8 de fev. de 2019

O medo de Mourão é a causa do reality show grotesco de Bolsonaro no hospital, dirigido pelo filho Carlos


É grotesco o show de imagens de Bolsonaro no hospital.

Seu filho Carlos é o diretor de um reality show indigno, expondo a intimidade de um convalescente e resultando num pesadelo.

Tudo se resume a medo do vice Mourão e apego doentio ao poder.

Ninguém se recupera fazendo live e tuitando loucamente, num ambiente visivelmente disfuncional e estressante.

O BBB, Big Brother dos Bolsonaros, serve para tentar passar a impressão de que o sujeito está governando, quando, na verdade, como admitiu o porta-voz Otávio Rêgo Barros, luta pela vida.

O núcleo duro bolsonarista montou uma farsa midiática para contentar as hostes de indigentes mentais — cada vez menores — que os seguem.

Duas semanas depois de entrar no Einstein para retirar a bolsa de colostomia, Bolsonaro não tem previsão de alta.


Carlos Bolsonaro fotografa o pai numa maca

Teve febre, pneumonia e complicações na retomada das funções intestinais que resultaram na instalação de uma sonda nasogástrica.

Rêgo Barros insiste que “tudo está dentro do esperado”. Carlos chegou a registrar o pai com o que parece ser um aparelho no ânus.

Rudyard Kipling é autor do conto “O homem que queria ser rei”, adaptado para o cinema por John Huston num filmaço com Sean Connery, Michael Caine e Christopher Plummer.

É uma história de ambição em que aventureiros ingleses do século 19 decidem procurar um lugar no mundo onde poderiam reinar.

Enganam uma tribo do Kafiristão fingindo ser deuses, até ser desmascarados por uma nativa.

Um deles é coroado, mas depois de morto, sua caveira aboletada lindamente num trono onde ficará para sempre (desculpe o spoiler).

Não dá para enganar todo o mundo o tempo todo. Há vacinas poderosas contra a mentira.






Kiko Nogueira
No DCM
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'Deixei virgenzinha pra você'

Ilustração: Ana Persona
Médicos cortam e costuram vaginas no parto e estragam a vida sexual das mulheres – uma mutilação genital, segundo especialistas

O corte abaixo da vagina veio sem aviso. A dor que invadiu o corpo de Cema Alves, que paria o segundo filho, era absurda. E, mal havia dado à luz, veio a fisgada da agulha. Sozinha na sala de parto, ela conta ter ouvido um diálogo entre uma enfermeira e o médico Humberto Keiji. “Ela perguntou: ‘Doutor, vai fazer o [ponto] do marido?’ Ele falou: ‘Vou fazer dois pra garantir'”, lembra.

O médico deu dois pontos além do necessário para fechar o corte feito na sua vagina. O resultado? A deixou “apertadinha” para aumentar o prazer de seu companheiro no sexo.

O corte abaixo da vagina durante o parto se chama episiotomia e serviria para evitar que a passagem da criança causasse um rasgo entre a vagina e o ânus. É uma prática corriqueira no Brasil, onde 53,5% dos partos normais são feitos com episiotomia.

Mas há três problemas com o corte: não há evidências científicas de que ele seja necessário, ele não pode ser feito sem autorização das mulheres e a costura em hipótese alguma deveria se estender além do necessário, muito menos com objetivo de apertar vaginas e satisfazer homens. É por causa desse hábito dos maus obstetras, a mais machista das formas de violência que uma mulher pode sofrer durante o parto, que a costura exagerada ganhou o apelido de “ponto do marido”.

Conversei com seis mães para esta reportagem. Todas tiveram suas vidas sexuais arruinadas pela dor e pela ardência que sentiam durante o sexo após a costura machista. A maioria passou meses tendo poucas relações, sempre dolorosas. Uma chegou a ficar mais de um ano sem transar com o marido.

Prática ultrapassada

O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde orientam que a episiotomia não deve ser prática de rotina. Neste ano, a OMS reconheceu que “não há nenhuma evidência que prove a necessidade da episiotomia em qualquer situação”. A organização ressaltou que a taxa do corte ainda é alta em países como o Brasil pela falta de acesso às novas pesquisas científicas sobre o assunto e pela relutância dos profissionais em abandonar o velho hábito – que eles acreditam facilitar o parto para eles e ser mais seguro e fácil de resolver do que um rasgo espontâneo. Mas desde os anos 90 – quando a OMS ainda recomendava que o corte fosse feito em até 10% dos casos – há médicos que classificam a prática como uma “verdadeira mutilação genital feminina”.

É o caso de Marsden Wagner, ex-diretor da área de Saúde da Mulher e da Criança da OMS, que assinou um texto na prestigiada revista científica The Lancet com o título “Episiotomy: a form of genital mutilation” (“Episiotomia: uma forma de mutilação genital”), publicado em 1999. Também é o caso da obstetra brasileira Melania Amorim, pós-doutora em Saúde Reprodutiva pela OMS. “Há evidências científicas sólidas, como as revisões periódicas da Biblioteca Cochrane, que mostram que a episiotomia não só não traz benefícios, como aumenta as chances de lacerações [rasgos] graves”, argumentou a médica.
‘Isso é rotina. Vai perguntar se faz ou não? Não é decisão dela.’
Humberto Keiji, o médico que fez a episiotomia em Cema Alves, afirmou não se lembrar do caso e disse não entender o que haveria de violento nele. Falou que, em 36 anos de carreira, nunca ouviu falar na expressão “ponto do marido”, mas não negou o corte. “Isso a gente faz para o bebê nascer, igual todo mundo”, me justificou em entrevista por telefone. “Isso é rotina. Vai perguntar se faz ou não? Não é decisão dela.”

O Conselho Federal de Medicina também é contra a episiotomia de rotina, por não haver “benefícios comprovados” na prática. Disse, no entanto, que “o médico tem autonomia para avaliar o uso de qualquer técnica em função de casos concretos”. O CFM – que é responsável ao mesmo tempo por “defender os interesses corporativos dos médicos” e por fiscalizar e punir esses profissionais – não respondeu o que pode acontecer com um médico que recorre à prática.

Procurada diversas vezes, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia comunicou através de seu assessor Chico Damaso que não poderia se posicionar, pois seus membros haviam retornado de um congresso há poucos dias e estavam “priorizando atender ao paciente em vez de atender à imprensa.”
‘Sem autorização, o corte pode ser considerado lesão corporal.’
As diretrizes publicadas este ano pela OMS, porém, são claras: não há provas de que o corte seja necessário em qualquer circunstância, e ele só pode ser feito com permissão da mulher. O próprio Código de Ética Médica proíbe procedimentos cirúrgicos sem autorização, exceto para evitar risco de morte. “Nunca é o caso da episiotomia”, me disse a obstetra Melania Amorim. Ela afirma que a gestante tem direito de recusá-la a qualquer momento, embora o ideal seja registrar a negativa em um plano de parto.

