1 de abr de 2019

Chanceler de Bolsonaro, que disse que o nazismo era de esquerda, é desmentido por… Hitler

Trechos da autobiografia do líder nazista, Minha Luta, demonstram o ódio que ele sentia do marxismo, que associava ao judaísmo

Manifestação pró-nazi em Chicago em 1931.
Foto: BUNDESARCHIV, BILD
Há algum tempo publicamos aqui um documentário mostrando como os capitalistas financiaram o nazismo de Adolf Hitler e o fascismo de Benito Mussolini. Mas a extrema-direita, viciada em fake news, insiste em jogar no colo da esquerda as barbaridades do nazismo. Como se o líder da União Soviética, Josef Stalin, em que pese seus defeitos, não tivesse botado os nazistas para correr em 1943.

Agora é o chanceler (sic) de Bolsonaro, o bolsominion diplomata Ernesto Araújo, quem utiliza suas redes para difundir a mentira de que o nazismo era de esquerda.

Poderíamos fazer várias perguntas bem básicas para o ministro responder: se o nazismo era de esquerda, por que os capitalistas o financiaram? Se o nazismo era de esquerda, por que os comunistas o derrotaram? Se o nazismo era de esquerda, por que, um dia depois de assumir o poder, em 1933, Hitler baniu o Partido Comunista Alemão? Se o nazismo era de esquerda, por que os neonazis em todo o mundo são de extrema-direita, como ele e Bolsonaro?

Mas preferimos dar a palavra ao próprio Adolf Hitler. Em seu livro Mein Kampf (Minha Luta), o líder nazista confessou como se apropriou da cor vermelha e do nome “Partido dos Trabalhadores Alemães” para confundir os “vermelhos”. Hitler também conta como desde cedo estabeleceu como seus inimigos centrais tanto os judeus quanto os marxistas. O líder nazista associava diretamente o marxismo ao judaísmo –o próprio Marx era judeu, assim como Trotsky.
Se o nazismo era de esquerda, por que, um dia depois de assumir o poder, Hitler baniu o Partido Comunista Alemão? Se o nazismo era de esquerda, por que os neonazis em todo o mundo são de extrema-direita, como Bolsonaro e seu chanceler?
“Nesse tempo, abriram-se-me os olhos para dois perigos que eu mal conhecia pelos nomes e que, de nenhum modo, se me apresentavam nitidamente na sua horrível significação para a existência do povo germânico: marxismo e judaísmo”, escreveu o Führer. “O problema futuro da nação alemã devia ser o aniquilamento do marxismo.” Ué, como uma pessoa que odeia o marxismo pode ser de esquerda? Só faz sentido na cabeça de quem quer enganar as pessoas, como Hitler, ou de gente com pouca leitura, alvo fácil para os enganadores de extrema-direita.

Aliás, nada mais nazista do que se utilizar de fake news na disputa política. É puro Goebbels, o ministro da Propaganda de Hitler: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Não foi exatamente isso que os bolsonaristas fizeram na eleição, com seus kits gays e mamadeiras de piroca? As críticas de Hitler à imprensa também parecem ter saído diretamente da pena dos bolsonaristas ou de seu ídolo Donald Trump.

Confira você mesmo alguns trechos em que Adolf Hitler ataca o marxismo em sua autobiografia.

A cor vermelha de nossos cartazes foi por nós escolhida, após reflexão exata e profunda, com o fito de excitar a Esquerda, de revoltá-la e induzi-la a frequentar nossas assembleias; isso tudo nem que fosse só para nos permitir entrar em contato e falar com essa gente.” (pág. 245)

“Como não tinham logrado perturbar a calma das companhias, mediante gritarias e aclamações ofensivas, os representantes do verdadeiro socialismo, da igualdade e da fraternidade, começavam a jogar pedras. Com isso foi esgotada a nossa paciência, e, em conseqüência, distribuímos pancadas à esquerda e à direita, durante dez minutos. Um quarto de hora mais tarde, não havia mais um vermelho nas ruas.” (pág. 279)

“Nos anos de 1913 e 1914 manifestei a opinião, em vários círculos, que, em parte, hoje estão filiados ao movimento nacional-socialista, de que o problema futuro da nação alemã devia ser o aniquilamento do marxismo.” (pág. 86)



“Nesse tempo, abriram-se-me os olhos para dois perigos que eu mal conhecia pelos nomes e que, de nenhum modo, se me apresentavam nitidamente na sua horrível significação para a existência do povo germânico: marxismo e judaísmo.” (pág. 14)

Só o conhecimento dos judeus ofereceu-me a chave para a compreensão dos propósitos íntimos e, por isso, reais da social-democracia. Quem conhece este povo vê cair-se-lhe dos olhos o véu que impedia descobrir as concepções falsas sobre a finalidade e o sentido deste partido e, do nevoeiro do palavreado de sua propaganda, de dentes arreganhados, vê aparecer a caricatura do marxismo.” (pág. 30)

“Se o judeu, com o auxilio do seu credo marxista, conquistar as nações do mundo, a sua coroa de vitórias será a coroa mortuária da raça humana e, então, o planeta vazio de homens, mais uma vez, como há milhões de anos, errará pelo éter.”  (pág. 38)
Nada mais nazista do que se utilizar de fake news na disputa política. É puro Goebbels, o ministro da Propaganda de Hitler: Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. Não foi exatamente isso que os bolsonaristas fizeram na eleição, com seus kits gays e mamadeiras de piroca?
“No meu íntimo eu estava descontente com a política externa da Alemanha, o que revelava ao pequeno circulo que meus conhecidos, bem como com a maneira extremamente leviana, como me parecia, de tratar-se o problema mais importante que havia na Alemanha daquela época –o marxismo. Realmente, eu não podia compreender como se vacilava cegamente ante um perigo cujos efeitos –tendo-se em vista a intenção do marxismo– tinham de ser um dia terríveis.” (pág. 86)

“Em um tempo em que os melhores elementos da nação morriam no front, os que ficaram em casa, entregues aos seus trabalhos, deviam ter livrado a nação dessa piolharia comunista. Ao invés disso, sua Majestade o Kaiser estendia a mão a esses conhecidos criminosos, dando, assim, oportunidade a esses pérfidos assassinos da nação de voltarem a si e de recuperarem o tempo perdido. A víbora podia, pois, recomeçar o seu trabalho, com mais cautela do que antes, porém de maneira mais perigosa. Enquanto os honestos sonhavam com a paz, os criminosos traidores organizavam a revolução.” (pág. 93)

A cor vermelha de nossos cartazes foi por nós escolhida, após reflexão exata e profunda, com o fito de excitar a Esquerda, de revoltá-la e induzi-la a frequentar nossas assembleias; isso tudo nem que fosse só para nos permitir entrar em contato e falar com essa gente

“Vencendo a minha relutância, tentei ler essa espécie de imprensa marxista, mas a repulsa por ela crescia cada vez mais. Esforcei-me por conhecer mais de perto os autores dessa maroteira e verifiquei que, a começar pelos editores, todos eram judeus.” (pág. 36)

