26 de jan de 2019

A Vale não matava ninguém quando era estatal

Vargas criou a Vale para tirar o minério de ferro das mãos de um gângster


Em três anos, a empresa privada Vale matou 19 (em Mariana) e desapareceu com 300 brasileiros em Brumadinho.

Quando era estatal a Vale não matava ninguém.

Como se sabe, o "Príncipe da Privataria" (FHC) vendeu a Vale a preço de banana - por um valor inferior ao que a empresa tinha em caixa - por sugestão (desinteressada... ) do "Careca" (Serra), o maior dos ladrões.

Dali em diante, a Vale foi instrumento das técnicas privadas de "jestão".

Por exemplo, o semi-Deus Roger Agnelli, que co-presidiu a Vale.

Co-presidiu, porque compartilhou a "jestão" da empresa com a Míriam Leitão, que, da Globo, na qualidade de jornalista mais vista do mundo, a mais valiosa, sem similar nem na China, co-presidia a empresa.

A mesma função de co-presidenta ela desempenhou na Globo e na vitoriosa "jestão" do Pedro Malan Parente, que detonou a Petrobras e o Governo Temer!

Três "jênios"!

Agnelli mandava comprar navios em Cingapura, demitia funcionários com facão afiado e se meteu numa estranhíssima encrenca na África, na virtuosa companhia do banqueiro André Esteves.

Agora, a Vale está nas mãos de um executivo do tipo head-hunter, que preside uma mineradora como presidiria uma barraquinha de pipocas ou uma franchise da Kopenhagen do filho do Bolsonaro: cortar custos, demitir e gerar lucros para os acionistas.

Para isso, estava em Davôs, como diz o Doria.

A Vale tem que ser re-estatizada.

Para parar de matar gente, de três em três anos.

Para voltar a fazer política de desenvolvimento regional e não se limitar a ser uma empresa predadora e espoliadora.

Getúlio Vargas criou a empresa estatal Companhia Vale do Rio Doce em 1942, para retirar do gângster americano Percival Farquhar o monopólio que detinha sobre o minério de ferro brasileiro.

FHC e Serra queriam destruir o legado de Vargas.

E doá-lo a outros americanos (muitas vezes também gângsters como Farquhar).

O minério de ferro não dá duas safras!

A Vale é nossa!

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Brumadinho: Onda de lama da Vale deve atingir 19 municípios de MG


Embora a quantidade de rejeito de mineração vazada da barragem localizada no município de Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), seja menor do que a despejada sobre o Rio Doce em novembro de 2015, os danos socioambientais serão grandes. O alerta é feito pelo biólogo Renato Ramos. 

“As informações são muito desencontradas no momento. A gente vê informações de que são um milhão de metros cúbicos de rejeito, outras de que pode chegar a até 13 milhões de metros cúbicos de rejeito. É uma proporção muito menor do que aconteceu no desastre de Mariana, mas também é um desastre severo”, alerta.

Ramos é responsável por um estudo, em parceria com o geólogo Sófocles de Assis, e que aponta que 19 municípios mineiros devem ser atingidos pela onda de lama. São eles: Betim, Brumadinho, Curvelo, Esmeraldas, Felixlândia, Florestal, Fortuna de Minas, Igarapé, Juatuba, Maravilhas, Mário Campos, Morada Nova de Minas, Papagaios, Pará de Minas, Paraopeba, Pequi, Pompéu, São Joaquim de Bicas e São José da Varginha. Segundo os pesquisadores, é possível que a pluma chegue até a barragem de UHE Retiro Novo, próximo a Três Marias.


Ao Brasil de Fato, os especialistas afirmaram que já vinham trabalhando no estudo das consequências do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, e por isso puderam elaborar rapidamente um prospecto do impacto dessa nova tragédia. Esses estudos podem, por exemplo, evitar que a lama chegue ao Rio São Francisco, provocando um dano ainda maior.

“A gente está pensando nesse momento que uma medida para conter o fluxo da lama é fechar a barragem de Três Marias. Ali tem um reservatório muito grande e talvez a quantidade de água que existe ali depure a lama, segura ela, que seria depositada no leito do reservatório. Isso ajudaria a não impactar o restante do Rio São Francisco”.

Estudos apontam que há mais de 400 barragens de rejeitos no território mineiro, sendo que 50 apresentam não tem garantia de estabilidade e apresentam riscos.
O rompimento ocorreu no começo da tarde desta sexta-feira. O governo de Minas Gerais afirmou que a Defesa Civil do Estado já enviou uma equipe para o local. Anda não há estimativa sobre o número de pessoas atingidas.

