19 de mar de 2019

Bolsonaro e Moro vão à CIA/FBI. Brasil entrega Alcântara e promete "biodiversidade". Embraer já foi.


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Capitalização individual ou taxação da riqueza: como financiar a previdência quando o trabalho desaparece e a riqueza cresce


O ataque destrutivo do governo Bolsonaro aos direitos previdenciários não tem como objetivo ajustar o sistema de aposentadorias e pensões às mudanças demográficas, tecnológicas e laborais que ocorreram nas últimas décadas no Brasil.

Paulo Guedes, o especulador assentado no Ministério da Economia, deixou claro que o objetivo primordial da PEC 6/2019 é substituir o sistema vigente, de repartição simples, baseado na solidariedade intergeracional e sustentado por toda sociedade por meio de impostos, taxas e contribuições, pelo regime de capitalização individual [artigo 201 da PEC], que no médio prazo pode desviar os R$ 350 bilhões anuais das contribuições de empregadores e trabalhadores para a especulação financeira.

É uma cifra extraordinária, superior ao PIB de 140 países. Esse valor deixaria de ser aportado ao sistema público e solidário de previdência social – inviabilizando atuarialmente o regime de repartição simples – e entraria na engrenagem dos fundos financeiros da agiotagem internacional, sem nenhuma garantia de proteção vitalícia dos trabalhadores, sobretudo na velhice.

A estratégia do governo Bolsonaro é abrir espaço fiscal para, em 10 anos, drenar R$ 1 trilhão para o sistema financeiro, sob o pretexto da “economia” gerada pela falaciosa “nova previdência”.

O regime de capitalização, em que a Previdência deixa de ser uma política pública de proteção social para ser um negócio financeiro, não deu certo em nenhuma parte do mundo. No Chile, é causa do mais elevado índice de suicídios de idosos do mundo.

Velhos e falsos mantras

Os defensores do desmonte previdenciário repetem velhos e falsos mantras. Sustentam que [i] a previdência é deficitária e que [ii] os gastos previdenciários são a causa principal do desequilíbrio das contas públicas.

A CPI da Previdência [relatório] demonstrou que a Seguridade Social é superavitária. Estudo da ANFIP [Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal] também evidenciou que a Seguridade Social, como concebida na Constituição Federal, prevendo benefícios previdenciários e fontes correspondentes de financiamento, sempre foi superavitária. Para se garantir, portanto, o equilíbrio e a sustentabilidade do sistema previdenciário, basta respeitar a CF.

Considerando-se as fontes de financiamento previstas na Constituição, no período de 2007 a 2015 a Seguridade acumulou superávit de 524,3 bilhões de reais, como demonstra o gráfico da  ANFIP:

anfip - superávit previdenciário

De outra parte, é desonesto culpar a Previdência pelo desequilíbrio fiscal. De 2005 a 2015, as despesas com previdência totalizaram R$ 2,957 trilhões. No mesmo período, o país dispendeu R$ 2,528 trilhões somente em juros da dívida, afora os gastos com amortização, confirmando-se como importante gargalo do orçamento da União:

anfip - gastos previdenciarios e dívida

Apesar do montante de juros pagos nesse período, o saldo da dívida, que em 2005 estava na casa dos R$ 2,08 trilhões, em 2015 disparou para R$ 4,14 trilhões – é como enxugar gelo.

A recessão econômica e o desemprego comprometem o equilíbrio da seguridade social, porque diminuem a arrecadação federal e os aportes previdenciários. A grande urgência nacional, por isso, deveria se concentrar na reconstrução da economia brasileira e no enfrentamento dos problemas estruturais da dívida e da injustiça tributária, não na destruição do sistema previdenciário.

Modelo proposto por Bolsonaro é genocida

É pacífico que a política previdenciária que o mundo contemporâneo conhece, inspirada na Alemanha de Bismarck do final do século 19, requer atualizações para preservar um sistema de proteção social capaz de assegurar dignidade e justiça para trabalhadores quando concluem o longo ciclo de vida dedicado ao trabalho – nunca inferior a 35, 40 ou mais anos de trabalho.

Qualquer sistema público, para garantir proteção vitalícia do trabalhador, deve ser atualizado vis a vis as mudanças demográficas, a expectativa de vida ao nascer, a expectativa de sobrevida, a dinâmica do mercado de trabalho e, em especial, a produção e reprodução social da riqueza.

O sistema de capitalização proposto por Bolsonaro, todavia, ao invés de proteger o trabalhador por toda a vida, tem prazo de validade limitado, pois dura apenas enquanto durar o “saldo disponível” da “conta individual de investimento” do trabalhador. Se o fundo vai a falência, o que não é incomum nas crises cíclicas do capitalismo, o prejuízo irreversível para o trabalhador pode chegar antes mesmo da aposentadoria.

A natureza macabra do sistema de capitalização pode ser facilmente comprovada. Tome-se por exemplo o trabalhador que se aposenta aos 60 anos e “consome” o “saldo disponível” da “conta individual de investimentos” depois de 10 anos, ao alcançar a idade dos 70 anos. A partir daí, como esse aposentado já não possuirá “saldo disponível” na sua “conta individual de investimento”, ele então ficará desamparado, sem cobertura previdenciária pelo período remanescente de vida. Ou seja, torna-se um indigente – e, então, a saída é abreviar tragicamente sua vida.

O efeito dessa realidade, no Chile, é o suicídio recorde de idosos desesperados e desalentados. O regime de capitalização, que foi imposto no país andino pelo sanguinário Pinochet em 1981, seguindo as idéias de economistas da mesma escola do Paulo Guedes, é um modelo genocida.

O professor da Universidade do Chile e conselheiro regional da OIT, Andras Uthoff, explica que o regime de capitalização transformou chilenos adultos de classe média em idosos pobres [ler aqui]. Ele lembra que

quando a reforma foi implantada, prometia-se uma aposentadoria de 70% da média dos salários que a pessoa recebera durante a vida ativa. Hoje em dia, as taxas de reposição são em média de 35%. Quer dizer que a renda dessas pessoas diminuiu 65%, é uma mudança muito grande. Você vive a vida de trabalhador como classe média. Ao sair dela, se torna pobre”.

Antecipando o fracasso da proposta do Bolsonaro, Uthoff alerta que, mesmo com os subsídios estatais criados por Bachelet em 2008 para tentar corrigir a crueldade do regime de capitalização, atualmente 79% das pensões estão abaixo do salário mínimo chileno [que equivale a 1.810 reais], e “44% dos aposentados vive abaixo da linha de pobreza, ganhando menos de 600 reais por mês”.

A solução é taxar a riqueza para pagar aposentadorias e pensões

Pesquisa realizada em 2018 pelo Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações [LAMFO] da UNB projeta que até 2026, ou seja, em apenas 7 anos, 54% das profissões formais no país poderão ser substituídas por robôs e programas de computador [aqui].

Se esse prognóstico se confirmar, isso corresponderia ao desemprego – ou desocupação – de cerca de 30 milhões de trabalhadores formais, que serão substituídos por robôs. Ao exército dos atuais 13 milhões de desempregados e outros milhões de desalentados, em poucos anos se adicionará esse enorme contingente.

Como a pesquisa abrange apenas as profissões substituíveis por robôs, essa estimativa deve crescer de modo significativo se consideradas também as atividades humanas passíveis de substituição por inteligência artificial, o que ocorrerá de maneira intensiva em distintas áreas do conhecimento, como das profissões da saúde, de gestão, contabilidade, finanças e outras.

Outro estudo, do sociólogo italiano Domenico De Masi, chega a resultado semelhante à pesquisa do LAMFO/UNB. De Masi avalia que até 2030, ou seja, no curso de 1 década, cerca de 60% dos postos de trabalho que hoje conhecemos não mais existirão.

O desaparecimento do trabalho humano é uma característica marcante da fase atual do capitalismo monopolista. O desaparecimento do trabalho, contudo, não compromete a acumulação de riqueza. Ao contrário disso, a riqueza gerada aumenta continuamente, porém, fica cada vez mais concentrada.

Com o avanço da robótica, da inteligência artificial, da nanotecnologia e das novas tecnologias, será necessário menos quantidade de trabalho humano para se produzir mais bens, serviços e riquezas.

