1 de mar. de 2019

Denúncias contra clã Bolsonaro e PSL anunciam: ‘governo está fadado ao fracasso’

Valdenice ladeada pelos irmãos, com Jair e Flávio na festa de aniversário dela
Avaliação do sociólogo, cientista político e pesquisador Marcelo Marcelino tem por base as denúncias que envolvem o clã Bolsonaro com milicianos e desvio de recursos do fundo partidário

As denúncias relativas a desvio de recursos do fundo partidário, o envolvimento com milícias e a crise interna entre os membros do governo que tem comprometido a capacidade de mediação anunciam que “o governo Bolsonaro está fadado ao fracasso”.

A análise é do sociólogo, cientista político, economista e pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Marcelino.

Em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual, nesta segunda-feira (25), Marcelino justificou sua avaliação com base na divisão que o clã Bolsonaro – formado pelo presidente e seus filhos, com atuação mais destacada do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) – tem criado na chamada classe dominante.

Segundo ele, os reflexos do que acontece neste segmento, que “desde o Brasil Colônia” dita os interesses no país, podem ser vistos no comportamento da mídia tradicional.

“Pelo andar das contradições, principalmente pelas disputas entre a Rede Globo, a Record e outros grupos que estão à frente, isso terá uma repercussão negativa sobre ele (Bolsonaro), que terá muita dificuldade para governar”, explica.

Ainda segundo o sociólogo, o governo não terá capacidade tirar o Brasil da recessão econômica e as mais recentes denúncias que ligam Flávio Bolsonaro a milicianos por ter, além de empregado seus parentes, ter nomeado para um cargo de confiança a irmã de milicianos na administração financeira do partido e de sua campanha, criam um ambiente mais instável para a gestão.

Ouça entrevista de Marcelo Marcelino à jornalista Marilu Cabañas.



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De pai para filhos (e amigo)

Presidente Jair Bolsonaro repassou parte do dinheiro arrecadado em vaquinha virtual a outras campanhas. Foram R$ 345 mil de 1,4 mil eleitores transferidos para os rebentos e o amigo Hélio Negão


Uma das maiores novidades da campanha de 2018 foi o financiamento coletivo de campanhas eleitorais, a chamada “Vaquinha Virtual”. Foi justamente essa vaquinha que fez com que vários candidatos tivessem uma fonte a mais de recursos para o primeiro pleito nacional sem dinheiro de empresas. Por meio de pequenas doações, o eleitor pode participar da vida política e ajudou a eleger seus candidatos prediletos. O que certamente não estava previsto no espírito desse tipo de arrecadação é que ela se transformasse em uma espécie de corrente, na qual o dinheiro doado fosse repassado para outras candidaturas estranhas à intenção do doador. Maior aquinhoado com o sistema de doações, arrecadando R$ 3,7 milhões, Jair Bolsonaro repassou R$ 345 mil do dinheiro de seus eleitores para financiar outras campanhas: as do deputado Hélio Lopes (PSL-RJ), conhecido como Hélio Negão, e de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

Ou seja, 1,4 mil eleitores que acreditavam estar doando dinheiro para a campanha do presidente, na realidade, entregaram seus recursos para as campanhas de outros candidatos que eles nem sabiam que estariam favorecendo. Os dados foram rastreados por IstoÉ a partir das informações declaradas pelas campanhas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dos R$ 345 mil repassados da campanha do presidente para outros candidatos, Flávio recebeu R$ 200 mil, Eduardo outros R$ 100 mil e Hélio Negão R$ 45 mil. Se não tivesse havido tal repasse, nem Hélio nem Flávio teriam recebido dinheiro das vaquinhas. Apenas Eduardo conseguiu individualmente captar recursos por meio de financiamento coletivo. Mesmo assim em um valor bem mais baixo. Seus eleitores repassaram R$ 25,3 mil para ele a título de vaquinha virtual.

Ao observar as contas dos candidatos agraciados com a “vaquinha do Jair”, o valor doado pela campanha presidencial a Hélio Negão representou 57% dos recursos obtidos pelo então candidato. A arrecadação total do parlamentar chegou a R$ 78,7 mil. Além dos R$ 45 mil repassados pela campanha de Jair, Hélio também recebeu R$ 16,7 mil da direção estadual do PSL e R$ 4,5 mil da campanha de Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, entre outras doações. Já Eduardo Bolsonaro teve 45,8% de sua campanha financiada com recursos doados pelos eleitores de seu pai. Ele levantou R$ 218 mil para a sua campanha.Tirando os R$ 100 mil do pai, o deputado ainda teve como fonte de renda o próprio partido (R$ 65,1 mil), entre outros apoiadores. E 28% das fontes de renda de Flávio Bolsonaro foram obtidos por meio da vaquinha do pai.


A resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nº 23.553/2017, que trata justamente do tema, é omissa quanto da destinação para outros candidatos dos recursos das fontes de financiamento coletivo. Ex-integrantes do TSE admitem que, exatamente por isso, não chega a ser um ilícito eleitoral a troca dos recursos das vaquinhas entre candidatos. O problema, admitem, é que isso pode se configurar uma questão ética por parte do candidato.

“A princípio, eu vejo essa situação como moralmente reprovável” Francisco Emerenciano, advogado

Especialistas em Direito Eleitoral avaliam que os casos poderiam mesmo ensejar ações cíveis de eleitores que se sentirem lesados pela utilização dada aos recursos. “A princípio, eu vejo essa situação como moralmente reprovável”, analisa o advogado Francisco Emerenciano, especialista em Direito eleitoral. Já especialistas em Direito Cível acreditam que esse é um caso de quebra do princípio da boa fé, expresso no artigo 422 do Código Civil. O caso da vaquinha parece demonstrar que houve um problema recorrente de mistura de interesses na vida política dos Bolsonaros. São suspeitas de laranjas, caixinhas e rachadinhas. E, agora, de vaquinhas.

Wilson Lima
No IstoÉ
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OAS pagou delatores para "ajustar" depoimentos, diz ex-executivo


Em reclamação trabalhista, um ex-executivo da OAS afirma que os executivos da empresa que fizeram delação premiada receberam R$ 6 milhões para "ajustar os depoimentos aos interesses" dela. Ele, que negociou sozinho com o Ministério Público, não recebeu dinheiro, diz ter sofrido represálias e ter sido "jogado à própria sorte". A delação do dono da OAS, Leo Pinheiro, é uma das principais acusações contra o ex-presidente Lula nos processos da "lava jato".