Sem autorização, o corte pode ser considerado crime de lesão corporal e de constrangimento ilegal, uma violação do artigo 146 do Código Penal, de acordo com a procuradora da República Ana Previtalli e a advogada Priscila Cavalcanti, especialista em violência obstétrica. Como Amorim, as duas ressaltam que, segundo as evidências científicas, a episiotomia nunca é necessária para salvar a paciente de risco iminente. “De forma alguma ela pode ser feita contra a vontade da mulher”, resumiu a procuradora Ana Previtalli.

Não fosse a pergunta que ouviu da enfermeira, Cema Alves provavelmente nunca descobriria que levou o ponto do marido. A maioria das mulheres nunca descobre. As que já ouviram falar na prática só carregam a suspeita trazida pela dor agoniante e pelo sofrimento quando retomam o sexo.

No caso dela, a dor era também um sintoma. Os pontos infeccionaram, mas a equipe do Hospital Municipal Dr. Joaquim Brochado disse que ela estava sendo “fresca” e lhe deu alta. Uma semana depois, ela lembra que teve que voltar ao mesmo hospital, o único de Unaí, interior de Minas Gerais. Ficou internada por dez dias. “Eu queria processar todo mundo. Liguei várias vezes pedindo acesso ao meu histórico médico, mas eles enrolaram até dizerem que tinham perdido no processo de digitalização dos arquivos.”

Procurada, a direção do hospital afirmou que buscaria o prontuário de Alves para comentar o caso, mas não retornou nossos contatos até a publicação desta reportagem.

Pouco mais de um ano depois, a jovem de 23 anos engravidou novamente. Recém-divorciada, se mudou para Itatiba, interior de São Paulo, onde descobriu que uma parente militava no movimento contra a violência obstétrica e passou a se informar para o seu terceiro parto. Mas, em maio de 2011, a história se repetiu. Dessa vez, na Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, nas mãos da médica Maria Clotilde Pavanelli, há anos chefe de obstetrícia no local. “Ela disse que ia me cortar e, antes que eu pudesse dizer não, ela já tinha enfiado a tesoura.”
‘Se botar a tesoura em mim, eu meto o pé na sua cara!’
Divorciada do pai do bebê, Alves havia avisado que não queria a presença do homem na sala do parto. Mas ele estava lá. “Ela [a médica] virou pra ele e falou: ‘Eu vou dar uma fechadinha a mais pra daqui a um mês e pouco vocês não ficarem sem brincar direito'”, me contou Alves. Daquela vez, ela sabia perfeitamente o que aquilo significava.

Por azar, Pavanelli era a obstetra de plantão no dia em que seu quarto filho, fruto de um novo casamento, veio ao mundo. Alves me contou que foi maltratada. Ela diz que foi impedida de beber água, se mexer e tomar banho. Em pleno parto, ela teve que reunir forças para proteger seu corpo. Entre uma contração e outra, gritou: “Você não vai cortar nada! Se botar a tesoura em mim, eu meto o pé na sua cara!”. Com a ameaça, ela conseguiu evitar a terceira episiotomia. “Qualquer pessoa que não tivesse noção do que estava acontecendo ia ficar que nem eu há nove anos: doente e com dor.”
‘A episiotomia não só não traz benefícios como aumenta as chances de lacerações graves’.
Conversei por e-mail com Pavanelli, a médica de Alves. Ela negou as acusações e afirmou que a episiotomia foi necessária, porque visa a “evitar lesões” e “abreviar o parto” – ainda que, segundo ela, todo trabalho de parto de Alves tenha levado apenas meia hora.

“Sempre respeitei minhas pacientes e jamais teria esse palavreado chulo”, escreveu por e-mail, ressaltando que foi “pioneira num trabalho de humanização do parto”. Ela disse que em 2011 acompanhantes não eram permitidos (o que excluiria a possibilidade do ex-marido de Alves estar presente na sala de parto) e que nunca foi ameaçada de chutes por uma paciente. Por fim, Pavanelli argumentou que Alves “mente” porque “provavelmente” devia estar frustrada com seu parceiro na época e queria transferir para ela sua insatisfação com a vida amorosa.

A diretoria da Santa Casa preferiu não se manifestar.

Vagina P, M ou G?

Outra vítima do corte foi Gabriela Assunção*. Há nove anos, ela conta ter sido amarrada para ter seu primeiro filho, impedida de escolher a posição em que preferia parir e vítima de uma episiotomia surpresa. Dias depois, ela reencontrou o médico para o exame dos pontos. “Ele virou pro meu marido [em tom] de piadinha e disse: ‘Aí, deixei virgenzinha pra você de novo, hein?'”. Pasma, ela conta que pensou: “Quem pediu pra ficar virgem?”

O abuso que ela relata ter sofrido na Casa de Saúde Santa Terezinha, na zona norte da cidade do Rio, destruiu sua vida sexual. “Eu sentia uma dor horrorosa. Levou vários meses para que eu pudesse ter relações normalmente.” Mas, até então, ela não conseguia culpar seu médico pelo o que aconteceu. “Uma parte de mim continua não querendo acreditar que foi violência, mas que ele fez isso porque aprendeu assim.”
‘Se ela se sentiu violentada, cara, paciência.’
Foi só no final de uma nova gravidez, cinco anos depois, que Assunção se deu conta de que havia sofrido violência. Na Maternidade Perinatal de Laranjeiras, zona sul do Rio, ela passou por outra episiotomia. Dessa vez, afirma ter deixado bem claro: não autorizava o corte. “Eu achava que ele agia por hábito, mas que, se eu dissesse que não queria, ele ia respeitar. Obviamente, não foi o que aconteceu.”

Na costura, ainda ouviu o médico Silvio Alex perguntar ao seu marido: “Você quer tamanho P, M ou G?” Exausta e com o recém-nascido nos braços, ela só conseguiu responder: “Eu quero G”. O médico caiu na gargalhada.



Questionado por telefone sobre o que aconteceu, em um primeiro momento Silvio Alex aceitou comentar o caso. Minutos depois, ligou dizendo que não gostaria que sua fala fosse publicada, pois a entrevista teria sido apenas “uma conversa entre nós” para “enriquecer meu entendimento”. Então, pediu que eu enviasse por escrito minhas anotações da ligação – foi o que fiz. Entre elas, constavam as declarações: “Se ela se sentiu violentada, cara, paciência, eu não tenho o intuito de violentar ninguém”; “Com uma paciente, que não sabe discernir risco, acho que não cabe ser perguntada”; e “No que eu entendo de medicina, não acho coerente fazer um parto sem episio”.

Na resposta, ele não negou os comentários registrados no e-mail que enviei. O médico escreveu que “em 30 anos de profissão” nunca deixou de “proceder com o que se fazia necessário à preservação da saúde física das pacientes”. Depois, disse ter se sentido em um “programa sensacionalista desprovido de qualquer comprometimento com a verdade” durante nossa ligação. E, por isso, afirmou que se reservaria “o direito de responder somente a quem – minimamente – disponha o condão [capacidade] de entender suas declarações sob o prisma técnico na área de saúde”, o que ele “não crê que seja meu caso”.

Dias depois, ligamos de novo para Alex para que ele pudesse comentar as acusações da paciente e seus comentários na nossa primeira conversa. O médico se negou a falar mais uma vez.

