21 de mar. de 2019

Entenda todos os passos do conflito entre Maia e Moro

As prisões de Michel Temer e Moreira Franco foram mesmo uma forma de Sérgio Moro atingir Rodrigo Maia?


O universo político brasileiro pegou fogo na manhã desta quinta-feira 21. O ex-presidente Michel Temer e seu ex- ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, foram presos com um mandado expedido pelo juiz Marcelo Bretas, da força-tarefa da Lava Jato carioca.

A prisão dos membros do MDB aconteceu horas após uma rusga envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Na noite de quarta-feira, Moro enviou uma mensagem cobrando agilidade de Maia na votação do pacote anticrime. A resposta ao juiz, ou “funcionário de Bolsonaro”, foi dado em tom duro. Houve ainda uma réplica.

Entre vários parlamentares corre a teoria de que a prisão do ex-presidente e de seu companheiro de partido foi uma forma de Moro pressionar Maia. Franco é sogro do presidente da Câmara.

Eugênio Aragão, que chefiou a pasta ocupada hoje por Sérgio Moro durante o governo Lula, segue esse pensamento sobre as prisões decretadas nesta quinta. “Tudo que eles fazem tem timing. Justo quando o genro de um dos atingidos [pela prisão] começa a enfrentar publicamente o ex-chefe da operação, que agora está no governo? É, no mínimo, uma grande coincidência”, avalia.

Mas, afinal, o que aconteceu para os dois entrarem em guerra?

A incursão no mundo político do juiz Sergio Moro tem sido mais atribulada do que supunham seus admiradores. Apresentado como superministro, garantidor da lisura, da transparência e da ordem, o homem que combateria no governo a corrupção e o crime organizado, Moro acumula derrotas e constrangimentos em menos de três meses no cargo.

O mais recente revés aconteceu nesta quinta. O “passa-moleque” do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, lembrou o magistrado de sua real posição no governo. Em entrevista coletiva, Maia enviou um recado ao ex-juiz dizendo que política não se resolve dessa maneira. “Eu acho que ele conhece pouco a política. Eu sou presidente da Câmara, ele é ministro, funcionário do presidente Bolsonaro. Ele está confundindo as bolas. Ele não é o presidente da República”, afirmou Maia.

Moro ficou irritado com a decisão do presidente da Câmara em determinar a criação de um grupo de trabalho para analisar seu projeto anticrime. Na prática, Maia congelou a tramitação da proposta, pois a elaboração deste grupo tem o prazo de 90 dias para debater as matérias.

Maia lembrou que a prioridade do governo é a aprovação da Reforma da Previdência e que qualquer outro assunto deve ser postergado. Alguns outros parlamentares da base de Bolsonaro já vinham mostrando preocupação em enviar um projeto tão polêmico ao mesmo tempo que a reforma.

Moro rebateu o presidente da Câmara e disse que era possível, sim, debater os dois projetos ao mesmo tempo. “O povo brasileiro não aguenta mais. Essas questões sempre foram tratadas com respeito e cordialidade com o senhor Presidente da Câmara, esperando eu que o mesmo possa ocorrer com o projeto e com quem o propôs”, disse Moro.

Freixo e Paulo Teixeira na Comissão

Não bastasse o presidente da Câmara colocar o projeto de Moro para escanteio, ele também selecionou parlamentares que são críticos a sua proposta para participar da Comissão. Na quarta-feira 20, Maia indicou Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Paulo Teixeira (PT-SP) para integrarem o grupo de trabalho que vai analisar o pacote anticrime.

“Quero que esse grupo seja o lugar para ouvirmos a sociedade civil sobre o pacote do Moro. Tenho muita experiência na
área, e eles reconhecem isso”, diz Freixo.

Copia e cola

As críticas do presidente da Câmara não foram apenas a Moro. Maia desqualificou o projeto anticrime apresentado pelo ministro e disse que o texto é um cópia e cola de proposta sobre o mesmo tema que foi apresentada no passado pelo ex-ministro da justiça Alexandre de Moraes, hoje ministro no STF.

“Ele conversa com o presidente Bolsonaro e, se o presidente Bolsonaro quiser, ele conversa comigo. Eu fiz aquilo que eu acho correto. O projeto é importante, aliás, ele está copiando o projeto direto do ministro Alexandre de Moraes. É um copia e cola. Não tem nenhuma novidade, poucas novidades no projeto dele”, disse.

Mais tarde e mais calmo, Maia deu uma entrevista à Band News e afirmou que o “copia e cola” não era uma crítica e sim uma afirmação feita pelo próprio ministro . “O próprio Moro me disse que tinha copiado muitos artigos (do projeto de Moraes) é por isso que eu disse isso”. O presidente da Câmara contou que o próprio presidente Jair Bolsonaro havia pedido para ele prioridade total na previdência e que deixasse os outros projetos para depois.

Capa de revista

Moro sempre foi protagonista nos processos da operação Lava Jato. Nesses cinco anos, o juiz ganhou fama no pais e vinha se comportando como um superstar da Justiça. Entrevistas, prêmios, coletivas e jantares faziam parte da rotina do magistrado.

Além disso, a imprensa sempre era avisada com antecedência sobre qualquer movimentação da operação. O presidente da Câmara ironizou o ministro e insinuou que Moro busca destaque na mídia ao querer aprovar a proposta apresentada. “O projeto vai andar no momento adequado, ele pode esperar para ter um Jornal Nacional, um Jornal da Band, ou da TV Record, ele pode esperar”, disse.

A ilusão do superpoderes

Sérgio Moro vinha sendo considerado o herói contra a corrupção do Brasil. Após a vitória de Bolsonaro, o presidente convidou o ex-juiz para comandar o Ministério da Justiça e lhe garantiu superpoderes e total autonomia.

Moro disse ter aceitado o convite de Bolsonaro por estar “cansado de tomar bola nas costas”. Ele assumiu o cargo dizendo que teria total autonomia e status de super ministério. Isso foi só ilusão, pois, na prática, até o momento, Moro só teve derrotas.

