27 de jan de 2019

A ascensão de O Globo e a crise irreversível da mídia


Os últimos dados de circulação dos jornais brasileiros, segundo estudos do site Poder360 com base nos dados do IVC (Instituto Verificador de Circulação), trazem informações relevantes.
  • Pela primeira vez, desde os anos 80, a Folha perdeu a liderança total  (impresso + digital) para O Globo e a liderança de impresso tanto para O Globo quanto para o Estadão.
  • O impresso caminha para a extinção.
  • Com exceção de O Globo, as assinaturas digitais não compensaram a queda dos impressos.
  • A queda da tiragem é o menor dos problemas dos jornais.
É interessante entender o que está por trás desses números e seus efeitos recentes sobre o jornalismo brasileiro.

Na primeira metade dos anos 2.000, Roberto Civita importou o discurso de ódio da ultradireita americana, veio descoberto pela Fox News, de Rupert Murdok. A imprensa brasileira foi atrás e inaugurou a pior fase de sua história moderna, praticando um jornalismo de guerra que atropelou todas as normas do bom jornalismo.

Houve uma pasteurização dos jornais em torno do mesmo discurso, acabou-se com a diversidade relativa de opiniões e até com a diversidade de pautas. Lendo um jornal, liam-se todos. Criou-se um mercado para cronistas do ódio, ao qual se candidataram desde colunistas culturais a políticos e celebridades menores.

Os jornais se tornaram indiferenciados. O resultado foi a perda de vitalidade, a queda nas vendas, e a perda de credibilidade junto ao público formador de opinião. Todos se acomodaram com sua posição em um mercado que se reduzia a cada dia.

Dia a dia passaram a alimentar o novo público da ultradireita, que emergia das profundezas, com discurso de ódio e mensagens conspiratórias sobre o perigo vermelho. Até que a malta ganhou vida e migrou definitivamente para as redes sociais. Só aí, a mídia se deu conta de seu erro estratégico.

O impeachment de Dilma fechou o ciclo do jornalismo de guerra. A extrema impopularidade de Michel Temer começou a abrir as comportas da diversificação. E a disputa mercadológica voltou a imperar com os jornais não apenas retomando a disputa, entre si, mas principalmente contra o caos informativo que eles próprios ajudaram a disseminar.

As mudanças de O Globo

Coube O Globo partir na frente.

Aqui no GGN entendemos de pronto o modelo perseguido pela nova direção. Em lugar do jornalismo de ódio, uma nova fórmula, uma espécie de modelo Piauí (da revista), de liberal inglês, liberal nos costumes, conservador na economia e elegante no texto.

Com as mudanças no comando, saíram colunistas raivosos e editores comprometidos com os porões, e foram contratados novos atores, retomando o figurino da diversidade que marcou os anos 90. Esse arejamento pegou não apenas O Globo, mas também a Época e a CBN.

Foi curiosa a reação da frente do ódio. Na Jovem Pan, Augusto Nunes ameaçou os novos editores de O Globo, devido à demissão de um de seus iguais.

Mas, ali foi um momento de corte. Mostrou que chegava ao final, pelo menos na chamada grande imprensa, a era do jornalismo de esgoto, que ficou restrita a rádios. Em vários veículos,  os raivosos mais talentosos se reciclaram rapidamente e se tornaram legalistas desde criancinhas .

O resultado foi o rompimento da cartelização, com O Globo assumindo a liderança entre os jornais, quebrando uma liderança histórica da Folha.

É essa derrota que explica a ousadia da Folha no ano passado, de bancar corajosamente as reportagens de Patrícia Campos Mello denunciando os fake news na campanha de Jair Bolsonaro.

Nos últimos dias, houve uma mini-guerra de informações em torno dos números. A Folha publicou uma reportagem dizendo que foi a líder do crescimento digital nos últimos meses - certamente impulsionada pela volta de antigos leitores, depois do ato de coragem demonstrado. O Estadão proclamou que se tornou o líder em edições impressas - que caminham para a extinção.

O ponto relevante é que não existe um futuro radioso para nenhum deles. A crise da imprensa tradicional veio para ficar.

O futuro da mídia

Nos últimos anos acelerou-se a migração do leitor impresso para o digital. Internacionalmente, jornais que mantiveram acesos os princípios jornalísticos têm conseguido avançar substancialmente na venda de assinaturas digitais.

Mas o problema principal é outro. Historicamente, a maior fonte de receita dos jornais eram os classificados (ou anúncios locais, para a imprensa regional) e os anúncios nacionais. Na Internet, o modelo é outro. É a publicidade programática e um resto de publicidade dirigida, com um potencia de faturamento muito menor. E, ai, a crise da mídia brasileira se atrela à crise da mídia mundial.

Nos Estados Unidos, a era de ouro dos jornais terminou no final dos anos 80. O apogeu dos jornais brasileiros foi em meados dos anos 90. Grupos como Gannett e Knight Ridder trabalhavam com margens de 30 a 40%. No Brasil não deveria ser muito diferente, embora os números não fossem públicos pelo caráter de empresas de capital fechado.

A maior parte da receita vinha dos classificados, da publicidade local (no caso da mídia regional) e da publicidade nacional, no caso dos jornalões.

Era uma margem tão elevada que, nos EUA, havia piada de que os jornais tinham licença para imprimir dinheiro. Com tal margem, a partir dos anos 80, nos EUA - da segunda metade dos anos 90, no Brasil - os bancos de investimento empreenderam uma ofensiva, oferecendo financiamento à larga para os grupos midiáticos. E eles se endividaram à vontade, em um momento em que a Internet iniciava sua caminhada avassaladora.

