8 de abr. de 2019

Pesquisa Oxfam Brasil/Datafolha revela a percepção dos brasileiros sobre as desigualdades

Para 86% dos brasileiros, progresso do Brasil está condicionado à redução das desigualdades entre ricos e pobres


A grande maioria dos brasileiros (86%) acredita que o progresso do Brasil está diretamente ligado à redução da desigualdade econômica entre ricos e pobres, e 94% concordam que o imposto pago deve ser usado para beneficiar os mais pobres do país. Além disso, 77% dos brasileiros afirmam que defendem o aumento de impostos para as pessoas muito ricas para financiar políticas sociais. Esses são alguns dos resultados da segunda edição da pesquisa Oxfam Brasil/Datafolha, divulgados nesta segunda-feira (8/4) – a primeira edição da pesquisa foi em 2017.

A pesquisa Oxfam Brasil/Datafolha foi feita nacionalmente entre os dias 12 e 18 de fevereiro deste ano e foi encomendada com o objetivo de ampliar o debate sobre as desigualdades no país. O levantamento indica que a sociedade brasileira percebe os problemas da distribuição de renda no país, mas ainda não compreende o real tamanho das desigualdades brasileiras.

“Só avançaremos no combate às desigualdades se os temas do racismo, da discriminação de gênero e do respeito à diversidade, da discriminação pelo endereço de moradia, do assassinato de jovens de periferia, tiverem a mesma urgência que os temas econômicos e fiscais”, afirma Katia Maia, diretora-executiva da Oxfam Brasil.

“É fundamental que os temas sobre a disparidade da renda entre o topo e a base da pirâmide sejam tratados com a mesma urgência dadas às soluções econômicas e fiscais. Há um descompasso entre as percepções da sociedade sobre as desigualdades e a agenda política do país”, acrescenta Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo.

Para Rafael Georges, coordenador de campanhas da Oxfam Brasil e autor da nota informativa, o aumento da percepção da população sobre as desigualdades não se limita às questões de renda e cita o exemplo o ponto de vista dos brasileiros quanto ao machismo e racismo.

“Quando perguntados sobre abordagem policial ou o sistema de Justiça, a maioria dos entrevistados percebe que a cor da pele influencia negativamente. Essa percepção sobre o racismo institucional é uma condição importante para que ele seja efetivamente combatido”, diz Rafael.

Ainda segundo a pesquisa, 64% dos brasileiros afirmam que as mulheres ganham menos só pelo fato de serem mulheres – na primeira pesquisa, de 2017, eram 57%. Já a parcela dos que concordam que a cor da pele interfere no nível de rendimentos aumentou de 46% para 52% no mesmo período.

O tema “tributação” foi outro assunto abordado pelos entrevistados: 4 em cada 5 brasileiros concordam com o aumento dos impostos de pessoas muito ricas para financiar políticas sociais, ante 71% em 2017. Para 94% da amostra, o imposto pago deve beneficiar os mais pobres.

Quando questionados sobre as prioridades para a redução das desigualdades, os entrevistados deram uma nota de 0 a dez às alternativas propostas: o combate à corrupção ganhou nota de 9,7, e o investimento público em saúde, assim como a maior oferta de emprego e investimento público em educação, tirou a média de 9,6.

Chamou atenção ainda a baixa adesão a um projeto de um Estado Mínimo para o Brasil, pois 84% concorda que é obrigação dos governos diminuir a diferença entre muito ricos e muito pobres, ante 79% em 2017; além de 75% apoiar a universalidade do ensino público fundamental e médio, e de 73% defender a universalidade para atendimento em postos de saúde e hospitais.

OUTROS RESULTADOS:

• FÉ RELIGIOSA, ESTUDAR E TER ACESSO À SAÚDE

2 em cada 3 brasileiros elegem “fé religiosa”, “estudar” e “ter acesso à saúde” como as três principais prioridades para uma vida melhor

• A COR DA PELE DEFINE

72% acreditam que a cor da pele influencia a contratação por empresas

81% acreditam que a cor da pele influencia a decisão de uma abordagem policial

71% concordam que a Justiça é mais dura com negros

• LUGAR DE MULHER

86% discordam que mulheres deveriam se dedicar somente a cuidar da casa e dos filhos, e não trabalhar fora

• OS RICOS SÃO OUTROS

53% acham que o valor da renda mensal para a pessoa ser classificada como pobre é entre R$ 700 e R$ 1.000. Entre os entrevistados com renda mensal acima de 5 salários mínimos, 19% acreditam que a pobreza vai até as pessoas com rendimento de R$ 2.000, e, para 11% desse grupo, o teto é R$ 5.000. Além disso, 85% dos brasileiros que acreditam pertencer à metade mais pobre do país.

