13 de abr de 2019

Quilombo Rio dos Macacos, o filme


Sobre a comunidade quilombola e sua luta pela garantia da propriedade da terra, de uso tradicional, localizada entre os municípios de Salvador e Simões Filho



Quilombo Rio dos Macacos é um filme documentário de longa-metragem (120min, 2017) sobre a comunidade quilombola e sua luta pela garantia da propriedade da terra, de uso tradicional, reivindicada pela Marinha do Brasil, localizada entre os municípios de Salvador e Simões Filho. Além de denunciar graves violações de direitos humanos – direito de ir e vir e de acesso à água, saúde, educação, moradia e trabalho – o filme registra, inclusive com imagens produzidas no calor da hora pelos próprios quilombolas -, conflitos e negociações visando a solução dos problemas; documenta aspectos culturais, simbólicos e características do território, como paisagens e lugares; registra memórias individuais e coletivas, traçando amplo painel de caráter político, social, cultural, etnográfico.

O filme foi exibido na abertura do 8º Festival Cachoeira Doc (Cachoeira/BA, setembro/2017) foi selecionado para o 21º Fórum DOC BH (Belo Horizonte, novembro/2017), obteve os prêmios de Melhor Longa Baiano do Júri Oficial e do Júri Jovem do XIII Festival Internacional Coisa de Cinema (Salvador, novembro/2017), e também circulou por algumas capitais brasileiras, a exemplo de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, tendo participado das seguintes mostras: “Re-existências Afro-Ameríndias” (Instituto Cervantes, Brasília/novembro/ 2017); Fórum Social Mundial (Salvador, março/2018); Mostra “Diretos Humanos: O Mundo Por Vir”, Fundação Clóvis Salgado, Cine Humberto Mauro (Belo Horizonte, maio/2018); foi selecionado para a 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental (São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, junho-novembro/2018); e participou da 13ª Mostra Cinema Conquista (Vitória da Conquista, novembro/2018).

Desde que o filme foi lançado a realidade documentada continua praticamente a mesma. A comunidade continua lutando para garantir a propriedade da terra e o atendimento a direitos humanos fundamentais.
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Pouco antes da Lava Jato Rio, Marcelo Bretas fez curso no DoJ e no FBI

As relações entre o Judiciário brasileiro e o Departamento de Justiça resultou na Lava Jato, conforme já mostramos aqui, inclusive mencionando documentos do Wikileaks.

Desde 2015 havia indícios claros dessa cooperação e da maneira como juízes e procuradores do Paraná se valeram do álibi do combate à corrupção para destruir a engenharia nacional, especialmente as empresas que competiam com grupos americanos na América Latina e África.

No Rio, a Lava Jato teve igualmente um viés econômico nítido, que não pode ser atribuído unicamente à ignorância e exibicionismo de procuradores e juiz despreparados. A maneira como investiram contra o BNDES, contra o financiamento da exportação de serviços, seguiu a mesma lógica de desmonte da economia do grupo do Paraná.

Agora, documentos divulgados mostram que o juiz Marcelo Bretas – o Sérgio Moro do Rio de Janeiro – participou de cursos nos Estados Unidos, inclusive no FBI, nas vésperas de estourar a Lava Jato no Rio de Janeiro.

De janeiro a março de 2105, Bretas frequentou o programa Visiting Foreign Judicial Fellows do Centro Judiciário Federal. Teria trabalhado em um artigo sobre o sistema legal dos EUA, e a maneira como equilibra as necessidades da aplicação da lei com os direitos individuais de privacidade. 

Pouco depois, explodia a Lava Jato carioca. 



Luís Nassif
No GGN
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Olavo, o filósofo fake, vai ao confessionário com Bial, que o deixa virar o anti-Jean Wyllys


Ai, meu Deus. Sexta à noite, tanta coisa melhor pra fazer na vida, telefone tocando, whatsapp quicando, e eu aqui carregando uma culpa do caralho porque não escrevo há uma semana pra um blog lido por meia dúzia de amigos. Mas assim sou eu. E eu, olha, realmente, não tenho capacidade intelectual – tá vendo, vou logo botando o rabo entre as pernas, não o ego no fiofó, viu, seu Olavo – pra entender uma pessoa como Olavo de Carvalho, o intelectual pica das galáxias da direita, o Neo que escolheu a pílula errada, o Prêmio Nobel da Picaretagem, que vivendo seu momento de Cinderela Pop resolve dar uma entrevista pro Pedro Bial. E ele realmente se acha o grande intelectual, filósofo e pensador da direita brasileira, não que isso seja lisonjeiro se você pensar em quem são os intelectuais da direita. Rodrigo Constantino? E, embora entre no varejo mais pueril do governo de seu discípulo Jair Bolsonaro, dando telefonemas para nomear ministros, ditando políticas de governo pelo twitter, xingando quem quer pelo youtube, jura que não o preocupa o tempo presente, mas a posteridade. Sim, ele jura tudo isso de pés juntos, camisa de lenhador, anel de doutor e rifle encostado na parede de sua bem mobiliada mansão em Richmond, na Virgínia, que diz sustentar com suas “milhares de palestras”, já que orgulhosamente afirma que não trabalha “para não ser perseguido” – eu fico pensando nos 13 milhões de pessoas que procuram por emprego no Brasil da direita, sem falar nas taxas de subutilização e desalento que batem recordes, e fico imaginando na bela sova que essas pessoas poderiam dar em Olavo de Carvalho. Sou contra linchamentos.

