24 de mar de 2019

Como Jair Bolsonaro faturou R$ 4,2 milhões em salários extras e auxílio-moradia


Hoje defensor do corte de privilégios no serviço público, o presidente Jair Bolsonaro aproveitou muito as regalias de deputado federal. Entre 1995 e 2018, recebeu R$ 1,8 milhão em salários extras, oficialmente chamados de ‘ajudas de custo’, e mais R$ 2,4 milhões em auxílio-moradia. Um total de R$ 4,2 milhões em valores atualizados pela inflação. Bolsonaro chegou a receber seis ajudas de custo em 1996 e em 1997, sem contar o 13º salário. Em 24 anos, recebeu 62 salários extras.

O levantamento foi feito pela Câmara dos Deputados, a pedido do blog, por meio da Lei de Acesso à Informação. Bolsonaro ainda  gastou R$ 4 milhões (valor corrigido) nos últimos dez anos com despesas como divulgação do mandato, passagens aéreas, locação de veículos, impressão de informativos, serviços postais, segundo pesquisa feita pelo blog mês a mês.

As ajudas de custo são regulamentadas por decretos legislativos aprovados pela Câmara e Senado, sem passar por sansão presidencial. O Decreto Legislativo 7/1995 previa o pagamento do benefício no início e no final da sessão legislativa ordinária (anual) e também das sessões extraordinárias. Ou seja, para comparecer às convocações extraordinárias do Congresso Nacional, durante apenas um mês – ou menos –, em janeiro ou julho, os deputados e senadores recebiam dois salários extras.

A ajuda de custo deveria cobrir despesas com transporte e outras “imprescindíveis ao comparecimento à sessão”. Mas os deputados já recebiam quatro passagens áreas por mês para se deslocar aos seus estados.

Em 1996 e 1997, o Congresso foi convocado em janeiro e julho para votar a reforma da Previdência e outros temas urgentes como as reformas administrativa e tributária. Cada convocação extraordinária rendeu duas ajudas de custo – quatro por ano. Naqueles dois anos, Bolsonaro e os demais deputados receberam cerca de R$ 190 mil em salários extras, em valores atualizados. Entre 1998 e 2004, com a redução do número de convocações extraordinárias, os pagamentos extras caíram para uma média de R$ 100 mil por ano.

(…)

Lúcio Vaz
Do Gazeta do Povo
No DCM
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Cúpula do PCC volta a se encontrar em Brasília após sete anos de isolamento


Depois de sete anos de isolamento, a sintonia final geral ou a cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital), como é chamado o grupo que comanda a facção, volta a se encontrar, dessa vez na Penitenciária Federal de Brasília. O reencontro de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, Roberto Soriano, o Tiriça, e Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, na mesma prisão já preocupa as autoridades do Distrito Federal.

O governador Ibaneis Rocha criticou a transferência do líder máximo do PCC para a capital federal, realizada na última sexta-feira (22/03). “Isso é um absurdo, um erro. A presença dos líderes do PCC em Brasília vai atrair outros criminosos dessa facção para aterrorizar o Distrito Federal”, reagiu o governador. O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do DF, Délio Lins e Silva, disse que o presídio federal “trará vários Marcolas para Brasília”.

Segundo organograma feito pelo MP (Ministério Público) do Estado de São Paulo, o nome de Marcola aparece no topo da organização, seguido por Tiriça e Vida Loka. A sintonia final geral do PCC era composta por oito presos. Três deles, Rogério Geremias de Simone, o Gegê do Mangue, Fabiano Alves de Souza, o Paca, e Edilson Borges Nogueira, o Birosca, foram assassinados.

Os outros dois são Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, e Daniel Vinícius Canônico, o Cego, transferidos no mês passado para a Penitenciária Federal de Mossoró – onde permanecem reclusos, diferentemente do que aconteceu com os demais nesta semana.

Outros três nomes de peso na hierarquia do PCC também estão cumprindo pena na Penitenciária Federal de Brasília. Um deles é Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, condenado a mais de 800 anos; o outro é Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, irmão de Marcola, e o terceiro é Cláudio Barbará da Silva, o Barbará.

Investigações do Gaeco de Presidente Prudente apontam que Marcola, Tiriça e Vida Loka, ao lado de Gegê, tomavam em conjunto as decisões do PCC quando estavam presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. A retirada da cúpula de São Paulo gerou apreensão dentro do sistema prisional paulista, mas, até o momento, não aconteceu nenhuma reação por parte do grupo criminoso.

Parte da sintonia final, como Gegê do Mangue, Paca e Birosca, está morta
Foto: Reprodução
Em novembro de 2012, com a remoção de Tiriça para a Penitenciária Federal de Porto Velho, teve início a separação da sintonia final geral do PCC. A transferência se deu pois Tiriça é apontado como mandante de ataques ocorridos no mesmo ano contra policiais de São Paulo.  Em junho de 2016, a Justiça de São Paulo também autorizou a remoção de Vida Loka para um presídio federal. A motivação seria motins em presídios do Vale do Paraíba.