Como primeira medida, o presidente Jair Bolsonaro fez um decreto flexibilizando a posse de armas. Moro tentou se desvincular dessa ideia e propôs ao presidente que o decreto permitisse apenas 2 armas por pessoa. A ideia de Moro foi completamente ignorada e o decreto surgiu permitindo quatro armas por pessoa.

E quando o ministro enviou ao Congresso o projeto anticrime, o Palácio do Planalto exigiu que a proposta de criminalização do caixa dois tramitasse separadamente do restante do projeto.

O clã Bolsonaro se irritou com o ministro quando ele indicou Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. A magistrada é contrária ao afrouxamento das regras de acesso a armas e criticou a ideia de ampliação do direito à legítima defesa que está no projeto do ministro. Moro foi obrigado a exonera-la após a pressão do presidente.

Alexandre Putti
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“Temer e Moreira saem antes de 24 horas”, prevê ex-ministro da Justiça


A prisão de Michel Temer e do companheiro Moreira Franco é movimento de limpar a barra da Lava Jato após as desventuras com o STF e o Congresso. É o que pensa o ex-ministro Eugênio Aragão, que chefiou a pasta ocupada hoje por Sérgio Moro durante o governo Lula.

“Tudo que eles fazem tem timing. Justo quando o genro de um dos atingidos [pela prisão] começa a enfrentar publicamente o ex-chefe da operação, que agora está no governo? É, no mínimo, uma grande coincidência”, avalia. Além disso, diz o jurista, a repercussão ruim do caso Fundação e as rusgas com o Supremo e a PGR pressionaram a força-tarefa da Lava Jato a agir contra o desprestígio.

Aragão se refere ao embate público entre Sérgio Moro e Rodrigo Maia, que é genro de Moreira Franco. O motivo era a pressa do ministro em aprovar junto ao Congresso o pacote anticrime, sugerindo que ele tramitasse junto com a Reforma da Previdência. Maia não gostou e o chamou de “funcionário de Bolsonaro”, além de dizer que seu projeto era um “copia e cola” de outra proposta.

Temer e Moreira Franco foram presos sob mandado do juiz Marcelo Bretas, que cuida da Lava Jato no Rio de Janeiro. O caso envolve a delação do dono da empreiteira Engevix, que diz ter repassado 1 milhão de reais em propina a um militar amigo de Temer e Moreira Franco. A empreiteira fechou contratos com a usina de Angra III.

Para Aragão, não havia nenhum motivo processual para prendê-los. A questão é simbólica. “Essas pessoas têm endereço fixo e as provas certamente já foram colhidas. Porque foram presos? Não há nada que eles possam fazer agora na PF que não poderiam fazer soltos.”

Apesar disso, ele duvida que os emedebistas fiquem muito tempo atrás das grades. “Pelo ritmo que a gente desse quadrante é tratada, não ficam presos nem 24 horas.”

Repercussão tímida

Em nota oficial, o MDB falou em “postura açodada” da Justiça, e argumenta que o inquérito demonstrou “que não há irregularidade por parte do ex-presidente da República, Michel Temer, e do ex-ministro Moreira Franco”. O senador Renan Calheiros, sem mencionar diretamente o caso, disse no Twitter que o “STF age dentro da lei. Diferentemente de Moro”. O presidente do partido, Romero Jucá, ainda não se manifestou.

Thais Reis Oliveira
No CartaCapital
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Temer preso. Duelam: Moro e Maia, Militares e bolsonaristas, Supremo e MP... É o Poder...


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Nota do PT sobre a prisão de Michel Temer e Moreira Franco


O Partido dos Trabalhadores espera que as prisões de Michel Temer e de Moreira Franco, entre outros, tenham sido decretadas com base em fatos consistentes, respeitando o processo legal, e não apenas por especulações e delações sem provas, como ocorreu no processo do ex-presidente Lula e em ações contra dirigentes do PT.

Temer assumiu a presidência em um golpe deplorável. Sua agenda no governo levou ao aumento da desigualdade e da miséria, no entanto é somente dentro da lei que se poderá fazer a verdadeira Justiça e punir quem cometeu crimes contra a população. Caso contrário, estaremos diante de mais um dos espetáculos pirotécnicos que a Lava Jato pratica sistematicamente, com objetivos políticos e seletivos.

O que fica evidente é que, cumpridos os objetivos do golpe do impeachment de 2016 e da proibição ilegal a Lula de concorrer as eleições de 2018, seus principais artífices estão sendo descartados pelos que realmente movimentaram os cordéis: o sistema financeiro, os representantes dos interesses estrangeiros no país, com o apoio da mídia conservadora. Isso vale para a própria Lava Jato e seu comandante, Sergio Moro, que travam hoje uma encarniçada luta pelo poder contra o Congresso, o Supremo Tribunal Federal e a cúpula da PGR.

Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT
Humberto Costa, líder do PT no Senado
Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara
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Prisão de Temer é inconstitucional, diz Pedro Serrano


A prisão de Michel Temer é inconstitucional. Esta é a avaliação do jurista e professor de Direito Constitucional e de Estado na PUC-SP, Pedro Serrano, sobre a prisão do ex-presidente nesta quinta-feira 21. Temer foi preso em São Paulo, após mandado expedido pelo juiz Marcelo Bretas, da força-tarefa da Lava Jato carioca. O ex-ministro Moreira Franco também foi preso nesta quinta-feira.

Serrano explica que vem ocorrendo no Brasil uma banalização da prisão cautelar. No caso de Temer, a justiça ainda não se pronunciou sobre a causa de sua reclusão, mas nos últimos casos essa medida foi utilizada em investigados suspeitos de ocultarem ou destruírem provas.

Segundo o jurista, a prisão cautelar pode ser aplicada, mas com indícios concretos de que o acusado realmente esteja atuando contra as provas do processo. “Não podem utilizar suposições para isso. Uma pessoa não precisa estar presa para ser investigada. Esse método que vem sendo utilizado é um espetáculo midiático que enfraquece o Estado Democrático de Direito”, afirmou.

Serrano contou que 40% dos presos do Brasil estão reclusos por prisões cautelares. O jurista acredita que o correto, no caso de Temer, é o STF analisar e rever a decisão de Bretas. “Nesse caso e em quase todos os outros há um abuso do sistema de justiça.”