Ex-executivo da OAS diz que empresa pagou executivos
delatores para que eles ajustassem depoimentos aos
interesses da empresa. Em depoimento, um deles confirmou ter
recebido "doação simulada"
Na ação, Adriano Quadros de Andrade, ex-gerente administrativo da OAS, reclama de ter recebido tratamento discriminatório. Ele conta ter sido demitido sem receber o adicional de 40% de FGTS, nem qualquer amparo financeiro da empresa. O motivo, diz ele, é não ter entrado no pacote de diretores, cujas delações foram montadas de acordo com as diretrizes do "andar de cima" da empreiteira, conforme alega no processo. Como resultado, teve de pagar multa de R$ 150 mil, que foi reajustada para R$ 250 mil.

Testemunha de Andrade no processo, o ex-diretor da OAS Mateus Coutinho de Sá confirmou tudo o que foi alegado pelo ex-colega. Em seu depoimento, disse que todos os executivos que negociaram juntos suas delações receberam doações simuladas de R$ 6 milhões. Como a empresa entrou em recuperação judicial pouco tempo depois, alegou dificuldades financeiras e não honrou o compromisso: Coutinho disse só ter recebido metade do valor que foi prometido.

Mateus Coutinho de Sá é um estudo de caso da "lava jato". Foi condenado a 11 anos de prisão por Sergio Moro, que viu "prova robusta" da participação da OAS no esquema de corrupção envolvendo a Petrobras. Ficou nove meses preso, isolado, por não conhecer os demais envolvidos no esquema. Nesse meio tempo, ele perdeu o nascimento de uma filha e a mulher pediu divórcio. Dois anos depois de ser preso preventivamente, foi absolvido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Por falta de provas.

Direitos iguais

Na sentença trabalhista do processo de Adriano Quadros de Andrade, a juíza Solange Aparecida Gallo, da 31ª Vara do Trabalho de São Paulo, concordou só com uma parte das alegações do ex-gerante. Concedeu os 40% do FGTS, mas negou equiparação na parte da multa pela delação. “O fato de a testemunha ouvida ter recebido benefício em razão de sua delação premiada não gera direito ao autor de receber igual benefício”, escreveu na decisão.

Segundo a juíza, o próprio executivo reconheceu que o pagamento se deu porque a testemunha beneficiou a OAS em sua delação, "o que demonstra que a mesma continua a cometer crimes e omitir fatos à Justiça e que tal benefício também foi pago por ato ilegal cometido, o que não pode ter o aval do Judiciário".

Para negar a indenização por danos morais, a juíza aponta que o executivo sabia da irregularidade dos atos e deveria ter se recusado ao cumprimento, mas pelos benefícios que recebia e do alto salário "preferiu acatar com ordens contrárias ao ordenamento jurídico, sendo, portanto, participe do ato ilegal". "Não pode agora querer continuar se beneficiando da ilegalidade dos atos por ele cometidos e receber indenização por tal fato", disse.

Clique aqui para ler a sentença.
Processo: 10009119020185020031

No ConJur
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O Brasil de Bolsonaro é bem diferente do Brasil real


Em outubro passado, Bolsonaro ganhou a eleição. Recebeu, no primeiro turno, o voto de 34% dos eleitores brasileiros, 13 p.p. a mais que Fernando Haddad. No segundo, embora o petista conquistasse o voto de quase 2 em cada 3 eleitores dos demais candidatos, o capitão foi a 39% e venceu.

É comum imaginar que as vitórias eleitorais são socialmente homogêneas, isto é, que a maioria obtida no conjunto do eleitorado se repete nos grandes grupos em que a sociedade se divide. Que a vitória decorre do vencedor ser majoritário em todos os segmentos relevantes.   

Trata-se de um equívoco, desmentido em diversas eleições. Na que fizemos ano passado, um equívoco completo.

A tomar pelas pesquisas de intenção de voto realizadas ao longo de 2018, o Brasil que votou em Bolsonaro está longe de ser um bom retrato do conjunto de nossa sociedade. O Brasil de Bolsonaro não é igual ao Brasil.

     1. No gênero


As mulheres são maioria no eleitorado do Brasil, em consequência do avanço da escolaridade feminina e do atraso masculino decorrente da entrada precoce no mercado de trabalho. Há mais eleitoras que eleitores, em especial nas regiões mais pobres.

Mas o eleitorado de Bolsonaro é significativamente mais masculino

     2. Na distribuição regional


No Brasil, o Sudeste e o Sul, as duas regiões mais ricas, representam 58% do eleitorado total, restando 42% para a soma de Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Em outras palavras, não estamos muito distantes de um equilíbrio entre “Brasil mais rico” e “Brasil mais pobre”.

No Brasil de Bolsonaro, o mesmo não ocorre.

O tamanho relativo das duas partes muda de maneira relevante: entre os eleitores de Bolsonaro, os moradores de regiões mais ricas são quase o dobro daqueles das mais pobres. No Sul e Sudeste estavam 66% das intenções de voto no capitão. 

     3. Na renda


O Brasil é um país pobre, onde quase 45% do eleitorado pertence a famílias com rendimentos totais abaixo de dois salários mínimos mensais. O que quer dizer que apenas pouco mais da metade da população brasileira tem renda maior.

Mas não no Brasil de Bolsonaro. Nesse, 70% das pessoas vive com rendimentos maiores. É um recorte mais rico do País.

    4. Na religião


O Brasil é um grande país católico, em que quase 60% dos eleitores assim se definem, mesmo com o avanço das igrejas evangélicas nos últimos anos. No conjunto, os eleitores evangélicos são metade dos católicos.

No Brasil de Bolsonaro, há ainda vantagem dos católicos, mas pequena. Somente 10 p.p. separam os dois grupos.

    5. Nas atitudes em relação ao PT


Seria despropositado imaginar que o Brasil de Bolsonaro fosse equivalente ao conjunto do País no que se refere às atitudes em relação ao PT. É natural que houvesse muito mais antipetistas entre aqueles que pensavam em votar no capitão, assim como havia muito mais petistas com intenção de voto em Haddad.

Não deixa, no entanto, de ser notável que 60% das intenções de voto em Bolsonaro viessem de antipetistas, mais ou menos aguerridos. É possível que alguns fossem contrários ao PT por crença nas virtudes do bolsonarismo. Mas o mais provável é que fossem pessoas inclinadas na direção do capitão fundamentalmente por rejeitar o PT. Algumas sequer enxergavam outras qualidades no candidato. 