A separação da sintonia final geral do PCC e a remoção dos homens da cúpula da facção para presídios federais não impediram a liderança do grupo de continuar agindo. Roberto Soriano foi indiciado sob a acusação de ter ordenado, de dentro da prisão, assassinatos de agentes federais. Abel Pacheco de Andrade é acusado de planejar ataques a bombas contra prédios públicos e contra as forças de segurança.

Hoje, o principal nome do PCC nas ruas é Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, responsável por comandar o tráfico de drogas da Bolívia e Colômbia para o Brasil – posteriormente, a droga é enviada à Europa. Segundo o MP paulista, Fuminho está escondido em um desses dois países, de onde dá as ordens. Apesar desta atuação, seu nome não aparece em listas de procurados pelas polícias, seja do Brasil ou da Europa.

O medo das autoridades de Brasília é que a sintonia final geral, agora recolhida na mesma prisão federal, possa ser alvo de uma violenta ação de resgate. O Depen (Departamento Penitenciário Nacional) sustenta que os líderes de facções são sempre transferidos de uma prisão federal para outra, numa espécie de rodízio e em período curto, justamente para não criar vínculo.

No Ponte
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Polícia do Rio é a mais corrupta e letal!

Dias na Carta: políticos e povo são coniventes!


Da Rosa dos Ventos de Mauricio Dias, na edição de 27/III da Carta Capital:

Indignidades policiais

Épossível aplaudir nestes momentos, ainda que com cautela, o desempenho das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, as quais, após um ano – um ano! –, prenderam os acusados de matar a vereadora Marielle Franco e seu motorista? Fantástica demora, sem fechar o caso.

Presos dois policiais militares aposentados, mas é preciso encontrar o mandante ou os mandantes do crime. São, porém, os PM os que mais se prestam a tais serviços sujos. Como se dá agora. São eles os que mais matam, trata-se da força mais corrupta e mais letal do País.

O sangue derramado no Rio pela perseguição policial infelizmente jorra forte em todos os estados. Em 2018, mais de 5 mil pessoas foram mortas por policiais. À terra carioca a indiscutível primazia: acima de 1,2 mil.

Um relatório produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública confirma inexoravelmente tanto a violência policial no Rio de Janeiro quanto a corrupção. Será porque o agente carioca ganha menos que seu par de outros estados? Oficialmente, é possível. Não é, porém, apenas por esta razão. Foi ao longo da história que os cidadãos e os policiais aliaram-se à polícia. Daí nasceu a cumplicidade.

Agora todos pagam o preço.

Uma cena corriqueira vê fardados a filar boia nos restaurantes, mesmo os mais estrelados. Comem, pedem um palito ao garçom e saem agradecidos. O único constrangimento é do freguês.

Exemplo, só aparentemente miúdo. Esses péssimos hábitos ocorrem também por conta do comandante do quartel. Libera os comandados, se não todos alguns deles, devidamente autorizados, a botar gasolina de graça nos carros oficiais no posto da esquina.

Está claro que o problema maior foi gerado pela chegada das drogas. O dinheiro rolou e se fixou. Os governantes apelaram para o Exército. Houve resistência, temiam a contaminação dos soldados pelo exército de traficantes.

Nada mais exemplar do que a recente incursão oficial no Rio. Nos meses que passaram na cidade, praticamente, tudo ficou na mesma, quando não piorou. Visitaram as favelas do Alemão, da Penha e da Maré. Na verdade, foram cinco dias de operação sem sucesso, até que as “férias” chegaram ao fim.

Nestas ocasiões, cresce sorrateiramente a aproximação entre soldados e traficantes, enquanto a guerra produz as suas vítimas.
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Presidente não demonstra capacidade de articulação, diz Sérgio Abranches

Para o cientista político "não faz sentido" Rodrigo Maia ser articulador político de qualquer agenda do governo

Sérgio Abranches
Passados quase três meses desde sua posse, o presidente Jair Bolsonaro não mostra forças para fazer uma “aglutinação” no Congresso, agravando a tensão entre Executivo e Legislativo, avalia o cientista político Sérgio Abranches.

“Existe uma percepção de que coalizão é igual corrupção. Não é. O que está posto agora é ver como formar uma nova coalizão. Isso implica um projeto de governo bem articulado, um presidente que assuma a liderança disso e que queira formar maioria em torno de ideias que unam e não desunam”, disse.

Autor do termo “presidencialismo de coalizão” nos anos 1980, Abranches afirma que “não faz sentido” o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ser articulador político de qualquer agenda do governo.

“Quem tem de fazer articulação é o presidente e suas lideranças, e elas não estão dando demonstração de ter capacidade para essa articulação.”

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Como o sr. vê o cenário político?

A eleição de 2018 encerrou o primeiro ciclo do presidencialismo de coalizão, que organizou governo e oposição de 1994 a 2014. Em 2018, houve a substituição de um sistema partidário por outro, um realinhamento. Todos perderam com a eleição de 2018, com exceção do PSL.

Esse ciclo caracterizado pelo duopólio na disputa pela presidência entre PT e PSDB, que também organizava tanto governo quanto oposição, começou a dar problema em 2014, teve o auge da crise com o impeachment em 2016 e se confirmou em 2018 quando esse sistema que estava em exaustão se encerrou.

O que vemos agora são os resultados disso.

Quais as consequências disso?