Uma decisão política

Na semana passada, a Lava Jato completou cinco anos. O aniversário da operação foi marcado por derrotas. A primeira delas partiu da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que arquivou um pedido de suspeição contra o ministro Gilmar Mendes apresentado pelos procuradores da força-tarefa de Curitiba.

Em seguida, os procuradores curitibanos sofreram novo revés em relação à proposta de criação de uma fundação bilionária, turbinada com recursos de uma multa aplicada à Petrobras, após críticas de outros membros do Ministério Público e uma censura pública da própria procuradora-geral. A fundação deveria gerir recursos recuperados na Lava Jato e destinar parte deles a iniciativas sociais, em áreas como educação, saúde e meio ambiente.

Na sexta-feira 15, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar para suspender o acordo de criação da fundação e determinou o bloqueio de valores já depositados pela Petrobras numa conta ligada a 13ª Vara Federal de Curitiba.

Na quinta-feira 14, veio o revés mais significativo: por seis votos a cinco, o STF decidiu que crimes comuns – como corrupção e lavagem de dinheiro –, quando relacionados a delitos eleitorais como caixa 2, devem ser julgados pela Justiça Eleitoral.

Assim, a decisão foi encarada como uma vitória para os políticos acossados pela operação. O coordenador da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol, chegou a afirmar que “começou a se fechar a janela de combate à corrupção política que se abriu há cinco anos, no início da Lava Jato”.

Serrano explica que a Lava Jato não existe no Direito. Esse foi um termo criado pela mídia para criar um populismo penal midiático. “Existem algumas investigações sérias na operação, mas muitas outras são uma forma de fazer política e perseguir adversários.” disse.

Como ainda não foram divulgados os reais motivos da prisão de Temer, Serrano disse não conseguir opinar sobre o caso. Mas nos últimos ele acredita serem decisões políticas.

Alexandre Putti
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A guerra declarada entre Maia e Moro pode ser o primeiro passo na retomada da democracia no país


Um dos principais críticos da milícia do Rio de Janeiro, envolvida com o senador Flávio Bolsonaro, Marcelo Freixo (PSOL-RJ) foi escolhido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, para a equipe de trabalho que vai discutir o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Esse é apenas mais um capítulo da guerra em que se envolveram Moro e Rodrigo Maia nesta semana.

Freixo foi um dos primeiros a denunciar as milícias do Rio.

Entre os denunciados está o chefe do grupo de Rio das Pedras, na zona Oeste da cidade, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Adriano Magalhães da Nóbrega – tem relação com o assassinato da vereadora Marielle Franco.

O miliciano já recebeu homenagem de Flávio Bolsonaro (PSL) na Alerj por sua “dedicação, brilhantismo e galhardia”.

Até novembro do ano passado, a mãe e a mulher de Nóbrega trabalhavam no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio.

Nóbrega teve prisão decretada, mas está foragido.

Outro miliciano preso, o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, também já foi homenageado por Flávio Bolsonaro.

A milícia de Rio das Pedras, combatida por Freixo, é considerada a organização criminosa mais forte e mais perigosa do Estado.

Seus membros são acusados de homicídio, ocultação de bens vindos de atividades ilegais por meio de “laranjas”, falsificação de documentos, pagamento de propina a agentes públicos, agiotagem, uso de ligações clandestinas de água e luz e uso da força e demonstração de poder como meio de intimidação.

Mas nada disso tem despertado o interesse do ministro Sergio Moro.

Ao contrário, ele preferiu forçar a tramitação do seu projeto na Câmara até receber uma negativa de Rodrigo Maia.

Coincidentemente, um dia depois o sogro do presidente da Câmara, o ex-governador do Rio e ex-ministro Moreira Franco foi preso junto com Michel Temer.

Como as provas contra Temer e Moreira são consistentes e fartas, difícil cravar que a prisão é fruto de retaliação política, mas as evidências mostram que sim.

A guerra entre Rodrigo Maia e Sérgio Moro, e por tabela o clã Bolsonaro, está apenas no início. Se ficar evidenciado que Moro age politicamente e, como se diz no jargão popular, usa a chave da cadeia como instrumento de política, ficará irremediavelmente desmoralizado. E certamente vai sofrer as consequências disso – a prisão ilegal de Lula é um exemplo.

Para completar o time para enfrentar o ministro da Justiça, outro deputado combativo, Paulo Teixeira (PT-SP), foi escalado para o grupo de trabalho que vai discutir o projeto de Moro – os dois outros integrantes são o Capitão Augusto (PR-SP), líder da Bancada da Bala, e a deputada Carla Zambelli (PSL-SP).

Se Temer e Moreira serviram de isca para o ministro da Justiça forçar a aprovação à fórceps de seu projeto anticrime, Freixo pode ser o trunfo que Maia precisa para honrar sua família e mostrar que, a despeito de problemas administrativos, quem está envolvido com quadrilha de assassinos e pistoleiros de aluguel são Jair, o chefe de Moro, e seus três filhos, Flávio, Carlos e Eduardo.

Do ponto de vista pedagógico, a prisão de Moreira e Temer pode representar um passo importante na busca pela retomada da democracia no Brasil.

José Cássio
No DCM
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Prisão de Temer é mimimi


Entre os moribundos e o mimimi

Existe uma assertiva popular de que antes de morrer o moribundo tem uma breve melhora. É um momento necessário e importante para poder se despedir dos entes queridos.

Assim acontece hoje com a Força Tarefa da Lava Jato.

Com vários integrantes envolvidos em diversos esquemas de corrupção que vão de indicação de escritórios de advocacia para os investigados - Tacla Duran, passando por vazamento de áudios ilegais para a imprensa - Dilma, mudanças de depoimento por troca de mudanças de sentença - Léo Pinheiro, chegando a condenação sem provas - Lula, depois juiz vira ministro - Moro, procurador do MPF tenta abrir fundação Bilionária - Dallagnol e juíza copia e cola sentença - Gabriela Hardt. Em meio a tudo isso, o STF se apequenava e o barco seguia.