Diante desses resultados, a Oxfam Brasil sugere algumas medidas:

A Oxfam Brasil defende um Estado que funcione para todas e todos e não em função dos interesses de poucos, com mais mecanismos de prestação de contas e transparência, incluindo uma efetiva regulação da atividade de lobby e maior participação da sociedade civil.

• Dados o elevado número de pessoas em situação de pobreza, o Brasil precisa dar continuidade aos investimentos sociais, com visão de largo prazo, progressividade e qualidade.

• A Oxfam Brasil pede a revogação da emenda do Teto de Gastos, já que o ajuste fiscal deve ser feito em outras políticas, vinculadas à tributação, por exemplo. Deve-se aumentar o alcance, a eficiência e a efetividade do gasto social.

• O País requer políticas inclusivas e que permitam melhor distribuição de renda no mercado de trabalho e isso inclui a revisão da reforma trabalhista no tocante à perda de direitos, ao aumento real do salário mínimo e ao devido cuidado fiscal.

• São necessárias políticas públicas e iniciativas privadas que combatam com veemência o racismo institucional e promovam a igualdade de gênero.

• Quanto à reforma da Previdência, a prioridade das mudanças deveria se dar onde o impacto para o ajuste das contas públicas é maior: na alta burocracia do setor público, nos militares e no judiciário. É preciso garantir que a reforma da previdência se torne um mecanismo para enfrentar as desigualdades e não para reforçá-las.

• A Oxfam Brasil defende a manutenção e expansão do Programa Bolsa Família e das políticas de assistência, como meios de garantir uma vida digna a quem mais precisa, reduzindo a pobreza e a exclusão social no país.


No Oxfam
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Bolsonaro tenta contraofensiva

É bom não subestimar


O Conversa Afiada reproduz artigo sereno (sempre!) de seu colUnista exclusivo Joaquim Xavier:

Nem precisava ser vidente para adivinhar os resultados das pesquisas sobre a tragédia do governo Bolsonaro. O último Datafolha está aí para confirmar. O tenente transformado em capitão ao ser expulso da caserna rola ladeira abaixo. E nem sequer se passaram cem dias de governo.

Existe um lado folclórico nisso tudo. Bolsonaro é ignorante, um fanático armamentista, conivente com a corrupção e roubalheiras. Folclórico se não fosse trágico. Nunca fez qualquer autocrítica sobre suas ideias reacionárias, homicidas e ditatoriais. Em tão pouco tempo, desmoralizou o Brasil mundialmente, lambeu as botas do que há de pior na política mundial e vem destruindo qualquer traço de soberania nacional. Tuíte a tuíte, destroça relações comerciais cultivadas durante anos submetendo o país a humilhações coloniais.

No plano interno, Bolsonaro entretém a mídia gorda, gente da alternativa e movimentos sociais com clowns medievais como Ernesto Araújo, Vélez Rodriguez e Damares — gente rigorosamente desqualificada. Colocou militares no MEC: não faltou sequer um oficial bombeiro na cúpula da pasta em posto estratégico.

E um juizeco mau caráter para cuidar da Justiça.

As recentes declarações do impostor no Planalto só não são patéticas por verdadeiras, em parte. “ Não nasci para ser presidente. Nasci para ser militar”. Nem para militar ele veio ao mundo. No ambiente verde oliva, agiu como traidor, terrorista, um quinta coluna. Só não explodiu adutoras e instalações do Exército porque foi impedido por reportagens denunciando o desvario.

Aí enveredou pela política, onde passou 30 anos sem nunca oferecer algo digno de nota ao distinto público. Seu gabinete é retrato acabado deste aprendizado.

Ignorante por formação, vulgar por inclinação, Bolsonaro, no entanto, não é todo burro. E este é o outro lado da questão. No pouco que lhe resta de consciência que o diferencia de animais, já percebeu que não passa de instrumento — o único que sobrou para nossas elites apodrecidas e o grande capital planetário. Até ele sabe que brevemente se tornará um traste para o pessoal do dinheiro farto se não conseguir aprovar a liquidação da aposentadoria, achatar o salário mínimo e transformar os brasileiros em semi-escravos.

