5 de mar. de 2019

“O diabo venceu, sim”: teólogo dá razão a Gaviões da Fiel, cujo desfile escandalizou evangélicos

Desfile da Gaviões da Fiel
O teólogo Tiago Santos, que estudou no Seminário Teológico Batista do Rio Grande do Sul e é fundador da igreja Abrigo, em Porto Alegre, publicou um texto que está tendo muita repercussão, sobretudo entre os evangélicos. Ele foi pastor batista por oito anos. E fez bacharelado e mestrado em instituições luterana e católica.

Tiago escreveu sobre o enredo da escola de samba Gaviões da Fiel, que levou à avenida a mensagem “O Diabo Venceu”.

Evangélicos se escandalizaram, e por isso o teólogo decidiu explicar por que o carnavalesco da Gaviões deu uma demonstração de que entende mais de Cristianismo do que aqueles que seguem Silas Malafaia e similares.

Leia o texto:

Sobre a polêmica do carnaval quero registrar aqui que o diabo venceu, sim!

Quando a igreja fez arminha com a mão, o diabo venceu.

Quando os pastores e missionários, mesmo atuando nas comunidades mais pobres e obtendo o seu sustento do salário dos trabalhadores, apoiam a retirada de direitos destes para favorecerem os mais ricos, o diabo venceu.

Quando a igreja ri de uma criança que morre, o diabo venceu.

Quando a igreja comemora que uma líder social é assassinada a tiros numa emboscada, o diabo venceu.

Quando a igreja zomba de um líder político que precisa deixar o país sob ameaça de morte, o diabo venceu.

Quando a igreja vive uma expectativa que entremos em guerra com outro país para atender interesses geopolíticos de superpotências, o diabo venceu.

Quando a igreja se torna o principal grupo social do país a espalhar mentiras na internet, o diabo venceu.

Quando a maior preocupação da igreja, em um país extremamente desigual, é que meninos vistam azul e meninas rosa, o diabo venceu.

Quando a igreja fica em angustiante silêncio frente ao racismo, a xenofobia, ao feminicídio, a homofobia, o diabo venceu.

Quando a igreja considera armar toda a população como forma de buscarmos a paz, o diabo venceu.

Quando a igreja considera justo que fazendeiros que já tanto têm esmaguem os povos indígenas para lhes tomar o pouco que resta, o diabo venceu.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Ricardo Stuckert, o fotógrafo de Lula

Stuckert conta a sua trajetória profissional e como foi acompanhar o primeiro presidente operário do Brasil: Lula


Entrevista com o fotógrafo Ricardo Stuckert, membro de uma dinastia de fotojornalistas presidenciais. Stuckert conta a sua trajetória profissional e como foi acompanhar o primeiro presidente operário do Brasil: Lula.

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Ao atacar Caetano e Daniela Mercury, Bolsonaro ajudou a colar na própria testa a tatuagem VTNC


Jair Bolsonaro acusou o golpe.  O duro golpe que sofreu neste Carnaval. As manifestações colaram na testa dele a sigla VTNC.

O movimento de rejeição a ele começou na sexta-feira, com manifestações aqui e ali.

A Polícia de Minas Gerais, sob a inspiração de Romeu Zema, tentou conter os foliões.

Ameaçou abandonar a segurança do bloco Tchanzinho Zona Norte se os músicos continuassem puxando um coro contra Bolsonaro.

A ameaça, se concretizada, representaria crime de prevaricação, e o Ministério Público (tanto o federal quanto o estadual) lembrou que cobraria o comando da PM na Justiça.

Era, ademais, uma violação explícita ao direito constitucional da liberdade de expressão.

Houve recuo da PM, e as manifestações se multiplicaram, não apenas em Belo Horizonte, mas em todo o Brasil.

Foi o Carnaval “Bolsonaro VTNC”.

Bolsonaro usou suas armas.

O filho do meio, Carlos, postou uma mensagem ameaçadora ao deputado Rogério Correia, do PT, que havia aderido ao protesto VTNC.

“Teu ‘grito de coragem’ será respondido de outro jeito! ! Prepara ai, amigão! Tudo encaminhado!”, escreveu o filho do presidente, através do Twitter.

O que Carlos Bolsonaro quis dizer?

Vai mobilizar milicianos? Acionar o escritório do crime? O que é responder de outro jeito?

Como não explicou, qualquer interpretação é possível.

Depois, Bolsonaro atacou Caetano Veloso e Daniela Mercury, ídolos da música popular e com forte identificação com o Carnaval.

Usou para isso um cantor anônimo que nem sabia a letra de composição que tem  forte crítica aos dois artistas.

No vídeo que Bolsonaro divulgou, o cantor lia a letra em um celular. Espontaneidade zero.

Bolsonaro tirou do bolso o surrado discurso sobre a Lei Rouanet, e disse que o tipo de “artista” (a aspa é dele) como Caetano Veloso e Daniela Mercury não mais se beneficiaria da legislação de incentivo à cultura.

A resposta de Daniela Mercury foi precisa.

Ela contou que, em vinte anos, obteve, em média, cerca de 50 mil reais por ano para fazer seus shows que trazem retorno milionário para o turismo da Bahia e do Brasil.

“Sr. Presidente, sinto muito que não tenha compreendido a canção Proibido o Carnaval, que defende a Liberdade de expressão e é claramente contra a censura. Mas acho que isso nem vem ao caso aqui porque percebo que há uma distorção muito grave sobre a lei Rouanet. Parece que ela ainda não foi compreendida”, disse.

Por fim, sugeriu um encontro.

“Reitero aqui a minha disposição de conversar com o senhor e com sua equipe sobre a lei Rouanet. Se assim desejar, irei com minha esposa, que é também minha empresária, até Brasília para conversar com o senhor sobre o assunto”, escreveu, em carta aberta.

Naturalmente, Bolsonaro não está interessado em esclarecer nada nem em aprender nada.