E de repente, Olavo, o homem que escreveu mil livros, todos best sellers, diz ele, e que não vive dos direitos autorais, vá entender – confira você mesmo numa pesquisa merreca no Google -, o primeiro deles “A Imagem do Homem na Astrologia”, em 1980, e o último “O Imbecil Coletivo”, de 1996 – sim, seu último livro considerado minimamente literatura e não tuites, data de 20 anos atrás – leva Bial a Richmond. Bial, Miau, o ex-repórter internacional mais badalado do país, o homem que fez o Big Brother Brasil tornar-se um fenômeno de merchandising – que ainda cita falsamente Jean Wyllys, ex-BBB, como se devesse a ele um favor- , está lá no seu talk show, presenteado pela Globo, indo apresentar a brasileiros e brasileiras quem é Olavo de Carvalho. Depois da biografia do Roberto Marinho, Bial pode até sambar na cara do Ali Kamel, o tarado por cotas raciais, mas, sinceramente, queria entender. E, vamos lá, parei de madrugada para ouvir o guru ideológico de Bolsonaro, que poderia bem ser um capelão retardado, no programa Conversa com Bial.

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Olavo de Carvalho, o debiloide completo, exposto na TV Bial: “Falta ao Bolsonaro se unir ao povão, e pra isso tem que falar mais em cadeia nacional de rádio e TV. Fazer um programinha de dez minutos por semana, as lives na internet não bastam. Temos que criar uma democracia plebiscitária. Aliás, ele devia dar um ministério para cada um dos  filhos. Devia botar os três de ministro, sem salário. Bolsonaro pode confiar em mim. Eu nunca vou sacanear ele”.

Queria começar por algo que me incomodou muito - tem gente que vai achar chato, eu sei -, e que foi aceito por Bial como uma interpretação histórica legítima e não uma calunia histórica. “A derrubada do João Goulart foi obra exclusivamente da classe política, dos governadores e do Congresso”, e o que os militares fizeram fizeram, candidamente, coitados, foi dar o golpe em quem teria dado o golpe, ou seja, os civis e a mídia. Teria sido portanto um golpe civil, herdado pelos caras de estrelas no ombro. Mentira vergonhosa. Releitura histórica da pior qualidade. Mas, vamos lá, junto com os amigos de agências de rechecagem, que fizeram um bom trabalho. O afastamento do presidente João Goulart pelo Congresso ocorreu depois de uma série de ações tomadas pelos militares em 31 de março e 1º de abril de 1964. O golpe começou no dia 31 de março, quando o general Olímpio Mourão Filho, da 4ª Região Militar e da 4ª Divisão de Infantaria do I Exército, em Juiz de Fora (MG), disparou telefonemas para iniciar o movimento de derrubada do governo. Depois, decidiu deslocar suas tropas para o Rio de Janeiro. A ação havia sido combinada nos dias anteriores com políticos de oposição, como o governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto. No dia 1º de abril, os atos dos militares já eram notícia nos jornais. A situação, portanto, já estava definida contra o governo na manhã de 1º de abril. Goulart, que estava no Rio, decidiu viajar para Brasília. Lá, percebeu que não havia segurança e foi então buscar apoio para se defender no Rio Grande do Sul. Foi apenas quando isso ocorreu, na madrugada de 2 de abril, que o presidente do Congresso, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a presidência da República, em sessão conjunta da Câmara e do Senado. Castello Branco foi eleito presidente da República pelo Congresso Nacional dias depois, em 11 de abril de 1964. Isso é golpe. E militar, seu Olavo. Jango evitou a carnificina. E adiou em alguns anos sua suspeita morte no exílio.

Olavo de Carvalho também teve uma enorme preocupação em tentar provar que o Brasil é um país de direita, que o povo é de direita, esquecendo-se que foi o resultado de uma eleição manipulada por fake news – do que Olavo entende bem -, tolerada pela Justiça Eleitoral, Luiz “XV” Fux e séquito. “Quem votou no Bolsonaro não foi só a classe média não. Outro dia uma socióloga, Esther Solano, começou a fazer pesquisa entre os pobres no Brasil e descobriu que todo mundo é bolsonarista. Ficou chocada. Eu sempre soube. Eu digo há 20 anos: o primeiro candidato que se apresentar candidato a presidente com um programa ostensivamente conservador vence. Porque a população brasileira é conservadora”. Mentira. Os pobres votaram sim em Bolsonaro, porque foram manipulados. Por esse sujeito que agora fala em dar 13º salário para os usuários do Bolsa Família, não diz que vetou qualquer reajuste no valor da bolsa, noves fora nada. E que, antes de outubro e da reforma da Previdência, o 13º é só uma carta de intenções de um escroque. Então nosso povo é de direita, seu Olavo.

“Durante mais de 30 anos a população conservadora, que é majoritária, não tinha canais políticos de expressão. As redes sociais furaram isso aí. O povão ganhou a eleição. O Bolsonaro foi o primeiro candidato presidencial que foi escolhido de fora da elite. Os partidos não aceitaram, não queriam ele”. Que mentira, seu Olavo. Lula foi eleito de fora da elite e está preso por isso. Preso pelo hoje ministro da Justiça de Bolsonaro, o ex-juiz Sérgio Moro. Bolsonaro foi a alternativa amarga da elite, sem Alckmin, sem Amoedo, sem Huck, sem nada. Tudo menos o PT. Tudo menos a volta de Lula. Não teve tréplica pra isso, seu Bial, só abanos de cabeça quase em concordância? A próprio Olavo, que vive no exterior sem trabalhar, enganando otários – não tem algo errado nisso, gente? – diz o seguinte sobre si próprio. “Eu nunca fui membro da elite, sou é um mané, um zé mané de sucesso. Eu não tenho cargo público. Eu não tenho emprego, meu Deus do céu”. Meu Deus do céu. Sim, eu assisti aos 40 minutos de entrevista, então pelo menos me leiam.