Concluindo: o Brasil de Bolsonaro é muito diferente do Brasil. Sua vitória decorreu de conseguir, com recurso a expedientes e trapaças hoje identificados, formar uma maioria que, paradoxalmente, não expressa o conjunto de nossa sociedade.

O Brasil mais masculino, mais centrado em regiões ricas, com eleitores mais ricos e mais evangélicos, super-representado de antipetistas, derrotou o Brasil da maioria feminina, do maior equilíbrio entre regiões ricas e pobres, de larga maioria de eleitores de renda baixa, de petismo e antipetismo se equivalendo.

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Condenado por atender Fiesp, Salles recebeu doações de membros da entidade


Condenado em primeira instância por atender a pleitos da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, recebeu R$ 335 mil em doações de membros da entidade. O levantamento foi feito pelo UOL com base nas declarações de receitas da campanha de Salles a deputado federal no ano passado junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O ministro foi procurado para comentar, mas até a última atualização desta reportagem, ele não havia se manifestado.

Em dezembro de 2018, Salles foi condenado pela Justiça paulista por improbidade administrativa em um processo movido pelo MP-SP (Ministério Público do estado de São Paulo). À época, Salles negou seu envolvimento nas irregularidades e disse que a condenação havia sido "ilegal".

Segundo a acusação, Salles e outras outras duas pessoas participaram de um esquema que alterou mapas elaborados pela USP (Universidade de São Paulo) para mudar detalhes do plano de manejo da Área de Preservação Ambiental da Várzea do Rio Tietê que beneficiariam empresas de mineração filiadas à Fiesp. De acordo com os promotores, as alterações foram pedidas pela Fiesp. O caso teria ocorrido em 2016, quando Salles era secretário estadual de Meio Ambiente.

Em 2018, Ricardo Salles disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Partido Novo, mas não conseguiu ser eleito. De acordo com o TSE, ele recebeu doações de R$ 1,5 milhão. Ainda segundo o TSE, quatro pessoas ligadas à Fiesp fizeram doações eleitorais a Salles.

Jayme Garfinkel, presidente do conselho de administração da Porto Seguros, doou R$ 260 mil. De acordo como site da Fiesp, Garfinkel é integrante do conselho estratégico da entidade.

Além dele, doaram os empresários Marcelo Campos Ometto (R$ 25 mil), João Guilherme Ometto (R$ 25 mil) e Salo Seibel (R$ 25 mil). Os três aparecem como vice-presidentes da Fiesp.

João Guilherme e Marcelo Campos Ometto são empresários ligados ao agronegócio. Salo Seibel, por sua vez, atua em diversos setores como o de papel e celulose e o de mineração. Segundo dados da Receita Federal, ele é membro do conselho de administração da CPX Brasil Mineração e Participações S.A, forte na produção de cimento.

Para juiz, Salles usou cargo para beneficiar empresas

Ao longo do processo, Salles negou ter cometido qualquer fraude, mas admitiu que as alterações no plano de manejo da área foram feitas após recomendações da Fiesp. Entretanto, disse que só atendeu aos pleitos da entidade porque o plano de manejo anterior continha erros.

"Havia erros materiais crassos, concretos, evidentes. Erros de redação, erros formais e que demandavam uma certa atuação de ofício do secretário", disse Salles em depoimento à Justiça. 

Para o juiz do caso, Fausto José Martins Seabra, a explicação de Salles não foi convincente. Segundo ele, a correção dos "erros" mencionados por Salles foi apenas um pretexto para atender a Fiesp.

"Claro ficou que o então secretário, a pretexto de corrigir erros materiais no plano original, acabou por atender aos pedidos de flexibilização da Fiesp [...] usando ainda de sua superioridade hierárquica para que o interesse de um grupo prevalecesse sobre um direito", afirmou.

Salles foi condenado à perda dos direitos políticos por três anos, multa e proibição de fazer contrato com o poder público.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com as assessorias de imprensa ligadas a todas as pessoas e entidades citadas neste texto.

A Fiesp disse, por e-mail, que "não orienta seus conselheiros, diretores ou funcionários a fazer doações eleitorais". A entidade afirmou ainda que "eventuais contribuições de pessoas físicas e suas motivações são de estrita responsabilidade das mesmas, sem qualquer relação com a atuação institucional da Fiesp".

A assessoria do Grupo São Martinho, que atua no ramo sucroalcooleiro e tem João Guilherme Sabino Ometto e Marcelo Campos Ometto como membros de seu conselho de administração, informou que as doações feitas pela dupla foram realizadas "em caráter estritamente pessoal e em observância à legislação e ao código de conduta da empresa". 

Em nota, a empresa negou que as doações tenham sido feitas com o intuito de obter vantagens relacionadas à atuação de Ricardo Salles como agente público. 

A assessoria pessoal de João Guilherme Sabino Ometto disse ainda ele é um dos "20 vice-presidentes" da Fiesp e que não exerce função executiva na entidade. Segundo nota, João Guilherme e Salles se conhecem por conta da atuação do ministro na fundação do Partido Novo e de ações relacionadas ao aquecimento global.

Por telefone, o empresário Salo Seibel disse que a doação feita a Ricardo Salles não teve relação com sua atividade profissional. "Doei como cidadão, porque acredito no trabalho dele como agente público e por conta do histórico dele em relação à renovação da política", disse o empresário. 

A equipe de Jayme Garfinkel informou, por e-mail, que não poderia fornecer um posicionamento sobre o assunto.

A reportagem também enviou um e-mail com perguntas à assessoria do MMA (Ministério do Meio Ambiente). O recebimento do pedido foi confirmado na quarta-feira (27), por telefone. Até a última atualização deste texto, no entanto, nenhuma resposta havia sido enviada.

Leandro Prazeres
No Uol
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Pronunciamento do presidente autoproclamado José de Abreu


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Minólogo


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Caso Ilona Szabó faz Moro virar poodle do Bozo


Convidado por Bolsonaro para dar um tom 'anti-corrupção' no governo e demarcar uma linha institucional de perseguição ao ex-presidente Lula, Sergio Fernando Moro mergulhou na zona obscura do bolsonarismo manipulável, ostentando um discuso flácido e tutelado por pressões de segmentos ultraconservadores. A desnomeação de Ilona Szabó marca em definitivo sua descida de patamar: Moro encolheu e virou funcionário de Bolsonaro. 

