2 de abr. de 2019

Os Bolsonaros espalham o ódio aonde vão e põem em risco a segurança nacional


Jair Bolsonaro é um caso de estudo de governante que procura dividir uma nação ao invés de tentar uni-la.

Coloca-nos em permanente risco, aqui e no exterior.

No Brasil, enquanto denuncia o “viés ideologico” do PT, faz um governo ideologicamente comprometido com as orientações psicóticas de seu guru Olavo de Carvalho, um elemento perigoso e patético da extrema direita.
Fomenta uma batalha interna entre a ala militar e a ala psiquiátrica olavista.

Todos os que não se alinham com as mentiras e as teorias conspiratórias sobre o “globalismo” e o “marxismo cultural” são comunistas e inimigos do povo.

No Chile, causou repulsa por sua defesa de Pinochet. O presidente da Câmara e o do Senado se recusaram a recebê-lo.

Piñera teve de se distanciar de Jair numa entrevista horas depois de o hóspede indesejado ir embora.

O México pediu explicações sobre as declarações favoráveis de Eduardo Bolsonaro ao indecente muro de Donald Trump.

A palhaçada da ajuda humanitária à Venezuela e o apoio idiótico aos interesses americanos robusteceram Maduro.

No Paraguai, teceu loas ao general Stroessner, assassino corrupto e pedófilo.

Em Israel, cavou mais ainda o fosso com os países árabes — e não só com relação ao comércio exterior.

O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, emitiu uma nota dura afirmado que “a visita não apenas contradiz a histórica atitude do povo brasileiro de apoio à causa palestina, mas também viola leis internacionais”.

Condenou os planos de abertura de um escritório de negócios do Brasil em Jerusalém.

“Essa política não ajuda a estabilidade e a segurança da região e ameaça os laços com países árabes e muçulmanos”, afirma o comunicado.

O filho Flávio, aquele do Queiroz, resolveu pôr lenha na fogueira e, qual um moleque mamando Whey Protein, achou por bem chamar o Hamas para a briga.

“Quero que vocês se EXPLODAM!!!”, escreveu o valentão, que deletou em seguida a bravata.

Esse bando está destruindo o país a um ritmo alucinante e precisa ser detido antes que uma bomba estoure não no colo deles, mas no nosso.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Bolsonaro e Netanyahu: o abraço de afogados


É uma humilhação atrás da outra. A cada viagem das comitivas da hipocrisia de Jair Bolsonaro, o Brasil diminui de tamanho, até desaparecer do mapa como nação soberana, independente, em vez de lutar por um lugar de protagonista no cenário mundial – como vinha acontecendo antes do golpe de 2016.

O turismo vexatório nos EUA dispensa comentários. Já se falou demais disso. Depois, o Chile, onde o tenente transformado em capitão ao ser expulso do Exército desfilou seu repertório de constrangimentos ao elogiar a ditadura de Pinochet. Nos dois países, Bolsonaro e sua famiglia ofereceram-se publicamente como distribuidores de panfletos e santinhos para governantes em suas disputas eleitorais internas. No Chile, foi rechaçado até por aqueles que o convidaram.

Agora, em Israel, dobrou-se ao chão mais um pouco. Netanyahu está às vésperas de um pleito em que seu mandato é ameaçado pelas denúncias de corrupção envolvendo sua gestão. Mas lá estava Bolsonaro para oferecer o ombro amigo, noivado e promessas de amor eterno. Ele entende do assunto. Enriqueceu à custa do contribuinte, aliança com milicianos e uma máquina de mentiras jamais vista no Brasil. Tem know-how comprovado em trapaças.

Mas o que parece vigor só revela aflição. Assim como o israelense em seu país, Bolsonaro está cada vez mais desmoralizado no Brasil.

Alguém tente identificar nestes quase cem dias de governo uma iniciativa que tenha empolgado mesmo seus fanáticos seguidores. Bolsonaro está pendurado numa reforma para liquidar a aposentadoria que desagrada até seus aliados. Não ganhou uma votação neste Congresso de reputação conhecida. O discurso anticorrupção dissolveu-se com a rapidez de um sonrisal na água diante de ministros alvos da Justiça e envolvimentos dele e da turma dos herdeiros Zero com malfeitos.

Sem apoio nativo, o tenente de fato corre mundo afora atrás de prestígio, mas só colhe derrotas. Pior. Consegue a façanha de reduzir ainda mais sua imagem interna quando entrega o Brasil lá fora em prejuízo dos interesses do agronegócio honesto, responsável maior por manter o país acima da linha d´água. É um desastre em permanência.

O jogo está jogado? Não! Existe uma aliança internacional, que vai de Trump a Erdogan, disposta a recorrer a qualquer desvario para salvar o capitalismo selvagem às vésperas de nova crise, como admitiu a diretora do FMI.

Esse pessoal tem armas, verbas do povo trabalhador, controle da mídia podre e muita bala na agulha. Já os adversários dispõem de recursos inferiores. Contam, porém, com o que sempre pode ser decisivo: a simpatia popular. Aqui no Brasil, depois de um tempo atordoada, a oposição dá mostras de renascimento. As Jornadas pela Liberdade de Lula, as manifestações contra a Previdência e de repúdio ao golpe de 1964 são ótimos presságios. Nem tudo está perdido.

Ricardo Melo é jornalista, presidiu a EBC e integra o Jornalistas pela Democracia
Leia Mais ►

Direita arranja “empresário-laranja” para assumir vídeo “fake”


O jornalista Luís Costa Pinto foi perfeito ao definir e batizar: “o laranjal do bolsonarismo produziu o empresário-laranja”.

É o empresário e cartola de futebol Osmar Stábile, que “assumiu a responsabilidade” de produzir e divulgar o vídeo onde um ator, como se fosse um personagem real, a narrativa laudatória ao golpe de 1964.

Ele soltou uma nota dizendo-se “Autor-Produtor do vídeo divulgado na data de 31/03/2019 faço essa Declaração. Fi-lo (o vídeo), de moto próprio e às minhas expensas”.

Claro que a história é arranjada, basta ir ao facebook deste senhor e ver que ele não reúne capacidade de ser autor ou produtor de um vídeo de qualidade profissional.

Aliás, a maior prova de que Stabile apenas “assina” a armação cinematográfica é o fato de que ele sequer postou o vídeo  em suas redes sociais.

Quem concebe, realiza e divulga um vídeo político deixaria de fazê-lo por qual motivo?

Sugestão aos coleguinhas: perguntem a Eduardo Bolsonaro como ele recebeu e replicou o vídeo.