De Masi considera contraproducente, por isso, se continuar taxando o trabalho para sustentar o sistema de aposentadorias e pensões. No entendimento dele, é preciso taxar a riqueza:

Quanto mais se aumentam os ganhos de produtividade com tecnologia, mais cresce a riqueza dos empreendedores. Oito pessoas têm metade da riqueza da humanidade. Isso não pode continuar ao infinito. Na sociedade industrial, foi dado ao trabalho uma importância que antes não havia e o ser humano foi tratado como máquina. Agora, esse trabalho pode ser relegado a elas [as máquinas]. Não serão mais os trabalhadores a serem taxados, mas sim a geração de riqueza produzida pela tecnologia.

Ao questionar sobre como serão pagas as pensões e aposentadorias se haverá redução de postos de trabalho e da quantidade de pessoas trabalhando, o próprio De Masi responde:

Teremos mais riqueza. Hoje, quem trabalha paga pelo que recebem os pensionistas e aposentados. No futuro, como os trabalhadores serão sempre menos e a riqueza produzida será sempre maior, o recolhimento deverá ser feito sobre a base da riqueza e não dos trabalhadores. É uma revolução. Haverá menos trabalhadores, mas produzirão muito mais riqueza [aqui]”.

É irrealista, nesse sentido, em pleno século 21, se continuar pensando financiar o sistema de aposentadorias e pensões centralmente através da tributação do trabalho.  A solução para o sistema previdenciário do mundo contemporâneo é taxar a riqueza produzida para financiar o pagamento das aposentadorias e pensões.

Os privilégios tributários obscenos dos ricos no Brasil

A tributação da riqueza no Brasil só não é menos obscena que a obscena concentração da renda e da riqueza socialmente produzida.

Um punhado de acionistas dos Bancos Itaú e Bradesco, por exemplo, receberam R$ 43 bilhões em dividendos no exercício de 2018, porém não tiveram de desembolsar um único centavo sequer de impostos.

Os proprietários, sócios ou executivos de empresas que recebem 100 mil, 400 mil, 1 milhão ou 5 milhões por mês via distribuição de dividendos, não pagam nada de imposto, ao passo que o trabalhador que recebe R$ 4.664,68 de salário mensal desconta 27,5% de imposto de renda.

Essa pornografia tributária é uma obra inesquecível brindada à oligarquia rentista e parasitária por FHC no primeiro ano do período do seu governo [1995].

Os proprietários rurais, que se beneficiam da valorização astronômica das terras que servem de reserva de valor, ainda são beneficiários pela valorização histórica das commodities, mas pagam ao redor de R$ 800 milhões de ITR [Imposto Territorial Rural] ao ano, ou irrisórios 0,02% das receitas da União. Além disso, os produtores rurais são desonerados dos impostos de exportações. Qualquer cidadão urbano paga em IPTU e IR, proporcionalmente, muito mais que um latifundiário paga de ITR e outros impostos diretos.

O imposto sobre herança, de outra parte, representou 0,12% do PIB em 2016, bastante inferior à Bélgica, que arrecadou 0,8%. O economista André Calixtre estima que

a aplicação do Imposto sobre Grandes Fortunas tenha potencial de arrecadar mais de R$ 70 bilhões (incidindo sobre patrimônios acima de R$ 100 milhões), o que teria efeito desejável de qualquer imposto sobre estoques: os patrimônios tendem a se redistribuir nos anos seguintes, reduzindo progressivamente o potencial arrecadatório, mas cumprindo seu papel de reduzir desigualdades rompantes” [aqui].

São notórios, além disso, os mecanismos de desonerações tributárias, de isenções e favores fiscais concedidos ao capital sem o cumprimento de contrapartidas como expansão produtiva, ampliação de postos de trabalho e preservação ambiental.

Se chegou a hora de mudar a previdência – e isso é duvidoso, a se considerar os velhos e falsos mantras repetidos pelo governo –, é porque então chegou a hora de se taxar a riqueza gerada pelo trabalho humano e pela tecnologia para pagar as aposentadorias e as pensões da população.

No exaustivo estudo A reforma tributária necessária [aqui], da ANFIP, estão expostas diretrizes para uma reforma tributária que promova justiça tributária, ajude a diminuir as disparidades sociais e regionais, e assegure o financiamento sustentável de políticas Estado que têm sentido civilizatório.

O regime de capitalização individual proposto na PEC 6/2019 é o germe da barbárie que, se adotado no Brasil, transformará o país no campeão mundial de suicídios de idosos, desbancando o Chile desse posto vergonhoso.

Jeferson Miola
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A morte do Brasil


O presidente John Kennedy costumava dizer que “a política doméstica pode apenas nos derrotar, mas a política externa pode nos matar”.

De fato, pode. Kennedy estava se referindo, é claro, à possibilidade de que estratégias erradas em política externa levassem os EUA a uma guerra nuclear.

Mas há outras maneiras de um país se matar, além da guerra.

Uma delas, talvez a mais comum, é perder de vista seus interesses próprios e passar a defender interesses de outro país, ou melhor, de um outro governo.

É o que o governo do capitão vem fazendo.

Com efeito, se havia alguma dúvida sobre o grau de vassalagem cega do governo Bolsonaro em relação a Trump, a inacreditável viagem aos EUA se encarregou de aniquilá-la em grande estilo.

Foi um espetáculo grotesco de submissão política e ideológica. Uma total falta de vergonha. Algo que já entrou para a história como o capítulo mais constrangedor da nossa diplomacia.

O capitão, grande apreciador dos elementos centrais da cultura americana, como a Coca-Cola, as calças jeans e a Disneylândia (comentam que tem predileção pelo personagem Pateta), aparentemente não gosta muito do Brasil.

Com certeza, não gosta de nossos migrantes. Seu filho Eduardo e ele mesmo fizeram declarações bombásticas contra nossos cidadãos que buscam uma vida melhor lá fora. O primeiro disse que sentia vergonha dos migrantes brasileiros. Já o segundo afirmou à FOX News, mídia trumpista, que apoia a construção do muro de Trump, pois a maioria dos migrantes “não tem boa intenção”. Não comentou, contudo, se aprovava a prisão de crianças brasileiras pela aduana de Trump, o grande humanista.

Suspeitamos que o capitão considere que China, países árabes e os Estados do Mercosul também não tenham “boa intenção”, pois decidiu comprar briga com esses grandes parceiros do Brasil para atender caprichos geopolíticos de Trump, o messias do Ocidente.

Em contrapartida, para o capitão e sua incrível armada Bolsoleone, Trump é um oceano de boas intenções, às quais o Brasil tem de se curvar ideologicamente.

Por isso, no incrível convescote bilateral da ultradireita, que reuniu expoentes do calibre intelectual de Steve Bannon e Olavo de Carvalho, nosso capitão fez anacrônico discurso contra o comunismo, no qual afirmou que o “antigo comunismo não pode mais imperar neste nosso ambiente que nós vivenciamos”.

Desconhecíamos que o capitão residisse em Pyongyang. Pensávamos que tivesse fixado residência em Brasília. Também desconhecemos as razões que levaram o convescote da ultradireita a ser realizado na embaixada do Brasil em Washington. Julgávamos que a nossa representação oficial só deveria ser aberta para tratativas republicanas concernente às relações bilaterais.

Em todo caso, o reconhecimento das boas intenções do novo messias do Ocidente, que nos resgatará do comunismo e do marxismo cultural, provoca inegável frisson na armada Bolsoleone e desejo insopitável de agradar unilateralmente. Sentimento altruísta semelhante ao que se estabelece entre um cão e seu dono.

Esse amor incondicional já redundou em atos de concessão unilateral inéditos em nossa história.

Em primeiro lugar, concedemos a isenção de vistos para norte-americanos, canadenses, australianos e japoneses, sem exigir nada em troca. De agora em diante, esses cidadãos poderão aqui entrar sem nenhuma exigência.

Já, nós, brasileiros, continuaremos a nos submeter à tradicional via crucis para obter vistos. Afinal, como afirma o próprio presidente do Brasil, frequentemente não temos boas intenções e provocamos vergonha lá fora, além de, segundo o nosso ministro da Educação, roubarmos e pilharmos tudo durante nossas viagens ao exterior.

Outro ato que demonstra amor incondicional foi o relativo à concessão de uma cota de 750 mil toneladas/ano para que os EUA exportem para nós seu trigo com isenção tarifária. De novo, não exigimos nada em troca, mesmo tendo Trump nos imposto sobretarifas em aço e alumínio e barreiras não-tarifárias contra nossa carne e vários outros bens agrícolas. Fizemos por amor.