No período de bonança, tanto nos EUA quanto no Brasil, as redações não investiram em inovação. Todo investimento tecnológico visava apenas poupar mão de obra.

Em pouco tempo, a Internet acabou com os classificados. Como competir com um veículo com sistemas de busca, fotos dos produtos vendidos? O passo seguinte foi avançar sobre os anúncios nacionais.

Nos EUA, assim como no Brasil, muitos jornais entraram na chamada espiral da morte. Passaram a reduzir as redações, por questão de custo. Com isso caiu a qualidade da informação. Caindo, derrubou mais ainda o interesse do leitor.

No início dos anos 2.000, de 75 a 80% da receita de um jornal típico vinha dos anúncios classificados. As assinaturas respondiam por 10-15% da receita. Investia-se nos assinantes para garantir a rentabilidade dos anúncios. Em dez anos, os jornais americanos perderam 2/3 de suas receitas.

Os gráficos do desempenho comercial dos jornais americanos, publicados por Jeremy Littau – de quem obtivermos as informações acima -  estudioso da mídia local, é pavoroso.


Há uma enorme discussão sobre qual o papel do jornal nos novos cenários tecnológicos.

Mas isso é tema para outro artigo.

Luís Nassif
No GGN
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MP sabe e não age: outra mineradora destrói Brumadinho!

Mineração Ibirité usa dinamite a poucos metros de residências!



Créditos: Ricardo e Rejane Moraes/Movimento pelas Serras e Águas de Minas

O Conversa Afiada reproduz trechos do vídeo-denúncia “MIB - Um Pesadelo de 10 Anos”, do canal do YouTube do Movimento pelas Serras e Águas de Minas.

O vídeo apresenta a luta do casal Ricardo e Rejane Moraes, moradores de Brumadinho-MG, contra a empresa Mineração Ibirité Ltda. O casal afirma que as operações da mineradora - como a utilização de máquinas pesadas e o uso irregular de explosivos - danificaram a estrutura da casa.

A denúncia foi publicada no YouTube em 4 de janeiro de 2019 - três semanas antes de outro incidente provocado por uma outra mineradora em Brumadinho.

O jornal O Tempo, de Belo Horizonte, falou sobre o caso em reportagem de 2/IV/2014:

Moradores reclamam de explosões de mineradora

Alheio aos transtornos vividos por dezenas de famílias do distrito de Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) revalidou ontem a licença de operação da Mineração Ibirité Ltda (MIB), ampliando ainda a sua área de atuação. Além do risco de doenças respiratórias, os moradores reclamam que as atividades da mineradora vêm, aos poucos, destruindo suas casas.

A ampliação pleiteada pela MIB no processo de licenciamento ambiental deverá manter o mesmo nível de produção atual, de 1,5 milhão de tonelada por ano de minério de ferro e a pilha de rejeito ocupará uma área de 2,40 hectares. Os danos provocados nos imóveis pelas vibrações das explosões constantes de dinamite foram constatados na tarde de ontem pela reportagem de O TEMPO. A casa da aposentada Maria Marques dos Santos, 57, as rachaduras saltam aos olhos. Segundo ela, todo final de tarde, os estrondos provocam a sensação de terremoto. “A gente pensa que a casa vai se partir ao meio, mas não podemos fazer nada. Somos pobres e a mineradora é poderosa”, lamenta.

A cozinheira Diomar Custódio Silva, 52, é mais uma a lamentar a impotência da comunidade. Morando há 13 anos no local, hoje com três netos pequenos sob o mesmo teto, ela aponta, em cada canto de sua casa, rachaduras que se alastram pelas paredes. “Já tivemos reuniões com representantes da mineradora, mas sempre somos humilhados. Eles dizem que nossas casas são malfeitas e por isso estão nesse estado”, conta.

A vigilante Francis Natália da Silva, 28, é mais uma a temer por um desabamento súbito de sua casa. “As fendas nas paredes daqui de casa passam um dedo com folga. O que tenho gastado por mês para cimentar esses buracos está desequilibrando completamente o meu orçamento”, diz. Aos 64 anos, dona Leonídia de Assis, que nasceu no lugarejo, já perdeu as esperanças de reviver os tempos em que a natureza era intocada e a paz reinava na região. “Hoje todos vivem sobressaltados, com medo de uma tragédia repentina”, afirma. (…)

A situação de Ricardo e Rejane também foi abordada em reportagem de Júlia Rohden, estudante da jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2016:

Ilhados pela mineradora

(...) Ricardo e Rejane Moraes mostram a foto do neto pequeno plantando pau-brasil no sítio em Brumadinho, cerca de 60 quilômetros da capital Belo Horizonte. A propriedade tem 550 jabuticabeiras, 65 pés de manga e 151 espécies de árvores diferentes. “Tudo o Ricardo plantou”, diz Rejane orgulhosa, lembrando também a criação de mogno, árvore de madeira nobre que pretendem deixar de herança para os netos. Em 1990, compraram o terreno e há nove anos a mina de ferro da Mineração Ibirité (MIB) se instalou nas redondezas. Começaram as explosões nas rochas, a poeira e o barulho das máquinas. Os constantes conflitos com a empresa transformaram a vida do casal de aposentados.