Fernando Brito
No Tijolaço


Leia Mais ►

Leniência da Odebrecht também transforma MPF em gestor bilionário

Acordo de leniência da Odebrecht com o MPF também prevê que procuradores da "lava jato" administrem multa paga pela empreiteira.
O acordo de leniência que a Odebrecht assinou com o Ministério Público Federal em dezembro de 2016 se parece bastante com o acordo da Petrobras. Ambos preveem a criação de uma conta judicial, sob responsabilidade da 13ª Vara Federal de Curitiba, para que o dinheiro fique à disposição do MPF, para que lhe dê a destinação que quiser.

No caso da Odebrecht, a construtora se comprometeu a pagar R$ 8,5 bilhões como multa por seus malfeitos, que serão divididos pelo MPF entre ele mesmo, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) e a Procuradoria-Geral da Suíça. A parte que ficar no Brasil ficará sob responsabilidade dos procuradores da "lava jato" em Curitiba.

Segundo o acordo, esse dinheiro será destinado à reparação dos "danos materiais e imateriais" causados pela corrupção da Odebrecht. De acordo com explicação do MPF no Paraná à ConJur, 80% do dinheiro ficarão com o Brasil, 10% com os EUA e 10%, com a Suíça. Portanto, o MPF ficou responsável por gerenciar R$ 6,8 bilhões.

Do que ficar no Brasil, 97,5% serão destinados aos "entes públicos, órgãos públicos, empresas públicas, fundações públicas e sociedades de economia mista" que foram lesados pelos atos da construtora. Ou seja, R$ 6,63 bilhões terão seu destino definido pelo MPF. Os outros 2,5% serão destinados à União, como parte da confissão pelo cometimento de improbidade administrativa.

A repartição do dinheiro está no parágrafo 3º da cláusula 7ª do acordo, segundo o qual o "valor global será destinado ao Ministério Público Federal". Em resposta aos questionamentos da ConJur, no entanto, o MPF garante que "o acordo não destina os recursos ao Ministério Público nem os coloca sob administração do Ministério Público". Segundo a explicação oficial, o dinheiro será pago às "vítimas", sempre que o MP responsável pela ação de improbidade aderir ao acordo do MPF.

Embora o acordo seja público e uma de suas cláusulas diga que o dinheiro ficará à disposição do MPF, sua destinação está descrita num trecho sigiloso do documento, o "Apêndice 5". Esse documento não foi divulgado pelo Ministério Público e vem sendo tratado com bastante cuidado pela 13ª Vara Federal de Curitiba, que teve o hoje ministro da Justiça Sergio Moro como titular durante toda a "lava jato". Em pelo menos três oportunidades, Moro negou pedidos de acesso a esse apêndice sob o argumento de que ele poderia atrapalhar investigações em andamento.

O acordo com a Odebrecht é de dezembro de 2016. Mais antigo, portanto, que o da Petrobras, assinado em setembro de 2018 e divulgado em janeiro deste ano. Mas muitos dos elementos que levantaram suspeitas sobre as intenções dos procuradores da "lava jato" com sua cruzada anticorrupção já estavam ali — e vinham passando despercebidos.

No caso da Petrobras, anexos do acordo foram divulgados recentemente e revelaram essas intenções: a criação de uma fundação em que o dinheiro, R$ 2,5 bilhões, seria direcionado para ações de combate à corrupção. Esse fundo seria gerido pelos procuradores da operação "lava jato" em Curitiba. E, claro, seria enviado para entidades amigas. Esse trecho foi suspenso pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Já o acordo com a Odebrecht vem sendo mais bem protegido. Mas já dá para saber, por exemplo, que o dinheiro que ficar no Brasil não será enviado a uma conta do Tesouro, como manda a jurisprudência do Supremo. Ficará sob os cuidados dos integrantes da autoproclamada força-tarefa da "lava jato".

Prestação de serviços

Em troca, eles se comprometem a "fazer gestões" junto à Controladoria-Geral da União, à Advocacia-Geral da União e ao Tribunal de Contas da União para que eles não questionem o valor da multa e nem acusem a empresa e seus diretores de improbidade administrativa.

No jargão da burocracia, "fazer gestões" significa articular e, em alguns casos, fazer pedidos não oficiais. No caso de agentes públicos que recebem dinheiro para fazê-lo em nome de particulares, é advocacia administrativa, explica um especialista que falou à ConJur sob a condição de não ser identificado.

O capítulo norte-americano do acordo tem menos a ver com poder e mais com negócios. Entre as diversas exigências que a Odebrecht se comprometeu a atender, está a nomeação de um "monitor externo de cumprimento do acordo", para que faça relatórios a cada 120 dias.

Esses relatórios devem ser mostrados ao conselho de administração da empreiteira e ao chefe da divisão de FCPA do Departamento de Justiça dos EUA. O último item do último anexo do acordo com o DoJ explica que os relatórios esperados pelo governo americano "provavelmente incluem" informações "proprietárias, financeiras, comerciais e concorrenciais sigilosas".

FCPA é a sigla em inglês para a lei anticorrupção internacional dos EUA. Ela existe para punir empresas de fora do país que negociem ações em suas bolsas de valores ou com suas empresas. Mas analistas têm apontado que a lei vem sendo usada como instrumento para expansão da influência econômica do governo dos EUA, por meio de empresas privadas, em outros países.

Não é uma análise muito popular entre os procuradores do DoJ, que desacreditam a tese sempre que podem. Mas o fato é que, no início da "lava jato", a Odebrecht tinha 240 mil funcionários. Hoje, tem 60 mil, segundo a própria empresa.

Tese defensiva

A defesa do ex-presidente Lula, feita pelo advogado Cristiano Zanin Martins, vem tentando acessar os autos do acordo desde maio de 2017, e não consegue. Moro negou três pedidos de acesso num espaço de pouco mais de um ano. A primeira negativa foi em setembro de 2017, quando o então juiz disse que a entrega de cópia do documento poderia prejudicar outras investigações em andamento. No dia 24 de maio do ano seguinte, foi mais claro: "Não há necessidade de acesso aos próprios autos do processo de leniência". No terceiro indeferimento, de agosto de 2018, ele apenas repetiu a decisão do ano anterior.

Em fevereiro, Zanin ajuizou uma reclamação no Supremo alegando violação à Súmula Vinculante 14 do STF com as negativas. O verbete garante à defesa acesso a todos os elementos do inquérito já documentados, desde que o acesso não prejudique diligências em andamento — justamente o argumento usado por Moro.

Segundo o advogado, o acesso aos autos pode corroborar as teses defensivas de que Lula nunca recebeu nada como pagamento por qualquer "serviço" prestado à Odebrecht. E que a acusação feita a ele não foi repetida nos EUA. Foi feita no Brasil para garantir benefícios à família Odebrecht e aos ex-executivos da empreiteira.