O pano de fundo é a nova crise que bate às portas do capitalismo, donde o Brasil é instrumento cobiçado internacionalmente. Recomendo a todos a leitura de reportagem das jornalistas Mariana Carneiro e Flavia Lima na edição impressa da Folha (7/4). Elas descrevem com gráficos irrefutáveis a linha descendente de todos os indicadores econômicos. O único que aponta para cima é o... desemprego! Detalhe: as duas jornalistas lembram que, em três meses, o Posto Ipirаnga tchuthuca Paulo Guedes (ele mesmo alvo de processos) não apresentou uma mísera proposta para retomar o desenvolvimento do Brasil.

Como disse Bolsonaro, o negócio é desconstruir.

E assim tem sendo feito com o Minha Casa, Minha Vida — maior gerador de empregos da construção civil —, o FIES, o fim dos incentivos à indústria e obras públicas por parte dos bancos oficiais, ataques ao agronegócio, corte de verbas criminoso na Educação, só para citar alguns.

Resta a Reforma da Previdência, na verdade a menina dos olhos da grande finança. Os trilhões que ela pretende roubar dos pobres é o que interessa. É a jóia da coroa. Bolsonaro sabe disso. Dela depende sua sobrevivência para falar suas cretinices à vontade ao lado da prole desarvorada. Daí para aposentar a “nova política” foi um estalar de dedos. Encontrou-se com a escória da “velha política”, gente que é alvo da Justiça em inúmeros processos, para combinar as negociatas de sempre. As reuniões se assemelharam a salas de espera de delegacias. Kassab, Alckmin, Jucá e por aí afora. Sentiu-se falta de Eduardo Cunha e Michel Temer.

Não se deve, entretanto, subestimar esse movimento. Soma-se a ele o comportamento da cúpula dos quartéis e do presidente do STF. Este que deveria ser o principal fiador da Justiça, rasteja diante dos militares de modo degradante. Só falta engraxar-lhes os coturnos. Da chamada grande imprensa, nem falar. Convescotes matinais no Planalto mostram um ambiente festivo, gargalhadas a rodo tais quais alegres comemorações de fim de ano. Difícil distinguir ali quem era governo e quem era jornalista. Impossível, na verdade.

Até onde vai esta contraofensiva? Tudo vai depender dos praticamente 13 milhões de desempregados e dos que vivem de bicos na informalidade infame, dos milhões de brasileiros que reencontram a miséria, dos setores da classe média que recuaram na escala social, do mundo acadêmico e também de empresários honestos que não se conformam com a entrega do Brasil. Os sindicatos têm sido destroçados com o corte de recursos. As centrais penam para juntar trocados para convocar as mobilizações. É na junção destes movimentos nas ruas, num calendário organizado por frentes sem sectarismo ou pré-condições exceto o “não a Bolsonaro” e suas medidas, que reside a o caminho para interromper a destruição do Brasil. A esperança é a de que isso parece começar a acontecer.

Só assim Lula vai ser libertado da prisão.

Joaquim Xavier
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Os 100 dias de um idiota no poder


A eleição de Jair Bolsonaro foi um protesto da população brasileira. Um protesto financiado e produzido pela elite colonizada e sua imprensa venal, mas, ainda assim, um "protesto". Para a elite o que conta é a captura do orçamento público e do Estado como seu "banco particular" para encher o próprio bolso. A reforma da previdência é apenas a última máscara desta compulsão à repetição.

Mas as outras classes sociais também participaram do esquema. A classe média entrou em peso no jogo, como sempre, contra os pobres para mantê-los servis, humilhados e sem chances de concorrer aos privilégios educacionais da classe média. Os pobres entraram no jogo parcialmente, o que se revelou decisivo eleitoralmente, pela manipulação de sua fragilidade e pela sua divisão proposital entre pobres decentes e pobres "delinquentes". Juntos, a guerra social contra os pobres e entre os pobres, elegeu Bolsonaro e sua claque.

Foi um protesto contra o progresso material e moral da sociedade brasileira desde 1988 e que foi aprofundado a partir de 2002. Estava em curso um processo de aprendizado coletivo raro na história da sociedade brasileira. Como ninguém em sã consciência pode ser contra o progresso material e moral de todos, o pretexto construído, para produzir o atraso e mascará-lo como avanço, foi o pretexto, já velho de cem anos, da suposta luta contra a corrupção.