A ideia de processar Alex passou pela cabeça de Assunção. Ela chegou até a consultar um advogado, mas desistiu. “Eu indicava o doutor Silvio para todo mundo. Fiquei preocupada de denunciar e prejudicar conhecidas que ainda se consultam com ele.”

Seja por apreensões parecidas, por não terem provas ou por não saberem que têm esse direito, essa é a decisão de muitas mulheres. Depois dos partos traumáticos, Assunção se formou doula – assistente que acompanha as mulheres durante a gravidez, o parto e os primeiros meses do bebê. Nos dois anos em que atua como voluntária, nunca viu ninguém denunciar esses casos.

A advogada Priscila Cavalcanti também não conhece processos ligados ao ponto do marido. “A questão é ter prova de que o médico falou disso”, explicou Cavalcanti. “Em geral, esse relato faz parte de uma violência mais ampla e tentamos pegar pelo que já sabemos que dá ganho de causa, como impedirem a mulher de ter um acompanhante na sala de parto.”

Se os médicos dizem que apertar esse ponto é uma forma de aumentar o prazer, é certamente do prazer dos homens que eles estão falando, nunca o das mulheres.

*Nome trocado a pedido da mulher, para preservar sua identidade.

Bruna de Lara
No The Intercept
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Tá no Diário Oficial: Portas abertas para caça às bruxas

Lula e outros envolvidos na Lava Jato poderão ter cassadas honrarias concedidas pelo governo brasileiro.

Parece bobagem, mas simbolicamente tem relevância. A Ordem do Mérito da Defesa é a maior honraria oferecida pelo Ministério da Defesa brasileiro. Novas regras tornam mais fácil a exclusão de agraciados com a Ordem do Mérito da Defesa, uma das maiores honrarias do governo brasileiro. Por exemplo, o ex-presidente Lula. O Conselho da Ordem ganhou uma nova competência: “coordenar o processo de exclusão do agraciado". Como condecorado com a medalha Grã-Cruz, a mais nobre, mas condenado pela Justiça, ele se encaixa em uma das hipóteses previstas para que o Conselho proponha sua exclusão ao presidente da República.

O conselho é composto por quatro pessoas: o ministro da Defesa, o ministro das Relações Exteriores, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e o secretário-geral do Ministério da Defesa. Até 2014, eram nove membros. Decisões por exclusão passam de forma mais fácil agora.

Outra margem para exclusões é que agora foi incluído no regulamento da Ordem a regra de que, para que seja admitida no Quadro da Ordem, a pessoa precisa "possuir idoneidade moral, conduta pessoal ilibada e elevado conceito na classe e na comunidade a que pertencer". Antes essa exigência não existia. Pode ser uma brecha para excluir da ordem aqueles que não atendam mais a esses critérios. Estão lá, entre outros, os agraciados Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, José Dirceu, Sérgio Cabral e Aécio Neves.

Fica aberta margem para concessão da Ordem do Mérito na categoria de Comendador, de Oficial ou de Cavaleiro (as mais humildes, digamos) para qualquer "personalidade de hierarquia equivalente" a um monte de títulos. Basicamente, quem for conveniente.

Um vitória dos militares puristas, como o nosso presidente, que quer aproveitar a onda para dar mais uma fustigada, ainda que simbólica, no PT e em outros corruptos de larga fama.

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O inimigo público nº 1

Por que motivo esse homem de 73 anos causa tanto medo? Impedir que Lula apareça, impedir que Lula fale, tentar impedir que Lula seja lembrado – é a obsessão dos donos do poder no Brasil.


Lula foi condenado em mais um dos processos montados contra ele, o do sítio de Atibaia. Não há nada aqui que fuja do script; tanto quanto no caso do apartamento do Guarujá, o veredito já estava determinado de antemão. A sentença da juíza Gabriela Hardt passa à história ao lado da anterior, de seu mentor Sérgio Moro, como um monumento do desprezo ao direito e da impudência que grassa no Judiciário brasileiro. Não é indicado ato de ofício que justifique a condenação, que aliás se dá por motivo diverso do apresentado na acusação, e volta o argumento bizarro de que a ausência de evidências é indício de crime. O toque pessoal de Hardt foi apresentar, entre seus argumentos, a coincidência substantiva nos depoimentos de duas testemunhas-chave do caso, José Adelmário e Léo Pinheiro. Seu trabalho foi tão bem feito, tão atento, que ela não percebeu que são a mesma pessoa: Léo é o apelido de José Adelmário.

Tamanha lambança vai causar alguma comoção nas instâncias superiores? Certamente não. O TRF-4 já mostrou a quem serve ao garantir, a jato – a Lava Jato? –, a inelegibilidade de Lula. E o STF, presidido pelo pigmeu moral Dias Toffoli, é bem mais sensível aos sussurros, cada vez menos discretos, dos generais do que aos gemidos da Constituição agredida.

Dias antes da nova condenação, Lula foi impedido de assistir ao funeral de seu irmão Vavá, em um dos episódios mais consternadores da perseguição judicial contra ele. Foi-lhe negado um direito claramente consignado na lei, com base em justificativas bisonhas. Ao final, Dias Toffoli, sempre ele, acrescentou a cereja do bolo com a vexatória autorização para o comparecimento ao enterro, dada minutos antes do corpo descer ao túmulo e sob condições draconianas: o morto deveria ser transportado para alguma Guantánamo tupiniquim, celulares seriam proibidos, só os familiares mais próximos seriam admitidos e, o mais importante, Lula não poderia fazer nenhuma declaração pública. Sob a alegação, claro, de proteger sua segurança.

Por que motivo esse homem de 73 anos causa tanto medo? Impedir que Lula apareça, impedir que Lula fale, tentar impedir que Lula seja lembrado – é a obsessão dos donos do poder no Brasil.

O legado do lulismo ainda é objeto de discussão na esquerda – e certamente assim continuará, por longo tempo. Para muitos, o ex-presidente é um exemplo da virtù maquiaveliana, navegando em circunstâncias muito adversas e, assim mesmo, conseguindo promover políticas de inclusão social que mudaram a vida de milhões de brasileiros. Para outros, ao optar por um programa de infinita timidez e autocontenção, abandonando a perspectiva classista e também os esforços para mudar a correlação de forças no país, ele trocou um horizonte de transformações profundas por mudanças pontuais e carentes de solidez. O golpe de 2016 e a opção da classe dominante pelo bolsonarismo parecem ter liquidado qualquer esperança de ressurreição do projeto lulista.

Pouco importa. Com seus equívocos e com seus acertos, com suas ambiguidades e suas vacilações, Lula, por um lado, representa a possibilidade de um Estado que olhe para os mais pobres e, por outro, é a imagem de um povo brasileiro que rompe seu complexo de inferioridade e passa a ter orgulho de si mesmo. Para além de todo o espírito de conciliação, acomodação e moderação, esses dois elementos de alto potencial subversivo estão sempre presentes. É por isso que, para os que mandam no Brasil, Lula é o inimigo público nº 1.