Mas bastou apenas uma semana de derrotas, seja no SFT - crime Eleitoral voltou a ser julgado pela justiça eleitoral, a fundação bilionária da Máfia de Curitiba ser desbancada pela Procuradoria Geral do MPF, os 17 tuites de Dallagnol em uma única tarde, a manifestação dos patos que foi convocada no último domingo e que não juntou ninguém, o fiasco de Bolsonaro, presidente eleito devido ao golpe, no exterior e o pacote anti-crime e a favor de mais mortes aos pobres feito por Moro. O ministro por recompensa que acabou sendo enquadrado pelo presidente da Câmara no dia de ontem e perdeu as estribeiras.

Foi tanta porrada para os menudos da força-tarefa de Coritiba, que desolados, resolveram tentar voltar a ter protagonismo através da prisão do vampiro Temer e do gatinho angorá, Moreira Franco, sogro de Rodrigo Maia no dia de hoje.

O lavajateiro do Rio, Marcelo Bretas, que soma o seu auxílio-moradia com o da esposa juiza, resolve deferir a prisão de Temer como cortina de fumaça, estrategicamente buscando manter a Lava-Jato a permanecer viva e na mídia.

Sempre soube que tirar a bola das mãos de crianças mimadas resultava em muito chororô, mas não imaginava que essas crianças choravam tão alto.

Chega de mimimi, o que nos importa é seguir lutando contra a Reforma da Previdência.

Marcos Rezende, integrante do Coletivo de Entidades Negras (CEN)
No CAf
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Prisão de Temer é a mais nova trucada da Lava Jato

https://www.revistaforum.com.br/prisao-de-temer-nao-merece-comemoracao-e-nem-solidariedade/



Prisão de Temer não merece comemoração e nem solidariedade

A hora é de os movimentos populares pensarem em como lotar as ruas contra a reforma da Previdência. Ou a Lava Jato vai fazer isso colocando a classe média para defendê-la.

Quando Temer foi escolhido candidato a vice de Dilma seu currículo (ou folha corrida, para ser mais preciso) já era conhecido. Temer sempre foi um político do esquema. E dos muitos esquemas.

Não à toa, por exemplo, escolheu colocar seu principal pupilo e com quem pode vir a dividir cela nos próximos dias, Moreira Franco, para controlar Portos e Aeroportos. Ele sempre operou nessas áreas.

Aliás, sempre me perguntei por que cargas d´águas esse controle de entrada de mercadorias interessava tanto ao esquema Temer. Quem sabe isso fique mais claro nos próximos dias. Mas nunca me pareceu que os interesses se relacionavam apenas a ganhar uns trocados com empresas que operam nessas áreas, como a Engevix.

Aliás, é por conta de uma delação de que teria levado 1 milhão da Engevix que o ex-presidente foi preso numa operação conduzida pelo juiz Marcelo Bretas.

Podia ser por tanta coisa, mas foi por este 1 milhão.

Bretas, lavajateiro raiz, matou no peito e foi para cima não só de Temer, mas do sogro de Rodrigo Maia, o ex-ministro Moreira Franco.

A operação não é café pequeno. É declaração de guerra.

Vai voar barata para tudo quanto é lado.

Os democratas e progressistas devem comemorar a prisão de Temer? Não me parece uma boa. Se a Lava Jato sair dessa mais forte o país sai mais fraco.

Devem então se solidarizar com Temer e defendê-lo neste seu triste momento da vida? De maneira alguma. Temer foi o responsável pela tragédia que o país vive. Se ele não aceitasse o papel de golpista não tinha impeachment. A chapa teria de ser cassada pela justiça e o preço desta operação seria muito mais caro.

Mas ele preferiu sambar no ritmo da Lava Jato e agora se torna vítima da mesma.

Dane-se Temer. E que o pau coma.

A hora é de os movimentos populares pensarem em como lotar as ruas contra a reforma da Previdência. Ou a Lava Jato vai fazer isso colocando a classe média para defendê-la.
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Ruim para Bolsonaro: prisão de Temer poderá atingir Reforma da Previdência, diz Almeida


A prisão do ex-presidente Michel Temer nesta quinta-feira, por ordem do juiz federal Marcelo Bretas, do Rio de Janeiro, poderá impactar diretamente o andamento da Reforma da Previdência apresentada pelo atual presidente, Jair Bolsonaro, segundo um analista ouvido pela Sputnik Brasil.

De acordo com o cientista político Alberto Carlos Almeida, diretor do Instituto Brasilis, o governo Bolsonaro não tem nada a celebrar pela prisão de Temer, sobretudo em um momento de muitas incertezas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

Na opinião de Almeida, Temer – que foi várias vezes presidentes da Câmara antes de assumir o país, em 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff – é bem visto junto aos deputados e que a sua detenção, embora não tão surpreendente, pode afetar a forma com que eles enxergam o atual governo.

"A prisão dá para os políticos uma certa visão de que eles estão desprotegidos pelo governo. O juiz Bretas e, quando era juiz, o [atual ministro da Justiça Sérgio] Moro também foi um dos mais atuantes quanto às prisões por escândalos de corrupção, então quem está no Congresso olha e pensa: 'olha, o ministro da Justiça é o Sérgio Moro, o Bretas está prendendo no Rio, eu vou dar uma parada nas conversas que eu estava tendo com o governo para me certificar de que eu não corra risco, enfim, que outras figuras do sistema não corram risco'. Então isso é muito ruim para o funcionamento normal da política no Brasil", explicou.

Quem também foi preso nesta quinta-feira foi outro alto dirigente do MDB, o ex-ministro Moreira Franco. Para Almeida, não se deve esquecer que, ao lado de Temer e Franco, outro ex-ministro – Eliseu Padilha – era uma peça fundamental na articulação junto ao Congresso, e o atual governo Bolsonaro terá de apresentar respostas aos parlamentares atuais.

"Essa trinca é uma trinca que tem muita conversa com deputados. Quer dizer, acho que uma das mensagens que vão chegar aos deputados é que para apoiar o governo será preciso, em algum grau… acredito que eles vão ser libertados por algum habeas corpus, mas dali para frente da parte do governo será preciso algum grau de confiabilidade de que o governo irá agir, fará gestões no sentido de impedir novos fatos dessa natureza", avaliou.

