3 de abr de 2019

Bolsonarista fundador do Direita Pernambuco é preso, acusado de estelionato

Bolsonaro e Leandro Quirino
Leandro Quirino da Silva era um dos líderes do Movimento Direita Pernambuco.

Ele foi preso no Recife suspeito de estelionato.

Leandro, que é motorista de aplicativo de transporte, é acusado de fraudar dados de empresas na internet para solicitar e receber por viagens que não realizava.

Leandro já tem algumas passagens pela polícia. Ele tem 31 anos.

Para realizar tal façanha, utilizava cartões de motoristas que são cadastrados no aplicativo.

Segundo a polícia, outros motoristas também fazem parte do grupo de estelionatários liderado por Leandro e podem ser indiciados, mesmo estando em liberdade.


Leandro com Carlos Bolsonaro

Leandro foi preso na Região Metropolitana do Recife.

Ainda de acordo com a polícia, o trabalho fajuto não era feito sozinho e contava com a ajuda de uma pessoa que era o “cabeça” que vem atuando em todo o país.

O prejuízo causado por Leandro às empresas chega a quase R$ 40 mil reais (mensais).


A história foi contada na TV Clube, afiliada da Record. Confira:



Do Blog do Silvinho
No DCM
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General do governo Bolsonaro é dono de empresa de mercenários


A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), responsável pela promoção de produtos e serviços brasileiros no exterior, além da atração de investimentos estrangeiros, contratou como chefe de gabinete o general de brigada da reserva do Exército Roberto Escoto. O militar é dono da Áquila Internacional, empresa fundada em 2016 e que arregimenta mercenários egressos das Forças Armadas para atuarem em zonas de conflito internacional.

Segundo a Apex, a empresa estaria inativa, não havendo "conflito de interesses" entre a atividade do general e sua agência de contratação de mercenários. No entanto, até janeiro de 2018 a empresa continuava a recrutar mercenários para atuar na República Centro-Africana. Em resposta a um meio de comunicação especializado no setor militar, a empresa afirmou: "Aquila International está em tratativas com um potencial cliente. Muito prematuro pra divulgar detalhes. Por enquanto, preferimos o silêncio radio!" (leia aqui). A resposta indica que a a afirmação da Apex sobre a suposta inatividade da empresa de mercenários pode não ser verdadeira. 

De acordo com o blog do jornalista Guilherme Amado, da revista Época, como chefe de gabinete da Apex, o militar tem assinado documentos ostentando a patente, algo considerado incomum por militares da reserva que estão em atividade no serviço público.

Escoto é ex-comandante da Brigada de Infantaria Paraquedista, tropa de elite do Exército Brasileiro, até de ter participado das forças de paz brasileiras no Haiti de 2004 a 2005. Ele também chefiou a CEBW, missão do Exército Brasileiro nos Estados Unidos, sendo responsável também pela aquisição de material no exterior.

A Áquila Internacional foi criada em 2016 e diz oferecer "assessoramento, treinamento e apoio operacional e logístico especializado a governos, embaixadas, organizações internacionais, organizações não governamentais e empresas multinacionais que atuam em ambientes operacionais complexos, ou seja, com real ou potencial existência de instabilidade, crise, altos índices de criminalidade, terrorismo ou conflito armado".

Confira o vídeo divulgado pela Áquila para arregimentar mercenários.

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O conge de Massachus


Sérgio Moro tornou-se um meme progressivo porque chegou àquele momento em que, motivado a tirar as mãos do guidão da bicicleta, quedou-se esborrachado ao chão.

Não é um fato novo.

Antes dele, em uma escala experimental, outro juiz, Joaquim Barbosa, sentiu-se inflado dessa autoconfiança pertinente a essa magistratura capturada pela mídia.

A Barbosa, a revista Veja, em seu pior momento, deu uma capa ridiculamente laudatória, "O menino pobre que mudou o Brasil", e a Rede Globo, um emprego para o filho do então ministro do STF, no staff de Luciano Huck, sem falar no prêmio "Faz diferença", em 2012.

Assim como Barbosa, Moro ganhou o mesmo "Faz diferença", em 2014, da Globo. Em comum aos dois, a ofensiva judiciária sobre o PT, o primeiro, relator do Mensalão; o segundo, executor da Lava Jato.

Barbosa tornou-se refém da própria vaidade e, desde que foi descartado, tenta uma carreira inútil de tuiteiro lacrador.