A "corrupção política", como tenho defendido em todas as oportunidades, é a única legitimação da elite brasileira para manipular a sociedade e tornar o Estado seu banco particular. A captura do Estado pelos proprietários, obviamente, é a verdadeira corrupção que, inclusive, a "esquerda" até hoje, ainda sem contra discurso e sem narrativa própria, parece ainda não ter compreendido.

Agora, eleição ganha e Bolsonaro no poder, começam as brigas intestinas entre interesses muito contraditórios que haviam se unido conjunturalmente na guerra contra os pobres e seus representantes. Bolsonaro é um representante típico da baixa classe média raivosa, cuja face militarizada é a milícia, que teme a proletarização e, portanto, constrói distinções morais contra os pobres tornados "delinquentes" (supostos bandidos, prostitutas, homossexuais, etc.) e seus representantes, os "comunistas", para legitimar seu ódio e fabricar uma distância segura em relação a eles. Toda a sexualidade reprimida e toda o ressentimento de classe sem expressão racional cabem nesse vaso. O seu anticomunismo radical e seu antintelectualismo significam a sua ambivalente identificação com o opressor, um mecanismo de defesa e uma fantasia que o livra de ser assimilado à classe dos oprimidos. Olavo de Carvalho é o profeta que deu um sentido e uma orientação a essa turma de desvalidos de espírito.

A escolha de Sérgio Moro foi uma ponte para cima com a classe média tradicional que também odeia os pobres, inveja os ricos, e se imagina moralmente perfeita porque se escandaliza com a corrupção seletiva dos tolos. Mas apesar de socialmente conservadora, ela não se identifica com a moralidade rígida nos costumes dos Bolsonaristas de raiz que estão mais perto dos pobres. Paulo Guedes, por sua vez, é o lacaio dos ricos que fica com o quinhão destinado a todos aqueles que sujam a mão de sangue para aumentar a riqueza dos já poderosos.

Os 100 dias de Bolsonaro mostram que a convivência desses aliados de ocasião não é fácil. A elite não quer o barulho e a baixaria de Bolsonaro e sua claque que só prejudicam os negócios. Também a classe média tradicional se envergonha crescentemente do "capitão pateta". Ao mesmo tempo sem barulho nem baixaria Bolsonaro não existe. Bolsonaro "é" a baixaria. Sérgio Moro, tão tolo, superficial e narcísico como a classe que representa, é queimado em fogo brando já que o Estado policial que almeja, para matar pobres e controlar seletivamente a política, em favor dos interesses corporativos do aparelho jurídico-policial do Estado, não interessa de verdade nem a elite nem a seus políticos. Sem a mídia a blindá-lo, Sérgio Moro é um fantoche patético em busca de uma voz.

O resumo da ópera mostra a dificuldade de se dominar uma sociedade marginalizando, ainda que em graus variáveis, cerca de 80% dela. Bolsonaro e sua penetração na banda podre das classes populares foi útil para vencer o PT. Mas ele é tão grotesco, asqueroso e primitivo que governar com ele é literalmente impossível. A idiotice dele e de sua clique no governo é literal no sentido da patologia que o termo define. Eles vivem em um mundo á parte, comandado pelo anti-intelectualismo militante, o qual não envolve apenas uma percepção distorcida do mundo. O idiota é também levado a agir segundo pulsões e afetos que não respeitam o controle da realidade externa. Um idiota de verdade no comando da nação é um preço muito alto até para uma elite e uma classe média sem compromisso com a população nem com a sociedade como um todo. Esse é o dilema dos 100 dias do idiota Jair Bolsonaro no poder.

Jessé Souza é sociólogo, escritor e autor de "A elite do atraso"
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Xadrez do fator Hamilton Mourão

No fascismo italiano e espanhol, nazismo e golpes militares na América Latina, a onda foi irreversível. Com o avanço institucional do país, o clima de ódio deveria cansar


Peça 1 – a onda da pacificação

É curioso como ocorrem as grandes inflexões na opinião pública. Cria-se uma onda que engole o mundo político, midiático, libera a besta das ruas, promovendo os surfistas que conseguem cavalgá-la e afogando os que são apanhados no contrapé.