O diretor do Instituto Brasilis ainda criticou a atual postura que se vê no combate à corrupção no Brasil, que privilegia, em sua visão, a velocidade ante a sustentabilidade.

"O que nós estamos vendo com esse certo voluntarismo é o sistema político estar todo em risco, inclusive deixando de tomar decisões importantes para o funcionamento da sociedade. Acredito que a Reforma da Previdência agora entra em uma zona de perigo muito grande, muito grave, e a gente fica se perguntando: a corrupção acabou por conta disso ou vai acabar por conta disso tudo?", questionou.

"As obras no Brasil estão paradas, estamos em uma recessão difícil de sairmos dela, talvez uma eventual não aprovação de qualquer que seja a Reforma da Previdência vai contribuir para o país ficar nesta péssima situação em que se encontra, então a gente precisa pensar os benefícios e os malefícios daquelas atitudes. Quer dizer, o combate à corrupção poderia e deveria estar sendo feito, mas de uma maneira um pouco mais lenta, gradual, e incremental", concluiu Almeida.

Denúncias e investigações contra Temer

O ex-presidente Michel Temer responde a um total de 10 inquéritos – cinco deles estavam no Supremo Tribunal Federal (STF) e foram remetidos à primeira instância, diante do fim do foro privilegiado do emedebista.

O caso que está com o juiz Marcelo Bretas trata das denúncias do delator José Antunes Sobrinho, dono da Engevix, que disse à Polícia Federal que pagou R$ 1 milhão em propina, a pedido do coronel João Baptista Lima Filho (amigo de Temer), do ex-ministro Moreira Franco e com o conhecimento do presidente Michel Temer.

Em nota, o Ministério Público Federal (MPF) informou que foram identificados a prática de crimes de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e fraudes à licitação através de contratos fictícios da Engevix. O pedido de prisão preventiva se fez necessário, segundo o MPF, porque os crimes continuavam em "plena operação".

Em nota, o MDB lamentou as detenções e disse esperar que a presunção de inocência e liberdade de defesa sejam respeitadas.

"O MDB lamenta a postura açodada da Justiça à revelia do andamento de um inquérito em que foi demonstrado que não há irregularidade por parte do ex-presidente da República, Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco. O MDB espera que a Justiça restabeleça as liberdades individuais, a presunção de inocência, o direito ao contraditório e o direito de defesa", diz o texto.

Michel Temer foi o 37º presidente da República do Brasil. Ele assumiu o cargo em 31 de agosto de 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff, e ficou encerrou o mandato em dezembro do ano passado. Ao longo do mandato, conseguiu barrar duas denúncias de corrupção na Câmara.

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Advogado alvo de operação contra fake news diz que foi vítima de 'montagens toscas'

Adriano Argolo teve um aparelho de celular apreendido
O advogado Adriano Argolo, alvo de um mandado de busca e apreensão da Polícia Federal, na manhã desta quinta (21), em um inquérito que investiga propagação de fake news e ameaças contra integrantes do Supremo Tribunal Federal, disse que foi vítima de “montagens toscas”. A operação ocorreu na casa dele, em Guaxuma, Litoral Norte de Maceió.

Em entrevista ao programa Balanço Geral, da TV Pajuçara, o advogado, que já integrou o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral em Alagoas, disse que viu as mensagens que levaram ao cumprimento do mandado e, segundo ele, são postagens que ele não fez no Twitter.

“Uma montagem grosseira. Eu tenho perfil no Twitter e faço críticas contundentes ao ‘status quo’ do Brasil atualmente. Sou crítico da operação Lava Jato, sou contra inclusive a CPI da Lava Toga [para investigar o STF], e hoje fui surpreendido por esse mandado”, afirmou.

Argolo disse que a Polícia Federal chegou à casa dele por volta das 6h. Policiais teriam tentado pular o muro, mas sem sucesso, até que ele teria aberto a porta. Foi levado da casa um aparelho de celular. “Não tenho armas, não tenho drogas, não tenho documentos comprometedores. O delegado me mostrou posts meus no Twitter que eu não escrevi”, declarou.

O advogado afirmou ainda que é filiado ao PT e é de esquerda. “Tenho orgulho desse mandado porque é o numero 1 dessa investigação”, disse na entrevista.

No Thn1
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Pesquisas mostram que eleitor já conhece a verdade. E se libertará


"Conhecereis a verdade e ela vos libertará". Quem diria que o presidente Jair Bolsonaro visse voltar contra si a palavra que ele tanto explorou, como discurso fácil, na campanha eleitoral. O então candidato repetiu tanto João 8:32 que, ao que tudo indica, a verdade está sendo conhecida e se materializa em forma de pesquisa de opinião pública.

E as últimas pesquisas são elucidativas: conhecido o governo, com apenas dois meses e 20 dias, a verdade começa a surgir, de maneira implacável. E o eleitor já dá sinais de que abandona o eleito. Daqui a pouco se libertará.

A pesquisa mais recente saiu ontem, a do IBOPE, constatou a ampliação do grupo daqueles que acham o governo Bolsonaro um horror. Cresceu de 11% a 24% o universo dos que responderam "ruim" ou "péssimo". Já os que ainda acreditam na gestão do "mito" e a consideram "boa" ou "ótima", não são mais 49% e caíram para 34% dos que responderam ao levantamento. É bom já ir se acostumando, pois, o governo é carro de ladeira abaixo.

Mas, não é para menos. Trata-se de um governo atrapalhado, sem dono, com ministros bizarros e filhos mandões, que faz os brasileiros passarem uma vergonha atrás da outra. Se o governo tivesse começado há uma semana, a viagem da comitiva bolsonariana aos Estados Unidos já seria, por si, motivo suficiente para despencar qualquer popularidade.

O que o "presidente-amigo" fez na presença do ídolo dele, o topetudo Donald Trump, consolidou a posição de vanguarda ocupada pelo Brasil no ranking da chacota mundial. Bolsonaro demonstrou ao mundo como é fácil acabar com a reputação de um país e jogar sua soberania no lixo.

Evidentemente, a viagem patética à terra do Pateta não é determinante na derrocada de Bolsonaro nas pesquisas. A queda brutal e significativa é pelo conjunto da obra que vem sendo construída passo a passo, trapalhada a trapalhada, vergonha a vergonha, de primeiro de janeiro para cá.

