma distância diária de mais de 130 km entre Campo Grande, no Rio, e Magé, onde vive.

"Você imagina entregar 200 mil correspondências. A gente agora tem usado mais as redes sociais", afirmou o chefe de gabinete. Também militar, ele disse que foi responsável por indicar Edir ao gabinete. "Todos aqui trabalham o dia todo. Nós aqui trabalhamos de segunda à sexta, de 9h até a hora de acabar o expediente do vereador. Todo mundo."

A reportagem foi até a residência de Edir e Neula, no extremo oeste do Rio. Lá, encontrou Edir, atual assessor de Carlos, usando short e camisa da seleção do Brasil por volta das 13h de uma segunda-feira. Irritado, o funcionário da Câmara se negou a responder às perguntas e disse que caberia ao gabinete prestar esclarecimentos.

"Eu não sou obrigado a trabalhar todos os dias lá. Não tem espaço físico", afirmou. A reportagem quis saber qual função o militar desempenha. "Não importa", respondeu.

Edir também afirmou que a intenção da Folha, ali, seria a mesma de reportagem que revelou que Walderice Conceição, vendedora de açaí em Mambucaba, na costa verde do Rio, era assessora fantasma do então deputado federal Jair Bolsonaro.

Como assessor, Edir recebe salário de R$ 7.386. Até ser exonerada, no início do ano, a mulher dele recebia R$ 3.461. Ambos moram em casa de classe média baixa no afastado bairro de Santa Cruz.

Desde o ano passado, suspeitas de irregularidades na contratação de assessores recaem sobre Bolsonaro e seus filhos políticos. Em dezembro, a Folha revelou que, quando deputado federal, o presidente empregou em seu gabinete a personal trainer Nathalia Queiroz, que atuava em academias do Rio de Janeiro.

Ela é filha de Fabrício Queiroz, policial militar aposentado e ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Estado do Rio. Flávio agora é senador, e Queiroz passou a ser investigado pelo Ministério Público depois que o governo federal identificou movimentações financeiras atípicas em sua conta.

Alvo de investigações cível e criminal, o ex-assessor de Flávio disse por meio de sua defesa que recolhia parte do salário dos funcionários do gabinete para distribuir a outras pessoas que também trabalhavam para o então deputado estadual. Segundo ele, Flávio não tinha conhecimento da prática.

A versão de Queiroz sobre a contratação de assessores informais para Flávio teve como objetivo explicar a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em sua conta bancária entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

Além do volume movimentado, chamou a atenção a forma da operação, com seguidos depósitos em dinheiro em espécie de altos valores e saques subsequentes. A entrada do dinheiro ocorria logo após as datas de pagamentos dos servidores da Assembleia, o que levantou a suspeita da prática da "rachadinha" — devolução de parte do salário do funcionário.

O Coaf, órgão do governo federal, também identificou transferência de ao menos dez funcionários do gabinete de Flávio para Queiroz, incluindo a filha e a mulher do PM aposentado. Todos foram intimados a depor no fim do ano passado e são alvo das investigações cíveis e criminais - incluindo mulher e a mãe do ex-PM Adriano da Nóbrega, foragido apontado como chefe da milícia de Rio das Pedras.

Os dois procedimentos são sigilosos, motivo pelo qual o Ministério Público não se pronuncia sobre seu andamento.

Outro lado

O chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro, Jorge Luiz Fernandes, disse que Edir é um militar da reserva e tem acesso às bases em Campo Grande. "Se chegar nos quartéis, todo mundo conhece."

Jorge disse que há mais de 30 condomínios militares em Campo Grande e que a entrega das correspondências era realizada, também, em outros bairros da zona oeste, como Santa Cruz e Realengo.

Ele afirmou que comissionados não são obrigados a trabalhar no espaço físico da Câmara e que podem prestar serviços externos. Disse que Carlos emprega um funcionário que mora em Petrópolis, a cerca de 70 km do Rio, e que vai à Câmara todos os dias.

Segundo o chefe de gabinete, parte dos assessores de Carlos foi exonerada para dar lugar a funcionários que trabalhavam para Jair Bolsonaro no Rio, durante seu mandato de deputado federal. "O presidente achava que poderia montar um gabinete no Rio, mas não é bem assim. Não pode ter o cara que entrega carta na rua trabalhando no gabinete da Presidência. É outro nível."

Ana Luiza Albuquerque | Catia Seabra
No Folha
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