21 de fev. de 2019

A blitzkrieg do olavo-bolsonarismo contra a educação está em marcha


Empunhando simplórias Bic Cristal e com o ar compenetrado de quem acaba de se alistar nos Intocáveis de Eliot Ness, os ministros Ricardo Vélez Rodríguez e Sergio Moro assinaram um documento que o colombiano e discípulo de Olavo de Carvalho vê como o estopim da "Lava Jato da Educação".

O objetivo é "apurar indícios de corrupção, desvios e outros tipos de atos lesivos à administração pública no âmbito (sic) do MEC e de suas autarquias nas gestões anteriores", diz no release.

Trata-se da primeiro sinal concreto emitido por Vélez de que o governo de extrema-direita irá declarar guerra às universidades públicas federais. Até agora, tudo o que o colombiano fizera fora distribuir bravatas.

Numa já célebre entrevista à Veja, ele contou ter se tornado ministro por indicação de Carvalho – o auto-denominado filósofo e guru do bolsonarismo – por ter "a faca nos dentes para enfrentar o problema do marxismo (sic) no MEC".

Vélez também disparou o seguinte: "Tem de haver Lei de Responsabilidade Fiscal para os reitores [de federais]. Eles são habitantes deste belo país, também estão submetidos à lei. O CPF deles pode ser rastreado pelo juiz (sic) Sergio Moro, por que não? Querem mais dinheirinho? Paguem as contas".

A que contas se referiu, Vélez não explicou – e nem foi inquirido pela Veja. E é aí que está o problema: ao prometer uma Lava Jato contra as universidades com base em acusações genéricas, o ministro não consegue sequer disfarçar que o objetivo é criar um novo inimigo de estimação para um governo que mal começou e já se vê constrangido por suspeitas graves que envolvem o filho, o partido e o principal cabo eleitoral do presidente.

"Quer dizer que para esse governo a educação superior é uma inimiga? Vai ser assim mesmo?", questionou o reitor de uma das principais universidades federais do país, que me pediu sigilo pelo óbvio temor de retaliações contra a instituição. Nós conversamos essa semana. "Poucas instituições são tão controladas como as nossas. A CGU (Controladoria Geral da União) mora aqui dentro. Isso soa como ameaça. O conteúdo simbólico é muito forte."

Nos últimos anos, multiplicaram-se investigações da Polícia Federal em universidades. A maioria delas desbaratou esquemas criminosos que não tinham participação das reitorias. Mas também avançou-se o sinal.

No caso mais emblemático, o então reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier de Olivo suicidou-se após ser preso, despido e algemado por uma operação que sequer conseguiu amealhar provas contra ele. A comandante daquela operação, a delegada Erika Mialik Marena, que também fez parte da Lava Jato, não teve qualquer punição. Pelo contrário: ganhou de Moro um cargo no ministério.

De Vélez, como diria o Barão de Itararé, não se podia esperar nada melhor. Ele mesmo já disse que virou ministro para combater o "marxismo do MEC", que na visão infantil do olavo-bolsonarismo atinge seu ápice nas universidades federais, verdadeiros antros de esquerdistas, gays, feministas e maconheiros. Para o presidente e seu ministro da Educação, os universitários brasileiros são os Freak Brothers, o hilário trio de hippies-alternativos-esquerdistas-drogadões criado pelo quadrinista norte-americano Gilbert Shelton.

O que surpreende é ver Sergio Moro aceitar ser instrumento da guerra do olavo-bolsonarismo. O juiz, um fã de quadrinhos visto por seu fã-clube como o Eliot Ness brasileiro, se torna cada dia mais parecido com – para nos mantermos na obra de Shelton – Tricky Prickears, o gambé cego, surdo e ultra-reacionário que persegue os Freak Brothers. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro segue debochando do Ministério Público fluminense.

Enquanto Vélez e Moro assinavam a declaração de guerra às universidades, o novo presidente da Capes, Anderson Ribeiro Correia, determinou novas regras para a abertura de novos cursos de mestrado e doutorado no país, informou a ótima newsletter "Brasil Real Oficial", do jornalista Breno Costa, colaborador do Intercept.

A partir de agora, é preciso provar a “adequação e justificativa da proposta ao desenvolvimento regional ou nacional e sua importância econômico-social”. Para Costa, abriu-se a brecha para que o MEC possa exercer um controle ideológico sobre novos cursos de pós-graduação.

"Mostrar que um curso de engenharia, por exemplo, tem um impacto potencial direto no desenvolvimento regional é fácil. Mas e quanto a cursos na área de sociologia, história, filosofia ou mesmo psicologia?", Costa questionou.

A blitzkrieg do olavo-bolsonarismo contra a educação superior está em marcha.