A mineradora é obrigada a enviar com antecedência um aviso de quando haverá novas detonações, no qual recomenda que os moradores fiquem dentro de casa, com janelas e portas fechadas. As paredes da casa de Ricardo e Rejane estão trincadas e o telhado amarrado com cabo de aço, “se ficar dentro, a casa pode cair em cima de nós e se sair para o quintal, voa pedra”. Rejane agarra o celular para mostrar alguns vídeos gravados em dias de detonação: o barulho ecoa pela sala, os cachorros latem e as luzes apagam. Ela relata que a sensação é de estar em um avião aterrissando, “treme tudo”. Segundo eles, as explosões acontecem a cada quinze dias, com mais de duas toneladas de dinamite. “O Carandiru foi destruído com 250 quilos de dinamite. Aqui são dez vezes mais”, compara Ricardo. Os dois passaram a gravar vídeos no celular para anexar como provas da ação que ajuizaram contra a empresa para receber indenização por danos morais e materiais.

A mina está praticamente no portão do quintal da casa deles e as máquinas podem ser vistas da varanda.

Rejane diz que em maio deste ano [2016], a MIB teve autorização para ampliar o empreendimento. “Vão minerar a 100 metros da minha porta e a 200 metros farão a pilha de rejeito.” As propriedades vizinhas foram compradas pela mineradora, isolando o casal. Eles contam que a MIB tentou comprar o sítio por um preço muito baixo, sem revelar o valor. Rejane diz que não quer dinheiro, “eu quero é sossego, é minha casa, minha vida está aqui. Nós não temos obrigação de vender, nós não construímos a casa para vender, mas para viver. É um direito nosso”. Ricardo complementa: “Eu moro aqui faz quase 30 anos, tudo do o que tenho está aqui, tudo, meu sonho, meu dinheiro, minhas coisas”. (…)
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Bolsominion desesperado conta por que pulou do barco


Janaína Paschoal está fazendo escola.

Depois do desabafo dela no Estadão deste domingo, dizendo que recebeu “um balde de água fria” neste início de mandato de Jaír Bolsonaro, “bolsominions arrependidos” também começam a sair do armário.

Um deles, neste vídeo, fala da sua frustração com o capitão da reserva.

“Em primeiro lugar eu queria pedir desculpa a todas as pessoas que eu influenciei nessas eleições”, diz. “Eu mesmo fui enganado. Nós fomos enganados mais uma vez por um político”.

Fala mal de Onyx Lorenzoni, chefe da articulação política do governo, e de outros correligionários do presidente para então confidenciar que não vai mais tratar de política em seu canal no youtube.

“Tô enojado”, ele diz. “Não confio mais em ninguém. Isso que aconteceu é uma trairagem ao povo brasileiro”.

Admite que é um idiota útil. “Sim, eu sou”, reclama, para em seguida contar que pos a mão na consciência. “Pelo menos eu consigo entender isso. Vai ter um monte de gente dizendo espera, tem mais quatro anos de governo. Eu não tenho mais nada a ver com isso”.

O bolsominion conta que faltam palavras para expressar o que está sentindo.

“É desesperador. Eu não tenho esperança, pra mim deu”, confidencia, para então revelar sua real preocupação com a conjuntura de crise.

“Isso é deixar a bola quicando para um esquerdista que venha por aí. É deixar a bola quicando para um congresso extremamente corrupto e canalha. É isso aí. Não tenho mais nada para falar. Vocês que têm que tomar uma atitude. Um grande abraço, tchau, tchau!”

Assista e se divirta!

José Cássio
No DCM
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A frustração de Janaina Paschoal com o governo Bolsonaro é a ponta de um iceberg

Eles, se merecem
Janaina Paschoal, deputada estadual eleita pelo PSL, deu entrevista ao Estadão demonstrando sua decepção com o governo Bolsonaro. 

Ela resume assim sua frustração: “Sabe o que é jogarem um balde de água gelada em cima de você?”

Janaina não é a única, evidentemente. É apenas mais uma, num movimento que tende a cresce até caírem Bolsonaro e seu bando. 

Alguns trechos:

De que acontecimentos a sra. está falando?

Tudo. Investigação, denúncia, que pode ser, pode não ser, colegas viajando pra China, xingando eleitor pela internet. Eu acho isso tudo tão surreal, que me pergunto: será que eu ajudo mais dentro, ou se eu fico fora? Essa dúvida eu confesso que eu tenho. (…)

O que é que não pode ocorrer?

Tenho a impressão de que ainda não perceberam a seriedade do que é exercer um cargo, a seriedade do momento que a gente está atravessando, a expectativa que o País colocou em cima dessas pessoas. Não foi uma eleição como outra qualquer. Foi uma eleição que veio depois de um sofrimento. E esse pessoal está com palhaçada. É muito grave. Eu não tenho como dizer que não estou preocupada. (…)

No caso do senador Flávio, o que é que a senhora está achando?

Ele já explicou a situação dos tais depósitos. É factível? É factível. Não é ilícito. É diferente. Tanto é que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indicou uma movimentação atípica, não necessariamente ilícita. Por que dividiu (os depósitos)? Pra não chamar a atenção? Na medida em que ele vem e explica que foi uma negociação – acredito que demonstrará isso para o Ministério Público – eu estou imaginando, porque não vi, que isso tenha sido uma coisa isolada, naquele mês. Não obstante não seja uma coisa tão típica, em termos de transferência.

A senhora criticou o ministro Luiz Fux, do Supremo, por ter dado a liminar em que o senador pedia a suspensão da investigação.

A decisão do ministro está errada, juridicamente errada.

Por quê?

Porque eles, Supremo, acabaram de decidir que se não fosse fato ocorrido no curso do mandato, e inerente ao mandato, não ficaria com foro privilegiado. Para mim é absolutamente límpido que não é caso para análise do Supremo. Se não é, o ministro não poderia ter dado essa liminar. Se o advogado orientou corretamente, ou não, é outra história.