Ele se descontrolou com as críticas que se avolumam neste Carnaval e, além da marchinha chapa branca, usou outra arma, também sem credibilidade.

Trata-se de uma reportagem da TV Record sobre os bonecos de Olinda. Entre eles, havia dois representando Bolsonaro e a esposa, Michele.

O DCM mostrou que foram vaiados e xingados pelos foliões, mas a Record não conta esse detalhe negativo para o casal.

Bolsonaro, escorado na reportagem da TV, agradeceu pela “homenagem de Pernambuco”.

O esgoto de Bolsonaro na rede social tem se mobilizado, mentindo que a marchinha contra Caetano e Daniela Mercury “viralizou” e os bonecões de Olinda foram um sucesso.

Não colam. São balas de festim, um traquezinho em meio a rojões.

Bolsonaro agiu com o fígado.

E não ponderou que deveria evitar o confronto na arena do adversário.

Ele nada de braçada entre os brasileiros que vão à porta de quartel bajular fardados e pedir intervenção militar.

Mas, no Carnaval, é um peixe fora d’água.

Como se atreveu a desafiar foliões, vai pagar o preço.

A marca na testa dele, VTNC, não vai desaparecer.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Os Bolsonaro e os currais eleitorais da milícia


Do jornalista Luiz Augusto Erthal, no resistente jornal Toda Palavra, de Niterói:

Pai e filho, Jair e Flávio Bolsonaro têm em comum, além dos laços de família e do ideário conservador, uma quase total similaridade nos mapas eleitorais compostos pelo último pleito, que os guindou, respectivamente, à Presidência e ao Senado da República. Até aí nada a estranhar, já que os dois são do mesmo partido (PSL) e fizeram campanha juntos. A coincidência suspeita, porém, está no fato de que metade das 20 zonas eleitorais que lhes deram as maiores votações na cidade do Rio de Janeiro estão em áreas dominadas pela milícia.

O levantamento foi feito pelo cientista social e jornalista – especializado em jornalismo de dados – Fábio Vasconcellos e está publicado em seu blog . De acordo com as informações, dez das vinte zonas eleitorais cariocas onde Flávio e Jair Bolsonaro foram mais votados englobam regiões demarcadas pelos mapeamentos do crime organizado feitos pela polícia do Rio como áreas de forte presença de grupos paramilitares. Essas áreas se concentram principalmente na Zona Oeste do Rio de Janeiro, como mostram as tabelas. (veja  abaixo).

A simpatia dos dois políticos com as práticas da milícia é pública e conhecida. No entanto, no caso do senador eleito está sob investigação do Ministério Público fluminense a suspeita de que o seu envolvimento com a milícia vai além da simples simpatia, o que torna relevante a informação de que seus votos estão fortemente consolidados em redutos eleitorais do crime organizado.

Não é de hoje que a milícia trabalha para eleger representantes. Inicialmente a atividade eleitoral associada ao crime organizado se dava principalmente no âmbito municipal e se fazia visível sobretudo na Câmara do Rio – caso exemplar o do vereador Jerominho, ligado à milícia de Rio das Pedras, que acabou cassado, condenado e preso. Mas os paramilitares passaram a cobiçar escalões mais altos da política, trabalhando a favor de candidatos à Assembleia Legislativa, à Câmara dos Deputados e até mesmo a cargos majoritários.

A dois meses das eleições de outubro do ano passado, o coordenador da fiscalização de propaganda do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro), juiz Mauro Nicolau Júnior, manifestou a sua preocupação com a participação do crime organizado no pleito. Falando a jornalistas no dia 2 de agosto, ele disse que cerca de 2 milhões de eleitores votam em áreas consideradas de risco na região metropolitana fluminense. São locais cujas zonas eleitorais têm algum tipo de ameaça à segurança pública, como a atuação de milícias e outras organizações criminosas.

“É um número bastante significativo e que decide qualquer eleição”, declarou o magistrado, deixando claro que a atividade criminosa eleitoral se dava em todos os níveis de cargos eletivos.

O então ministro da Justiça, Torquato Jardim, também havia confirmado essa ameaça à democracia brasileira um ano antes das eleições, ao participar do seminário “Eleições 2018: a democracia em debate”, organizado pela Ordem dos Advogados do Brasil, Segundo anunciou àquela época, a força do crime organizado em comunidades e favelas do Rio de Janeiro, incluindo o tráfico de drogas e milícias, seria um desafio a ser enfrentado no pleito que se aproximava.

“No Rio de Janeiro, o crime organizado está livre para eleger quem quiser. Já está mapeado no TRE [Tribunal Regional Eleitoral] daqui, nas 850 zonas de conflito dentro das comunidades cariocas, quais são as seções eleitorais e quem ganha mais votos naquelas seções. Isto está documentado, é desafio para os serviços de segurança, para as eleições no ano que vem, no Brasil e no Rio de Janeiro em particular”, revelou o ministro durante o seminário realizado no dia 6 de outubro de 2017, no Rio.

Esse levantamento pode ajudar a depurar mais os dados pesquisados agora, com base nos boletins de urna das eleições de 2018, por Fábio Vasconcellos e servir, inclusive, como subsídio às investigações do MP. Procurado pelo Toda Palavra, o TRE-RJ confirmou, através de sua assessoria de comunicação, a existência do levantamento, mas alegou o caráter sigiloso das informações, negando ao jornal acesso aos dados.

O jornal pode ser lido aqui, em versão digital.


No Tijolaço
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WikiLeaks revela que EUA querem reformar judiciário brasileiro


Sérgio Amadeu comenta o vazamento da "Lista de Compras da Embaixada dos EUA". No caso do Brasil um documento salta aos olhos: o INL - International Narcotics and Law Enforcement - quer implementar leis antidrogas, interferir nos burocratas e gestores brasileiros e desenvolver leis anticorrupção. O documento revela também que os EUA pretendem fomentar uma reforma do setor judiciário em uma clara intromissão nos assuntos internos do Brasil.