Moro cometeu o erro de abandonar o porto seguro da magistratura para tornar-se avalista de um governo desvairado, ligado às milícias do Rio, apenas pela promessa vã de ocupar, em dois anos, uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

Esqueceu-se ou não deu a importância devida ao fato de que, fora da bolha do Judiciário, teria que se expor sem os recursos de photoshop e edição de vídeo. O resultado é esse que presenciamos, não sem algum espanto: um ministro frágil, de voz risível, incapaz de articular duas frases sem cometer erros crassos de português, vazio de ideias e doente de ambição.

Um conge que, ao que parece, esmera-se apenas em engordar.

Leandro Fortes, Jornalista e integrante da Rede de Jornalistas pela Democracia
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Empresa pede bloqueio do salário de Frota, por calote em boate gay

Em 2006, Nice Pereira era uma empresária brasiliense que não tinha do que se queixar. Sua empresa havia decolado e era sinônimo de cultura. Ostentava um currículo com produções de shows de Gilberto Gil, Hermeto Pascoal e Zizi Possi. A Agita Cultural também havia sido representante exclusiva na cidade de grandes sucessos do cinema. De Harry Potter a O Senhor dos Anéis , passando por Carandiru e O Homem Que Copiava . Mas, longe das grandes plateias, ela farejou uma oportunidade. As paradas gays estavam se consolidando. Bingo. Resolveu, então, deixar de lado por uma vez os figurões da indústria e apostar nesse público. Faria uma “Festa do Orgulho Gay em Brasília”. A estrela seria Alexandre Frota, que atuava em filmes pornôs.

Frota assinou um contrato com cachê de R$ 2 mil — metade paga logo após a assinatura, metade pouco antes da festa—, fora diárias e passagens de São Paulo. Ele topou fazer no mínimo uma hora e meia de show na “Oficina Dancing Bar”, a 15 quilômetros do Congresso Nacional. Mas Frota não foi. A empresária se irritou e reclamou à Justiça danos materiais e morais — só conseguiu sentença favorável para o primeiro pleito. Desde então, corre um processo no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) contra o hoje deputado do PSL de São Paulo. Até mês passado, quando a Câmara dos Deputados recebeu um ofício da corte pedindo detalhes do salário do parlamentar, para avaliar se mandava penhorar o valor, ele ou qualquer representante legal jamais haviam se manifestado nos autos. O montante cobrado pela Justiça saltou com o passar dos anos. De R$ 30 mil para R$ 80 mil. O Alexandre Frota que consta do processo é um devedor contumaz, que o tribunal tinha dificuldades em localizar, assim como seus bens.

Eduardo Barretto
No Época
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Pesquisa mostra que direita perdeu e esquerda ganhou votos em Israel depois da visita de Bolsonaro


Na primeira pesquisa realizada em Israel depois da visita de Bolsonaro, o partido de Benjamin Netanyahu, o  Likud, perdeu uma cadeira no parlamento de acordo com pesquisa de intenção de voto. A pesquisa é da Project HaMidgam/Statnet/Channel 13.

Considerando todo o bloco de direita que sustenta politicamente o atual primeiro-ministro,  queda foi de duas cadeiras. No entanto, a direita continua com maioria, de acordo com a pesquisa – 62 contra 58.

A diferença, no entanto, diminuiu.

Pesquisa realizada em 28/03 (antes da visita de Bolsonaro) mostrava o Likud com 30 cadeiras e o bloco de direita somado com 64.

O Azul e Branco, partido do opositor Benny Ganz, aparecia nesta mesma pesquisa com 30 cadeiras e o bloco de centro-esquerda somado, com 56.

Na pesquisa de ontem, depois da chegada de Bolsonaro, o Likud (Benjamin Netanyahu) tinha 29 cadeiras e todo o bloco de direita, 62.

O Azul e Branco (Benny Ganz) aparecia com 28 cadeiras e todo o bloco de centro-esquerda somado, 58 cadeiras.

O partido que mais ganhou posições foi o tradicional Trabalhista, de esquerda (social-democrata), com mais quatro cadeiras (de 10 para 14), entre uma pesquisa e outra.