Do ponto de vista de organização de governo no Congresso, uma das principais dificuldades é a pulverização. Em 2002, as cinco maiores bancadas representavam 67% do Congresso.

Em 2018, os cinco maiores partidos têm 41% das cadeiras. O maior partido é de oposição, o PT, vivendo uma crise interna, e o segundo é o PSL, um partido invertebrado, que tem dado demonstrações de que não tem capacidade de ser pivô de uma coalizão em torno da qual os outros se aglutinam.

Por que falta essa capacidade ao PSL?

Desde o início, Bolsonaro disse que não ia fazer coalizão e não fez o menor esforço para montar maioria no Congresso. Segundo, porque o partido não tem vertebração, ainda precisa se demonstrar como uma organização partidária com ideias.

Em terceiro, porque a liderança do Bolsonaro não é suficientemente forte para fazer uma aglutinação no Congresso. Nenhum dos requisitos de estabilidade de governabilidade está amparado: um presidente minoritário, um partido inorgânico, a falta de uma coalizão articulada, relações tensas entre Poderes.

Como sair do impasse?

Existe uma percepção de que coalizão é igual corrupção. Não é. O que está posto agora é ver como formar uma nova coalizão. Isso implica um projeto de governo bem articulado, um presidente que assuma a liderança disso e que queira formar maioria em torno de ideias que unam e não desunam.

A crise política tem a ver com o fato que o primeiro ciclo se esgotou e não houve nenhum esforço por parte da liderança vitoriosa de levar adiante um novo ciclo, de estabelecer novas bases para o relacionamento entre Legislativo e Executivo.

Como a prisão do ex-presidente Temer impacta esse contexto?

Ela acontece num momento de acirramento do conflito entre o Legislativo e um clima de tensão dentro do MPF, do STF e de juízes de primeira instância. Vejo que a magnitude política da prisão de Temer se torna mais um ingrediente da crise política.

Dá mais munição para os partidos, sobretudo o MDB, fazerem pressão no Congresso, para criar mais impasses e obter mais concessões do Executivo. O MDB, que hoje tem 34 eleitos, pode fazer muita pressão, exatamente por não haver nenhum partido grande e pelo PSL não ter força nem experiência.

Todo mundo perdeu poder e o próprio presidente, ao não ser capaz de exercer uma liderança unificadora e perdendo popularidade, também fica sem espaço para dar solução a essa pulverização do poder.

Os três Poderes estão dominados por um processo conflituoso que tem a ver com questões políticas fundamentais associadas a essa maneira pela qual se esgotou esse ciclo.

O que a perda de popularidade representa para o governo?

Quanto menor a popularidade, menos capacidade tem de atrair apoio no Congresso. O que atrai é popularidade, carisma. Bolsonaro foi eleito por um conjunto muito heterogêneo de eleitores.

É difícil atender expectativas tão diferentes. Até agora, não atendeu nenhuma delas, a não ser a questão das armas (facilitou a posse), que é controvertida.

Como fica, por exemplo, o projeto da reforma da Previdência?

Vai sofrer muito mais por conta da perda de popularidade. Se não surgir uma forma nova de ativar as decisões no Congresso, acho que a reforma terá muita dificuldade.

Não faz sentido o presidente da Câmara ser articulador político de qualquer agenda do governo, mesmo que seja do interesse dele. Quem tem de fazer articulação é o presidente e suas lideranças, e elas não estão dando demonstração de ter capacidade para essa articulação. Então, acredito que essa reforma está no limbo, à deriva.
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Os agro-otários: vejam o documento da CIA sobre a soja brasileira


Paula Sperb publica na Folha que, ao menos desde 1973,  “a soja brasileira é encarada pelos Estados Unidos como uma ‘ameaça’ às exportações americanas há pelo menos 46 anos“, com base em documento da CIA recentemente desclassificado.

Fui atrás e o documento está disponível, na internet, para ser acessado por quem quiser.

Diz, claramente, que o nosso país se tornaria o principal concorrente dos norte-americanos – e com vantagens imensas – no mercado mundial deste grão, exatamente como é hoje. E que o mercado chinês seria decisivo nesta disputa.

No entanto, a cultura dos plantadores de soja brasileiros sempre foi de demonizar os chineses, seus compradores, e de idolatrar os norte-americanos, seus concorrentes.

Vendem em mandarim e falam em inglês, claro que esticando os erres, orrraite?

Poderiam usar a língua para ler o documento da CIA, no original, e verão que a cultura da soja só se tornou um sucesso por conta do Estado brasileiro: investimento da Embrapa em cultivares adequados, subsídios, logística…

Os arapongas americanos estavam certos: o Brasil acaba de tomar a posição dos EUA de maior produtor de soja do mundo e é o maior exportador do grão. graças aos “malditos” chineses:

O Brasil já é o maior exportador de soja do mundo, graças ao apetite chinês. Na safra 2018/19, os chineses deverão importar 103 milhões de toneladas de soja e os brasileiros vão exportar 72 milhões.

Agora, porém, batem palmas para um energúmeno que vai até mesmo à própria CIA bajular um governo que está na iminência de fechar um acordo comercial com a China onde a principal prioridade norte-americana é garantir preferência de importação da soja norte-americana em detrimento da brasileira.