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É chegada a hora de nos mobilizarmos pela soltura de Lula

Foto: Ricardo Stuckert
Do falso segue-se qualquer coisa. Eis a bem conhecida “Lex Clavius” da lógica silogística. Quando qualquer das premissas é falsa, a conclusão poderá ser tanto falsa, quanto verdadeira. Cria-se, assim, o raciocínio indecisível. A caraminhola sem sentido, ainda que por raciocínio legítimo. Por exemplo, “todo chinês fala francês e Macron é chinês, logo, Macron fala francês.” Aqui, claramente temos duas premissas falsas levando a uma conclusão verdadeira. Mas em “todo francês fala chinês e Macron é francês, logo, Macron fala chinês” já temos uma premissa falsa e outra verdadeira levando a uma conclusão falsa. 

Com premissas falsas, o governo Bolsonaro deixa o país à deriva. Podem-se, até, por vez ou outra, extrair conclusões corretas na ação política, mas elas não desfazem os vícios dos fundamentos sobre as quais são erigidas. Tome-se, por exemplo, a decisão de negar ação militar contra a Venezuela, como seria ao gosto dos idiotas trumpistas que governam os EUA. Mesmo correta, trata-se, muito mais, de postura realista diante das debilidades de nossas forças armadas, do que de uma construção estratégica sólida. Não tenhamos dúvida de que, se tivessem condições de armamento e preparo, nossas fardas se meteriam na aventura da agressão. As premissas falsas são precisamente a avaliação da “ilegitimidade” do governo eleito de Maduro e a de que atender o interesse norte-americano na região beneficiaria o Brasil. Essas parvoíces continuam intactas, independentemente de a política externa ser conduzida pelo general Mourão ou pelo Ernesto-Terraplanista.

O estoque de besteirol do governo Bolsonaro está longe de se esgotar e não faremos bem, as brasileiras e os brasileiros com discernimento, se, a cada nesga de aparente racionalidade no meio do turbilhão das caraminholas fascistas, nos iludirmos com a possibilidade de acerto desse ou daquele ator bolsominion ou filobolsonarista. Achar que uma substituição de Bolsonaro por Mourão melhora as coisas, por este exibir um discurso menos sopinha-de-letras que o chefe e seu entourage, é uma quimera perigosa. As premissas da ação do general são as mesmas do capitão precocemente aposentado. São falsas e artificiais. Ambos foram eleitos pelo mesmo estratagema do ódio à política e da mentira deslavada. O general, tal qual o marechal Hindenburg, serviu para legitimar o Jair Messias, nosso cabo Adolf Hitler.

Posto isso, cabe-nos, sem ilusões e “wishfulthinkings”, traçar o caminho pelo qual sairemos do imbróglio em que a democracia se meteu, ao ceder às forças reacionárias do patrimonialismo multicentenário, para garantir a governabilidade. Nossas premissas têm que ser verdadeiras. Sua construção passa pela cesura necessária no tecido político para dissecar não só as alianças com o atraso, mas, também, o ódio político.

As demonstrações de solidariedade na dor com o Presidente Lula são um bom indicativo para a saída da crise. Desqualificaram-se os atores que apostaram em novas injeções de ódio. Lula foi ao velório de seu neto e saiu maior. Foi soberano. Os apoios sinceros que recebeu colocaram a nu a campanha judicial mentirosa que o encarcerou. A tranquilidade das manifestações de afeto ao seu redor mostraram civilidade e respeito à legalidade democrática, diferentemente do teatro armado pelo ministério de Sérgio Moro, que escalou um ativo militante bolsonarista para fazer a escolta do Presidente Lula. Perdeu o governo fascista e ficou ridículo, pois, em momento nenhum, se justificou o tamanho do aparato repressivo montado em torno do pacífico líder conduzido num momento tão trágico.

É chegada a hora de nos mobilizarmos pela soltura de Lula, o único personagem nacional com capacidade de fazer frente ao besteirol institucionalizado pela mentira e pelo ódio. Temos que mostrar, através de ação concreta junto ao STF, com a liderança da OAB, o apoio de juristas de peso, no Brasil todo, ao desfazimento da injustiça que vitimou Lula. Restabelecendo-se a verdade sobre a mesquinhez do golpe judiciário do então juizinho e hoje ministrinho Sérgio Moro, decompõem-se as premissas falsas que colocaram o bolsonarismo no poder e nos fará ver luz no fim do túnel para recolocar a democratização do país no seu caminho certo.

Eugênio Aragão
No DCM
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O Brasil ou Bolsonaro: esta é a escolha


Bastou o tenente Bolsonaro (que só virou capitão ao ser expelido do Exército, pelas regras da Arma) ensaiar sorrisos amarelos de cor laranja para a mídia adesista se assanhar. Brincando de civilizado, convocou um café da manhã com jornalistas selecionados a dedo para vender uma imagem de "gente boa", de homem aberto ao diálogo, com direito a piadinhas e elogios hipócritas à imprensa.

Foi o que bastou para muita gente achar que o diabo tinha recolhido o tridente. O jornalismo brasileiro da mídia gorda, realmente, caiu abaixo do fundo do poço.

Não se passaram muitos dias para mostrar que nada mudou. Os twitters da famiglia, que ele prometeu iria filtrar, mantiveram o mesmo tom de ódio e belicismo de sempre. Para não citar todos, fiquemos no post de um dos filhos a respeito da morte do neto de Lula. Uma das peças mais execráveis a que o mundo civilizado já teve acesso. Filtrado pelo pai, a acreditar no que ele próprio prometeu.

Agora o próprio tenente voltou à ativa. Seu último twitter sobre a "lava Jato" na Educação demonstra que Bolsonaro continua o mesmo.

Anuncia uma perseguição sem tréguas à academia, universidades, professores, alunos para enquadrá-los no que há de mais reacionário e obscurantista. Promete ainda uma repressão implacável aos que resistirem ao projeto de destruir qualquer oposição ao plano de exterminar o pensamento livre, desimpedido e democrático.