O desgaste do ministro da Justiça - que chegou a ser chamado de "super ministro" - é visível não só pelos trending topics no Twitter que debocham de sua subserviência, mas aos gestos e atos do cotidiano incrustado nos interstícios do poder. Moro voltou atrás na sua ex-sólida posição sobre crime de caixa dois, compreensão que, a rigor, serviu apenas para perseguir Lula e ascender a um cargo no Executivo. 

Moro está pressionado. Foi-se por completo a leitura de que ele poderia entrar na linha sucessória de Bolsonaro, representando a 'força' e a 'disciplina judicial'. Seu nome cai, agora, no vazio pantanoso dos ministros exóticos de um governo politicamente moribundo. O ex-juiz faz companhia intelectual a Damares Alves, Ricardo Velez Rodrigues e Ernesto Araújo. 

O refugo na nomeação de Szabó, a rigor, chocou o que lhe restava de credibilidade, ainda que difusa e decorrente de ressentimento e ódio ao PT. Setores da magistratura brasileira, quase que em unanimidade, rechaçaram seu projeto anticrime como um arremedo técnico e uma senha para explosões de violência em um país já tomado pelo caos na segurança pública. 

A carreira política de Sergio Moro entra agora em estado de stand by. Como não é mais um magistrado - uma vez que pediu exoneração da carreira pública para aceitar um cargo político -, resta saber seu destino pós-lambança. 

Numa coisa, Moro obteve sucesso pleno: ele faz parte agora em definitivo do governo Bolsonaro. É, por assim dizer, um bolsonarista de carteirinha.



"O ministro Sérgio Moro me ligou de volta. Dado o clima, eu sabia que o risco existia. O ministro me pediu desculpas. Disse que ele lamentava, mas estava sendo pressionado, porque o presidente Bolsonaro não sustentava a escolha na base dele", contou Ilona Szabó, ao relatar como ficou sabendo da sua exoneração.

Ilona foi convidada por Moro para integrar, como suplente, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Mas por conta de suas críticas a política de armas do governo, ela foi desconvidada um dia depois a sua nomeação, após pressão de bolsonaristas e grupos da direita como o MBL.

"Hoje começaram os comentários nas redes sociais. Foi a polêmica do dia. Colocaram a história na rede, e o Movimento Brasil Livre ajudou a reverberar. São grupos que precisam de inimigos, e por isso não estão comprometidos com o debate democrático", afirmou Ilona em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Na entrevista, a cientista disse que, assim como ela, vários integrantes do Igarapé - instituto que ela fundou - participam de conselhos na área de segurança em vários estados e municípios. "Em geral, ministros e secretários têm toda a liberdade para escolher conselheiros. Tais conselheiros costumam vir de todos os setores, com visões diferentes, diversas maneiras de ver o mundo. Dá trabalho, mas é assim que a gente constrói boas políticas públicas", disse ela, apontando a ingerência anormal do governo Bolsonaro.

Questionada se a sua exoneração poderia ser comparada com o caso de Mozart Araújo, outro nome técnico, que acabou sendo desconvidado do Ministério da Educação por pressão da base de Bolsonaro, Ilona disse que sim.

"Vejo total paralelo. Nos dois casos, ganha a polarização e perde o Brasil", disse. "Ficou muito claro nos dois episódios que o presidente Bolsonaro ainda não se elevou à altura do cargo que ocupa. Um presidente tem que construir diálogos e consensos. Quando ele diz que quem pensa diferente é inimigo, mostra que não está à altura do País. Acho que os brasileiros estão cansados disso. Uma prova é todas as mensagens de apoio que recebi quando decidi ir para o governo, muitas delas de gente que votou contra o Bolsonaro. Os brasileiros querem gente que pense no País, não gente que fica procurando inimigos", completou.











Bolsonaro humilhou Moro

Demissão de Ilona Szabó começou com Olavo de Carvalho

Do Painel da Fel-lha:

(...)

Menor do que entrou

Ao exigir que Sergio Moro (Justiça) desligasse a especialista Ilona Szabó do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, Bolsonaro submeteu o ministro a inédito constrangimento interno. Nem na pasta o episódio foi bem digerido.

Com o fígado

Segundo aliados do presidente, ele demonstrou profunda irritação com a nomeação de Ilona – especialmente depois de ter passado o dia recebendo mensagens com cobranças de apoiadores. A especialista é defensora do desarmamento.

(...)



O despreparo de Moro para suceder Celso de Mello


A História revelará um dia o “acerto” que o então juiz Sérgio Moro, que se apresentava como exemplo de coerência, terá feito com o então candidato Jair Bolsonaro, ao abandonar a magistratura para assumir o ministério da Justiça.

Somente o tempo confirmará a versão de que o magistrado de primeira instância, ao se incorporar a um presidente nitidamente despreparado, intolerante e faccioso, pretendeu pular etapas para chegar rapidamente a um cargo vitalício na mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal (STF).

A se confirmar tal “acerto”, a Moro está reservada a cadeira do ministro Celso de Mello. Será o primeiro a se aposentar compulsoriamente, aos 75 anos, em novembro de 2020, após 31 anos na corte (ingressou em agosto de 1989). Três décadas em que, independentemente de posições assumidas, construiu carreira digna e coerente, que lhe garante hoje a reputação que desfruta.

Em apenas dois meses de governo, Moro já conseguiu marcar sua nítida diferença de conduta com aquele que supostamente deseja substituir. Afinal, dignidade e reputação se conquistam ao longo de toda uma vida. Celso de Mello, conservador ou não, conquistou-as. Fale-se dele o que se quiser, menos que lhe falta coerência, algo fundamental para atingir a dignidade, a reputação e o respeito.

Celso de Mello reputação construída com carreira digna e coerente
Foto Ascom-STF
Coerência que Moro começou a atropelar ao aceitar um convite de um ainda candidato que ele indubitavelmente ajudava a vencer ao prender seu principal concorrente, através de uma sentença totalmente questionável.

Como ministro da Justiça, em apenas 60 dias, acumulou fatos que demonstram sua despreocupação com a reputação que conquistara entre os seus, atropelando a coerência que se exige daqueles que se apresentam como vestais da moralidade.

Ocorreu com a liberação das quatro armas por residência, que ele antes defendia serem no máximo duas.