No Desacato
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As fake news sobre Jean Wyllys espalhadas pela direita


Logo depois que Jean Wyllys anunciou que renunciaria ao mandato de deputado e sairia do país devido à insegurança, boatos sobre ele começaram a se difundir nas redes de direita, sugerindo ou diretamente acusando o deputado do PSOL de estar articulado com Adelio Bispo no atentado contra o presidente Jair Bolsonaro.

Os boatos, com algumas variações, sugerem que Adelio teria ido ao Congresso em 2013 e que na visita teria se encontrado com Jean Wyllys; no dia da facada.

Adelio teria sido registrado no Congresso pela equipe de Wyllys para criar um álibi caso conseguisse escapar (na verdade, o registro foi um erro de um atendente ao fazer uma pesquisa para saber se Adelio já tinha estado no Congresso); com o aprofundamento das investigações sobre o atentado, Wyllys, que seria suspeito, teria decidido fugir do país.

Sugestões com essas deduções começaram a se difundir no Twitter logo na tarde do dia 24. A conta de Milene Reis, seguida por Carlos Bolsonaro e pelo assessor do presidente Filipe Martins, tweetou às 16:49: “Vídeo comprova que Adélio, ex-PSOL, visitava um deputado no Congresso/ Quem pagou os advogados de Adélio?/ Moro vai investigar entrada de dinheiro da ditadura de Maduro no Brasil/ Maduro é deposto/ Jean Wyllys desiste do mandato e foge do país/ Coincidência? #VaiPraCubaJean” (1.400 retweets)

No decorrer da tarde, a tese começa a ser difundida e ganhar centenas de retweets a partir das contas @peakebraga, @adrianotomasoni, @bolsoneas e @maryritalopes com a hashtag #VaiPraCubaJean.

À noite, às 21:56, o ex-secretário nacional de justiça Romeu Tuma tweeta: “Essa história do Jean Wyllys tá muito estranha!!! Tem coelho nesse mato!” (2,1 mil retweets).

Logo em seguida, tweet da conta O Corvo diz “Talvez a PF tenha descoberto o vínculo de Adélio com alguém do PSOL no caso do atentado! Será que Jean Fugiu?” (2,2 mil retweets). No dia 25, a tese viraria trending topic #1 com a hashtag #InvestigarJeanWillis (sic)



Fundamental para a difusão do boato é o longo vídeo da jornalista Regina Vilella publicado na noite do dia 24 no canal de Youtube Cabra da Peste TV, depois reproduzido no canal Política Play (500 mil visualizações) e pela página de Facebook da maçonaria Avança Brasil.

No vídeo, a jornalista relaciona um suposto fim da imunidade parlamentar, a investigação da Polícia Federal e os vínculos de Adélio com o PSOL e Jean Wyllys.



No Facebook, a notícia também começa a se difundir na noite do dia 24, quando os sites e páginas hiperpartidários publicam a tese.

Com mais de 2 mil compartilhamentos, o site bolsonarista Notícias Brasil Online pergunta, “Se Jean Wyllys Está Sofrendo Ameaças. Será Por Queima De Arquivo?”

Já no começo da madrugada, com 10 mil compartilhamentos, o blog do Cleuber Carlos é ainda mais direto, “Jean Wyllys Pode Ser o Mandante Por Trás de Adelio Bispo na Tentativa de Matar Jair Bolsonaro”; a página Movimento Curitiba Contra a Corrupção simplesmente sugere “juntar os pontinhos” (24 mil compartilhamentos); por fim, Olavo de Carvalho também não é sutil, “Eu apostaria que a perseguição ao Flávio Bolsonaro, a fuga de Jean Wyllys e a tentativa de assassinato de Jair Bolsonaro, por um ex-membro do PSOL, estão ligados de alguma forma bem bizarra.” (1,4 mil compartilhamentos).

No começo da manhã é a vez do presidente Jair Bolsonaro, no Twitter e no Facebook, resgatar o tema do atentado.

Ele não faz menção a Jean Wyllys, mas faz questão de enfatizar as ligações do atentado ao PSOL: “ADÉLIO BISPO: filiado ao PSOL até 2014/ Em 6 de agosto de 2013, o então filiado ao PSOL, esteve no anexo 4 da Câmara dos Deputados, como registra sistema/ (…) Usando o nome do antigo filiado ao PSOL, alguém registra presença na Câmara dos Deputados no mesmo dia da tentativa de assassinato. Álibi perfeito caso fugisse do local do crime; (…)”

Do Monitor do Debate Político no Meio Digital no Facebook
No DCM



Bolsonarista que espalhou fake news sobre Jean Wyllys é suspensa do Twitter

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Veja lista de funcionários fantasmas empregados pelo clã Bolsonaro


Presenças fantasmagóricas assombram a família presidencial. Quantas mais vão surgir?