Rafeal Moro Martins
No The Intercept
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Na conta de R$ 100 milhões de laranja do Serra Banco Central acha R$ 396

Quá! Quá! Quá!


Nas contas do operador de R$ 100 milhões, Banco Central acha R$ 396,75

O Banco Central bloqueou nesta quinta-feira, 21, R$ 396,75 do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, operador do PSDB. A juíza Gabriela Hardt havia ordenado o confisco de R$ 100 milhões do engenheiro, preso na terça-feira, 19, na Operação Ad Infinitum, 60.ª fase da Lava Jato.

Três contas de Vieira de Souza foram pesquisadas pela malha fina do Banco Central. Em uma delas foram encontrados R$ 396,75. Em duas contas, nem saldo havia.

Em relatório enviado à Justiça, o BC informou que o bloqueio foi cumprido ‘parcialmente por insuficiência de saldo, afetando depósito a prazo’. Sobre as duas contas nas quais não havia saldo, o Banco Central afirmou ‘réu/executado sem saldo positivo’.

A Ad Infinitum fez buscas em endereços ligados ao ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira (Governo Temer/Relações Exteriores), que presidia a Investe São Paulo (Agência Paulista de Promoção de Investimento e Competitividade) do governo João Doria. Após ser alvo da Operação, Aloysio pediu demissão da Investe São Paulo.

Vieira de Souza já havia sido preso duas vezes pela Lava Jato em São Paulo. O ex-diretor da Dersa já é réu de duas ações penais da Lava Jato em São Paul: um sobre desvios de R$ 7,7 milhões que deveriam ser aplicados na indenização de moradores impactados pelas obras do Rodoanel Sul e da ampliação da avenida Jacu Pêssego e outro sobre cartel em obras viárias do Estado e do Programa de Desenvolvimento do Sistema Viário Metropolitano. No dia 13 de fevereiro, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes atendeu um pedido da defesa de Paulo Vieira de Souza e adiou o fim do processo sobre os desvios de R$ 7,7 milhões – o que pode resultar em prescrição.

Desta vez, Vieira de Souza foi capturado por suspeita de lavagem de dinheiro. A juíza federal Gabriela Hardt afirmou que a ordem de prisão foi decretada com base em provas e indícios do envolvimento de Vieira de Souza com os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao setor de propinas da Odebrecht e que, por isso, “foge ao alcance” das decisões do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, que mandou soltar duas vezes o investigado após prisões em processos abertos em São Paulo, relacionados a desvios no setor rodoviário.

(...)

Em tempo: é possível - apenas possível - que o detentor do cobiçado troféu Conexões Tigre soubesse da existência de um apartamento nos jardins paulistanos com notas que eram submetidas a banho de sol - PHA
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Mentiras expostas… e generais tomam Palácio e governo...


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Venezuela envia tanques de guerra e soldados à fronteira com Brasil

Em ajuda humanitária que começa este sábado, Brasil também estaria se preparando para possível conflito militar


Após o governo de Jair Bolsonaro assumir uma operação coordenada com os Estados Unidos contra o governo de Nicolás Maduro e favorável ao líder opositor Juan Guaidó, e permitir o uso do território brasileiro na fronteira com a Venezuela para o envio de apoio aos opositores, Maduro determinou o envio de tanques de guerra na fronteira com o Brasil.

A operação iniciada pelos Estados Unidos, país que foi um dos primeiros a rechaçar o comando de Maduro na Venezuela, contou com a palavra de apoio do Brasil, pelo governo Bolsonaro. Publicamente, ambos os países anunciaram que iriam levar ajuda humanitária aos opositores no dia 23 de fevereiro, este sábado.

O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, afirmou nesta terça (19) que Bolsonaro determinou o “apoio logístico” para que caminhões conduzidos por venezuelanos da oposição, liderados por Guaidó, busquem mantimentos em duas cidades de Roraima, Boa Vista e Pacaraima, que fazem fronteira com o país.


O governo brasileiro assumiu a responsabilidade própria de enviar produtos a postos nestas duas cidades. É a primeira vez que o Brasil se envolve de maneira contundente na crise política do país, após considerar Maduro um presidente “ilegítimo”.

“O governo brasileiro está mobilizando uma força-tarefa interministerial para definir a logística da prestação de ajuda humanitária ao povo venezuelano, a partir de 23 de fevereiro, atendendo a um apelo do presidente Juan Guaidó”, disse o porta-voz de Bolsonaro, na última terça.

Apesar de ser o Brasil o que irá colocar a ação em prática, por fazer divisa com a Venezuela, a operação está sendo calculada e coordenada pelos Estados Unidos. Por isso, para além de uma simples “ajuda humanitária”, trata-se de uma medida combatente contra o governo de Nicolás Maduro no país latino-americano.