“Sob esse disfarce de idéias puramente sociais, escondem-se intenções francamente diabólicas. Elas são externadas ao público com uma clareza demasiado petulante. A tal doutrina representa uma mistura de razão e de loucura, mas de tal forma que só a loucura e nunca o lado razoável consegue se converter em realidade. Pelo desprezo categórico da personalidade, por conseguinte da nação e da raça, destrói ela as bases elementares de toda a civilização humana, que depende justamente desses fatores. Eis a verdadeira essência da teoria marxista, se é que se pode dar a esse aborto de um cérebro, criminoso a denominação de ‘doutrina’. Com a ruína da personalidade e da raça, desaparece o maior reduto de resistência contra o reino dos medíocres, de que o judeu é o mais típico representante.” (pág. 169)

“Mais do que qualquer outro grupo, os marxistas, ludibriadores da nação, deveriam odiar um movimento cujo escopo declarado era conquistar as massas que até então tinham estado a serviço dos partidos marxistas dos judeus internacionais. Só o titulo ‘Partido dos Trabalhadores Alemães’ já era capaz de irritá-los.” (pág. 186)

Cynara Menezes
No Socialista Morena
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A morte do “conji” e o primarismo de Sérgio Moro. Assista


Recebo, via Facebook, um trecho do depoimento de Sérgio Moro à Comissão de Constituição de Justiça do Senado.

É inacreditável o primarismo verbal, intelectual e jurídico de do ex-juiz.

Diz ele que não há “possibilidade de uma mulher, uma conge (sic) seja morta pelo seu conge (sic) baseado (sic) na violenta emoção e seja aplicado este dispositivo”, referindo-se ao que prevê o seu projeto que permite que o juiz deixe aplicar pena “se o excesso decorrer de escusável medo, surpresa ou violenta emoção” por não ter havido, aí, legítima defesa. Mas diz que não há impedimento, use-se o mesmo dispositivo no caso de um homem que agrida a mulher “sobre” (sic) violenta emoção e seja por ela morto.

Não consigo descobrir, na lei, onde há essa diferenciação de sexo.

Já existe, há décadas, a figura da “violenta emoção” como atenuante de prática de crimes. Mais especificamente, nos casos de homicídio e de lesão corporal, a lei permite que o juiz ” poderá reduzir a pena em até um terço se  o crime é cometido “sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima”.

O que Moro pretende é outra coisa, acrescentar a expressão “o juiz poderá reduzir a pena até a metade ou deixar de aplicá-la se o excesso decorrer [no ato que seria de legítima defesa] de escusável medo, surpresa ou violenta emoção” no art. 23 do Código.

O que define a legítima defesa  é o emprego dos meios necessários, e de nada além disso. Alguém tomar um tapa e, em revide, disparar seis tiros no agressor, quando este já tiver cessado a agressão não é legítima defesa, mesmo com violenta emoção. O caminho é a delegacia policial e a denúncia, se for o caso seguida da prisão em flagrante.

Do contrário, para matar o “conge” (suponho que seja “cônjuge” o que Moro quis dizer) bastaria provocar uma briga até a agressão e, com a arma que Bolsonaro autorizou a ter ou com outra, matá-lo sem receber punição.

Não é preciso dizer que isso é uma irresponsabilidade tremenda, destas capazes de produzir “crimes perfeitos”.

Porque uma enorme parte dos homicídios acontece por frustração de relações afetivas, vingança, rivalidade, discussões ou cobranças de dívida. Neste caso, é só provocar bastante o outro lado, conduzi-lo a ameaçar ou agredir e, pronto, você está autorizado a matar.

E sem distinção do sexo do “conge”, Dr. Moro.



Fernando Brito
No Tijolaço
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Hamas lança Nota dura contra governo Bozo


Sobre a visita do presidente brasileiro à ocupação israelense, o movimento Hamas afirma o seguinte:

O movimento Hamas condena veementemente a visita do presidente brasileiro Jair Bolsonaro à ocupação israelense como um movimento que não apenas contradiz a atitude histórica do povo brasileiro que apóia a luta pela liberdade do povo palestino contra a ocupação, mas também viola as leis e normas internacionais.

Particularmente, o Hamas denuncia que o presidente brasileiro fez uma visita à Cidade Santa de Jerusalém e ao Muro da Lamentações acompanhado pelo primeiro-ministro das ocupações israelenses. O movimento também condena o plano anunciado de criação de um escritório comercial para o Brasil em Jerusalém.

O Hamas conclama o Brasil a reverter imediatamente essa política que é contra o direito internacional e as posições de apoio do povo brasileiro e dos povos da América Latina.

Ressaltamos que essa política não atende à estabilidade e segurança da região e ameaça os laços brasileiros com nações árabes e islâmicas.

Finalmente, o Hamas insta a Liga Árabe, a Organização da Cooperação Islâmica e todas as organizações internacionais a pressionar o governo brasileiro a derrubar esses movimentos que apóiam a ocupação israelense e fornecer cobertura para seus abomináveis ​​crimes e violações contra o povo palestino.
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Líderes da Terra Plana


Lula foi o único presidente do Brasil que teve efetiva projeção internacional, tornando-se liderança mundial muito respeitada no planeta. No planeta esférico e concreto, acrescente-se.

Tentando emular Lula, Bolsonaro e o chanceler mitômano de delírios pré-iluministas também pretendem ser lideranças mundiais. Porém, ao que tudo indica, renunciaram a um lugar de destaque no planeta esférico e concreto e almejam ser líderes da Terra Plana, esse curioso mundo medieval ptolomaico recentemente ressuscitado pela imaginação fértil de astrólogos políticos.

O governo brasileiro vive hoje numa Terra Plana, geopoliticamente unidimensional e unipolar, na qual só cabem os interesses de coisas como o trumpismo e o Ocidente medieval vislumbrado por mentes gestadas por uma mistura implausível da Suma Teológica com generosas doses de LSD.

Um mundo que não existe mais, em processo acelerado de decomposição histórica, mas que persiste na imaginação destrutiva de alguns.

Um mundo que é uma impossibilidade geográfica e geopolítica. Um mundo para poucos, que nos afasta do direito internacional público e da razão.

De fato, com nossa política externa sendo dirigida pelo pior chanceler do mundo, astrólogos oligofrênicos, aiatolás neopentecostais e militares que apoiam ditadura e tortura, não necessariamente nessa ordem, o Brasil retira-se da comunidade internacional e se aliena da realidade.

A viagem a Israel é demonstração cabal disso.

Em apenas dois dias, a equipe de metafísicos celerados do capitão destruiu décadas de esforços e tradição diplomática brasileira em prol de uma solução pacífica para o conflito israelo-palestino. Com efeito, a tradição diplomática do nosso país era a de somar-se à ONU e à comunidade internacional na busca de uma paz no Oriente Médio que contemplasse os interesses israelenses e palestinos.

Esse esforço brasileiro vem de longe. Foi justamente um representante da nossa diplomacia, Oswaldo Aranha, que presidiu a sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas que criou o Estado de Israel. Aranha foi um dos principais articuladores diplomáticos da Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas 181, de 1947, que deu reconhecimento internacional a Israel. Por isso, Oswaldo Aranha é nome de rua em Telavive.

Assim, nosso país reconheceu, desde o início, a existência do Estado de Israel. Mas, ao mesmo tempo, o Brasil foi um histórico defensor da criação de um Estado Palestino soberano, geograficamente coeso e economicamente viável, situado nos territórios ocupados por Israel desde 1967, a saber: Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental.

