11 de mar. de 2019

Presidente mentiroso: Em 68 dias como presidente, ele já deu 82 declarações falsas ou distorcidas


Levantamento divulgado pela agência Aos Fatos mostra a falta de compromisso do presidente Jair Bolsonaro com a verdade e a precisão das informações divulgadas por ele; segundo o levantamento, em 68 dias à frente da Presidência da República, Bolsonaro deu 82 declarações falsas ou distorcidas; temas mais frequentes de fake news do presidente são economia, ideologia e declarações a respeito de nomeações para a equipe de governo; fake news mais recente de Bolsonaro foi contra a jornalista Constança Rezende, alvo de linchamento nas redes sociais

Em meio à promoção do linchamento da jornalista Constança Rezende nas redes sociais a partir de uma fake news divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro, um levantamento divulgado pela agência de checagem Aos Fatos mostra o grau de disseminação de informações falsas por parte do presidente.

Segundo o levantamento, em 68 dias à frente da Presidência da República, Bolsonaro deu 82 declarações falsas ou distorcidas. A base agrega todas as declarações de Bolsonaro feitas a partir do dia de sua posse como presidente. 

Ao todo, de acordo com a agência, foram 149 declarações "passíveis de checagem". A média de informações falsas ou com algum grau de erro disseminadas pelo capitão da reserva é de 1,4 por dia.

Os temas mais frequentes de fake news do presidente são economia, ideologia e declarações a respeito de nomeações para a equipe de governo.

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Bolsonaro clama por um impeachment


É no mínimo curioso, mas não existe vivalma nesse país que busque mais por um impeachment do atual presidente do que o próprio ocupante da cadeira.

No largo de seu vasto deserto moral e no alto de sua ignorância galopante, Jair Bolsonaro distribui em doses cavalares motivos e razões para que o seu breve, mas já desastroso mandato, seja cassado.

No desespero para encontrar justificativas que o coloquem na posição de vítima frente às recorrentes denúncias envolvendo corrupção, farra com dinheiro público, inoperância dos seus ministérios e incompetência no diálogo com o Congresso, o twiteiro-mor da nação não só confirma a sua plena incapacidade administrativa como enriquece a sua já longa ficha criminal de crimes cometidos previstos em lei.

Seu último caso de diarreia cerebral evacuada nas redes sociais (daqui a pouco teremos que pontuar data e horário dada a profusão da coisa) o imputa de mais uma vez espalhar Fake News a partir de um diálogo flagrantemente adulterado de uma jornalista.

Não que o seu talento para a discórdia, a mentira e a calúnia tenha se mostrado na presidência como uma novíssima extensão do seu carácter. Difamar e destruir reputações são seguramente as únicas ações que tomou com competência nas suas quase três décadas de perturbação parlamentar.

A questão é que uma vez saído dos esgotos da Câmara dos Deputados onde se escondia para ocupar o cargo de maior representatividade da República, atrai para si, inevitavelmente, a atenção e os holofotes não só da mídia nacional, mas também, para vergonha global, da imprensa internacional.

Mas o problema mesmo é justamente o fato de suas escatologias nauseabundas não se limitarem ao campo do vexame. O que Bolsonaro faz na prática é algo que a PGR, por dever funcional, tem de denunciar junto ao STF.

Se por um lado a divulgação de pornografia em redes oficiais por um chefe de Estado quebre o decoro da função, utilizar-se de uma gravação fraudada para provocar o linchamento virtual de uma profissional recai no direto penal propriamente dito.

A ninguém, e muito menos ao presidente da República, é permitido o uso de expediente tão baixo e ilegal para provocar indevido descrédito não só a profissionais da mídia, quanto, e sobretudo, à própria liberdade de imprensa.

E é por isso mesmo, por seus atos de claro constrangimento aos mais básicos pilares da democracia que a sua desvairada atuação na presidência da República deve ser interrompida o mais brevemente possível.

Não só por força da lei, mas também para a manutenção do que ainda restou de dignidade e respeito do cargo que, pela estupidez de muitos, ora se esvai.

Carlos Fernandes
No DCM
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Autora do texto que difama jornalista do Estadão tem cargo em gabinete de deputado do PSL

Reprodução/ Facebook
Fernanda de Salles Andrade, autora do texto publicado neste domingo no site Terça Livre, difamando a jornalista do Estadão Constança Rezende, foi nomeada no início do mês de fevereiro no gabinete do deputado do PSL Bruno Engler, em Minas Gerais. Terceiro mais votado nas eleições de 2018, com 120.252 votos, Engler pertence ao Movimento Direita Minas. Sua candidatura foi embasada pelo presidente Jair Bolsonaro.

A publicação do cargo da repórter do Terça Livre ocorreu no dia 2 de fevereiro no Diário Oficial do Legislativo mineiro. Seu nome, porém, havia sido escrito de forma errada: Fernanda Ribeiro de Salles. A correção aconteceu no dia 26 de fevereiro.

O blog ligou para o gabinete de Bruno Engler na manhã desta segunda (11) e conversou com Fernanda. Ela disse não ver problemas em trabalhar para o Terça Livre e ter o cargo comissionado na Assembleia. E se negou a dizer quanto está ganhando.

(…)

Do Blog do Berta
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Os militares e o governo Bolsonaro


É certo que os principais generais que integram o governo Bolsonaro não participaram diretamente do golpe militar de 1964, mas a maior parte deles cursou os colégios e academias militares durante o regime. Sua formação militar, portanto, inscreve-se sob a égide da cultura política e das orientações ideológicas e educacionais que conformavam aqueles tempos. Em que pese isto, não há razões para duvidar dos compromissos democráticos desses generais. O que há, contudo, são evidentes ressentimentos entre setores militares e setores civis que o período de redemocratização não conseguiu desfazer.

A forma como se deu a superação do regime militar, particularmente a Lei da Anistia, e as críticas que ela sofreu pelos setores progressistas e de esquerda da sociedade criou ressentimentos mútuos. Por um lado, esses setores políticos e sociais alimentaram desconfianças em relação aos militares e, por seu turno, os militares alimentaram ressentimentos e animosidades com os setores progressistas e democráticos. O proselitismo da violência e da tortura que alguns militares, incluindo Jair Bolsonaro, promovem só ajuda a alimentar essa tensão. Os governos do PT representaram uma oportunidade impar para a superação desses ressentimentos, desconfianças e animosidades, mas a ocasião foi desperdiçada pelas débeis iniciativas que foram promovidas. 

O fato é que no pós-regime militar, os militares carregavam como que uma espécie de marca, de mácula, de desconfiança, por parte de setores políticos e sociais. Assim, os militares viram no governo Bolsonaro uma chance de desfazer esta mácula e de se integrarem plenamente à vida nacional num ambiente de normalidade e sem exclusões, esposando a defesa da democracia e uma doutrina mais liberal na visão da economia. Embora na oficialidade superior, ao que se sabe, especialmente no Exército, Bolsonaro fosse visto com reservas, parece que os generais acreditaram que seria possível que ele se conduzisse por parâmetros de razoabilidade e de racionalidade na função de presidente da República. Não é isto o que tem se visto até agora. 

Bolsonaro, de forma crescente, vem emitindo sinais de que não tem preparo emocional, psicológico, intelectual e político para exercer a mais alta magistratura do país. A postagem do vídeo obsceno no Twitter foi a manifestação mais alta de desequilíbrio. Em quase todos os pontos em que Bolsonaro interveio depois da investidura, o fez de forma negativa, desde as relações internacionais (China, Árabes e Venezuela) até os mais comezinhos assuntos internos a exemplo de cartilhas de educação sexual de jovens. Todas essas intervenções desastradas, somadas à ascendência de seus filhos radicais sobre o que ele pensa e como ele age e as suspeitas de envolvimento de sua família com milicianos no Rio de Janeiro, jogam uma pesada nuvem sobre o futuro de Bolsonaro na presidência. De forma prematura, o seu capital político vai se deteriorando e crescem as desconfianças acerca de sua capacidade e equilíbrio para governar.