A eleição em Israel está marcada para 9 de abril.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Dallagnol usa resposta da Petrobrás ao STF para defender fundação, mas se complica ainda mais


O procurador Deltan Dallagnol, da Lava Jato, voltou a tentar justificar o acordo que previa a criação da uma fundação para gerir recursos oriundos de multa de R$ 2,5 bilhões paga a Petrobras em ação nos Estados Unidos; ele requentou a resposta da Petrobras ao Supremo Tribunal Federal feita na semana passada para dizer que a "própria Petrobras" defende o acordo; no entanto, a preocupação da estatal é a possibilidade de uma ação nos EUA, caso o acordo seja totalmente invalidado

Requentando uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo de 28 de março, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol, voltou a tentar justificar o acordo que previa a criação da uma fundação para gerir recursos oriundos de multa de R$ 2,5 bilhões paga a Petrobras em ação nos Estados Unidos.

"Não é só a Força Tarefa quem defende o acordo que garantiu que a multa de R$ 2,5 bilhões ficasse no Brasil e não nos EUA. A própria Petrobras informou que 'o MPF atuou para a proteção do patrimônio nacional'", escreveu Dallanol em sua página no Twitter, postando a reportagem do jornal.

Quem ler a publicação talvez não chegue a mesma conclusão que o procurador de Curitiba tentou criar. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu o acordo a pedido da própria Procuradora-Geral da República.

A Petrobrás defendeu o acordo fechado com o Ministério Público Federal no Paraná e diz que é lícito em todos os aspectos. A preocupação da estatal, no entanto, é que a invalidação do acordo possa gerar uma ação bilionária nos EUA, apesar da Petrobras "refuta ter responsabilidade por danos à luz do direito brasileiro".

A Procuradoria-geral, por sua vez, não discorda do fato de que p acordo beneficia o país. O que levou a suspensão do acordo foi o fato de ele sido fechado com a força-tarefa da Lava Jato no Paraná. Na visão da PGR, no que concordou Moraes, os procuradores excederam em suas funções ao negociar esse tipo de tratativa.


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Araújo e Bolsonaro entenderão ou é melhor desenhar?


"Por que", perguntei a Hitler, "você se considera um nacional-socialista, já que seu programa partidário é a própria antítese do acreditado ao socialismo?"

"Socialismo", ele retrucou, abaixando sua xícara de chá, assertivamente "é a ciência de lidar com o bem comum. Comunismo não é socialismo. Marxismo não é socialismo. Os marxistas roubaram o termo e confundiram seu significado. Eu tirarei o socialismo dos socialistas".

"O socialismo é uma antiga instituição ariana, germânica. Nossos ancestrais alemães mantinham certas terras em comum. Eles cultivavam a ideia do bem comum. O marxismo não tem o direito de se disfarçar de socialismo. O socialismo, ao contrário do marxismo, não repudia a propriedade privada. O socialismo não envolve negação da personalidade e, ao contrário do marxismo, é patriótico".

Adolf Hitler em entrevista a George Sylvester Viereck, 1923. Entenderam, Araújo e Bolsonaro?

Marcelo Zero
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Prisão domiciliar a Lula resolve um problema da Justiça, não do ex-presidente


O movimento para conceder prisão domiciliar a Lula, que ganhou as páginas da Folha de S. Paulo e de O Globo por meio de artigo de Elio Gaspari, resolve um problema da Justiça, não do ex-presidente.

Lula não pediu nem pedirá prisão domiciliar, porque trabalha na dimensão da história: quer a sua declaração de inocência.

“Não negocio a minha dignidade nem mesmo em troca da liberdade”, disse. Não trocaria também pelo relativo conforto de permanecer em casa, em condições que se assemelhariam às da cadeia.

A uma pessoa que perguntou se aceitaria prisão domiciliar, ele disse que quer deixar a Polícia Federal, sim, mas não para usar tornozeleira como se fosse um pombo correio monitorado.

“Eu quero sair, sim, mas para viajar pelo Brasil e levar de novo a mensagem da esperança: o brasileiro precisa de alguém que lhe diga da grandeza deste país, de lembrar da sua própria força e que ele precisa voltar acreditar mais em si mesmo”, afirmou Lula a uma pessoa que o visitou recentemente.

Enquanto outros presos da Lava Jato, como Antonio Palocci, se submeteram à vontade de seus acusadores, Lula resiste e se mantém ativo na leitura dos textos que lhe são entregues, na orientação politica para seus partidários e amigos.

Recentemente, ele recebeu de presente um DVD com o documentário sobre um jogo histórico da Champions League, campeonato de que ele gosta muito.

Algumas semanas depois, quem deu o presente quis saber se ele havia assistido ao vídeo. “Tenho trabalhado muito e não tive tempo para ver o DVD”, disse.

Lula se mantém muito ativo através de comunicações por cartas e bilhetes. Desde que foi preso, há quase um ano, todos os dias ele passa alguma orientação.