Moro argumentou que o acesso aos autos do acordo é desnecessário. Mas Zanin usa o exemplo da Petrobras: o acordo havia sido assinado em setembro de 2018 e foi divulgado no dia 30 de janeiro deste ano. Mas só semanas depois é que os detalhes da criação do fundo pelo MPF foram divulgados — e a informação se mostrou essencial para o processo, a ponto de um ministro do Supremo suspender esse trecho enquanto recebe mais informações para julgar o mérito.

Lá e cá

A defesa de Lula fala em dois motivos principais para ter acesso aos autos do acordo. O primeiro é que, no apêndice 5, diz a reclamação, estão informações sobre a destinação do dinheiro pago pela Odebrecht a título de multa. E o MPF pede que Lula pague uma multa a título de indenização pelos prejuízos causados ao país com seus atos corruptos. Só que ele é acusado de receber um apartamento da construtora. Se ele e a empreiteira pagarem multas pelos mesmos fatos, haverá bis in idem, argumenta Zanin, o que prejudicaria o ex-presidente.

Lula também pede para ver o que há dentro do sistema chamado My Web Day. Trata-se de um software de contabilidade paralela, para controle dos subornos pagos, devidos e recebidos, usado pelo "setor de operações estruturadas", o tal do departamento de propina, como se acostumaram a dizer os jornais. Mas a Polícia Federal, quando teve acesso ao sistema, reclamou da falta de integridade dos arquivos, que apresentavam dados apagados ou corrompidos.

Para o advogado de Lula, o fato de esses arquivos estarem corrompidos milita em favor de seu cliente. É que a Odebrecht contou histórias diferentes no Brasil e nos EUA. Aqui, disse que subornou Lula para que ele intercedesse junto à empresa na Petrobras. Uma dessas intromissões seria a nomeação dos ex-diretores responsáveis por manter o esquema de fraude a licitações funcionando.

Mas ao DoJ, os executivos da Odebrecht descreveram como funcionava o cartel que empreiteiras montaram para fraudar licitações da Petrobras e superfaturar contratos de construção civil. E nada sobre Lula.

Sem fumaça

No Supremo, o ministro Luiz Edson Fachin também indeferiu o pedido de acesso. Segundo ele, não houve "ilegalidade flagrante" nas decisões de Moro, e por isso não havia motivos para a concessão da liminar. A decisão é do dia 15 de março deste ano, e também pede informações à autoproclamada força-tarefa da "lava jato".

O atual titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, Luiz Antônio Bonat, repetiu a Fachin os argumentos de seu antecessor: franquear o acesso aos autos do acordo prejudicaria investigações em andamento. Ele acrescenta que os documentos que Lula quer ver, "em princípio, correspondem a informações que não teriam maior relevância". "Entretanto, não é de se verificar óbice ao fornecimento dessa informação", conclui Bonat, no ofício.

Em resposta, a defesa de Lula pediu que Fachin reconsiderasse a decisão anterior e que sobrestasse o andamento da ação penal contra o ex-presidente, no caso do apartamento. "É possível garantir que a versão de fatos da Odebrecht nos autos de acordo de leniência é a mesma que vem apresentando nas ações judiciais? Ou que os elementos contidos nos autos que tal acordo fora homologado não são relevantes para a Defesa do Peticionário?"

Clique aqui para ler o acordo da Odebrecht com o MPF

Clique aqui para ler o acordo da Odebrecht com o DoJ, em inglês

Clique aqui para ler a reclamação de Lula para ter acesso aos autos do acordo

Clique aqui para ler a liminar do ministro Fachin na reclamação de Lula

Clique aqui para ler o ofício do juiz Luiz Antônio Bonat ao Supremo sobre a leniência da Odebrecht

Clique aqui para ler o pedido de reconsideração apresentado ao ministro Fachin

Reclamação 33.543
Ação Penal 5063130-17.2016.4.04.7000, na Justiça Federal no Paraná

Pedro Canário é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.
Leia Mais ►

Sob pressão, afiliada da Record e Jovem Pan demite jornalista que ameaçou de morte ex-namorada

Ferrenho defensor do bolsonarismo na mídia paranaense, Denian Couto foi demitido nesta segunda-feira (1º) após protestos na porta do Grupo RIC, que tem entre as suas afiliadas a rádio Jovem Pan de Curitiba e a Record Santa Catarina

Denian Couto. No detalhe, ele entrevista Bolsonaro 
Reprodução
A direção do Grupo RIC (Rede Independência de Comunicação), que tem entre as suas afiliadas a rádio Jovem Pan de Curitiba e a Record Santa Catarina, decidiu na tarde desta segunda-feira (1º), demitir o comentarista e apresentador Denian Couto. Ele foi flagrado em uma gravação ameaçando de morte a ex-noiva, Giuli Kuiava, que é produtora na RIC.

Segundo Anderson Scardoelli, no portal Comunique-se, no final da manhã dessa segunda-feira (1º) houve um protesto na frente da RIC, organizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná. O movimento constrangeu a direção da empresa e precipitou o desfecho do caso, com o desligamento do comentarista e apresentador, que é o mais ferrenho defensor do “bolsonarismo” na mídia paranaense.

Em fevereiro, a direção do Grupo RIC tomou conhecimento do caso e chegou a ouvir o áudio da ligação em que ele a ameaça de morte. Mas não tomou nenhuma atitude à época, decidindo tratar o assunto como “problema particular”.

A repercussão do caso aconteceu após divulgação de uma reportagem de Amanda Audi, no site The Intercept Brasil, que revelou que o caso aconteceu em janeiro e não foi isolado: o jornalista é acusado de agredir, física ou verbalmente, quatro mulheres com quem se relacionou. Ele e seu advogado negam, dizendo que as falas foram “tiradas de contexto”.

No Fórum
Leia Mais ►

Mito: os militares impediram um golpe comunista em 1964

A verdade: Jango era um político trabalhista, não comunista. E a luta armada só ganhou adeptos depois do golpe.

A Revolução Cubana pode até ter inspirado jovens de esquerda, mas Jango estava muito longe
de ser um líder revolucionário


“Marxistas estão organizando camponeses no Brasil”, estampava a primeira página do New York Times, no dia 23 de outubro de 1960. O jornal tinha enviado seu correspondente Tad Szulc ao engenho Galileia, nos campos canavieiros de Pernambuco, onde nasceram as Ligas Camponesas – sociedades de ajuda mútua de camponeses que surgiram em 1955 com o mero intuito de prover caixões dignos para seus mortos, mas que chegaram aos anos 1960 como o maior movimento rural do País. Nas palavras exaltadas de Szulc, as Ligas tinham feito do Nordeste brasileiro um criadouro para a “organização e doutrinação” de comunistas, com objetivo de criar um “exército político de 40 milhões”.