Então, cabe a pergunta: Os militares fizeram uma boa escolha ao embarcar de cabeça no governo Bolsonaro? A resposta é não. E seria não mesmo que Bolsonaro fosse um presidente que se comportasse de forma razoável. Com isso não se quer dizer que alguns generais ou oficiais não pudessem vir a ocupar cargos importantes no governo e mesmo serem ministros. O problema é que a forma e o número de como oficiais da reserva e da ativa entraram no governo – mais de 100, ao que se sabe – conferiam a ele uma fisionomia claramente militar. E em sendo assim, a impressão que fica é a de que os militares querem se resgatar em relação à supracitada mácula pela via da política e isto constitui um grave erro. Registre-se: não que ex-militares não possam participar da vida política. Isto é comum em outras democracias, destacadamente nos Estados Unidos. O que não podem fazer é participar da vida política como  força militar que é a impressão que fica com o governo atual.

O problema, portanto, é esta investidura militar do governo e isto o conecta com a história do Brasil marcada pelo pronunciamento dos militares na vida política.  Isto não fez bem nem para o Brasil e nem para os militares. A Questão Militar no final do Império, a Proclamação da República, os primeiros anos da República Velha, os movimentos tenentistas na década de 1920, a Revolução de 1930, a Era Vargas, a redemocratização de 1945, as tentativas de golpe contra Vargas e Juscelino e o golpe militar de 1964 são os episódios mais agudos da presença dos militares na política.

Todas essas intervenções representam ações desviantes das funções dos militares numa democracia. A função central dos militares é a de se preparem para a guerra, definindo as estratégias e os meios para executá-las, observando sempre os princípios constitucionais que regem as Forças Armadas nas democracias. Em todas as democracias a função principal das Forças Armadas se volta para a garantia da soberania em face de ameaças externas. Como instituições permanentes do Estado podem cumprir várias outras funções complementares relevantes. Mas o princípio da separação do poder militar do poder político e da subordinação do poder militar ao poder civil é um princípio inquebrantável das Repúblicas.

Como consequência dessas intervenções desviantes dos militares brasileiros o fato é que eles nunca se preparam bem para a guerra e para a defesa da soberania. De fato, para um país continental como é o Brasil, portador de imensos recursos naturais estratégicos, não é possível dizer que as Forças Armadas possuem suficientes capacidades dissuasivas e de combate ante a possibilidade de ataques de potências mais fortes. 

Compare-se, por exemplo, os investimentos e as capacidades militares do Brasil, não com Estados Unidos, Rússia, China e Europa, mas com a Índia, o Paquistão, o Irã, Israel etc.. É evidente que o Brasil não tem um suporte militar suficiente para que se apresente como uma potência média significativa no jogo do poder global. O Brasil não tem um respaldo militar compatível com o seu território e com a necessidade de defesa de seus recursos naturais. E, aqui, o problema e as responsabilidades não são apenas dos militares, mas também dos governos civis que nunca tiveram projetos estratégicos dignos desse nome, dos partidos políticos, das universidades e da sociedade civil.

Durante o regime militar e depois dele, foi feito um esforço de ocupação territorial no Centro-Oeste e no Norte, com o apoio do Exército. Daí derivou a força do agronegócio que é um ativo estratégico importante para o Brasil. Mas o Brasil nunca se tornará uma potência significativa se depender apenas do agronegócio, de comodities.

Os Estados Unidos se tornaram uma grande potência, primeiro, se expandindo territorialmente para o Oeste, no século XIX; segundo, conquistando os mares no século XX; e terceiro, buscando conquistar o espaço no século XXI. O desenvolvimento agrícola, industrial, tecnológico e científico daquele país se interliga com esses ciclos expansionistas. Comparativamente, o Brasil não foi capaz de pensar em nenhum projeto estratégico que sequer chegasse à sombra do modelo norte-americano. Os Estados Unidos dotaram o Pentágono com verbas públicas vultosas para a corrida tecnológica na segunda metade do século XX, visando não fazer frente apenas à Rússia, mas também ao Japão e à Europa e a outros polos de desenvolvimento tecnológico.

Nenhum país será militarmente forte se não for tecnologicamente desenvolvido. Neste ponto, o Brasil está perdendo largamente a corrida do século XXI. Onde ocorreram vultosos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento Militar (P&DM) houve também desenvolvimento tecnológico da indústria civil. Indústria civil e indústria militar sempre se retroalimentaram. Desgraçadamente, o Brasil não investe nem em P&D civil e nem em P&DM. 

É na elaboração de um projeto estratégico de desenvolvimento, integrando civis e militares, que as Forças Armadas deveriam concentrar seus esforços e seus objetivos. Isto implicaria que a formação dos militares tivesse um conteúdo exclusivamente profissional e que, do ponto de vista político e ideológico, elas ficassem suspensas, adotando o papel de o “grande mudo”, como se dizia no passado, se submetendo ao governo civil e obedecendo a Constituição. As Forças Armadas ajudarão o Brasil e o seu povo se se dedicarem às suas funções precípuas. Os governos civis podem e devem incorporar militares da ativa e da reserva em funções técnicas e escalões técnicos do Estado e até mesmo em cargos políticos, desde que tenham aptidões para tal.

Mas ao conferirem uma fisionomia militar ao governo Bolsonaro, as Forças Armadas correm um grande risco de incorporarem uma nova mácula e de proporcionarem uma nova politização dos militares.   Elas se associaram a um governante que vem se mostrando desastrado, despreparado, desagregador e que prejudica os interesses do Brasil. Mesmo que Bolsonaro sobreviva a ele mesmo, aos seus filhos e ao setor lunático que integra seu governo, será um governo fraco, de baixo desempenho. 

Ocorre que Bolsonaro não é um líder político autêntico, não tem força popular, nem força política no Congresso e nem habilidade para manejar essas dificuldades. Será um governo dependente de vontades alheias, sem autonomia. Se conseguir fugir do fracasso, no máximo, será um governo mediano. Definitivamente, não será pela via da política, e menos ainda se tornando escudo e espada do governo Bolsonaro, que as Forças Armadas encontrarão um ponto de reconciliação definitivo com a sociedade brasileira, independentemente de ideologias. 

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP)
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'O Twitter combina com líderes autoritários', diz pesquisador

Professor da Universidade de Westminster, no Reino Unido, Christian Fuchs fala sobre como políticos estão construindo palanques digitais

Pesquisador, Christian Fuchs é professor
da Universidade de Westminster
Ao compartilhar um vídeo obsceno no Twitter na última terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro recorreu a um expediente cada vez mais comum nas redes sociais. Segundo o pesquisador austríaco Christian Fuchs, professor da Universidade de Westminster, no Reino Unido, populistas de direita costumam generalizar casos individuais para atacar comunidades inteiras. Autor do livro “Digital Demagogue: Authoritarian Capitalism in the Age of Trump and Twitter” (Demagogo digital: capitalismo autoritário na era de Trump e do Twitter), Fuchs falou sobre como políticos estão construindo palanques digitais.

Bolsonaro tuitou um vídeo obsceno. Essa é uma tática comum?

Políticos de extrema-direita generalizam casos individuais para criar bodes expiatórios e difamar comunidades inteiras. Isso não é inédito. Nos anos 1950, o macarthismo (patrulha anticomunista liderada pelo senador americano Joseph McCarthy) tentou rotular Hollywood de comunista. Hoje, a extrema-direita usa o Twitter e o Facebook para criar novos “espectros do comunismo”.

Como as redes sociais se tornaram palanques?