Advogado à parte, o que a sra. achou do próprio senador concordar e defender o pedido?

Foi um erro. Porque ainda que não tenha nada errado, isso gerou uma situação, um sentimento, “poxa, mas por que não explica logo?”. E é um sentimento legítimo.

O que é que está lhe incomodando especificamente no caso do senador Flávio Bolsonaro? Onde é que ele não está fazendo diferente do que deveria fazer, na sua avaliação?

Ele tem todo o direito à defesa, a entrar com todas as medidas, mas me parece complicado ver uma reação parecida com a que a foi a do Aécio (Neves), com a que é a do Lula até hoje. Com isso eu não estou dizendo que as autoridades sempre tenham razão. Mas eu não endeuso ninguém. “É só porque eu sou filho do presidente.” Não é só, pô. Teve lá um apontamento. Talvez a divulgação seja até excessiva, vamos dizer assim, mas houve um apontamento. (…)

A diferença, no caso do senador Flávio Bolsonaro, é que ele é filho do presidente.

Não estou antecipando culpa de ninguém. Mas eu não gosto deste tom: “É um absurdo”, “Não vou falar”, “Só vou falar pra autoridade”. Isso relembra o passado. Para mim foi uma coisa muito triste. Quando eu era pequena tinha a história de um vereador que pedia dinheiro pros funcionários. Na minha cabeça isso era um negócio do passado. Essa fala do vice-presidente, essa semana, “temos que ver até onde é corrupção, e até onde é Rachid, rachadinha”. A rachadinha é crime! Será que ele falou isso mesmo? (…)

O presidente deveria ter se manifestado publicamente – contra ou a favor do general [Mourão]?

Eu não sei qual seria o impacto, publicamente, de ele passar um sabão no vice. Talvez tivesse sido melhor chamar o vice e pedir para voltar à situação anterior. Mas tinha que chamar, e dizer: “Olha, tem que mudar isso aí, não tem jeito”. Teria sido melhor se o presidente tivesse se posicionado nessa situação. (…)

Eu imaginava ter embates de ideias. Então, por exemplo, se o presidente saísse com uma ideia, qualquer coisa contra os casais homossexuais, eu já estava preparada pra combater. Se o presidente tivesse uma ideia de colocar mais ministros no Supremo, e eu falei pra ele que não podia, eu já estava preparada. Mas eu não imaginava esse tipo de problema no núcleo duro.

Que tipo de problema?

Possíveis ilicitudes. (…)

Kiko Nogueira
No DCM
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Rebaixamento dos padrões de inteligência da Revolução Industrial 4.0 criou Bolsonaro


No momento em que o presidente eleito Jair Bolsonaro saiu da sua zona de conforto e se expôs em cenários não controlados como o Fórum Econômico de Davos ou a tragédia humano-ambiental de Brumadinho/MG, revela-se a sua condição limítrofe, com sérias deficiências cognitivas. E diante de pesquisas de opinião cujos resultados se colocam contra as principais linhas da sua “plataforma de governo”, muitos questionaram: mas afinal, como ele foi eleito? Discurso fascista? Anti-petismo? Há um fator ainda não tematizado - as relações intrínsecas entre a chamada “alt-right” (direita alternativa) e as redes sociais não é um mero acaso ou oportunismo. Personagens como Bolsonaro ou Trump são produtos das tecnologias de convergência da Revolução Industrial 4.0. Tecnologias que criaram uma cultura de aplicativos e redes sociais estruturada na noção algorítmica de “Inteligência Artificial”, que consiste em rebaixar os padrões do que entendemos como “inteligência”, enquanto os usuários se tornam simples processadores de informação.

Recente pesquisa Datafolha mostrou que a maioria dos brasileiros é contra privatizações e a redução das leis trabalhistas, propostas defendidas pelo atual governo.

Ao mesmo tempo, a participação do presidente eleito no Fórum Econômico de Davos, Suíça, foi um vexame internacional. Diante de um cenário que exigia interações políticas mais sofisticadas, Bolsonaro revelou sua condição de limítrofe: um curto “discurso” em linguagem quase tatibitate (herança da cultura da obediência infantil na caserna), cuja linha mais forte foi convidar os empresários a vir passar férias no Brasil, “país de belas riquezas naturais...”

Além de fugir de qualquer contato humano que exigisse algum tipo de relação dialógica e expusesse ainda mais suas deficiências cognitivas.

Diante do silêncio nas redes sociais dos próprios apoiadores da ultra-direita (principalmente diante bomba-relógio do caso Queiroz) muitos começaram a se perguntar: então, porque diabos ou como o capitão da reserva foi eleito?

Será porque a facada providencial tirou-o dos debates, livrando Bolsonaro de situações constrangedoras, como a que foi exibida em Davos? Seria porque o discurso populista de ultra-direita despertou o psiquismo fascista do Brasil profundo?  Ou, então, a ausência de debates na campanha eleitoral tirou o foco da discussão dos programas de governo para a polarização sobre questões identitárias, culturais e de costumes?

Talvez todos esses fatores sejam explicativos no contexto de uma campanha eleitoral na qual os candidatos favoritos da “Casa Grande” (Alckmin, Meirelles e cia.) naufragaram nas pesquisas. Restando tão somente um militar rústico, ignorante e limítrofe com um histérico discurso anti-PT, líder de um clã do baixo clero que vive de rapinas financeiras. Não tem tu, vai tu mesmo...

Não tem tu, vai tu mesmo...