A patacoada americana só piora muito as coisas.

Gilvandro Filho, Jornalista e compositor/letrista, tendo passado por veículos como Jornal do Commercio, O Globo e Jornal do Brasil, pela revista Veja e pela TV Globo, onde foi comentarista político. Ganhou três Prêmios Esso. Possui dois livros publicados: Bodas de Frevo e “Onde Está meu filho?”
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Maia vs Moro

Maia vai à guerra e diz que Moro é “funcionário de Bolsonaro”


Com todas as desculpas que disse ter apresentado hoje aos militares, o “Maia vai à guerra” que este blog apontou ontem sobre as declarações do presidente da Câmara era a mais evidente das verdades.

Hoje ele repete a dose e reage ao pedido de Sérgio Moro para abreviar a tramitação do pacote proposto pelo “justiceiro de Curitiba” engrossando o caldo:

[Moro?]O funcionário do presidente Bolsonaro? Ele conversa com o presidente Bolsonaro e se o presidente Bolsonaro quiser ele conversa comigo. Eu fiz aquilo que eu acho correto [sobre a proposta de Moro]. O projeto é importante, aliás, ele está copiando o projeto direto do ministro Alexandre de Moraes. É um copia e cola. Não tem nenhuma novidade, poucas novidades no projeto dele”

Maia, mordido com a onda de ataques e xingamentos que lhe fazem os seguidores de Bolsonaro nas redes sociais desancou o ex-Super-Homem de Curitiba:

“Eu sou presidente da Câmara, ele é ministro funcionário do presidente Bolsonaro. O presidente Bolsonaro é quem tem que dialogar comigo. Ele está confundindo as bolas, ele não é presidente da República, ele não foi eleito para isso. Está ficando uma situação ruim para ele. Ele está passando daquilo que é a responsabilidade dele. Ele nunca me convidou para perguntar se eu achava que a estrutura do ministério estava correta, se os nomes que ele estava indicando estavam corretos”.

Sérgio Moro, positivamente, não é mais um intocável. E não adianta ir chorar para o chefe, ele está endurado em Maia para que a reforma da Previdência ande. E, ainda que não estivesse, tenho lá minhas dúvidas se moveria uma palha pelo ex-juiz.

Fernando Brito



Mensagens de Moro por whatsapp durante a madrugada provocaram fúria de Rodrigo Maia

Após ser chamado de "funcionário de Bolsonaro" por Maia - que classificou o projeto de lei anticrime como um "copia e cola" - na noite desta quarta-feira (20), Moro emitiu nota na tentativa de colocar panos quentes, dizendo que seu projeto é "inovador e amplo", salientando que "o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais"


Pelo Whatsapp, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, abriu mais uma fissura na relação do governo Jair Bolsonaro (PSL) com o Congresso Nacional, desta vez com ninguém menos que Rodrigo Maia (DEM/RJ), presidente da Câmara e responsável por pautar projetos de total interesse do governo, como a reforma da Previdência.

Após ser chamado de “funcionário de Bolsonaro” por Maia – que classificou o projeto de lei anticrime como um “copia e cola” – na noite desta quarta-feira (20), Moro emitiu nota na tentativa de colocar panos quentes, dizendo que seu projeto é “inovador e amplo”, salientando que “o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais”.

A resposta ríspida de Maia foi provocada por mensagens enviadas por Moro no fim da noite de terça-feira (19) e que entrou na madrugada de quarta-feira (20). Em tom de cobrança, o ministro implorava celeridade no pacote anticrime, acusando Maia de descumprir um acordo e lamentando a criação de um grupo de trabalho para analisar o projeto.

Irritado, Maia pediu a Moro respeito e afirmou que era ele o presidente da Câmara, cargo que tem a atribuição de definir a pauta de votações da Casa.

Horas depois, partidários do governo Bolsonaro nas redes sociais começaram a fustigar Maia, principal aliado do presidente da República na votação da reforma.

A aliados, o deputado disse que o ministro estava sendo inconveniente pelo gesto e que não havia descumprimento nenhum de acordo.

Maia afirmou ter acordado com o Palácio do Planalto que priorizaria na pauta da Câmara a aprovação da reforma da Previdência, considerada crucial para a gestão de Jair Bolsonaro, e que na sequência colocaria o texto de Moro para tramitar.

No Fórum



Moro tem de aprender que não é mais Deus


Uma vez, durante o primeiro governo de Brizola, perguntei ao comandante dos Bombeiros como era a estrutura para manter impecáveis aqueles velhos caminhões vermelhos, de 40 ou 50 anos, que a corporação mantinha, enquanto os carros. no serviço público, se degradavam em quatro ou cinco anos . E a resposta veio, bem simples: “Brito, nos Bombeiros tem cadeia”.

Moro perdeu a cadeia e enfrenta dificuldades em colocar em curso a máquina de perseguição que sonhou montar no Ministério da Justiça.

Quis bancar o reizinho, correndo a encaminhar seu “pacote anticrime” antes da reforma da Previdência e deu-se mal, vendo-o ser fatiado e relegado à fila. Partiu para a intimidação do Supremo e tomou uma derrota significativa. Levou uma “enquadrada” do “chefe” Bolsonaro com o episódio da demissão da suplente de um conselho.

Assim, cheio de riscos e arranhões, saiu amassado de sua imprudente tentativa de reagir ao “banho-maria” em que Rodrigo Maia colocou  seu “pacote” e, em meio aos conflitos já duríssimos da reforma previdenciária, despachou cobranças, via Whatsapp, ao Presidente da Câmara.

A traulitada de ser chamado de “funcionário do Bolsonaro” é destas que deixa os danos visíveis a todos.

Se me perdoam o segundo aforismo do dia, quem não sabe calar, não sabe falar.

Não há escada mais difícil de descer que a da soberba e não está fácil para Sérgio Moro entender que decaiu da condição de deus onipotente que ostentou durante os anos de Lava Jato.

O fato de a ele tudo ser permitido, em razão de sua missão de destruir Lula, e o medo que inspirava em todos em que ousassem opor-se ou mesmo colocar reparos em suas ações atrabaliárias: eram “corruptos” ou, com muito favor, “defensores dos corruptos”.