Donald Trump não foi o primeiro a usar o Twitter para se comunicar com seus seguidores. O primeiro-ministro indiano Narendra Modi e o presidente turco Recep Tayyip Erdogan têm, respectivamente, 46,2 milhões e 13,5 milhões de seguidores. Bolsonaro tem 3,6 milhões. O Twitter combina com líderes autoritários, pois favorece o narcisismo e o individualismo. As redes sociais são como grandes agências publicitárias em busca de lucro, não se importam com o conteúdo que fazem circular. O triunfo da lógica individualista e publicitária das redes sociais coincidiu, em muitos países, com a ascensão de novos nacionalismos e direitas autoritárias que são reações à crise global. A ocupação das redes sociais pela extrema-direita é um sintoma desta nova fase do capitalismo, que chamo de capitalismo autoritário.

O que é capitalismo autoritário?

O capitalismo autoritário se baseia em uma combinação de liderança autoritária, nacionalismo, criação de bodes expiatórios, política de tolerância zero, militarismo, reforço da ordem patriarcal e negação dos conflitos de classe. Difere de experiências autoritárias passadas porque espalha propaganda por meio das redes sociais e aproveita o conteúdo gerado pelos próprios internautas.

Por que políticos hoje preferem se comunicar com seus apoiadores pelas redes sociais?

A extrema-direita se comunica com pessoas de origens sociais diferentes por meio de um discurso nacionalista que transforma minorias e adversários políticos em bodes expiatórios. Eles querem distrair as pessoas daquilo que realmente as separa uma das outras, que é a desigualdade de renda. No Twitter, eles tentam distrair quanto mais gente for possível das contradições sociais.

Como impedir que as redes sociais se transformem em armas contra a democracia?

O uso das redes sociais por políticos é comum em todo o mundo e em todo o espectro político. Os problemas das democracias têm causas político-econômicas profundas que devem ser enfrentadas. Mudar como as redes se organizam política e economicamente é importante, mas não basta. Precisamos de mídias não comerciais, sem fins lucrativos, que deem aos cidadãos tempo e espaço para um debate político de verdade. O populismo acelera e simplifica a informação. Nós precisamos de redes sociais que não sejam tabloides digitais, mas que engajem os cidadãos em conversas baseadas em um conteúdo que estimule o pensamento e o debate. Quando demagogos dominam a esfera pública, precisamos de imprensa de qualidade e da colaboração de mídias alternativas e cidadãs para estabelecer uma esfera pública crítica.

Ruan de Sousa Gabriel
No O Globo
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A fraude da facada no presidente


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Jornalista anti-masturbação faz Jair Bolsonaro passar vexame


Defensor de Jair Bolsonaro, o jornalista Allan dos Santos, editor do site “Terça Livre”, virou polêmica nas redes por sua posição anti-masturbação.

Baseado em supostos estudos científicos ( que não existem, de fato), ele defende que masturbação mata neurônios.



Também sem base científica, ele afirma que cigarro não faz mal à saúde – mesmo tese de seu guru, Olavo de Carvalho que, aliás, teve um tumor na traqueia.

Allan Santos é responsável por um dos maiores vexames no relacionamento de Bolsonaro com a imprensa.

Seu site divulgou uma mentira grosseira contra o Estadão – um dos mais importantes jornais conservadores não apenas no Brasil, mas do mundo.

Um jornal com uma longa história do liberalismo e contra o socialismo – portanto, teoricamente afinado com a essência da agenda de Bolsonaro.

O jornal foi responsável pelo furo que abalou a família Bolsonaro.

Descobriu a movimentação suspeita nas contas do ex-motorista Fabrício Queiroz.

A reportagem é baseada em documentos oficiais do COAF ( O Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Um jornalista ligado à família Bolsonaro, Allan dos Santos, está divulgando neste domingo uma Fake News: a de que intenção da reportagem era arruinar Flávio e o governo.

Quando se ouve o áudio em inglês, não se encontra essa frase.

O que está lá é que a reportagem poderia “arruinar” Bolsonaro – e não que a intenção seria arruinar Bolsonaro.

A partir desse Fake News, Bolsonaro liderou ataques nas redes contra o Estadão em especial, mas para toda a mídia.

Nem se deu ao trabalho de checar o áudio – até porque não entende inglês.

Atacou não apenas a repórter que fez a matéria – Constança Rezende – mas o pai dela.

Disse no seu Twitter, “Constança Rezende, do ‘O Estado de SP’ diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o Impeachment do Presidente Jair Bolsonaro. Ela é filha de Chico Otavio, profissional do ‘O Globo’. Querem derrubar o Governo, com chantagens, desinformações e vazamentos.”

Na semana passada, Allan dos Santos chamou a imprensa de “imunda”, “porca” e “hipócrita”.

O comentário foi provocado pela condenação dos jornalistas à divulgação do vídeo pornográfico por Bolsonaro.

O próprio Allan reproduz trecho do vídeo pornográfico.



Allan é um dos líderes da vaquinha suspeita nas redes sociais para salvar Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro.

Advogados estudam se a vaquinha não incorreria no crime de estelionato.


Seguidor de Olavo de Carvalho, o jornalista Allan dos Santos postou em seu perfil a campanha para salvar o filósofo, atolado em dívidas.

Foi, então, compartilhado por Eduardo Bolsonaro, num movimento que atraiu o cantor Lobão.


Mas não explica se haveria alguma relação entre o tumor que teve na traquéia e seu hábito de fumar.

É certeza, porém, que a campanha liderada pelo jornalista Allan tem ligação com a cirurgia de Olavo de Carvalho.

Não haveria problema algum em alguém atolado em dívidas recorrer a amigos ou mesmo fazer uma vaquinha pública.

Colapsos financeiros podem ocorrer com qualquer um: ainda mais quando envolve saúde.

Mas o que Olavo de Carvalho está fazendo é um golpe desonesto, associando suas dívidas a questões ideológicas.

Coloca-se como uma vítima da “esquerda” e do governo com seus impostos (o que soa bem para ouvidos liberais).

Deu um toque emocional ao falar da saúde.

Começa com a posição de vítima para sensibilizar os doadores: “acossados por uma rede internacional de caluniadores e difamadores, recebemos ainda uma cobrança monstruosa de despesas médicas e impostos”.

A história é simples: Olavo de Carvalho não fazia seguro-saúde, o que é uma temeridade para alguém mais velho, fumante e sedentário.

Até se orgulhava de não ter plano de saúde:


Ou seja, aconteceu o que qualquer pessoa sensata sabia: mais cedo ou mais tarde, a conta hospitalar iria fazer um estrago.

Fez: uma operação para retirada de um tumor num país em que a medicina é cara.

Sobre impostos, a suspeita é mais complicada.

Não se sabe se a dívida é apenas nos Estados Unidos.

Mas certamente é aqui no Brasil, onde Olavo de Carvalho omite declarações.


Esse documento acima mostra que o filósofo Olavo de Carvalho tem problemas com a Receita Federal.

Sua empresa – Olavo de Carvalho Produções – é classificada pela Receita Federal como inapta.

Motivo: omissão de declarações.

Outros documentos mostram que ele  nem sempre omitiu declarações de renda.


O filósofo Olavo de Carvalho, Guru de Bolsonaro, informa que o endereço de sua empresa no Brasil ficaria na rua Duque de Caxias 80, em São Paulo – mais conhecida com a região da “Boca do Lixo” – no passado, misturavam-se ali drogas, quadrilhas e prostituição.


Mas uma visita ao prédio revela que não existe nenhuma empresa ligada ao filósofo.
Ou seja, um endereço falso.

Gilberto Dimenstein
No Catraca Livre



Bolsonarista que espalhou fake news de jornalista do Estadão é imitador de Olavo e diz que fumar é menos nocivo que masturbar-se

O sujeito que espalhou a fake news sobre a jornalista do Estadão, Constança Rezende, se chama Allan dos Santos. Allan é dono do site Terça Livre.