Realmente merecem o bobalhão que elegeram.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Jânio Quadros e a desconstrução do sistema político brasileiro


Jânio Quadros foi o primeiro político brasileiro do pós guerra a basear sua carreira no combate à corrupção e ao sistema politico tradicional.

O Brasil da segunda metade dos anos 40, quando Jânio se iniciou na política, vivia uma grande ressaca democrática do fim do Estado Novo e início da República de 1946, com novos partidos e novos políticos, mas a base do sistema tinha suas raízes na República Velha, reciclada pela Revolução de 30.

Nomes e famílias da Primeira República atravessaram os anos varguistas e chegaram a 1946 com surpreendente vigor, como o Deputado Artur Bernardes, eleito em 1946 para a Câmara dos Deputados e que já tinha sido Presidente da Republica de 1922 a 1926.

Nomes tradicionais de antes e durante a Era Vargas reaparecem por si ou seus descendentes como congressistas, governadores e prefeitos, de Norte a Sul do País, com nomes tradicionais agora na fase democrática, como Flores da Cunha, Benedito Valadares, Negrão de Lima, os Andrada, Adhemar de Barros, os Ramos e Bornhausen, os Távora, os Ludovico e Caiado.

Os códigos da politica tradicional foram mantidos, o sistema estava de pé após reformas e reconstruções, os compromissos e as regras de conduta e de negociação se mantiveram, a antiguidade contava como valor, a lealdade era necessidade absoluta, o Congresso a partir de 1946 tinha um bom nível de qualidade, grandes nomes, bons oradores, uma elite intelectual, escritores importantes, juristas, era um sistema político bem azeitado.

Jânio Quadros, um anti sistema, colocou tudo a perder. Sua renúncia se deveu a incapacidade de se integrar ao sistema politico sentado no Congresso, Jânio não conseguia dialogar com os partidos a nível nacional. Sua experiência anterior de Prefeito e Governador deu certo porque era muito mais simples operar em legislativos locais homogêneos e menores, mas a nível federal o jogo era outro e Jânio não sabia e não queria jogar.

A RENÚNCIA DE JÂNIO QUEBRA O SISTEMA

A renúncia de Jânio em 1961 desarranja o sistema, porque o Vice que assumiu não tinha a capacidade de liderar o poder e desde o início ficou na dependência de forças fora do sistema político para governar, dependia dos militares, dos sindicatos e do empresariado.

Pela falta de um claro centro de poder, o País entrou em crises sucessivas de governabilidade que desembocaram no regime militar de 31 de março de 1964.

Pode-se dizer que Jânio, por sua renúncia, desarrumou o sistema que entrou em crise e não mais encontrou um claro eixo de sistema politico, evidentemente considerando o período militar como um intervalo com um poder fora do sistema democrático anterior e posterior.

O CENTRO DO PODER PÓS 64

Um centro de poder exige uma liderança clara, indiscutível. Tancredo teria sido essa liderança, Itamar Franco foi um centro de poder, FHC idem, Lula foi um centro de poder que colocou tudo a perder ao sacrificar José Dirceu e indicar Dilma, que não soube liderar o sistema, que se desfez nos seus mandatos para não mais se reconstituir, hoje o Congresso brasileiro é de baixa qualidade, não atende aos desafios do País, é dispersivo e desfuncional.

Um centro de poder exige um líder aceito por todas as correntes políticas, mesmo as adversárias, respeitado por suas convicções e estatura.

Jânio foi um ótimo Prefeito e Governador, mas não tinha envergadura para ser Presidente, faltava-lhe tolerância e paciência para lidar com todas as correntes políticas, perseguia adversários com inquéritos e prisões, algo incompatível com uma liderança aceita por todos.

O Brasil exige lideres de dimensão nacional, acima de ideologias e regionalismos, com visão de Estado e de País, o que não é coisa fácil.

André Motta Araújo
No GGN
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Governo visa formar ignorantes para ampliar sua base de apoio


O governo quer radicalizar um modelo de educação utilitarista que já vem sendo feito, mas desta vez com uma dedicação maior à ignorância. Por quê? Porque quanto mais prisioneiros da necessidade existir, indivíduos que reduzem o pensar à realidade imediata, o governo pode sustentar o “fanatismo delirante” que criou sua base eleitoral

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.


O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.


Bertolt Brecht


Ignorantes são aqueles que não procuram a sabedoria “porque acreditam que a possuem”. O “verdadeiro filósofo, amante da sabedoria, procura aproximar-se dela perseguindo-a durante toda sua vida”, diz o professor Nuccio Ordine.[1]

Nas últimas eleições, a maioria dos que votaram preferiram a ignorância à sabedoria. Sim, porque o presidente eleito não visa cancelar a política de corte nos investimentos em educação e ainda prioriza a educação técnica. Por isso a luta contra os intelectuais, professores e cientistas.

Vale aqui citar um discurso de Victor Hugo na Assembleia Constituinte de 10 de novembro de 1848, quando o governo havia proposto o corte de investimentos em educação e em cultura de um modo geral: “Qual é o perigo da situação atual? A ignorância. A ignorância, muito mais que a miséria… É num momento semelhante, diante de um perigo como esse, que se pensa em atacar, em mutilar, em sucatear todas essas instituições que têm como objetivo específico perseguir, combater e destruir a ignorância!”.