Essa história era familiar para a opinião pública americana e refletia um medo comum entre militares brasileiros – o de que comunistas estavam preparando uma guerra revolucionária para fazer do Brasil uma grande Cuba. A movimentação das Ligas no campo e de sindicatos com dirigentes comunistas nas cidades seria um sintoma disso. Mas não era para tanto. Embora a revolução cubana e a figura romântica de Che Guevara pudessem inspirar jovens idealistas, a luta armada estava fora dos planos das esquerdas brasileiras.

Para começar, Jango não era comunista. Marxistas ortodoxos defendem o fim da propriedade privada dos meios de produção. Já Jango era um advogado proprietário de terras gaúchas. Mas esse tipo de detalhe não importava. Nos tempos de Guerra Fria, bastava dialogar com a esquerda para ser comunista. A base eleitoral de Jango sempre foram trabalhadores e as camadas mais pobres. No Ministério do Trabalho de Getúlio (1953-1954), apoiou sindicatos, não reprimiu greves e tentou dobrar o salário mínimo. Acabou demitido. No Planalto, aproximou-se dos movimentos sociais para pressionar o Congresso nas ruas a aprovar reformas. Acabou deposto.

Seu partido, o PTB, também passava longe do comunismo. Pelo contrário, foi criado por Getúlio Vargas, em 1945, para disputar com os comunistas o eleitorado de trabalhadores urbanos. Enquanto o PCB falava em “luta de classes”, o PTB usava o Ministério do Trabalho para domesticar os sindicatos. Assim, Getúlio ficou para a história como “pai dos pobres – e mãe dos ricos”.

Conforme o País se industrializou, uma ala do PTB deu uma guinada em direção a um nacionalismo de esquerda. Quando governou o Rio Grande do Sul (1959-1963), Brizola encampou as companhias americanas que forneciam eletricidade e telefonia no Estado, e ameaçou uma guerra civil para garantir a posse de Jango, em 1961. Mas esse nacionalismo radical não se confundia com comunismo. Estava muito mais próximo do anti-imperialismo do egípcio Nasser, do indiano Nehru e do indonésio Sukarno, líderes que rejeitavam a liderança tanto dos EUA quanto da URSS na Guerra Fria.

Até o velho PCB perdeu o espírito revolucionário. Em 1958, o Partidão renunciou à revolução armada. Em vez de lutar contra a burguesia, seu novo objetivo era chegar ao poder pela via legal, apoiando um governo nacionalista eleito. Jango era o aliado perfeito. Uma vez no poder, o PCB passaria a lutar contra o “imperialismo” (o capital estrangeiro) e o “feudalismo” (o latifúndio). Empurrara com a barriga a “ditadura do proletariado”, com prazo indeterminado.

“Com a posse de Goulart, a ideologia do PCB parecia encontrar uma base real de sustentação política”, afirma Marcelo Ridenti, professor de sociologia da Unicamp. “O chamado populismo de esquerda e o PCB tinham muitos pontos de contato. Ambos reivindicavam a libertação do povo para a construção de uma nação brasileira, independente do imperialismo e livre do atraso feudal remanescente no campo.”
A revolução cubana foi muito bem recebida por todas as correntes ditas progressistas, Mas a adesão à luta armada teve pouco impacto antes do golpe.

Marcelo Ridenti, sociólogo
Mas a direita civil e militar tinha seus motivos para ver a radicalização de outra forma. Desde meados da década de 1950, a Escola Superior de Guerra e outros think tanks de direita divulgavam o temor de que uma guerra não convencional estava em curso no Terceiro Mundo, com o objetivo de implantar o comunismo. Já tinha acontecido na Indochina (1946), em Cuba (1956-1959) e na Argélia (1956-1962). Esse conflito não envolveria Estados, mas um “inimigo interno”, que agiria em todos os níveis da sociedade. Seus meios seriam a doutrinação, a mobilização de massas e a luta armada. No Brasil, só faltaria o último elemento.

Tudo ficava mais ameaçador para a direita com a popularidade da Revolução Cubana entre a esquerda. “Ela foi muito bem recebida por todas as correntes ditas progressistas no início da década de 1960, da esquerda católica aos comunistas, dos trabalhistas aos socialistas”, afirma Ridenti.

Mas não havia risco real de que se instalasse no Brasil uma Cuba do Sul. Uma coisa era celebrar o simbolismo do Davi latino contra o Golias americano. Outra coisa era pegar em armas pela revolução. Enquanto o Brasil foi uma democracia, a luta armada ficou de fora. Em vez disso, a esquerda abraçava a estratégia pacífica do PCB de se aliar a Jango e pressionar por reformas nas ruas. Foi somente com o golpe de 1964 que grupos debandaram do Partidão e abraçaram o modelo de revolução de Fidel Castro. Se essas pequenas e malsucedidas guerrilhas tentaram fazer do Brasil uma segunda Cuba, foi em grande parte em reação ao próprio golpe.

Maurício Horta
Leia Mais ►

Falando de Tábata Amaral

Não queria falar da Tabata Amaral, mas vou. Não a conheço e acompanho pouco sua atuação. No agora célebre embate com Vélez Rodríguez, vi uma moça inteligente e articulada tripudiando de um cidadão absolutamente desqualificado para o posto que ocupa. Mas o subtexto me pareceu uma visão 100% tecnocrática não só da educação, mas da ação governamental em geral - o que, aliás, é condizente com a trajetória da deputada, que é fruto dos programas empresariais de cooptação de talentos. Diz-me com quem lemanns que te direi quem és, não é mesmo?

Não vi, no embate com o ministro, a verbalização de nenhum compromisso com um projeto de educação pública ou emancipadora. Faltavam "metas", só isso. Não me espantei ao descobrir, depois, que a jovem deputada é uma das defensoras do homeschooling na Câmara, ao lado de fundamentalistas religiosos e reacionários delirantes. Amaral pode ser uma possível aliada contra alguns dos aspectos mais aberrantes do governo Bolsonaro e nada além disso.

Recuo de minha decisão de não falar dela porque, depois do episódio com Vélez, Amaral se tornou o modelo para ataques contra a esquerda: o modelo de "como a esquerda deve se comportar" (que em geral tem como preceito principal deixar de ser esquerda). Já vi mais de um apresentando seu discurso como um exemplo a ser seguido, um exemplo de crítica feita "sem ideologia", portanto mais eficiente. Como "sem ideologia"? O autodiscurso do tecnocratismo já é assumido de partida. Sim, temos que criticar a incompetência criminosa do MEC bolsonariano, mas nem por isso podemos deixar de disputar o projeto de educação do Brasil.