O Brasil, portanto, se posicionou tradicionalmente em relação àquele conflito com muita moderação, racionalidade e tomando como base fundamental as resoluções da ONU sobre o tema, como convinha a um país firmemente afincado no planeta esférico, concreto e multipolar.

E, ao contrário do que apregoam os mitos bolsonarianos da Terra Plana geopolítica, o Brasil, mesmo votando contra as violações dos direitos palestinos na ONU, sempre manteve boa relação com Israel.

Tanto é assim que o primeiro acordo de livre comércio extrarregional firmado pelo Mercosul foi com Israel. Isso mesmo. O Brasil, pelo Mercosul, estabeleceu livre comércio com Israel. Esse acordo foi firmado em 18 de dezembro de 2007, em pleno governo Lula, o qual aproximou-se bastante de Israel, ainda que mantendo postura crítica em relação à política de assentamento nos territórios ocupados, condenada pela ONU. Foi também no governo Lula que, em 2009, o então presidente israelense Shimon Peres veio ao Brasil. Tratou-se da primeira viagem de um Chefe de Estado israelense ao Brasil em mais de 4 décadas.

Em 2010, Lula realizou a primeira visita de um Chefe de Estado brasileiro a Israel. Foi um marco histórico das relações bilaterais. Lá, fez um discurso no Knesset, o parlamento israelense, no qual defendeu a convivência pacífica entre um Estado israelense e um Estado palestino, conforme o que apregoa a ONU e a maioria da comunidade internacional. Lembrou da convivência pacífica entre árabes e judeus no Brasil. Foi aplaudido de pé.

Ademais, Lula teve o cuidado óbvio de, na mesma viagem, visitar a Palestina. É algo que diferencia profundamente um estadista que defende os interesses maiores de seu país e a paz, no planeta esférico e concreto, de um mentecapto que defende os interesses mesquinhos de Trump e Netanyahu e a guerra, na Terra Plana geopolítica. De fato, não se pode comparar.

De qualquer forma, o Brasil não poderia negar seu apoio ao sofrido povo palestino, sob pena de isolar-se da ampla maioria da comunidade internacional. Esse povo, que não tem Estado, território coeso, economia viável e nem forças armadas, vem sendo submetido ao que Ilan Pappé, historiador israelense, denominou apropriadamente de “genocídio incremental”. Aos poucos, o governo de Israel vai colonizando quase toda a Cisjordânia, tomando as poucas terras remanescentes dos palestinos, e sitiando 1,8 milhão pessoas na estreita Faixa de Gaza.

Contudo, Bolsonaro e seu chanceler mitômano, que acha que a nazismo foi um movimento comunista, para risos de escárnio do mundo civilizado e do planeta esférico, foram a Israel dar um tapa na cara no povo palestino, na ONU, na comunidade internacional, no direito internacional público e na diplomacia brasileira.

O anúncio da abertura de um “escritório comercial” em Jerusalém é a página mais ridícula da história de nossa diplomacia. Em primeiro lugar, porque escritório comercial só se abre em países com os quais não há relações diplomáticas. Em países com os quais se mantêm relações diplomáticas, como é o caso de Israel, abrem-se, no mundo esférico, embaixadas e consulados. Em segundo, porque Jerusalém, além de estar a apenas de 60 quilômetros de Telavive, não tem relevância comercial.

A estapafúrdia “solução salomônica” do “escritório” desagradou tanto a Netanyahu, que esperava a prometida transferência da embaixada, quanto a palestinos, árabes e muçulmanos de um modo geral.

Os palestinos já chamaram seu embaixador de volta para consultas, o que, na linguagem diplomática, é algo muito grave.

Nos nossos meios de comunicação, especulam sobre os prováveis prejuízos econômicos e comerciais dessa decisão desastrosa. Serão graves, é claro. No ano passado (2018), exportamos 13,75 bilhões para a Liga Árabe e o Irã, principalmente alimentos e, em especial, carnes. Somos responsáveis por 52% das carnes consumidas nos países árabes Já para Israel, exportamos apenas US$ 324 milhões. Além disso, a balança comercial com a Liga Árabe é superavitária em torno de US$ 7 bilhões, ao passo que a nossa balança comercial com Israel é tradicionalmente deficitária. Em 2018, foram cerca de US$ 500 milhões de déficit.

Embora os países árabes, bem como os muçulmanos, venham a ter dificuldades para substituir essas exportações brasileiras no curto prazo, haverá, no médio e longo prazo, substituição ao menos parcial dessas nossas exportações, no mercado árabe e muçulmano. Há outros países que podem exportar para lá. Aqui na América do Sul, Argentina e Uruguai podem ser candidatos.

Mas o prejuízo não será apenas comercial e econômico.

Os países árabes e muçulmanos congregam 57 votos nos foros multilaterais nos quais o Brasil participa. No planeta esférico, concreto e multipolar, são votos muito importantes. Se antes, com Lula, havia muito boa vontade para com o Brasil, agora enfrentaremos muitas resistências a qualquer reivindicação nossa. Assim o prejuízo maior, de imediato, será político e diplomático.

De quebra, poderemos entrar na rota do extremismo islâmico fundamentalista, por termos nos tornado aliados incondicionais de Israel e EUA. Não bastasse, essa nova posição desiquilibrada exclusivamente pró-Israel poderá comprometer a histórica convivência pacífica entre descendentes de árabes e judeus que se verifica no Brasil

Assim, para agradar gente como Trump e Netanyahu, políticos de posições ideológicas extremadas, o Brasil está jogando contra seus próprios interesses e se isolando da comunidade internacional, que apoia maciçamente as resoluções da ONU sobre o tema.

Mas o nosso país não está se isolando da comunidade internacional e do planeta esférico apenas nesse tema. O Brasil está se isolando, da mesma maneira, nas questões ambientais. Também para agradar Trump, o nosso país, abandonando suas posições progressistas na área, passou a questionar o fator antropogênico das mudanças climáticas, e passou a associá-lo ao “marxismo cultural”, principal preocupação terraplanista. Recentemente, o Brasil foi voto solitário na OIT, posicionando-se contrariamente ao enforcement da Convenção 169 sobre comunidades indígenas. Aparentemente, essa agência global da ONU, como muitas outras, teria sido tomada pelo terrível “globalismo”. Não se sabe bem a razão.

Para completar, agora temos também um governo que defende oficialmente ditaduras. A democracia não parece ser o forte da Terra Plana geopolítica. Afinal, democracia, no plano internacional, equivale a multipolaridade e multilateralismo. Coisas de planeta esférico e multidimensional.

Coisas de Lula; não dos líderes da Terra Plana.

Marcelo Zero
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Olavo desafia os generais e Bolsonaro parece que gosta


Ricardo Noblat diz na Veja que o General [Augusto] Heleno perdeu  a disputa com o “guru” Olavo de Carvalho na  questão do anúncio da “meia-embaixada”, o escritório brasileiro em Jerusalém, que os militares estariam tentando “deixar de lado” para não prejudicar nossas relações comerciais com o mundo árabe.

Pode ser, mas é fato que Olavo tem se sentido confiante para subir o tom contra a ala militar do  Governo e disparou, pelas redes sociais, uma nova saraivada de ataques ao General Santos Cruz, ministro-chefe da Secretaria de Governo do Planalto.