Repetiu-se no dito “perdão” ao colega de ministério, Ônyx Lorenzoni, por duas vezes flagrado recorrendo ao Caixa-2.

Voltou a acontecer no seu silêncio diante das provas de movimentações financeiras atípicas em torno do primogênito do presidente, o hoje senador Flávio Bolsonaro.

Silenciou-se ainda ao surgir o “laranjal” que abasteceu as campanhas dos partidários de Bolsonaro, incluindo novamente um colega de ministério, Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo.

Como se não bastasse, desmentiu a si mesmo ao se deixar pressionar e retirar do seu projeto de lei a criminalização do “Caixa 2 nas campanhas, bandeira que sempre empunhou ao lidar com os adversários dos seus hoje aliados.

Surge agora o “desconvite” feito na quinta-feira (28/02), à cientista política Ilona Szabó, 24 horas depois de tê-la chamado para compor o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Ao anunciar a decisão – imposição que os jornais dizem ter lhe sido feita por Bolsonaro -, Moro, como se buscasse uma espécie de remissão, reafirmou publicamente os “relevantes conhecimentos da nomeada na área de segurança pública” que justificaram o convite feito. Sequer escondeu ter cedido à “repercussão negativa em alguns segmentos”. Entenda-se, os bolsonaristas da extrema direita e das redes sociais.

Com esta demissão (ou “desconvite) o suposto guardião moral da República de Curitiba novamente deixou de lado qualquer preocupação com a coerência. Sinalizou claramente que os interesses políticos do grupo ao que se aliou superam a dita preocupação com o futuro do país. Ao mesmo tempo demonstrou que na pasta que comanda, a competência não é o fator primordial. Aderiu ao chamado pensamento único, que não admite, sequer em um conselho, portanto, um colegiado, pessoas com ideias e propostas divergentes.

Definitivamente chancelou a diferença da sua conduta com a do decano do Supremo que, segundo consta, almejaria substituir. Sua atitude nesta quinta-feira rendendo-se às pressões sofridas pela matilha, selou de vez a distância que o separa de uma carreira onde sobressaia a dignidade.

Em posição diametralmente oposta, Mello, na quarta-feira, 20 de fevereiro, ao proferir o já histórico voto a favor da criminalização da homofobia (Homofobia, STF, Bolsonaro, Congresso. E o Lula?), demonstrou seu desprezo ao aplauso fácil em nome da coerência em posicionar-se a favor das minorias. Acentuou, inclusive, ter consciência de que remava contra a maré. Por isso admitiu que seria “inevitavelmente incluído no índex, mantido pelos cultores da intolerância.”

Apesar dessa “convicção”, não abriu mão de seus princípios e posicionamentos, como tem feito o ministro da Justiça. Ao contrário, fez questão de criticar/denunciar aqueles de “mentes sombrias, que rejeitam o pensamento crítico, que repudiam o direito ao dissenso, que ignoram o sentido democrático da alteridade e do pluralismo de ideias, que se apresentam como corifeus e epígonos de sectárias doutrinas fundamentalistas, desconhecem a importância do convívio harmonioso e respeitoso entre visões de mundo antagônicas“.

Exatamente os mesmos que compõem a “matilha” à qual Moro cedeu, nesta quinta-feira. Atitude com a qual demonstrou a sua falta de coragem em manter-se coerente a seus posicionamentos e pensamentos. Exatamente uma das exigências para se conquistar a reputação como a que o decano do STF desfruta.

Gesto suficiente para, em uma sociedade ética, afastá-lo de vez do cargo que almeja. Afinal, demonstrou lhe faltar estofo para substituir o atual ocupante daquela cadeira no plenário do Supremo.

Marcelo Auler



Moro desceu mais uma volta na espiral da humilhação

Quando Bolsonaro anunciou que Moro seria o ministro da Justiça, muitos comentaristas na imprensa diziam que era uma manobra arriscada. Lembro de ter lido e ouvido, mais de uma vez: o presidente não deve nomear alguém que não possa demitir.

Não sei se era só uma maneira de abordar a nomeação de uma maneira que colocasse em segundo plano o escândalo que ela representava ou se era uma constatação autêntica. Mas esse era o discurso.

Com a imagem de herói da Lava Jato, o salvador que manda às favas tanto os escrúpulos quanto as leis para punir os corruptos, Moro seria um mito ao lado do mito. Teria luz própria, teria autonomia. De dentro do governo, poderia entrar em rota de colisão com o próprio Bozo.

Acho que na primeira semana de governo isso se desfez. O intrépido justiceiro de terno preto metamorfoseou-se no garoto de recados do bolsonarismo. Investiga o que o chefe manda, empurra pra debaixo do tapete o que lhe é determinado. Não toma nenhuma iniciativa, está quase escondido. Parece estar só esperando o tempo passar para ganhar sua agradável sinecura no STF, onde se sentirá em casa ao lado de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Carmen Lúcia e o resto da turma.

O episódio envolvendo Ilona Szabó mostra que Moro desceu mais uma volta na espiral da humilhação. Szabó tem respeitabilidade em sua área de atuação e, por motivos que desconheço e sobre os quais não vou especular, aceitou um cargo bem desimportante (suplente de um conselho de política penitenciária) de um governo que não tem respeitabilidade em área nenhuma. Uma jogada óbvia, mas esperta, de Moro, que mostrava abertura para a sociedade civil e apreço à pluralidade com custo próximo do zero.

Em um governo de obtusos, essa esperteza causou revolta. O outrora poderoso Vychinski de Curitiba desconvidou Szabó em 24 horas, incapaz de resistir a uns tuítes de bolsomínions enfurecidos.

Moro, que antes desprezava olimpicamente a própria Constituição, agora não resiste ao alarido de meia dúzia de fanáticos. Está agarrado a seu cargo como um Bebianno qualquer.




Fim de carreira

Gente, o ex-juiz não tem autonomia para nomear uma SUPLENTE de um cargo de terceiro escalão, no Ministério da Justiça.

Aceitou ser tutelado pela horda de Olavo de Carvalho e pelos escoteiros fascistas do MBL, na esperança de virar ministro do STF, daqui a dois anos.

Vamos ver até onde ele aguenta ser humilhado para realizar esse sonho.

Leandro Fortes
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Filha de Paulo Preto está de saco cheio dos tucanos!

Aloysio 500 mil era o "Alô alô" que contratou o "Walt Disney"...