Candidatos aguardam abertura do portões do UniCEUB para o primeiro dia de provas do Enem 2018
O governo quer radicalizar um modelo de educação utilitarista que já vem sendo feito, mas desta vez com uma dedicação maior à ignorância. Por quê? Porque quanto mais prisioneiros da necessidade existir, indivíduos que reduzem o pensar à realidade imediata, o governo pode sustentar o “fanatismo delirante” que criou sua base eleitoral.

O escritor Eugène Ionesco chamou de “rinoceronites” a doença que acometeu um vilarejo da França em seu romance Os rinocerontes. As pessoas viviam ocupadas, ansiosas, voltadas para funções práticas menosprezando tudo que fosse artístico, filosófico etc. Pois, desta maneira, “ao chamado de um doido ou demônio qualquer, podem se deixar levar por fanatismo delirante”.

Assim o pior inimigo do governo atual não é apenas a Lei Rouanet, mas qualquer espécie de incentivo cultural. Para ele, arte, livros e museus não são úteis, todavia, a ignorância sim. Para eles o Brasil não precisa de livros, música ou teatros, mas de ignorância, trabalhadores manuais que não pensem.

“Não, seus imbecis, não, seus cretinos e papudos, um livro não faz uma macarronada; um romance não é um par de botas sem costuras; um soneto não é um jorro em fluxo contínuo…”, afirma Théophile Gautier criticando o utilitarismo da modernidade. No fim o escritor destaca que o belo é visto como inútil para estes seres humanos que a modernidade vomitou e lembra que o “lugar mais útil de uma casa é a latrina”.

Foi a inutilidade que promoveu o progresso científico. Maxwell, Hertz, Newton, Einstein e outros cientistas, quando desenvolveram suas descobertas, não faziam ideia da utilidade prática. Ramanujan tinha apenas o desejo de resolver problemas puramente matemáticos sem nenhuma aplicação no mundo real.

O modelo educacional que se quer colocar em prática, de pouco investimento e apenas técnico, tem o objetivo de produzir trabalhadores alienados em um momento em que se busca retirar direitos. Além disso, cria-se trabalhadores desinteressados nos efeitos sociais do que produzem impedindo que uma força contrária à industrialização tóxica, ao desmatamento e à destruição de comunidades em nome do lucro, ganhe musculatura. O pensamento crítico deve ficar apenas para os filósofos e intelectuais, jamais podendo alcançar os trabalhadores. O maior medo do governo é ver o pensamento sair dos muros da universidade.

O presidente está preocupado com a erotização da educação e com a ideologia de esquerda nas universidades – preocupações inventadas para legitimar a diminuição dos investimentos em pesquisas além de planejar a exclusão da classe trabalhadora à reflexão sólida, corroendo o interesse do brasileiro pelo ensino superior que vinha aumentando nos últimos anos. A educação deve pertencer a uma pequena ilha de letrados, ou a uma pequena elite intelectual, como disse o ministro Ricardo Vellez.

Fundar-se-á portanto escolas formadoras de analfabetos políticos eficientes. Pessoas que defenderão a verdade imposta e jamais se interessarão em buscá-la incessantemente como um sábio. Por causa disso, prefiro a mão esquerda de Deus, como dizia Lessing: “Se Deus guardasse na mão direita toda a verdade e na mão esquerda somente o desejo ardente pela verdade, e me dissesse: ‘Escolha!’, mesmo arriscando a me enganar para sempre e por toda a eternidade, eu me inclinaria humildemente para a sua mão esquerda e diria: ‘Pai, dai-me esta mão; a verdade absoluta pertence somente a ti’”.

Raphael Silva Fagundes é doutor em História Política na Uerj e professor da rede municipal do Rio de Janeiro e de Itaguaí.


[1] Nuccio Ordine, A utilidade do inútil, Rio de Janeiro, Zahar, 2016.

No LeMonde Diplomatique
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Empiricus, empresa da Bettina, divulgou newsletter com tutorial para cheirar cocaína

Newsletter da Empiricus
Se os conselhos financeiros da Empiricus tiverem o mesmo nível das estratégias de marketing, seus clientes estão lascados.

Depois da garota propaganda Bettina virar meme com a história dos R$ 1.520 transformados em mais de um milhão, veio à tona um texto da empresa que serve de tutorial para cheirar cocaína.

O disparate introduz uma análise de mercado publicada em outubro do ano passado na newsletter da Empiricus e divulgada no Twitter pela roteirista Bic Müller.

Após o texto assinado pelo CEO Felipe Miranda se espalhar, o link no site foi apagado.

Pelo cache do Google foi possível acessar a publicação, cujo preâmbulo comprometedor reproduzo aqui:

“Raspas e restos me interessam

Se você tem algum amigo que cheira cocaína ou se você mesmo carrega o hábito, sabe o exato significado do título desta newsletter. Esse pessoal realmente valoriza raspas e restos.

Há um código de honra entre os farinheiros: quem separa as carreiras de pó é sempre o último a cheirar. Ele está sob claro conflito de interesse, entende?

