3 de fev. de 2019

Bozo erra até na escolha do médico. Ou não!


O que é o médico coloproctologista ou proctologista?

O coloproctologista é um cirurgião especializado em tratamentos cirúrgicos e não cirúrgicos de doenças do intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus. Ele tem formação avançada em problemas do intestino, além de ter tido treinamento na especialidade da cirurgia geral. A Coloproctologia é a especialidade exercida pelo coloproctologista. É a parte da gastroenterologia direcionada aos estudos das doenças do intestino grosso e delgado, do reto e ânus. Antes conhecida como Proctologia, a especialidade médica passou a ser melhor referida pelo termo Coloproctologia por incluir também o estudo e abordagem terapêutica das doenças do intestino grosso e Delgado.

O que é o médico oncologista?

Cirurgião Oncologista Antônio Luiz Macedo no Hospital Albert Einstein, médico de Bolsonaro



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Por que Olavo de Carvalho está injuriado com os militares

Ele, "xatiado"
Na última semana, o mundinho bolsonarista entrou em polvorosa. Não bastassem episódios como o fiasco do “mito” em Davos, as patacoadas produzidas em doses cavalares por personagens como a impagável ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, e as vicissitudes do senador Flávio Bolsonaro, investigado pelo Coaf por movimentação ilegal de recursos e pelas estripulias de seu motorista Fabricio Queiroz, caiu como uma bomba a declaração de guerra do guru Olavo de Carvalho aos militares que integram o governo.

Os alvos preferidos das diatribes de Olavo foram os generais Hamilton Mourão, vice-presidente da República, e Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

O primeiro ataque tomou corpo num vídeo de 15 minutos no Youtube, no qual o ex-astrólogo se dizia escandalizado com a posição dos militares diante da decisão do deputado Jean Wyillys (Psol-RJ) de renunciar a seu mandato, atemorizado por ameaças contra sua vida. Sobre Wyllys, Mourão chegou a dizer que “ameaçar um deputado é um perigo para a democracia”.

“Você não tem vergonha, Heleno? Mourão, você não tem vergonha de puxar o saco desse Jean Wyllys e nada fazer em minha defesa?”, disparou Olavo, que garante também ter sido ameaçado inúmeras vezes nas redes sociais. Segundo ele, só no falecido Orkut, as ameaças alcançam centenas de milhares de páginas.

Também não faltaram imprecações contra o posicionamento dos generais em temas como a permissão de abertura de uma base militar dos Estados Unidos no país e a transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém.

A vovó Donalda do bolsonarismo ficou especialmente irritada com o encontro entre Mourão e o embaixador palestino Ibrahim Alzeben, na segunda-feira, 28. “ Enquanto os israelenses estavam socorrendo as vítimas da tragédia de Brumadinho, o Mourão estava trocando beijinhos com a delegação palestina, prometendo que a nossa embaixada não vai mudar para Jerusalém”, afirmou Olavo, de seu santuário de Richmond, no Estado americano da Virgínia.

Mas o que mais deve ter irritado Olavo foi a indiferença com que Mourão reagiu às suas críticas. “Quem se importa com as opiniões do Olavo?”, rebateu. Foi demais para o ego do guru bolsominion, que replicou, dizendo que o general deve seu posto no governo a ele.

“Você subiu à sua parcela de poder levado de carona por um movimento popular ao qual não deu a menor contribuição notável e que, segundo o próprio Bolsonaro reconhece, foi inspirado pelo Olavo”, afirmou usando a terceira pessoa, como se fosse o próprio Pelé. “Se você não sabe quem liga para a opinião do Olavo, você não sabe a quem deve o cargo que ocupa”.

Mesmo para o sanatório bolsonarista, convenhamos, o bate boca iniciado por Olavo de Carvalho parece um tanto despropositado e desproporcional ao tamanho das divergências, o que não deixa de ser intrigante.

Aparentemente, o real motivo da insatisfação de Olavo de Carvalho parece ter sido desvendado numa reportagem do jornalista Igor Gielow, publicada na edição deste domingo do jornal Folha de S. Paulo.

Com o título de “Militares do governo põem Itamaraty sob tutela”. De acordo com o texto “a ala militar do governo promoveu uma espécie de intervenção branca no Itamaraty, passando a tutelar os movimento do chanceler Ernesto Araújo sobre temas considerados sensíveis – crise na Venezuela à frente.”

Como, apesar da distância, até os cisnes do lago do centenário Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, estão carecas de saber, o chanceler Araújo, é uma invenção de Olavo, de quem foi aluno aplicado, e forma com o colombiano Ricardo “Canibal” Vélez, ministro da Educação, suas principais indicações no primeiro escalão do governo de Jair Bolsonaro. Tutelar Araújo, é colocar para escanteio o sensível Olavo.

Segundo a Folha, o desconforto dos militares com Araújo, um diplomata pouco experiente, que nunca comandou uma embaixada ou ocupou um posto de destaque no exterior, vem desde os primeiros dias do atual governo.

Eles teriam ficado particularmente preocupados com uma recomendação do chamado Grupo de Lima de suspender a cooperação com o regime de Nicolás Maduro, subscrita pelo atual chanceler, sem qualquer consulta às Forças Armadas.

Para a área de inteligência militar, trata-se de um erro crasso, já que é justamente a cooperação com seus colegas venezuelanos que mantém os brasileiros informados sobre o governo bolivariano.

Outro ponto de atrito, foi justamente a defesa que Araújo, juntamente com Bolsonaro, fez da instalação de uma base militar dos Estados Unidos, no país, uma heresia para os oficiais brasileiros.

Diante dessa proposta, houve até quem sugerisse a demissão de Araújo, o que seria desastroso para o novo governo. Em vez disso, optou-se pela intervenção branca. “Não há comunicado sensível do chanceler que não tenha o teor discutido com a área de defesa”, diz a reportagem.

Como resultado, Araújo que, segundo Mourão em entrevista à revista Época, “não disse a que veio”, baixou o seu perfil, parou de dizer bobagem e, em vez de defender uma intervenção militar na Venezuela, passou a trabalhar por uma saída honrosa para Maduro.

Ele também teve de baixar a bola em relação à disposição de macaquear os Estados Unidos e transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, insistentemente anunciada por Bolsonaro. Agora, no máximo Araújo, admirador incondicional do presidente americano Donald Trump, diz que o assunto “está em estudo”.

E, suprema humilhação, Araújo teve de assistir passivamente à iniciativas de Mourão, que já recebeu duas delegações de países árabes, às quais garantiu que a representação diplomática brasileira permanecerá onde está.

A reportagem finaliza mostrando o pouco apreço – na verdade, desdém – reservado pelos militares a Araújo, a começar pelo projeto, compartilhado com Bolsonaro, de “livrar o Itamaraty das amarras ideológicas.”

É alvo de chacota entre eles, por exemplo, o discurso destrambelhado de Araújo, na cerimônia de posse no Ministério das Relações Exterior, em que não faltaram citações em tupi-guarani. Idem para o artigo em que creditou a Deus a união entre Bolsonaro e Olavo, o anjo injuriado.

Miguel Enriquez
No DCM
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Dimenstein: Sabrina me escreveu ontem sobre medo de ser morta


“Estou sendo perseguida por este homem chamado Paulo Pavesi.

Uma guia que trabalha na Casa Dom Inácio de Loyola marcou vários dos matadores profissionais do João de Deus, pedindo para me localizarem’.