De Mario Cesar Carvalho, magnífico repórter (um dos últimos...) da Fel-lha:

Aloysio indicou advogado 'salvador' que fez Paulo Preto desistir de delação, diz filha

Foi o ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB, quem arrumou um novo advogado para o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza que funcionou como um “salvador da pátria” e tirou-o da prisão quando ele estava decidido a fazer uma delação premiada.

A ação do ex-ministro está descrita de forma cifrada numa carta de Priscila Arana Souza, uma das filhas de Vieira da Silva, o Paulo Preto, apreendida pela Polícia Federal no último dia 19, quando ele foi preso. Os disfarces nos nomes são bem primários: Aloysio, por exemplo, é chamado de Alo Alô.

“Há alguns meses nós decidimos que você iria fazer delação e chamou Alo Alô para informar-lhe. O Alô, a priori, disse achar que você devia fazer o que achava melhor para você, surpreendendo com a reação. Mas, algumas semanas depois, trouxe-lhe um salvador da pátria: Walt Disney (um cara sedutor).”

Pelos fatos narrados, Walt Disney é o advogado José Roberto Santoro, que assumiu a defesa de Paulo Preto em abril do ano passado, quando ele estava preso pela segunda vez, no presídio de Tremembé. Foi Santoro quem conseguiu um habeas corpus do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e tirou o ex-diretor da Dersa da prisão quando ele estava decidido a fazer uma delação, segundo a filha.

Priscila chama Santoro de “advogado de tucanos”.

Antes a defesa de Paulo Preto estava a cargo do criminalista Daniel Bialski e do civilista Eduardo Leite.

Aloysio tinha um cartão de crédito ligado a uma das contas na Suíça atribuídas a Paulo Preto, entregue ao ex-ministro no final de 2007 em Barcelona. Neste ano, Aloysio era o chefe da Casa Civil do governador José Serra (PSDB), e Paulo, o diretor de engenharia da Dersa. Foi em 2007 também que teve início a obra em que empreiteiras relataram ter pago propina a Paulo Preto. Depois que a força-tarefa da Lava Jato revelou o cartão entregue a Aloysio, no último dia 19, ele deixou a presidência da Investe SP, cargo para o qual havia sido nomeado pelo governador João Dória (PSDB).

Ela descreve um cenário de terror ao pai para incentivá-la a fazer um acordo de delação. Dizem que o advogado Eduardo Leite sondou promotores e eles disseram que o ex-diretor da Dersa perderia os R$ 132 milhões que mantinha na Suíça e todo o patrimônio que acumulou, pelo menos R$ 8 milhões em imóveis, quando contabilizados pelo valor venal, muito menor do que o valor real.

“Entendo que esse dinheiro já era… mas, além de sem dinheiro, você pode ficar nessa cadeia por vontade política por muito tempo. Só depende de você!”

Ela conta que outro diretor da Dersa, Pedro Silva, estaria negociando um acordo e que o “triatleta”, o operador financeiro Adir Assad, já tinha delatado tudo que sabia sobre as operações de propina no Rodoanel e outras obras da Dersa.

A filha afirma na carta que o advogado reclamou a ela que estava atuando na Suíça, onde o ex-diretor manteve quatro contas, com saldo de R$ 132 milhões, e descobriu que Paulo Preto “havia escondido algumas informações dele”.

Priscila reclama que Aloysio só ligou para uma conversa “de 20 segundos e sumiu”. A uma outra interlocutora, ela faz ameaças de delação: “Respondi: meu pai é forte mesmo, mas a família não. Então garanto que aguentaremos quietas apenas por mais um tempo. Após isso a vida de todos irá mudar, não apenas a nossa. Saco cheio desses tucanos”.

O ex-diretor da Dersa tem duas filhas, Priscila e Tatiana Arana Souza. Elas são sócias de Paulo Preto numa empresa que absorveu todo o patrimônio do ex-diretor da Dersa, conforme a Folha revelou no último domingo (24). Na empresa que abrigou o patrimônio, cada filha detém R$ 1,9 milhão das cotas, enquanto Paulo e a ex-mulher têm R$ 100.

Amigos de Paulo Preto dizem que a maior influência e a maior preocupação dele são as filhas.

Na carta apreendida pela PF, Priscila volta a insinuar que os R$ 132 milhões encontrados na Suíça em 2017 não são apenas do ex-diretor da Dersa. De acordo com ela, o novo advogado arrumou um contador para ratificar o imposto de Paulo Preto. “Mas isso fez você assumir tudo como se fosse só seu. Será que ele visa apenas os seus interesses?”

A filha protesta também da imagem que a mídia pinta do pai: “O Alckmin, a mídia, a imprensa, as rádios estão te destruindo. Dizendo que você deveria ser preso quatro, cinco anos atrás. Que é um ladrão e que querem ver você provar como um engenheiro de um órgão público amealhou R$ 115 milhões [o valor atual é de R$ 132 milhões, por conta da variação do franco suíço]. Ou será que não é tudo dele?”, escreve, sublimando esta última frase. “Dizem: Fala Paulo Preto”.

Procurados, Aloysio e Santoro não se manifestaram até este momento.

Em tempo: o amigo navegante se lembra do jingle do Aloysio 500 mil nas eleições de 2010?



No CAf



Santoro, o ‘Walt Disney’ de Paulo Preto tem histórias…


Um amigo me procura logo cedo e pergunta:

— Brito, viu a matéria da Folha dizendo que o Paulo Preto [Paulo Veira de Souxa, ex-diretor da Dersa nos governos tucanos de SP] ia delatar, mas desistiu quando o [ ex-ministro e ex-senador] Aloysio Nunes Ferreira arranjou um “superadvogado” que o livraria da cadeia e conseguiu habeas corpus no Supremo?

— Vi por alto, ainda estou lendo os jornais…

— E você não lembrou do nome deste advogado, José Roberto Santoro, que a filha do Preto chama de Walt Disney?

— Não me é estranho, mas…

— É o mesmo que foi gravado quando era subprocurador-geral da República foi gravado numa conversa com o bicheiro Carlinhos Cachoeira combinando uma arapuca para meterem nela o delegado Paulo Lacerda, o José Dirceu, o Márcio Thomaz Bastos e …o Lula. Mostraram a fita, periciada, no Jornal Nacional…

— Lembrei, e lembrei de outra coisa: este cara esteve metido no Caso Lunus, daquela foto que mostrou a dinheirama que seria de Roseana Sarney e arruinou a sua candidatura, abrindo caminho para a de José Serra. Na Folha saiu que Santoro foi o “coordenador informal” da operação que arruinou a Roseana.