Demonstra incômodo particularmente com a situação da Petrobras e de outras empresas brasileiras, que perderam espaço no mercado depois da Lava Jato.

Ele tem consciência de que quem mais perde com esse enfraquecimento das empresas brasileiras é o trabalhador, que precisa do emprego e, em razão disso, de corporações que tenham espaço no mercado.

Dia desses, pediu para um amigo que fizesse chegar a Sergio Gabrielle, ex-presidente da Petrobras, um pedido para que escrevesse sobre as crises políticas geradas a partir de interesses  econômicos contrariados na empresa de petróleo.

Demonstra também muita preocupação com o PT e sua estabilidade interna. Ele sabe que o partido é o principal instrumento de sua atuação política.

Demonstrou alegria com o resultado da eleição que deu ao partido a maior bancada na Câmara dos Deputados.

Enquanto outros sofriam com a derrota de Haddad, como se olhassem para um corpo que está com água pela metade e dissessem “o corpo está quase vazio”, Lula enxergava o mesmo corpo por outra perspectiva: “Está meio cheio”.

É que, para Lula, enquanto os demais partidos tradicionais foram praticamente devastados pelas urnas, o PT se manteve forte, apesar de ser o alvo principal do ataque midiático.

Sabe que, com esse resultado, o partido se mantém vivo para propor e executar transformações no país.

Para que isso aconteça, cuida, da maneira que pode, de pequenos detalhes da atuação do PT. Quando escreveu a carta em que pedia votos a Fernando Haddad, determinou que o texto fosse lido por Luiz Eduardo Greenhalgh, seu velho amigo, a quem chama pelo apelido de “Mococa”.

No PT, havia articulação para que outra pessoa lesse a carta, um governador ou dirigente do partido — o próprio Greenhalgh não queria.

Lula escreveu um bilhete e pediu que, fora da prisão, alguém fotografasse e mandasse para Gleisi Hoffmann, que estava em reunião no partido, para que ela mostrasse aos demais dirigentes partidários.

“É para minha carta ser lida pelo Luiz Eduardo Greenhalgh”, escreveu.

Quem recebeu entendeu que Lula queria fazer do ato uma lembrança dos tempos em que esteve preso, na ditadura militar, e Greenhalgh aparecia nas TVs, como seu advogado, para falar a respeito do cárcere.

Os eleitores mais velhos entenderiam.

Hoje Lula sabe que poderá haver disputa interna nas próximas eleições para presidente do PT, mas nem por isso deixa de se empenhar para garantir apoio à recondução de Gleisi Hoffmann.

Refutou a ideia de fazer de Fernando Haddad o próximo presidente do partido. Para Lula, o comportamento militante de Gleisi ajuda o PT nessa hora, em que necessita de unidade.

Já Haddad, na visão dele, pode ter o papel de embaixador junto à sociedade. “É burrice manter o Haddad cuidando do PT, voltado para dentro, se ele pode falar para fora, levando nossa mensagem, a mensagem do partido, para a sociedade”, explicou.

Durante o ano em que esteve preso, Lula só interrompeu as comunicações em dois períodos. O primeiro foi nos dias que se seguiram à eleição de Bolsonaro.

“Ele sabia que isso poderia ocorrer, mas ficou impactado com a repercussão na vida das pessoas. Fez pausa de alguns dias. Parecia que estava refletindo”, afirmou um interlocutor.

Logo depois, cessado o período de reflexão, pediu que todos se empenhassem na resistência, e foi um dos primeiros a interpretar a eleição de Bolsonaro como mais uma fase de um movimento maior, que visa tirar direitos da população, sobretudo trabalhistas.

O outro período de silêncio foi após a morte de seu neto, Arthur. Era Carnaval e ele teve direito de receber uma visita na segunda-feira.

Era do advogado Luiz Eduardo Greehalgh. Os dois almoçaram e depois lavaram os pratos na pia do pequeno banheiro da cela.

Houve silêncio, e lágrimas.

Difícil encontrar alguém que não sucumba diante da realidade que Lula vive na prisão. Naturalmente, ele quer sair.

Mas não a qualquer preço.

Quem vê a situação de fora enxerga a prisão domiciliar como uma semi-justiça. É melhor ficar em casa no que na PF.

Naturalmente, é muito melhor.

Mas o que Lula parece ver os outros não conseguem enxergar.

Lula preso, alvo de uma sentença que não descreve conduta criminosa nem apresenta prova alguma de crime, é a denúncia de que as instituições brasileiras estão com uma ferida aberta.