Há casos em que a onda é tão forte que se torna irreversível. Foi assim com o fascismo italiano e espanhol, com o nazismo, e com os golpes militares na América Latina. Mas, na maior parte das vezes, dependendo do maior ou menor avanço institucional do país, o clima permanente de ódio cansa e as ondas refluem. Se não tem forças para completar o ciclo, e instaurar uma ditadura fascista, esvazia-se com o tempo.

Nesses grandes movimentos tectônicos, um bom governo teria enormes dificuldades para atender às expectativas criadas pelo imaginário. Mas quando a cara do governo passa a estampar cada vez mais a bocarra e a incompetência dos Bolsonaro, tem início uma nova onda, pequena no início, mas crescendo rapidamente, e que será hegemônica dentro de algum tempo: a busca de saídas para o país através da conciliação nacional.

Passado o pico do ódio, haverá um refluxo até que reste só a besta, a legião selvagem dos bolsonaristas, a 15 a 18% da população.

Peça 2 – a reorganização das forças hegemônicas

Na maionese bolonariana têm religiosos fundamentalistas, alucinados antiglobalistas, aventureiros empresariais. Mas, para os jogos de poder, o que conta forças políticas e econômicas. Entre elas, o antilulismo continua sendo peça central: na mídia, no mercado, no Judiciário e nas Forças Armadas. Portanto, o próximo capítulo ainda será uma tentativa de reorganização dessas forças.

As guerras políticas internas (assim como as guerras reais) têm dois tempos: o das batalhas e o da consolidação da conquista. Dos estudos de Sun Tzu, sobre a arte da guerra, aos de Montesquieu, sobre a ascensão e queda do Império Romano, há uma literatura ampla mostrando a diferença fundamental entre a postura na guerra e a postura na vitória.

Terminada a guerra, a principal preocupação dos vitoriosos é desarmar os espíritos, mostrar senso de justiça, atrair os derrotados, mantendo seus poderes sob controle, mostrar-se justo, não tentar impor seus valores e costumes sobre os adversários. E há um conjunto de lições sobre as estratégias militares. Nunca se mostre como você é: se está forte, tente se apresentar como enfraquecido; se está fraco, mostre-se forte; nunca explicite o que você pensa, implemente A dando a entender que você quer fazer B.

É interessante comparar a conduta do general Hamilton Mourão com a do governador paulista João Doria Jr.

Dória conseguiu cavalgar duas ondas. A primeira, na prefeitura de São Paulo, apresentando-se como gestor antipetista. Quando o eleitorado da capital se deu conta de que não era gestor, a onda do antilulismo estava em plena ascensão, especialmente no interior, catapultando-o ao governo do Estado. Com isso, passou a apostar desmedidamente na sua intuição. E tenta repetir, para a próxima rodada, o mesmo discurso das rodadas anteriores.

Os romanos tinham um hábito interessante contra esses deslumbramentos. Sempre que um general voltava vitorioso da guerra e fazia a caminhada da vitória pela cidade, ao seu lado ia um escravo que murmurava: “Não se esqueça que você é humano”.

Dória persiste no discurso de guerra, perpetrando mesquinharias, como impedir que o MST (Movimento Sem Terra) faça sua reunião anual (para venda de produtos orgânicos) no Parque da Água Branca, ou cortando recursos para cultura, ou estimulando a violência policial. Está pensando em chegar mais longe olhando pelo retrovisor e pretendendo disputar os 18% do eleitorado. Fosse politicamente mais inteligente, haveria uma avenida aberta à sua frente, como contraponto civilizado a Bolsonaro.

Essa avenida – da busca da conciliação, como maneira de consolidar a direita – está sendo trilhada pelo general Mourão, seguindo à risca e com inteligência os manuais de estratégias militares.

Apresenta sempre o contraponto racional contra as maluquices de Bolsonaro, impedindo as loucuras do Ministro das Relações Exteriores, corrigindo as bizarrices perante o público interno e externo. É evidente que, ao corrigir o presidente, não pretende desfazer suas tolices, mas expô-las.

Vai além, com reconhecimento da necessidade de propostas de união nacional, aproximação com diversos setores sociais, a importância da diversidade, do meio ambiente, o entendimento sobre o que é uma economia moderna etc.

É possível que tenha descoberto as virtudes da democracia e do pluralismo, é possível que apenas esteja aplicando um dos princípios da estratégia militar de não se mostrar como é. De qualquer modo, é quem está crescendo sobre os escombros do bolsonarismo.