Luis Felipe Miguel assina o prefácio do livro A verdade vencerá: o povo sabe por que me condenam, de Luis Inácio Lula da Silva, obra em que o ex-presidente conta sua versão da história, diante de uma perseguição política sem precedentes na era democrática. Para aprofundar a reflexão sobre o sentido da democracia e sua relação com os padrões de dominação presentes na sociedade, recomendamos também a leitura de Dominação e resistência: desafios para uma política emancipatória, de Luis Felipe Miguel.
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Bolsonaro e o faz de conta que governa: na situação em que está, como político não fala, não ouve, não vê

Ele no hospital
O que aconteceria em uma empresa cujo CEO estivesse internado há mais dez dias, sem previsão de alta e impedido pelos médicos de conversar com os seus executivos mais próximos?

A empresa delegaria as funções desse CEO para outros executivos, para que a empresa continuasse funcionando sem grandes prejuízos.

Foi isso o que aconteceu, por exemplo, com o Carrefour quando seu presidente mundial, Georges Plassat, esteve internado, em 2015.

Ainda assim, as ações da companhia caíram por conta das incertezas que uma internação provoca. No caso da administração de um país, muito mais complexa, as incertezas também precisam ser minimizadas, o que ocorreria com a transmissão da presidência para o vice, enquanto o titular se recupera.

Então, por que isso não é feito?

Há indicações de que a ala bolsonarista do governo que acabou de assumir não confia no vice-presidente.

Por isso, incentiva o jogo de cena.

O Brasil está virtualmente sem presidente, já que Jair Bolsonaro, por recomendação dos médicos, deve falar pouco ou não falar, razão pela qual os ministros não vão até o Albert Einstein, em São Paulo.

Se falasse normalmente, Bolsonaro já não teria gravado um depoimento em vídeo para seus seguidores? Sempre fez assim.

Nesse situação de incerteza, se faz de conta que governa, com um “gabinete” improvisado no hospital.

E de lá (do hospital, não do gabinete) veio notícia de que ele está com pneumonia e agora não há mais previsão de alta.

Procedimento para retirada de bolsa de colostomia não exige, em geral, tanto tempo de internação. Sei de um caso em que o paciente passou apenas três dias no hospital.

Por que, com Bolsonaro, está sendo mais complicado, embora os médicos do Einstein digam que não há complicação?

Um experiente policial com quem conversei, antes da internação de Bolsonaro, me disse que o problema de Bolsonaro não era a bolsa de colostomia, mas a facada.

“Meu pai também era policial e levou tiro na região do abdômen, mais ou menos no local onde Bolsonaro levou a facada. Ele nunca mais se recuperou e, alguns anos depois, morreu”, disse.

Esse policial com quem conversei trabalhou muito tempo no Departamento de Homicídios de São Paulo, e investigou outros casos de facada — que resultaram em homicídio.

“É uma maneira muito cruel de se tentar matar alguém e, quando não mata, deixa sequelas graves”, afirmou.

Bolsonaro esconde a fragilidade de seu estado de saúde com mensagens no Twitter que não correspondem aos fatos.

Por exemplo, ontem, depois que os médicos revelaram a pneumonia, ele escreveu, num texto de apresentação do vídeo com o boletim lido por seu porta-voz:

“Nosso estado de saúde comentado pelo porta-voz da Presidência da República, General Rêgo Barros. Cuidado com o sensacionalismo. Estamos muito tranquilos, bem e seguimos firmes”, disse.

Ele pode estar firme e tranquilo, mas é natural que, com seu gabinete improvisado no Albert Einstein, a internação gere dúvidas e inquietações.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Gilmar e Toffoli querem evitar que Bretas julgue Aécio e família


Após perderem em 2018 a batalha pelo arquivamento do inquérito nº 4244, os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli articulam agora para mantê-lo no Supremo Tribunal Federal (STF).

O inquérito nº 4.244 investiga o envolvimento do ex-senador e atual deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Furnas Centrais Elétricas.

Ele foi instaurado em 2016 pelo ministro Gilmar para apurar revelações nesse sentido feitas em delações premiadas pelo doleiro Alberto Yousseff e o ex-senador Delcídio do Amaral.

Eles disseram que, por influência de Aécio, Dimas Fabiano Toledo foi mantido no comando de Furnas de 1997 a 2005 em troca do recebimento de propina oriunda de contratos celebrados pela estatal.

Eles disseram também que os recursos obtidos de propina seriam lavados por meio de pessoas jurídicas ligadas à irmã de Aécio, Andréa Neves Cunha, bem como pelo envio de remessas ilegais a contas no exterior, através de doleiros.

Em 2018, porém, o ministro Gilmar Mendes arquivou monocraticamente o inquérito contra Aécio sem, ao menos, ouvir, Procuradoria Geral da República (PGR).

A procuradora-geral Raquel Dodge havia lhe enviado os documentos recebidos de Liechtenstein, que comprovavam a existência lá de contas de Aécio, Dimas Toledo e familiares naquele paraíso fiscal.


Dodge recorreu da decisão. Inicialmente, a Gilmar Mendes, pedindo que revisse o arquivamento.

Depois, à 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), da qual fazem parte também, além de Gilmar e Toffoli, os ministros Celso de Mello, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Edson Fachin.

Em 20 de novembro de 2018, a 2ª Turma do STF decidiu pela reabertura do inquérito e prorrogou investigações por mais 60 dias para apurar o esquema montado em Furnas assim como a remessa irregular de valores para Liechtenstein.

Em 20 de janeiro deste ano, a doutora Raquel Dodge protocolou no STF pedido para concessão de prorrogação de prazo por mais 60 dias para concluir as investigações.

Alegou que, além de precisar analisar o material enviado pelo Principado de Liechtenstein, fará um novo pedido para que sejam enviadas outras informações bancárias, “faltantes e necessárias para o completo esclarecimento dos fatos sob investigação”.

Dodge informou também:
“Ainda restam informações pendentes que somente poderão ser obtidas com a complementação da cooperação internacional ativa já em curso, o que justifica a continuidade das investigações, seja sob supervisão do Supremo Tribunal Federal, ou do juízo da primeira instância”.
O “ou do juízo da primeira instância”, dito por Dodge, assustou a defesa devido à decisão do STF sobre perda de fórum especial para crimes praticados por parlamentares fora do exercício de seus mandatos, mas principalmente por causa dos familiares de Aécio e Dimas

Devido ao fato de Furnas ter sede no Rio de Janeiro (onde tramitaram todas as investigações sobre a estatal) e a Operação Nobert, da Polícia Federal ter ocorrido na mesma cidade (deu origem ao inquérito que investigou as contas em Liechtenstein), o processo, se sair do STF, irá para a 2ª Região da Justiça Federal, no Rio de Janeiro.

Mais precisamente para o juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do RJ.

Legalmente, é quem tem competência para julgar casos envolvendo crimes contra o sistema financeiro, lavagem ou ocultação de bens.

Marco Aurélio Carone, do NovoJornal
No Viomundo
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Lula, um líder político sequestrado pela Lava Jato


Lula não é apenas um preso político. Lula é um líder político sequestrado; é um refém de transcendental importância para a continuidade e o aprofundamento do regime de exceção.