Ricardo Miranda









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A surra intelectual da indígena Sônia Guajajara na senadora patricinha Soraya Thronicke




Muito pouco se sabe sobre a senadora Soraya Thronicke, que se elegeu no ano passado pelo Mato Grosso do Sul. Ela é de Dourados, interior do Estado, advogada e teria MBA em Direito Empresarial na Fundação Getúlio Vargas e, segundo uma publicação simpática à candidatura dela no ano passado, com “passagem” por Harvard — seja lá o que isso signifique. Desde 2014, participou das manifestações de rua em seu Estado e se filiou ao PSL, com o discurso de que não era política. Assim ganhou popularidade.

Já Sônia Guajajara nunca havia deixado a terra indígena dos Arariboia, no Maranhão, como integrante da tribo Guajajara/Tentehar, até completar 15 anos de idade.

Filha de pais analfabetos, deixou suas origens pela primeira vez quando recebeu ajuda da Funai para cursar o ensino médio em Minas Gerais.

Depois, voltou para o Maranhão, onde se formou em letras e enfermagem e fez pós-graduação em educação especial. Tornou-se uma líder da causa indígena.

Nesta semana, houve um confronto entre elas, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado. O tema era saúde indígena, mas a senadora resolveu discorrer sobre outros assuntos e se perdeu. Como mostra o vídeo, ela dizia frases sem nexo e, naquilo que tinha começo, meio e fim, sem faltava fundamento fático.

Disse, por exemplo, que acha “bacana” que o governo a que serve, o de Bolsonaro, respeita “as minorias”. Também se equivocou ao dizer que não havia Ministério da Mulher antes de Bolsonaro — Dilma criou a pasta em 2015.

Tentou comparar a área destinada à agricultura com a ocupada por tribos indígenas, a partir de resultados em produção agrícola. “Essa terra não é de vocês, a terra é da União”, disse. “Quem usa o índio? Porque o índio é maltratado também. Mas quem faz isso com os índios? Os próprios índios?”, divagou a senadora.

Em sua resposta, Sônia Guajajara deu uma aula para a senadora. “A sua fala, senadora, retrata muito bem o pensamento que tem esse setor ruralista que compõe a Câmara e o Senado, que a qualquer custo quer flexibilizar a legislação ambiental pra explorar os territórios.”

Disse que os territórios, por óbvio, não são mesmo dos índios. Para eles, na verdade, a questão da propriedade é irrelevante. O que conta é o usufruto. ”São da União, sim, mas é usufruto dos povos indígenas”, lembrou. Sônia demonstrou que conhece a Constituição, mas a advogada talvez não domine o assunto.

Sônia prosseguiu:

“Pra nós, o território é sagrado, precisamos dele para existir. Vocês olham para a terra indígena e chamam de improdutiva. Nós chamamos de vida. O mundo inteiro está preocupado com o aquecimento global, discutindo efeito das mudanças climáticas, pensando formas de reduzir o gás carbônico para garantir que a gente tenha equilíbrio do clima.”

No confronto entre duas mulheres com concepção de mundo absolutamente opostas, Sônia demonstrou domínio sobre os tema que abordou. Já a senadora Soraya escancarou a falta de conhecimento que caracteriza essa turma que chegou ao poder vestindo camisa amarela da Seleção Brasileira e ecoando a farsa da Lava Jato.

Foi o embate do Brasil do atraso representado pela senadora contra o Brasil de visão de moderna representado por Sônia Guajajara.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Ameaça de morte em briga dos laranjas


A deputada federal Alê Silva (PSL-MG), em entrevista à Folha, relatou a existência de esquema de candidaturas de laranjas comandado por Marcelo Álvaro Antônio em Minas Gerais e afirmou ter recebido a informação de que o ministro do Turismo a ameaçou de morte em uma reunião com correligionários, no fim de março, em Belo Horizonte.

A deputada federal prestou depoimento espontâneo à Polícia Federal em Brasília, na quarta (10), ocasião em que solicitou proteção policial.

Eleita com 48 mil votos, Alê Silva é a primeira congressista a relatar às autoridades a existência do esquema de laranjas do PSL de Minas, comandado nas eleições pelo atual ministro de Jair Bolsonaro. Ela deve prestar novo depoimento nas próximas semanas.

Álvaro Antônio nega ter feito ameaças e diz que a deputada faz campanha difamatória contra ele em busca de espaço no partido no estado. ​
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Governo Bolsonaro irá liberar venda de terras para estrangeiros, anuncia vice-líder na Câmara

Segundo o deputado ruralista Darcísio Perondi (MDB-RS), projeto será aprovado “quer a oposição queira, quer não”; defendida pela ministra Tereza Cristina, proposta de compra de terras por empresas estrangeiras foi atacada por Bolsonaro em novembro


Na última terça-feira (09/04), a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara se reuniu em audiência pública para cobrar da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esclarecimentos sobre a liberação recorde de agrotóxicos nos cem primeiros dias do governo de Jair Bolsonaro.

Em meio às polêmicas e equívocos protagonizados pela ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), um anúncio importante dado pelo vice-líder do governo na Câmara passou quase despercebido.

Durante um pronunciamento em que cobriu Tereza Cristina de elogios, o deputado Darcísio Persondi (MDB-RS), um dos membros mais longevos da bancada ruralista, declarou: “O nosso governo vai apoiar sim a venda de terras para o capital estrangeiro”. E completou: “Queira a oposição ou não queira!”

O anúncio se deu apenas cinquenta dias após a Câmara – atendendo ao requerimento de outro ruralista gaúcho, o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) – desarquivar o Projeto de Lei 2289/2007, que flexibiliza as regras para compra e venda de terras por estrangeiros no Brasil.