O problema é que essa decisão amorosa e desinteressada pode prejudicar a Argentina, nosso principal parceiro do Mercosul, e do qual importamos a maior parte do trigo que consumimos. Em 2017, importamos apenas 333 mil toneladas de trigo dos EUA. Assim, essa quota tenderá a mais que duplicar as nossas importações dos EUA.

Também a concessão da Base de Alcântara para ser usada por empresas norte-americanas é outra demonstração de afeto incondicional. Na realidade, o acordo antigo, rejeitado pelo Congresso não tão amoroso, impunha ao Brasil, na prática, a extinção de seu programa de desenvolvimento de foguetes como contrapartida para que os EUA “deixassem” suas empresas usar nossa base. Dizem, agora, que o novo acordo respeitará nossa soberania. Mas, ante tanto amor canino demonstrado pela armada Bolsoleone, duvidamos que isso aconteça.

Demonstração maior de fidelidade canina foi a promessa de Bolsonaro de empenhar-se mais na desestabilização da Venezuela, nossa vizinha. O capitão afirmou que todas as opções estão na mesa para alcançar esse nobre objetivo. Ou seja, admitiu participar de uma guerra para benefício de seu ídolo político. Quantos brasileiros e venezuelanos morreriam? Pouco importa. Somos latinos. Gente sem boas intenções.

Outra concessão amorosa nossa ao messias do Ocidente foi a promessa da extensão da jurisdição da OTAN ao Atlântico Sul, que os EUA vêm tentando estabelecer, coincidentemente, desde a descoberta do pré-sal. Lula e seu ministro da Defesa, Nélson Jobim, negaram. Agora, a generosidade bolsonariana abre a possibilidade de submeter a Amazônia Azul aos desígnios do messias. No mesmo diapasão afetivo, Guedes, o chicago boy mais rápido do meio oeste, prometeu vender o pré-sal em 3 meses. O pré-sal e tudo mais. O corpo esquartejado do Brasil está à venda.

Já do outro lado da mesa, o novo dono do Brasil, bem mais pragmático e racional, não demonstrou tanto afeto assim.

Ao pedido de apoiar o Brasil em seu pleito de ingressar na OCDE, o clube dos ricos, respondeu que só o fará se o nosso país renunciar ao tratamento diferenciado que temos na OMC, por sermos país em desenvolvimento. Com isso, perderíamos mercado em muitos países. Os EUA, nosso concorrente em várias áreas, aproveitariam.

Também não conseguimos êxito algum na reversão ou revisão de medidas protecionistas que os EUA aplicam a nossos produtos. Afinal, lá, como no Brasil, vigora o America First.

O amor é lindo, mas, como se vê, pode ser também bastante cruel.

Em compensação, Bolsonaro e seu ministro da Justiça conseguiram permissão para visitar a CIA, agência americana especializada na desestabilização de regimes, em tortura e em espionagem. O que foi lá tratado é difícil dizer, pois nenhum chefe de estado que se preze visitaria Langley, mas pode-se imaginar que não tenha sida nada de edificante. Combater crime organizado e narcotráfico, como alegado, é que não foi. Crime organizado é com o FBI e narcotráfico é com a DEA.

O certo é que nessa viagem aos EUA promoveu-se a morte do Brasil. Não a morte física em uma guerra nuclear, como imaginava Kennedy, mas a morte geopolítica de um país outrora respeitado e soberano. Reverter o que está sendo feito será muito difícil, talvez impossível.

A política externa da armada Bolsoleone está matando o Brasil.

Em política externa, a burrice é uma bomba atômica. Mata o presente e o futuro do país.

Marcelo Zero
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Bolsonaro e Israel: aproximação pela fé evangélica ou lobby financeiro judaico?


O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, foi o primeiro líder de peso no cenário mundial a confirmar que viria para a posse do então presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro. Era dia 29 de outubro de 2018 quando os dois líderes, por telefone, trocaram mensagens de respeito mútuo e estabeleceram um novo paradigma nas relações entre os dois países.

Mas o que há por trás disso? A Sputnik Brasil ouviu especialistas para buscar compreender o que há por trás das relações bilaterais renovadas entre Brasília e Tel Aviv, aproximação esta antes vista pela última vez no governo do presidente João Goulart, deposto por um golpe dos militares em 1964. Foi também a última vez em que a diplomacia brasileira considerou seriamente transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

Como naqueles tempos, o Brasil vive tempos de polarização intensa em 2019. A mais recente discussão sobre uma possível transferência da embaixada brasileira para Jerusalém já rendeu discórdias dentro do governo – colocando militares e a ala do agronegócio de um lado, e olavistas e evangélicos de outro –, assim como fora, com ameaças de retaliação por parte de importantes parceiros árabes.

O aspecto religioso, aliás, é visto como um aspecto fundamental na disputa em torno da aproximação do atual governo brasileiro com Israel, após anos de uma política externa brasileira mais próxima a países do Oriente Médio nada apreciados por Tel Aviv, como o Irã, e com indicativos pró-Palestina – durante a era petista, a Palestina chegou a ser reconhecida como um Estado soberano por Brasília.

Contudo, somente a fé explica o arriscado movimento de mudança da embaixada que poderia ser anunciado entre os dias 31 de março e 3 de abril, quando Bolsonaro fará uma visita oficial a Israel? Ou haveria um cenário organizado se formando em torno de um lobby judaico, como aquele amplamente documentado nos Estados Unidos?

Diplomacia evangélica

"Queremos vender soja e minério de ferro, mas não vamos vender nossa alma. Querem reduzir nossa política externa a uma política comercial, e isso não vai acontecer", alertou no último dia 11 o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, durante uma aula magna para alunos do Instituto Rio Branco, referência na formação de diplomatas brasileiros.

A declaração foi alvo de críticas pelo seu tom messiânico, mas trouxe poucas surpresas diante de um chanceler que, antes de aceitar o convite de Bolsonaro para comandar o Itamaraty, já criticava o multilateralismo e atacava o "globalismo" como uma nova faceta do "marxismo cultural" presente no mundo contemporâneo. Além do nacionalismo, a fé cristã costuma aparecer nos discursos de Araújo.

Embora pareça algo recente, a interação entre política internacional e religiões é algo que o atual chanceler brasileiro pôde acompanhar muito de perto. Isto porque o seu sogro, o embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa, comandou enquanto representante do Brasil no Vaticano um curso para diplomatas que oferecia a verdadeira "diplomacia do Evangelho".

"O fenômeno de interação entre religião e política internacional é uma das maiores realidades de hoje, mas não é percebido deste modo pelas chancelarias governamentais na América Latina. É uma relação que talvez seja menos evidente [agora] que nos momentos em que também foi causa de conflito, mas continua sendo relevante", declarou Seixas em uma entrevista em maio de 2010.

Procurado pela Sputnik Brasil para falar sobre o assunto, Seixas não retornou os contatos feitos pela reportagem.

Entretanto, ao contrário do sogro – um defensor conhecido dos interesses brasileiros e, sobretudo, do multilateralismo –, Araújo vem defendendo um alinhamento claro com os Estados Unidos. Mais ainda: a política externa do governo Bolsonaro quer se colar na imagem do presidente estadunidense Donald Trump, um ídolo tanto do chanceler (que já o chamou de "salvador do Ocidente") quanto do próprio presidente da República e seus filhos.

"As movimentações da política externa brasileira, da diplomacia brasileira nas relações exteriores estão muito personalizadas e terminam refletindo a própria precariedade da concepção dessa política. Ela não é uma política de Estado, ela é uma política do governo Bolsonaro. Do mesmo jeito que eu digo que não é uma política de Estado com os EUA, é com o Trump", disse à Sputnik Brasil o professor de Relações Internacionais da Universidade Mackenzie, Arnaldo Francisco Cardoso.

De acordo com o docente, estar próximo de Israel faz parte de um plano maior do atual governo brasileiro de alinhamento com as políticas e interesses da Casa Branca. E é em Washington que repousa um dos trunfos de Tel Aviv na sua política externa: o seu organizado e poderoso lobby junto ao Congresso dos EUA e perante o Partido Republicano – incluindo o presidente Trump.

Força evangélica com impulso financeiro?