Sabrina Bittencourt, responsável pela denúncia de João Deus, me enviou essa mensagem ao meu WhatsApp horas antes de matar.


Paulo Pavesi respondeu:

Aos meus amigos.

Os apoiadores de Sabrina estão tentando fazer um ataquer virtual contra mim, alegando que ela se matou por minha causa.

Vamos lá!

1. Amanhã vou fazer um pedido à Policia Federal para investigue o local do suposto suicidio bem como a localização de Sabrina para seja apurada a forma como ela procedeu.

2. Conforme registrado em minhas lives, Sabrina afirmou em uma de suas denúncias que, CENTENAS DE MULHERES NEGRAS foram assassinadas por João de Deus sem apresentar qualquer prova. NENHUMA OSSADA das CENTENAS de mulheres assassinadas.Ela também denunciou no exterior que mais de 600 mulheres foram abusadas por João de Deus que também NÃO foram comprovadas.

3. Em resposta ao meu vídeo, Sabrina passou a me atacar publicamente usando o grupo Vìtimas Unidas, através de Maria do Carmo Santos e Vana Lopes.

4, Passei a investigar de onde estavam vindo os ataques, bem como quem eram essas senhoras e me deparei com algo muito maior. Vana Lopes não foi abusada por Roger Abdelmassih, e mentiu em depoimento cujos documentos eu tenho em mãos e que serão entregues ao MPF amanhã.

5, Bastaria a Sabrina que dissesse onde eram as fazendas com “escravas” ou que indicasse onde estavam as ossadas e o caso estaria resolvido. Como ela não pôde provar e sabia que não tinha outra saída, optou por suicídio.

6. Hoje a noite, vou fazer uma live trazendo mais detalhes sobre o caso Roger Abdelmassi e Vana Lopes.

Eu recebia relatos diários de Sabrina, com quem conversava por telefone recebendo dicas sobre suas investigações.

Ela me dizia estar sendo vítima de Fake News – e me mandou como exemplo essa cópia abaixo.


Chegou pelo meu WhatsApp, também ontem, essa texto dela:

Nota oficial para a imprensa sobre PRISÃO DE SANDRO TEIXEIRA, filho de João de Deus, por Sabrina Bittencourt, porta-voz do movimento COAME Contra o Abuso no Meio Espiritual em parceria e sintonia com o Grupo Vítimas Unidas: “Confirmo que Sandro Teixeira tem ameaçado nossas testemunhas, coagido, entrado na casa das pessoas, proíbe que falem comigo, Maria do Carmos Santos e Vana Lopes, do Grupo Vítimas Unidas. Estamos protegendo várias destas vítimas e testemunhas. Além de oferecer pedras preciosas, eles vêm reiteradamente oferecendo casas do programa Minha Casa Minha Vida em Itapaci-GO que foram “presenteadas” por políticos e facilitado para parentes, laranjas, funcionários e matadores da quadrilha de João de Deus. Nós, ativistas, já encaminhamos todos os relatos, evidências e provas deste escândalo, seja ao MP-GO, MP-SP e MPF, além de delegados civis de Goiás responsáveis pelo caso e solicitamos imediata investigação. A pergunta que fica é: “por que todos os delegados honestos estão sendo afastados do caso João de Deus? Como o Governador Caiado explica isso, já que veio a público dizer que João Teixeira de Faria é “como se fosse de sua família”? – peço o favor que publiquem na íntegra. Grata.

Gilberto Dimenstein
No Catraca Livre



Filho presta homenagem após Sabrina Bittencourt cometer suicídio


Gabriel afirmou ainda que a mãe o preparou ao longo do ano para uma possível morte precoce, já que ela vinha recebendo ameaças de morte e lutava contra um câncer.

“ELA SÓ SE TRANSFORMOU EM OUTRA MATÉRIA. NÓS SEGUIREMOS POR ELA. FOI ISSO QUE MINHA MÃE ME ENSINOU E NINGUÉM VAI PODER TIRAR DE MIM. NÃO PERMITAM QUE MANCHEM O NOME DELA. EU ESTAVA COM A MINHA MÃE QUANDO A MARIELLE [FRANCO] FOI ASSASSINADA. ELA ME DISSE: ‘FILHO, A PRÓXIMA SOU EU, MAS ESTAREMOS SEMPRE PRESENTES’. MINHA MÃE PASSOU O ANO TODO ME PREPARANDO MAS NUNCA ESTAMOS PREPARADOS MESMO. ELA FEZ MAIS DE 300 VÍDEOS COM TODAS AS INTRUÇÕES. DEIXOU TUDO COM PROVAS, ORGANIZADO, TEM UM PACOTE DE CARTAS. ELA NÃO QUERIA SER MORTA PELAS QUADRILHAS NEM PELO CÂNCER. MINHA MÃE LUTOU ATÉ O FINAL, ELA NÃO DESISTIU. ELA SÓ SE LIBERTOU DO INFERNO QUE ESTAVA VIVENDO. EU PRECISO SER FORTE PELOS MEUS IRMÃOS. EU SOU FILHO DE SABRINA BITTENCOURT E SOMOS IMPARÁVEIS!”, completou.



Felipe Neto sobre Sabrina Bittencourt

A maior ativista do Brasil, Sabrina Bittencourt me ligou ontem aos prantos por não aguentar mais a dor e a pressão das ameaças de assassinos que a perseguiam pelo mundo. Ela denunciou o esquema do João de Deus e o colocou na cadeia. Denunciou e acabou com Prem Baba. Passou 20 anos trabalhando para ajudar jovens e mulheres vítimas de abusos pelo mundo. Ontem, após uma de suas testemunhas protegidas ter o abrigo invadido em Londres por matadores de aluguel, Sabrina me ligou aos prantos, sem saber mais o que fazer. Ela só queria ajudar, mas o mal guiado por milicianos, políticos no poder nesse momento e líderes religiosos poderosos, conseguiu vencer.

Tentei o que pude, mas Sabrina não aguentava mais a luta. Ela mudava de país clandestinamente toda semana para fugir dos que a queriam morta. Há uma semana, um sujeito começou uma campanha para destruir a reputação de Sabrina, alegando que seria viciada em drogas e esquizofrênica e por isso nenhuma de suas denúncias deveria ser levada a sério. Seus filhos tinham que fugir constantemente de matadores. A invasão da casa de uma de suas protegidas, as ameaças constantes e a pressão de não ter mais vida além de fugir e denunciar fez com que ela me ligasse. E infelizmente não fui capaz de impedir.

Sabrina ontem tirou a própria vida. O que ela deixou não foi apenas um legado de uma luta contra líderes religiosos abusadores e chefes de quadrilhas de assassinatos, tráfico de crianças e sequestros. Ela tb deixou todas as pistas, testemunhas e cartas nas mãos da justiça. Eu não posso detalhar, não posso ter esses indivíduos atrás de mim, não sou forte como a Sabrina, mas peço, do fundo do coração, que vocês procurem saber quem foi Sabrina Bittencourt, quem ela botou atrás das grades e quem ela estava denunciando antes de morrer. São pessoas poderosas, que hoje estão no controle e que conseguiram silenciar a nossa heroína.

Minha dor está imensa. O sentimento de impotência e não ter conseguido salvar sua vida é indescritível. A única coisa que me consola é que Sabrina não morreu de verdade, porque o que ela fez em vida perdurará para sempre. Vá em paz, Sabrina, encontre aquilo que você nunca teve nesta Terra: tranquilidade. Você merece.


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Catarina bolsominion mata a namorada a marteladas e a esquarteja


Mais um.