Lula foi caçado e sequestrado por Sérgio Moro e Deltan Dallagnol e trancafiado no cativeiro da Lava Jato para não estorvar a implantação do projeto de poder da extrema-direita no Brasil.

A farsa jurídica ampliada no tribunal de exceção da Lava Jato [TRF4] em 24/1/2018 ficou conhecida como uma das maiores atrocidades jurídicas contemporâneas.

O arbítrio contra Lula é equiparável ao processo farsesco que condenou ilegalmente o oficial judeu do exército francês Alfred Dreyfus no final do século 19. Aquela injustiça fundamentou a obra As origens do totalitarismo, de Hannah Arendt, assim como os trabalhos da pensadora alemã sobre antissemitismo e nazismo.

Dreyfus inspirou também o manifesto “Eu acuso”, a carta-denúncia ao presidente da França publicada no jornal Aurora em janeiro de 1898, na qual Émile Zola pedia a anulação da condenação ilegal de Dreyfus e uma investigação justa e limpa.

Uma vez depositado no cativeiro da Lava Jato, Lula foi vendo progressivamente destituídos seus direitos civis, políticos e, inclusive, os direitos que, como ser humano, ele é portador.

Lula teve surrupiado o direito de votar. Para evitar sua eleição tida como certa para presidente do Brasil, o regime de exceção afrontou a ordem do Comitê de DH da ONU e surrupiou-lhe, também, o direito de ser escolhido pela maioria do povo brasileiro em outubro de 2018.

Cassaram a voz do Lula, a liberdade de expressão e de livre manifestação para não deixarem ele se comunicar com o povo e tampouco conceder entrevista à imprensa.

A inumanidade da Lava Jato não tem limites. Além de proibir visitas de religiosos e decidir quais defensores podem assisti-lo, o juízo de exceção impediu Lula de sepultar o irmão Vavá. Uma crueldade bárbara e castigo inumano que nem a ditadura foi capaz de impor a ele.

Em 1980, Lula teve permissão para sair do cárcere político para velar e sepultar a mãe, a Dona Lindu. Esta restrição cruel imposta ao Lula não é imposta à população carcerária do país. Em 2018, dezenas de milhares de apenados do sistema penitenciário tiveram autorização de saída em situações de óbito ou de doença grave de familiar.

A nova condenação farsesca proferida neste 6 de fevereiro pela juíza substituta do Moro seguiu o roteiro fascista da perseguição penal que levou à primeira condenação do Lula e ao encarceramento ilegal dele em 7 de abril de 2018.

No afã de condenar Lula para garantir sua celebrização na galeria de bestas-feras antes de passar a titularidade da 13ª Vara Federal ao juiz que assumirá o posto nos próximos dias, a jovem juíza Gabriela Hardt cometeu erros grosseiros, como [1] condenar Lula por corrupção passiva sem que ele exercesse cargo público na época dos fatos; [2] tratar Léo Pinheiro e José Aldemário como se fossem 2 pessoas diferentes, quando na realidade as 2 designações se referem à mesma e única pessoa, o empresário, criminoso confesso e delator José Aldemário Pinheiro Filho; e [3] condenar Lula por corrupção na PETROBRÁS num caso que não tem nenhuma conexão com os desvios na estatal.

Lula está sendo processado em pelo menos outros 6 processos fraudulentos montados pelos perseguidores da Lava Jato. Cada processo é escandalosamente mais fraudulento que o outro. Um deles, por exemplo, é relativo ao programa tecnológico dos caças Gripen, implementado depois do seu mandato.

A Lava Jato tem medo do Lula. Eles sabem que em liberdade, Lula exerce extraordinário poder político e simbólico que pode desestabilizar o pacto de dominação oligárquica e o regime de exceção. Por isso precisam manter Lula incomunicável e isolado no cativeiro.

Esta segunda condenação confirma o padrão do arbítrio judicial contra Lula e mostra a clara tendência de novas condenações ilegais nos demais processos, para empilhar décadas de condenação que significarão a prisão perpétua do Lula.

O ódio da classe dominante contra Lula alcançou o ápice. A burguesia já não esconde seu desejo de ver Lula terminar seus dias no cativeiro.

A candidatura do Lula ao Nobel da Paz, em vista desta realidade dramática, adquire especial relevância.

É preciso fazer da defesa do Nobel ao Lula a plataforma duma campanha mundial de denúncia da sua condição de líder político sequestrado e mantido no cativeiro da Lava Jato, onde a cada dia vê seus direitos civis, políticos e direitos humanos destruídos.

Jeferson Miola
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“Quero a esquerda unida, capaz de enfrentar fascistas, milicianos e burros que estão no poder”, diz Jean Wyllys

Em entrevista exclusiva à Fórum, Wyllys falou sobre os motivos de deixar a vida parlamentar: "Eu não posso brincar com a minha vida, porque é a única que eu tenho. E todos sabemos o que aconteceu à Marielle. Também sabemos o que essa família pensa sobre mim”


O Brasil foi surpreendido no dia 24 de janeiro, com o anúncio de que o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) havia renunciado ao seu terceiro mandato. Além disso, o parlamentar decidiu deixar o país, em consequência de ameaças de morte sofridas por ele e seus familiares.

Em entrevista exclusiva à Fórum, Wyllys deixa claro que o fato não vai impedi-lo de continuar lutando pelas causas que sempre defendeu.

“Essa nova vida à qual fui obrigado pelas ameaças não vai me retirar do front. Vou continuar fazendo política no sentido mais amplo. Desde outro lugar, mesmo sem cargo público, vou continuar denunciando as atrocidades desse governo e defendendo como sempre as liberdades individuais, a justiça social e os direitos humanos. Apenas ampliei a trincheira, para a qual voltarei quando estiver inteiro de novo. E também espero poder voltar um dia ao Brasil, quando esse pesadelo acabar”, relata.

Esquerda unida

Apesar de estar fora do Brasil, Wyllys tem acompanhado com atenção o que acontece com a política nacional, como as eleições na Câmara Federal e no Senado, os primeiros passos do governo Bolsonaro e o papel da esquerda nesse momento crucial do país.

Durante a escolha do presidente da Câmara, por exemplo, o campo progressista se dividiu. Enquanto PT e Rede apoiaram a candidatura de Marcelo Freixo (PSOL), o PSB lançou candidato próprio (João Henrique Caldas, o JHC) e o PCdoB e o PDT fecharam com Rodrigo Maia (DEM), que acabou vencendo.

Jean Wyllys é contundente em sua análise, como de costume: “Eu não vou somar a minha voz a essa troca de acusações e recriminações entre diferentes setores da esquerda e entre pessoas que eu respeito e de quem eu gosto”, revela.

“O Brasil passa por uma situação gravíssima, com um governo fascista eleito pelo voto popular, graças à prisão política do Lula. Esse governo chega com uma agenda que tem como eixo fundamental (não é cortina de fumaça, mas a narrativa que lhe permitiu construir hegemonia na sociedade) a negação do direito à existência de diversas minorias, o discurso de ódio, a legalização do preconceito e da discriminação, a perseguição política, o macarthismo mais descarado, a repressão violenta, a desconstrução do sistema de proteção dos direitos humanos e um profundo retrocesso em direitos econômicos e sociais”, acrescenta.