E chegou (e passou) do ponto das ofensas pessoais. Postou, agora há pouco, no Facebook que Santos Cruz “não presta”:

Não venha agora choramingar que foi ofendido, Santos Cruz. Foi você que começou isto, sem a menor provocação, dois dias depois de eu o haver ELOGIADO. Você simplesmente NÃO PRESTA.

E o desafiou publicamente:

Esse Santos Cruz JAMAIS terá a coragem de discutir comigo de cara a cara. Vai tramar por trás alguma vingancinha ou refugiar-se num silêncio fingidamente superior.

Se o “Walter Mercado” da Virgínia fosse apernas um charlatão, isso seria irrelevante. Mas é alguém publicamente referendado e homenageado por Bolsonaro & filhos.

Nem a mais fértil imaginação chegaria ao ponto de prever que os generais teriam de combater um…astrólogo.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Irmã diz que irmão dono da Folha mente para ela

Imagina o que ele não faz com o leitor...


Por Mariana Barbosa, do Brazil Journal:

Frias vs. Frias: briga chega à Justiça

Uma interpelação judicial feita por Maria Cristina Frias ao irmão Luiz revela detalhes sobre o desentendimento familiar que colocou a Folha de São Paulo no centro de uma disputa pública.

Destituída do cargo de Diretora de Redação da Folha, Maria Cristina foi à Justiça para que o irmão abra os livros de registro de ações das empresas do grupo: quer ter a real noção das reestruturações societárias que Luiz vem promovendo há anos.

No documento, Maria Cristina diz não saber sequer sua participação acionária, direta e indireta, nas empresas do Grupo Folha.

Ela diz que uma nova reorganização societária proposta pelo irmão deixará o jornal “abandonado à própria sorte”, “expondo a risco a sua saúde financeira” e “impondo novos e ainda mais profundos cortes de custos e de pessoal”.

Fontes ouvidas pelo Brazil Journal dizem que a reorganização societária a que se refere a interpelação é a separação do jornal do resto do Grupo Folha. No novo arranjo, Maria Cristina ficaria com o jornal. Para essas fontes, ela teria condições de comprar a Folha, mas não de mantê-la sem receber dividendos do UOL.

Maria Cristina diz na interpelação que a empresa Folha da Manhã, que edita o jornal, não está recebendo dividendos apesar ter feito investimentos anos a fio na sua controlada Folhapar. A Folha da Manhã detém um terço da Folhapar, a empresa que é dona do UOL, que por sua vez é dona da PagSeguro. Os outros dois terços da Folhapar pertencem a Luiz.

Além disso, ela argumenta que o caixa da Folha da Manhã foi esvaziado quando Luiz decidiu aderir à vista – e não em parcelas – ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT) em 2017.

Finalmente, ela reclama da venda da participação da Folha no jornal Valor Econômico para o grupo Globo – diz que a apuração de recursos da venda foi “atabalhoada” – e dos termos do acordo de licenciamento de conteúdos da Folha para o UOL.

Na questão dos dividendos do UOL/PagSeguro, Maria Cristina diz que Luiz impôs um limite “absoluto e abusivo” de 1% para a distribuição de resultados. “A prevalecer essa disposição [os dividendos] jamais chegarão à Folha da Manhã”, afirma no documento.

A disputa que joga Frias contra Frias não é nova: na interpelação, Maria Cristina descreve um histórico de conflito societário desde 2004 e diz que “vem sendo tolhida, reiteradamente e há muito tempo, em seu legítimo direito à informação”.

Luiz destituiu a irmã com o apoio da viúva de Otávio, Fernanda Diamant, que herdou um terço das ações do Grupo Folha. Maria Cristina teve o email bloqueado e sua agenda de compromissos violada. Segundo fontes da Folha, naquele dia, ela receberia uma visita de Neca Setúbal – mas Neca nunca apareceu. Sem o conhecimento de Cristina, Neca foi avisada que o encontro fora cancelado.

Maria Cristina argumenta que, ao destituí-la do cargo, Luiz estaria violando o acordo de acionistas firmado com o pai, Octávio Frias de Oliveira, em 2002, e que obriga os irmãos a uma reunião prévia para deliberar conjuntamente sobre os negócios da família.

Em entrevista à ombudsman da Folha, o novo Diretor de Redação Sérgio Dávila diz que a reunião de acionistas que decidiu pela destituição havia sido convocada com 25 dias de antecedência, seguindo o acordo de acionistas.

Uma fonte próxima a Maria Cristina diz que ela sabia que havia uma negociação em curso, mas que não houve a convocação formal da assembleia.
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Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras


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MP quer prisão de youtuber bolsonarista Nando Moura por difamação contra estudante negra

Eles
O Ministério Público do Estado de São Paulo requereu junto à Justiça, em processo penal que corre na Vara do Juizado Especial de Embu das Artes (SP), que o youtuber Nando Moura seja condenado por injúria e difamação de uma estudante do interior de São Paulo, a quem chamou de “vagabunda” por três vezes em vídeo publicado na internet e visto por mais de 100 mil pessoas.

A pena requerida pela promotoria paulista é de dois anos de detenção.

O episódio ocorreu no final de 2015, mas o processo número 1013015-97.2016.8.26.0506 estava parado até janeiro deste ano.

Isso porque os advogados da estudante ofendida pelo youtuber levaram dois anos até conseguir entregar a citação para o réu, conhecido defensor dos ideais de direita e do governo de Jair Bolsonaro.

Durante este tempo, oficiais de Justiça buscaram Moura nos endereços constantes em suas contas de telefone celular e outros serviços, e também na casa de sua mãe (que disse que o filho tinha se mudado dali, mas que ela não sabia para onde), sem nunca encontrá-lo.


À Justiça, a mãe de Nando Moura disse que o filho se mudou de sua casa sem informar para onde

Foi só quando Moura passou a ser parte de outra ação judicial, ali informando seu endereço de fato, já neste ano, que a Justiça citou o réu e deu andamento ao processo. A queixa crime contra o youtuber se deu em virtude de um vídeo a respeito de um episódio de racismo que tinha ocorrido na Faculdade de Direito da USP em Ribeirão Preto.

Nele, Nando Moura se referia a uma estudante negra que havia tomado parte em protestos contra a manifestação racista. Suas palavras que ensejaram o processo penal foram:

“É isso que você quer, não é, sua vagabunda? Se fazer de coitada para conseguir mamar nas tetas do governo. É ou não é? É claro que é!”

No mesmo vídeo, Moura chama a vítima de vagabunda mais duas vezes. Por determinação judicial, o material foi excluído do Youtube, mas segue anexado aos autos processuais. A estudante ofendida se chama Poliana Cchinamerem Moreira Kamalu.

Foi ela quem instaurou a queixa crime contra Nando Moura, por injúria e difamação.

No dia 29 de janeiro deste ano, o Ministério Público protocolou petição ao juizado que cuida do caso, requerendo a condenação do réu pelos crimes de que é acusado, com pena de dois anos de detenção, conforme despachou a promotora Juliana L. B. Magalhães:

“O agente, por três vezes, injuriou a vítima, chamando-a de “vagabunda”. (…) Ademais, o agente, neste mesmo vídeo, em outro momento, aduz que a vítima quer “mamar nas tetas do governo”. Entendo que essa afirmação é difamatória. (…) Entendo que houve concurso material, chegando a pena máxima a 02 anos.”