E é a constatação desse mal que pode levar a uma mudança mais profunda na situação política. Uma hora, as pessoas em geral se perguntarão: “Mas exatamente por que Lula está preso?”

Quando se conscientizarem da resposta, o Brasil pode, efetivamente, tomar um novo rumo. A prisão de Lula, em outras palavras, é política, em todos os sentidos.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Modelo de negócios da Globo está falido?

Duas matérias publicadas na semana passada confirmam que a poderosa TV Globo passa por um período de muitas dificuldades – o que reforça a tese de que seu modelo de negócios está em crise. A primeira nota foi postada no site R-7, da rival Record:

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Corte de gastos? Globo perde doze jornalistas famosos em um ano

Por Keila Jimenez

A dança de cadeiras do jornalismo da Globo parece não ter fim. Agora foi a vez da jornalista esportiva Cristiane Dias deixar o canal. Em um ano, a Globo perdeu mais de doze de seus maiores nomes do jornalismo, que não tiveram contratos renovados. Trata-se quase sempre de funcionários renomados, experientes, com muitos anos de casa e muitas vezes com salários mais altos.


Os 'substitutos' são mais jovens e ganham muitas vezes menos da metade do salário desses que estão saindo. A lista de baixas é grande. Carla Vilhena abriu o ano de 2018 se despedindo do canal após mais de 30 anos na casa. Cristina Serra também deixou a emissora no início do ano passado. Em abril, foi a vez do querido Tônico Ferreira deixar o canal. Na sequência foi a vez de o jornalista esportivo Abel Neto não renovar o seu contrato com a emissora.

Denise Barbosa deixou a GloboNews após mais de 20 anos de casa. O repórter Andrei Kampff não teve seu contrato renovado depois de 25 anos atuando na Globo. Millena Machado deixou o posto de apresentadora do “Auto Esporte”, programa exibido nas manhãs de Domingo, onde atuava desde 2011. Após voltar de uma licença médica, Izabella Camargo foi demitida. Depois de 36 anos servindo na empresa, André Luiz Azevedo deixou a Globo. Depois foi a vez do renomado Alexandre Garcia dizer 'adeus' ao jornalismo do canal.

Sergio Aguiar surpreendeu a todos ao sair da GloboNews sem se despedir. Neste ano foi a vez de Fernando Rocha e Mariana Ferrão, do 'Bem Estar', deixarem o programa e não renovarem o contrato com o canal. Nesta quarta (27), Cristiane Dias teve a sua saída oficializada na rede. O contrato dela terminará em junho e não será renovado. A jornalista esportiva apresentava o "Globo Esporte ", programa exibido onde não há edição local, e o noticiário esportivo do "Bom dia Brasil". Ela ingressou na emissora no ano de 2006. Carol Barcellos já assumiu o lugar dela.

Nos bastidores da Globo, é fato que essas demissões não são pontuais e nem devem parar por aí. A ideia do jornalismo é mesmo renovar e reduzir custos.


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Já a matéria de Ricardo Feltrin, especialista em mídia do UOL, aponta problemas em uma área que a emissora sempre reinou isolada, o das telenovelas. “Nunca antes neste país, como diria um certo político, a Globo enfrentou um mau momento como o atual em suas faixas de novelas. Sim, as três tramas principais da casa – 18h30m, 19h30 e 21h30 – ainda são líderes de audiência no país (Painel Nacional de Televisão) e também na Grande SP (epicentro da publicidade brasileira). Mas, segundo apuração da coluna, é a primeira vez que as três principais novelas da casa registram menor público que suas antecessoras”.

O jornalista dá detalhes sobre cada novela. “O Sétimo Guardião: Além de todos os problemas que enfrenta – inclusive dois processos de plágio, morte de figurante, tensão no elenco etc. –, em São Paulo o ibope da novela está empacado nos 29 pontos. Esse índice é abaixo do chamado ‘trilho’ previsto pela emissora para o horário, que é de 30 pontos (cada ponto em SP vale por cerca de 73 mil domicílios)... Na comparação somente nesta década, ‘O Sétimo Guardião’ dá hoje quase 10 pontos a menos do que "Fina Estampa" registrou em 2011”.