Agora, divulgou um áudio respondendo a Maia, como você pode ver abaixo.

Como disse outro dia um ministro do STF, pode espernear à vontade.

Não tem mais a cadeia, não tem mais a mídia.

Ficou só com o apelo “padrão Cunha” de que “Deus abençoe esta grande nação”.

Mas ele não é mais Deus.


Fernando Brito
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PF está chegando perto dos mandantes da Morte de Marielle


Fontes com acesso às investigações do caso Marielle informaram o GGN que as investigações estão convergindo para três pessoas:
  • Jorge Picciani – ex presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro
  • Domingos Brazão – ex presidente do Tribunal de Contas do Rio.
  • Paulo Mello – sucedeu a Picciani como presidente da Alerj
os três são influentes nas áreas dominadas por milícias.

Luís Nassif
No GGN
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Xadrez da contagem regressiva para a queda de Bolsonaro

Mesmo assim, aceitou-se abrir mão de vantagens objetivas do comércio, das quais nem economias mais potentes, como a China, abrem mão. E tudo porque El Refundador gosta de Coca Cola, hambúrguer e da Disneyworld.


Peça 1 – as aventuras de um provinciano na corte do Tio Sam

A história do século 20 está coalhada de mandatários caricatos, seja no mundo real ou do cinema. Especialmente nos Estados Unidos, depois que se tornaram a economia mais poderosa do planeta, a figura do ditador (ou mandatário) terceiro mundista, deslumbrado, caricato, tornou-se um dos pratos prediletos no ramo das comédias grotescas nacionais.

Poucos personagens se igualaram ao show de ridículo de Jair Bolsonaro, El Refundador – o estadista que deu ao Brasil a refundação tão alardeada pelo Ministro Luís Roberto Barroso – nesta viagem à corte do Tio Sam.

 
Seus assessores principais o trataram como idiota. É o caso do Ministro da Economia Paulo Guedes dizendo em público que El Refundador “tem culhões” para segurar o aumento do gasto público. Lembra a história do desafio do “duvide-o-dó”, dos tempos de moleque. Ou, para os homens de negócios americanos, afirmando que El Refundador gosta de “Coca Cola e hambúrguer”, a única característica do modo de vida americano assimilada por ele. Esqueceu de falar da Disneyworld, CIA e FBI e da indústria de armas.

Tratar o presidente da República como idiota é uma falta total de respeito institucional pelo cargo, ainda que ele se comporte como um idiota, encantado pelo fato de Trump ter oferecido seu número particular de celular para ele. Trump nem precisou pedir reciprocidade porque a NSA já possui a agenda completa dos celulares das autoridades brasileiras.

O show se tornou completo com as investidas do filho número 3, as comemorações pelo Twitter do filho número 2, e o amuo do Ministro das Relações Exteriores por ter sido preterido na visita ao Salão Oval.

Nem Idi Amin, em seus tempos áureos, protagonizou tal vexame.

Peça 2 – o toma-lá-dá-lá

Não se ficou apenas no assassinato da imagem do país. As negociações bilaterais nada ficaram a dever às miçangas com que os conquistadores portugueses conseguiram cativar os silvícolas.

El Refundador aceitou isenção de tributos para importação de trigo e de suínos em troca de nada. Aceitou abrir mão das salvaguardas da Organização Mundial do Comércio (OMC) para nações em desenvolvimento em troca do apoio dos EUA para o ingresso do país na OCDE (a organização que reúne as maiores economias do planeta).

Não há um ganho efetivo sequer nesse ingresso. A OCDE atua no monitoramento das condições econômicas do país-membro, para torna-lo mais apetecível aos investimentos externos. É um monitoramento a mais nas políticas públicas. Tudo o que sugere pode ser feito de forma voluntária pelo país, sem se submeter a nenhum monitoramento. E só aderem países com multinacionais fortes, precisando de espaço para ampliar seu poder, não um país cujas multi foram destruídas por uma ação conjunta da Lava Jato com o Departamento de Justiça dos EUA, com base em uma legislação da OCDE.

Mesmo assim, aceitou-se abrir mão de vantagens objetivas do comércio, das quais nem economias mais potentes, como a China, abrem mão. E tudo porque El Refundador gosta de Coca Cola, hambúrguer e da Disneyworld. Entregou a base de Alcântara aos Estados Unidos, sem impor nenhuma condição de transferência de tecnologia. Tudo de mão beijada, apenas pela honra de aparecer em uma foto com Trump.

O evento comprovou a total incapacidade de El Refundador de defender o interesse nacional.

Peça 3 – a visita à CIA

A visita de Sérgio Moro à CIA, com o Refundador e tropa, é a comprovação fática da influência externa na Lava Jato.

Numa ponta, submete-se os sistemas de inteligência brasileira ao monitoramento da CIA, como ocorreu com a Lava Jato. Na outra, a política econômica ao monitoramento da OCDE. E, como recompensa, a divisão do butim das imensas multas aplicadas às empresas brasileiras, por esse conluio de Sergio Moro, Lava Jato e Departamento de Justiça.

As explicações de Moro para a visita não explicaram nada. A história de que foi tratar de narcotráfico não bate. O departamento de narcotráfico é o DEA, não a CIA. Nem bate a história das informações sobre organizações criminosas. A CIA trata de terrorismo, e de espionagem em outros países, não da influência das milícias nos governos nacionais.

Peça 4 – a queda na popularidade

Tem-se, neste Xadrez, então, três peças demonstrando a falta absoluta de uma estratégia de governo, de estatura mínima para defender interesses nacionais.

Ao mesmo tempo, as últimas pesquisas de opinião mostram o desabamento da imagem de El Refundador junto à opinião pública. O público pode demorar para entender desdobramentos de decisões econômicas. Mas os feitos do número 3 no Twitter, os vídeos pornográficos, as tolices diárias, ajudaram a acelerar o desmanche da imagem do número 0.

É impossível esperar dele qualquer mudança de estratégia, sequer qualquer esboço de estratégia política. É um tosco. A perda da popularidade é a antessala da perda de mandato.