Despacho do MP em defesa da condenação de Nando Moura a dois anos de detenção

A origem das ofensas

Em outubro de 2015, foram encontradas, nas paredes de um banheiro da Faculdade de Direito da USP – campus de Ribeirão Preto, as seguintes pichações:

“Aqui é faculdade de gente inteligente (e branca). Cotas pra preto? Macacos cotistas fora da FDRP!”

Após a repercussão gerada pelo fato, a administração da Faculdade de Direito criou uma comissão sindicante para descobrir o autor das ofensas e repudiou veementemente seu conteúdo. Além disso, uma entidade chamada Coletivo Nergro, formada por alunos negros da instituição – elaborou uma intervenção que envolvia a leitura de um texto de repúdio ao ocorrido.

A vítima de Nando Moura foi a estudante escolhida para ler a mensagem em todas as salas de aula da faculdade, com autorização da diretoria. Na intervenção, a estudante, além de repudiar especificamente as pichações, protestava contra as circunstâncias históricas do Brasil que contribuem para o “racismo estrutural” existente no país.

Em uma das salas, o discurso lido pela estudante Poliana foi gravado por um dos alunos, e logo depois publicado e replicado nas redes sociais.

Foi o conteúdo deste material que incitou a ira de Nando Moura. Em vídeo divulgado pelo youtuber, a estudante, chamada de vagabunda por três vezes, é acusada de fazer-se de vítima de uma situação que já não existiria mais.

Nando Moura disse que a escravidão acabou há mais de um século e que, por isso, hoje em dia, todos são iguais, não importando a cor da pele, e que tudo o que Poliana estava querendo era obter cotas raciais no sistema público de ensino para, assim, “mamar nas tetas do governo”.

Outro lado

De acordo com a Defesa de Nando Moura, nenhum crime ocorreu, pois suas palavras devem ser vistas como “exercício claro e inalienável de seu direito de expressão”.

Além disso, afirma a Defesa, o fato de a estudante ofendida participar de um coletivo de combate ao racismo a torna sujeita a este tipo de crítica:

“Há de se ressaltar que a Querelante (Poliana), (SIC) colocou-se em posição pública de destaque, qual seja, representante de organização política formada por alunos negros da Faculdade de Direito da USP de Ribeirão Preto, denominada ‘Coletivo Negro’. Nessa condição, evidentemente, a Querelante está naturalmente mais sujeita à crítica, ampliando-se sobremaneira o direito à liberdade de expressão.”

A Justiça deverá proferir sentença em primeira instância sobre o caso nas próximas semanas ou meses.

Como se observa no vídeo abaixo, Poliana não é a primeira pessoa a quem Nando Moura ataca em seu canal de Youtube.



Vinícius Segalla
No DCM
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Plano Guedes/Bolsonaro de capitalização leva à barbárie — assista o vídeo




O modelo de capitalização individual que inspira Bolsonaro foi imposto no Chile pelo ditador Pinochet em 1980 através do Decreto Lei 3.500 em meio a um “banho de sangue nas ruas” – fato histórico enaltecido pelo chefe da Casa Civil do Bolsonaro.

A PEC 6/2019 proposta pelo governo tem como objetivo de curto prazo a modificação, para muito pior, das atuais regras para aposentadorias, benefícios e pensões. A redução para R$ 400 [menos da metade do salário mínimo] do valor do Benefício de Prestação Continuada para os idosos é a face mais macabra da PEC.

Já o objetivo estratégico, de longo prazo – a “jóia da coroa” –, consiste em destruir o atual regime de repartição solidária e substituí-lo pela capitalização individual. Com isso, no futuro breve, o capital financeiro colocaria as mãos em mais de R$ 350 bilhões a cada ano [aqui].

A adoção da capitalização individual representa o fim da previdência enquanto política de Estado e a conversão das aposentadorias e pensões em um mega negócio financeiro gerido por instituições financeiras nacionais e, sobretudo, estrangeiras, como acontece no Chile.

Paulo Guedes, escalado pelo capital financeiro para repetir o modelo chileno no Brasil, é da mesma escola dos economistas que serviram à ditadura de Pinochet na implantação deste modelo, e ele continua, ainda hoje, prisioneiro daquela ortodoxia econômica fracassada.

Guedes diz em alto e bom som que não abre mão de desviar, em 10 anos, R$ 1 trilhão do sistema previdenciário brasileiro para o sistema financeiro internacional. O mecanismo para esse roubo é o regime de capitalização individual.

Nos 3 meses iniciais do governo, o ministro da Economia praticamente não falou em emprego, geração de renda, crescimento, desenvolvimento. A agenda dele foi exclusivamente dedicada à concepção e defesa da destruição da Previdência; está obcecado com seu show do trilhão.

É fundamental conhecer-se os fundamentos e as características do negócio de capitalização do Chile e, em especial, os trágicos resultados em 4 décadas de vigência naquele país.

Os trabalhadores que no período laboral conseguiam viver como classe média modesta, depois de aposentados passam a viver como indigentes. Não por outra razão o Chile ostenta o mais alto índice de suicídios de idosos do mundo; é um verdadeiro genocídio geracional.

Não é difícil entender as causas desta barbárie:

[1] diferentemente dos militares e policiais, a população civil chilena não possui direito à proteção previdenciária; é obrigada a filiar-se a um fundo financeiro privado de capitalização individual;

[2] os trabalhadores são obrigados a aportar 10% do seu salário mensal para uma conta individual de poupança. Os empregadores e o Estado não contribuem com nenhum centavo, refletindo o caráter anti-solidário do sistema que impede a cobertura social adequada;

[3] os carabineiros [a Polícia Nacional], as outras forças policiais e os integrantes das Forças Armadas têm direitos previdenciários e são protegidos pelo sistema estatal de repartição solidária, ou seja, contam efetivamente com proteção assegurada pelo Estado na aposentadoria, na doença e na invalidez;

[4] o valor de 10% descontado dos trabalhadores, apesar de depositado em contas individuais, não é gerido pelas próprias organizações dos trabalhadores, da sociedade ou pelo Estado, mas por apenas 6 empresas financeiras, as AFPs [Administradoras de Fundos de Pensões, 5 delas transnacionais] que tem enorme poder político no país e cujos dirigentes alternam-se em altos cargos governamentais ou em cargos executivos e de direção nas empresas de capital aberto beneficiadas com aplicações das mesmas AFPs com dinheiro dos trabalhadores;

[5] a “comissão pelos depósitos das cotas” mensais, que corresponde à taxa de administração cobrada pelas AFPs, varia entre 0,47% e 1,57%, representando um sequestro direto do dinheiro de cada filiado do sistema;

[6] as AFPs administram 212,8 bilhões de dólares dos depósitos de 10.739.472 afiliados ao sistema de capitalização [aqui], cifra equivale a 76% do PIB do Chile;

[7] quando o regime de capitalização foi imposto, a propaganda da ditadura Pinochet mentia que a aposentadoria futura corresponderia a 70% da média dos salários do trabalhador na ativa, porém a reposição efetiva é de cerca de apenas 30% daquele valor;

[8] 79% dos 1.344.701 pensionistas recebem menos que o salário mínimo chileno [1.800 reais], e 44% vive abaixo da linha de pobreza, recebendo menos de 600 reais por mês.