Alexandre Backes, 33 anos, preso na semana passada por matar e esquartejar a namorada Neomar da Rosa, de 25, era cidadão de bem e bolsominion.

Confessou ter assassinado Neomar com golpes de martelo na cabeça e dividiu seu corpo em várias partes, espalhadas por diferentes cidades vizinhas a Ituporanga (SC), onde ambos moravam.

Diz o UOL:

Neomar e Alexandre se conheceram pelas redes sociais em 2018, enquanto ela vivia em Blumenau e ele em Ituporanga — cidades catarinenses separadas por cerca de 120 quilômetros. (…)

O que a família descobriu apenas após a morte de Neomar é que Alexandre tem duas passagens por violência doméstica — em uma delas, chegou a ameaçar a ex-companheira com um facão. 


Quando confessou o crime, na terça-feira (29), o réu disse que ele e a namorada foram juntos a uma festa, até que começaram a discutir e ele decidiu voltar para casa, deixando Neomar no local.

Ainda segundo sua versão, ela teria se envolvido com outro homem durante a festa e voltado para casa com ele — o que teria motivado o crime. (…)

Por meio da assessoria de imprensa da Polícia Civil de Santa Catarina, o delegado responsável pelo caso, Bruno Augusto Reis, disse que está fazendo buscas junto ao Corpo de Bombeiros para encontrar partes do corpo de Neomar que ainda não foram identificadas.

O IGP (Instituto Geral de Perícias) fez a reconstituição do crime na noite de segunda-feira (28) em frente à casa do casal, onde a vítima teria sido morta, e em todo o caminho que Alexandre disse ter percorrido para espalhar o corpo.

O réu confesso foi encaminhado para o Presídio Regional de Rio do Sul na terça-feira (29), onde deve permanecer até o julgamento. Backes foi indiciado por homicídio qualificado com os seguintes agravantes: feminicídio, impossibilidade de defesa da vítima e motivo torpe. 


Kiko Nogueira
No DCM
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Ricardo Salles, o morto-vivo de um governo sem pé nem cabeça

Ele
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, encerra a semana pós Brumadinho na condição de morto-vivo dos escombros da tragédia da Vale.

Deu tudo errado para ele nos últimos sete dias.

Primeiro, logo após a tragédia que matou até aqui mais de 110 pessoas e deixou centenas de desaparecidos, descontando o estrago ambiental, teve de negar, numa entrevista claudicante, sua intenção de flexibilizar o processo de licenças ambientais de empresas de mineração.

“Não há nem nunca houve projeto nesse sentido”, disse, sem que ninguém acreditasse.

Em seguida, viu o general Augusto Heleno, chefe do gabinete de Segurança Institucional da presidência da República, fazer a lição de casa que ele não foi capaz.

“Parece que há alguma coisa que está falhando nesse licenciamento”, afirmou o general, atropelando Salles.

“Flexibilizar licenciamento ambiental significa ter regras rígidas, que permitam que algumas obras que dependem de licenciamento ambiental saiam do papel e aconteçam. Não afrouxar”.

Daí pra frente o presidente do movimento Endireita Brasil literalmente desapareceu.

Agora, para coroar a semana perfeita, viu o Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo determinar a retomada de um inquérito civil em que é citado por ter favorecido empresas de mineração em 2016, ao acolher mudanças nos mapas de zoneamento do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Tietê.

Nesta época, Salles comandava a pasta do Meio Ambiente de São Paulo na gestão de Geraldo Alckmin.

Acabou demitido, mas ao contrário do que muitos imaginam não por ter usado as prerrogativas de secretário para beneficiar e gerar mais lucros para empresas privadas.

Foi dispensado pelo conjunto da obra, numa gestão considerada um desastre em todos os sentidos.

Salles na secretaria do Meio Ambiente fez o que Bolsonaro condena no PT: politizou e ideologizou o setor.

Foi permanentemente criticado por pesquisadores e por ambientalistas por tomar decisões sem levar em consideração aspectos técnico-científicos e por ter aparelhado a secretaria com contratações de políticos para chefias de unidades de conservação.

Além de ter alterado o zoneamento da várzea do Tietê, uma área de proteção ambiental, teve de lidar com um inquérito do MP por dar andamento a uma proposta de negociação do imóvel da sede do Instituto Geológico, na capital, contrariando parecer de sua própria Consultoria Jurídica que considerava a iniciativa “de risco inaceitável” para o estado.

Em outro inquérito, respondeu por ter realizado chamamento público, sem autorização legislativa, para a concessão ou venda de 34 áreas do Instituto Florestal.

Nenhuma dessas iniciativas, porém, teve tanta repercussão quanto a ordem para a retirada de um busto de Carlos Lamarca de seu pedestal, e também de um painel com fotos e informações, do centro de exposição temático do Parque Estadual Rio Turvo, na região do Vale do Ribeira.

Alegou, confundido Lamarca com Carlos Marighella, que o material exposto era proselitismo ao comunismo.

“O parque está plantando o comunismo no coração das crianças”, justificou.

Com uma folha corrida dessas, e movimentando-se politicamente como um elefante em loja de cristais, não tardou para virar um problema para Alckmin, que àquela altura organizava a sua candidatura à presidência.

Dispensado, vagou solitário por um período até ingressar no partido Novo e ser derrotado na tentativa de conquistar uma cadeira na câmara dos deputados no ano passado.

Até ressurgir das cinzas como indicado ao ministério do Meio Ambiente por Bolsonaro.

A melhor definição sobre ele é de alguém despreparado, sem compromisso público, e que vai com muita sede ao pote.

No governo, seu primeiro gesto foi suspender – depois voltou atrás – convênios com entidades não-governamentais.

Em seguida, falou em flexibilizar as licenças ambientais, sem imaginar que a lama da Vale iria cobrir-lhe até o pescoço de vergonha.

Salles é um morto-vivo que só não foi enterrado ainda pela incapacidade de Bolsonaro de lidar com os próprios erros.

José Cássio
No DCM
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Onyx saiu vitorioso da eleição no Senado, mas não significa que Bolsonaro terá vida fácil


A estratégia do ministro chefe da Casa Civil Onyx Lorenzoni deu certo. Depois de uma eleição conturbada, o Senado será presidido pelo membro do baixo clero, Davi Alcolumbre, do DEM. A vitória não significa que o time de Jair Bolsonaro terá vida fácil na Casa. Além de Davi poder atuar de maneira imprevisível, o senador Renan Calheiros (MDB) tende a usar sua força para retaliar o governo.
O jornalista Bernardo Mello Franco anotou em seu blog no jornal O Globo: "Ao retirar a candidatura, ele [Renan] deixou claro que pretende liderar uma oposição feroz ao Planalto. Sozinho, poderá causar mais estrago que os seis senadores do PT."
A mesma avaliação foi feita pelo jornal O Estado de S. Paulo, com o agravante de que Davi não tem a experiência de Renan para conduzir o Senado em sintonia com os interesses do governo Bolsonaro. Essa ideia, inclusive, abriu um racha entre Onyx e o ministro da Economia Paulo Guedes, que preferia Renan no comando da Casa.
"Até mesmo aliados do presidente Bolsonaro admitem, nos bastidores, que o empenho de Onyx em derrotar o experiente Renan terá impacto sobre votações de interesse do governo. Enquanto Renan tem interlocutores em todos os partidos, Alcolumbre – um representante do baixo clero – poderá ter problemas para negociar com a oposição. Além disso, ninguém duvida de que o senador alagoano dará o troco no Planalto."
Segundo Franco, Onyx seduziu Davi com "o Diário Oficial". "O governo ganhou, mas o dia seguinte no Senado ainda é de incerteza. Apesar dos elogios que recebeu ontem, Davi inspira desconfiança até entre seus eleitores. O novo presidente do Senado já foi grampeado pela Polícia Federal com um doleiro envolvido em múltiplos escândalos. Em conversas reservadas, colegas admitem o temor de que ele se revele um novo Severino Cavalcanti — o deputado que perdeu a presidência da Câmara porque extorquia o dono do bandejão."
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Empresa que espalhou fake news pró-Bolsonaro usou dados sigilosos da Câmara

AM4 ganhou a licitação nos tempos do Cunha...