Em um polêmico trabalho que virou livro em 2007, os professores norte-americanos John Mearsheimer e Stephen Walt esmiuçaram o que chamaram de "Lobby de Israel", que teria como principal interesse a estratégia de convencimento de que "os interesses dos Estados Unidos e os de Israel são idênticos". Mais do que a diplomacia, de acordo com o trabalho, organismos como o Comitê de Assuntos Públicos EUA-Israel (Aipac) seriam importantes elementos de pressão sobre a política estadunidense.

"Outros grupos de interesse específicos conseguiram influenciar a política externa, mas nenhum lobby conseguiu desviá-la para tão longe do que o interesse nacional indicaria, ao mesmo tempo convencendo os americanos de que os interesses dos Estados Unidos e os do outro país – no caso, Israel – são essencialmente idênticos", publicaram os autores.

Todavia, a estruturação de tal lobby judaico junto à classe política dos EUA parece ser uma exclusividade da sociedade norte-americana, de acordo com analistas ouvidos pela Sputnik Brasil. Segundo eles, não há dados ou elementos que possam hoje ligar a aproximação de Israel do governo brasileiro, ou a ideia da transferência da embaixada para Jerusalém, a um esforço de grupos de pressão de origem judaica.

"Não vejo essa atuação dessa forma que você colocou que acontece em outros lugares, mas institucionalmente eu entendo que as organizações que representam o Estado de Israel têm feito o seu papel, em levar a sua mensagem, de esclarecer pontos que precisavam ser esclarecidos, promover a aproximação. Entendo que a diplomacia de Israel tem sido muito competente, muito eficiente", avaliou o deputado federal Roberto de Lucena (Podemos-SP), pastor da Igreja O Brasil Para Cristo (OBPC), em entrevista à Sputnik Brasil.

Já para o coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos e Árabes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NIEJ-UFRJ), Leonardo Perin Vichi, a possibilidade de um lobby judaico de cunho financeiro organizado não teria como prosperar no Brasil de hoje, a começar pelo fato da comunidade judaica estar bastante polarizada, com segmentos fortes à esquerda e à direita.

"Talvez eu veja que a presença judaica, a influência judaica nesse processo [político] seria muito etérea, quase pouco perceptível, e é um movimento muito novo. O que a gente vê dentro da comunidade judaica hoje é um movimento que precisa ser melhor observado, que começou ali em abril de 2017 quando Bolsonaro fez uma fala no Clube Hebraica, aqui no Rio de Janeiro, e isso gerou uma grande cisão dentro da própria comunidade judaica. Essa cisão revelou uma faceta da comunidade judaica aqui no Brasil que até então era inédita: grupos antes emaranhados fugiram de uma discrição que havia anteriormente, que se alinhavam ao governo, e que reproduziam até mesmo uma certa agressividade ao discurso do resto do eleitorado desse governo. Essa manifestação dentro da comunidade judaica eu diria que é algo muito novo. É prematuro o diagnóstico e talvez seja preciso mais tempo para nós termos uma dimensão que não se tem dos sionistas nesse processo que é um pouco complexo", avaliou.

Quem viveu na pele tal racha dentro da esfera judaica brasileira foi o empresário Rubens Goldenberg. Ele é diretor de Relações Institucionais e um dos fundadores da Associação Sionista Brasil-Israel (ASBI), entidade fundada há dois anos e que, segundo ele, já conta com 20 mil membros pelo país. A organização se alinhou abertamente à campanha de Bolsonaro, e possui um tom crítico a outros organismos mais tradicionais, como a Confederação Israelita do Brasil (CONIB), que abrigaria "esquerdistas".

"Nós temos empresários, advogados… dentro do segmento dos brasileiros de origem judaica nós temos de tudo, tem rico, tem pobre, a associação não discrimina empresários ou se o cara é garçom, ou se é empreiteiro ou se é motorista. Todos aqueles que confabulem com o nosso pensamento de livre iniciativa querem fazer parte, e nós temos um grande apoio, é importante dizer, da igreja evangélica, para dizer melhor, das igrejas cristãs", destacou Goldenberg, outro que nega a presença de um lobby econômico israelense.

Procurada pela Sputnik Brasil, a CONIB informou que não daria entrevista.

A sugestão de que o poder econômico judeu poderia ter qualquer influência na política brasileira cria muito desconforto dentro da comunidade judaica, conforme revelou o historiador Gabriel Steinberg, doutor em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas pela Universidade de São Paulo (USP). À Sputnik Brasil, o pesquisador garantiu que tal suspeita "não tem cabimento nenhum".

"Acho que o Brasil por si mesmo é muito maior e a influência da comunidade judaica é muito pequena para a política brasileira. O que há é um novo alinhamento desse governo com regimes políticos de direita ou de centro-direita, como é o caso de Israel e isso eu acho que está coerente com a aproximação do Bolsonaro, daqueles que o sustentam e apoiam, com a política norte-americana", analisou.

"O outro elemento muito nítido aqui é o apoio de toda a plataforma das igrejas neopentecostais que exercem sobre ele maior influência ideológica, de que ele deveria transferir a embaixada para Jerusalém como cumprimento da promessa divina que eles acreditam, de que disso vai depender uma redenção, a volta de Jesus, mas isso é uma coisa relativa", acrescentou Steinberg.

'Apocalipse' vira combustível por embaixada em Jerusalém

"Israel é um Estado soberano. Se os senhores decidirem qual é a sua capital, nós os seguiremos", garantiu Bolsonaro a um jornal de Israel, na semana seguinte à sua eleição. Desde então, a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém – movimento só feito pelos EUA e pela Guatemala até aqui – vem gerando dores de cabeça ao presidente brasileiro.

Entre avanços no discurso a favor – o premiê Netanyahu deixou o Brasil dando a entender que teria uma "promessa" de Bolsonaro pela mudança da embaixada – e recuos, como quando o vice-presidente Antônio Hamilton Mourão declarou que a mudança diplomática no Oriente Médio não é uma prioridade do Brasil, uma decisão de Brasília sobre o tema parece não estar tão próxima quando se pensava.

"Eu não acredito que o presidente faça nenhum movimento mais decisivo nessa direção, mas também imagino que ele vá manter isso como um compromisso, mas sem um programa ou uma agenda para a efetivação disso", ponderou o professor Arnaldo Francisco Cardoso. Um ponto de vista semelhante é compartilhado pelo historiador Gabriel Steinberg.

"Eu não acho que isso vai ser feito na viagem que Bolsonaro vai fazer a Israel assim de surpresa. Existe a intenção, que foi abertamente pronunciada pelo presidente Bolsonaro e há a esperança de Israel de que isso aconteça, mas eu acho que isso é uma coisa que tem que ser planejada com antecedência e não pode ser feita assim, de surpresa", opinou.

O maior entrave para a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém é o temor por uma retaliação do mundo árabe, grande parceiro comercial brasileiro há décadas, sobretudo de setores como o agronegócio e a indústria bélica. Até mesmo a Bancada Evangélica, que apoia e advoga abertamente em favor da mudança da embaixada, entende que o tema deve ser tratado com cuidado, em busca de uma saída diplomática.

"Entendo a disposição do governo de assumir essa posição […] ele demonstrou o respeito que temos por Israel, pela sua história. Entendo que, embora seja algo que eu deseje, que eu tenha lutado, não é uma tarefa simples, se fosse assim já teria sido feito. Ela é envolvida por um conjunto de variáveis. Eu continuo defendendo, continuo apoiando, me agrada ver a postura do governo definida em relação a esse assunto, agora a minha leitura é de que isso não seja uma condicionante nesse aprofundamento e aquecimento das relações entre os dois países", disse o deputado Roberto de Lucena.

O que é certo é que os evangélicos não deixarão o tema desaparecer da agenda da política externa brasileira. Conforme explicou à Sputnik Brasil o coordenador executivo do Instituto Brasil-Israel, Rafael Kruchin, o alinhamento entre Brasília e Tel Aviv é uma "dívida" a ser paga em prol das aspirações de quase 60 milhões de brasileiros que se declaram evangélicos, os quais vêm sendo expostos a práticas e símbolos judaicos que atendem ao chamado dispensacionalismo.