Nesta segunda-feira, na Folha de S. Paulo, é a vez de Mathias Alencastro, que compara Tabata Amaral a Alexandria Ocasio-Cortez. Amaral teria mostrado que se ganha muito mais "afrontando o governo com dados e ideias" em vez de "bravatas e digressões", uma frase que estigmatiza, de forma no mínimo irresponsável, quem estuda os problemas da educação brasileira e, ao mesmo tempo, enaltece a falta de crítica aos enquadramentos dominantes como "dados e ideias". Quem critica "ascensão" da deputada paulista, prossegue o colunista, faz parte do grupo dos "mais primitivos esquerdistas brasileiros". Tenho certeza de que é a minha turma.

Entre Amaral e Ocasio-Cortez, há de fato algumas semelhanças: mulheres, jovens, oriundas de espaços distantes da elite, articuladas, espertas. As semelhanças param por aí - e, para quem pensa a política como mais do que uma pretensa afirmação identitária, elas são bem superficiais. Ocasio-Cortez tem contribuído para politizar o debate nos Estados Unidos, ao passo que o discurso tecnocrático de Amaral tem o sentido oposto. Ocasio-Cortez se formou como ativista política, enquanto Amaral passou por uma incubadora empresarial. Com posições bem mais progressistas do que sua pretensa símile brasileira, Ocasio-Cortez tem contribuído para fazer o Partido Democrata ir um pouco mais à esquerda, ao contrário de Amaral, que está na direita de um partido complicado como o PDT.

Quero deixar claro que, ao contrário de muita gente por aqui, não sou um entusiasta de Ocasio-Cortez. Os limites de sua ruptura com o establishment estadunidense são claros, como mostra o apoio que ela dá ao golpe na Venezuela ou o recuo em seu compromisso com o povo palestino. Na esquerda dos EUA, ainda fecho é com a Pamela Anderson. Mas Ocasio-Cortez, em que pesem estes limites, é muito mais do que um ícone de "renovação" e "empoderamento". Ela representa claramente um avanço político. Amaral, com certeza, não.

[Atualização: eu havia dito que Amaral era "entusiasta" do homeschooling. Como a deputada nos últimos dias tem feito questão de se distanciar do tema, inclusive negando que estivesse para assumir a vice-liderança da frente parlamentar pelo ensino doméstico, troquei para "defensora", o que ela não nega ser.]

Leia Mais ►

Advogado que entregou à Justiça lista com suposta propina a Gilmar Mendes é absolvido

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal
Em 2014, quando defendia o lobista que denunciou o mensalão mineiro e a Lista de Furnas, o advogado Dino Miraglia comeu o pão que o diabo amaçou. Em uma manhã, a Polícia de Minas Gerais invadiu o seu apartamento, numa operação que contou com helicóptero e homens descendo por cordas.

Os policiais reviraram seus pertences e os de sua família, inclusive peças de roupas íntimas de sua esposa. O mandado judicial autorizava a coleta de provas que o incriminassem, numa acusação sobre formação de quadrilha.

Segundo a polícia e o Ministério Público, ele participava de um grupo que levantava informações para extorquir dinheiro de autoridades.

Na época, a imprensa local deu destaque à acusação e nem a OAB se levantou para defendê-lo, mesmo diante da violação de seu escritório, que funcionava em seu apartamento.

Cinco anos depois, o advogado que começou sua carreira no escritório do famoso criminalista Pedro Aleixo começa a juntar os cacos do que sobrou em trajetória. Ele acaba de ser absolvido da acusação de caluniar o ministro do STF, Gilmar Mendes.

A absolvição, além de abrir a oportunidade de um resgate pessoal, pode ser também o ponto de partida para esclarecer a história rumorosa da lista do Marcos Valério, o publicitário do caso do mensalão.

O nome de Gilmar Mendes faz parte da lista a que o advogado teve acesso, como patrono de um dos processos do lobista Nílton Monteiro, o delator da Lista de Furnas e do Mensalão Mineiro.

O documento era explosivo, por relacionar autoridades que, na época do governo de Fernando Henrique Cardoso e de Eduardo Azeredo em Minas Gerais, receberam recursos de Valério.

O nome de Gilmar, que era subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil, aparece ao lado da cifra R$ 185 mil (que corresponde hoje a R$ 863 mil).

“Gilmar Ferreira Mendes/AGU (via Gov. Eduardo Azeredo/ Pimenta da Veiga) – R$ 185.000,00” – é como aparece na lista.

Em julho de 2012, uma cópia da lista foi parar nas mãos do repórter Leandro Fortes, da Carta Capital, que publicou uma série de reportagens.

Acionado por Gilmar Mendes, o Ministério Público Federal processou o repórter e o diretor da revista, Mino Carta. Também foi processado Nílton Monteiro.

O Ministério Público Federal dizia que a lista era falsa, com base em uma perícia feita na cópia publicada na revista.

Também argumentava que havia nela um erro grosseiro. O nome de Gilmar aparecia associado à AGU (Advocacia Geral da União), órgão que Gilmar Mendes só viria a ocupar mais tarde.

A defesa dos acusados argumentou que Gilmar Mendes, na função que ocupava no Palácio do Planalto, tinha o contato direto com a AGU, sendo esta uma razão possível para a associação de seu nome ao órgão que viria a ocupar.

Mas Dino Miraglia foi além de buscar argumentos. Ele entregou a lista original para o gabinete do então presidente do STF, Joaquim Barbosa, para que houvesse investigação e uma perícia adequada – em cima do documento original.

Ocorre que, alguns anos depois, quando Dino Miraglia já estava com a credibilidade abalada em razão da operação midiática de invasão de seu apartamento, ele soube que a lista entregue ao gabinete de Joaquim Barbosa no STF simplesmente desapareceu.

Na mesma época, quando Marcos Valério estava preso e foi perguntado sobre a lista, disse que era falsa. Os réus pareciam num beco sem saída.

Na época, Valério tinha esperança de deixar a prisão, o que acabou não acontecendo, com a recusa do Ministério Público de aceitar sua delação.

Mais tarde, quando negociou outro acordo de delação, desta vez com o delegado da Polícia Civil de Minas Rodrigo Bossi de Pinho, admitiu a veracidade da lista que contou uma de suas origens: ele queria assegurar junto à cúpula do PSDB de Minas vantagens pela distribuição de dinheiro resultante da privatização da Cemig, a estatal de energia do Estado, em 1988.