“Verão 90: Até o capítulo nº 47, a novela das 19h30 da Globo também é líder, mas está dando o menor Ibope que as três antecessoras diretas no mesmo período. Supera apenas a quarta, ‘Rock Story’ (2017). Também na comparação com o maior sucesso da década no horário, ‘Cheias de Charme’ (2012), ‘Verão 90’ registra hoje quase seis pontos a menos em São Paulo... Para encerrar, a novela com o pior resultado na Globo hoje: ‘Espelho da Vida’. Apesar de ser também líder de ibope no país e em São Paulo, a novela de Elizabeth Jhin que aborda espiritualismo tem os piores números dos últimos cinco anos... ‘Espelho’ registra até o 154º capítulo apenas 17,6 pontos em SP. Bem menos que a antecessora direta, ‘Orgulho e Paixão’ (21,5 pontos)”.

A demissão dos artistas veteranos

A queda de audiência das telenovelas já havia resultado na demissão dos “veteranos”, como ocorre agora no jornalismo. Em abril de 2018, a mesma Keila Jimenez já havia registrado essa mudança. “Após 35 anos de emissora, Malu Mader deixa a Globo. A atriz não teve seu contrato renovado. Malu não é a primeira nem a última de uma lista de atores veteranos, com salários altos, que estão perdendo o contrato fixo com a Globo... Assim foi também com Maitê Proença e Carolina Ferraz”.

“Nos bastidores da Globo é fato de que a emissora está em um processo de renovação e corte de gastos em seu casting. Ao mesmo tempo que não renova com atores veteranos (e mais caros), o canal corre para oferecer o famoso contrato de longo prazo para atores menos prestigiados, mas que fizeram sucesso no último trabalho... A conta é boa. Além de renovar seu time, o canal economiza pois contrata jovens e bons atores pagando pouco e se livra dos medalhões que ganham salários entre R$ 80 mil e R$ 200 mil mensais. A média de salário oferecido para os jovens que estão começando no canal está entre R$ 8 mil e R$ 12 mil para quem estiver no ar”.

A queda de audiência, que faz desabar a publicidade e consequentemente gera “corte de gastos” – como a demissão de profissionais é chamada friamente pelos patrões –, reforça a tese de que o modelo de negócios da TV Globo está “fadado ao fracasso”. Essa ideia foi defendida com ênfase por Guilherme Stoliar, presidente do rival Grupo Silvio Santos, em artigo publicado na Folha. Após dividir as cinco principais emissoras do país em dois blocos – a TV Globo seria o ricaço “Cirque du Soleil”, e SBT, Record, Band e RedeTV seriam o pobretão “Circo Garcia” – o executivo afirma que esse formato não se sustenta mais devido ao avanço dos meios digitais e à própria crise econômica. Vale conferir sua instigante e provocativa análise:

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Uma reflexão sobre a internet e a TV aberta

Por Guilherme Stoliar – Folha, 14 de março de 2019

Muito se pergunta a respeito do que acontecerá com a televisão aberta depois da internet banda larga. Tento responder com fatos nesta simples reflexão sobre os próximos cinco anos.

Dados.

1) Antes da internet banda larga, 100% da população tinha a televisão aberta como seu grande companheiro de informação e entretenimento.

2) No Brasil, mais de 70% das famílias vivem com uma renda familiar inferior a R$ 3.000 por mês. Poder de compra muito restrito.

3) As demais 30% até podem ter banda larga, Netflix, cabo e outras formas de se informar e se entreter.

O que constatamos: todos continuam assistindo à TV aberta.

Podemos dividir a televisão aberta em dois modelos, por suas características culturais e econômicas. O modelo Cirque du Soleil, que é a Globo, e o Circo Garcia, que são o SBT, a Record, a Band e a RedeTV!. Não considerei as demais emissoras porque as audiências são pequenas.

Esses modelos são a caricatura de como são produzidos e exibidos os conteúdos desses canais. E penso que ninguém tem dúvidas a respeito!

Até 2014, a televisão aberta reinava economicamente na mídia. Entretanto, de 2015 até 2018, a queda das suas receitas superou 30%. Uma parte foi perdida para a crise e outra, para os meios digitais, internet.

A Globo, o “Cirque du Soleil”, detinha e ainda detém, por pouco tempo, mais de 70% da receita do bolo publicitário das abertas, o que gerava até 2014, lucros auspiciosos. As outras emissoras, o “Circo Garcia”, arrecadavam o restante, vivendo com grandes dificuldades e sendo obrigadas a locar espaços para igrejas e outros arrendatários para fechar as contas.

Hoje, todas as emissoras abertas perderam 30% da receita e não conseguiram reduzir custos e despesas nessa proporção. Missão muito difícil para qualquer um.