“Alt-right” e Revolução Industrial 4.0

Mas há um fator que ainda não foi tematizado, relacionado com conexão íntima entre a chamada “direita alternativa” (alt-right populista e nacionalista) e as redes sociais, cujas plataformas tecnológicas fazem parte da chamada Revolução Industrial 4.0 – Inteligência Artificial, algoritmos probabilísticos, mineração de Big Data, ao lado de nanotecnologia, biotecnologia e neurotecnologia.

Uma conexão entre o retrocesso político e cultural paradoxalmente turbinado por um capitalismo hiper-tecnológico.

Em postagens anteriores, este humilde blogueiro vem apontando para a importância do fator da canastrice na política – acostumados com simulacros televisivos e fílmicos, a opinião pública veria nos candidatos canastrões, que emulam personagens ficcionais, políticos verossímeis ou críveis... por lembrarem personagens da ficção.  Trump e o reality show televisivo "O Aprendiz" ou Doria Jr. e o meme do “Rei do Camarote”. E as “mitagens” de Bolsonaro, iniciadas como um personagem bizarro de humor em programas como Pânico na TV ("as mitagens do Bolsonabo”) ou no quadro “O Povo Quer Saber” no CQC da Band seriam os exemplos mais atuais.

Mas o fenômeno da canastrice na política ainda está associado às mídias clássicas de massas como Cinema e TV.

Bolsonaro e a alt-right vão além disso: também são produtos das tecnologias de convergência da RI 4.0. Tecnologias que criaram uma cultura de aplicativos assentada sobre a noção dúbia de “inteligência artificial”.


Rebaixamento dos padrões de inteligência

Dúbia, porque, para muitos pesquisadores, a noção de “inteligência” trabalhada pelos cientistas computacionais e designers de softwares e aplicativos pressupõe uma autoabdicação humana: rebaixar os padrões do que entendemos como “inteligência”, enquanto os usuários se tornam simples processadores de informação.

Por exemplo, segundo o engenheiro computacional Jaron Lanier, para acreditarmos que aplicativos e algoritmos são realmente “inteligentes” temos que obrigatoriamente reduzir os nossos padrões de inteligência humana – o exercício diário de tratar máquinas ou aplicativos, como por exemplo Waze ou Google Maps, como formas de inteligência reais. O que resulta num senso de realidade mais flexível.

Isso sem falar nos aplicativos de relacionamentos que reduzem as relações afetivas à probabilidade estatística. Chama-se isso de “inteligência emocional” – a capacidade de adaptação irrefletida em um ambiente como forma de sobrevivência emocional.

Inteligência coletiva, nuvem, algoritmo ou qualquer outro objeto cibernético é aceito como uma super-inteligência por que reduzimos os nossos padrões e expectativas sobre a inteligência. As pessoas se degradariam o tempo todo para fazerem os aplicativos parecerem espertos.

Por exemplo, a ideia de amizade nas redes sociais é vulgarizada e reduzida. Uma pessoa se orgulha em dizer que possui milhares de amigos no Facebook. Essa afirmação só poderia ser verdadeira se a ideia de amizade for restrita. Ignora-se que a verdadeira amizade deve expor à estranheza inesperada do outro.

Talvez não seja mera coincidência ou determinismo tecnológico (Trump e Bolsonaro apenas teriam sido espertos em se aproveitar das mídias em ascensão no momento, assim como Goebbels se apropriou do cinema e rádio à sua época) essa relação íntima entre a atual direita alternativa e as redes sociais como locus privilegiado para a guerra semiótica.

Mais do que o discurso fascistoide, beligerante e que apela mais ao fígado do que à mente dos receptores, a normatização ou verossimilhança de uma figura tão limítrofe como Bolsonaro (achar “aceitável” o capitão da reserva, com explícitas limitações cognitivas, ser um candidato a chefe de Estado), está sincronizada a esse projeto hipertecnológico que consiste em rebaixar o conceito de “inteligência”.

Uma das consequências mais importantes da precarização do conceito de inteligência com a cultura dos aplicativos e das redes sociais é, principalmente, o rebaixamento das expectativas sobre o que seja um debate político ou de ideias. E a confusão entre uma importante categoria civilizatória: a distinção entre público e privado.

Jaron Lanier: Aplicativos reduzem os nossos padrões de inteligência

Redes sociais confundem Público e Privado

Semioticamente, a linguagem das redes sociais é indicial e performática – embora simbólica, emula características e funções da comunicação oral e não verbal. Como plataformas “públicas” (embora com interesses privados) são semioticamente simbólicas: digitamos textos e postamos mensagens supostamente de interesse público. Porém, os índices de comunicação não verbal (emoticons, memes, gifs animados, onomatopeias, recursos de digitação etc. que imitam conotações ou entonações) simulam comunicação oral presencial – reforçado pelo efeito on-line e tempo real que acabam simulando uma situação presencial.

Daí uma forma de comunicação composta por pitacos, adjetivações, xingamentos, provocações, insultos, como fosse comunicação presencial mas, paradoxalmente, com o anonimato “garantido” por um avatar. Do isolamento de um indivíduo diante da tela de um smartphone ou computador, o ponto de vista da comunicação é privado, sem o ritual ou a necessidade do rigor argumentativo de uma esfera pública.

A noção de debate de ideias e da própria ideia de Política ou de ideologia é rebaixada ao pitaco, frases chapadas, platitudes e clichês – “Conspiração para esconder a verdade da Terra plana!” ou “matar um gay é profilático!” são sofismas que, num ambiente de precarização generalizado, ganha a aparência de “debate”.