BOLSONARO ERA CONTRÁRIO AO PROJETO

Compra de terras por estrangeiros
foi tema de um dossiê elaborado pelo
observatório em 2016.
Apesar da assertividade contida na declaração de Darcísio Perondi, o projeto está longe de ser uma unanimidade. Em novembro, o presidente eleito disse, em entrevista à TV Bandeirantes, que não permitiria que empresas estrangeiras, especialmente chinesas, comprassem terras no país: “Eu tenho falado que todos os países podem comprar no Brasil. Agora, comprar o Brasil, não. Aí é outra história.

Uma opinião diferente da sustentada por Tereza Cristina. Durante seu período à frente da FPA, a deputada do DEM encabeçou o lobby para que o presidente Michel Temer aprovasse a medida, uma das prioridades da bancada ruralista em 2018, mas enfrentou resistência de seu antecessor no Ministério da Agricultura, o ex-senador Blairo Maggi (PP-MT).

Um dos maiores produtores individual de grãos do Brasil, Maggi declarou na época que só aceitaria discutir o projeto caso fossem mantidas as restrições para milho e soja.

Atualmente, a compra de terras por estrangeiros no Brasil deve ser previamente autorizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e está sujeita ao limite de cinquenta módulos fiscais ou até 25% da superfície do município onde a propriedade se encontra, de acordo com o parecer nº 01/2008 da Advocacia-Geral da União.

Em 2016, De Olho nos Ruralistas elaborou, em parceria com a fundação Friedrich-Ebert Stiftung, um dossiê sobre o tema, trazendo um levantamento de investimentos estrangeiros no setor agropecuário. Baixe o relatório aqui.

No De Olho nos Ruralistas
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Desembargadora que atacou Marielle barrou demolição dos prédios da milícia


A desembargadora Marília de Castro Neves, a mesma que atacou a vereadora do PSOL, Marielle Franco, vítima de um execução política, foi responsável por cancelar a demolição de diversos prédios na comunidade da Muzema, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A desembargadora é conhecida também por suas posições extremadas quanto às pessoas que pensam de forma politicamente oposta a ela, apoiando Bolsonaro nas eleições e compartilhando comportamentos similares ao do presidente.

A desembargadora afirmou que Marielle Franco estava engajada com bandidos e sido eleita pelo Comando Vermelho. Mas, a estranheza do momento é a forma como se comporta de forma muito parecida com a de Bolsonaro, que já defendeu as milícias cariocas e os prédios irregulares na comunidade da Muzema foram empreendimentos ligados à milícia do Rio de Janeiro. Os dois prédios colapsados tiveram sua demolição por falta de segurança barrada, justamente por alguém tão afeita aos pensamentos do clã Bolsonaro, da mesma cidade e posições favoráveis à proximidade com as milícias.

A prefeitura do Rio de Janeiro já abriu três processos administrativos para demolição dos edifícios sem documentos legais, naquela região. O fato retira de Crivella a responsabilidade total sobre os fatos e a coloca no colo da desembargadora.

Na ocasião da morte de Marielle Franco, a desembargadora disse:


No A Postagem
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A prisão de Julian Assange, por Boaventura de Sousa Santos


O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos dedica sua coluna mensal na TV Boitempo a uma análise da prisão de Julian Assange, fundador do WikiLeaks.

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Por incompetência, Ernesto Araújo pode ser o próximo a ser demitido


O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se colocou na linha de tiro do Presidente Jair Bolsonaro que, como tem dito o Porta-voz do Planalto, Rêgo Barros, “é muito bom de pontaria”.

A demissão do Presidente da Agência Brasileira de Promoções de Exportação e Investimentos (Apex), o embaixador Mário Vilalva, e o afastamento do embaixador, Sergio Amaral, da Embaixada de Washington, feitas nesta semana por Ernesto Araújo, contribuiu para lhe colocar nesta posição indesejada.

A insatisfação com o desempenho de Ernesto Araújo envolve outras trapalhadas, algumas que acabaram prejudicando o próprio presidente da República em suas viagens ao exterior e outros o desempenho do próprio Itamaraty.

No primeiro caso, a mais emblemática falha de Ernesto Araújo, que afetou o desempenho de Bolsonaro, foi na sua viagem ao Chile. O Itamaraty não brifou e preparou as intervenções de Jair Bolsonaro na reunião da cúpula do Prosul, com presidentes de diversos outros países. As falas de Bolsonaro não tinham foco, informações e dados, o que acabou o deixando mal na foto diante dos demais presidentes da República em reuniões reservadas.

O embaixador Sérgio Amaral, tido como pessoa competente por militares do Planalto para ficar em Washington, vai cuidar de um escritório em São Paulo. A mesma sorte não tiveram outros embaixadores que foram destituídos de seus postos no exterior e hoje são obrigados a dar expediente em uma sala do Itamaraty, onde nada têm a fazer.

Neste caso é no mínimo um desperdício de recursos públicos e experiência profissional de um País que está cortando na carne para equilibrar suas contas.

A única atuação diplomática de impacto econômico esta semana, não teve o protagonismo do Itamaraty. O jantar do Presidente Jair Bolsonaro com 37 embaixadores Islâmicos de países importadores de alimentos do Brasil foi organizado pela Confederação Nacional da Agricultura e o Ministério da Agricultura. Ambos estão preocupados com o impacto nas exportações do Brasil em função dos acordos feitos com Israel. As palavra de diálogo e manifestação de confiança nas relações de comércio foram de Bolsonaro e Tereza Cristina. Chamou a atenção dos embaixadores Islâmicos que o ministro Ernesto Araújo não disse uma só palavra.

Apesar de inúmeros alertas da área militar do Planalto de que falta a Ernesto Araújo as atribuições para bem representar o Itamaraty e cuidar dos negócios do Brasil no exterior, informações de fontes do Planalto são de que Bolsonaro só ainda não apertou o gatilho por atender a apelo de seus filhos.