A consequência direta disso, segundo o agora ex-deputado do PSOL, é o iminente risco às liberdades democráticas, aos direitos civis, à liberdade de imprensa, aos direitos sociais.

“Nesse contexto, as brigas internas da esquerda, que sempre foram péssimas, são imperdoáveis. Então, não contem comigo para atacar ninguém. Eu quero uma esquerda unida que seja capaz de enfrentar os fascistas, milicianos e burros que estão no poder e defender as populações mais vulneráveis de qualquer perda de direitos. Quero uma esquerda que, unida, seja capaz de articular lutas democráticas, inclusive, com setores ideológicos mais amplos. Para isso, sim, contem comigo”.

Calamidade

Questionado sobre que balanço faz, depois de tudo que viveu nos últimos anos e ainda está vivendo, com todas as ameaças e retrocessos contra ele e o Brasil, Wyllys volta suas baterias novamente para Bolsonaro e sua equipe.

“Esse governo vai ser uma calamidade, já está sendo. A seleção dos ministros foi algo inacreditável, são pessoas absolutamente incapazes, muitos deles não conseguiriam jamais um bom emprego no setor privado e nem conseguiriam passar num concurso público ou até mesmo na prova do ENEM. Eles chegam ao poder, sem qualquer experiência na administração pública, carregados de ódio, preconceitos e macarthismo. Não entendem a diferença entre a Bíblia e a Constituição Federal, desprezam os direitos humanos, não têm a menor sensibilidade para as questões sociais, são ignorantes, toscos”, analisa.

O ex-parlamentar, portanto, reconhece os tempos difíceis, mas não perde a esperança. “O Brasil vai atravessar um período muito ruim, mas eu espero que haja muita resistência e que a gente consiga recuperar nosso país, para que volte a ser essa terra de esperança e otimismo que já foi nos seus anos melhores”.

Marketing?

Jean Wyllys não se furtou a comentar as acusações que vem recebendo, depois de decidir renunciar ao mandato e deixar o Brasil, de que as ameaças de morte sofridas por ele e sua família não passam de um golpe de marketing?

“Quer dizer que eu saí da minha terra, me afastei da minha família e dos meus amigos, renunciei a um mandato de deputado federal e a quatro anos de salário, deixei meu apartamento, vendi meus móveis, perdi acesso aos meus livros e fiquei desempregado como parte de uma jogada de marketing?”, questiona.

Ele encontra uma explicação para as acusações. “Será que alguém falaria isso, nas mesmas circunstâncias, se eu não fosse homossexual? Olha, a resposta é simples. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, depois de analisar as provas das ameaças recebidas e da brutal campanha de destruição de reputação a que eu fui submetido por essa quadrilha de fascistas, concluiu que minha vida estava em risco e solicitou ao Estado brasileiro proteção para mim e para minha família. Mas nada foi feito”, diz.

Jean Wyllys relembra, ainda, os riscos que correu e justifica sua decisão de deixar o país: “Eu não posso brincar com a minha vida, porque é a única que eu tenho. E todos sabemos o que aconteceu a Marielle, sabemos quem está sendo investigado por esse crime (e no gabinete do filho de quem a esposa e a filha dele estavam lotadas como assessoras). Também sabemos o que essa família pensa sobre mim”, completa.

Lucas Vasques
No Fórum
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A era da máfia está começando no Brasil?


A ascensão da “nova direita” no mundo, com ideias conservadoras (no sentido mais obscuro que se possa pensar), tem sido uma espécie de “Ragnarok” da moral e da ética. Observamos o surgimento de figuras públicas que chegaram ao poder, com discursos cada vez mais violentos e extremos (no pior sentido da palavra), como é o caso de Donald Trump, nos Estados Unidos.

Ocorre que essa virada conservadora tem revelado uma ligação profunda com o crime organizado, basta ver que o presidente estadunidense foi acusado de envolvimento com lavagem internacional de dinheiro, entre outras ações que o colocam sob a ameaça de um impeachment. Fonte aqui

Corrupção é

O sobrenome Bolsonaro parece estar no centro de um escândalo sem precedentes na história brasileira. O governo de Jair Bolsonaro já mostra sinais de desgaste com pouco mais de um mês no poder, e tudo graças ao escândalo originado pelo relatório do COAF (Conselho de Atividades Financeiras). A “Folha” publicou, ainda em dezembro de 2018, a reportagem sobre o relatório do órgão.

Ver mais aqui https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/12/coaf-aponta-movimentacao-atipica-de-ex-assessor-de-flavio-bolsonaro.shtml e o jornal espanhol “El país” recentemente foi mais direto. https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/19/politica/1547855965_283326.html.

A pressão de parte da velha mídia convencional, capitaneada pela “Folha de S. Paulo” e pelo “Grupo Globo”, alijados de vultosas verbas publicitárias, tem provocado rachaduras na imagem de “caçadores de corruptos”, aqui incluídos a família Bolsonaro e o ícone da nova direita, Sérgio Moro.

O Ministro da Justiça no Governo do principal beneficiário de sua atuação, quando era Juiz Federal em Curitiba, está cada vez mais desmoralizado pelo “queirozão”. Os fortes indícios de um lucrativo esquema de corrupção no gabinete de Flávio Bolsonaro e sua curiosa falta de posicionamento, que era regra contra o PT e Lula, estão desmanchando a fama de intolerante contra corrupção, construída com muito autoritarismo.

Milícias

Mas o relatório do COAF causou um estrago ainda maior: expôs o envolvimento de Queiroz com as milícias do Rio, bem como do próprio senador eleito Flávio Bolsonaro, já que empregava em seu gabinete a mãe e a companheira do suspeito de ser o principal líder do “escritório do crime”, Adriano da Nóbrega. Elas também teriam depositado dinheiro na conta de Queiroz. Além disso, Flávio Bolsonaro indicou Nóbrega para uma menção honrosa em 2004, mesma homenagem que prestou para outro suspeito de ser um dos líderes milicianos.

Flávio Bolsonaro, recém empossado senador, enquanto era deputado estadual no Rio,chegou a dizer, em sua conta no Twitter, que a juíza de direito Patrícia Acioli, morta por julgar e mandar para a prisão diversos policiais ligados a grupos de extermínio, era culpada por “colecionar inimigos”.

Flávio disse que Acioli tinha costume de “humilhar gratuitamente réus”. Para o deputado, a magistrada impunha aos acusados atitudes de humilhação, chamando-os de vagabundos, adjetivo que a família Bolsonaro usa com frequência para se referir a pretos e pobres, quando são presos.

O próprio presidente Jair Bolsonaro, em 2003, chegou a parabenizar a atuação dos grupos de extermínios (assassinatos cometidos pelas milícias), já que não há pena de morte no Brasil. O discurso pode ser visto abaixo:



O jornalista Glenn Greenwald, principal repórter do “The Intercept”, acaba de lançar um reportagem sobre o tema, detalhando o escândalo, mas tem sido alvo de bots pró-Bolsonaro, para evitar que o vídeo receba evidência no YouTube.