Chega a ser revoltante ler nas redes, no papel, ver na TV e ouvir em rádios pedidos de paciência e compreensão diante de um presidente que recém assumiu. "Não tem experiência", falam. Como se isto anistiasse uma trajetória marcada por tudo o que mais odioso já visto no país.

Os argumentos dos bolsonaristas, neo-bolsonaristas e os ansiosos por uma boquinha não resistem a uma análise superficial que seja. Veja alguns:

— "ele teve 58 milhões de votos". Bem, mas de onde saíram estes votos? As notícias em profusão mostram ter sido produto de manipulação eletrônica, laranjais, mentiras difundidas aos montões sem o menor escrúpulo. O tenente transformado em capitão é um usurpador, cuja soma de votos, aliás, é inferior ao volume de votos da oposição, nulos, brancos e abstenções. .

— "ele não tem culpa das trapalhadas dos filhos". Referem-se, por exemplo, ao esquema de roubalheiras articulado pela dupla Fávio Bolsonaro/ Fabrício Queiróz. Omitem, quando podem, que o próprio tenente manteve em seu gabinete uma personal trainer que recebia dinheiro público (depois confiscado pelo militar) como assessora no Congresso.

— "o que ele falava como deputado não vale agora que ele é presidente". Quem acredita nisso, acredita em tudo. Já como chefe do Planalto, o tenente aproveitou uma cerimônia trivial para elogiar um ditador como Alfredo Stroessner, assassino, torturador, pedófilo, que durante 35 anos espalhou o terror pelo Paraguai. "Um estadista" na visão do militar.

E por aí vai. Nem sequer é preciso citar o episódio Ilona Szabó, que reduziu Sérgio Criminoso Moro ao que ele é de fato – um estafeta covarde, pitbull na frente de Lula e lulu amedrontado quando desmoralizado pelo tenente na presidência.

Bolsonaro tem 30 anos de vida pública. Suas convicções racistas, homofóbicas, misóginas, vendilhonas do Brasil e adorador de torturas, genocídio de pobres, exterminador de direitos da maioria do povo e subserviente a personagens como Trump, Guaidó, Duque, Pinochet etc – tudo isso faz parte de seu DNA.

O tenente, alçado a ex-capitão por injunções burocráticas, não tem conserto. Viveu desequilibrado, e permanecerá desequilibrado. Ninguém tem bola de cristal para saber como as coisas acontecerão. A única certeza é a seguinte: quanto mais tempo ele permanecer no Planalto, pior para o Brasil. Cabe ao povo decidir como e quando será o desfecho

Ricardo Melo é jornalista, presidiu a EBC e integra o Jornalistas pela Democracia
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Ernesto Araujo é folclórico e tosco. E também um rascunho de ditador


A intenção do chanceler é criar no Itamaraty uma milícia intelectual ultrarreacionária, sem nenhuma flexibilidade para com um pensamento minimamente divergente


A notícia que consta no link abaixo é surpreendente sobre o tipo de guerra ideológica empreendida pelo governo Bolsonaro. Ou pelo menos por seus setores mais hidrófobos. Vai um trecho:

“O embaixador Paulo Roberto de Almeida foi demitido nesta segunda-feira (4) do cargo de diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (Ipri), órgão vinculado ao Ministério das Relações Exteriores. Ele assumiu a direção do instituto em meados de 2016, durante a gestão de Michel Temer (MDB).

A demissão ocorreu após Almeida republicar, em seu blog pessoal, também nesta segunda-feira (4), três textos recentes sobre a crise na Venezuela, um assinado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, outro pelo embaixador e ex-ministro Rubens Ricupero e o terceiro pelo atual ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Araújo, em seu texto, critica as posições de FHC e Ricupero sobre a situação venezuelana, afirmando que os dois “escreviam seus artigos espezinhando aquilo que não conhecem, defendendo suas tradições inúteis de retórica vazia e desídia cúmplice”.”

QUEM É PAULO ROBERTO ALMEIDA?

Trata-se de um diplomata e pesquisador de direita, neoliberal e professor do Instituto Rio Branco, tendo já servido em Washington. Está na carreira desde 1977 e tem vários livros e artigos escritos. É firme opositor da centralidade do Mercosul na política externa e alinha-se, em geral, com as posições do PSDB. Tem como alvos preferenciais a política externa “ativa e altiva” e a esquerda em geral.

Quando Araujo comete essa violência com um representante do neoliberalismo, o sinal é claro. A intenção do chanceler é criar no Itamaraty uma milícia intelectual ultrarreacionária, sem nenhuma flexibilidade para com um pensamento minimamente divergente.

MUITAS VEZES, A CRIAÇÃO DO NÚCLEO DURO de determinada orientação político-intelectual se constitui em tática eficiente numa disputa de hegemonia. Vai aqui um exemplo.

Perry Anderson (em “Balanço do neoliberalismo”, artigo de 1992) investigou a genealogia histórica do pensamento econômica que se tornaria hegemônico no final dos anos 1980. Escreve ele:

“Em 1947, enquanto as bases do Estado de bem-estar na Europa do pós-guerra efetivamente se construíam, não somente na Inglaterra, mas também em outros países, neste momento Friedrich Hayek convocou aqueles que compartilhavam sua orientação ideológica para uma reunião na pequena estação de Mont Pèlerin, na Suíça. Entre os célebres participantes estavam não somente adversários firmes do Estado de bem-estar europeu, mas também inimigos férreos do New Deal norte-americano. Na seleta assistência encontravam-se Milton Friedman, Karl Popper, Lionel Robbins, Ludwig Von Mises, Walter Eupken, Walter Lipman, Michael Polanyi, Salvador de Madariaga, entre outros. Aí se fundou a Sociedade de Mont Pèlerin, uma espécie de franco-maçonaria neoliberal, altamente dedicada e organizada, com reuniões internacionais a cada dois anos. Seu propósito era combater o keynesianismo e o solidarismo reinantes e preparar as bases de um outro tipo de capitalismo, duro e livre de regras para o futuro”.