Como reduzir o custo dos direitos de futebol brasileiro? Missão impossível! Como reduzir o custo e manter a qualidade das novelas? Outro problema! Resultado: muito prejuízo, inclusive e principalmente no “Cirque du Soleil”. Quem diria? Falo da TV Globo, não do Grupo Globo.

O que vejo pela frente.

1) O mercado da TV aberta ainda não estabilizou. Começamos o ano e a receita ainda está menor do que em 2018, especialmente pela falta das verbas de governo. Ainda não chegamos ao fundo desse poço.

2) O público da TV aberta ficará restrito às pessoas com renda familiar de até R$ 3.000. Esse grupo é representado por 70% da população, mas seu poder aquisitivo é pequeno.

3) A TV aberta tem 80% de sua receita advinda de aproximadamente cem grandes clientes. Estes, a partir de 2015, dadas a crise e as novas possibilidades da internet, reduziram suas verbas na aberta. Só lembrando: faturamos hoje 70% do que faturávamos em 2014.

4) Um fato importante e ilustrativo. Para você fazer um anúncio numa novela da Globo, o “Cirque du Soleil”, em rede nacional, um anunciante gastará R$ 800 mil e terá uma audiência de 30 pontos. Se fizer um anúncio nas novelas do SBT, Record, Band, o “Circo Garcia”, para atingir os mesmos 30 pontos, esse anunciante gastará R$ 250 mil. Pois é.

5) Em pouco tempo, esses cem anunciantes vão abrir os olhos, acabar com preconceitos e, para não ficarem de fora da televisão aberta, que ainda terá os 70% do público brasileiro, anunciarão cada vez mais no “Circo Garcia” e menos no “Cirque du Soleil”.

6) Uma coisa é certa, o dono do “Cirque du Soleil” não sabe fazer um “Circo Garcia”, e o contrário também é verdadeiro. É muito difícil a Globo reduzir seus custos na razão da atual conjuntura. A Globo não tem cultura e preparo para ser o Garcia e, se conseguir ser, terá sua receita dividida com as outras. E as demais emissoras, por força das necessidades, já estão ajustadas.

7) Se os donos do “Circo Garcia” conseguirem sobreviver por mais algum tempo, vão poder assistir a esse filme em no máximo cinco anos.

Nenhuma crítica ao Circo Garcia, que admiro muito. A televisão aberta é um veículo popular, como o são os 70% das famílias brasileiras.

Ver para crer!

* Guilherme Stoliar é presidente do Grupo Silvio Santos.

Altamiro Borges
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Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela suspende imunidade parlamentar de Guaidó

Além do fim da imunidade, Juan Guaidó é investigado pelo Ministério Público da Venezuela por desrespeito à Constituição e às autoridades públicas ao autodeclarar-se presidente da República

Assembleia Nacional Constituinte aprovou perda da imunidade de Juan Guaidó
A Assembleia Nacional Constituinte (ANC) da Venezuela aprovou na noite desta terça-feira (02/04) a suspensão da imunidade parlamentar de Juan Guaidó, autodeclarado presidente do país e presidente da Assembleia Nacional, controlado por oposicionistas. O pedido para a suspensão havia sido encaminhado pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

O presidente da Suprema Corte, Maikel Moreno, argumentou que Guaidó violou as medidas cautelares impostas contra ele, como a proibição de deixar a Venezuela. O autodeclarado presidente viajou para o Brasil, Paraguai, Argentina e Equador em fevereiro.

O presidente da ANC, Diosdado Cabello, disse que a suspensão da imunidade parlamentar de Guaidó é uma demonstração de justiça.

Além do fim da imunidade, Guaidó é investigado pelo Ministério Público da Venezuela por desrespeito à Constituição e às autoridades públicas ao autodeclarar-se presidente da República.

Guaidó está ainda proibido de exercer cargos públicos por 15 anos. Segundo a Controladoria da Venezuela, ele não forneceu informações sobre suas despesas e condições financeiras no período em que viajou para o exterior.

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Pibinho cresceu 1%. Lucro das empresas, 100%

Xavier: precisa desenhar?


O Conversa Afiada publica sereno (sempre!) artigo de seu colUnista exclusivo Joaquim Xavier:

Com tanta notícia correndo pela praça, praticamente passou despercebida a manchete do jornal o Valor - que vocês aí chamam de PiG cheiroso - desta segunda-feira (1/4). Literalmente: “Lucro das empresas dobra com corte e novo cenário”. Com base num levantamento abarcando 237 empresas brasileiras com ações na Bolsa, o jornal concluiu: o lucro líquido destas companhias aumentou 100,6% (dobrou!) na comparação com os dados de 2017.