"Tudo isso é um cenário que tem crescido muito no Brasil nas últimas décadas, e essa aproximação dos evangélicos tem como princípio e motivo a Teologia Apocalíptica Pentecostal. Os seguidores dessa doutrina acreditam que, em algum momento, Jesus Cristo vai retornar à Terra e que essa segunda vinda de Jesus, e aí há o Armagedom e o Juízo Final, só vai acontecer quando os judeus retomarem Jerusalém e a Terra Santa. Ou seja, a premissa é de que se a primeira vinda de Jesus teve como premissa a salvação do povo judeu, a segunda vinda dele terá o mesmo motivo", explicou.

Ainda de acordo com Kruchin, a chamada diplomacia evangélica em andamento na era Bolsonaro pode ser comparada ao sionismo cristão, cuja perspectiva aborda "essa relação com o Estado de Israel que vem não dos judeus, mas sim dos evangélicos".

"Porque muita gente atribui esse apoio a Israel, a essa relação do governo atual com Israel, aos judeus, e aí aparecem muitas agendas conspiratórias de lobby judaico, lobby sionista, e até perspectivas antissemitas têm aparecido de que os judeus e os sionistas influenciaram as eleições brasileiras. Então há um problema muito grande com essas teorias conspiratórias e há um equívoco muito grande de que os judeus é que estão liderando essa relação do governo atual com Israel, porque são principalmente setores do público evangélico que […] incorporam a liturgia judaica e que apoiam Israel cegamente ou veementemente", complementou.

Na última tentativa de convencer o Itamaraty a abraçar mudança da embaixada para a Cidade Sagrada foi feita pela diplomacia israelense na década de 1960. Segundo pesquisa conduzida por Jonathan Grossman, pós-doutorando no Instituto de Estudos Israelenses da Universidade do Texas, o chamado Plano Jerusalém consistia em convencer os três principais países latino-americanos – Brasil, Argentina e México – a tirar suas embaixadas de Tel Aviv, movimento que 10 das 14 nações da região já haviam realizado.

"A cooperação técnica israelense, composta apenas por projetos de pequena escala, foi muito apreciada pelo Brasil e reforçou a reputação e o prestígio de Israel entre as nações do mundo. Mas o fato é que no início dos anos 1960, as relações com Israel não eram indispensáveis para o Brasil. Isso é melhor manifestado na reação brasileira ao Plano Jerusalém. Como vimos, o Brasil estava genuinamente tentando agradar e apaziguar Israel sobre esse assunto, e fez vários gestos para a possibilidade de uma embaixada brasileira ser estabelecida em Jerusalém, mas, ao mesmo tempo, nunca havia feito um único ato concreto nem emitido qualquer declaração pública que promoveu essa ideia. Os brasileiros, obviamente, não podiam se arriscar a comprometer seus laços com a Igreja Católica e os árabes, que eram muito mais importantes para eles do que Israel", escreveu Grossman em seu trabalho, baseado em pesquisas de documentos diplomáticos da época.

Logo após o golpe de 1964, sobretudo na década de 1970, os militares abraçaram o mundo árabe, incentivados em grande parte pela crise do petróleo e a consequente dependência pelo fornecimento de combustíveis fósseis. Assim como há 40 anos, mais uma vez a ala militar, prestigiada e em postos-chave do governo Bolsonaro, pode ter um papel relevante nesse embate interno com os evangélicos quanto ao tema da embaixada.

Thiago de Araújo
No Sputnik
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Defesa aponta fato novo – acordo EUA-Petrobrás inocenta Lula


A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou petição ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que a corte analise o acordo entre a Petrobrás e os Estados Unidos e revise a condenação de Lula no caso do Tríplex do Guarujá depois da empresa ter firmado acordo onde ela se apresenta como ré e não como vítima, e da notícia presente em processo trabalhista da OAS de que a empresa pagou 6 milhões de reais para ajustar depoimento de delatores.

O documento aponta as razões de porque o acordo entre a Lava Jato, a Petrobrás e o governo americano, que destinou 2,5 bilhões de reais para uma fundação da Lava Jato, é incompatível com a sentença dada a Lula. No documento firmado entre os 11 procuradores da Lava, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a Petrobrás, esta aparece como ré e responsável pelos desvios na empresa, inclusive listando executivos envolvidos nesses desvios. Já no processo de Lula ela aparece como vítima, tendo sido inclusive assitente da acusação. Não é possível, em torno dos mesmos fatos, a empresa ser vítima no Brasil e criminosa nos Estados Unidos. Em nenhum momento do documento, assinado pela equipe de Dallagnol, a empresa responsabiliza o ex-presidente Lula pelos desvios da Petrobrás.

Enquanto a Lava Jato posava de defensora da Petrobrás no Brasil, ajudava os Estados Unidos a processar a empresa como ré, forçando a entregar 2,5 bilhões de reais e acesso a informações sobre tecnologia e campos de petróleo.
Outra informação nova, presente em um processo trabalhista, revela que Léo Pinheiro, cujo depoimento sem nenhma prova foi usado por Moro para condenar Lula, pagou 6 milhões de reais para outros delatores “ajustarem” depoimentos.
A informação consta de um processo trabalhista onde um ex-gerente da OAS reclama de não ter sido beneficiado pelas doações de Léo Pinheiro, como Agenot Medeiros, outro depoente da OAS que supostamente “confirmou”  declarações de Léo Pinheiro, segundo sentença do Moro.

A defesa de Lula também reiteira que diversas vezes solicitou ao então juiz Sérgio Moro informações sobre os acordos e depoimentos de delatores da Lava Jato com autoridades norte-americanas. Moro sempre sonegou informações e questionamentos sobre isso nos depoimentos. A defesa de Lula exige acesso aos documentos de cooperação entre a Lava Jato e autoridades norte-americanas que já admitiram ter colaborado no processo contra o ex-presidente Lula de forma ilegal (como admitiu publicamente o procurador Kenneth Blanco).

No Lula
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A submissão explícita de Bolsonaro aos objetivos norte-americano


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Vídeo de criança celebrando morte de Marielle assusta: "perigo para a sociedade"

Internautas se assustam com a frieza do discurso de uma menina que celebra a morte de Marielle Franco: "O Brasil está doente. Essa criança é um perigo para a sociedade"


“Estou aqui para fazer um vídeo feliz sobre uma data feliz. Hoje é 14 de março. Há um ano atrás, Marielle morreu. E por que é uma data feliz? Bem, porque ela morreu. Simples. Não tem porque ficar explicando. Como diz Daniel Fraga, não se deve desejar o bem a todas as pessoas. Não, eu desejo o mal a pessoas nojentas, pessoas tóxicas como ela. Assim como eu desejo o mal ao Lula. Que o câncer do Lula volte com toda a força e ele morra”.

A declaração acima foi feita por uma pré-adolescente em um vídeo gravado por ela mesma e que está sendo disseminado nas redes sociais.

A menina diz que resolveu se manifestar depois de assistir um apresentador lamentar a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), executada com vários tiros na cabeça.



“Isso é terrível. Isso é confundir uma pessoa, um ser humano, um indivíduo com um estatista, um ser desprezível. Você não pode confundi-los. Se parecem? Se parecem… Só que existe uma imensidão, uma muralha de diferença. E não existe nada para chorar, não existe nenhuma lágrima a derramar, não existe nada de triste. Malditos, três vezes malditos sejam aqueles que lamentam a morte de uma pessoa tão tóxica, tão ruim quanto uma estatista como Marielle Franco”, continua a menina.

“E, bem, acharam esses dias os ‘culpados’. Se eu pudesse dar uma punição para eles, eu daria a seguinte punição: um aperto de mão, agradecimentos e um McDonald’s pago, para eles poderem irem lá comer e relaxar. Eu poderia gritar a plenos pulmões como estou feliz por essa data, como estou feliz pelo que aconteceu há um ano atrás. Ah, gerou um pouquinho mais de popularidade para a esquerda? Gerou, mas fazer o quê? Você vai deixar de agir porque o inimigo vai ganhar popularidade? Esta é uma péssima estratégia. Alguns coisas dão tanta popularidade que não valem a pena, mas, nesse caso (o assassinato de Marielle) valeu a pena sim, e foda-se. E, bem, viva a morte de Marielle. Que bom que ela morreu, que ela não está viva, e isso é algo muito bom. Bye, bye, pessoas, por esse vídeo, e feliz dia da morte da miserável”, conclui a pré-adolescente.