A reportagem distorcida diz que “o jornalista francês Jawad Rhalib fez uma grave denúncia sobre o caso envolvendo o Senador Flávio Bolsonaro (PSL) e seu assessor Fabrício Queiroz, em seu blog Mediapart.

No artigo, Rhalib revela áudios de uma conversa com a jornalista do Estadão Constança Rezende. Segundo o francês, a jornalista, que foi a primeira a denunciar o filho de Jair Bolsonaro, atacou Flávio apenas para atingir o presidente e arruinar seu mandato”.

No áudio, a jornalista disse “estou trabalhando só nesse caso, que pode arruinar [o Flávio Bolsonaro]”. O Terça Livre concluiu o áudio como se Constança estivesse falando “só estou trabalhando nesse caso para arruinar [a carreira de Flávio]”.

A Veja publicou um perfil de Allan de Santos em janeiro, quando Bolsonaro assumiu a presidência:

“Ex-seminarista e ex-professor de inglês, Allan dos Santos — bem à direita na foto, sorrindo com os colegas blogueiros — transformou-se num herói virtual para os bolsonaristas mais hostis à imprensa profissional. O fundador do canal Terça Livre, com 570 000 inscritos, não vai dormir sem antes comprar briga com algum jornalista nas redes sociais. Para Bolsonaro, só elogios. Como recompensa, fez até uma entrevista exclusiva (e amistosa) na casa do presidente no Rio. Allan emula o estilo, a compulsão pelo cigarro e os palavrões do filósofo Olavo de Carvalho, de quem é discípulo. No grande dia de Bolsonaro, Allan e outros blogueiros dóceis (identificados como “mídia alternativa” pelo cerimonial) tinham credencial especial para circular livremente pelos palácios de Brasília”.

Allan respondeu o jornal Estado de S.Paulo no Twitter:

“A minha empresa pedirá direito de resposta. 1°. A matéria é de um blogue francês. 2°. É uma entrevista por áudio entre a jornalista e o blogueiro francês com transcrição dos áudios; 3°. Tudo que nossa jornalista fez foi divulgar em Português o que fora publicado em francês;”.

O dono do Terça Live também é autor de alguns vídeos absurdos que circulam nas redes:


E neste vídeo ele diz que masturbação é pior do que fumar. No minuto 2:30:



Pedro Zambarda de Araujo
No DCM



Site que divulgou fake news de jornalista exibe tuíte falso em novo ataque

Foto: Reprodução/ Facebook
Depois de publicar no domingo (10/3) um texto que atribuiu à repórter do Estado Constança Rezende uma declaração que ela não fez, o site Terça Livre voltou a atacar a jornalista utilizando-se de conteúdo falso. Desta vez, Allan dos Santos, colunista responsável pelo site, exibiu em um vídeo postagem de Twitter e a atribuiu a Constança. O perfil exibido, porém, não é da repórter.

Em vídeo transmitido ao vivo pelo Facebook, Allan Santos exibiu a imagem de uma postagem de Twitter do perfil @constancarezen, que não pertence à repórter do Estado. “Vamos ver de quem nós estamos falando”, disse Santos, cerca de sete minutos depois do início da transmissão. “Estamos falando dessa jornalista aqui, jornalista que disse que o Brasil virou uma ditadura, que com a morte da Marielle (Franco) isso ficou bem claro.”

O perfil, que trazia uma foto de Constança, já foi eliminado do Twitter, por desrespeitar as regras de utilização da plataforma.

(…)



No Estadão
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Cavalo de Troia Espacial

Após seu anunciado périplo por países de governos conservadores que o inspiram, talvez os únicos em que seria razoavelmente recebido (o Chile dos Chicago Boys, Israel de Netanyahu e os EUA de Trump), Bolsonaro pretende retornar ao Brasil com um “troféu” nas mãos: um “novo” Acordo de Alcântara.

O “novo” é entre aspas mesmo, pois duvidamos que os EUA venham a fazer quaisquer concessões significativas no texto antigo do acordo. Afinal, esse “novo” texto foi renegociado pelo governo Temer e concluído no governo Bolsonaro. Ora, ambos os governos, ou desgovernos, têm como marca principal, na política externa, a submissão aos EUA, especialmente o do capitão, que idolatra Trump.

Assim, é pouco provável que o “novo” texto seja muito diferente do antigo.

E o antigo era muito, muito ruim.

Em abril de 2000, os EUA e o Brasil (sob gestão tucana) assinaram acordo bilateral com o objetivo, em tese singelo, de permitir que empresas norte-americanas pudessem usar a nossa Base de Alcântara para lançar os seus satélites.

Conforme informações do governo da época, tal uso poderia gerar recursos de monta (cerca de US$ 30 milhões ao ano, numa avaliação muito otimista) para reativar a base que ainda está subutilizada. Para as empresas norte-americanas, este uso seria proveitoso, em razão do fato de que o Centro de Lançamentos de Alcântara está bastante próximo da linha do Equador, o que diminui significativamente os custos dos lançamentos.

Até aí, tudo bem. Nada demais em permitir que empresas de quaisquer países usem comercialmente nossa base de lançamentos, desde que paguem o preço justo e respeitem nossa soberania.

Entretanto, nas discussões ocorridas no Congresso e no âmbito da sociedade civil à época, constatou-se que o governo dos EUA havia imposto condições draconianas e atentatórias à soberania nacional para permitir que as suas empresas usassem a Base de Alcântara. A oposição, liderada pelo PT e com o apoio até dos partidos da situação, conseguiu impedir a aprovação do acordo na Câmara.

Politicamente morto, o acordo ficou enterrado na CCJ daquela Casa. O julgávamos extinto. Mas, agora, acaba de ser ressuscitado, em surdina e nas penumbras, pelos governos de Temer e de Bolsonaro, que, abanando o rabo de vira-lata, acabou de renegociá-lo com Washington.

Pois bem, o Acordo de Alcântara antigo intitulava-se “Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América sobre Salvaguardas Tecnológicas Relacionadas à Participação dos Estados Unidos da América nos Lançamentos a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, celebrado em Brasília, em 18 de abril de 2000. ”

Desse modo, o Acordo de Alcântara tinha apenas um objetivo manifesto: proteger tecnologia sensível de origem norte-americana (satélites, foguetes, etc.) de apropriação indevida.

Porém, o acordo firmado com o Brasil tinha dois tipos de cláusulas: salvaguardas tecnológicas e salvaguardas políticas. Estas últimas não tinham qualquer relação com o objetivo manifesto do acordo e não constam de qualquer outro acordo de salvaguardas tecnológicas firmados entre os EUA e outros países.

São elas:

i) Proibição de usar o dinheiro dos lançamentos no desenvolvimento do veículo lançador-VLS (Artigo III, parágrafo E, do Acordo de Alcântara);

Esta salvaguarda, ao proibir o uso dos recursos do aluguel da Base de Alcântara no programa brasileiro do VLS (Veículo Lançador de Satélites), interferia indevidamente num programa de enorme importância para o desenvolvimento espacial brasileiro. Com efeito, um veículo lançador de satélites próprio permitiria ao Brasil entrar, de forma autônoma, no lucrativo e estratégico mercado da colocação em órbita de satélites de comunicação. Ademais, tal cláusula era claramente atentatória à soberania nacional, uma vez que nenhum país estrangeiro pode ter potestade, no que tange ao uso que o Brasil faria do dinheiro provindo do aluguel de sua própria base.

ii) Proibição de cooperar com países que não sejam membros do MTCR (Artigo III, parágrafo B, do Acordo de Alcântara);

Tal salvaguarda, ao proibir que o Brasil cooperasse com países que não fossem membros do (Míssil Technology Regime Controle-MTCR), impunha restrições descabidas à cooperação tecnológica nacional e conferia a um país estrangeiro, os EUA, no caso, o poder de limitar o arbítrio da República Federativa do Brasil quanto à maneira de usar a sua base nacional e desenvolver seu programa aeroespacial. Saliente-se que o MTCR é um regime criado basicamente pelo EUA para impedir que países possam desenvolver a tecnologia de veículos lançadores de satélites, que também podem ser usados, com adaptações, como mísseis militares.