Anderson explica que tais ideias eram francamente minoritárias num mundo em que se afirmavam o socialismo real e a socialdemocracia europeia. Por vinte anos, Hayek e seus aliados teorizaram e formularam sem concessões, em uma espécie de estufa intelectual protegida do mundo externo. A dinâmica durou até a crise do dólar, no início dos anos 1970, quebrar todos os parâmetros do pós-Guerra. Foi quando o neoliberalismo emergiu como encadeamento intelectual lógico e inflexível. E se impôs.

Ou seja, Hayek criou um núcleo duro para defender ideias neoliberais antes que essas alcançassem poder político.

ARAUJO, EM SUA BIZARRICE, nunca disputou nada, nem ideias e nem diretrizes. Não tem nem de longe a envergadura intelectual de Hayek. Quer impor a partir da caneta, cuja tinta é fornecida por Bolsonaro. A dureza – e a tosquice – de seu – vá lá – pensamento não granjeia muitos adeptos. Ele, ao que parece, não pretende realizar nenhuma disputa política. Com a caneta na mão e montado num governo de tons miliciano-militares pretende impor seu pensamento na base da porrada.

Sua meta é criar bandos de freikorps – desordeiros nazistas dos anos 1920 – intelectuais para redesenhar não apenas o Itamaraty, mas todo o arcabouço da política externa brasileira, montada desde, pelo menos, 1930. Entre suas características arraigadas estão o multilateralismo, a não-ingerência em assuntos internos de outros países e uma política externa voltada para o desenvolvimento, o que implica certa autonomia em relação aos Estados Unidos.

Que em sua cruzada psicótica o terraplanista ataque Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães é coisa que está na conta. Investir contra a direita tradicional já revela uma psicopatia política com claras tendências ditatoriais.

Araújo é folclórico. E perigoso.

Gilberto Maringoni
No GGN



Embaixador exonerado aponta 'quebra de procedimento' no Itamaraty

Paulo Roberto de Almeida publicou textos críticos a Ernesto Araújo nas redes sociais; para diplomata, ministro é um 'júnior' na carreira

O embaixador Paulo Roberto de Almeida, exonerado do cargo de presidente do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (Ipri), nesta segunda-feira, 4, afirmou ao Estadão/Broadcast que sua saída aconteceu devido ao seu “espírito libertário”, expresso principalmente em suas redes sociais.

Almeida disse que já estava esperando a atitude do Itamaraty e critica a atuação do novo governo frente à Casa. “Os embaixadores estão obedecendo a ministros de segunda classe no Itamaraty. E todas as secretarias são ocupadas por funcionários juniores, ou menos antigos dos que estavam antes”, afirmou Almeida, que é diplomata de carreira desde 1977 e já serviu em diversos postos no exterior, inclusive na Bélgica.

Em relação ao chanceler Ernesto Araújo, diz que os próprios militares que integram o governo já demonstraram incômodo com algumas de suas posturas. “Os militares parecem também terem visto isso e adotaram uma espécie de ‘cordão sanitário’ ao redor do chanceler”, afirmou.

Como foi que o senhor ficou sabendo da sua exoneração?

Recebi um telefonema do Chefe de Gabinete do Ministro de Estado (Pedro Gustavo Ventura Wollny) reclamando das minhas postagens no meu blog pessoal. Realmente, coloquei aquela palestra do (Rubens) Ricupero na segunda-feira passada, coloquei o artigo do Fernando Henrique Cardoso, no domingo, e o próprio artigo do chanceler (Ernesto Araújo) à noite. E claro, teci comentários. 

Paulo Roberto Almeida
O diplomata Paulo Roberto de Almeida em discurso no Senado Federal em abril de 2017 em sessão solene sobre os 100 anos de Roberto Campos 
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Há também outras postagens, anteriores a estas, que são críticas...

Sim, eu sou um espírito libertário, enfim, acredito que posso debater tudo. Enfim, eles ficaram irritados e ele (Wollny) me telefonou para dizer que não era saudável.

O chefe de gabinete então deixou claro que a exoneração tinha relação com as postagens?

Sim, claro. Com meu blog, sem dúvida nenhuma. Mas isso já era previsível. Eu já estava preparado. Porque o ministro de Estado demitiu todos os chefes da Casa. Desde antes de tomar posse, em dezembro, eles estavam anunciando que todos os subsecretários, os embaixadores, estavam dispensados.

E no lugar, hoje, os embaixadores estão obedecendo a ministros de segunda classe no Itamaraty. E todas as secretarias são ocupadas por funcionários juniores, ou menos antigos dos que estavam antes. Há muito embaixador sem função, o que vai ser meu caso agora também.

Por que o senhor acredita que isso ocorreu?

Isso ocorreu porque o chanceler Ernesto Araújo também é um embaixador júnior. E ele está usando um critério geracional, digamos assim, para renovar a chefia. O que pode ocorrer em determinadas circunstâncias, mas o fato é que houve uma quebra de hierarquia muito clara no Itamaraty desde janeiro. Houve também uma ruptura dos procedimentos quanto à reforma na Casa, totalmente sem consulta, sem nenhuma preparação.

Como o senhor vê o desempenho do chanceler até este momento?

Não sou eu que estou vendo. Os jornalistas todos têm feito comentários sobre as posturas anti-globalista, anti-climatista, essas questões envolvendo a Venezuela. Os militares parecem também terem visto isso e adotaram uma espécie de “cordão sanitário” ao redor do chanceler.

Isso porque foram várias coisas anunciadas que eles tiveram de dizer não, como a base militar nos Estados Unidos, a postura anti-China, a mudança da nossa embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Teve também uma primeira reunião do Grupo de Lima em que ele aceitou a cessação de qualquer relação militar com o governo de Nicolás Maduro.

Há muitos elementos aí que criam um certo desconforto tanto na Casa quanto fora dela. Acredito que o fato de eu repercutir um pouco esse debate público incomodou um pouco. 