Mesmo com as mudanças introduzidas pela presidente Bachelet em 2008 através do programa Pilar Solidário, os idosos chilenos vivem uma realidade desesperadora, e não têm outra escolha que não o caminho do suicídio.

Nos últimos anos, mais de 15 países abandonaram o regime de capitalização individual e retomaram regimes previdenciários solidários.

A PEC Guedes/Bolsonaro de capitalização, neste sentido, vai na contramão da tendência mundial. Para satisfazer os interesses do capital financeiro, eles cometem o grande erro – ou melhor dito, cometem um crime genocida – ao impor este experimento macabro e comprovadamente fracassado, que submete maiorias sociais à barbárie e ao extermínio.

Jeferson Miola
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Se fosse sério, Mourão cancelava a visita!

Tem mais espião da CIA do que espectadores no Wilson Center

Reprodução/Wilson Center
Como se sabe, o Wilson Center, em Washington tem uma frequência suspeitíssima: de espiões da CIA!

Foi essa suspeita instituição que sustentou o "Historialista" Elio Gaspari, quando deu os primeiros passos para escrever a fluvial obra que transformou Geisel e Golbery em Fundadores da Democracia brasileira!

(Depois, quando se soube que Geisel escolhia quem o Figueiredo tinha que matar, o "Historialista" não fez "autocrítica"...)

Esse suspeito Center recebe o que há de melhor entre os Golpistas canalhas, como o Presidente da "Justissa", onde é chamado de "Judge Murrow", e o Dr. Janot, que só prendeu o Eduardo Cunha depois que perdeu a serventia - derrubar a Dilma.

Agora, o CIA-Center vai receber o vice Mourão, na qualidade de "voz de razão e moderação, capaz de dar rumo a questões domésticas e externas"...

Ou seja, para o CIA-Center, Mourão deve assumir já!

Como diz sereno amigo navegante, analista de Golpes:

Em qualquer país do mundo, um convite para estar com o vice nesse teor levaria ao cancelamento da visita. Como podemos ver, vivemos em tempos inéditos, surpreendentes... Tempos de Bolsonaro, o Idiota.

Precisa desenhar?


Em tempo: o executive-director do CIA-Center compartilhou com o William Waack aquele momento glorioso da Globo, que resultou na demissão do Waack (mas não do executive-director...) - PHA

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Terra prometida


Batizado nas águas do rio Jordão pelas mãos de um picareta evangélico, Bozo vislumbrou em Israel, desde antes das eleições, um deserto de oportunidades.

Primeiro, uma ligação com os neopentecostais, no Brasil, que se apoiam numa interpretação histórica pedestre da tradição judaico-cristã para replicar interpretações ritualísticas de elementos do judaísmo. Uma forma tosca de se afastar dos rituais católicos.

Mas a jogada principal do Bozo foi a de agradar o filho mimado dos EUA, no Oriente Médio, e levar, de bônus, uma aproximação com um regime muito próximo do ideal de neonazismo que tanto agrada os dementes que o seguem nas redes sociais.

De quipá na cabeça e um sorriso de Chuck no rosto, Bozo foi recebido por Benjamin Netanyahu coberto da lama simbólica da corrupção, indiciado e sob o risco de ser preso, a qualquer momento.

Símbolos da nova era.

Leandro Fortes, Jornalista e integrante da Rede de Jornalistas pela Democracia
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Primeiro, a soja; agora, a carne: o desastre da diplomacia ideológica


Todo o discurso de Jair Bolsonaro é o de que ele vai mudar uma suposta “ideologização” do Estado: no ensino básico, nas universidades e na diplomacia.

E toda a prática de Jair Bolsonaro é a de levar ao paroxismo essa ideologização.

Na educação, o resultado foi uma tragicômica paralisia do MEC, palco de uma batalha entre o astrólogo Olavo de Carvalo e os militares,

Na diplomacia, o desastre ainda não é tão perceptível, mas é claramente anunciado.

Primeiro, tirando toda a autonomia do país em relação às suas transações comerciais com a China, ao nos colocar como caudatários dos interesses de Donald Trump, empenhado em resolver o quanto antes seus contenciosos comerciais com o país asiático.

Os Estados Unidos, nosso maior concorrente na exportação de soja para os chineses, agradecem, penhorados, o fato de, na prática, ficarmos reféns do que eles acertarem com a China, porque abrimos mão, sem nenhuma vantagem em troca, de políticas comerciais autônomas.

Agora, vem a desnecessária provocação aos árabes com a abertura de um inócuo escritório comercial em Jerusalém, que já provocou reações dos palestinos e provocará uma sucessão de outras.

Os países da Liga Árabe importaram, ano passado, US$ 11,5 bilhões do Brasil, contra uma importação de US$ 7,6 bilhões.

Para Israel, exportamos 36 vezes menos: US$ 321 milhões. E temos déficit, pois as importações de lá chegaram quase a US$ 1,2 bilhão.

Nada menos que metade das nossas exportações de frango e 20% das de carne bovina foram na categoria “halal”, onde os animais são abatidos segundo as tradições do islamismo, o que faz do Brasil o fornecedor de 51% do consumo de proteína animal no mundo árabe.

É evidente que não perderemos todo este mercado no curto prazo. Mas também é claro que os nossos competidores vão se estruturar para irem ocupando o que nos custou décadas para consolidar.

A Austrália, por exemplo, nossa competidora direta no mundo árabe, tem programas oficiais de incentivo e certificação de carnes halal, o mesmo acontecendo com a União Europeia. E não duvide que os chineses também coloquem isso como prioridade em seus investimentos na África.

Mas o Brasil, claro, está bem calçado nas análises de mercado de quente como o pastor Silas Malafaia, que desdenha, na BBC, as possibilidades de que a provocação aos árabes possa nos trazer prejuízos:

“Vão comprar de quem? Vão comprar onde? Vão retaliar o quê?”

Logo vamos descobrir.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A desorientação da oposição


O que o Brasil tem hoje é um presidente que não governa, um presidente que desorganiza o próprio governo, um presidente que estimula conflitos políticos e institucionais, um presidente que desune o país, um presidente que agride a consciência democrática e o Estado de Direito, um presidente que despreza a Constituição, um presidente que tece elogios a ditadores sanguinários, um presidente que desmoraliza o próprio cargo e perde autoridade, um presidente desmoralizado no plano internacional, um presidente que não tem um plano e nem um projeto de governo. Várias outras constatações acerca da conduta de Bolsonaro poderiam ser elencadas. Mas, em que pese tudo isto, é preciso ser franco e afirmar que a oposição está desorientada, mesmo com as várias brechas que a atuação desastrada do governo permite para uma oposição forte e consistente.

Ouve-se de muitos oposicionistas e articulistas dizerem que Bolsonaro estaria no fim de seus dias como presidente, mesmo que não haja nenhuma evidência disto. Admita-se, por hipótese, que essas afirmações estejam corretas. Mesmo assim, pouco ou nada acrescentariam à oposição, pois se Bolsonaro caísse seria pela sua incompetência e não por um movimento de massas, não através da ação da oposição democrática. Então, ao propalar esta tese, o que oposicionistas e articulistas estão fazendo é propalar uma ilusão enquanto se espera a queda de um presidente desastrado. É aquela velha história aventureira: quer-se apanhar o fruto sem plantar a árvore.