Máfia

Outras Nações já enfrentaram problemas semelhantes, através do envolvimento de agentes públicos com a corrupção e outros crimes ainda mais graves. Na Rússia, pós-dissolução da URSS, a máfia cooptou muitos membros da KGB e do exército e infiltrou seus membros em muitos países, para obter negócios extremamente lucrativos e sofisticados. Veja mais: https://super.abril.com.br/historia/czares-da-mafia/

Seremos os próximos a conviver com uma estrutura política tomada por assassinos de aluguel e pessoas da pior estirpe? Nossas instituições serão capazes de conter as milícias e impedir que se estabilizem no Planalto?

Queiroz é só a ponta do iceberg.

Fábio Dias Ribeiro é advogado atuante, especialista em Direitos Humanos e Cidadania, Mestre em Sociologia, graduando em filosofia e ativista social.
No Jornalistas Livres
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Texto do Ministério da Saúde prega eletrochoque e internação de criança em hospital psiquiátrico

Para presidente do Conselho Municipal de Saúde, as medidas que estão sendo tomadas pelo governo Bolsonaro em relação à saúde mental são "um retorno à Idade Média"

Bolsonaro e Luiz Henrique Mandetta (DEMo/MS)
Reportagem de Lígia Formenti, na edição desta sexta-feira (8) do jornal O Estado de S.Paulo, informa que um documento sobre as mudanças na Política de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde dá aval aos uso de eletrochoques e reforça a possibilidade da internação de crianças em hospitais psiquiátricos. O texto ainda prega a abstinência para o tratamento de dependentes de drogas.

Em entrevista ao jornal, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta disse não conhecer o documento. E ao ouvir os temas abordados, emendou: “Sem dúvida (as medidas) são polêmicas.”

Coordenador Geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, Quirino Cordeiro, que assina a nota técnica, defendeu o destaque dado ao tratamento. A ideia, de acordo com ele, é orientar gestores do SUS sobre a política de saúde mental, o que passa por abordar o uso da eletroconvulsoterapia – nome técnico do tratamento, já considerado obsoleto.

O Conselho Municipal de Saúde se disse surpreendido pela Nota Técnica, publicada pelo Ministério da Saúde, que incentiva o retorno dos manicômios e, ao mesmo tempo, libera a compra de aparelhos de eletroconvulsoterapia, os ultrapassados choques elétricos para tratar portadores de transtornos mentais.

“As pessoas com problemas mentais estão sendo cuidadas por suas famílias, reintegradas à comunidade. Isso é um retrocesso absurdo. Essas clínicas saqueavam o Estado com as internações. É preciso que a sociedade diga não a esse retorno à Idade Média”, declarou Edivaldo ao programa Antena Ligada desta quarta-feira (6), na Rádio Trabalhador.

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O Ninho do Urubu é o Brasil

O goleiro Christian Esmerio Candido, 15 anos, a 1ª vítima reconhecida
Há tragédias que capturam um tempo.

O incêndio do dirigível Hindenburg, em 1937, orgulho da Alemanha, foi uma derrota emblemática do nazismo.

Nós tivemos o fogo no edifício Joelma nos anos 70 e, mais recentemente, as catástrofes de Mariana e Brumadinho.

O Ninho do Urubu, no Rio de Janeiro, foi destruído nesta madrugada.

Nada mais brasileiro que o Flamengo e que o Rio, uma espécie de umbigo nacional, que já vinha penando sob chuvas torrenciais que, como sempre, devastaram gente pobre.

Os jovens atletas que estão entre os dez mortos tentavam estourar como seus ídolos.

Estavam num alojamento com telhado de zinco, precário e perigoso.

Como valiam pouco no mercado milionário do futebol, suas vidas não valiam nada.

O goleiro Christian Esmerio Candido, 15 anos, é a primeira vítima com identidade.

Um país abandonado, vítima do descaso do estado e da iniciativa privada, jogado às traças — e, o pior, sem esperança.

É difícil lembrar de uma época tão funesta da nossa história, com um presidente cujo grande talento é semear o ódio tendo sua intimidade devassada pelo filho no hospital onde se recupera.

Não há comando, não temos para onde olhar, para quem apelar. Onde buscar fé.

Não me refiro, obviamente, à fé de aluguel das damares, dos felicianos, dos magnos maltas, do lixo evangélico mercador, mas à capacidade de sonhar com um país menos canalha.

Viramos zumbis numa paródia de George Romero, uma distopia em que os flagelos se sucedem sem que possamos esboçar reação porque estamos com o espírito quebrado.

Pobres meninos. Pobres de nós. O que nos tornamos?

O Ninho do Urubu é o Brasil.

Kiko Nogueira
No DCM
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Vem aí a CPI da caixa preta do Judiciário

Filho do J B: quem vai impedir a prisão do Gilmar?


Do Painel da Fel-lha:

Ministros do Supremo e do STJ veem tentativa de intimidação em requerimento de CPI

Sob júri popular

A notícia de que o senador Alessandro Vieira (PPS-SE) conseguiu as assinaturas necessárias para pedir a abertura de uma CPI com foco nos tribunais superiores tirou do campo da bravata a reação de ministros do STF e do STJ à articulação. Togados de diferentes alas reagiram em uníssono com contrariedade ao que chamaram de tentativa de intimidação do Judiciário. A Associação dos Magistrados Brasileiros entrou em campo no Congresso para monitorar o movimento e mapear as adesões.

Mea-culpa

Integrantes da AMB enviaram relatos nesta quinta (7) a ministros do STJ e do STF sobre o ânimo no Senado com a possível instalação da CPI. Segundo disseram, há parlamentares dispostos a retirar assinaturas do pedido alegando que não checaram direito do que se tratava quando o apoiaram.

Entre nós

A avaliação de ministros do STF é que, sem apontar a apuração de um fato objetivo, a CPI é inconstitucional. A promessa de investigação sobre a duração de pedidos de vista, por exemplo, é considerada irregular, pois se trata de tema jurisdicional.

Pão e circo

A própria coleta das assinaturas foi lida pelos magistrados como uma afronta. Há especulações no Judiciário sobre quem poderia estar por trás do ato. Ministros se dividem. A maioria, porém, vê no requerimento uma tentativa de chamar a atenção e dar eco a críticas das redes sociais à atuação do STF.

Defesa e acusação

Aliados de Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, dizem que, “se ele tiver juízo, não leva o pedido de CPI à frente”. Avaliam que não é hora de embate com o Judiciário. Alessandro Vieira vai na direção oposta.

Defesa e acusação 2

“Há o número de assinaturas. O rito prevê encaminhamento para a leitura na próxima sessão, e, depois, instala-se a comissão”, diz Vieira. “O Brasil sabe que a discussão é necessária.” (...)

Em tempo: aqui o momento histórico em que filho do Bolsonaro anuncia a iminente prisão do Ministrário - PHA



Núcleo bolsonarista ataca Gilmar para fazer avançar pacote de Moro


A Receita Federal está trabalhando para identificar "focos de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência" de Gilmar Mendes e de sua mulher, Guiomar. Um dos principais articuladores do golpe contra a presidente Dilma Roussef em 2015-2016, Gilmar agora torna-se alvo do governo para o qual preparou o caminho.