Repercussão

A frieza da criança chocou as redes sociais. “O Brasil está doente. Essa criança é um perigo para a sociedade. Depois de assistir ao discurso dessa menina, ninguém mais pode se dizer surpreso com novos casos de massacres de inocentes em escolas ou onde quer que seja. É a barbárie”, desabafou um internauta.

“Uma criança que foi alienada politicamente a tal ponto de se sentir confortável em gravar um vídeo comemorando a morte de um ser humano, além de outras barbaridades. Tomara que as autoridades competentes batam à porta desse moleque, porque isso não é mera emissão de opinião, mas apologia ao crime e incitação ao ódio”, afirmou David Kilder, uma das pessoas que compartilharam o vídeo.

“Que esse vídeo chegue a família dessa pessoa, para que mais tarde não soframos com uma possível tragédia. Conversem com seus filhos, sobrinhos e amigos. Os ouçam… As vezes ouvir ajuda a identificar muita coisa e a direcionar essas pessoas para um profissional da área”, comentou Alexandra Loras, ex-consulesa da França.

“Essa criança é fruto de quem semeou o ódio, não há dúvida. Seu vídeo indica um comportamento que, se não houver uma ação educativa, resultará em uma adulta altamente perigosa. Muitas pessoas, seja no Brasil ou fora daqui, estão precisando de lições de democracia, para aprender a conviver com a diversidade. Infelizmente, no país, o mau exemplo é disseminado pelo primeiro mandatário”, observou o jornalista Joaquim Carvalho.

No Pragmatismo Político
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Quando Bolsonaro encontrar Trump, não esqueça de sua ligação com o que há de pior no crime organizado no Brasil

Jair Bolsonaro está em Washington para conhecer, enfim, Donald Trump na Casa Branca nesta terça. Enquanto oficialmente a viagem é focada nos esforços conjuntos dos EUA e do Brasil para mudar o governo da Venezuela, ela tem sido vendida por Bolsonaro como uma forma de “reabilitar” sua presidência depois da série de escândalos que paralisou os três primeiros meses de seu governo.

Mas quando se trata de melhorar sua imagem, o timing dessa viagem dificilmente poderia ser pior. Eventos chave ocorridos nas últimas semanas – entre eles a prisão de dois suspeitos de terem assassinado Marielle Franco – destacaram os aspectos mais danosos e, para muitos, mais terríveis, da relação entre Bolsonaro e seus filhos com as milícias.



Apenas pare para pensar como – mesmo antes da prisão de um dos assassinos de Marielle no mesmo condomínio em que o presidente mora –, tantos pontos já tinham aparecido ligando o presidente Bolsonaro e seus filhos, a esses grupos, compostos majoritariamente de policiais e militares. O próprio Bolsonaro é um ex-capitão do Exército, que serviu durante a ditadura e deixou a corporação sob alegações de má conduta – ainda que o seus seguidores e amigos insistam em seguir chamando-o de “capitão”.

Em janeiro, a polícia fez uma megaoperação para prender membros de uma das milícias mais poderosas e terríveis da cidade, que abriga o time de assassinos de aluguel conhecido como “Escritório do Crime”. Esse grupo é composto por ex-policiais altamente treinados que usam seus conhecimentos para conduzir assassinatos com baixíssimas chances de serem descobertos. Eles estavam entre os principais suspeitos da morte de Marielle há meses. Entre os principais alvos da polícia, estava o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, um dos chefes do Escritório.

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A morte de Marielle teve repercussão mundial. Na imagem, mulheres lembram da sua luta durante um dos atos de 8 de março em Los Angeles.
Foto: Mario Tama/Getty Images

A operação levou a uma revelação chocante: a mãe e esposa de Nóbrega eram formalmente contratadas no gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente, durante toda a última década, enquanto ele atuava como deputado estadual no Rio.

Pouco depois dessa descoberta, o trágico rompimento da barragem da Vale em Brumadinho deixou mais de 200 mortos, tomando, como era de se esperar, todo o noticiário. Isso resultou em bem menos atenção para a estreita conexão entre Flávio e Adriano do que era merecido. Então apenas reflita sobre isso: o filho de Bolsonaro tinha a mãe e a esposa de um dos mais notórios assassinos da milícia no país, suspeito de ter matado Marielle, em sua folha de pagamento.

Em fevereiro, as conexões entre Flávio e a milícia se tornaram ainda mais claras. Foram encontrados cheques de despesas de campanha em nome Flávio assinados por Valdenice de Oliveira Meliga, irmã de Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, milicianos presos em agosto. Apenas alguns meses antes da prisão dos dois, o filho do presidente postou uma foto em seu Instagram ao lado do próprio Bolsonaro, então candidato à presidência, na festa de aniversário dos gêmeos Oliveira, os parabenizando e elogiando a família.

Em retrospecto, Flávio tem ligações tão íntimas com a milícia que o fato da mãe e da esposa de um dos mais notórios chefes desse grupo estar trabalhando em seu gabinete não deveria ser uma surpresa. Como deputado estadual, ele ainda concedeu medalhas a Nóbrega e outro miliciano, à época ainda trabalhando como policiais, em homenagem por seus serviços prestados ao estado.

O próprio presidente Bolsonaro enquanto deputado federal já expressou mais de uma vez seu apreço pela milícia, que definiu como uma forma de combater o crime no país. Em agosto de 2003, ele usou a tribuna para elogiar um grupo de extermínio que aterrorizava a Bahia. Acrescentou que o esquadrão da morte teria seu apoio se resolvesse migrar para o Rio.

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Fabrício Queiroz (ao lado de Bolsonaro) é um dos amigos de longa data mais próximos do presidente.
Foto: Reprodução

Nas últimas décadas, as milícias têm ocupado grande parte das áreas mais pobres das principais cidades do país, incluindo o Rio. Uma reportagem do Intercept mostrou que as milícias tomaram a cidade inteira.

Apesar de ter sido eleito com foco na epidemia de violência e criminalidade que toma o país, quando Bolsonaro e a família falam sobre crime, eles quase sempre concentram a atenção no tráfico de drogas. Nunca falam nada a respeito dessa outra tão mais ameaçadora e terrível fonte de criminalidade: a milícia.

Não é difícil de entender por que Bolsonaro – apesar da importância de sua postura anti-criminalidade para a sua popularidade – seja mais ávido em agradar do que de fato condenar e combater as milícias. Esses grupos são controlados por seus amigos, vizinhos, camaradas e mais próximos colaboradores.]

Fabrício Queiroz, o miliciano que trabalhou para Flávio pela última década, movimentou enormes quantias de dinheiro – incluindo um depósito na conta da esposa do presidente – e deu início ao primeiro escândalo relacionado a sua presidência, é um dos mais antigos e próximos amigos de Bolsonaro. Quando a polícia o questionou sobre as movimentações financeiras envolvendo a família Bolsonaro, Queiroz, como já era esperado, foi se esconder na favela de Rio das Pedras, mais conhecida por ser o berço da milícia no Rio.


Na semana passada, quase imediatamente após a polícia anunciar a identidade dos dois suspeitos de terem assassinado Marielle, mais conexões com Bolsonaro surgiram. O atirador, o ex-policial Ronnie Lessa, mora no mesmo condomínio que Bolsonaro. Uma incrível coincidência considerando o tamanho da cidade do Rio. Em outras palavras, o assassino de Marielle – o homem que colocou quatro balas em sua cabeça –, é vizinho de Bolsonaro, em um dos condomínios mais caros e exclusivos da cidade, apesar de ter trabalhado a sua vida inteira como funcionário público.

Pouco depois, apareceu uma foto do parceiro de Lessa no crime com Bolsonaro em uma rede social. A polícia ainda confirmou que o filho mais novo do presidente e a filha do matador já namoraram. Apesar de nenhum desses fatos ser capaz de ligar Bolsonaro diretamente ao assassinato de Marielle, são muitas coincidências envolvendo o atual presidente da República às milícias e ao assassinato de uma das mais proeminentes jovens políticas de esquerda do país.

Todo esse montante de evidências – a maioria desenterradas nessas dez semanas desde que Bolsonaro chegou à presidência –, pintam um quadro profundamente perigoso e perturbador. O Brasil está nas mãos de uma família com múltiplas e cada vez maiores ligações com os principais grupos de assassinos e paramilitares do país.