De Lauro Jardim, no Globo Overseas (empresa que tem sede na Holanda para lavar dinheiro e subornar agentes da FIFA com objetivo de ter a exclusividade para transmitir os jogos da seleção):

Agência ligada aos disparos em massa de Bolsonaro teve acesso a dados sigilosos da Câmara

A AM4, a agência ligada aos disparos em massa de WhatsApp na campanha de Jair Bolsonaro, era também dona de um contrato com a Câmara em 2016. Foi uma licitação ganha nos tempos em que Eduardo Cunha era o seu presidente. Beleza.

O contrato, para fazer um diagnóstico do portal da Câmara, tinha uma cláusula curiosa. Concedia à AM4 — que participou do edital por meio de uma de suas controladas, a Ingresso Total — o direito de "tomar conhecimento de informações sigilosas ou de uso restrito da Câmara".

Um desses dados secretos era o cadastro de 2,5 milhões de pessoas que interagiam com o portal.

No CAf
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Ex-membro do Esquadrão da Morte é nomeado para integrar Governo Bolsonaro

Carlos Humberto Mannato, o Manato, durante campanha eleitoral no Espírito Santo
Secretário Especial para a Câmara dos Deputados, Carlos Humberto Mannato, fez parte do sinistro Esquadrão da Morte, a Scuderie Le Cocq


Saiu no Diário Oficial da União desta sexta (1º/2) a nomeação, assinada por Jair Bolsonaro e Onyx Lorenzoni, do ex-deputado federal capixaba Carlos Humberto Mannato, o Manato, que fez parte do sinistro Esquadrão da Morte, a Scuderie Le Cocq. Manato foi exercerá o cargo de Secretário Especial para a Câmara dos Deputados da Casa Civil da Presidência da República.

Só no Espírito Santo, Estado onde Manato desenvolve suas atividades, a Scuderie Le Cocq matou 1.500 pessoas, segundo o Ministério Público Federal. A organização assassina foi extinta pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio/ES) no final de 2005. Para a Justiça, a entidade abrigou e protegeu, por vários anos, pessoas acusadas de pistolagem, tráfico de drogas e roubos a bancos. A Le Cocq foi apontada, entre os anos 80 e parte de 2000, como o braço armado do crime organizado capixaba!

As investigações sobre o braço direito de Bolsonaro, Fabricio Queiroz, e suas ligações com suspeitos de assassinar a vereadora Marielle Franco, estão atualizando as informações sobre o envolvimento da Famiglia Bolsonaro com grupos de milicianos. Mas a Famiglia não se importa com isso e agora nomeia um ex-integrante da mais famosa quadrilha de policiais matadores.

Aqui, você pode ler o perfil de Carlos Humberto Mannato, o Manato, e o histórico da atuação da Scuderia Le Cocq no Espírito Santo, elaborado pelo Blog do Elimar Côrtes. Vale a pena ler e conhecer a “turma” perigosa com a qual Bolsonaro quer trabalhar.


Carlos Humberto Mannato, o Manato, já integrou os quadros da temida Scuderie Detetive Le Cocq. O registro de filiação de Manato na Scuderie Le Cocq é o de número 687. O candidato afirma ter sido filiado da Le Cocq por três anos.

A Scuderie Le Cocq teve sua extinção confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio/ES) no final de 2005.

Para a Justiça, a entidade abrigou e protegeu, por vários anos, pessoas acusadas de pistolagem, tráfico de drogas e roubos a bancos. A Scuderie Le Cocq foi apontada, entre os anos 80 e parte de 2000, como o braço armado do crime organizado capixaba.

Candidato a governador do Espírito Santo em 2000, Manato apresentou como suas principais propostas a redução da maioridade penal para 16 anos e a liberação do porte de armas para cidadãos comuns. Ele defendeu a revisão do Estatuto do Desarmamento.

Quando entrou para a Scuderie Le Cocq em 1992, Manato era médico do Hospital Evangélico. Manato teve três padrinhos para entrar na Scuderie Le Cocq: dois delegados de Polícia e um investigador. Todos já estão aposentados.

Manato entrou na vida política em 1994, quando se filiou ao PSDB. Depois, em 2001, ingressou no PDT. Iniciou sua vida no setor público assumindo a Secretaria Municipal de Serviços da Prefeitura Municipal de Serra, entre os anos de 2001-2002. Na eleição de 2002, foi eleito pela primeira vez a exercer um mandato na Câmara dos Deputados. Foi reeleito em 2006, 2010 e 2014.

Carlos Manato desistiu do legislativo em 2018 para sair candidato ao governo do Espírito Santo, com o objetivo maior de dar palanque ao candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro.

Candidato diz em nota que foi convidado por policiais amigos e que pessoas de renome faziam parte da Scuderie Le Cocq

Em nota enviada ao Blog do Elimar Côrtes na tarde de sábado (08/09/2018), a Assessoria de Imprensa do candidato Manato confirmou que ele já integrou os quadros da Scuderie Le Cocq, mas que desconhecia o envolvimento da entidade e ou de associados com a prática de crimes.

“Em 1991, Carlos Manato, na época médico, concluiu o curso da Escola Superior de Guerra (ESG), vindo a integrar a Associação dos Diplomados na Escola Superior de Guerra (ADESG). Durante o curso, alguns amigos policiais o convidaram para também fazer parte da Le Cocq, que, segundo eles, seguia as mesmas linhas da ESG. Manato participou de algumas reuniões e não se identificou com os temas, achou que era bem mais restrito ao meio militar e não voltou às reuniões. A desfiliação só ocorreu cerca de três anos depois, pois encontrou certa dificuldade devido a mudança de endereço da sede da organização”.

Prossegue a nota: “É importante frisar que Manato não teve acesso, nem conhecimento de nenhuma prática criminosa que, por ventura, tenha sido imputada à organização enquanto participou das reuniões. É importante ressaltar também que, à época, pessoas de renome e conhecidos amigos faziam parte da Le Cocq o que dava credibilidade e uma aparente segurança para que Manato também participasse dessas poucas reuniões”.

Scuderie foi acusada de proteger assassinos, traficantes e assaltantes

A Scuderie Detetive Le Cocq, que era inscrita como Pessoa Jurídica na condição de entidade filantrópica, foi extinta depois de ser acusada pelo Ministério Público Federal de abrigar e proteger grupos de extermínio, traficantes e assaltantes.

Em dezembro de 2005, o desembargador federal Guilherme Calmon, do TRF-2, manteve a decisão do juiz Alexandre Miguel, da 12ª Vara Federal no Espírito Santo, que extinguiu a Scuderie Le Cocq. A decisão que extinguiu a Le Cocq proibiu também a utilização dos símbolos da entidade em bonés, camisas, chaveiros, adesivos e outros objetos.