Se for o primeiro a cheirar, o bicudo vai logo na fileira mais longa e gorda. Então, quem divide e estica não escolhe, e pula para o final da fila. Como brinde, leva o direito à lambida no cartão para amortecer a língua e a um restinho na gengiva.

Claro que há sempre aquele tamanduá que ignora a regra e emenda uma narigada em L – cheira a própria carreira e a beiradinha da próxima, tentando não fazer perceber-se. No geral, porém, a regra funciona. A Faria Lima e o Leblon têm muito a aprender com o Baixo Augusta.

Às vésperas da eleição, ainda há raspas e restos para colher com o rali sistêmico dos ativos de risco? Ou não haveria mais nada para nos estimular?”

Este, aliás, não é o único texto de Miranda com referência à cocaína.

Na newsletter de junho de 2018 e como a outra, disponível apenas no cache do Google, ele introduz a análise com uma reminiscência das baladas:

“Minha esperança de sair ainda antes do amanhecer nunca se materializava. Enquanto já me preparava mentalmente para sair da balada, PR (as iniciais do meu tal amigo) ia para o banheiro e esticava uma carreira de cocaína no dorso da mão, no espaço deixado por entre o polegar e o indicador. “Ninety-nine, Felipão!” Aspirava rapidamente aquilo e depois me perguntava, usando sempre as mesmas palavras enquanto inclinava o pescoço para trás e erguia o queixo para cima: “Deixei roupa no varal?” Raramente eu encontrava vestígios do pó branco na narina. A cocaína desaparecia do espectro visível junto com minha chance de ir para casa nas próximas horas.”  

Fico a imaginar o escarcéu que os “cidadãos de bem” fariam se um preto ou esquerdista escrevesse a mesma introdução para dar orientações financeiras.

Renderia, talvez, notinha maldosa no site Antagonista, sócio da Empiricus.

Ou, na pior das hipóteses, acusações formais de apologia ao uso de drogas.

Mas escrita por um branco sintonizado com o Deus mercado, passou despercebida pelos defensores da família tradicional brasileira.


O tutorial da Empiricus

Marcos Sacramento
No DCM
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Itália fecha acordo com a China e dá uma banana ao Trump e ao Bolsonaro

Extrema-direita leva primeiro Governo do G7 à Rota da Seda


Quando o avião do presidente Xi da China entrou no espaço aéreo da Itália foi escoltado por dois jatos de combate da Força Aérea italiana.

Na entrevista de uma hora com o presidente Mattarella pousou diante de um busto de Julio Cesar.

Agentes do Governo americano tentaram boicotar a visita com os argumentos de sempre: a China é predadora, rouba segredos militares e empresariais, ameaça a segurança dos países - numa palavra, é predadora, "uma rival sistêmica".

É a mesma linha de raciocínio do vassalo Bolsonaro - essa capa da Carta Capital é fabulosa! - , que, na Casa Branca, disse que não ia fazer negócios com a China, porque é contra o comércio com viés ideológico.

Quá, quá, quá!

A Itália tem um Governo não menos de Direita que o Brasil, nesse momento (Porém muito menos idiota...).

O Governo é resultado de uma mistura da Liga Norte (que foi separatista, para se livrar do Sul napolitano, pobre) e o M5, rebento de um astro grotesco da televisão, Beppe Grillo.

Xi e o ministro do exterior Wang Yi estiveram com o primeiro-ministro (neutro), e o Ministro do Desenvolvimento econômico, Di Maio (do M5).

O outro co-governante, Salvini (da Liga) escafedeu-se e declarou: não me consta que a China pratique o livre mercado.

Seu sócio no poder, Di Maio reagiu: ele pode dizer o que que quiser; eu estou aqui para governar.

A visita concretizou a adesão da Itália à Rota da Seda chinesa.

A China já financia a remodelação do porto de Gênova, e vai levar a Rota à modernização dos portos de Palermo, Trieste e Veneza.

(A Rota original ajudou a Sereníssima, a República de Veneza a se tornar um império...)

O Governo italiano anunciou um acordo imediato de €$2,5 bilhões e, breve, uma expansão para €$ 20 bilhões.

E a possibilidade de empresas italianas trabalharem no mercado chinês com menos restrições.

Com essa decisão, a Itália dá uma sonora banana também a Macron, presidente da França e à Merkel, chanceler da Alemanha.

Tanto um quanto a outra ainda são sensíveis à pressão americana e fingem que não querem aderir à Rota da Seda.

Mas Xi se encontrará com os dois, nessa mesma viagem.

Vai também a Monte Carlo, onde deve se apropriar do porto (e do cassino... onde o Moro recebeu singela homenagem.)

Os americanos estão desconfiados de que a Rota da Seda tenha como objetivo construir um império de infraestrutura, para interferir de forma agressiva (e lucrativa) na ordem econômica mundial.

Os americanos têm razão.

A Itália também.

Idiotas são os brasileiros.




Ouça também, o grande sucesso do momento:

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Pai denuncia racismo sofrido pela filha de 12 anos em Florianópolis - assista


A criança foi revistada por uma segurança após provar alguns itens no supermercado Angeloni de Capoeiras. Confira na matéria de Jana Machado e Rosangela Bion de Assis.