O senhor acredita que ainda podem haver novas exonerações no Itamaraty?

Vários embaixadores já foram exonerados de seus cargos que estão sem função. Então, acho que há essa perspectiva geracional. Não conheço nenhum diplomata petista. Talvez tenha dois ou três, mas devem estar quietos. Essa coisa de limpar o petismo do Itamaraty, o marxismo cultural, isso é uma grande bobagem. Porque o Itamaraty é feito por profissionais, que, claro, atendem ao presidente, seguem a política externa do Palácio. Algumas medidas tomadas recentemente são pouco compatíveis com a chamadas tradições do Itamaraty.

Camila Turtelli
No O Estado de S.Paulo
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O "mito da Petrobras quebrada"

Não passa de reles entreguismo


A Petrobrás tem adotado estratégias empresariais questionáveis e a Associação dos Engenheiros da Petrobrás, AEPET, justifica sua crítica à essa política por considera-la antinacional. Criticamos a estratégia porque ela tem como objetivo a privatização desnecessária dos ativos da Petrobrás e do petróleo brasileiro, um verdadeiro crime que lesa a pátria em favor de interesses estrangeiros.



AEPET
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Em desfile arrasador, Mangueira coloca patrono do Exército como repressor-em-chefe e mancha de sangue o monumento aos bandeirantes


A Estação Primeira de Mangueira fez um desfile arrasador na segunda noite dos desfiles da Marquês de Sapucaí.

Tratou de reescrever a História a partir do ponto-de-vista dos negros e das mais de 300 etnias que existiam no Brasil antes da invasão dos portugueses.

Foi uma combinação de luxo, beleza e um samba enredo encantador, levado pelas arquibancadas.

A Mangueira ousou: colocou o patrono do Exército, Duque de Caxias, no papel que não se atribui a ele nos livros escolares: repressor-em-chefe de revoltas populares.

O personagem que o representou apareceu pisando sobre “corpos ensanguentados”.

A escola também pintou de “sangue” o monumento às bandeiras, de Victor Brecheret, que ocupa um lugar especial na memória oficial dos paulistas.



Tiverem papel de destaque a jornalista Hildegard Angel, à frente do carro alegórico que denunciou a ditadura militar, assim como a viúva de Marielle, Monica Benício, que veio a pé acompanhada por Rosemary.

O conjunto da obra foi de grande impacto.

A bateria fez um arranjo especial para o trecho do samba enredo que falava dos anos de chumbo da ditadura militar:

Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa, as multidões

Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa, as multidões

Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara
E a tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês



Imediatamente antes desfilou a vice-campeã do ano passado, a Paraíso do Tuiuti.

A escola de samba do morro vizinho à Mangueira também trouxe um enredo político.

Tratou de um bode mítico do Ceará, de nome Ioiô, eleito vereador em Fortaleza pelo povão, mas impedido de assumir.


A comissão de frente da Tuiuti deixou claro que se tratava da usurpação, por endinheirados, do mandato popular dado ao bode pelo voto.

Ilustrou isso com o roubo da faixa presidencial.

A Globo fez que não viu. A apresentadora não só passou quase todo o tempo remetendo o enredo ao início do século passado, como questionou seguidamente se o bode de fato havia existido.

Mas em 2019 a comissão de frente da Tuiuti não foi tão impactante visualmente quanto a de 2018. O samba enredo também não tinha a mesma qualidade.

Mesmo a denúncia política exigia leitura de texto e entendimento de situações complexas.

A Tuiuti colocou coxinhas armados em uma ala e, no carro alegórico final, denunciou as fake news que levaram Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto, uma eleição que ele venceu sem enfrentar o bode, o ex-presidente Lula, condenado, preso e impedido de concorrer em 2018 pelos endinheirados do Brasil.

Abaixo, o roubo da faixa presidencial do bode:



No Viomundo
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Comentarista da Jovem Pan fez campanha para PSB, PSL e Novo

Ele
Uma das figuras da direita q começou a aparecer no último ano foi Caio Coppolla, comentarista da @JovemPanNews, dono de um blog na @gazetadopovo e tem um canal influente no youtube. Sua biografia no perfil do blog da Gazeta do Povo é concisa. Mas será que esse é Caio Coppolla?

Buscamos pelo nome dele no site da USP, não existe qualquer aluno chamado Caio Coppolla. Mas como num perfil pessoal do FB ele tem outros dois sobrenomes “de Arruda Miranda” colocamos esse sobrenome sem o Coppolla na busca. Bingo.

Então Caio Coppolla é só um “sobrenome artístico” que ele abraçou a ponto de até colocar o sobrenome na própria mãe. Então a pergunta que fica é porque essa gana de esconder o próprio sobrenome. Quem é Caio de Arruda Miranda?

Numa coisa Caio ñ mentiu, ele prosperou no meio digital, + precisamente na moda. Tinha 1 site chamado “Moda IT”, um canal q compilava o conteúdo de moda de outros sites e até chegou a representar a Luíza, a do Canadá. Na foto, ele com Giovana Ewbank como Caio de Arruda Miranda.

Até aqui tudo certo, mas a surpresa vem agora. Em 12/01/2017 Caio de Arruda Miranda foi nomeado assistente parlamentar de outro vereador em São Paulo, por coincidência também um Caio, agora Caio Miranda Carneiro, vereador pelo PSL. O link aqui: goo.gl/cy1X2J

Como são 2 Caios e 2 Mirandas checamos e rechecamos p/ ñ ter erro. Mas é certo, o Caio de Arruda Miranda chegou a fazer posts pela candidatura de Caio Miranda Carneiro. E doou (em forma de trabalho de edição) p/ campanha de Caio Carneiro. Link das doações: goo.gl/vDxuAA

Então já enveredamos para um problema ético. Caio Coppolla não é uma pessoa isenta. Recebia um salário como assessor de vereador, coisa que ele nunca comentou, mas tenta passar ares de comentarista isento. Isso é um problema, mas não é o único. Caio foi exonerado em maio de 2017.