O fato é que as oposições vêm sendo pautadas pelos posts e pelas declarações de Bolsonaro, pelos seus ministros desastrados, pelos conflitos internos do governo e pelo embate ideológico proposto pelos bolsonaristas. Não que os desatinos de Bolsonaro e dos governistas não devam ser combatidos. Mas esta deve ser uma subpauta das oposições. As oposições deve ter a sua própria pauta vinculada aos problemas reais da sociedade. Em política, operar apenas na defensiva resulta em colher derrotas.

Na semana passada houve um encontro de líderes oposicionistas em Brasília visando buscar uma atuação unificada. O encontro em si é alvissareiro. Mas as diretrizes que saíram do encontro são precárias. O primeiro ponto da nota assinada pelos líderes oposicionistas é mais ou menos óbvio: combater a Reforma da Previdência que quer impor o regime de capitalização e tirar direitos dos mais pobres. Já, o segundo ponto, prima pela confusão: “Do mesmo modo, convidamos para a defesa da soberania nacional”, acrescentando que por trás do discurso nacionalista de Bolsonaro há atitudes antinacionais, o que é verdade. Mas, “convidamos” quem? Ir para onde e fazer o que? Qual a tática? Uma diretriz tão vaga e desprovida de senso prático como essa não pode ser levada a sério. Os militantes e ativistas precisam de orientações concretas, com formas de luta objetivas, com líderes e partidos ativos no exercício de seu papel dirigente.

O terceiro e último ponto chama a atenção para a decisão de Bolsonaro de comemorar o golpe de 1964 e define como centralidade da luta a defesa da democracia, contra a criminalização dos movimentos sociais e dos mais pobres. Aqui também, a orientação fica no declaratório. No epílogo, a nota pede tratamento isonômico para Lula e a sua liberdade porque a sentença ainda não transitou em julgado. A nota deveria ter dito que Lula está condenado sem crime e sem prova e que a sua prisão é política.

Por onde quer que se queira olhar esta nota, no seu conjunto, ela é vaga e frouxa e não orienta as ações das oposições e das esquerdas. As oposições estão passando ao largo dos principais problemas do país que são os mais de 13 milhões de desempregados, o aumento da estrema pobreza e da miséria, a volta da fome, e as tragédias da saúde, da educação, da habitação e da violência. Chega a ser espantosa a pouca incidência que os partidos progressistas tiveram acerca da tragédia de Brumadinho – um crime brutal e coletivo praticado pelos executivos da Vale.

Quem transita pelas periferias ou tem contato com pessoas que vivem nas periferias sabe da trágica decomposição social em que elas se encontram. Não existe renda e emprego. As pessoas vivem de escambo. Trocam serviços, não por dinheiro, mas por comida. Muitos prestam serviços a pessoas das classes médias e sofrem calotes porque as classes médias também se empobreceram. Há um crescimento exponencial do uso de drogas, de tráfico e de prostituição. Há o crescimento da violência interpessoal e, principalmente, da violência doméstica, na qual, mulheres e crianças são as maiores vítimas. Há crescimento de abandono do lar pelos pais/companheiros/maridos. Crescem o número de pessoas que vivem nas ruas e aumenta o número de camelôs, de trabalhadores informais. Não é que as pessoas não têm acesso ao atendimento hospitalar. As pessoas sequer estão tendo acesso a médicos. A tragédia social se avoluma e se agiganta e as oposições e os sindicatos não têm estratégias ou táticas para enfrentar esses problemas. A grande maioria dos pobres estão abandonados à sua própria sorte. Não são muitas as pessoas das periferias que são tangenciadas o articuladas por movimentos sociais organizados.

As oposições, claro, devem travar a luta superestrutural, institucional. Mas, acima de tudo, precisam ter uma pauta para o povo desesperado, para o Brasil abandonado. É verdade que existem movimentos combativos como o MTST e o MST. Mas isto é pouco para o tamanho do desastre social em que o Brasil está mergulhado. Isto é pouco para o crescimento da fome, da miséria e do desemprego. Os partidos políticos têm a responsabilidade principal de colocar a luta em movimento para buscar saídas ante o agravamento da crise social. O fato é que sem lideranças e partidos fortes e competentes deteriora-se a qualidade geral da política e as perspectivas de um país.

As oposições não podem mais ficar apenas na conclamação à “resistência aos retrocessos”, pois os retrocessos, principalmente os retrocessos sociais e de direitos, já estão dados. Os retrocessos são brutais, pois geraram multidões, milhões de pessoas que não têm esperanças, que não tem destinos e que não são capazes de se dar um destino. Milhões de pessoas estão sendo tragadas pela desgraça social e pela falta de acesso a uma dignidade humana básica.

O bônus das expectativas positivas em relação ao novo governo evapora rapidamente. Caem as expectativas positivas do comércio e da indústria, assim como a intenção de consumo das famílias, pois, passado o primeiro mento de euforia com o novo governo, a sociedade começa a perceber a agudeza da crise em toda a sua gravidade.

Se as oposições não agirem agora poderão perder o momento, como o perderam várias vezes em 2015 e 2016 e como o perderam em relação a uma campanha popular em defesa de Lula. Se as oposições perderam o momento outras forças poderão aproveitá-lo caso o governo não consiga governar ou Bolsonaro se recuse a governar, agravando a crise. No caso da hipótese do governo se recuperar, as oposições progressistas, se não agirem agora, terão perdido a chance de agregar força e organizar a sociedade e os movimentos sociais.

A longa crise brasileira tem vários momentos críticos em seu interior. Ao que parece, a conjuntura está entrando em um novo momento crítico que exige soluções, mesmo que parciais. Os militares que estão no governo já perceberam esta situação e começam a operar para superar este momento em favor do governo. As oposições precisam despertar para esta situação. Precisam dizer qual a estratégia, quais as táticas, qual a pauta, quais as lutas e quais os meios para enfrentar esta crise. É preciso sair da ação meramente reativa ao que o governo faz  e da oposição declaratória e ter capacidade para passar para uma tática ofensiva.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP)
No GGN
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1964 já era. O problema é 2019


É curioso, não fosse cômico. A mídia gorda e a alternativa se juntam numa condenação retórica às "comemorações" ao golpe militar de 1964. Hoje todos parecem unidos. O Gobo, a Folha, o Estadão, TVs e portais ecoam as denúncias contra as atrocidades cometidas naquele período. "Somos todos contra aquela época de trevas". Viva o Brasil.

Hipocrisia pura.

A ditadura só se manteve no poder porque contou com o apoio da parte rechonchuda desta gente. Foram precisos anos e anos para que, de repente, o pessoal do dinheiro graúdo percebesse que não pegava bem defender um regime de brutalidades, torturas, assassinatos e liquidação das liberdades fundamentais. Depois que o serviço foi feito, à custa da vida de democratas como Rubens Paiva, Vladimir Herzog, Carlos Marighella e centenas de outros, é muito fácil demonstrar ojeriza. Afinal, o cofre já está cheio.

