19 de fev de 2019

Tom Brady

O futebol americano tinha sua sociologia implícita. Certos costumes discriminatórios eram pétreos, pareciam eternos. Um “quarterback” negro, por exemplo, era impensável. O “quarterback” é o cara que escolhe a jogada do seu time, ou executa a jogada determinada pelo técnico, e age como um misto de estrategista, intelectual, capitão, modelo, psicólogo e líder do time. Dos jogadores negros só se pedia que fossem grandes. Sua função era serem armários, para protegerem o “quarterback” ou abrirem caminho para o seu avanço, ou gazelas humanas para correrem na frente e pegarem os passes precisos do príncipe, o “quarterback”.

A discriminação não explícita diminuiu com o tempo, mas ainda são poucos os “quarterbacks” negros ou hispânicos nos principais clubes desse estranho esporte, que combina o máximo de força bruta – tão bruta que existe até um movimento para proibir o “football” nos Estados Unidos, tantos são os pescoços destroncados – com requintes táticos que nem sempre se vê. E a sociologia implícita do “football” continua valendo. A metáfora cabível ainda é a da massa multirracial trocando cabeçadas na linha de frente, enquanto a elite branca decide que destino vai lhe dar.

Mas, dirá você, e o Tom Brady? Longe de qualquer interpretação, teoria ou literatura sobre o “football”, sua violência e suas contradições, o que vimos no domingo passado, depois da vitória do seu time no Super Bowl, foi um homem saboreando o momento de ser o melhor do mundo, o melhor da sua categoria (a humana), o melhor do melhor dos mundos. Sua filha no seu colo, a Gisele chegando para abraçá-lo também.... Depois dirão que o jogo foi ruim. Que ele jogou mal. Não importa: por um breve momento, só Tom Brady foi Tom Brady no mundo.

Não temos nada com isso, claro. Nem entendemos bem esse esporte, meio sofisticado e meio selvagem, que jogam de capacete para não morrer. E a bola com formato de quibe? Não dá.

Luís Fernando Veríssimo
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Ação que pede afastamento da Damares faz paralelo com o caso da filha de Roberto Jefferson, Cristiane Brasil


Só pelas cretinices, já estava merecendo. Afinal, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, extrapola até o padrão doidivanas do governo bolsonarista. E olha que o páreo ali é duríssimo.

São de autoria dela declarações do tipo: “Tá chegando denúncia lá na Câmara e no Senado que tem muito hotel fazenda aqui no Brasil que é de fachada. É hotel para turista ir transar com animais aqui no Brasil”, ou “Há um grupo de especialistas que começou lá na Holanda e já está influenciando que nós precisamos aprender a masturbar os nossos bebês a partir dos setes meses de idade. Na Holanda eles inclusive estão distribuindo uma cartilha para ensinar os pais como massagear sexualmente as suas crianças”.

Como insanidade não fere a Constituição Federal, dois advogados basearam-se em fatos concretos e entraram ontem com ação popular na Justiça Federal pedindo o afastamento imediato de Damares.

Para José Belga Trad e Fábio Martins Neri Brandão, Damares teria cometido “uma série de atos incompatíveis com a moralidade administrativa, a ética e o decoro exigidos para o cargo”.

Segundo os advogados, a ministra infringiu o artigo 37 da Constituição Federal.

O processo fundamenta que Damares mentiu. A ministra “agride qualquer noção de honestidade” ao “se apresentar em público anunciando títulos que não possui para impor autoridade sobre seus ouvintes”.

A dupla de advogados aborda assim o episódio no qual Damares declarou ser advogada, mestre em educação e em direito constitucional e direito da família.

Pega na mentira, a ministra saiu-se com “Diferentemente do mestre secular, que precisa ir a uma universidade para fazer mestrado, nas igrejas cristãs é chamado mestre todo aquele que é dedicado ao ensino bíblico”. Ahan.

“A conduta da requerida atenta contra o princípio da moralidade administrativa, em que o homem público tem que ser probo e zelar pelo direito e pelos princípios da administração pública”, é o que consta no processo.

Os advogados relembram ainda o caso em que Damares é acusada de ter retirado uma criança indígena de sua família em uma aldeia no Xingu e fazem assim um paralelo com a suspensão da nomeação da deputada Cristiane Brasil para o cargo de Ministra do Estado de Trabalho.