Assim como um deficiente cognitivo como Jair Bolsonaro ganha o status de “candidato presidencial” e, depois, “presidente da República”, com um “discurso” de bravatas e provocações que se confunde com “debate político” ou “programa de governo”.


Nesse momento as rusgas da Globo e Folha contra o clã Bolsonaro é mais um episódio desse enredo: a pobreza cognitiva de Bolsonaro (e do próprio clã) é tão evidente que não perceberam em seus cálculos políticos que, como egressos da corrupção de baixo clero (milícias e tráfico), não são bem vindos às mesas elegantes da “Casa Grande” – especializados na alta corrupção de empreiteiras e portos.

O clã Bolsonaro apenas foi o meio para que o projeto neoliberal (ruim de voto em qualquer eleição democrática) passasse incólume numa campanha eleitoral sem debates. O vice General Mourão é o núcleo duro militar e racional que garantirá a permanência do projeto da pulverização de direitos e garantias sociais com as “reformas” visadas pela “Casa Grande” (banca financeira e grande mídia).

E Bolsonaro, assim como Trump e tantos outros tantos “líderes” que ainda virão pela cruzada internacional da nova direita populista nacionalista comandada pelo norte-americana Steve Bannon, foi apenas um avatar criado para surfar na cultura de redes sociais e aplicativos.

A precarização das noções de inteligência e política é o meio para hackear a Democracia. Enquanto no mundo real, fora das bolhas digitais, as políticas de controle e extermínio de garantias e direitos sociais e econômicos passam sem nenhum debate público e inteligente.

Wilson Ferreira
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Direito da Embraer na “sociedade” com a Boeing é só o de olhar a reuniões


Saudada como “joint venture”, parceria, sociedade, a nova Embraer, agora de propriedade da Boeing, reservou um papel  ridículo à empresa original.

Não terá nenhum diretor, apenas poderá colocar um “observador”, sem direito a voto, no Conselho da “NewCo”, como se rebatizará a Embraer, claro que antes de ela se tornar um mero setor de jatos médios da gigante americana.

E mesmo este observador, segundo publica o Valor, poderá ter restringido o acesso  a “materiais ou reuniões que possam comprometer a confidencialidade jurídica, que resultem em segredos de negócios ou que possam configurar conflito de interesses “.

Este foi, aliás, o principal ponto em que se apoiou a decisão judicial que havia travado o acordo, depois derrubada, a pedido do governo brasileiro, no Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

Na empresa que ficará com o segmento militar, com 51% da antiga Embraer, ela pode indicar até quatro dos cinco diretores, menos um, adivinhe, o financeiro. Ou seja, quem cuida do dinheiro é a Boeing.

Chega a dar medo que este negócio tenha sido aceito pelo governo que mais tem militares em seu ministério, mais até que o regime de 1964.

Se é isso o que chamam de defender seu país, valha-nos Deus…

Fernando Brito
No Tijolaço
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MP pede à Justiça a saída do ministro do Meio Ambiente

Pedido se baseia em condenação de Ricardo Salles por improbidade administrativa quando ele chefiou secretaria em SP. Ministro não comentou o caso, pois está em Brumadinho.


Em uma apelação enviada ao Tribunal de Justiça de São Paulo, os promotores Leandro Henrique Leme e Silvio Marques, do Ministério Público paulista, pedem que a Justiça determine a imediata perda da função pública do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

O ministro foi condenado em primeira instância em dezembro do ano passado por improbidade administrativa, num processo sobre a alteração de mapas da várzea do Rio Tietê que beneficiou uma empresa mineradora. Na época, Salles era Secretário do Meio Ambiente do Governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

O ministro e outros condenados no caso estão apelando com recurso na segunda instância. A denúncia que levou à condenação de Salles fala em alteração de mapas elaborados pela Universidade de São Paulo, da minuta do decreto do plano de manejo e perseguição a funcionários da Fundação Florestal com o propósito de beneficiar setores empresariais.

A assessoria de imprensa do Ministério do Meio Ambiente foi questionada se Salles foi notificado e se gostaria de comentar o caso e informou à reportagem que no momento o ministro está atuando nas ações de Brumadinho.

O documento protocolado pelos promotores paulistas na última quinta-feira (24) fala em "gravíssimas consequências" ambientais provocadas pelos motivos que levaram à condenação de Salles.

"Enfatizem-se, no presente caso, as gravíssimas consequências das alterações introduzidas no Plano de Manejo da APAVRT e a extensão do dano pretendido, considerando o tamanho da unidade de conservação", diz o documento.

"Relembre-se o caso da mineração, com as alterações introduzidas pelos requeridos, ora apelados, atividade de consequências muito deletérias ao meio ambiente, como salientado pelos eminentes professores da USP".

Os promotores destacam que os condenados, "mesmo conhecedores dos trâmites regulares de elaboração de um plano de manejo, subverteram todo o procedimento administrativo” para acolher pedidos empresariais que já haviam sido rechaçados no momento oportuno".

O pedido de perda de cargo público feito pelos promotores também afirma que "Ricardo de Aquino Salles ocupava a posição mais relevante no Sistema Ambiental Paulista e, mesmo assim, pessoalmente determinou a realização de alterações fraudulentas no Plano de Manejo da APAVRT, todas elas desfavoráveis ao meio ambiente".

Walace Lara
No G1
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Urutus

Urutu é uma cobra rápida e venenosa que, por isso mesmo, no Brasil, deu nome a um blindado muito útil em ações militares e controle de multidões. A versão brasileira do bicho foi elogiada até pelos americanos, que a consideram superior à deles e a usaram no Iraque até há pouco tempo. Os urutus têm prestado bons serviços às forças amadas e na contrainsurgência, mas ficarão na história também por outra razão.