Na época, tanto o governo estadual quanto o governo federal foram decisivos no processo. O controle da Cemig era estadual, mas foi o BNDES que financiou a compra das ações da estatal por um consórcio liderado por uma empresa norte-americana, a Southern Electric, com a participação do banco Opportunity de Daniel Dantas.

Segundo Marcos Valério, houve farta distribuição de propina, materializada por ele mesmo, e um dos agraciados foi Gilmar Mendes, por ter acionado a AGU na defesa do processo de privatização, que era contestado nos tribunais superiores.

Dino Miraglia tinha interesse na lista particularmente em razão de aparecer nela também o nome da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, morta em 2000. Ele foi assistente de acusação no julgamento de homem acusado de matá-la, Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho, apresentado como noivo dela.

O advogado, no entanto, queria chegar até os mandantes, e a lista foi uma pista que usou. O nome da modelo aparecia ao lado da cifra R$ 1,8 milhão (equivalente hoje a R$ 8,3 milhões), e a referência aos nomes de Walfrido Mares Guia, então vice-governador, e Carlos Eloy.

A suspeita, nunca investigada para valer, é de que Cristiana Aparecida Ferreira era uma espécie de mula do esquema de distribuição da propina da Cemig. Ele tentou ouvir Walfrido no julgamento, mas não conseguiu. No dia, Walfrido apresentou prova de que estava em viagem aos Estados Unidos.

Dino é um especialista em júri, autor do livro de referência no direito, ”Caso Wagno – Na Dúvida Pau No Réu”, que conta a história de Wagno Lúcio da Silva, ex-segurança que ficou preso durante oito anos e meio por um crime que não cometeu.

Quando aceitou defender Nílton Monteiro, foi advertido de que poderia mexer com um esquema poderoso no Estado.

Não levou muito a sério, pois, como lembram amigos, tinha um compromisso quase sacerdotal com a advocacia, e não acreditava que mafiazinhas formadas na polícia e mesmo no círculo político estivessem acima do direito.

Depois da invasão do apartamento, coberta com estardalhaço pela imprensa, ele perdeu o casamento e se afastou da filha.

Viveu recluso no interior do Espírito Santo, na companhia de dezesseis cães. Com a absolvição no processo de Gilmar Mendes, decidiu voltar à sua Belo Horizonte.

De cabeça erguida, se impôs um desafio.   Quer mostrar que nunca traiu o juramento da advocacia:

“Prometo exercer a advocacia com dignidade e independência, observar a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas.”

Lamentavelmente, há advogados que se esqueceram desse compromisso de vida.

Dino Miraglia

Joaquim de Carvalho
No DCM
Leia Mais ►

Print out

Desconfio que o que vai salvar o livro não será o que o tornará supérfluo, mas o que nele perdurará. Não terá nada a ver com conteúdo ou conveniência. Até que lancem computadores com cheiro de papel e tinta nas suas duas categorias inimitáveis, livro novo e livro velho, nenhuma coleção de gravações ornamentará uma sala com o calor e a dignidade de uma estante de livros. A tudo que falta ao admirável mundo da informática, da cibernética, do virtual e do instantâneo acrescente-se isso: falta lombada. No fim, o livro deverá sua sobrevida à decoração de interiores.

A urna eletrônica é um exemplo da invasão inevitável da cultura científica em todos os nossos costumes. Imagino que ela é apenas o começo de uma informatização progressiva do processo eleitoral que culminará, um dia, com a eliminação do próprio candidato. Em vez de digitar na urna os números que identificam o candidato com as características e as qualidades que você quer, você digitará os números que identificam as características e as qualidades que você quer – e o computador fabricará um candidato com as especificações mais procuradas. Em vez de um presidente, por exemplo, teremos uma espécie de print out consensual.

Como o amor e as compras, um dia a democracia também será feita só através da internet. Você não precisará sair de casa para votar – e poderá votar em qualquer eleição do mundo! Se a globalização já tivesse chegado a esse ponto, você poderia ter votado nas recentes eleições no Brasil, por exemplo, escolhendo entre generais e civis. Só não votará quem não estiver ligado na internet, mas a essa altura quem não estiver ligado na internet não fará mais nada, e não será mais ninguém. E um dia o circuito se fechará. Digitaremos no nosso computador para eleger computadores. Computadores programados farão o trabalho do legislativo e do executivo. Eliminaremos o fator humano, a técnica nos dominará e seremos felizes. Ou infelizes, dará no mesmo, porque não haverá ninguém para culpar, e os computadores farão pouco dos nossos protestos. Até o presidente será um computador central. E, no Brasil, a única coisa certa é que o vice será do PMDB.

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Domenico Losurdo explica: Nazismo, Fascismo e Comunismo


O nazismo era de esquerda? O fascismo e o comunismo são duas faces de uma mesma moeda? O que está por trás da atual onda de revisionismo histórico, e de conceitos como o de "totalitarismo"?

Numa época cada vez mais pautada pela seção de comentários dos porões da internet, marcados por afirmações estapafúrdias e comparações infundadas, decidimos trazer à internet o pensamento de Domenico Losurdo. Este vídeo é o primeiro de uma série que a TV Boitempo gravou com o filósofo italiano durante sua última visita ao brasil, pouco antes de sua morte. Nele, Losurdo reage, a partir de seu livro GUERRA E REVOLUÇÃO, à provocação sobre a frequente equiparação entre nazismo, fascismo e comunismo, enquanto manifestações equivalentes de "totalitarismo". A discussão ganha contornos especialmente urgentes em um momento em que o próprio Chanceler do governo Bolsonaro decide mergulhar o discurso histórico do século XX de cabeça nas guerras culturais, embarcando na falsificação de que o nazismo seria um regime "de esquerda". A entrevista foi conduzida por Artur Renzo e Isabella Marcatti na sede da Boitempo, em São Paulo.

Leia Mais ►

Judeus pela Democracia emitem nota de repúdio a declarações do chanceler de Bolsonaro, Ernesto Araújo


Nota de Repúdio ao chanceler Ernesto Araújo

Integrantes do governo atual tentam adulterar a história mais uma vez. O ministro das relações exteriores Ernesto Araújo declarou e reiterou, em entrevista dada a um canal de youtube e depois em seu blog pessoal, que o nazismo e o fascismo seriam fenômenos de esquerda. Tal afirmação não é apenas chocante por sua ignorância, má-fé e cinismo, mas é também infame quando consideradas as responsabilidades de um ministro de relações-exteriores.