Ivanir José Bortot
No DCM
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Bolsonaro dá 13º mas deixa Bolsa Família sem reajuste em meio à crise

Presidente, inclusive, foi cobrado pelo ex-presidenciável Fernando Haddad, que denotou que não haverá reajuste em tempos de crise econômica. Último aumento acima da inflação foi concedido em 2017, por Temer


Jair Bolsonaro anunciou nesta semana o 13º pagamento para beneficiários do Bolsa Família, uma promessa de campanha que resulta no aumento de 8,3% no valor anual. Apesar disso, o presidente deixou o programa sem reajuste acima da inflação, em meio à crise econômica e do crescimento do desemprego.

O último reajuste acima da inflação, segundo reportagem do El País publicada nesta sexta (12), foi feito por Michel Temer no final de 2017, valendo para o ano de 2018.

A “sacada” da equipe de Bolsonaro foi anunciar o 13º como uma grande novidade dentro do programa que existe desde 2003, mas a contrapartida foi segurar o reajuste nas parcelas mensais neste ano. Como o 13º pagamento só será pago em dezembro de 2019, os beneficiários terão de viver os próximos meses com o valor deixado por Temer.

Nas redes sociais, o ex-presidenciável Fernando Haddad ironizou o anúncio e fez questão de lembrar que Bolsonaro, durante sua trajetória política, tratou o Bolsa Família como “esmola”. “Será que 1/12 do bolsa-farelo (13ª parcela) vai reverter sua situação no Nordeste? Lembrando que você não reajustou o benefício nem pela inflação e seu Governo ofende os nordestinos a todo instante?”, escreveu Haddad.

Ao El País, o economista Marcelo Neri também criticou a falta de reajuste. Segundo ele, “(…) é exatamente durante um período recessão que você precisa expandir os programas para os mais pobres e não economizar em cima desses programas. É uma economia burra”, embora o 13º pagamento seja “um gasto inteligente” na visão do especialista.

Nas contas de Neri, o 13º representa um ganho real de 4,3%, considerando a inflação dos últimos 12 meses, de 3,89%.

“Desde que foi criado, em 2003, pelo Governo Lula, o benefício médio do Bolsa Família foi reajustado abaixo da inflação até por volta de 2011, segundo cálculos do site Nexo. Os maiores reajustes reais aconteceram no Governo Dilma Rousseff, mas foi justamente quando ocorreu o congelamento mais prejudicial. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostram que em 2015 e 2016 (sob Dilma), quando o benefício não mudou de valor em um cenário de inflação acima de 10% e crise econômica, fazendo a extrema pobreza saltar”, escreveu El País.

Atualmente, o benefício médio é de 188 reais, mas o valor varia de acordo com as condições de cada família.

No GGN
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Prefeito de NY não quer receber "perigoso" Bolsonaro!

Museu de História Natural também não...

Museu de História Natural não precisa de dinossauros
De Patricia Campos Mello e Marina Dias, na Fel-lha, sobre o caça-níquel "Pessoa do Ano", que, em Nova York, todo ano, engana otários - como o Bolsodória, o Conge e o Príncipe da Privataria - , que pensam ser celebrados por americanos...

Museu de História Natural de NY avalia cancelar evento em homenagem a Bolsonaro

O Museu Americano de História Natural em Nova York, no qual seria realizada a premiação de “Pessoa do Ano” para o presidente Jair Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira (12) que aceitou a reserva antes de saber quem era o homenageado e está “avaliando as opções”.

“A reserva do museu para a realização do evento externo, privado, em homenagem ao atual presidente do Brasil foi feita antes que se soubesse quem seria o homenageado. Estamos profundamente preocupados, e estamos avaliando nossas opções", publicou o museu em sua conta oficial em uma rede social.

A cerimônia de premiação de Bolsonaro como “Pessoa do Ano”, organizada pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, está marcada para 14 de maio. O local do evento, até o momento, é o Museu Americano de História Natural.

A Folha questionou o museu sobre quais seriam as preocupações em relação a Bolsonaro e que opções estão sendo avaliadas.

Em nota, a assessoria afirmou que o evento em homenagem ao presidente brasileiro não reflete "de nenhuma maneira" as posições do museu em relação à proteção da Floresta Amazônica.

"Estamos profundamente preocupados, e o evento não reflete de nenhuma maneira a posição do museu de que há uma necessidade urgente de conservar a Floresta Amazônica, que tem profundas implicações para a diversidade biológica, comunidades indígenas, mudanças climáticas, e o futuro saudável do nosso planeta."

O prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio, pediu ao museu que não recebesse Bolsonaro e criticou o que considera ser posições homofóbicas e racistas do presidente, além de seu dicurso sobre a Amazônia.

Em uma entrevista à rádio WNYC nesta sexta, o apresentador, Brian Lehrer, perguntou ao prefeito se o museu deveria aceitar a realização do evento, considerando que a entidade recebe recursos públicos para se manter.

"Isso [homenagear Bolsonaro] vai além de uma mera ironia e chega a ser uma contradição chocante. Esse cara é um ser humano muito perigoso", respondeu de Blasio.

"[Bolsonaro] é perigoso não só por causa de suas posições abertamente homofóbicas e racistas, mas porque ele é, infelizmente, a pessoa com a maior capacidade para definir o acontecerá com a Amazônia no futuro, e se a Amazônia for destruída, uma vez que ela parte do nosso ecossistema global, todos nós estaremos em perigo", disse.

O prefeito afirmou que respeita o direito à liberdade de expressão e que, por isso, era uma questão difícil para ele.

"Mas há um bom argumento quando se trata de uma instituição pública e de alguém que está fazendo algo visivelmente perigoso. Eu fico desconfortável com essa situação, e peço ao museu que não permita que ele seja recebido lá", concluiu ele.