— Pois é, este Walt Disney aí nem precisa desenhar nem pro Pateta…

Fernando Brito
No Tijolaço
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Igreja de SC protege padre pedófilo condenado a 26 anos de cadeia

O frei Paulo Back nos tempos em que estava na ativa
O terremoto causado pelo Papa Francisco em responsabilizar padres pedófilos fez as autoridades eclesiásticas de Santa Catarina se mexerem para proteger um dos seus, o franciscano Paulo Back, 75.

Ele foi condenado em 2015 pela Justiça a 26 anos por abusos praticados em coroinhas e seminaristas sob sua guarda no Rio Grande do Sul, SC, PR, SP, RJ e ES, ao longo de 44 anos de sacerdócio, mas ganhou o direito a prisão domiciliar depois de oito meses de cadeia e aguarda recurso ao STJ.

No início de janeiro, Back foi discretamente transferido de seu refúgio de então, a Casa Episcopal São João Vianney, em Criciúma, para outra instituição religiosa, no interior do RS, cujo nome não foi revelado.

Sorte do padre: hoje ele aguarda num limbo jurídico, porque sua prisão domiciliar tem condições excepcionais, dá para dizer que são melhores do que a liberdade plena.

Eu entrevistei Back em janeiro de 2016 para o Jornal Já Porto Alegre.

Até a recente transferência ele viveu numa baita mordomia: a prisão domiciliar dele foi cumprida no Palácio Episcopal, a residência oficial do bispo de Criciúma, num condomínio luxuoso e arborizado.

Melhor, impossível – lá, ele tinha a chave do portão.

Saía às ruas quando queria, como para suas sessões de acupuntura e passeios pelas redondezas.

Recebia visitas a qualquer hora, todos os dias.

Ocupou uma suíte privativa equipada com combo TV-fone-internet.

As refeições eram feitas na cafeteria do condomínio, preparadas pelas mesmas cozinheiras do bispo e servidas por copeiras – o serviço de copa lá é das 6 às 22.

O ambiente é levíssimo: à mesa, ele tinha a companhia de seminaristas, religiosos em trânsito na cidade e padres aposentados.

Nas horas vagas se dedicava a cuidar do meio ambiente do condo: cultiva flores e verduras nos jardins do episcopado.

SE DISSE VÍTIMA POLÍTICA

O padre recebeu este repórter na manhã de um sábado de janeiro de 2016, na sala de visitas do condomínio.

É um salão acolhedor, com um conjunto de sofás, TV a cabo e ornada com um retrato de um padre da congregação, a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.

Ao primeiro contato, ele se mostrou um homem afável.

Alto e magro, o padre sentou numa cadeira ao lado esquerdo da minha poltrona, apoiou sua mão direita no meu braço e com suavidade perguntou o que poderia fazer por mim.

Talvez pelo hábito de receber confissões, ele desviou os olhos azuis e sua voz se tornou só um sussurro, encorajador: “Fale, meu filho”.

Me identifiquei como repórter. Ele nem piscou. Perguntei, com a delicadeza possível : “Padre, o senhor é um homem condenado por pedofilia e eu queria saber…”

Ele fez uma leve pressão no meu braço para me interromper, jogou a cabeça para trás, continuou me segurando, elevou a voz um pouco: “Já expliquei mil vezes…”

Deixei ele falar: “Foi uma armação política contra mim, porque meu sobrinho era candidato do PSDB à vaga de vice de Forquilhinhas” – cidade vizinha de Criciúma, onde ele nasceu e estava como pároco da igreja Sagrado Coração de Jesus até ser detido, em julho de 2012.

O repórter esperava ouvir dele uma confissão, mas ele estava no modo de combate: “Se você for ler o processo verá que a principal acusação contra mim partiu de um menino perturbado. Era um gordinho que tinha umas tetinhas e por isto sofria bullying dos coleguinhas, tenho muita pena dele”.

Argumentei que a primeira acusação surgiu apenas em 2011, porém logo se tornou uma enxurrada de 40 casos recolhidos pelo Ministério Público Estadual (MPE).

O padre então me mandou ler o processo, mas sabe que isto é impossível porque ele corre em segredo de justiça, por envolver menores.

Segundo o MPE, depois que os pais do menino gordinho fizeram a primeira denúncia e a prisão dele foi divulgada, 11 adultos procuraram a polícia com acusações semelhantes.

Em dezembro de 2012, Back foi condenado a 20 anos de cadeia pela Comarca de Forquilhinhas, por “atos libidinosos diversos da conjunção carnal” – por vários relatos de advogados que viram o processo ele gostava de exibir-se pelado e apalpar a genitália dos meninos.

A repercussão na imprensa catarinense foi mínima. Em maio de 2014, o MPE recorreu da decisão ao Tribunal de Justiça e conseguiu aumentar a pena para 26 anos – no final de 2015 a defesa dele levou o caso ao STJ, obtendo o direito de esperar pela sentença na confortável casa do bispo.


Frei Paulo Back cuida das flores

TERRA DE SANTOS

Até a revelação do escândalo o padre Back era reverenciado em Forquilhinhas, por sua origem. Seus pais e os de uma dupla de santos, seus conterrâneos dom Evaristo e dona Zilda Arns, fundaram a cidade.

Foi o próprio dom Evaristo quem ordenou Back sacerdote, em 1968.

No processo, não foi possível precisar o número de pessoas que teriam sido vítimas dele em sua carreira religiosa, iniciada aos 10 anos, em 1954, num seminário do Paraná.

Os promotores contataram cerca de 40, mas estimam que este número pode chegar a 100 porque Back atuou em dezenas de paróquias e seminários de seis estados por mais de quatro décadas.

Nenhum dos hoje adultos quis testemunhar.

ESTUDIOSO

Aquela conversa com o repórter em 2016 na salinha de espera se tornou um papo de barbearia – a esta altura ele já tinha soltado meu braço.

Back contou que tinha a tarefa de ensinar temas da sexualidade aos adolescentes sob sua guarda porque “os pais não ensinam aos filhos, é um tema tabu”.