E Caio tbm tem uma empresa de marketing. Em 2018 ele faturou R$ 290.347,93 só fazendo campanhas p/ candidatos do @partidonovo30 . Temos agora 1 comentarista político, foi um assessor parlamentar nomeada e q trabalhou em 2018 na campanha de outro partido.

O que se sabe é que como Caio Coppolla ele tem pelo menos dois trabalhos e como Caio de Arruda Miranda, vários outros. Conclui-se então que Caio de Arruda Miranda está ganhando muito dinheiro com política. E Caio Coppolla, ganhando dinheiro escondendo quem ele é de verdade.

Partido do vereador Caio Miranda é o PSB.












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CCR vai confessar propina a tucanos do PR

Motorista levou malas de dinheiro à sede do Governo!


O Conversa Afiada reproduz da colona Painel da Fel-lha, que trata o Careca, o maior dos ladrões, com água benta:

Pedágio movido a propina

Uma das empresas do grupo CCR, a Rodonorte, vai reconhecer em acordo com a força-tarefa da Lava Jato que pagou propina para tucanos no Paraná. A negociação está em fase final. Como tem ações na Bolsa e aposta na conquista de novas concessões que irão a leilão, a companhia quer limpar o trilho de irregularidades para não correr o risco de enfrentar problemas na Justiça. Um ex-motorista da concessionária disse que entregou malas de dinheiro na sede do governo.

Serviço vip

O ex-motorista trabalhava na presidência da Rodonorte. Além dos montantes levados ao Palácio Iguaçu, ele também relatou entregas no Tribunal de Contas do estado e na associação das empresas concessionárias.

(...)
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Com 2,5 bi em caixa, a Lava Jato se prepara para substituir o bolsonarismo

Seria importante que mídia, Judiciário, juristas, partidos políticos, se dessem conta, enquanto é tempo, do monstro político que estão criando


Bolsonarismo é apenas o nome fantasia do movimento real de ultradireita,
cuja verdadeira fonte é a Lava Jato
Ainda não caiu a ficha da mídia sobre o que significa essa jogada da Lava Jato, de administrar R$ 2,5 bilhões bancados pela Petrobras. Foi montada uma fundação de direito privado que será totalmente controlada pelos procuradores e juízes da 13ª Vara Federal de Curitiba, o núcleo da Lava Jato. Apenas com a aplicação dos recursos, serão gerados R$ 160 milhões anuais, segundo nota do Ministério Público Federal do Paraná.

A fundação terá um administrador escolhido pelo Procurador Chefe da Procuradoria da República de 1ª instância. E selecionará as figuras da sociedade civil que comporão o conselho, compartilhando a supervisão com o juiz da 13ª Vara Federal, a de Sérgio Moro.

Todo esse dinheiro poderá ser aplicado em iniciativas de combate à corrupção. Ou seja, qualquer consultor, colega procurador, ONG amiga, palestrantes ou consultores indicados por Rosangela Moro ou Carlos Zucolotto, poderá apresentar projetos para serem financiados.

A ideia de que haverá fiscalização do TCU ou outros órgãos é ilusória. Qualquer projeto que tenha a capa da campanha anticorrupção terá cumprido os requisitos exigidos. Não haverá licitação para escolha dos projetos, nem a garantia da isenção partidária. Serão aqueles que forem selecionados pelo Conselho da Lava Jato. E serão aqueles com afinidades pessoais, profissionais ou políticas com a Lava Jato.

Lava Jato e a tomada do poder

E aí é necessário se aprofundar um pouco na gênese do bolsonarismo. O movimento de ultradireita recente nasceu no Paraná, em parte devido às pregações de Olavo de Carvalho, nos anos 90. Mas, principalmente, em torno da defesa da Lava Jato.

Há alguns anos, qualquer crítica à Lava Jato no YouTube ou Facebook atraia varejeiras de todos os quadrantes, com o discurso agressivo que marcaria posteriormente o bolsonarismo. A Lava Jato é a bandeira unificadora, filha dileta da mais conservadora sociedade brasileira, a paranaense. Bolsonaro é apenas uma marca fantasia, um acidente de percurso, o candidato à mão que mais se aproximava da personalidade Neandertal dos grupos gestados em torno das bandeiras da Lava Jato.

Os Bolsonaro estão longe do estereótipo de famílias ilustres como os Genovese, Gambino,  Bonanno ou Colombo. Delas têm apenas a falta de limites morais e de qualquer noção de civilidade. Mas falta aos Bolsonaro capacidade mínima para exercer qualquer liderança que vá além da ofensa primária. Seu perfil familiar é muito mais próximo de Kate Baker e outras famílias desajustadas na depressão dos Estados Unidos.

Ao contrário da Lava Jato, que, além de usar e abusar do poder de Estado, tem entrada nas Forças Armadas, Judiciário, mídia, blogosfera de direita e grupos empresariais, os Bolsonaro não tem acesso ao  sistema. Não se sabe até quando resistirão as fantasias em torno de Sérgio Moro, à vista de suas limitações, que se tornam mais nítidas a cada dia. Mas a bola continua com a Lava Jato.

Como a Lava Jato se tornou uma organização política, esse dinheiro servirá para financiar uma estrutura política de apoio por todo o país. As verbas estão garantidas e nem serão necessários laranjas, como os do PSL. Basta uma fundação, uma associação, um clube, uma consultoria em qualquer parte do país, empunhando as bandeiras da Lava Jato, de luta contra a corrupção, para se enquadrar nos estatutos da fundação e obter aportes financeiros.

O Movimento Brasil Livre foi financiado com R$ 5 milhões, com a missão grandiosa de defender a iniciativa privada. Gerou um batalhão de candidatos políticos.