Uma das vítimas de policiais militares ligados à Le Cocq foi o menino Jean Alves Cunha, 14 anos, assassinado com tiros na cabeça no Morro das Torres de TV, depois de ter sido sequestrado na avenida General Osório, no Centro de Vitória. Jean foi executado uma semana antes de representar o Espírito Santo no Encontro Nacional de Meninos e Meninas de Rua, em Brasília.

No Espírito Santo, entidade teria sido responsável por mais de 1.500 assassinatos, diz MPF

A Scuderie Le Cocq foi oficialmente fundada no Espírito Santo em 24 de outubro de 1984, pautada para “aperfeiçoar a moral e servir à coletividade”. Ao pedir à Justiça Federal a extinção da Scuderie Le Cocq, a Procuradoria Regional da República apontou que a entidade teria sido responsável por pelo menos 30 assassinatos de políticos capixabas cometidos em 18 anos e quase 1.500 homicídios anuais que transformaram o Espírito Santo no segundo Estado mais violento do Brasil, naqueles anos compreendidos entre 1990 e início de 2000, quando se deu início o processo de extinção.

A organização surgiu no Rio de Janeiro, em 1965, quando um grupo de policiais decidiu vingar a morte do detetive Milton Le Cocq. Cara de Cavalo, o bandido que matou Le Cocq, foi exterminado com mais de 100 tiros e seu corpo coberto com o cartaz de uma caveira.

Aliado de Manato, Magno Malta presidiu CPI que apontou os crimes da Le Cocq

Em 1998, o Congresso Nacional abriu a Comissão Parlamentar de Inquéritos (CPI) do Narcotráfico para apurar diversos crimes País afora, inclusive a atuação da Scuderie Detetive Le Cocq no Espírito Santo. A CPI Nacional do Narcotráfico teve como presidente o então deputado federal Magno Malta.

A CPI do Narcotráfico, presidida por Magno Malta, chegou a indiciar diversas autoridades capixabas por suposta ligação com a Le Cocq. Eram pessoas filiadas à Scuderie Le Cocq e acusadas de crimes que variavam da receptação de carros roubados à organização de assaltos a banco, passando por assassinatos e tráfico internacional de drogas.

Ao acolher pedido do Ministério Público Federal para extinguir a Scuderie Le Cocq, a Justiça Federal alegou também que a Scuderie Le Cocq “tem natureza paramilitar e persegue objetivos ilícitos em detrimento de órgãos e interesses da União”. Além disso, a Scuderie Le Cocq “intervém na apuração de crimes em que supostos associados estariam envolvidos, para assegurar-lhes impunidade”.

No Espírito Santo, entre a sua criação e até o início de 2002, a Scuderie Le Cocq chegou a ser formada por mais de mil associados, entre jornalistas, policiais civis, militares, advogados, delegados de Polícia, magistrados, coronéis, políticos, médicos, engenheiros, bicheiros, dentre outros.

Em maio de 2002, a Anistia Internacional divulgou um relatório em que o Espírito Santo era citado como um Estado em que os “defensores dos direitos humanos sofriam ameaças crescentes” e classificou a Scuderie Le Cocq como “uma estrutura paramilitar”, “com poderosos grupos econômicos e políticos no Estado, incluindo membros dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário”.

Há 25 anos, policial civil foi executado com tiro na nuca dentro da sede da Le Cocq: claro, crime está impune

Um dos casos mais emblemáticos envolvendo a Scuderie Le Cocq foi o assassinato do investigador de Polícia Derneval Gonçalves Pereira, o Russo. Ele foi executado com um tiro na nuca, em outubro de 1993, dentro de um dos banheiros da sede administrativa/social da Le Cocq, no bairro Bento Ferreira, em Vitória.

Russo foi assassinado como queima de arquivo, assim como ocorreu com todos os pistoleiros – policiais e integrantes da Le Coc – envolvidos no assassinato do então prefeito da Serra, José Maria Miguel Feu Rosa, e do seu motorista Itagildo Coelho de Souza; e também envolvidos no assassinato do advogado Carlos Batista de Freitas – que defendia justamente os acusados do duplo homicídio.

O prefeito e seu motorista foram assassinados por pistoleiros capixabas em 8 de junho de 1990, na cidade de Itabela, na Bahia, onde José Maria Miguel Feu Rosa tinha uma fazenda. Carlos Batista foi sequestrado e morto em janeiro de 1992. De acordo com investigações, Russo teria atraído Carlos Batista – de quem era amigo e paciente – para o local onde foi torturado e morto a tiros, na Serra.

A morte de Russo foi praticada durante uma reunião onde estavam presentes dezenas de associados – a maioria policiais – na sede da Scuderie Le Cocq. Uma delegada de Polícia Civil, também ‘lecoquiana’ e que estava na entidade na hora do crime, mandou retirar o corpo do policial Russo de dentro do banheiro e levar para a calçada.

A mesma delegada ainda mandou lavar o local (banheiro) e a área externa por onde o corpo de Russo foi arrastado, retirando, assim, o sangue e prejudicando o trabalho da Perícia Criminal.

Vinte e cinco anos se passaram e até hoje a Polícia Civil capixaba “não conseguiu descobrir” quem matou o policial Derneval Gonçalves Pereira, o Russo, dentro da Le Cocq.

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Flávio Bolsonaro premiou ‘guarnição do mal’ de miliciano

Apontado como chefe de milícia e outros sete policiais receberam homenagens em novembro de 2003, no mesmo dia de Fabrício Queiroz

Ítalo Ciba, então PM e hoje vereador do Rio,
presta depoimento em 2003 em uma delegacia
Foto: Marcelo Theobald/27-11-2003
Além do ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega — apontado pelo Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) como chefe da milícia do Rio das Pedras e do Escritório do Crime —, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) homenageou outros sete companheiros dele no 16º BPM (Olaria). Os integrantes do grupo, conhecido como “guarnição do mal” em comunidades da Zona Norte, receberam moções de louvor na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) no dia 4 de novembro de 2003.

Só mais um policial militar da ativa foi homenageado na ocasião: Fabrício Queiroz, que viria a ser assessor parlamentar de Flávio.

Após a homenagem, num período de cerca de um mês, Adriano e os mesmos colegas do Grupamento de Ações Táticas (GAT) se envolveram no sequestro, tortura e extorsão de três jovens da favela de Parada de Lucas, na Zona Norte. Até que, em 27 de novembro daquele ano, eles foram apontados como os executores do morador Leandro dos Santos Silva, de 24 anos.

Nas homenagens, o ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, foragido da Operação Intocáveis, do MP-RJ, e os colegas tiveram destacados a “dedicação, brilhantismo e galhardia” com que serviam à população. Nesse dia, o parlamentar deu a mesma honraria a Fabrício Queiroz, na época, policial do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais.

Mesmo diante da prisão dos policiais, dias depois das moções, Flávio Bolsonaro não sustou as homenagens. No dia 24 de outubro de 2005, os PMs foram condenados em primeira instância. Quatro dias depois, o presidente Jair Bolsonaro, então deputado federal, discursou na Câmara em defesa de Adriano — descrito como “um brilhante oficial”.

Posteriormente, o júri que condenou os policiais foi anulado, e eles acabaram absolvidos, mesmo diante de provas técnicas apresentadas pelo Ministério Público.