Articulistas vivem da escrita. São indispensáveis nesta época em que a guerra da comunicação pode ser decisiva, mas precisam de assunto para ganhar a vida. Muitas vezes erram feio o alvo.

A parafernália de artigos sobre a decisão de Bolsonaro de comemorar uma quartelada infame é um exemplo. Não poderia se esperar outra coisa de um militar medíocre enriquecido à base da propaganda do armamento, do estupro, de milicianos, de torturas, de eliminação de pobres, de liquidação da democracia e da soberania nacional. Justiça seja feita, está fazendo o que prometeu.

A dita oposição cai na armadilha por opção, inocência ou indolência – ou tudo junto. Festeja decisões de juízes que não fazem qualquer efeito porque as tais comemorações funestas já haviam ocorrido em quartéis.

Vamos falar sério. Pergunte ao porteiro, ao balconista, ao taxista, ao desempregado, ao trabalhador e a tantos outros o que significa bozonaro (com z mesmo) festejar 31 de março de 1964. Nada será a resposta.

Agora experimente conversar sobre o fim de direitos no emprego, o adeus à aposentadoria, a destruição do Minha Casa, Minha Vida, o encolhimento do Bolsa Família, o congelamento do salário mínimo. O resultado é óbvio. Horas de conversa e interesse. Basta comparar a meia-dúzia que se mobilizou para protestar contra o édito do Bozo sobre o "aniversário" do golpe genocida.

Sinto-me muito à vontade para falar sobre tudo isso, como alguém que viveu aqueles tempos tenebrosos do regime militar. E, modestamente, participou diuturnamente do combate que derrubou o império do terror. Naquela época, o assunto principal não era como protestar contra efemérides infames. Mas sim como abreviar sua reincidência.

Isso é o que falta hoje. A dita oposição gasta muita saliva em discursos sobre o passado, mas pouco faz para evitar sua repetição.

Ricardo Melo é jornalista, presidiu a EBC e integra o Jornalistas pela Democracia
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Lula diz que Heleno tem razão: ele não pode ser comparado a Bolsonaro


A assessoria do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou o vídeo do discurso que ele fez no Knesset, o Parlamento de Israel, quando visitou o país em 2010 na condição de presidente da República. Diferentemente de Bolsonaro, visitou também os territórios da Palestina. Diferentemente de Bolsonaro, defendeu a paz e a soberania de Israel e da Palestina. Por isso, no post, o time de Lula afirmou: "O General Heleno tem razão. Não tem comparação entre Lula e Bolsonaro". No discurso, Lula defendeu um aumento do comércio entre Brasil e Israel -o vídeo desmonta por completo a versão falsa do bolsonarismo segundo a qual os governos do PT teriam alimentado antagonismo com Israel. Lula defendeu a paz. 

Leia o post da equipe de Lula e, a seguir, assista à integra do discurso: 

"O General Heleno tem razão. Não tem comparação entre Lula e Bolsonaro. Lula, um democrata, foi o primeiro presidente brasileiro a visitar Israel, e visitou também os territórios palestinos em 2010. No parlamento israelense defendeu a paz e a soberania tanto do estado de Israel e da Palestina. Respeitou os dois lados. Lembrou que judeus e árabes vivem no Brasil em paz. Foi aplaudido de pé."

No texto, a equipe de Lula referia-se à declaração de Heleno, que ficou irritado quando jornalistas questionaram em Israel porque Jair Bolsonaro não seguiu o exemplo do ex-presidente Lula, que também visitou o lado palestino.

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Bolsonaro comete crime de responsabilidade ao defender ditadura


Opinião é da procuradora regional da República Eugênia Gonzaga, que diz que a própria Constituição de 1988 reconhece os fatos do ano de 1964 como um golpe

A procuradora regional da República e presidenta da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, Eugênia Gonzaga, não tem dúvida: Bolsonaro comete crime de responsabilidade e improbidade administrativa ao mandar os quartéis celebrarem a data de 31 de março, que marca o início da ditadura civil-militar (1964-1985) e os 55 anos da destituição do então presidente João Goulart.

“A gravidade disso é muito grande, porque não estamos falando de uma coisa em que há dúvida jurídica sobre a legalidade. A própria Constituição de 1988 admitiu que 1964 foi um golpe, e se não quiser usar esse termo pode usar ‘quebra da legalidade’, porque havia um presidente eleito e sem razões para ele ser derrubado. Uma derrubada que não seguiu nenhum processo, as forças contrárias simplesmente assumiram o poder”, afirma Eugênia Gonzaga, em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, da Rádio Brasil Atual.

Em contraposição ao discurso de Bolsonaro, a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos e o grupo Tortura Nunca Mais promovem neste domingo (31) a “1ª Caminhada do Silêncio”, em homenagem às vítimas da ditadura e também às vítimas da violência cotidiana causada pelo Estado brasileiro. O ato aconteceu na Praça da Paz, no parque Ibirapuera, e seguiu em caminhada até o Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos, localizado próximo ao portão 10 do parque.

Segundo Eugênia Gonzaga, a proposta da caminhada surgiu com o grupo Tortura Nunca Mais, da Bahia, e já havia sido bem recebida por parentes de mortos e desaparecidos políticos e militantes em direitos humanos antes mesmo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) recomendar as Forças Armadas a comemorarem a data do golpe de 1964. Após as recentes declarações do presidente, o ato ganhou força.

Essa semana, o comandante do Exército, general Edson Leal Pujo, disse à imprensa que as Forças Armadas não se arrependem do golpe de 1964. Para Eugênia Gonzaga, os militares até hoje justificam a destituição de João Goulart em razão de terem supostamente salvado o país do “perigo comunista”.

“A gente sabe muito bem que esse ‘perigo vermelho’ foi superestimado”, pondera a presidenta da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos. Assim como outros países, diz Eugênia, o governo de João Goulart apenas tentava promover reformas sociais, inclusive previstas na Constituição em vigor à época, que era a de 1946.

Com a eleição de Bolsonaro – defensor da tese de que o regime que durante 21 anos matou, perseguiu e desapareceu com seus opositores não foi uma ditadura –, membros das Forças Armadas da ativa e da reserva têm se sentido mais à vontade para negar o golpe e suas consequências. Uma narrativa que, às vezes, procura fazer crer que os problemas do regime começou apenas depois do Ato Institucional nº 5 (o AI-5), em dezembro de 1968, que fechou o Congresso e decretou a censura da imprensa.

Para Eugênia Gonzaga, nem mesmo esse discurso se sustenta. Como exemplo, a procuradora lembra o assassinato do estudante Edson Luís de Lima Souto, em março de 1968, antes da promulgação do AI-5. Com apenas 18 anos, Edson foi morto com um tiro no peito disparado por um policial militar que invadiu o Restaurante Central dos Estudantes, conhecido como Calabouço, no Rio de Janeiro, onde estudantes faziam uma manifestação exigindo melhorias na estrutura do restaurante.

“A morte do Edson prova que não existe essa história de que a ditadura recrudesceu apenas depois do AI-5. Ela já adotava uma postura extremamente violenta em relação a estudantes, a pessoas jovens sem armas, sem grau de periculosidade diante dos agentes do Estado”, afirma a procuradora.

Ouça a entrevista na íntegra



Luciano Velleda
No RBA
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