Lava Jato e os negócios

Outros objetivos da fundação são menos letais, como estimular os programas de compliance. Ai visaria apenas consolidar o milionário mercado de palestras e consultorias para os maiores especialistas em processos contra empresas: os próprio lavajateiros, seguindo os passos do procurador Carlos Fernando Lima, que anunciou sua aposentadoria e sua futura carreira no mercado de compliance.

Com essas jogadas se está criando um partido político riquíssimo, com agentes do Estado exercendo poder de Estado se apropriando de verbas públicas, com autonomia em relação à Procuradoria Geral da República e aos poderes constituídos.

No Xadrez de ontem, lembrei casos narrados pelas obras sobre o fascismo, do início do ovo da serpente. Seria importante que mídia, Judiciário, juristas, partidos políticos, se dessem conta, enquanto é tempo, do monstro político que estão criando, permitindo que R$ 2,5 bilhões e meio sejam utilizados para financiamento dos propósitos políticos da Lava Jato.

Luís Nassif
No GGN
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Olinda coloca “Bolsonaro é o carai” nas telas da televisão - assista


A apresentadora Sandra Annenberg, do Jornal Hoje, da TV Globo, estava animadíssima.

Chamou o repórter Bruno Fontes ao vivo, de Olinda, para falar sobre o Carnaval nas ruas da cidade.

O comportamento dos dois é o esperado: repórteres em geral odeiam o plantão de Carnaval, quando trabalham enquanto os outros se divertem.

Mas, a chefia espera que eles apareçam animados na tela, se possível fazendo piadas com os foliões e demonstrando a descontração associada à festa.

Sandra e Bruno cumprem seu papel de maneira perfeita. O repórter fala do bloco O Rodo, que teve de parar de tocar por causa da chuva.

De repente, o inesperado: os foliões do bloco começam a cantar o que se tornou uma febre no Carnaval de 2019: “Bolsonaro é o carai!”.

Cena tão ou mais surpreendente se passou com o repórter de uma afiliada da TV Record, também em Olinda.

Ao vivo, ele entrevista uma foliã fazendo uma pergunta óbvia: O que é que não pode faltar no Carnaval de Olinda e de Recife? É essa alegria, esse calor humano…

Entrevistada: … e Bolsonaro é o carai e Lula livre!

No vídeo abaixo, você vê uma compilação de escrachos a Bolsonaro em todo o Brasil, de centenas de milhares de pessoas no bloco de Gloria Groove, em São Paulo, ao grupo de foliões do Rio que simulou um caixa eletrônico abastecendo o laranjal da família Bolsonaro.

Divirtam-se.



No Viomundo
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Paraíso do Tuiuti mostrou na Sapucaí o Lula que a Globo e os demais da elite tentam esconder

O bode dá um coice no candidato que representa o tanque de guerra: quem serão?
No desfile da Paraíso do Tuiuti nesta madrugada, as referências a Lula eram óbvias e, na divulgação do enredo, o carnavalesco Jack Vasconcelos explicou de quem se tratava:

“Vocês que fazem parte dessa massa irão conhecer um mito de verdade: nordestino, barbudo, baixinho, de origem pobre, amado pelos humildes e por intelectuais, incomodou a elite e foi condenado a virar símbolo da identidade de um povo. Um herói da resistência!”.

Também fez uma referência à Lava Jato:

“Não posso provar, mas tenho total convicção da autenticidade de tudo o que a ele atribuíram…”.

Mas quem ler a reportagem do G1, site das Organizações Globo, detentora dos direitos de transmissão do desfile, vai ficar sem saber.

O texto trata de Ioiô, bode famoso no Ceará na década de 20, que foi eleito vereador, mas não pôde assumir. Quem será? Quem será?

“Uma ala mostrou a luta entre ‘o bode da resistência e a coxinha ultraconservadora’, seguida do carro com o bode dando coice em um animal em forma de tanque de guerra”, destaca a reportagem.

Quem será o bode da resistência? Quem será?

Que será o animal em forma de tanque de guerra? Quem será?

Um carro trazia integrantes de movimentos sociais e a frase “Ninguém solta a mão de ninguém”. Também havia a frase “Deus Acima de Todos, mas sou a favor da tortura”.

“Se minha empregada estudar, quem vai limpar a casa para mim?”, era outra frase.
Referências óbvias ao momento político atual, e o Salvador da Pátria seria o ex-presidente, mas os apresentadores da Globo não dizem isso nem como hipótese.
Tinha até um personagem com cabeça de bode e faixa presidencial? Quem será?

Um dos carros da Paraíso da Tuiuti mostrava dois lados de Fortaleza: à frente, um lado luxuoso, representando a elite, tentando ser moderna, coisa de primeiro mundo.

Na parte de trás (escondida) do carro, estava  o povo e a cultura popular.

Qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência.

Mas a reportagem não conta.

O máximo que o relato “jornalístico” permite é descrever que o enredo do Ioiô foi uma sátira sobre a pobreza, a desigualdade e a desilusão com a política.

Parte do público percebeu o que o texto da reportagem e a apresentação da Globo sonegam e, ao final, cantou Lula Livre. Veja o vídeo abaixo.

A Tuiuti, mais vez uma vez, incomodou.

E a sonegação da Gobo de explicações sobre o enredo mostra que, mais uma vez, a escola acertou.

Lembra o que aconteceu no ano passado, quando o Vampirão foi mostrado como um personagem qualquer, quando a referência a Michel Temer era óbvia.

Mais tarde, diante da repercussão, o jornalismo da Globo admitiu que, sim, poderia ser referência a Michel Temer.

Agora o bode Ioiô é apresentado apenas como um bode, não como uma metáfora do ex-presidente Lula.

O desfile lembrou os tempos duros da ditadura militar, quando havia censura.

Na época, artistas se esforçavam para passar uma mensagem importante sem que esta fosse detectada pela censura.

O público entendia.

A Globo fez como no passado: passou a mensagem na sua literalidade, ignorando o subtexto.

Praticou auto-censura.

Mas não adiantou: como no passado, muita gente entendeu direitinho.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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