Por sua conduta, a filha de Roberto Jefferson era ‘incompatível’ com a moralidade do cargo. Portanto Damares, ministra da ‘Família’, também o é.

“O princípio da moralidade exige que o agente público se comporte com consciência, seriedade e sobriedade na vida pública”, é o que argumentaram os advogados na peça jurídica.

Bom, essa argumentação poderia travar o governo como um todo se direcionada a toda equipe atual.

De todo modo, depois de tanta noticia ruim dos últimos dias, é um alento saber que alguns advogados estão no seu perfeito juízo e atuantes. De resto, haja camisa de força no estoque.

Mauro Donato
No DCM
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Zema premia o maior traidor de Minas Gerais com a CEMIG

Noticiar que o Novo mineiro transformou-se em ninho tucano é chover no molhado: Zema repete Aécio

Na sexta-feira (08/02), o governador mineiro anunciou que o ex-presidente da Fiat e atual membro do conselho de administração da Odebrecht, Cledorvino Belini, irá presidir a Cemig.

A Odebrecht é investigada na Lava Jato junto estatal mineira de energia.

Zema ainda não entendeu que existe uma grande diferença na escolha do gestor privado e do  público.

Para o gestor privado, analisa-se  curriculum, experiência e competência, tendo pouca importância os efeitos de suas atitudes no exercício de suas funções. O que importa é se obteve sucesso e gerou lucro para empresa, ou seja, uma análise econômica.

Já para escolha de um gestor público, além obviamente de seu curriculum, é necessário analisar as consequências sociais e políticas decorrentes de atitudes tomadas no exercício da sua função

Cledorvino Belini tem curriculum, experiência e competência inquestionáveis.

O mesmo não se pode dizer de sua presidência na Fiat, pelo menos, para Minas Gerais.

Explico.

A fábrica de Fiat, em Betim (MG), foi inaugurada em 9 de julho de 1976, graças ao enorme esforço do governo mineiro, que forneceu gratuitamente o terreno de 2 milhões de metros quadrados e a implantação de toda a infraestrutura.

Além disso, entrou como sócio. Na época, 46% do capital de US$ 155 milhões eram do governo de Minas.

Naquele período, a Fiat passava por dificuldades na Itália e a fábrica de Betim possibilitou sua recuperação.

Inegavelmente, a implantação da Fiat em Betim proporcionou desenvolvimento na região e no Estado, geração de empregos e receita fazendária.

A partir de sua instalação, a Fiat passou a ser tão mineira quanto italiana, principalmente em função da querida colônia que se formou no Estado e continuou sendo admirada por todos nós, aqui.

Porém, um dos seus presidentes  cometeu uma das maiores traição já  praticadas contra a economia e o povo mineiros

Este presidente não era italiano e sim um paulista chamado  Cledorvino Belini.

Foi Belini quem decidiu levar para Goiana, Pernambuco, a expansão que seria feita em Betim para produzir os SUVs Jeep Renegade, Jeep Compass, e a picape Fiat Toro.

Entre empregos diretos e indiretos, a fábrica transferida gerou mais de 47,5 mil, e gigantesca receita tributária.

Enquanto o Jeep Renegade pernambucano faz sucesso, a linha de modelos da Fiat mineira amarga o excesso de estoques.

Caminhamos para dias piores. Enquanto amplia-se a rede de concessionárias Jeep, as revendas autorizadas Fiat reclamam da falta de um produto verdadeiramente novo.

Se este fato não bastasse, a qualquer momento Zema poderá ser surpreendido.

Após sair da Fiat, Belini passou a exercer o cargo de conselheiro no grupo JBS.

E o pior: ainda hoje exerce o cargo no conselho de administração da Odebrecht, que tem vários negócios em sociedade com a Cemig.

Além disso, juntas, Odebrecht e Cemig, oram investigadas na Lava Jato, a exemplo do inquérito relativo à represa do Rio Madeira. Inclusive a  Odebrecht já reconheceu a corrupção ocorrida em acordo de leniência celebrado.

Noticiar que o governo do Novo em Minas Gerais transformou-se em ninho tucano é chover no molhado.

Porém, não se imaginava que Zema chegasse a nomear pessoas com claro conflito de interesse, sem dizer que o maior investigado no inquérito do Rio Madeira/Odebrecht é o deputado tucano mineiro Aécio Neves.

Marco Aurélio Carone
Do Novojornal
No Viomundo
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