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Vereador Wendel Coelho é morto em Japeri

Parlamentar estava com o irmão quando foi atingido por um tiro no peito disparado por um motociclista próximo à Praça Olavo Bilac, em Engenheiro Pedreira

O vereador de Japeri Wendel Andrei de Lima Coelho (PT do B) foi morto na manhã deste domingo
Reprodução Facebook
O vereador de Japeri Wendel Coelho (PTdoB) foi morto a tiros, aos 26 anos, no início da manhã deste domingo dentro do carro em que estava próximo à Praça Olavo Bilac, no bairro de Engenheiro Pedreira, na cidade da Região Metropolitana, a 76 km da capital. A Polícia Militar está no local e a Divisão de Homicídio da Baixada Fluminense (DHBF) foi acionada.  

A Polícia Militar informou que Wendel foi encontrado morto com um tiro no peito no banco de motorista de um Cobalt às 4h50. Foi apurado pelos agentes que a vítima dirigia no sentido do bairro Alecrim e estava com o irmão. Ao passar pela Praça Olavo Bilac, os dois avistaram vários motociclistas.

Um deles seguiu o veículo, segundo a testemunha, que, ao se aproximar do cobalt, atirou, atingindo Wendel fatalmente no peito.

Ainda segundo a polícia, outro irmão da vítima, Wesley de Lima Coelho, de apelido Pezão, compareceu ao local.

Vereador Wendel Coelho estava passando de carro pelo local quando foi atacado
Marina Cardoso / Agência O Dia
O político eleito aos 24 anos com 729 votos estava no primeiro mandato e ocupava uma das onze cadeiras da Câmara Municipal. Wendel era casado.

O parlamentar ocupou comissões e foi segundo secretário da Câmara da cidade em 2017 e 2018.

Em sua página no Facebook, Wendel escreveu sobre a violência na cidade. Ao comentar sobre a perda de um amigo, protestou contra a falta do direito de ir e vir. "Perdemos nosso direito de ir e vir. Hoje foi meu amigo que amo tanto, amanhã será quem? Devemos tomar providências rápidas e imediatas para que não aconteça mais com ninguém. Eu, vereador Wendel Coelho, estarei cobrando para melhoria da Segurança da nossa cidade", escreveu em janeiro deste ano.

A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, no fim da madrugada deste domingo, policiais militares do 24ºBPM (Queimados) estavam em patrulhamento pelo bairro de Engenheiro Pedreira, no município de Japeri, quando notaram um veículo parado na via. No interior do carro, foi encontrada uma pessoa em óbito. 

De acordo com a DHBF foi instaurado inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte do vereador. A Polícia Civil informa que diligências estão em andamento em busca de testemunhas e imagens. A perícia foi realizada.

Operação prendeu prefeito e políticos em 2017

O município de Japeri, a 76 km da capital, tem 101.237 habitantes, de acordo com Censo de 2017. O ex-prefeito da cidade Carlos Moraes foi preso em julho de 2017 por envolvimento com o tráfico de drogas. Na mesma operação, o então presidente da Câmara, Wesley George de Oliveira, o Miga, foi alvo de mandado de prisão, chegou a ficar foragido, mas se entregou à polícia. Além deles, o vereador Cláudio José da Silva, o Cacau, também foi preso. Na Operação Sênones, a DHBF e o Ministério Público do Rio de Janeiro afirmaram que uma das maiores facções criminosas do estado havia se instalado na Prefeitura de Japeri.

A Baixada Fluminense concentra o maior número de homicídios de pessoas ligadas à política no Estado do Rio. Dos 17 homicídios contra políticos, 15 foram na região. Somente três inquéritos foram concluídos. Assim como o assassinato da vereadora do Rio Marielle Franco, que completou um ano no último dia 14, em nove dos casos, a polícia tem como principal linha de investigação a atuação de milicianos.

Beatriz Perez
No O Dia
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Pegou mal: Democratas citam relação de Bolsonaro com milícia e condenam visita aos Estados Unidos

Eles
Reportagem de Marina Dias na Folha de S.Paulo informa que parlamentares do Partido Democrata, de oposição a Donald Trump, divulgaram uma carta nesta quinta-feira (21) para condenar a visita do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos. Como antecipou a Folha, o documento estava sendo preparado às vésperas da chegada do líder brasileiro a Washington, com críticas à sua postura em relação às minorias, aos direitos humanos e à possível relação de sua família com a milícia do Rio de Janeiro.

De acordo com a publicação, no texto enviado ao secretário de Estado americano, Mike Pompeo, os parlamentares dizem ser preocupante ver Trump fazer elogios públicos a Bolsonaro, a quem classificam como um líder de extrema direita e o comparam a Rodrigo Duterte, presidente das Filipinas –onde mais de 5 mil pessoas já foram mortas em uma cruzada do governo contra as drogas. “Houve um pico de violência e ameaças contra as minorias desde a vitória de Bolsonaro. O primeiro membro abertamente gay do Congresso Nacional do Brasil, Jean Wyllys, renunciou ao cargo em meio a ameaças de morte e pediu asilo no exterior. Bolsonaro e seus filhos parecem manter laços com as milícias assassinas no Rio de Janeiro, incluindo os responsáveis pelo assassinato de Marielle Franco, há um ano”.