Como judias e judeus, preocupa-nos esse tipo de revisionismo histórico, pois é ele um dos grandes responsáveis por fazer crescer o antissemitismo e outros discursos de ódio entre extremistas. O partido nazista não hesitou em criminalizar, prender e matar, a começar por pessoas de esquerda. Como então poderia ser de esquerda? O discurso que cria a falsa imagem de um Hitler de esquerda, e não expressamente de extrema-direita, contribui com o revisionismo antissemita que enxerga o Holocausto como mentira ou exagero.

Que o atual governo Bolsonaro enxergue a esquerda como o grande mal de nossos tempos, visando à produção de uma paranóia generalizada, todos nós já sabemos. A essa visão redutora, simplista e perigosa da política, que caricaturar sujeitos sociais como inimigos a serem combatidos, acrescenta-se agora um revisionismo histórico do pior tipo.

Não se trata aqui de uma revisão balizada por pesquisa, reflexão crítica e debate. Trata-se de um dogmatismo autoritário que busca reescrever a história com uma narrativa de ódio a fim de demonizar qualquer oposição às visões e consequências históricas levadas a cabo por governos de extrema-direita.

Nosso posicionamento ético-político não nos levará a enaltecer todo governo de esquerda como positivo e nem a renegar todo governo de direita como nazista e/ou fascista. Também não nos levará, como levou ao ministro Ernesto Araújo, a inverter a história com o intuito de supostamente purificar a narrativa política. O nazismo nunca foi de esquerda, nem pertencia à direita conservadora ou liberal de sua época – à qual se opôs em muitos momentos. Hitler foi uma figura central dos movimentos de extrema direita de então e permanece sendo até os dias de hoje. É preciso não esquecer que o nazismo se fortaleceu por meio de táticas publicitárias e perigosas alianças com alguns setores da direita que na época abriam mão de seus ideais humanitários para obter incertas vantagens, lembrando, infelizmente, os tempos atuais.

Difícil medir o alcance das declarações do ministro Ernesto Araújo, mas elas certamente ajudam a sedimentar mentiras mortíferas. Um chanceler obscurantista que propaga mensagens perigosas e infames como essa não é digno do cargo que ocupa.

Judeus pela Democracia – SP
Leia Mais ►

Uruguai demite cúpula militar que acobertava torturas

O Brasil é uma vergonha!


O amigo navegante viu que nenhum país membro da "Operação Condor" comemora golpes militares.

Também deve ter visto que foi o próprio Presidente da República quem vazou um vídeo pirata que elogia - na companhia do notável militante William Waack - o Golpe de 1964, que matou (oficialmente) 434 brasileiros.

O Brasil é o único pais da "Operação Condor" cuja Comissão da /1/2 Verdade não exigiu o fim da anistia à Lei da Anistia.

Na Argentina, TODOS os governantes da Ditadura estão ou morreram na cadeia!

O Brasil é uma vergonha, como demonstra o Uruguai:

Cúpula militar uruguaia cai após revelação de crimes da ditadura

O ministro da Defesa do Uruguai, Jorge Menéndez, seu vice-ministro e três generais, entre eles o novo chefe do Exército, José González, foram destituídos nesta segunda-feira pelo presidente Tabaré Vázquez, em um novo episódio de uma crise institucional com poucos precedentes no país sul-americano, que também coincide com o ano eleitoral. O destino dos membros de alto escalão do Governo e dos militares foi decidido após um novo escândalo relacionado a um caso de violação dos direitos humanos cometido durante a ditadura uruguaia (1973-1985).

O conteúdo das atas de um tribunal militar, reveladas no final de semana pelo jornalista Leonardo Haberkorn, mostram que um coronel (Jorge Silveira) confessou o desaparecimento de María Claudia García de Gelman, nora do poeta Juan Gelman, presa em 1976 primeiro na Argentina e depois no Uruguai enquanto grávida de sua filha, Macarena, que foi dada para adoção no Uruguai. Além disso, outro importante membro da repressão, o tenente-coronel José Nino Gavazzo, reconheceu que lançou às águas do rio Negro o guerrilheiro tupamaro Roberto Gomensoro em 1973 e que mentiu sobre isso à Justiça civil.

Apesar dessas confissões, o tribunal militar (conhecido também como Tribunal de Honra) feito no ano passado, integrado por sete generais, considerou que esses fatos não eram uma afronta à honra dos militares acusados. Estes, entretanto, foram punidos por permitir que outro militar, o coronel Juan Carlos Gómez, pegasse três anos de cadeia pelo assassinato de Gomensoro, quando sabiam que era inocente. Gómez por fim foi declarado inocente em 2013.

Em algum dos meandros da complexa Justiça Militar, os responsáveis de alto escalão do Ministério da Defesa não viram as dura confissões incluídas nas atas e as deixaram passar, o que causou a ira do presidente e custou o cargo a todos eles.

As confissões de Gavazzo e Silveira são excepcionais no Uruguai, onde um férreo pacto de silêncio entre militares tornou impossível o esclarecimento da maioria dos casos de mortos e desaparecidos da ditadura. Nesses anos, alguns militares foram presos por ficar em silêncio (agora se sabe que até mesmo sendo inocentes) e o muro nunca foi rachado.

O novo comandante em chefe do Exército, José González, nomeado há quinze dias, também deixará o cargo, assim como outros três generais, todos integrantes do júri militar que não considerou um crime à honra da instituição os desaparecimentos relatados pelos militares. Anteriormente havia sido demitido Guido Manini Ríos, ex-número um do Exército uruguaio, por suas duras críticas à Justiça civil e ao Governo.

A promotoria abriu uma investigação sobre o que aconteceu nos tribunais militares, que deveriam ter comunicado a existência de crimes a instâncias superiores quando as confissões foram feitas. É preciso esclarecer se funcionários públicos (incluindo militares), foram omissos.

Os principais dirigentes do partido de esquerda Frente Ampla (FA), a coalizão de partidos governista, parabenizaram a contundência de Vázquez após um final de semana agitado, em que as bases do FA exigiram mudanças no Exército. Na oposição, vários dirigentes também pediram que o ocorrido tivesse consequências políticas.

“Eu o coloquei no veículo, eu dirigi o veículo, eu o levei ao local, o desci, o coloquei em um bote, o tirei do bote. Eu sozinho”, teria dito o ex-membro da repressão José Gavazzo — atualmente em prisão domiciliar — sobre o desaparecimento de Gomensoro. Essas confissões podem não ser as únicas e agora as atas do julgamento militar serão examinadas minuciosamente.



Tabaré Vazquez revela a consciência estratégica que faltou aos governos do PT e à esquerda

Pensar um projeto de poder, em especial 1 projeto contra-hegemônico de poder, sem tem a devida apreciação sobre o papel das Forças Armadas, é uma ingenuidade que não poderia ter sido repetida depois do golpe de 1964.