Equipe era temida

A “guarnição do mal”, como os moradores de Parada Lucas chamavam o GAT comandado por Adriano, era temida na região. As sessões de tortura e sequestro só vieram à tona graças às denúncias do guardador de veículos Leandro, que procurou a Inspetoria-Geral, órgão criado para apurar desvios de conduta de policiais civis e militares, com uma líder da associação de moradores da comunidade no dia 26 de novembro de 2003. No dia seguinte, às 6h30m, Leandro foi assassinado com três tiros na porta de casa. A cena do crime foi desfeita para impedir a perícia. Mesmo morta, a vítima foi “socorrida” pelos agentes.

Adriano e seu grupo foram acusados pelo homicídio. Um sargento da guarnição foi apontado como o PM que atirou no jovem. O policial era Ítalo Pereira Campos, o Ítalo Ciba, hoje vereador no Rio de Janeiro pelo Avante.

Em operação feita em 28 de outubro de 2003, o grupo foi acusado de sequestrar Wilton Arjona da Silva. Foram denunciados Adriano, o capitão Flávio Luiz de Souza, os sargentos Abenor Machado Furtado, Sérgio Rogério Ferreira Nunes, Marcelo da Silva Conceição e Ítalo Ciba; assim como os soldados Alexander Duarte da Silva, Luiz Carlos Felipe Martins e Flávio Rodrigues Neves. Segundo a ficha funcional de Adriano, a vítima foi levada de casa para um terreno baldio no antigo Mercado São Sebastião, na Penha. Os PMs foram acusados de manterem Wilton em cárcere privado, submetendo-o à tortura e extorquindo dele R$ 1 mil.

Os investigadores da Inspetoria-Geral confirmaram que o GPS da viatura mostrava que Adriano, Ítalo Ciba e os demais PMs estavam na Rua Paramaribo com São Bartolomeu, entre 20h13m e 20h20m, local marcado para o pagamento do resgate da vítima. Também ficou comprovado que a viatura do GAT esteve em Parada de Lucas na hora em que Wilton foi sequestrado. Na época, os vigilantes de uma empresa próxima ao antigo mercado confirmaram que o veículo dos policiais ficou no terreno vizinho.

O fato iria se repetir mais duas vezes. No dia 11 de novembro, foi a vez da guarnição de Adriano levar, segundo as investigações, Anderson Luiz Moura para o mesmo terreno baldio. Ele também passou por uma sessão de tortura e lhe foi exigida a mesma quantia. Mais uma vez, o GPS da viatura serviu como prova de que os PMs estavam no local onde o jovem foi mantido em cárcere privado: por volta das 19h até às 7h de 12 de novembro.

No terceiro sequestro, o GAT levou Leandro. O fato ocorreu por volta das 13h do dia 21 de novembro. Ele estava em casa, quando viu vultos em cima da laje. Os policias o surpreenderam, segundo a ficha funcional de Adriano e o processo sobre o caso. Segundo o depoimento da companheira de Leandro, os policiais tentaram asfixiá-lo com um saco plástico e um saco de cimento.

Leandro decidiu denunciar a ação dos policiais no dia 27 de novembro. Menos de 24 horas depois da denúncia, ele foi assassinado. O procedimento investigatório, concluiu que ele foi morto por “vingança pelo fato da vítima ter prestado ‘queixa’ na corregedoria interna da PM”, na Inspetoria-Gerale na 5ª DP.

Em escuta telefônica, de 1º de janeiro de 2004, a mulher do então sargento Ítalo fala com a mãe do soldado Flávio Rodrigues Neves. Esta última deseja-lhe feliz ano novo e que diz que o marido dela vai sair dela e “começar tudo de novo aqui fora”, o que os investigadores entenderam se tratar das “matanças”.

O Globo não conseguiu localizar a defesa de Adriano Magalhães da Nóbrega. Procurado, o vereador Ítalo Ciba disse que trabalhou por cerca de um ano com Adriano no GAT do 16º BPM. “A relação era de comandante para comandado, mas se tornou uma relação de amizade”, afirmou em nota. Ciba disse que a morte de Leandro não foi uma execução, “mas um confronto de rua” e que “comprovou que não foi o autor dos disparos”, tendo sido absolvido. Sobre as moções, o vereador relata que “foi feito contato do deputado Flávio Bolsonaro com o vereador (Ciba), que é amigo de longa data do deputado, do presidente Jair Bolsonaro e de toda a sua família” para tratar da homenagem. Ciba diz ter conhecido Queiroz apenas como motorista de Flávio: “Nunca trabalhamos juntos”.

Igor Mello e Vera Araújo
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Após crise, Itamaraty está sob tutela de militares do governo


A ala militar do governo promoveu uma espécie de intervenção branca no Itamaraty, tutelando os movimentos do chanceler Ernesto Araújo sobre temas considerados sensíveis — crise na Venezuela à frente.

O chanceler, que nunca comandou um posto no exterior, se indispôs com os militares logo na largada do governo, numa crise até aqui inaudita.

No dia 4 de janeiro, ele participou de reunião no Peru do Grupo de Lima, que reúne 14 países para discutir a situação política venezuelana.

O grupo, que considera ilegítima a reeleição de Nicolás Maduro no ano passado, se encontrou para determinar novas medidas contra o governo em Caracas.

Quando o documento foi divulgado, militares ligados à área de inteligência ficaram de cabelo em pé com o item “D” das providências anunciadas: “Suspender a cooperação militar com o regime de Nicolás Maduro”, dizia o texto.

Só que Araújo não consultou a área militar sobre isso. E é justamente a cooperação com as Forças Armadas venezuelanas que mantém o Brasil minimamente informado sobre os passos da Venezuela.

Isso ocorre tanto devido ao “backchannel”, informações de bastidor trocadas por oficiais, como com a observação direta da área de inteligência. Como diz um experiente negociador da região, o Brasil sabe mais sobre Caracas por meio dos próprios militares chavistas do que por canais diplomáticos regulares.

Isso aconteceu enquanto uma outra crise, essa pública, transcorria. Também na primeira semana do governo, o presidente Jair Bolsonaro e o chanceler defenderam a instalação de uma base americana no Brasil, algo que soa herético aos militares daqui.

O general da reserva Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) buscou o reduzir a um mal-entendido por parte da mídia — o fato de que o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, confirmou a oferta foi convenientemente deixado de lado.

No caso da Venezuela, alguns oficiais sugeriram que Araújo fosse demitido. Outros ponderaram sobre o dano de imagem que tal queda geraria e sugeriram que ele se consultasse mais com os ministros egressos da área militar.

Pelo menos dois generais com assento importante no governo conversam regularmente com o chanceler.

Um diplomata alinhado à nova chefia diz que isso é normal, dada a sobreposição de responsabilidades entre Itamaraty e militares.

Já um outro embaixador, em posição mais privilegiada mas no campo que Araújo promete remover de cargos de comando no ministério, afirma que não há comunicado sensível do chanceler que não tenha o teor discutido com a área de Defesa.

Seja qual for a gradação, o efeito da tutela foi visto ao longo do mês. Araújo reduziu sua visibilidade no caso Venezuela a poucas declarações e 7 das 22 postagens que fez no Twitter em janeiro.

Na mão inversa, o general Hamilton Mourão, o vice-presidente que ocupou a cadeira de Bolsonaro por seis dias no mês, falou em diversas ocasiões vezes sobre a crise.

Numa delas, na semana passada, indicou qual os caminho que as Forças Armadas da Venezuela deveriam tomar: oferecer uma saída para Maduro.