Detalhe: o levantamento exclui bancos, que não conhecem prejuízos há décadas. Se entrassem na pesquisa, o resultado seria mais impressionante.

Alguns exemplos: a Petrobras, considerada falida e quebrada pelos golpistas de 2016, passou de um prejuízo de 0,4 R$ bilhão para um lucro de R$ 25,8 bi. A Vale, assassina de pelo menos 305 brasileiros, cresceu de R$ 17,6 bi para R$ 25,7 bi. A tal falida Eletrobras saiu de um prejuízo de 1,8 bilhão para um lucro de R$ 13,3 bi. O ganho da Ambev avançou de R$ 7,3 bi para R$ 11 bi. Já a CSN obteve um lucro 47 vezes maior graças à “contabilidade criativa” chancelada pelo STF.

A reportagem cheirosa atribui parte do resultado escandaloso a certas tramoias, como a exclusão do ICMS da base do cálculo do PIS e do Confins, aprovada em 2017, adivinha por quem ? Pelo Supremo Tribunal Federal, o mesmo que demorou anos para prometer devolver, sob a forma de gorjetas, o dinheiro surrupiado dos pequenos poupadores pela avalanche de planos econômicos. Já para as empresas, a fórmula foi rapidamente transformada em “créditos fiscais”. O que era débito, virou dinheiro em caixa para o grande capital.

Só na Guararapes, que controla rede Riachuelo, a manobra togada triplicou o lucro nos últimos três meses do ano passado, diz o Valor. Para quem ainda não sabe, o grupo é controlado por Flávio Rocha, bolsonarista de quatro costados e uma espécie de 04 na hierarquia da famiglia no poder.

Para não pegar muito mal, a reportagem atribui os números também à eficiência de executivos que apertaram o controle de gastos, mesmo com o cenário adverso. Eufemismos são a especialidade das rotativas sabujas.

Onde se lê “controle de gastos”, entenda-se demissões em massa, substituição de trabalhadores protegidos pela CLT por bóias-frias consagrados pela reforma trabalhista, benefícios fiscais via desonerações irresponsáveis, instrumentos como o Refis que adiam pagamentos de impostos sucessivamente para os amigos do rei.

Se não, como explicar que empresas dobrem seus lucros enquanto o número de desempregados não para de crescer, os salários despencam, as vendas no comércio desabam, a inadimplência sobe e as estatísticas da pobreza só fazem aumentar?

Este é o melhor retrato de um país estagnado, que retrocede na economia, retroage nos costumes e vive uma ditadura de fato com o apoio da mídia, do judiciário, do parlamento, do executivo e de uma famiglia complacente com malfeitores.

A seguir este caminho, teremos um povo cada vez mais pobre e uma ”elite” cada vez mais rica. Os números, às vezes, não mentem. Não me engane que eu não gosto.

Joaquim Xavier
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Barroso e os arquétipos do fascismo

Por tudo o que conhece sobre as características intrínsecas do fascismo, o principal porta-voz do fascismo tupiniquim é o ministro Luís Roberto Barroso

Por tudo o que conhece sobre as características intrínsecas do fascismo, o principal porta-voz do fascismo tupiniquim é o Ministro Luís Roberto Barroso. Ele tem utilizado, à exaustão, todo o repertório de discursos e práticas que caracterizaram o fascismo. E a demonstração maior foi sua fala, no evento promovido pelo Estadão.

A saber:
  • Demonização da política.
  • Exacerbação do discurso anticorrupção como bandeira de aliciamento das forças anti-política (Judiciário, Ministério Público).
  • Exacerbação do moralismo, como álibi para a derrubada dos direitos individuais.
  • Retórica da violência/inclemência, expressa nas decisões judiciais, para não diluir o conceito de força, essencial em uma guerra.
  • Apologia da voz das ruas, sem qualquer espécie de mediação, como fator de legitimação dos abusos e da desmoralização da Constituição e das leis através da interpretação subjetiva dos códigos.
  • Desmoralização da nacionalidade, para consolidar a ideia do novo, da refundação, uma espécie de América branca do mercado impondo-se sobre a miscigenação brasileira, que gerou a malandragem dos miúdos e a esperteza dos coronéis.

Luís Nassif
No GGN
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Como se roubava na ditadura. Bolsonaro insiste em nazismo de esquerda. História e Museu desmentem


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