A burguesia é atavicamente conspirativa, anti-democrática, e as Forças Armadas desempenham-se na função de guardiões da ordem burguesa.

A atitude do presidente Tabaré é alentadora, porque observa-se no Uruguai a mesma escalada de eventos que ocorreram no Brasil nos últimos anos, em especial em 2013, e que culminaram na eleição fraudada do Bolsonaro.

Temas estranhos à longa tradição republicana do país vizinho saíram do porão sombrio e passaram a frequentar a paisagem pública, com muita semelhança com o processo acontecido no Brasil.

São temas como: a proliferação de igrejas neopentecostais, a histeria anti-corrupção, discursos incentivadores de ódio e intolerância, ativismo dos militares, defesa de intervenção militar, a guerra cibernética e a demagogia do outsider.

Jeferson Miola, Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial
Leia Mais ►

Governabilidade de Bolsonaro cai e desaprovação aumenta entre deputados, mostra pesquisa

Hoje, 60,55% dos deputados entrevistados consideram a relação entre o Executivo e o Legislativo como ruim ou péssima. Em fevereiro, eram 17,4% dos parlamentares


Uma pesquisa realizada nos gabinetes da Câmara mostra que Jair Bolsonaro perdeu a governabilidade junto aos deputados federais. Isso porque houve uma piora em todos os cenários do governo avaliados pelos parlamentares.

A pesquisa foi feita pela Arko Advice e consultou os deputados. Para 33,95% deles, o governo Bolsonaro é ruim ou péssimo. Em fevereiro, esse índice alcançava 22,95%.

Também teve um aumento impactante entre os parlamentares que classificam a relação entre o Executivo e o Legislativo como ruim ou péssima. Se há dois meses eram 17,4% dos deputados que assim enxergavam, agora são mais da metade: 60,55%.


A pesquisa Arko Advice foi feita entre os dias 26 e 28 de março e entrevistou 109 deputados de 25 partidos políticos, respeitando o critério de proporcionalidade partidária.

Reforma da Previdência piora na Câmara

O levantamento também avaliou como tramita a reforma da Previdência na Câmara. E houve um aumento de 39,5% em fevereiro para 52,29% em março dos que se dizem contrários à idade mínima de 62 anos para mulheres se aposentarem e 65 anos para os homens.

Caiu o percentual de deputados, de 68,8% para 55,96%, que são favoráveis à Reforma da Previdência.

Sobre as mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC), 76,16% são contrários e 75,22% tampouco concordam com as alterações propostas para a aposentadoria rural.

Mais da metade (59%) também avaliam como ruim ou péssimo o projeto de lei que trata da aposentadoria dos militares e que discordam da reestruturação da carreira da categoria.

Leia abaixo a pesquisa:












No GGN
Leia Mais ►

Prefeitura de Santo André descarta meningite como causa da morte de neto de Lula

Arthur Araújo Lula da Silva morreu na tarde de 1º de março


A Prefeitura de Santo André confirmou nesta segunda (1º) que a morte de um neto de sete anos do ex-presidente Lula não foi causada por meningite, conforme divulgado por hospital à época.

Arthur Araújo Lula da Silva deu entrada às 7h20 de 1º de março no Hospital Bartira, da rede D'Or, com quadro instável, segundo boletim médico divulgado pela instituição. O quadro se agravou, e a criança morreu às 12h36 do mesmo dia.

De acordo com a nota da prefeitura, logo após a morte do menino, a Secretaria de Saúde local encaminhou amostras coletadas no hospital para análise e confirmação do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

Ainda segundo a prefeitura, os exames descartaram "meningite, meningite meningocócica e meningococcemia".

"Todos os procedimentos de proteção e profilaxia dos comunicantes foram realizados seguindo os protocolos do Ministério da Saúde. Informações adicionais relacionadas ao caso dependem de autorização expressa da família da criança", diz a nota da prefeitura.

Procurada no fim de semana, a família do ex-presidente não quis se pronunciar a respeito da causa da morte de Arthur.

Leia Mais ►

Laranja do Serra confessa ter R$ 137 milhões na Suíça

Folha prefere poupar o Careca, o maior dos ladrões...


Da Fel-lha:

Paulo Preto diz à Receita ser dono de 4 contas na Suíça com R$ 137 milhões

O engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto e apontado como operador de recursos ilícitos do PSDB, reconheceu diante da Receita Federal que é o dono de quatro contas abertas na Suíça. O saldo dessas contas soma 35 milhões de francos suíços, o equivalente a R$ 137,4 milhões.

Ex-diretor da Dersa, empresa de infraestrutura viária do governo paulista, Paulo Preto fez isso retificando as declarações dos últimos cinco anos e pagando uma multa, cujo valor é mantido em sigilo pelo Fisco.

Preso pela terceira vez, condenado a 145 anos de prisão, investigado pela Lava Jato em São Paulo e em Curitiba e citado em pelo menos oito delações, Paulo Preto disse que as contas eram suas como uma estratégia para reduzir danos, na avaliação de cinco advogados ouvidos pela Folha sob a condição de anonimato.

Com a admissão de ser o dono das contas, ele se livra da acusação de crime fiscal.

A confissão tem também o objetivo de afastar uma suspeita que o próprio Paulo Preto havia ajudado a disseminar: a de que outros tucanos eram sócios dele nas contas suíças, entre os quais o ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira.

O engenheiro fez esse rumor circular quando estava preso em Tremembé (SP), em 2018. Sentindo-se humilhado por ter sido colocado numa solitária por dez dias, sob acusação de ter sido insolente e arrogante com os agentes, Paulo Preto cogitou partir para um acordo de delação.

Chegou a preparar o conteúdo de 70 casos de corrupção dos quais teria participado, mas desistiu quando a sua defesa obteve um habeas corpus do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

Com a liberdade e um novo advogado na ocasião, José Roberto Santoro, Paulo Preto desistiu da delação. Uma carta apreendida pela Polícia Federal apontou que uma de suas filhas chamava Santoro de "advogado de tucanos". A divulgação do documento levou Santoro a deixar a defesa do ex-diretor da Dersa.

Apontado como grande estrategista, Paulo Preto pode ter cometido um erro jurídico caso tenha reconhecido que as contas suíças eram suas com intenção de obter benefícios, de acordo com advogados ouvidos pela Folha.

Isso porque o benefício de se livrar do crime fiscal pode ser pequeno quando comparado às outras possíveis repercussões que a admissão pode ter tanto na Justiça como na própria Receita Federal. (...)

No CAf
Leia Mais ►