É necessário colocar em relevo também que a China, assim como vários outros países, não pertence ao MTCR, por considerá-lo injusto, irracional e pouco eficiente, além de ser um instrumento que tende a perpetuar as desigualdades tecnológicas entre as nações. Pois bem, o Brasil desenvolve, em conjunto com a China, em função de acordo bilateral firmado em julho de 1988, um importantíssimo programa de cooperação na área espacial: o desenvolvimento e lançamento dos Satélites Sino-Brasileiros de Recursos Terrestres (CBERS). É evidente que, caso esse dispositivo fosse aprovado, os satélites sino-brasileiros não poderiam ser lançados da base de Alcântara.

iii) Possibilidade de veto político unilateral de lançamentos (Artigo III, parágrafo A, do Acordo de Alcântara),

No que se refere a esta salvaguarda relacionada ao veto político unilateral de lançamentos, ela também não tinha, evidentemente, nenhuma relação com o resguardo de tecnologia norte-americana. Pelo que estava previsto no texto antigo do Acordo, os Estados Unidos poderiam proibir que o Brasil pudesse, utilizando base instalada em território nacional e veículos de lançamento de sua propriedade (ou de propriedade de terceiros países), lançar satélites para nações desafetas dos EUA. O absurdo de tal cláusula salta aos olhos.

iv) Obrigatoriedade de assinar novos acordos de salvaguardas com outros países, de modo a obstaculizar a cooperação tecnológica (Artigo III, parágrafo F, do Acordo de Alcântara).

Tal salvaguarda política, ao impor que o Brasil assinasse acordos de salvaguardas com outros países que viessem a se utilizar da nossa Base, nos mesmos moldes do Acordo de Alcântara, representaria também sério obstáculo à cooperação tecnológica. Ademais, tratava-se, conforme nossa concepção, de verdadeira aberração jurídica que contraria os mais elementares princípios do direito internacional. Nações soberanas não podem ser coagidas a celebrar atos internacionais entre si em função de um acordo bilateral firmado por uma delas com outro país, e muito menos serem obrigadas a inscrever nesses atos o mesmo conteúdo do acordo. Na realidade, essa cláusula tem um endereço certo: os acordos de cooperação nos usos pacíficos do espaço exterior firmados pelo País com a Rússia, a Ucrânia, a China e a Itália, além de outros. O temor do governo norte-americano era que esses países, em decorrência das atividades de cooperação ensejadas pelos acordos, repassem ao País ou facilitassem o desenvolvimento de tecnologia de veículos lançadores de satélites para o Brasil.

No caso dos outros acordos de salvaguardas tecnológicas firmados pelos EUA com a Rússia, China, Cazaquistão e Ucrânia essas cláusulas políticas não estão presentes, porque tais países já dispõem da tecnologia do veículo lançador de satélites, além de saberem defender melhor a sua soberania.

Assim sendo, o Acordo de Alcântara era um ponto fora da curva, no que se refere aos acordos de salvaguardas tecnológicas firmados pelo EUA, uma vez que contém salvaguardas puramente políticas que não possuem nenhuma relação com a proteção de tecnologia norte-americana.

Contudo, mesmo as salvaguardas tecnológicas propriamente ditas, admissíveis num acordo dessa natureza, foram redigidas de forma imprópria e atentatória à soberania nacional.

Entre outras, destacamos as seguintes:

a) Os EUA teriam o direito de ter a disposição e controlar "áreas restritas" dentro da Base de Alcântara.

Tais áreas seriam controladas vinte e quatro horas por dia exclusivamente pelos EUA. Brasileiros lá não poderiam entrar. O governo dos EUA poderia também, conforme o Acordo, instalar aparelhagem eletrônica para melhor controlar tais áreas e nelas realizar inspeções sem aviso prévio ao governo brasileiro. Até mesmo os crachás para se adentrar tais áreas seriam emitidos unicamente pelo governo dos EUA ou por seus representantes autorizados. Assim, caso tivessem aprovado o Acordo, os senhores Jair Bolsonaro e Eduardo Araújo, se quisessem circular livremente pela Base de Alcântara, teriam, em tese, de portar crachás emitidos por autoridades norte-americanas.

b) O Brasil não poderia revistar o material que os EUA fizerem ingressar na Base.

Com efeito, o Acordo previa que os "containers" lacrados que virão dos EUA não poderiam ser abertos enquanto estiverem em território brasileiro. Tais "containers" só poderiam ser abertos nas "áreas restritas", exclusivamente por pessoal norte-americano. Ou seja: a alfândega brasileira ou quaisquer outras autoridades brasileiras não poderiam ter nenhum acesso às cargas que ingressarão em Alcântara. Embora se alegue que esta cláusula é vital para se "proteger a tecnologia norte-americana", ela encerra grande perigo: o Brasil não teria nenhum controle sobre o que os EUA lançariam de Alcântara. Assim, se quisessem, os EUA poderiam lançar satélites de uso militar a partir da nossa base. Comenta-se, inclusive, que Alcântara poderia se converter numa das bases para um novo escudo antimíssil. As repercussões geopolíticas, principalmente no âmbito dos BRICS, seriam assustadoras e desastrosas.

c) Os escombros de lançamentos fracassados não poderiam ser estudados ou fotografados de nenhuma forma.

De fato, o Acordo proibia que o governo brasileiro estudasse ou fotografasse escombros que tivesse caído sem seu próprio território. Saliente-se que tal cláusula contraria tratado internacional sobre o assunto. De fato, esse dispositivo não se coaduna com os princípios do direito internacional aplicáveis ao caso, consubstanciados no “Acordo sobre o Salvamento de Astronautas e Restituição de Astronautas e de Objetos Lançados ao Espaço Cósmico”, datado de 22 de abril de 1968.

Tal acordo prevê o direito de custódia para o país em cujo território caiam os escombros, o que seria negado pelo presente ato internacional, na medida em que determina a imediata restituição dos destroços.

Na época em que o Acordo estava sendo discutido na Câmara, comentou-se muito sobre a maneira descabida e desrespeitosa como foram redigidas as salvaguardas tecnológicas. Porém, comentou-se pouco sobre o gigantesco atentado à soberania nacional expresso nas absurdas salvaguardas políticas do Acordo de Alcântara.

Essas cláusulas políticas manifestam o grande objetivo do Acordo para o governo norte-americano: colocar o programa espacial brasileiro na órbita estratégica dos EUA e impedir o desenvolvimento do Veículo Lançador de Satélites por parte do Brasil.

Aliás, isso foi dito com todas as letras, na negociação ocorrida em 2000. Os EUA afirmaram que não queriam que o Brasil desenvolvesse seu Veículo Lançador.

Essa determinação continua. Aliás a cooperação espacial do Brasil com a Ucrânia fracassou, em boa parte, por causa dessa pressão dos EUA.

Tal oposição dos Estados Unidos à cooperação entre Ucrânia e Brasil está registrada em telegrama que o Departamento de Estado enviou à sua embaixada em Brasília, em janeiro de 2009. Conforme esse telegrama, os EUA “não apoiam o programa nativo dos veículos de lançamento espacial do Brasil.....” “Queremos lembrar às autoridades ucranianas que os EUA não se opõem ao estabelecimento de uma plataforma de lançamentos em Alcântara, contanto que tal atividade não resulte na transferência de tecnologias de foguetes ao Brasil".