Bolsonaro e seus principais auxiliares têm um discurso considerado controverso sobre aquecimento global e a necessidade de preservação do meio ambiente.

O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente), por exemplo, disse que a discussão sobre aquecimento global é inócua e secundária, enquanto Ernesto Araújo (Relações Exteriores) já classificou o debate como "trama marxista".

No Twitter, muitos usuários comentaram a publicação do museu pedindo que a instituição “cancele” a realização da cerimônia no local.

“Como pesquisador brasileiro, é revoltante que um indivíduo que despreza a ciência como ele seja homenageado por uma instituição científica. Vocês precisam cancelar pelo bem dos pesquisadores brasileiros, ele está literalmente nos fazendo deixar o país", comentou o usuário identificado como Alexandre Palaoro.

Quando a escolha de pessoa do ano foi anunciada, o presidente comemorou em suas redes sociais e disse que se sentia honrado em receber o prêmio.

Aliados de Bolsonaro nos EUA já preparam um roteiro da viagem do presidente ao país para receber a homenagem em um jantar de gala.

Querem que, além do jantar, ele participe de outros compromissos na cidade, mas nada ainda foi fechado.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também estará em Nova York para uma palestra a empresários e investidores. (...)

Em tempo: cientistas pressionam Museu a não receber o presidente brasileiro (só se for na seção de grandes mamutes): jamilchade.blogosfera.uol.com.br/2019/04/13/cientistas-pressionam-museu-americano-a-cancelar-evento-com-bolsonaro/.

No CAf
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Greg News | Educação



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Entrevistas históricas – Adolf Hitler em 1923: “Nenhum homem saudável é marxista”

Parece um bolsominion ou o ministro da Educação de Bolsonaro falando, mas é o führer em pessoa: "O bolchevismo é nossa maior ameaça"


Parece a extrema-direita brasileira falando, com seu datado anticomunismo e indisfarçável xenofobia: “O bolchevismo é nossa maior ameaça”; “No meu projeto do estado germânico não haverá lugar algum para o estrangeiro”; “Nosso sistema partidário desmoralizado é um sintoma do nosso desastre”. Algumas aloprações podiam muito bem ter saído da boca do novo ministro da Educação de Bolsonaro, Abraham Weintraub: “O socialismo, ao contrário do marxismo, não repudia a propriedade privada”. Mas as palavras são de Adolf Hitler, o genocida que os bolsonaristas querem porque querem jogar no colo da esquerda.

Hitler foi entrevistado pelo escritor alemão-estadunidense George Sylvester Viereck em 1923, quando o futuro führer era, aos 34 anos, um agitador ainda pouco conhecido, mas que tentara dar um golpe de Estado para tomar o governo da Baviera; o artigo seria republicado pela revista Liberty em 1932, quando o líder nazista já estava à frente do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. No ano seguinte, se tornaria chanceler da Alemanha.

Reparem que Viereck, um entusiasmado pró-nazista a vida inteira que chegou a comparar Hitler a Franklin Roosevelt, tenta estabelecer a diferença entre o socialismo e o “nacional-socialismo” inventado pelos nazistas. E o nazista-mor deixa claro: não tem nada a ver uma coisa com a outra. Leia.

* * *

Hitler: Nenhum homem saudável é marxista

Por George Sylvester Viereck
Tradução Maurício Búrigo

“Quando eu tomar o poder na Alemanha, acabarei com o tributo externo e o bolchevismo em casa.”

Adolf Hitler esvaziou sua xícara como se contivesse não chá, mas o sangue do bolchevismo.

“O bolchevismo,” continuou o chefe dos Camisas Pardas, os fascistas da Alemanha, encarando-me de modo funesto, “é nossa maior ameaça. Mate o bolchevismo na Alemanha e você restituirá o poder a 70 milhões de pessoas. A França deve sua potência não a seus exércitos, mas às forças do bolchevismo e à dissensão entre nós.”

“O Tratado de Versailles e o Tratado de St. Germain são mantidos vivos pelo bolchevismo na Alemanha. O Tratado de Paz e o bolchevismo são duas cabeças de um mesmo monstro. Devemos decapitar ambas.”

Quando Adolf Hitler anunciou este programa, o advento do Terceiro Império que ele proclama parecia ainda no fim do arco-íris. Daí veio eleição atrás de eleição. A cada vez o poder de Hitler crescia mais. Embora incapaz de remover Hindenburg da presidência, Hitler hoje encabeça o maior partido na Alemanha. A não ser que Hindenburg assuma medidas ditatoriais, ou algum desenvolvimento inesperado perturbe por completo todas as maquinações do momento, o partido de Hitler irá organizar o Reichstag e dominar o governo. A luta de Hitler não era contra Hindenburg, mas contra o chanceler Bruening. É duvidoso se o sucessor de Bruening poderá se sustentar sem o apoio dos nacional-socialistas.

Muitos que votaram em Hindenburg estavam, no íntimo, com Hitler, mas um senso profundamente arraigado de lealdade os impeliu, no entanto, a dar seu voto ao velho marechal-de-campo. A menos que surja um novo líder da noite para o dia, não há qualquer um na Alemanha, com exceção de Hindenburg, que possa derrotar Hitler –e Hindenburg tem 85 anos! Somente o tempo e a recalcitrância dos franceses em lutar por Hitler –salvo alguma asneira da sua própria parte, ou divergências dentro dos escalões do partido– o privam da oportunidade de fazer o papel de Mussolini da Alemanha.