Quando Bolsonaro encontrar Trump na Casa Branca amanhã, esse encontro deve ser visto primeiro e sobretudo dentro desse contexto. Bolsonaro rapidamente se colocou no primeiro escalão dos líderes mais criminosos, violentos e perigosos do planeta. E dada a posição do Brasil – geopolítica, culturalmente, economicamente, ambientalmente e militarmente – esse é claramente um dos mais preocupantes acontecimentos do último ano. Independente do que mais seja verdade, a cobertura da presença de Bolsonaro na Casa Branca deveria ter como foco principal esses fatos, em especial se o desejo dessas reportagens é ser preciso e refletir exatamente quem o atual presidente do Brasil é e quem ele representa.

Glenn Greenwald, Victor Pougy
No The Intercept
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Programa Pensamento Crítico - A natureza da crise brasileira


Programa de análise da conjuntura brasileira e latino-americana, produzido pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos, com a participação de Elaine Tavares, Nildo Ouriques e Maurício Mulinari. O tema dessa edição é "A natureza da crise brasileira". Equipe: Pedro Cruz, Ana Sophia Sovernigo e Maicon Cláudio da Silva. Edição: Pedro Cruz.

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Façam o jogo! Trump vai abrir os cassinos!

Adelson, dono de Las Vegas, é quem decidiu!

Sheldon e a mulher Miriam com os empregados, Trump e Bibi. Falta um na foto...
Reprodução: Lobelog.com
Na "colona" do Ancelmo, no Globo, tem uma "nota" sobre o senhor Sheldon Adelson.

Ele é o "dono" de Las Vegas, proprietário dos cassinos Venetian, ali e em Macau, na China.

É o 8ᵒ homem mais rico do mundo, com uma fortuna de US$ 31 bilhões.

Americano, Adelson sustentou financeiramente a carreira, em Israel, de Bibi Netanyahu, o único chefe de Estado que veio à posse de Bolsonaro.

Adelson foi o primeiro empresário a financiar maciçamente a campanha de Donald Trump, com um pingo de US$ 25 milhões.

Adelson manda nos dois - Bibi e Trump.

E, portanto, no Brazil.

Veja o que diz a "nota" do Ancelmo:


Na reunião com Bolsonaro, Trump vai tratar de cassinos.

"A articulação teria sido feita por Sheldon Adelson, 84 anos, que controla a maior empresa de cassinos dos EUA e pretende construir um mega-projeto no Porto Maravilha, no Rio."
Não tem "notinha" inocente, no "colonismo" social brasileiro.

Como se sabe, a Globo controla o Porto Maravilha: tem ali dois museus, sendo que um é um delírio alucinado do Fernando Meirelles, o "Museu do Futuro", que não leva ao futuro nem ao passado, mas ao interior do "baratão", a escultura do arquiteto Santiago Calatrava.

É possível que a Globo, que amarga crescente e incontrolável prejuízo, queira investir em cassinos.

O que, de certa, ela já faz no jornal nacional e nas colonas de seu decrépito jornal.

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Olavo faz copia e cola em ações criminais, processa 7 num mês e já tem derrota sumária

Ele
O escritor e autodeclarado filósofo Olavo de Carvalho está em temporada pessoal de caça àqueles que o criticam. Em pouco mais de 30 dias, nos meses de fevereiro e março deste ano, ele ajuizou sete queixas crimes por injúria, calúnia e difamação contra jornalistas, acadêmicos, servidores e o cantor Caetano Veloso.

Todas as peças processuais são muito semelhantes umas às outras, em alguns casos com cinco, sete ou até dez parágrafos absolutamente idênticos.

Elas têm como origem artigos, reportagens ou entrevistas concedidas pelos acusados, em que as opiniões e atos de Olavo são criticados em jornais, sites ou blogs na internet.

Apenas uma das ações penais já conta com uma decisão judicial até o momento. É a queixa crime que o escritor ofertou contra o filósofo Ruy Fausto, professor emérito do Departamento de Filosofia da USP.

A ação foi protocolada no dia 12 de fevereiro. No dia 14 deste mês, o juiz José Zoéga Coelho decretou a absolvição sumária de Ruy Fausto, sem sequer tê-lo chamado a se manifestar no processo, “A crítica e o consequente embate de idéias são protegidos e, mesmo, garantidos pela Constituição – que os quer livres”, sentenciou o magistrado.

Antes de tomar sua decisão, o juiz tomou parecer do Ministério Público de São Paulo, que também se manifestou pelo pronto arquivamento da queixa crime.

“A crítica também se insere na liberdade de manifestação de pensamento, insuscetível, portanto, de configurar crime”, asseverou a promotoria paulista.


No processo que move contra Gilberto Dimenstein, por calúnia e difamação,
o primeiro documento anexado pelo advogado de Olavo traz o próprio escritor
chamando o jornalista de “Jumenstein” e “putinha mexeriqueira

Ações judiciais são cópias umas das outras e não contêm descrição dos crimes que acusam

A queixa crime ajuizada contra Ruy Fausto pode ser lida na íntegra ao final desta reportagem. O que mais chama a atenção na peça acusatória é que nela não está descrito qual foi o crime que se tenta imputar a Ruy Fausto.

A queixa limita-se a copiar um artigo publicado pelo filósofo no jornal Folha de S.Paulo: “Única coisa rigorosa no discurso de Olavo são os palavrões, diz Ruy Fausto”. Sem apontar em qual trecho do texto estão configuradas as injúrias e difamações que ensejam a queixa crime, a acusação feita por Olavo limita-se a dizer que:

“O indigitado e leviano aqui QUERELADO (Ruy Fausto), (SIC) insere palavras nos contextos, ou seja, a seu bel prazer emite suas opiniões e coloca palavras na boca do QUERELANTE (Olavo de Carvalho), que não foram ditas nos exatos moldes das suas nefastas opiniões. Para tanto: basta uma analise (SIC) superficial nos vídeos e textos publicados pelo Mestre Olavo de Carvalho que nitidamente percebe-se a má fé (SIC) nas alterações feitas pelo QUERELADO.”

A peça acusatória afirma o que está transcrito acima, mas sequer assinala em quais pontos do texto citado estariam as declarações de que se queixa.

A pedido do DCM, o advogado criminalista Jacob Filho, membro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), leu o processo de Olavo contra Castro e se disse surpreso com seu teor.

“A absolvição sumária era a única decisão possível. A conduta do filósofo Ruy Fausto, tanto pelo que se lê na queixa crime como pelo que consta no artigo que escreveu, em nenhum momento constitui crime contra a honra (injúria, calúnia ou difamação)”, opina.

“Trata-se de uma acusação vaga, que não descreve a chamada conduta típica do acusado. Se não está descrito qual é a conduta que lhe imputam, como poderá se defender?”.

Jacob Filho também apontou que a peça acusatória não prima pela clareza e faz uso de tom, teor e construções que não pertencem ao Direito Penal.

“O papel do advogado, como profissional do Direito, é filtrar, tirar o ódio, o teor emocional das descrições de seu cliente. Deve traduzir de uma forma técnica e responsável o caso que leva a juízo. Não é o que se observa no caso em tela”.

O especialista se refere a trechos da acusação em que o advogado de Olavo de Carvalho renuncia à objetividade jurídica para traçar julgamentos morais ou mesmo ofender ao acusado, como se pode ver no exemplo abaixo:

“Como se não bastasse isso, o QUERELADO, num revezamento macabro, em tese, com outros: mercenários, incautos ou subservientes aos podres poderes populistas bolivarianos, aduzem com ênfase que: o Mestre Olavo não teria curso reconhecido, como se isso nos impedisse de admirar: Jô Soares, Silvio Santos, Pelé, Ronaldo Fenômeno, Santos Dumont e tantos outros gênios em suas áreas.”

Para o advogado de Olavo, seu cliente é “um craque”, é “um mestre”, é o homem que Jair Bolsonaro escuta. Seus oponentes são “zagueiros bestiais”, “canalhas a realizar um revezamento macabro de agressões” a seu cliente, em total subserviência aos “podres poderes bolivarianos”.


Outro ponto que surpreendeu o especialista ouvido pelo DCM é o rol de testemunhas que foi elencado em todos os processos: o chanceler Ernesto Araújo, o jurista Ives Granda Martins, o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, e a ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves. “O que significa este rol de testemunhas? Como elas podem contribuir para a elucidação do caso, como podem dizer se houve ou não crime nos textos publicados? Isso não faz sentido algum”, afirma Jacob Filho.