Não sei se alguém já se deu o trabalho de calcular quanto foi gasto no deslocamento dos blindados liderados pelo general Olympio Mourão Filho, de Juiz de Fora para onde mesmo? Gasolina, mantimentos, munição – pois havia o risco real de um enfrentamento com tropas leais ao presidente João Goulart – o transporte dos insurrectos... Uma nota.

Os urutus do Mourão Filho na estrada eram um desafio à nação: sigam-nos porque isso não tem volta e preparem-se porque pode ter sangue. O golpe vitorioso inaugurava um período de exceção que feriria a instituição militar tanto quanto suas vítimas na sociedade civil, e deixaria manchas na sua própria consciência como um legado incômodo. Tanto que ninguém se surpreendeu mais com as primeiras faixas pedindo intervenção militar durante as manifestações da direita brasileira subitamente energizada do que a extrema direita brasileira subitamente levada a sério. O que, outro golpe? Onde estão os urutus? Que entrem os urutus.

A ironia de tudo isso é que os urutus não são mais necessários. Como parecemos estar a caminho de uma revisão geral de currículos e princípios para adaptá-los à moral dos novos tempos, será interessante saber como os novos tempos tratarão a nossa História. O que dirão do progresso de um golpe que não se chamava golpe e podia ter sangue para um golpe que conseguiu botar mais generais na ativa do governo do que durante a ditadura? Pense só no que se economizou em combustível para urutu.

Luís Fernando Veríssimo
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"Multas" não ressuscitam mortos

Xavier: abutres acham que dinheiro lava tudo


O Conversa Afiada publica artigo sereno (sempre!) de seu exclusivo colUnista Joaquim Xavier:

Sei que está fora de moda defender vidas num governo de propósitos abertamente homicidas. “Tem que matar uns 30 mil”, disse o hoje presidente Bolsonaro numa entrevista emblemática quando ainda era deputado. “Jean Willys tem que ir para o paredão profilático”, postou a desembargadora carioca Marilia Castro Neves, “embora não valha a bala que o mate”. “Tem que mirar e acertar na cabecinha”, orienta o novo governador do Rio.

O dilema volta com o desastre de Brumadinho. Após a tragédia, governos e ministério público se apressam a lavrar multas e bloquear dinheiro da Vale como “punição”. Assim como têm feito ao longo dos tempos. Serve para alguma coisa?

No principal, para nada. Seja qual for o volume, a dinheirama nunca será capaz de aplacar a dor e o trauma definitivo de quem perdeu familiares, parentes, amigos. Para desgosto da ministra Damares, mortos não ressuscitam em pés de goiaba, por maior que seja a fé de cada um.

Num nível abaixo, a montanha de “punições” sempre está sujeita a recursos, chicanas e jeitinhos nesse judissíário subserviente ao grande capital – fora que os valores mal fazem cócegas no cofre empanturrado das empresas atingidas. O desastre de Mariana em 2015 até hoje corre nos tribunais. Mais de 300 famílias aguardam até hoje a reconstrução de suas casas. Vivem como párias, chorando a perda de seus mortos. Ninguém está preso. Já a Vale seguiu a mil por hora, produzindo lucros para os que se aproveitaram do arrastão de privatizações promovido por Fernando Henrique Cardoso.

Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada, tocou no ponto. Enquanto era estatal, a Vale não produziu um morto vítima de desastres parecidos. Poderia não “lucrar” tanto – e olha que lucrava muito! - porque levava em conta medidas de segurança e de preservação de seus funcionários. Após a privataria selvagem, a empresa deixou o assunto em último plano – se é que deixou em algum plano. Escondeu riscos e preferiu investir no azul do livro caixa. Mortos viraram estatísticas “inevitáveis” no plano da empresa.

Assim como em Mariana, o desastre de Brumadinho era previsível. O noticiário está repleto de informações sobre reuniões alertando para os riscos. Dias antes do estouro da barragem, houve tremores de terra indicando a gravidade da situação. Mais grave ainda: não existia nenhum sistema para advertir a população das cercanias de que o pior estava prestes a acontecer.

Não se sabe – e nunca se saberá ao certo — a quanto chegará o número de vítimas de Brumadinho, assim como não se conhece com exatidão quantos morreram em Mariana. Outras tragédias do gênero já estão no calendário, a não ser que se tome a única providência cabível num ambiente como esses: SUSPENDER imediatamente a operação de todas essas instalações Brasil afora, até que uma comissão independente de especialistas ateste a segurança de tais construções. “Ah, mas isso custa dinheiro.” Sim, vai custar dinheiro do pessoal do 1% que suga os recursos da maioria do planeta.

A má notícia: o ministro responsável pelo meio-ambiente é investigado como especulador de licenças ilegais. Paulo Guedes, o czar das finanças que mora no Brasil, mas tem seu domicílio cerebral com CEP em Washington e Chicago, não está nem aí para isso. Já o chefe de ambos, o ex-capitão Bolsonaro, avalia que cuidados com o meio ambiente travam investimentos no Brasil.

Onde será o próximo Brumadinho?

Joaquim Xavier
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Reestatização da Vale já!


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Moro pega caso de 2011/12 para dizer que pune quem ameaça Wyllys


Em nota oficial emitida neste sábado, o Ministério da Justiça, chefiado por  Sérgio Moro lamenta a decisão do deputado Jean Wyllys  de renunciar ao mandato e deixar o país, mas diz que “não há omissão das autoridades constituídas” na identificação e punição aos que ameaçam o psolista.