A suspeita consta de um relatório de maio de 2018, que "aponta uma variação patrimonial de 696.396 reais do ministro e conclui que Guiomar 'possui indícios de lavagem de dinheiro'". A informação é da revista Veja.

A ação do governo é uma evidente preparação de ataque ao ministro do Supremo que sistematicamente tem divergido do ex-juiz de Curitiba, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro.

Em 2016, o ministro Gilmar Mendes bateu de frente com Moro num debate sobre as "dez medidas anticorrupção". Em muitas outras ocasiões, Gilmar Mendes tem sido um crítico de ilegalidades e ações arbitrárias do ex-juiz.
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Ciro, o coqueiro-anão, verga-se aos ventos e vira ‘minion’


A volta de Ciro Gomes à política que ele abandonou no período decisivo para o país causa tristeza e constrangimento.

O povo brasileiro, derrotado por uma avalanche de histeria criada pela mídia e pela justiça, ameaçado por um governante que a todos inspira medo do autoritarismo, da perseguição política, do obscurantismo das ideias, não merecia ver uma de suas referências políticas reduzir-se ao comportamento de garoto birrento e mimado.

Ciro pode ter todas as divergências do mundo com o PT. É legítimo. Mas o que está fazendo com declarações estúpidas e grosseiras – como gritar, histericamente, que “Lula está preso, babaca”.

Houve e há muita gente presa sem que isso represente vergonha. A história da humanidade está mais cheia de heróis presos, talvez, do que reverenciados pelo poder.

Ciro oscila entre a mesquinhez e a burrice. Mas sempre dentro da sua pequenez, como quem não consegue entender a política como um processo social, muito mais que pessoal.

Ou como a austeridade não se confunde com moralismo barato.

Convivi, por mais de 20 anos, com um homem de práticas austeras como jamais vi na política e que nunca desceu a este udenismo de ocasião.

Ciro diz que o admira mas não tem o sentido da história e, por isso, jamais consegue pensar em ponto grande.

Infelizmente, isso não é tudo o que se pode dizer de suas atitudes.

Bater nos indefesos e perseguidos é coisa de gente mesquinha e deformada.

Comemorar, mesmo que indiretamente, a prisão e a nova condenação de um homem de 73 anos, virtualmente atirado a terminar seus dias numa cela, ainda mais quando este homem foi seu parceiro, seu chefe e que era – ou ao menos pensava ser- seu amigo,  é algo que não merece palavra menor que sórdido.

Não à toa veio pretender liderar o PDT após a morte de Brizola, não antes.

Tal como Cristovam Buarque tentou fazer, para tornar-se, hoje, uma figura melancólica.

Nenhum dos dois estava disposto a resistir à Síndrome de Estocolmo e sestrosos, apaixonarem-se pelos que nos sequestram a mente.

Ciro Gomes é também um homem condenado ao limbo da microscopia. Jamais será aceito pela direita, avança a passos para ser desprezado pela esquerda.

Mas o que é fatal é mesmo sua capacidade adquirida de ser entre as palmeiras que se vergam ao vento dominante, um coqueiro-anão.

Fernando Brito
No Tijolaço




“Desempenho de Ciro foi igual nas 3 eleições que disputou. Não espere resultado diferente”, diz cientista político

O cientista político e autor de livros, Alberto Carlos Almeida, aproveitou a ocasião que Ciro Gomes criticou Lula e os eleitores petistas para tecer uma análise sobre ele. De sua conta no Facebook:

Esses dados são bem interessantes. Mostram que o desempenho de Ciro foi igual nas 3 eleições presidenciais que disputou, no BR, no CE e no NE. Consequentemente nas demais regiões também. Como é aquela frase? Não espere resultado diferente, se vc sempre agir da mesma forma. Babaca!

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Venezuela: pruebas del plan de golpe de Estado con participación de EE.UU. y Colombia

El ministro de Comunicaciones de Venezuela, Jorge Rodríguez, ofreció, este jueves 7 de febrero, una rueda de prensa en la que mostró pruebas del plan de intento de golpe de Estado que ejecuta la derecha contra el presidente constitucional Nicolás Maduro, con participación de los Gobiernos de Estados Unidos y Colombia.

El directivo reveló que gracias a una operación de inteligencia venezolana fue detenido el coronel retirado Oswaldo Valentín García Palomo, quien pretendía entrar al país para organizar un golpe de Estado militar.

Denunció que los Gobierno de Estados Unidos y Colombia soportaron las acciones golpistas, una en mayo de 2018 en el marco de las elecciones presidenciales; y otra en enero de 2019, que ya ha sido frustrada.

Rodríguez informó que Cargía Palomo coordinó desde Cúcuta el accionar y tiene numerosas entradas a Miami, pese a la petición de captura a Interpol realizada por el mandatario Maduro.

Tras su captura ha rendido numerosas declaraciones y en vista de la gravedad de sus confesiones, la fiscalía venezolana aprobó mostrar a los medios parte de sus confesiones.

García Palomo confiesa operación militar contra Venezuela

En un material audiovisual, que forma parte de la investigación de la autoridades venezolanas, García Palomo confesó las operaciones militares que pretendía llevar sobre Venezuela.

García Palomo en su testimonio reconoce que contactó en Colombia a un funcionario de la Central Intelligence Agency (CIA): "En Colombia me reuní con Parsifal de Sola y un policía nacional de ese país, quienes me dieron apoyo".

"Ellos hacen su trabajo de conexión, militares, amigos de ellos, lo que permite armar un grupo importante para realizar la operación militar (...) los dos objetivos principales eran la Carlota y el Palacio Presidencial", acotó.

Rodríguez, destacó que García Palomo fue capturado el 30 de enero. “Cuando lo capturamos encontramos todos los equipos, brazaletes, armamentos, identificaciones falsas, entre otras cosas; García Palomo confesó que tenían tres días para dar el golpe militar”, explicó.

Señaló que “toda la operación de penetración de García Palomo a Venezuela fue una operación que veníamos siguiendo desde los servicios de inteligencia del país”.

Informó que la operación necesitaba reunir de unidades militares suficientes, hecho que no se concretó, “pensaban tomar Fuerte Tiuna, La Carlota y el Palacio de Miraflores el domingo 27 de enero”, precisó.

“Ellos creían que habría un alzamiento militar”, agregó Rodríguez, entre ellos y especialmente Julio Borges, residenciado en Bogotá.

El también Ministro de Comunicación e Información reveló que García Palomo mantuvo contactos con un empresario hotelero, Parsifal De Sola y Borges, ambos implicados en el llamado Golpe Azul en 2015, en el que participarían algunos oficiales de la Aviación Militar Bolivariana.

“Queda establecida la relación de García Palomo y Parsifal de Sola en los intentos de golpes de Estado. El policía nacional de Colombia ya fue identificado, que es el enlace del terrorista con Juan Manuel Santos”, añadió.

Además, el exmilitar venezolano detenido confesó la participación de oficiales norteamericanos en la operación en la planificación del plan insurreccional para enero de este año.


No Isla Mía
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