O Tratado de Versailles e o Tratado de St. Germain são mantidos vivos pelo bolchevismo na Alemanha. O Tratado de Paz e o bolchevismo são duas cabeças de um mesmo monstro. Devemos decapitar ambas

O primeiro Império Germânico chegou ao fim quando Napoleão forçou o imperador austríaco a renunciar à coroa imperial. O segundo império chegou ao fim quando Guilherme II, a conselho de Hindenburg, buscou refúgio na Holanda. O terceiro império está emergindo vagarosa, mas seguramente, embora possa dispensar cetros e coroas.

Encontrei-me com Hitler não na sua sede, a Casa Parda em Munique, mas numa casa particular –a residência de um ex-almirante da Marinha alemã. Discutimos o destino da Alemanha entre xícaras de chá.

“Por que,” perguntei a Hitler, “você se denomina um nacional-socialista, já que o seu programa de partido é a própria antítese do que seja atribuído normalmente ao socialismo?”

“O socialismo,” respondeu, pousando sua xícara de chá com jeito belicoso, “é a ciência de lidar com a riqueza comum. O comunismo não é socialismo. O marxismo não é socialismo. Os marxistas roubaram o termo e confundiram seu significado. Eu tirarei o socialismo dos socialistas”.

“O socialismo é uma antiga instituição ariana, germânica. Nossos ancestrais germânicos possuíam certas terras em comum. Cultivavam a ideia da riqueza comum. O marxismo não tem direito algum de se disfarçar de socialismo. O socialismo, ao contrário do marxismo, não repudia a propriedade privada. Ao contrário do marxismo, não implica negação alguma da personalidade e, ao contrário do marxismo, é patriótico.”

O marxismo não tem direito algum de se disfarçar de socialismo. O socialismo, ao contrário do marxismo, não repudia a propriedade privada. Podíamos nos ter denominado Partido Liberal

“Podíamos nos ter denominado Partido Liberal. Escolhemos nos denominar nacional-socialistas. Não somos internacionalistas. Nosso socialismo é nacional. Exigimos o cumprimento das reivindicações justas das classes produtoras pelo Estado, levando em conta a solidariedade da raça. Para nós, Estado e raça são uma coisa só.”

Hitler, em si, não é de um tipo germânico puro. Seus cabelos escuros revelam algum ancestral alpino. Durante anos recusou-se a ser fotografado. Isso fazia parte da sua estratégia –ser conhecido apenas pelos seus amigos a fim de que, na hora da crise, pudesse aparecer aqui, ali e em todo lugar sem ser notado. Hoje já não poderia mais passar na mais longínqua aldeia da Alemanha sem ser reconhecido. Sua aparência contrasta de modo inusitado com a agressividade de suas opiniões.  Jamais reformador algum de maneiras tão mansas pôs a pique a embarcação do Estado ou cortou gargantas na política.

“Quais,” continuei meu interrogatório, “são os princípios fundamentais de sua plataforma?”

“Acreditamos em uma mente sã num corpo são. O corpo político deve estar sadio se for para a alma estar sã. Saúde moral e física são sinônimas.” “Mussolini,” interpus, “me disse o mesmo.” Hitler ficou radiante.

“As favelas,” acrescentou, “são responsáveis por nove décimos e o álcool por um décimo de toda a depravação humana. Nenhum homem saudável é marxista. Homens saudáveis reconhecem o valor da personalidade. Lutamos contra as forças da desgraça e da degeneração. A Baviera é relativamente sã porque não está completamente industrializada. Porém, toda a Alemanha, inclusive a Baviera, está condenada ao industrialismo intensivo por nosso território ser pequeno. Se desejamos salvar a Alemanha devemos nos encarregar de que nossos fazendeiros permaneçam fiéis à terra. Para fazermos isso, eles devem ter lugar para respirar e lugar para trabalhar.”

“Onde encontrarão lugar para trabalhar?”

“Devemos manter nossas colônias e devemos expandir rumo ao Leste. Havia um tempo em que podíamos ter partilhado o domínio do mundo com a Inglaterra. Agora só conseguimos esticar nossos membros com cãibras em direção ao Leste. O Báltico é necessariamente um lago alemão.”

“Não é,” perguntei, “possível à Alemanha reconquistar o mundo economicamente sem estender seu território?”

Hitler sacudiu a cabeça com determinação.

“O imperialismo econômico, como o imperialismo militar, depende do poder. Não pode haver comércio mundial algum em larga escala sem poder mundial. Nosso povo não aprendeu a pensar em termos de poder mundial e comércio mundial. Contudo, a Alemanha não pode se estender comercial ou territorialmente até que recobre o que perdeu e até que encontre a si mesma.”

“Estamos na posição de um homem cuja casa tenha sido queimada até o chão. Ele deve ter um teto em cima da cabeça antes que se possa permitir ter planos mais ambiciosos. Fomos bem-sucedidos em criar um abrigo de emergência que mantivesse a chuva do lado de fora. Não estávamos preparados para pedras de granizo. Contudo, uma saraivada de infortúnios veio abaixo, em cima de nós. A Alemanha tem vivido numa verdadeira tempestade de catástrofes, nacional, moral e econômica. Nosso sistema partidário desmoralizado é um sintoma do nosso desastre. As maiorias parlamentares oscilam com a disposição do momento. O governo parlamentar desbarra o portão ao bolchevismo.”

“Ao contrário de alguns militaristas alemães, você não é a favor de uma aliança com a Rússia soviética?”

Hitler evitou uma resposta direta a esta questão. Evitou-a de novo recentemente, quando a Liberty lhe pediu que respondesse à declaração de Trótski de que sua tomada de poder na Alemanha implicaria numa luta de vida ou morte entre a Europa, liderada pela Alemanha, e a Rússia soviética.