Os Estados Unidos também se opuseram a lançamentos de satélites norte-americanos (ou fabricados por outros países, mas que contenham componentes estadunidenses) a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, por falta de um Acordo de Salvaguardas Tecnológicas e "devido à nossa política, de longa data, de não encorajar o programa de foguetes espaciais do Brasil".

Observe-se que, com o veículo lançador, o Brasil poderia dominar todo ciclo da tecnologia espacial e ser um player importante no mercado de lançamentos de satélites. Afinal, temos uma base de localização privilegiada, que permite lançamentos comparativamente baratos, e um acordo com a China para o desenvolvimento conjunto de satélites. Só nos falta o veículo lançador para que o nosso grande potencial nessa área crítica da tecnologia possa se concretizar.

Só que Washington não quer. Aliás, isso foi dito, repetimos, com todas as letras no início das negociações do Acordo de Alcântara. Os ianques disseram, na caradura, que “permitiriam” o uso da Base de Alcântara para lançamentos de satélites, desde que o Brasil extinguisse o programa do VLS e concordasse com todas as cláusulas políticas que seriam inseridas no texto.

O Executivo da época engoliu a bofetada e a ordem do Império. O Congresso, não.

Mas, agora, os novos vira-latas, bons cristãos que são, querem dar a outra face.

Não se enganem: o acordo deverá voltar de Washington, na essência, tal como saiu em abril de 2000. O zumbi de Alcântara terá o mesmo corpo, o mesmo texto, o mesmo odor pútrido. Afinal, os EUA sabem defender os seus interesses.

Quem não sabe ou não quer defender os interesses de seu país é o governo Bolsonaro, que até já subordinou nossas Forças Armadas ao Comando Sul dos EUA. O capitão e seu chanceler também defenderam, em público, a criação de uma base norte-americana em território brasileiro.

Assim, com essa “renegociação”, o governo antinacional estaria assumindo que, no campo aeroespacial, assim como em outras áreas estratégicas, o Brasil será mero exportador de commodities. No caso, uma commodity geográfica. Supriremos os EUA com uma localização geográfica privilegiada. E nada mais. Nada de veículo lançador próprio. Nada de satélites competitivos.

Restará ao Congresso defender o Brasil.

Quando da ocasião da tramitação do acordo antigo na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, preparei os pareceres para o relator, o então Deputado Waldir Pires (PT/BA).

Construímos um parecer que agregou todas as forças contra o acordo.

No dia da sessão de votação, fomos surpreendidos por uma série de elogios ao trabalho do Doutor Waldir Pires. Todos os partidos, sem exceção, manifestaram total apoio ao parecer do Doutor Waldir. Mesmo o PSDB e o PFL (hoje DEM) expressaram seu entusiasmo com o parecer. O mínimo que se disse é que a sessão era histórica, que o parecer era primoroso, que nenhuma outra Comissão teria capacidade de derrubar o trabalho que seria ali aprovado, como de fato aconteceu. Formou-se, dessa forma, uma grande frente suprapartidária contra o Acordo de Alcântara.

Entretanto, chegou a hora de manifestar seu voto um deputado de perfil, por dizê-lo de forma eufemística, extremamente discreto, que só abria a boca, em geral, para defender pautas corporativas de militares e a finada ditadura. Nunca o vimos, naquela comissão, expressar opinião relevante sobre os grandes temas internacionais ou apresentar algum relatório ou projeto expressivo.

Para nossa surpresa, as Notas Taquigráficas da Câmara registraram para a história a seguinte manifestação:

“O SR. DEPUTADO JAIR BOLSONARO – Louvo a competência do Deputado Waldir Pires, mas por outras razões que, no momento, preservo-me de citar, voto contrariamente ao projeto”- Câmara dos Deputados, CREDN, Notas Taquigráficas, 31/10/2001)

Sim, o então deputado votou contrariamente à frente parlamentar contra o Acordo de Alcântara.

Agora, já presidente, voltará ao Brasil com um provável “troféu de grego” ou “presente de grego” para a Nação: a alienação da nossa base aos EUA e, possivelmente, a inserção do nosso programa espacial na órbita dos interesses geoestratégicos dos EUA.

Um cavalo de troia espacial.

Marcelo Zero
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Bolsonaro entrega Alcântara a Trump

O C Af quer saber por onde andam os militares nacionalistas

Na foto, enclave americano no Maranhão
Reprodução: Estadão
Do Estadão:

Brasil e EUA fecham acordo sobre base de Alcântara

Brasil e Estados Unidos concluíram na semana passada as negociações do novo Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), que permite o uso comercial da base de Alcântara, no Maranhão. O tema é debatido pelos dois países desde 2000, quando o governo Fernando Henrique Cardoso assinou o acordo, rejeitado na sequência pelo Congresso Nacional. Em entrevista ao Estado, o embaixador do Brasil nos EUA, Sérgio Amaral, revelou parte das mudanças no novo texto. Para ele, as negociações reduziram a ingerência americana no Brasil e atenderam, dessa forma, críticas levantadas anteriormente pelo Congresso.

“Essa negociação encerra quase 20 anos em que estamos tentando lançar da base de Alcântara mísseis de maior capacidade, de maior porte e que podem ser utilizados no uso comercial sobretudo de lançamento de satélite”, afirma Amaral. Depois de 2002, quando o AST fracassou no Congresso, o Brasil ensaiou outras vezes uma nova negociação com os EUA, mas as rodadas de conversa sobre o tema deslancharam em maio do ano passado. Os parlamentares brasileiros alegaram nos anos 2000 que o AST fere a soberania nacional.

O acordo de salvaguardas tecnológicas prevê a proteção de conteúdo com tecnologia americana usado no lançamento de foguetes e mísseis a partir da base de Alcântara. Atualmente, 80% do mercado espacial usa tecnologia americana e, portanto, a ausência de um acordo de proteção limita o uso da base brasileira. O texto também é um acordo de não proliferação de tecnologias de uso dual – quando as tecnologias podem ser usadas tanto para fins civis como militares, caso do lançamento de mísseis. (...)
Nem o maior dos entreguistas (até agora...), o Príncipe da Privataria, conseguiu entregar Alcântara aos americanos.

O bravo brasileiro então deputado Waldir Pires desfechou uma heróica resistência e o maestro da Privataria Tucana recuou.

Pires tinha o apoio explícito e velado de militares nacionalistas.

Onde estão eles?

Alcântara é uma joia rara.

O melhor ponto da Terra para colocar satélites em órbita!

O “acordo” celebrado pelo embaixador do Brasil (sic) em Washington, Sérgio Amaral, foi nomeado pela chanceler Careca, o maior dos ladrões.

Serra é aquele que saiu do Estádio Nacional do Chile, onde Pinochet depositava os marcados para morrer, e reapareceu numa universidade americana.

Precisa desenhar?

O acordo Serra/Bolsonaro tem os seguintes ignóbeis ingredientes:

- brasileiros não poderão entrar no enclave americano em Alcântara;

- brasileiros não terão nenhum acesso à tecnologia sensível que os americanos estacionarão em solo da Pátria!

Porto Rico teria mais dignidade!

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Entrevista: Zé de Abreu diz que vai priorizar Lula Livre e previdência


Inicia no 6'25"
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Em breve terá início a temporada de caça à Lava Jato

A imprensa é pró-cíclica – ou seja, tende a potencializar movimentos da opinião pública. Quando um ciclo começa a esgotar, há a necessidade de criar novos ciclos, nos quais se dará a disputa entre os jornais.

A mídia já começa a prospectar o próximo ciclo de cobertura. A novidade será denunciar a Lava Jato
As ondas de terror costumam ter ciclo intenso, porém curto. Surgem, conquistam fígados e mentes das turbas das ruas, são impulsionadas pela mídia – por ideologia ou a reboque da opinião pública.