Peça 5 – o fim do medo

Há dois pontos centrais que ajudarão a marcar o final de Bolsonaro, o breve.

O primeiro, a constatação das cortes brasilienses de que a escandalização com o governo não se resume a eleitores desiludidos, mas às próprias Forças Armadas. À esta altura, não há como o Alto Comando não se dar conta dos riscos de se deixar o país nas mãos desses desatinados. Especialmente à medida em que vai ficando claro o envolvimento do clã com milícias digitais e milícias criminosas.

O segundo, é o fim da blindagem da Lava Jato, com a explicitação dos interesses menores na criação da fatídica fundação de direito privado.

O ponto de inflexão foi a reação do STF (Supremo Tribunal Federal) contra o jogo de chantagens das milícias digitais e os ataques de procuradores nas redes sociais, com a decisão do presidente Dias Toffoli de mandar investigar a origem dos ataques. Por aí se quebrará a parte mais ostensiva da influência dos bolsonaristas-lavajateiros, com suas ameaças digitais.

No dia em que se contar a história da Lava Jato, aliás, ficará claro os movimentos de chantagem contra quatro ministros da corte – não necessariamente da parte da Lava Jato, mas das milícias de direita que se formaram em torno dela e que ajudaram a impulsionar o impeachment.

Há indícios de que pelo menos quatro Ministros se submeteram às pressões:


Luís Roberto Barroso – com o dossiê envolvendo sogra e esposa e investimentos imobiliários em Miami. Depois do aggiornamento de Barroso, não mais se falou do tal dossiê.

Luiz Edson Fachin –farta documentação (inclusive fotográfica) do trabalho realizado pela JBS em favor da sua eleição para o cargo, passando pelo empréstimo do jatinho da empresa para as visitas a senadores em seus estados de origem, e festividades típicas da corte brasiliense. A mudança de Fachin foi radical. E o dossiê não apareceu.

Carmen Lúcia – a casa que adquiriu, sub-avaliada, de um vendedor próximo a Carlinhos Cachoeira. O episódio mereceu uma nota em uma coluna de O Globo. Depois que a Ministra se alinhou ao punitivismo, o caso sumiu dos jornais.

Luiz Fux – é o tal Ministro que está sendo agora alvo de ameaças, conforme indicado dias desses por Gilmar Mendes, e não Barroso, como supus. As investigações da Lava Jato Rio estão indo a fundo no sistema judicial e nos escritórios de advocacia. Semana sim, semana não, há uma nota em jornal com insinuações sobre a delação do ex-governador Sérgio Cabral.

Nem se julgue que sejam cúmplices de atos criminosos. Foram subjugados unicamente com a ameaça sobre suas reputações. Abriram mão de convicções tratando reputação púbica – isto é, a serviço do público – como um ativo privado.

Nada disso ajudará a segurar a enchente quando o caso das milícias e de Marielle Franco for finalmente desvendado.

Luís Nassif
No GGN
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Em troca de nada

É fácil imaginar o que no Brasil sucederia a Lula, Dilma, Sarney ou Itamar se um deles fizesse uma pequena parte das entregas, em troca de absolutamente nada, de Jair Bolsonaro a Trump. Nem é preciso considerar, na comparação hipotética, o espetáculo de subserviência e bajulação — palavras da imprensa americana — dado em nome do Brasil. A comitiva brasileira, sem exceção para os generais, em momento algum se lembrou, um mínimo que fosse, de que representava um país cuja degradação ainda não arruinou a sua dignidade internacional — a última reserva.

Além das concessões substanciais, como importar trigo americano em desrespeito ao acordo que nos traz o trigo argentino, e de comprometimentos no jogo dos organismos internacionais, Bolsonaro e Paulo Guedes renegaram as muitas vantagens da filiação brasileira à OMC, Organização Mundial do Comércio. Como presente de consolação, o governo Trump promete (sem dar garantia) apoiar a entrada do Brasil na OCDE, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Da qual já se recebe a colaboração mais útil.

Simbólica das promessas que enrolaram as concessões brasileiras, ficará para a crônica histórico-anedótica. É a promessa de que Trump "se esforçará" para ver, por desejo seu, o Brasil na Otan, a Organização do Tratado do Atlântico Norte. Para isso, teria duas hipóteses. Dadas as possíveis dificuldades para levar o Brasil até o Atlântico Norte, Trump pode ceder ao velho desejo americano inspirado pela Amazônia e fazer do Brasil o que fez do Alasca.

Apesar de situado no lado oposto ao Atlântico Norte, esse extremo das Américas integra a Otan desde que declarado estado americano. Na verdade é colônia, como os próprios Estados Unidos estabeleceram, por exemplo, para as "províncias ultramarinas" de Portugal na África. Com o correto argumento de que a dominação de território desconexo é própria de colônia, não de estado nem província, ou lá o que nomeiem.

A outra hipótese, menos própria para o estilo Trump, seria propor aos países europeus da Otan uma condição estatutária nova, para abrigar o Brasil. Ao que os europeus dariam duplo não. Mais nos gabinetes fechados, e ainda assim sonoros, do que às claras, entre os europeus e o governo americano a Otan é causa de crise grave. Os primeiros agem para a criação de uma Otan só europeia, cansados das exigências custosas do sócio, aliás, maior produtor de armas do mundo. Trump, por seu lado, acusa países europeus de atraso deliberado das contribuições financeiras, o que ninguém nega.

A importância dada por Trump ao encontro com Bolsonaro ficou exposta em seu convite à presença de Eduardo Bolsonaro. Criticada aqui e ridicularizada nos Estados Unidos, a presença foi muito boa. Mostrou que a natureza do encontro na Casa Branca, definida por Trump, foi apenas social. Entre duas pessoas que são presidentes, não entre dois presidentes no exercício de suas responsabilidades. Uma visita que levou muito, entregou mais do que levou e nada trouxe.

A não ser um motivo de curiosidade. Nossa. Não consta ter havido, jamais, a visita do presidente de um país ao centro de informação e de ações sigilosas de outro, ainda mais à monstruosa CIA. Por que isso se deu com Bolsonaro, é pior do que não sabido. Muito pior.

Janio de Freitas
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