Finalmente, é notório que o advogado utilizou o mesmo texto argumentativo para todos os processos que ajuizou, copiando uma queixa da outra. “Além de constituir uma infração ética, tal conduta apenas enfraquece ainda mais as peças acusatórias. Não se pode descrever condutas diferentes, praticadas por pessoas diferentes, em momentos e circunstâncias diferentes, com a mesma argumentação. É notória a ausência de conduta criminosa nos fatos narrados”, conclui o criminalista.

Como exemplo, seguem, abaixo, trechos idênticos de diferentes ações penais ajuizadas por Olavo de Carvalho.

1 – Processo: 1000173-90.2019.8.26.0050
Data de distribuição: 14/02/2019
Acusado: Ruy Fausto


2 – Processo: 1000209-35.2019.8.26.0050
Data de distribuição: 22/02/2019
Acusado: Gilberto Dimenstein


3 – Processo: 1000211-05.2019.8.26.0050
Data de distribuição: 22/02/2019
Acusada: Anna Cassia Passarelli


Veja, abaixo, a lista de processos – todos por crimes contra a honra (calúnia e difamação) que Olavo de Carvalho protocolou do mês passado para cá.

1 – Processo: 1000250-02.2019.8.26.0050
Data de distribuição: 14/03/2019
Acusado: Daniel Tourinho Perez

2 – Processo: 1000249-17.2019.8.26.0050
Data de distribuição: 08/03/2019
Acusado: Caetano Veloso

3 – Processo: 1000211-05.2019.8.26.0050
Data de distribuição: 22/02/2019
Acusada: Anna Cassia Passarelli

4 – Processo: 1000209-35.2019.8.26.0050
Data de distribuição: 22/02/2019
Acusado: Gilberto Dimenstein

5 – Processo: 1000173-90.2019.8.26.0050
Data de distribuição: 14/02/2019
Acusado: Ruy Fausto

6 – Processo: 1000174-75.2019.8.26.0050
Data de distribuição: 14/02/2019
Acusado: Paulo Ghiraldelli Junior

7 – Processo: 1000175-60.2019.8.26.0050
Data distribuição: 14/02/2019
Acusado: Christian Ingo Ienz Dunker

Vinícius Segalla
No DCM
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Triste fim de um “superministro”: Moro bajula Olavo, que há semanas instigou seus cães a lincharem-no nas redes

Moro no jantar em torno de Bolsonaro nos EUA: olavista de ocasião
O jantar oferecido na residência do embaixador brasileiro em Washington, Sérgio Amaral, em torno de Olavo de Carvalho e seu gafanhoto Jair Bolsonaro caberia tranquilamente num filme menor de Buñuel.

O discurso curto e idiota de Jair, sentado à esquerda de seu mentor, foi tomado pela vontade de subjugação aos EUA, com direito a paranoia anticomunista e papo furado sobre uma campanha baseada no preceito bíblico da verdade (não há ainda um termo em inglês para mamadeira de piroca).

Uma cena, dentre tantas, merece destaque.

Reproduzo o relato da revista Época:

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se juntou ao deputado federal Eduardo Bolsonaro em uma conversa com Steve Bannon e Chris Buskirk, editor do site American Greatness (Grandeza americana)

Quando todos se juntaram, Paulo Guedes puxou a sucessão de elogios a Carvalho e o classificou como “o líder da revolução”.

“Você é o líder da revolução”, disse Guedes, atribuindo a Carvalho um papel importante da divulgação de ideias liberais para os brasileiros, o que, segundo ele, foi fundamental para a eleição do presidente Bolsonaro.

Sergio Moro, que já foi alvo das críticas de Carvalho e seus seguidores pela indicação da especialista Ilona Szabó como suplente no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, seguiu a adulação ao escritor.

Disse que era uma honra conhecer alguém que inspirou tanta gente, incluindo “o chefe”, referindo-se ao presidente Bolsonaro. O ministro ainda mencionou que havia gostado muito do livro O jardim das aflições , mas confessou que o achara “muito denso”.

De superministro, Moro vai se revelando um estafeta em busca desesperada de sobrevivência.

Isso inclui a bajulação de um “guru” viciado em termos como “cu” e “piroca”, ex-astrólogo, difamador serial.

A sorte de Moro é que Olavo não lhe perguntou de que trecho ele mais gostou. Meu palpite é que o ex-juiz não leu a orelha da obra.

Ninguém relativamente normal lê aquilo — que, de resto, é “denso” como um pum num copo vazio.

Moro afagou diretamente o ego de Olavo no que ele é mais frágil — sua obra “filosófica”.

A coisa fica mais baixa quando se sabe que, no final do mês passado, o destinatário das lambidas instigou suas hostes a linchar Moro nas redes por causa da nomeação da infiel Ilona.

“Se no Brasil existisse uma corrente política de direita e ela chegasse ao governo, tipos como Moro e Mourão não teriam nela a menor chance”, escreveu Olavo numa série de postagens contra o ídolo maringaense.

“Peçam ao Sérgio Moro ou ao Hamilton Mourão que expressem as suas respectivas ideologias políticas e verão que eles nunca pensaram no assunto”.

E por aí foi.

Moro, agora, é olavista.

Amanhã será outra coisa, dependendo do que o “chefe” ordenar.


Kiko Nogueira
No DCM
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É preciso deter o destruidor da pátria


Não se reclame que Jair Bolsonaro esconda suas intenções (e o pior, as ações) ditatoriais e sabujas para o nosso país.

Voltou a fazer, ontem, a sugestão para que opositores de esquerda a seu governo “vão para a Venezuela” a qual só não apoia a invasão militar, por causa das “nossas limitações”, ou seja, a Constituição. Ao menos por enquanto, é claro.

Repetiu o que já fizera seu filho e defendeu a construção do famigerado muro de Trump contra latino-americanos, que não consegue nem apoio dentro dos EUA e que se quer implantar na marra.

Disse que a maioria dos potenciais imigrantes para os EUA – e não excluiu os brasileiros – é mal-intencionada e não quer o bem dos norte-americanos.

Fez tudo aquilo que, em outros tempos, acusava-se de fazerem os “comunistas apátridas”, colocando os interesses do país a serviço de uma ideologia transplantada para cá e à frente de seus interesses comerciais.

Exibe, orgulhosamente, sua proximidade com fanáticos de direita, humilhando publicamente seu vice-presidente. Que, aliás, quase foi substituído pelo filho presidencial nos despachos no Planalto.

Bolsonaro trilha um caminho que exige de nós não apenas resistência, mas lucidez.

Ele já não une a direita, o conservadorismo e os contingentes da classe média que uniu ao final de sua campanha.

Nós é que devemos trabalhar por esta unidade e barrar, no que for possível, a missão destrutiva do Brasil que ele próprio assumiu ontem, ao dizer que é preciso “desconstruir muita coisa”.

E a primeira delas, ao que parece, é a dignidade nacional.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Bolsonaro deveria aproveitar que está em Washington e ficar por lá: não age como patriota

Bolsonaro na Fox
É inacreditável.

Na entrevista à Fox, Bolsonaro agrediu imigrantes que tentam entrar nos Estados Unidos, entre os quais os brasileiros.

“A grande maioria dos imigrantes em potencial não tem boas intenções nem quer o melhor ou fazer bem ao povo americano”, afirmou.

Ele endossou a decisão de Donald Trump de construir um muro para separar os Estados Unidos da América Latina.

A resposta foi dada a uma pergunta da apresentadora sobre a simpatia que os jovens americanos demonstram ter sobre o socialismo (que eles chamam de socialismo democrático, corrente que cresce no Partido Democrata).

“Acho justo dizer que os americanos que pensam [positivamente] sobre o socialismo devem olhar para a experiência da França, onde as fronteiras estão abertas para receber refugiados sem qualquer tipo de seleção ou de filtro”, disse.

“E ter fronteiras abertas, em minha visão, é uma visão absolutamente ruim. Não é uma decisão nada boa. Nós concordamos com a decisão de Trump sobre o muro”.

De uma só tacada, ele criticou brasileiros, atacou a França e se comportou como se fosse assessor de Donald Trump.

Jair Bolsonaro parece não ter noção de vergonha.

Mas poderia ser mais contido para nos envergonhar menos.

Ele poderia aproveitar que está nos Estados Unidos e ficar por lá, abrindo, quem sabe, uma consultoria com Steve Bannon e Olavo de Carvalho.

Não age como patriota.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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