“Assim como o presidente filipino, Rodrigo Duterte, Bolsonaro defendeu a política de ‘atirar para matar’ no momento em que execuções estão sendo feitas pela política brasileira. Seu governo está apoiando uma iniciativa que vai enfraquecer ainda mais a prestação de contas dos policiais que matam, cujo alvo principal são jovens negros”, completa o texto em referência a mudanças anunciadas no pacote do ministro Sergio Moro (Justiça), que pode permitir que policiais tenham redução ou até isenção de pena quando matarem em situação de confronto armado. Segundo os congressistas americanos, Bolsonaro tem um histórico de discurso “homofóbico, misógino e racista” e, no momento em que a extrema direita está em ascensão pelo mundo, os EUA não deveria “estender o tapete vermelho para Bolsonaro”, completa a Folha.
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Correspondência de guerra

É guerra. Era previsível, omissões a tornaram inevitável. Mas, guerra embora, promete ser benfazeja. A Lava Jato inicial e suas extensões reagem ao retardatário entendimento, no alto Judiciário, de que combate à corrupção e abuso do poder repressivo são coisas diferentes. A Lava Jato foi deixada livre para suas práticas indiferentes aos limites legais e ao bom senso, com violação de direitos civis, de exigências processuais e da ética (pessoal e jurídica). O desgaste, porém, não a atingiu, resguardada pela “mídia”: o omisso Supremo Tribunal Federal foi o desgastado — e afinal se assustou.

A interpretação generalizada das prisões encabeçadas por Michel Temer, ou do momento em que ocorrem, é a de resposta da Lava Jato contrariada por decisões recentes do Supremo. Se às prisões juntarmos o vazamento que atinge o ministro Luiz Fux, desencavado do depoimento inatual de um empresário, o propósito dos recentes atos e afirmações da Lava Jato está claro, dispensa interpretações.

Concomitante ao despertar do Supremo vê-se, portanto, que também na “mídia”, e daí na opinião pública, ações da Lava Jato já são identificadas com finalidades alheias à razão jurídica. É um passo pequeno, mas é avanço na direção de justiça. Ou, mais preciso, de menos injustiça. E não de política e sede de poder com armas da Justiça.

A Lava Jato acirra a guerra com os mesmos métodos que acabaram por provocá-la. O argumento mais forte para a prisão de Temer, por exemplo, foi a continuação das práticas corruptas. Quais são os fatos comprovantes? “Houve apenas uma comunicação do Coaf”, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, palavras de uma procuradora. “Mas esse fato, de acordo com o registrado pelo Coaf, aconteceu em outubro de 2018”. Logo, “é indicativo de que a organização criminosa continua atuando”.

Não é. Há cinco para seis meses, Temer ainda na Presidência, um fato foi indicativo de algo há um semestre, não do presente. Se houve o fato então, isso não indica a sua continuidade. A alegação central para a prisão não tem veracidade.

O tal fato de outubro seria a tentativa do coronel João Baptista Lima, visto como testa-de-ferro de Temer, de depositar R$ 20 milhões em espécie. É a velha “história mal contada”. Levar essa quantia geddeliana a um banco; submetê-la na agência à confirmação do montante, no mínimo de 200 mil notas de R$ 100, sem recear uma complicação — um experiente como Lima não pensaria nesse plano, quanto mais em tentá-lo.

Em seu início, a Lava Jato plantou na “mídia” a apropriação de R$ 10 bilhões pelos três ou quatro dirigentes da Petrobras já identificados. A conta final não chega a 10%. Ao bando “chefiado por Temer” é atribuída a quantia de R$ 1,8 bilhão. Em dinheiro “recebido, pedido ou prometido”. Está aí uma novidade, na soma do real com o imaginado. Pena que seja mais um truque nada sério, para uso da “mídia”.

São muitos os indícios de material concluído às pressas, para servir a uma finalidade não judicial. A propósito, entre os motivos de reação da Lava Jato estão o inquérito sobre ataques ao Supremo e a determinação do ministro Alexandre de Moraes de levá-lo a resultados. Inquérito e ministro muito criticados, mas ambos se justificam. Não só agressões verbais são investigadas: embora o Supremo prefira o silêncio a respeito, há ameaças de morte a ministros e de violência a familiares, como objeto principal do inquérito.

Ah, não se esqueça, em tudo isso, a gentileza da Polícia Federal. Esperou que Temer saísse, para prendê-lo fora das vistas da família e dos vizinhos. E não de manhãzinha. Com Moreira, pelo mesmo cuidado, não o esperaram em casa. Apenas pararam seu carro em área de pouco movimento. Nas duas ações, nenhum policial com metralhadora, granadas, gás e roupa sinistra. Nada como nas abordagens espalhafatosas a Lula e outros, pelo “japonês da PF” e companheiros. Nas duas modalidades de abordagem, a autoridade maior das operações era a mesma, o então juiz da Lava Jato e o hoje ministro da PF.

Janio de Freitas
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Pedro Serrano diz que prisão de Temer é uma nova forma de fascismo


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