Nos próximos meses, Mourão se tornará cada vez mais ponto de convergência de empresários, políticos e mercado, desencantados com Bolsonaro. Quando a aliança estiver madura, não será necessário conspirar, nem dar golpe de gabinete para se desfazer de Bolsonaro. Basta aguardar as conclusões de uma das investigações em curso sobre suas ligações com as milícias, e contar com o desmanche de sua base política, obra do inacreditável Onix Lorenzoni.

Peça 3 – o fator Lula

Impressiona o fato de que, sendo prisioneiro político, impedido até de dar entrevistas, Lula consegue unificar a esquerda com suas mensagens. Aliás, o fato de ter se transformado em preso político unificou a esquerda, consolidando sua liderança até sobre os partidos mais novos, que cresceram em cima do desgaste do PT e da falta de arejamento do seu alto comando.

De qualquer modo, o desafio político consiste em ampliar o leque de alianças, abarcando o centro democrático e a centro-direita. Mas o PT tem encontrado dificuldades, com Lula preso.

Tem um candidato, Fernando Haddad, com penetração junto a muito setores progressistas e empresariais anti-PT. Mas a própria manutenção da prisão política de Lula impede avanços maiores, visando a conciliação nacional.

De qualquer modo, o PT vive um paradoxo. Não pode abandonar o protagonismo, junto às esquerdas, para não perder o bonde com a redemocratização – como ocorreu com o velho PC. Por outro lado, esse protagonismo impede o avanço das negociações e dificulta a montagem de uma frente ampla democrática.

A libertação de Lula seria o grande sinal para se começar a desenhar a paz nacional. Mas o STF (Supremo Tribunal Federal) permanece acuado e sem coragem de retomar o caminho da institucionalidade.

Com tudo isso, o jogo político continuará sendo jogado entre bolsonaristas e a direita mais racional, com o prestígio crescente de Hamilton Mourão.

Luís Nassif
No GGN
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'O novo ministro despreza a racionalidade no debate político'

Em fórum conservador, Abraham Weintraub deu a 'receita' para vencer a esquerda: usar humor e inteligência e 'não ter premissas racionais'. Maria Cristina Fernandes avalia que a troca de Vélez por Weintraub dá ganho de causa ao guru do governo, Olavo de Carvalho.






Novo ministro da Educação é tão obscurantista quanto Vélez Rodriguez


Mesmo após a demissão do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, o autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho continua influenciando no órgão. Abraham Weintraub, ligado ao mercado financeiro, já disse que era preciso adaptar as teorias do escritor para "derrotar a esquerda". Sem formação ou experiencia em gestão de politicas educacionais, ele trabalhou 18 de seus 47 anos no Banco Votorantim, onde foi de office-boy a economista-chefe e diretor. Foi demitido e seguiu para a Quest Corretora. Depois tornou-se professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Abraham e seu irmão Arthur Weintraub, também da Unicesp, atuam em dupla no interior do bolsonarismo. Os dois chegaram a defender a luta contra uma suposta tentativa de transformar o Brasil numa grande Venezuela. "Durante o século XX, mais da metade das pessoas do mundo viveram sob alguma forma de terror. Hoje, a América do Sul, e o Brasil em particular, faz parte do espaço vital de uma estratégia clara para a tomada de poder por grupos totalitários socialistas e comunistas", diz Abraham. "Eu não acreditava nisso. Achava que era teoria da conspiração. Todavia, está tudo documentado! O Foro de São Paulo é uma realidade! As FARC eram convidadas de honra. O crack foi introduzido no Brasil de caso pensado. Vejam os arquivos, está na internet!". Seus relatos foram publicados pelo jornal O Estado de S.Paulo.

O novo ministro também se envolveu em um conflito com estudantes da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, onde ele ensinava junto com o irmão Arthur Weintraub. A polêmica veio após Jair Bolsonaro publicar, em novembro passado, um texto nas redes sociais assinado pelos Weintraub, que defendia a independência do Banco Central.

"Repudiamos a associação de nosso corpo docente à pessoa do senhor Jair Bolsonaro, já que coloca em jogo o princípio da instituição, e de nossos valores em defesa da educação pública, gratuita e socialmente referenciada", dizia a nota assinada pelo diretório acadêmico do campus e pelos centros acadêmicos dos cursos de Economia e de Relações Internacionais - os representantes de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Atuariais não se posicionaram.