Ele disse que “os meninos (nos seminários) dizem uns aos outros que ‘quem não se masturba é viadinho’, o que afeta alguns” – cabia a ele dar a orientação correta sobre o tema.

Back mergulhou na internet para estudar os casos de abusos de padres católicos ocorridos em Boston (EUA), de grande repercussão internacional e tema de um filme que ganhou o Oscar naquele ano.

Sem que ninguém lhe perguntasse, ele comparou os casos e tirou o corpo fora: “Nunca houve nada parecido aqui no Brasil, não é um tema presente nas nossas igrejas católicas” – não era, mas em 2019 a situação está bem diferente.

O bispo da cidade que o acolheu depois da condenação não quis dar entrevista – talvez porque já em 2015 o Papa Francisco pedira aos católicos para não mais acobertar casos de pedofilia, autorizando inclusive abertura de processos contra os bispos que o fizessem. Os novos ventos da Igreja agora estão mais fortes ainda.

NO SALÃO DE BELEZA

Em Forquilhinhas, a mãe de um dos meninos que constam da denúncia inicial pediu para falar sem ser identificada, porque revelaria a identidade do filho – o que aliás, não é um mistério, porque toda cidade sabe quem ele é.

“O que mais me choca é que o pessoal falava mal deste padre, durante anos a gente ouvia coisas. Mas eu achava que era fofoca, até que ele deu em cima do meu filho”, disse a mãe, ainda enfurecida.

Ela contou que “na mesma hora em que eu soube peguei meu menino pela mão e corri para a delegacia”. Deu no que deu.

Na defesa, o padre manteve a tese de perseguição política por causa da candidatura do tal sobrinho: “Eu tinha muita influência na cidade, queriam me tirar da disputa”, sustenta. Com o escândalo, o sobrinho abandonou a candidatura e a política, de uma vez por todas.

PERSEGUIDO

Lembro bem que o padre levou este repórter para visitar suas hortas e posar para algumas fotos.

Pediu que não publicasse sua história porque “isto pode me complicar” – eu disse que publicaria no Jornal Já, como fiz.

Ele sempre insistiu em sua inocência: “É uma provação. Me sinto um homem feliz por ter tido uma vida religiosa plena, ajudei milhares de pessoas. Se hoje sou perseguido, nada mais é do que mesma coisa que aconteceu com São Pedro, São Paulo e o próprio Jesus”.

Naquela vez, apesar das comparações, quando nos despedimos ele curvou a cabeça com humildade: “Vá com Deus”.

Na quinta, 28 de fevereiro, as freirinhas que cuidam da casa episcopal de Criciúma não quiseram me dizer qual o novo endereço dele.

A única informação disponível era que “aqui eles nos ajudava muito no trabalho pastoral”, citando a transferência recente para o Rio Grande do Sul.

Elas me passaram o número do celular dele.

Liguei ao entardecer, mas caiu na caixa postal.


Paulo Back

Renan Antunes de Oliveira
No DCM
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Queiroz diz ao MP que "rachadinha" é "gerenciar" salários

Me engana que eu gosto...



Queiroz diz a MP que ‘gerenciava’ salários

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Fabrício Queiroz afirmou ao Ministério Público do Estado que fazia o “gerenciamento financeiro” de valores recebidos pelos demais servidores do gabinete. Em defesa apresentada por escrito, ele negou que tenha se apropriado desses valores, que, pela sua versão, eram usados posteriormente para ampliar a rede de “colaboradores” que atuavam junto à base eleitoral do parlamentar fluminense.

Ele afirmou ainda que, como acreditava estar agindo de forma lícita e dispunha da confiança de Flávio, “nunca reputou necessário expor” ao chefe “a arquitetura interna do mecanismo que criou”.

Esta é a primeira vez que Queiroz apresenta seus argumentos ao MP do Rio. Antes disso, ele não havia respondido a quatro convites para prestar depoimento, com alegações como a de que estava em tratamento de saúde – o ex-assessor está desde o final de dezembro em São Paulo para tratar de um câncer. Depois das sucessivas ausências, o MP afirmou que poderia concluir as investigações mesmo sem ouvi-lo. (...)

No CAf
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Excedente

Os pais do Serginho não sabiam o que fazer com ele. Tinham tentado de tudo: psicologia, castigo corporal, passes, hipnose, preces esotéricas e chás tranquilizadores importados do Oriente com os quais o menino borrifava o melhor sofá da sala, quando não a cara da babá. Nada funcionava, Serginho continuava impossível. As babás se sucediam e nenhuma ficava mais de dois dias no emprego. A última tentativa fora com uma frau alemã, famosa como disciplinadora no mundo das babás, que não durara dois dias e dizem que está até hoje num asilo para recuperação da autoestima.

O pai do Serginho tomou uma decisão. Não disse nada para a mulher. Só disse que chegaria em casa com alguém que, certamente, conseguiria controlar o Serginho. E chegou com um senhor de aspecto respeitável, respeitáveis cabelos grisalhos e um ar, acima de tudo, de respeitável autoridade. O pai do Serginho apresentou-o à mulher:

– Este é o general Tal.

– General?!

– Ele vai nos ajudar a controlar o Serginho.

A conversa transcorreu normalmente. Salário não seria problema. O general aceitava ganhar o mesmo que as babás. Até menos, no caso da babá alemã, que insistia em ser paga em dólar. Tudo combinado, o general pediu para dar uma olhada “nos alojamentos”. O pai do Serginho estranhou. “Alojamentos?”

– Sim. Vou me instalar aqui, eu e meus camaradas.

– Camaradas?

Naquele instante, ouviu-se a campainha da porta. A mãe do Serginho foi abrir. Eram quatro homens, todos com o mesmo aspecto respeitável do general Tal. Que os identificou, um a um. Eram todos generais. Todos aceitavam o trabalho de controlar o Serginho, por qualquer salário.

O general Tal estava sorrindo. Entedia a confusão do pai do Serginho. Era tudo uma questão de excedente mal planejado.

– Chamaram tanto generais para o novo governo que muitos não têm o que fazer. Ficam atirados no Planalto, jogando carta, falando mal do Paulo Guedes... Assim, pelo menos, a gente se ocupa. Podemos cortar sua grama, fazer um churrasquinho de vez em quando, e tornar o Serginho respeitável como nós.

Luís Fernando Veríssimo
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Bolsonaro elogia ditador pedófilo. Ricupero sobre diplomacia/Brasil: "Desperta chacotas, zombarias"


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