É uma tradição familiar. Contratar funcionários – fazendo uso de verbas públicas – que não aparecem no gabinete parlamentar para cumprir suas funções. Trata-se de uma prática que a família Bolsonaro cultiva há muitos anos. A cada dia que passa, mais um profissional contratado por um Bolsonaro surge nos noticiários, em fantasmagóricas aparições, a assombrar o atual presidente da República.

Chegou-se ao ponto de ser difícil manter a conta de quantos funcionários fantasmas já foram revelados até agora, e em qual dos gabinetes da família cada um foi instalado. Segue, abaixo, uma lista do que se conhece até hoje, dia 25 de janeiro de 2019, data de publicação desta reportagem, sem detrimento dos que eventualmente venham a surgir nos próximos dias, semanas, meses e anos.

1 – Wal do Açaí – Gabinete de Jair Bolsonaro

Ela trabalhava aqui. Mas era paga com o seu dinheiro. Graças a Bolsonaro
Foto: Reprodução do Youtube
Walderice Santos da Conceição, 49, compunha a equipe de 14 funcionários do gabinete parlamentar do então deputado federal Jair Bolsonaro até agosto do ano passado. Uma senhora humilde, esposa do caseiro da casa de praia de Jair Bolsonaro no município de Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro. Nunca nem pisou em Brasília. No horário de expediente na Câmara, dava ponto atrás do balcão da “Wal do Açaí”, sua lojinha de venda do produto.

Primeiro, Bolsonaro disse que Wal era sua consultora na cidade de Angra dos Reis, enviava a seu gabinete as informações sobre as necessidades daquela cidade, para que Jair pudesse propor projetos de lei para ajudar o município.

Mas era mentira, como revelou o jornal Folha de S.Paulo. Descobriu-se que Bolsonaro jamais, em seus quase 30 anos como deputado, jamais criou um só projeto de lei minimamente ligado a Angra dos Reis. Depois, ainda se descobriu que a Wal fazia faxina na casa do Jair, também no horário em que estava empregada lá em Brasília, sendo paga com dinheiro público. Então, ela pediu demissão.

2 – Flávio Bolsonaro – Gabinete de Jair Bolsonaro

Cara de um, fantasma do outro
Foto: Divulgação/PSL
A BBC informou: “Entre 2000 e 2002, Flávio Bolsonaro, então com 19 anos, acumulou três ocupações em duas cidades diferentes: faculdade presencial diária de Direito e estágio voluntário duas vezes por semana no Rio de Janeiro, e um cargo de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados, em Brasília.”

Partindo da hipótese de que o veículo de comunicação que divulgou a notícia, pertencente ao Governo da Grã-Bretanha, não faz parte da imprensa comunista que vive a atacar a família Bolsonaro, apenas uma conclusão é possível: Flávio Bolsonaro foi fantasma de Jair Bolsonaro.

Isso porque, até onde se sabe, Flávio não é onipresente, não poderia ter estado em duas cidades ao mesmo tempo. E, como mostra o órgão de imprensa britânico, são documentos oficiais (declarações do Imposto de Renda, Portal de Transparência da Câmara dos Deputados, Diário Oficial da União e histórico escolar de Flávio) que apontam a presença dupla e simultânea de Flávio Bolsonaro estudanto Direito no Rio e trabalhando com o pai em Brasília.

3 – Tercio Arnaud Tomaz – Gabinete de Carlos Bolsonaro

Em documento oficial, Carlos informou que seu assessor nunca faltou ao trabalho. É mentira.
Fonte: Alerj
Ao longo de todo o ano de 2018, o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) atestou a presença integral do ex-assessor Tercio Arnaud Tomaz em seu local de trabalho, o gabinete do parlamentar. Salário pago pelo povo carioca: 3.641 reais por mês.

Mas era mentira do Carlos. Conforme mostrou o jornal O Globo, Tomaz era, na realidade, membro da equipe de comunicação e mídias sociais da campanha do então candidato a presidente da República Jair Bolsonaro. E, logo após a eleição, enquanto ainda recebia seus vencimentos às custas do povo do Rio, já passou a se apresentar a jornalistas  como assessor de comunicação do Jair. Não fez questão de esconder nada, pelo contrário, passou a divulgar as agendas do presidente eleito, a responder às demandas da imprensa.

Mas o assalto aos cofres públicos cariocas já acabou. Tomaz foi exonerado do cargo, já tem até um novo emprego, conforme publicado no Diário Oficial da União. É agora assessor especial da Presidência da República, nomeado por Jair Messias Bolsonaro, com salário de mais de 13 mil reais por mês.