No ciclo inicial, conferem uma sensação inédita de onipotência aos provocadores, sejam chefes de torcida organizada, insufladores de linchamento, políticos medíocres, ou, no caso da Lava Jato, procuradores e juízes do interior, alçados de repente ao Olimpo das celebridades.

Em todas essas pessoas, o perfil psicológico é o mesmo. São personagens sem biografia anterior, sem grande destaque,  que ganham a sorte grande de protagonizar o sacrifício ritual alimentado pela sede de sengue das bestas das ruas.

O roteiro exige como protagonistas pessoas amorais, despidas de sentimento de compaixão, da piedade, de senso de justiça, de responsabilidade pública, sem pudor de praticar ao máximo a crueldade física ou psicológica, exercitar a covardia em todas as instâncias, porque sua base de sobrevivência é o ódio difuso que, de repente, ganha um foco, ao se lhe apontar um inimigo real ou imaginário.

O que estão fazendo com Lula há muito ultrapassou os limites da mera severidade. Bloquearam todos os seus recursos, deixando familiares passando necessidade, sendo amparados por amigos. Impediram-no de prantear o irmão morto e tentaram impor condições indignas para ir ao funeral do neto, que foi tratado em hospital de terceira linha, por falta de recursos da família, bloqueados pela crueldade extrema da Lava Jato e dos desembargadores do TRF4.

A indignidade com que um dos grandes personagens da história foi tratado pela juíza Gabriela Hardt ainda há de figurar nos futuros compêndios da psicologia do fascismo, como o exemplo mais deformado do que essas situações criam em pessoas médias, pelo prazer sádico de poder se impor sobre vultos da história.

Dallagnol, McCarthy, Marat
Mas, como não há mal que sempre dure, em algum momento esse ciclo de ódio tem uma inflexão. Foi assim com Jean-Paul Marat na Revolução Francesa, com Joseph McCarthy, quando decidiu estender a caça às bruxas ao Exército. No caso da Lava Jato, foi essa tentativa de se apropriar de R$ 2,5 bilhões de recursos do Tesouro para uma fundação de direito privado controlada por eles próprios.

Ai quebrou a blindagem.

Para avaliar os próximos passos, é necessário entender a lógica jornalística.

A imprensa é pró-cíclica – ou seja, tende a potencializar movimentos da opinião pública. Quando um ciclo começa a esgotar, há a necessidade de criar novos ciclos, nos quais se dará a disputa entre os jornais.

Foi assim em todos os episódios de linchamento midiático desde a campanha do impeachment de Fernando Collor à Escola Base – tenho mais de vinte casos narrados no livro “O jornalismo dos anos 90”.

A campanha de ódio, que resultou na Lava Jato, teve três motivações. Uma delas, de ordem política, contra Lula e o PT. A segunda, a competição pelos “furos” da Lava Jato, em um episódio grotesco de antijornalismo, com todos os jornais comendo na mão dos procuradores e delegados, sem nenhum esforço de checar as informações. A terceira, indo a reboque da besta das ruas, o ódio dos leitores.

Agora, o jogo começa a inverter.

Primeiro, há o desgaste natural das operações de impacto da Lava Jato. Quanto mais o tempo passa, menos novidade existe. Quando se enredou com o governo Bolsonaro, a Polícia Federal de Sérgio Moro montou duas operações de impacto, inclusive prendendo o presidente da Confederação Nacional da Indústria. A notícia ficou um dia nos jornais. Do jeito que as coisas caminham, nem a prisão de José Serra merecerá manchetes.

O fator Palocci – soltar trechos da delação do ex-Ministro como antídoto para crises – é cada vez menos eficaz. Já saiu das manchetes principais e começa a cair para o pé de páginas internas dos jornais.

Agora, vem o episódio da fundação de R$ 2,5 bilhões.

Nas redes sociais, a condenação é quase unânime. Os únicos defensores da fundação são os próprios membros da Lava Jato, com campanhas bisonhas, lembrando que as multas de um caso permitiram construir uma sede para uma APAE, ou reformar seis escolas, como justificativa para a apropriação de R$ 2,5 bilhões (!). Pela primeira vez, colegas procuradores põem a cabeça para fora e começam a externar o incômodo que acompanhou parte da categoria com os abusos reiterados da Lava Jato.

Em breve terá início o novo ciclo. E agora será de caça à Lava Jato.

Como ocorre em todo final de ciclo, a imprensa vai apalpando aos poucos o novo terreno, para ver se há terra firme para começar a nova etapa. Depois que se divulgou aqui a fundação de R$ 2,5 bi, levou alguns dias para começar a repercussão. Era um escândalo óbvio, mas os jornalistas precisam saber se já existe apoio tácito para a mudança na cobertura.

O apoio veio, as matérias começam a pipocar. Não virá de uma só vez, porque os jornais teriam que explicar a parceria de tantos anos com esse grupo. Mas a arte e o engenho jornalístico encontrarão narrativas adequadas. Colocarão lupa nas parcerias entre Rosângela Moro e Carlos Zucolotto, esmiuçarão os honorários dos advogados da delação, levantarão o aumento de patrimônio de Deltan Dallagnol, com as palestras pagas, cobrarão dele a fundação que disse que iria constituir com dinheiro das palestras, e que sumiu do noticiário, checarão o caso Tacla Duran, e a proposta de tacada de Zucolotto, falando em nome da Lava Jato.

Tudo isso já foi levantado por veículos independentes, furando a barreira de silêncio da mídia. Portanto, haverá apenas o trabalho de aprofundar as pautas.

Em um ponto qualquer do futuro, é possível até que divulguem o martírio de Lula, as humilhações impostas a ele e Marisa, a perseguição implacável que atingiu os familiares e pode ter sido causa da morte do neto. E alguma reportagem lembrará que, com uma entrevista, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, decretou o fim de qualquer possibilidade de salvar as empresas de engenharia brasileira. Já existem levantamentos criteriosos sobre os prejuízos trazidos à economia. E serão cobrados, também, o ex-Procurador Geral Rodrigo Janot, e seu companheiro de noitadas Ministro José Eduardo Cardozo, pela falta de coragem de enfrentar as turbas, em um tema de interesse nacional.

Haverá perfis detalhados sobre o deslumbramento das Hardt, dos Dallangoll. Suas incursões pela iniciativa privada, com consultorias de compliance e o escambau, serão acompanhadas minuciosamente.

Tudo isso por uma lógica fatal. Como operações dessa natureza dão celebridade imediata a pessoas sem história, não há como conter o excesso de ambição que sempre atinge esses tipos.

E a ambição da Lava Jato foi gigantesca, de R$ 2,5 bilhões.

Luís Nassif
No GGN
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Só o mensalão (do PT) acabou na Justiça


“SÓ O MENSALÃO (DO PT) ACABOU NA JUSTIÇA”. Comentário feito em 20 de agosto de 2012 na TV Gazeta/SP em pleno julgamento no Supremo Tribunal da Ação Penal 470, o chamado “mensalão do PT”.

Da TV é seção que trará comentários feitos na TV Gazeta ao longo desta década. E entrevistas feitas na TVE/Bahia.

De tempos em tempos subiremos comentários dos últimos 9 anos. Com informações e análises que podiam - e podem - levar a compreender melhor fatos e ligações entre o então, o que já era passado e o que viria.

Datas e títulos de cada comentário, análise, são importantes. Porque demonstram o que estava posto, já era fato ou estava sendo engendrado, a caminho.

Ver ou não ver, perceber ou não, informar ou não, mais do que profética aposta individual era, foi, decisão tomada por empresas de comunicação e/ou seus prepostos. Decisão tantas vezes pelo “não” por levar em consideração outros interesses que não os do telespectador, leitor, ouvinte, usuário.

Os fatos, cenários, personagens, antecedentes e consequências já estavam lá. Ou na boca da cena.