Mourão também antecipou movimentos que Araújo confirmou em entrevista coletiva na sexta (1º), como atender o pedido do líder oposicionista Juan Guaidó para o envio de ajuda à Venezuela e promover sanções econômicas contra membros do regime.

Até por não ser demissível, o general tem vocalizado a insatisfação. Como presidente interino, recebeu duas delegações árabes para dizer que não haverá a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, promessa de campanha de Bolsonaro repetida ao premiê israelense, Binyamin Netanyahu.

Araújo apenas disse que mudança está em estudo.

O movimento é destinado a agradar a base evangélica do presidente, que vê no reconhecimento da cidade como capital de Israel o restabelecimento de uma verdade bíblica e uma antessala para a volta de Cristo à Terra.

Os árabes, grandes compradores de aves brasileiras, prometem retaliar porque o status de Jerusalém é disputado entre palestinos e israelenses.

O vice também descartou, como já fizera o general Heleno e o próprio Bolsonaro, qualquer intervenção militar contra Maduro. A ideia foi ventilada várias vezes pelo presidente americano, Donald Trump, e os fardados temem que o chanceler se inspire em seu ídolo declarado.

Mourão também trocou farpas públicas com Olavo de Carvalho, o misto de escritor e ideólogo a quem Araújo deve seu discurso político e a indicação, feita por meio de Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PSL-SP. Ele, Araújo e o assessor internacional da Presidência, Filipe Martins, são alunos de Olavo engajados no projeto de “livrar o Itamaraty das amarras ideológicas”, como diz o presidente.

O vice também criticou o chanceler numa entrevista à revista Época, dizendo que ele não havia dito a que veio. Em particular, oficiais da ala militar e generais da ativa são bem menos diplomáticos, especialmente quando comentam o caudaloso discurso de estreia de Araújo. Outras manifestações, como o artigo em que creditou a Deus a união entre Bolsonaro e Olavo, são apenas alvo de chacota.

Não por acaso, Mourão tem se encontrado com embaixadores para tentar desfazer a má impressão que o governo Bolsonaro causa entre políticos estrangeiros — salvo, naturalmente, Trump e líderes assemelhados na Itália, Hungria ou Israel.

Igor Gielow
No Folha
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Sabrina Bittencourt, mulher que ajudou a desmascarar João de Deus, comete suicídio

                                                                                                 

Filho de ativista confirmou no Facebook a morte da mãe. "Ela deu o último passo pra gente poder viver. Eles mataram minha mãe"

Sabrina Bittencourt
Foto: Arquivo pessoal
Ativista social e uma das mulheres que ajudou a desmascarar abusos sexuais de João de Deus e Prem Baba, Sabrina Bittencourt, 38, cometeu suicídio no sábado (02/02). Em nota de falecimento comunicada à imprensa, a ONG Vitimas Unidas com a qual Sabrina trabalhava, confirmou a morte de Bittencourt.


"O grupo Vítimas Unidas comunica com pesar o falecimento de Sabrina de Campos Bittencourt ocorrido por volta das 21h deste sábado, 02 de fevereiro, na cidade de Barcelona, na Espanha, onde vivia atualmente. A ativista cometeu suicídio e deixou uma carta de despedida relatando os porquês de tirar sua própria vida", diz a nota. O mesmo comunicado pede que o público não entre em contato com a família. "Pedimos a todos que não tentem entrar em contato com nenhum integrante da família, preservando-os de perguntas que sejam dolorosas neste momento tão difícil. Dois dos três filhos de Sabrina ainda não sabem do ocorrido e o pai, Rafael Velasco, está tentando protege-los. A luta de Sabrina jamais será esquecida e continuaremos, com a mesma garra, defendendo as minorias, principalmente as mulheres que são vítimas diárias do machismo".

Antes de cometer suicídio, a ativista e Doutora Honoris Causa por seu trabalho humanitário pela UCEM - Universidad del Centro, no México, escreveu post em sua conta no Facebook em que fala sobre sua vida e a luta pelas mulheres e minorias. "Marielle me uno a ti. Eu fiz o que pude, até onde pude. Meu amor será eterno por todos vocês. Perdão por não aguentar, meus filhos.". Sabrina, que morava em Barcelona, se matou no sábado (02/02) e deixa três filhos.

De família mórmon, Sabrina foi abusada desde os 4 anos por integrantes da igreja frequentada pela família. Aos 16, ficou grávida de um dos estupradores e abortou. Bittencourt dedicou a vida a militar por vítimas de abuso e a desmascarar líderes religiosos, dentre eles Prem Baba e João de Deus. Bittencourt é uma das criadoras do “movimento” Coame, sigla para Combate ao Abuso no Meio Espiritual, plataforma que concentra denúncias de violações sexuais cometidas por padres, pastores, gurus e congêneres. Sabrina ajudou, principalmente, as vítimas de abuso sexual de João de Deus, investigando as acusações junto à imprensa. Sabrina também auxiliou a filha do próprio médium, Dalva Teixeira, na denúncia contra o pai por abuso.

Em relato em primeira pessoa feito em dezembro de 2018 à Marie Claire, Sabrina conta sobre a vida de abusos e como se tornou uma das principais vozes e forças de apoio a vítimas de abuso sexual, principalmente dentro de grupos religiosos. Alvo de ameaças de morte, Sabrina vivia fora do Brasil e se mudava frenquentemente.

A seguir, leia na íntegra o post de Sabrina postado no Facebook na noite de sábado (02/02):

"Marielle me uno a ti. Somos semente. Que muitas flores nasçam dessa merda toda que o patriarcado criou há 5 mil anos! Eu fiz o que pude, até onde pude. Meu amor será eterno por todos vocês. Perdão por não aguentar, meus filhos. VOCÊS TERÃO MILHARES DE MÃES NO MUNDO INTEIRO. Minhas irmãs e irmãos na dor e no amor, cuidem deles por mim... ❤️ Eu sempre disse que era só uma pequena fagulha. Nada mais. Só pó de estrelas como todos. USEM A SUA PRÓPRIA VOZ. A SUA PRÓPRIA VONTADE. TOMEM AS RÉDEAS DE SUAS PRÓPRIAS VIDAS E ABRAM A BOCA, NÃO TENHAM VERGONHA! ELES É QUEM PRECISAM TER VERGONHA. Não aguento mais. Todas as provas, evidências, sistemas de apoio, redes organizadas e sobretudo, meu legado e passagem por aqui está entregue ou chegará às mãos corretas. As REDES DE APOIO AOS BRASILEIR@S FORAM CRIAD@S E SE EXPANDIRÃO NA VELOCIDADE DA LUZ! Não se desesperem. Dessa vida só levamos o mais bonito e o aprendido. Paulo Pavesi, eu sinceramente sinto muito pela morte do seu filho. Tenha certeza, que se eu soubesse da sua história na época, implicaria minha vida e segurança como fiz com centenas de pessoas. Damares, eu sei que você não teve tratamento psicológico quando deveria e teve sequelas, servindo de marionete neste sistema de merda que te cooptou, acolheu e com o qual você se sente em dívida o resto da sua vida. Não tenho dúvidas que você amou e cuidou da sua "Lulu" como gostaria de ter sido cuidada e protegida na sua infância, mas ela nao é uma bonequinha bonita que você poderia roubar e sair correndo... Giulio Sa Ferrari, eu te considerei um irmão e você sabia de todas as minhas rotas de fuga... eu vi em você a pureza de um menino que nunca foi notado por uma sociedade neurotípica que não entendia os neuroatípicos, mas reputação é algo que se constrói e não é de um dia ao outro. Gabriela Manssur, muito obrigada por me fazer ter esperança de que elas serão ouvidas e atendidas em suas necessidades. João de Deus, Prem Baba, Gê Marques, Ananda Joy, Edir Macedo, Marcos Feliciano, DeRose Pai, DeRose filho, todos os padres, pastores, bispos, budistas, espíritas, hindús, umbandistas, mórmons, batistas, metodistas, judeus, mulçumanos, sufis, taoístas, meus familiares, Marcelo Gayger, Jorge Berenguer, eu desconheço a sua infância e a sua criação pelo mundo, mas sei no meu íntimo que TODO MENINO NASCEU PURO e foi abusado, corrompido, machucado, moldado, castrado, calado, forçado a fazer coisas que não queria, até se converter talvez, cada um à sua maneira, em tiranos manipuladores (em maior ou menor grau) que ao não controlar os próprios impulsos, tentam controlar a quem consideram mais frágil e assim praticam estupros, pedofilia, adicções diversas... Eu sei, eu sinto, eu vi. Mas ainda assim, preferi SEMPRE ficar do lado mais frágil nesta breve existência: mulheres, crianças, idosos, jovens, povos originários, afrodescendentes, refugiados, ciganos, imigrantes, migrantes, pessoas com deficiência, gays, pobres, lascados, fudidos, rebeldes e incompreendidos... Essa vida é uma ilusão e um jogo de arquétipos do bem e do mal, de dualidades... desde que o mundo é mundo. Vivo num outro tempo desde que nasci e sempre senti que vivia num mundo praticamente medieval. Volto pro vazio e deixo minha essência em PAZ. Aos meus amigos, amadas e amantes, nos encontraremos um dia! Sintam meu amor incondicional através do tempo e do espaço. SIM e FIM."