Guaidó é o líder opositor, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, que se autodeclarou presidente interino do país em meio à crise política, e seu anúncio foi acatado pelos Estados Unidos, Chile, Brasil, Colômbia, entre outros países do continente.

O porta-voz de Bolsonaro havia explicado que alimentos e medicamentos seriam disponibilizados no território brasileiro, nas cidades que fazem fronteira com o país, para que caminhões liderados pela oposição e por Guaidó possam retirar.

Entretanto, a ajuda humanitária dentro do território brasileiro poderá ter consequências negativas: Maduro anunciou que tentará impedir o recolhimento desses produtos pelos caminhões dos opositores.

Para isso, já enviou tropas e veículos militares para a fronteira com o Brasil. Os tanques de guerra já passaram por Santa Elena, cidade venezuelana que fica a 15 quilômetros de Roraima.

De acordo com reportagem do Uol, fontes ouvidas pelo site afirmaram que o resultado dessa ação do Brasil poderá ocasionar uma “ação militar” de confronto: “É claro que não será dito isso publicamente, mas a verdade é que o Brasil está preparado para tudo, inclusive para uma eventual ação militar”, teria dito a fonte.

Patrícia Faermann
No GGN
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Ganhou, perdeu, e vice-versa

Assim como a tragédia em Brumadinho favoreceu o esquecimento da conexão Fabrício Queiroz, Flávio e Jair Bolsonaro, a chegada ao Congresso de alterações na Previdência intercede nos desdobramentos públicos do choque Bolsonaro/Bebianno. E, não menos, do impasse em que os militares se veem.

O batalhão de generais na cúpula do governo cresceu, com a substituição de Gustavo Bebianno, mas seu poder político enfraqueceu e a dubiedade do seu papel aumentou. A maneira como Bolsonaro procedeu nas relações finais e na demissão do (ex)ministro, primárias demais, o sujeitaram a muitas críticas. Apesar disso, não é o caso de concordar com a generalidade dos comentários políticos, que o veem politicamente desgastado pelo episódio. Deu-se o contrário. Bolsonaro pôs-se acima da tutela dos generais, o que era imprevisto e significa a diminuição deles.

Já nos primeiros sinais contra a permanência de Bebianno, o batalhão empenhou-se em defendê-lo. Indagado sobre o problema, o vice e general Mourão mostrou-se confiante na potência do grupo: "Vamos pacificar isso". Para Bolsonaro, tratava-se de desconsiderar a firme opinião do filho Carlos, o pitbull, ou seguir o batalhão tutelar. Bolsonaro impôs aos generais uma vitória para o filho. Negou-os como força que compartilhe o poder. Bebianno foi demitido.

Não há dúvida sobre quem se fortaleceu para a ação política. O que Bolsonaro fará com a cota de libertação e poder conquistados no seu caso é questão para consultórios. O que os militares farão, sem o exercício pleno da tutela, tanto pode ser buscá-la no muque, como, bem à brasileira, seguir "o capitão" nos desatinos — afinal, comprometido na criação e no antigoverno de Bolsonaro o Exército já está.

O general Mourão, por sinal, já acusou Bebianno de deslealdade com Bolsonaro. Diminuiu uns pontinhos no desprestígio, conseguindo achar que há um mais desleal que o outro — o ministro que grava na moita "o capitão" ou o pai que mente com o filho, diante do país, para efetivar uma demissão de causa duvidosa. Fosse em razão das verbas públicas manobradas pelo PSL, quando presidido por Bebianno, Marcelo Álvaro Antônio, ministro 3 em 1 do Turismo, seria exonerado até antes, como apontado coautor e beneficiário da trama. Há sugestões de que a demissão é uma represália favorecedora de Flávio Bolsonaro & cia.

Um segundo episódio, também generalizado como "primeira derrota de Bolsonaro na Câmara", não deixa de sê-lo, mas sobretudo é derrota da linha militar. A Câmara derrubou o decreto que autorizou até simples detentores de cargo em comissão a decretar o segredo de documentos oficiais por dezenas de anos. O começo disso foi de Fernando Henrique, por certo ciente do que fizera e convinha esconder. O decreto agora derrubado saiu às pressas, sem ao menos cumprir os trâmites regulares, com assinatura do vice Mourão em interinidade na Presidência. O general Augusto Heleno é dado como o articulador do decreto.

A Câmara, que bom dizer isto, está de parabéns pela defesa da cultura, do direito de informação e de menos transações sigilosas com os interesses da sociedade e do país. Outra derrota do batalhão de generais, cuja adesão aos sigilos começo por não informar sobre tanta pressa para a emissão do decreto. Boa razão não precisaria desse sigilo.

Ah, sim, sobrou um paisano na cúpula do governo. Não por acaso, o veterinário Onyx Lorenzoni.

Janio de Freitas
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Doodle Chaos - 5ª Sinfonia de Beethoven


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