Dá como exemplo solitário a prisão de Marcelo Valle Siqueira Mello, membro do grupo autointitulado ‘Homens Sanctos’,  que foi preso em 2018, segundo a nota,  por fazer ameaças contra Wyllys .

Não é verdade.

Marcelo foi preso em maio de 2018, em razão de um inquérito policial iniciado em 2012, muito antes de Wyllys denunciar ameaças.

Inquérito que, aliás, começara um ano antes, como se pode ler no mandado de busca, apreensão e prisão do cidadão, assinado em abril deste ano pelo Juiz Marcos  Josegrei, da 14a. Vara Criminal.

O documento, em PDF, está aqui.

Aliás, o sujeito já fora  condenado  na Operação Intolerância (ação penal nº 5021040-33.2012.4.04.7000) pela prática de crimes  via internet, através de postagens destinadas a disseminar o ódio, o racismo e a discriminação, “fatos ocorridos no período de outubro a dezembro de 2011”.

Na peça, em 36 páginas, o nome de Jean Wyllys não é citado uma única vez.

O Ministério da Justiça “reciclou” um criminoso de ódio para “demonstrar” que está agindo contra os que ameaçam o deputado, usando um caso antigo e, aparentemente, não relacionado com as ameaças que o deputado sofre.

Aliás, não deve saber que os áudios em que o cidadão recomenda que os homens sejam “canalhas” para serem bem sucedidos com mulheres – que seriam satânicas, aliás – continuam podendo ser acessados na internet e que o canal dos tais “Homens Sanctos” continua ativo no Youtube, veiculando propaganda nazista.

Até porque Marcelo, preso desde maio, não poderia ser o autor de tentativas de intimidação recente.

O Ministério de Moro deveria caprichar mais nas respostas, limitando-se a informar a verdade e não pegando um condenado “na prateleira” para tentar apresentar serviço.

A mistificação só ajuda a dar razão ao que diz Jean Wyllys.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Bolsonaro sabia do atentado 30 minutos antes - assista


Trecho da entrevista com o Dr. Itamar dos Santos de Ubá - MG candidato, não eleito, ao cargo de Deputado Federal pelo PSL, onde ele diz que, em almoço com Bolsonaro, souberam pela inteligência da polícia federal, sobre o "atentado", 30 minutos antes.



Aqui a entrevista completa:

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As tragédias permitidas

A par das causas físicas e empresariais, a Procuradoria-Geral da República, os Ministérios Públicos federal e de Minas e o Judiciário destacam-se entre os responsáveis pela segunda tragédia causada por ruptura de barragem. Sentenças rigorosas, e em tempo admissível, para os culpados pela tragédia em Mariana levariam os administradores de barragens a fiscalizações sérias e permanentes. E à prevenção devida aos habitantes, seus bens e áreas produtivas atingíveis por possível ruptura — caso óbvio de Brumadinho.

Faltaram ainda àqueles poderes providências, por exemplo, para que todas as empresas administradoras de barragens fizessem, em seguida ao desastre de Mariana, inspeções e laudos formais em prazo determinado.

Talvez evitassem em Brumadinho o desaparecimento de tantas pessoas, colhidas na ingenuidade perversa do perigo. E por certo o fariam em outras barragens também deixadas ao seu potencial ameaçador.

Já sabemos como aqueles poderes procederão outra vez.

Está no ar

Excluído do Exército, sob ponderações no Superior Tribunal Militar que puseram em dúvida até seu equilíbrio mental, Bolsonaro ficou à distância de sua classe por muito tempo. Embora refletindo-a nas opiniões e, proveito também eleitoral, nas reivindicações.

A perspectiva da candidatura à Presidência mudou sua relação com o passado. Por utilitarismo, sem dúvida, Bolsonaro empenhou-se em ser dado como capitão, representante legítimo de todas as idiossincrasias e da radicalidade conservadora, anticultural e patrioteira da caserna. O candidato identificado com as Forças Armadas.

Os comandos do Exército aceitaram o risco dessa identificação, apesar da preocupação até revelada. Os da reserva, categoria em que as pretensões de superioridade e os sectarismos podem se mostrar mais, regozijaram-se com a atitude de Bolsonaro. 

O então comandante do Exército, general Villas Bôas, que se reconhecera como um dos preocupados, formalizou a aceitação do risco, aparentando dá-lo por extinto.

Em duas semanas após a posse, a preocupação voltou a muitos. Pelo avesso, porém. Como preocupação com a possibilidade de identificação, aos olhares internos e sobretudo externos, dos militares e seus generais com Bolsonaro, suas ideias irrealistas e o círculo familiar-religioso insustentável.

Desde a terceira semana, o lento desenrolar do caso Flávio Bolsonaro e seus tentáculos até o próprio Bolsonaro tiveram a contribuição do vexame no Fórum Econômico Mundial para agravar o estado de coisas. Se cá fora, sem comprometimento com a situação, seus possíveis desdobramentos causam inquietações, é fácil imaginar o que se passa com a maioria dos generais, inclusive como contribuintes da identificação militar com o novo e caótico poder.

Nos últimos dias, as interpretações, análises, deduções, dos mais diversos calibres, povoaram as mentes e conversas dos próximos e dos mais atentos às várias movimentações no poder e arredores.

Admitidas exceções, entre os generais do governo militarizado e Jair Bolsonaro o ar já não é o mesmo.

Apesar do esforço, a poluição é perceptível.

Ainda não se conhece poluição que não deixe consequências.

Janio de Freitas
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