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A Gaiola das Loucas: Olavo comemora vitória sobre militar do MEC


Um desequilibrado é eleito presidente, com o apoio dos militares e de seus comandantes e de um aglomerado de seguidores de um astrólogo que virou filósofo.

O astrólogo “leva” a Educação, para colocar ali alguém que transforme a Ciência numa versão cristã do Exército Islâmico, mas vai junto um coronel que o seguia que, percebendo o grau de loucura dos outros astrologuetes, começa a blindar o ministro da área, que veio de uma ilha vizinha.

O mítico, então, vendo a perseguição de seus fiéis,  toma da corneta universal do Facebook e ordena-lhes a retirada e o abandono do Governo.

Mas o Presidente, ele próprio – não sabe bem porque, talvez porque ache que isso lhe empresta certa “intelecutalidade”, aconselha-se com os filhos, adeptos do sumo sacerdote, e manda demitir o coronel.

E o astrólogo, em meio a seus objetos cabalísticos, comemora: Nemo me impune lacessit, “Ninguém me fere impunemente”, lema da Ordem do Cardo escocesa, de onde lhe vem o néctar que lhe inspira as ideias.

Se alguém fosse imaginar este enredo, certamente o colocaria numa republiqueta insignificante, uma destas ilhas perdidas em meio ao Oceano Pacífico.

Mas está acontecendo aqui, num dos maiores países do mundo e, até poucos anos, um florão entre as nações emergentes.

Olavo de Carvalho festeja nas redes sociais a “golden shower” do ex-capitão sobre o ministro e o coronel Ricardo Roquetti, até agora o Secretário-Geral do MEC.

Quem levou o “beijinho, beijinho” foi o General e vice-presidente Hamilton Mourão e as Forças Armadas, desancadas sem dó pelo Jim Jones do bolsonarismo.

É tudo tão caricato que é muito dificil fazer análises políticas sobre o fato.

Não há mais lógica na Casa Verde que virou o governo, inclusive na ala verde-oliva do hospício.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Bolsonaro compartilha fake news com acusação a repórter do Estadão

Bolsonaro distorce declaração de um áudio atribuído a jornalista Constança Rezende. A gravação é de uma ligação recebida por ela de um suposto estudante interessado em fazer um estudo comparativo entre Donald Trump e Jair Bolsonaro


O presidente Jair Bolsonaro publicou um áudio atribuído à jornalista Constança Rezende do jornal O Estado de S. Paulo, onde afirma que ela “diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o impeachment do presidente” e ataca a imprensa. “Ela é filha de Chico Otavio, profissional do ‘O Globo’. Querem derrubar o Governo, com chantagens, desinformações e vazamentos”, escreveu Bolsonaro.

Na gravação, no entanto, Constança fala sobre as denúncias do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão nas contas de Fabricio Queiroz,  ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Na conversa, em inglês, a repórter avalia que “o caso pode comprometer” e “está arruinando Bolsonaro”. Em nenhum momento declara que seria sua intenção arruinar o governo.

Em nota, o jornal O Estado de S. Paulo diz que a fake news foi distribuída pelo site bolsonarista Terça Livre. O site publicou que a suposta declaração teria sido dada segundo “denúncia” de um jornalista francês, em uma conversa gravada.

O jornal desmente: “Constança Rezende não deu entrevista nem dialogou com o jornalista francês citado pelo Terça Livre. As frases da gravação foram retiradas de uma conversa que ela teve em 23 de janeiro com uma pessoa que se apresentou como Alex MacAllister, suposto estudante interessado em fazer um estudo comparativo entre Donald Trump e Jair Bolsonaro”.

O Estadão alerta ainda que o Terça Livre falsamente atribui à repórter a publicação da primeira reportagem sobre as investigações do Coaf, sendo que o autor da primeira reportagem foi Fábio Serapião, também do Estado.


No Forum
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Bolsonarista que encontrou Jair e Moro em Davos é mentor de ataques à filha de Maria do Rosário

Hiram com Bolsonaro e Moro em Davos.
Foto: Reprodução/Instagram
“Fiquei sabendo que, depois de eleito, ele [Bolsonaro] iria até Davos. Vi que eles seguem no Twitter e mandei uma DM pra todo mundo. Aí o Eduardo respondeu”.

“Eduardo me falou: ‘vou mandar minha localização e você vem seguindo até encontrar a gente’. Fiz isso e parei na faixa de pedestre. Atravessou o Bolsonaro. Fiquei andando com eles na rua, uma meia hora, conversando com todo mundo. Foi ali que tirei a foto com ele da rua. Perguntei se não podia conseguir uma credencial. ‘Não sei se sua credencial permite entrar em todas as áreas, mas vem comigo e você entra’, disse Eduardo”.

“Olho pra esquerda e estava (sic) sentado o Bolsonaro, o Filipe Martins, o Heleno, o Paulo Guedes e o Moro em pé mexendo no celular. Grudei no Moro pra tirar uma foto com ele”.

As declarações acima são trechos do podcast de mais de uma hora chamado “Ninguém se importa”, que foi com exclusividade publicado no DCM.

No trecho, que aparece no minuto 35, Hiram Galdino relata como encontrou pessoalmente com Jair Bolsonaro e Sergio Moro no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. No Twitter, Hiram é seguido tanto por Jair Bolsonaro quanto pelo filho Eduardo.

Na mesma gravação, o publicitário Leonardo Oliveira confessa que montou fake news envolvendo Jean Wyllys na facada em Bolsonaro.

Em agosto de 2017, o Diário do Centro do Mundo publicou um perfil de Hiram.

Ele era membro dos Proud Boys, uma autodenominada “fraternidade chauvinista” decidida a empregar violência pelo que consideram uma “defesa da civilização ocidental”.

Também foi apontado como dono da página chamada “Antes e Depois da Federal” no Facebook, cujo propósito oficial seria “denunciar a doutrinação do marxismo cultural” nas universidades.

Expunha homossexuais que teriam se “transformado” nos cursos de nível superior públicos.

Um post de Hiram expunha a filha de Maria do Rosário comparando-a com Eduardo Bolsonaro.


Hiram difamando a filha de Maria do Rosário.
Foto: Reprodução/Twitter

Sites de direita como “Faca na Caveira” e “Ataque Aberto” passaram a atacar a jovem. Maria do Rosário também se pronunciou sobre o caso: “minha filha está sendo vítima de criminosos nas redes sociais”.

No dia 24 de fevereiro daquele ano, o DCM publicou com exclusividade que o site 55chan fez ataques à filha da deputada que tinha 16 anos.

Como se trata de um site com perfis anônimos, não era possível estabelecer a origem dos ataques. Maria do Rosário acionou a Polícia Federal para investigar o caso.

Numa entrevista ao Diário no YouTube, a deputada comentou sobre seu trauma das agressões que sua filha sofreu há dois anos.

O que três fontes consultadas pelo DCM garantiram em sigilo é que Hiram Galdino foi o primeiro perfil a fazer ataques contra a filha de Maria do Rosário usando o Twitter.

Elas forneceram a informação com medo de retaliação dele nas redes.

Em 2016, ele foi comissário de bordo na TAM. Foi demitido por comentários na internet. Segundo Hiram, José Dirceu “era acionista e tinha cadeira na sala” da companhia aérea.

Hoje estaria morando em Zurique, na Suíça. É conhecido no Twitter por ter promovido perseguições a blogueiras e jornalistas feministas como Lola Aronovich e Cynara Menezes.

“Conheci a comitiva que estava ali. Os caras já conheciam a gente do Twitter. Diferente do que a mídia falou, eles foram estrelas em Davos. Todo mundo queria falar com Bolsonaro e os ministros. É o Novo Brasil. O mercado trabalha com fatos. Os caras vão investir e estão cagando pra post no Twitter chamando de fascista”, disse Hiram sobre o encontro com presidente.

Pedro Zambarda de Araujo
No DCM
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