“Talvez não convenha a Hitler atacar o bolchevismo na Rússia. Ele pode até considerar uma aliança com o bolchevismo como sua última cartada, se estiver em risco de perder o jogo. Se –insinuou numa ocasião– o capitalismo se recusa a reconhecer que os nacional-socialistas são o último baluarte da propriedade privada, se o capital impede sua luta, a Alemanha talvez seja compelida a lançar-se nos braços tentadores da sereia, a Rússia soviética. Mas está determinado a não permitir que o bolchevismo se enraíze na Alemanha.”

Ele reagiu com cautela no passado às tentativas de aproximação do chanceler Bruening e outros, que desejavam formar uma frente política unida. É improvável que agora, em vista do constante aumento no voto dos nacional-socialistas, Hitler esteja com disposição para se comprometer em qualquer princípio fundamental com outros partidos.

Nossos trabalhadores possuem duas almas: uma é germânica, a outra é marxista. Devemos despertar a alma germânica. Devemos extirpar o cancro do marxismo. Marxismo e germanismo são antíteses

“Os conluios políticos dos quais uma frente unida depende,” Hitler me fez notar, “são demasiado instáveis. Tornam quase impossível uma conduta claramente definida. Vejo por todo o lado o percurso em ziguezague de compromisso e concessão. Nossas forças construtivas são estorvadas pela tirania dos números. Cometemos o equívoco de aplicar aritmética e a mecânica do mundo econômico ao estado de subsistência. Somos ameaçados por números sempre crescentes e ideais sempre minguantes. Números e nada mais não têm importância.”

“Mas e se a França retaliar vocês, invadindo a sua terra uma vez mais? Ela invadiu o Ruhr uma vez antes. Pode invadir de novo.”

“Não importa,” retrucou Hitler completamente alterado, “quantos quilômetros quadrados o inimigo possa ocupar se o espírito nacional for despertado. Dez milhões de alemães livres, prontos a perecer a fim de que seu país possa viver, são mais potentes que 50 milhões cuja vontade de poder esteja paralisada e cuja consciência de raça esteja contagiada por estrangeiros.”

“Queremos uma Alemanha maior, que una todas as tribos germânicas. Mas nossa salvação pode começar do canto mais insignificante. Mesmo se tivéssemos 10 acres de terra apenas e estivéssemos determinados a defendê-los com nossas vidas, os 10 acres se tornariam o foco da regeneração. Nossos trabalhadores possuem duas almas: uma é germânica, a outra é marxista. Devemos despertar a alma germânica. Devemos extirpar o cancro do marxismo. Marxismo e germanismo são antíteses.”

“No meu projeto do estado germânico, não haverá lugar algum para o estrangeiro, necessidade alguma do esbanjador, do usurário ou especulador, ou qualquer um incapaz de trabalho produtivo.”

As veias na fronte de Hitler saltaram de maneira ameaçadora. Sua voz preencheu a sala. Houve um barulho na porta. Seus seguidores, que sempre permaneciam ao alcance da voz, tal como guarda-costas, lembraram ao líder de sua obrigação de discursar numa reunião.

Hitler engoliu seu chá e se levantou.

(Traduzido da versão publicada pelo jornal britânico The Guardian em 2007)

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Queda de meteoro é registrada no céu de SC e RS nesta sexta-feira - assista


Câmeras instaladas em Monte Castelo, em Santa Catarina, e nas cidades de Taquara (vídeo acima) e Torres registraram a queda de um meteoro na madrugada desta sexta-feira (12). Com massa estimada em até 12 quilos quando entrou na atmosfera terrestre – a impressionantes 122 mil km/h –, o bólido se extinguiu a aproximadamente 36 mil quilômetros de altitude, aparentemente sem causar quaisquer danos.

Responsável pelo registro mais marcante do fenômeno, que pôde ser visto rapidamente por quem estivesse olhando para o céu por volta das 3h20min da madrugada no sul do Brasil, o doutor em Engenharia Carlos Jung explica que meteoros caem com frequência sobre a Terra, mas que esse é de uma magnitude incomum.

— Não é normal fazermos um registro dessa proporção. Esse tipo de evento pode acontecer a qualquer hora do dia e da noite, em qualquer local, mas, com essa magnitude, é difícil de ver.

Morador do município gaúcho de Taquara, Jung é diretor científico da Brazilian Meteor Observation Network (Bramon), uma rede de colaboradores voluntários que se dedica a registrar fenômenos no céu brasileiro. Ele explica que a denominação de "bólido" significa que o meteoro entrou na atmosfera terrestre e explodiu – evento também conhecido popularmente como "bola de fogo".

No vídeo abaixo, é possível ver os registros feitos pelas outras estações: Torres, por Gabriel Zaparolli, Monte Castelo, por Jocimar Justino, e Taquara, por Jung.

A rede de voluntários foi acionada por Zaparolli, que já foi personagem de reportagem sobre "caçador de estrelas" no Litoral Norte gaúcho. O estudante de 18 anos, que participa da Bramon desde junho de 2016, viu o clarão ao analisar o que suas câmeras – deixadas posicionadas para gravar o céu noturno – registraram.

— Durante esse tempo, foram muitos avistamentos de bólidos pequenos e médios, mas esse teve destaque por causa de seu brilho e intensidade, além da raridade em acontecer. Muitos ocorrem em magnitudes menores, mas esse podemos dizer que foi o destaque da região sul. Minha primeira suspeita foi relâmpago, mas quando observei melhor, era um bólido de alta magnitude — explica o jovem.

— Feito isso (Zaparolli ter avisado a rede), os voluntários se mobilizaram para encontrar mais registros do fenômeno. O clarão foi gravado por outras cinco estações da rede — explica Marcelo Zurita, diretor técnico da Bramon.

Jung, que é coordenador do curso de Engenharia de Produção da Faccat, tem câmeras espalhadas por São Leopoldo, Porto Alegre e Taquara. Apenas esse equipamento, na área acompanhada por ele, registra de 3 mil a 4 mil meteoros por ano.




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