No Marie Claire
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Ruptura da ordem constitucional gerou a lei da selva

As regras no Brasil sempre foram maleáveis à pressão dos poderosos.

O artigo 57 da Constituição é claro: é vedada a recondução para o mesmo cargo, na mesa diretora da Câmara ou do Senado, na eleição imediatamente subsequente.

Michel Temer deu um jeitinho de burlar a regra. Eleito presidente da Câmara para o biênio iniciado em fevereiro de 1997, reelegeu-se em 1999, sob o argumento que era uma nova legislatura. No Senado, ACM, o avô, fez a mesma manobra. (Ulysses Guimarães já havia sido reconduzido à presidência da Câmara antes, mas a Constituição não estava em vigor.)

Rodrigo Maia foi mais além. Eleito presidente da Câmara para mandato tampão após a cassação de Eduardo Cunha, foi reeleito na mesma legislatura, com a justificativa ainda mais esfarrapada de que mandato tampão não conta. E agora conseguiu um novo mandato de dois anos.

O Supremo lava as mãos, dizendo que é assunto interno de outro poder. Mas está escrito de forma cristalina na Constituição!

Enquanto isso, o Senado virou um campo de pugilato. É o melhor retrato do Brasil desde que o golpe de 2016 e a corte de retrocessos e abusos que o seguiram rasgaram a Constituição. Antes, as regras eram maleáveis à pressão dos poderosos. Hoje, ganha quem grita mais, quem pode mais.

É a lei da selva, que a ruptura da ordem constitucional gerou.

Luis Felipe Miguel
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Novo presidente do Senado é suspeito de nepotismo, constranger servidores para obter apoio eleitoral e uso de documentos falsos

Ele
O advogado Diogo Cabral, da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, levantou mais alguns pobres que fazem parte da biografia de Davi Alcolumbre, o novo presidente do Senado, que se elegeu com a mensagem de ser uma novidade na política e um contraponto à imagem desgastada e desgastante (para a instituição) de Renan Calheiros.

Esses novos relatos se somam a outros, publicados pelo DCM no artigo Quem é Davi Alcolumbre, que se apresenta como anti-Renan, mas parece mais o seu espelho.

O advogado Cabral lembra que Davi Alcolumbre empregou, com recursos públicos,  a mulher de um primo, Vânia Alcolumbre, em seu escritório político em Macapá.

Alcolumbre para nomeou para seu gabinete em Brasília a esposa do chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, com salário de R$ 6.700,00.

O senador é o campeão na prática de pedir reembolso por despesas do gabinete, o chamado cotão.

Entre 2015-2018, reembolsou R$ 1,46 milhão de recursos públicos, principalmente com divulgação da atividade parlamentar, como envio de cartas a eleitores, propagandas em veículos de comunicação e impressos.

Em 2017, o desembargador Agostino Silvério, do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), determinou a quebra do sigilo bancário do contador de sua campanha, Rynaldo Antônio Machado.

A medida foi tomada na investigação sobre a prestação das eleições 2014, em que foram encontradas irregularidades graves, como a falsificação de notas fiscais e de documentos públicos, o que teria contribuído para a configuração de abuso de poder econômico e político.

Foram estas denúncias que provocaram a abertura de dois inquéritos contra Davi Alcolumbre, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, o Nº 4353, por crimes eleitorais, e o Nº 4677, por crime contra a fé pública e uso de documento falso.

Pesa também contra ele a suspeita de que tenha constrangido servidores comissionados da prefeitura de Macapá a apoiá-lo, sob pena de serem demitidos, e do Batalhão de Operações Especiais da PM/AP e do Corpo de Bombeiros Militar, sob pena de transferência para outra unidade.

Este é o novo na política, cuja eleição à presidência do Senado levou o coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, a comemorar.

“O Brasil está mudando”, escreveu ele no Twitter, logo depois da tumultuada eleição de Davi Alcolumbre.

O Senado, é preciso lembrar, é responsável pela sabatina e aprovação do nome indicado pela presidência da república para o cargo de procurador geral da república, que teria sido prometido por Jair Bolsonaro e Sergio Moro a Deltan Dallagnol.

Fica a dúvida: O coordenador da Lava Jato já estaria fazendo política ao apresentar como evidência de mudança no Brasil a eleição de um político com práticas que remontam ao que há de mais atrasado?

A conferir.

O sucessor de Raquel Dodge será indicado daqui a sete meses.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Novo presidente do Senado é ligado a Onyx Lorenzoni e reponde inquérito por crime eleitoral


Davi Alcolumbre, candidato apoiado pela Casa Civil do governo Bolsonaro, se elegeu presidente do Senado, com 42 votos, um a mais que o necessário para a eleição.

Renan Calheiros, que havia retirado sua candidatura no meio do processo da segunda votação, teve 5 votos. Espiridião Amim teve 13 votos; Angelo Coronel, 8 votos; senador José Reguffe, 6 votos; Fernando Collor, 3 votos.

Alcolumbre, um senador obscuro até apresentar sua candidatura, representante do Amapá, tem forte ligação com Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil. Os dois são do DEMo. A mulher de Lorenzoni está nomeada para um cargo de confiança no gabinete do senador.

Alcolumbre também responde a um inquérito por crime eleitoral — em sua campanha, em 2014, foram apresentadas notas falsas na prestação de contas à justiça eleitoral.

Antes disso, em 2004, ele foi indiciado num inquérito da Polícia Federal que apurou desvios na Saúde.

Renan Calheiros fez um duro discurso ao retirar sua candidatura. Disse que vai permanecer no Senado para defender a democracia.

Disse que houve interferência da Casa Civil no processo eleitoral.

Os votos do PSDB foram decisivos na sua eleição, numa articulação realizada pelo senador Tasso Jereissati.


No DCM
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