Os irmãos rebateram dizendo achar impressionante que os estudantes de Economia lhes dessem "lição de moral". Segundo os Weintraub, os alunos deveriam deixar "de ser ridículos" e ter vergonha "por puxar a nota do campus lá para baixo". Os dois professores também afirmaram que os jovens que aguardavam "ansiosamente pela Ditadura do Proletariado".
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Acidente horrível acaba com carreira esportiva de ginasta americana (Imagens fortes)


A ginasta norte-americana Samantha Cerio da Universidade de Auburn se viu obrigada a terminar sua carreira depois de ter sofrido um acidente horrível.

Samantha estava participando na sexta-feira (5) em uma competição regional da Associação Atlética Universitária Nacional na cidade de Baton Rouge. Ao tentar fazer uma dupla cambalhota, esta não saiu como planejado e ela sofreu uma queda grave no tapete.



"Foi muito duro de ver", disse o treinador da Universidade de Auburn, Jeff Graba, depois do encontro, segundo Nola.com. "Ela é uma guerreira. A última coisa que ela disse foi "Ajude as meninas." Elas se juntaram ao lado dela. Estão fazendo isso por ela.''

Os responsáveis de Auburn ainda não fizeram nenhum tipo de atualizações sobre os ferimentos da ginasta mas, de acordo com Nola.com, Samantha não só deslocou os joelhos como também partiu ambas as pernas.

A atleta escreveu mais tarde no Instagram que este evento foi sua ‘'última noite como ginasta'', isso significa que os ferimentos que ela sofreu não a vão deixar praticar mais a modalidade e que a sua carreira terminou.

"Obrigado à família Auburn por me ter dado um lar e a oportunidade de continuar praticando o esporte que irá sempre ser a minha primeira paixão. Sinto-me honrada por ter tido o privilégio de representar [as cores] azul-marinho e laranja da universidade nos últimos 4 anos com a equipe ao meu lado. Obrigado por me deixarem compartilhar a minha paixão com vocês", escreveu ela.

A ginasta, especializada no solo e nas barras, foi nomeada a segunda melhor atleta de ginástica do ano pela Southeastern Conference, pouco tempo antes do acidente ter ocorrido, de acordo com o site Auburn Tigers.

eu time terminou a competição de sexta-feira passada com a pontuação total de 197.075, a pontuação regional mais alta na história do campeonato, o que permitiu sua passagem para a final. Contudo, o acidente aparentemente desgastou as atletas emocionalmente, segundo o treinador Graba, acabando por ficar na quarta posição na final regional que decorreu no sábado.

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Homem que ameaçou de morte repórter da Globo é cidadão de bem, fã de Moro e da ditadura

Ele
O sujeito que ameaçou o repórter repórter Carlos de Lannoy, que cobriu pela TV Globo a operação do Exército que resultou no fuzilamento de um inocente no Rio, é cidadão de bem.

Natural do Rio Grande do Norte, Erik Procópio é bacharel em Direito.

A ameaça foi enviada a Lannoy pelo Instagram minutos depois do “Fantástico” exibir a reportagem.

“Mexeu com o Exército, assinou sua sentença! Sua família vai pagar! Aguarde cartas!”, disse ele.

Lannoy promete processar o valentão.

Carlos de Lannoy





Kiko Nogueira
No DCM
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Conge cita filme que não existe como inspiração para seu projeto anticrime


Em mais uma investida muito louca no Twitter, Sergio Moro escreveu sobre “medidas simples e eficazes contra o crime”.

“Já assistiu aqueles filmes norte-americanos com agentes policiais disfarçados infiltrando-se em gangues de criminosos, traficantes ou corruptos? Como Donnie Brasco ou The Infiltrator e que retratam casos reais”, pontuou.

“Donnie Brasco”, com Johnny Depp e Al Pacino, faz uma critica aos métodos usados pelo FBI para tentar investigar a máfia.

“The Infiltrator”, por sua vez, não existe.

O ministro, provavelmente, está se referindo a “Os Infiltrados”, de Martin Scorsese, com Jack Nicholson, Leonardo DiCaprio, Matt Damon e Mark Wahlberg.

O título original é “The Departed”, conge.

Kiko Nogueira
No DCM
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