4 – Wellington Sérvulo Romano da Silva – Gabinete de Flávio Bolsonaro


O tenente-coronel viajante e seu empregador, Flávio Bolsonaro, com os devidos agradecimentos ao contribuinte fluminense
O Tenente-coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro Wellington Sérvulo Romano da Silva foi contratado pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Alerj por um ano e meio: de abril de 2015 a setembro de 2016. Durante todo este período, o contribuinte fluminense pagou fiel e integralmente seus vencimentos mensais, de 5.400 reais, fiando-se no que oficialmente atestava Flávio Bolsonaro, de que se tratava de um profissional assíduo no trabalho.

Ocorre, porém, que em 248 dias deste um ano e meio, o tenente-coronel não foi trabalhar, não estava nem no país, mas sim em Portugal, como informou exibindo provas e documentos o Jornal Nacional.

Se serve de consolo ao pagador de impostos do Rio de Janeiro, Romano da Silva não ficou com a totalidade do dinheiro público que não fez por merecer: ele é um dos funcionários que depositou parte de seus vencimentos na conta de Fabrício Queiroz, aquele outro ex-assessor, que teria contratado milicianos para o gabinete de Flávio, sem que o então deputado soubesse, como ele mesmo (Flávio) já explicou.

5 – Nathalia Queiroz – Gabinete de Jair Bolsonaro

Queiroz Filha, Queiroz Pai e Jair Bolsonaro. Tudo em família
Ao longo do ano de 2018, o gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro atestou oficialmente que a ex-assessora parlamentar Nathalia Queiroz cumpriu religiosamente sua carga horária de trabalho no gabinete do agora presidente da República. Pelos serviços prestados, recebeu o salário mensal de 10 mil reais, pagos pelo contribuinte brasileiro.

Jair Bolsonaro informou à Câmara dos Deputados, segundo mostram documentos exibidos pela CBN, que Nathalia não faltou sequer um dia ao trabalho.

Mas era mentira do agora presidente da República. Durante todo o tempo em que o pagador de impostos brasileiro honrou seu compromisso com a funcionária de Bolsonaro, ela estava, na realidade, trabalhando como personal trainer de celebridades no Rio de Janeiro.

A prova da fraude, quem forneceu, foi a própria Nathalia, em dezenas de fotos e postagens que publicou em suas redes sociais, trabalhando como personal, com seus clientes famosos da televisão.

Nathalia é filha de Fabrício Queiroz, aquele ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro, aquele que depositou 40 mil reais na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Tudo em família.

6 – Renato Antônio Bolsonaro – Gabinete de Antonio Prado

Quando o irmão foi descoberto fazendo o que não devia, Jair disse: “Ele que se exploda” 
Foto: Divulgação/Alesp
Renato Antônio Bolsonaro, irmão do presidente da República, foi exonerado no dia 7 de abril de 2016 do cargo de assessor especial do deputado estadual André do Prado (PR-SP), após se constatar que ele era funcionário fantasma na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), conforme noticiou o Portal R7.

Bolsonaro era remunerado com um salário de R$ 17 mil mensais, pagos pelo povo paulista, mas trabalhava vendendo móveis na cidade de Miracatu, no interior de São Paulo, enquanto deveria estar na Assembleia. Quando a fraude veio à tona, seu irmão mais famoso falou à imprensa sobre o episódio: “Se meu irmão praticou algum crime, problema dele. Ele que se exploda.”

Ele, não você. Tá ok?

Vinicius Segalla
No CartaCapital
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Revista comunista detona Flávio Bolsonaro


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Já teve presidente da República caindo por muito menos


Toda a situação envolvendo a família Bolsonaro com Fabrício Queiroz teve um desfecho que complica, e muito, a história. Como todos devem saber, parte dos homens acusados de participação no assassinato de Marielle e Anderson foram presos. E o que descobriu-se com as prisões é uma teia muito mais tenebrosa e complexa do que se imaginava.

Eu vou explicar.

Mas, antes, vamos lembrar de uma coisa importante: na semana passada, nós publicamos a história do principal suspeito do assassinato de Marielle Franco. Poucos dias depois, a polícia foi atrás de diversos milicianos, prendeu alguns, mas o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega segue foragido. Ele era o homem por trás da história que demos e que, agora, está atualizada.

Então, o que descobrimos com a prisão dos suspeitos milicianos de um grupo extremamente violento e profissional chamado Escritório do Crime? Que a mulher de Adriano trabalhava no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Mais: que a mãe de Adriano também trabalhava no gabinete de Flávio Bolsonaro. E que ela depositou dinheiro na conta de Fabrício Queiroz, amigo íntimo dos Bolsonaro, ex-assessor e o operador de um esquema milionário e ainda sem explicações.

Essas descobertas derrubaram a tese de que a lama que escorre em Flávio Bolsonaro não teria nada a ver com o pai.

Pois foi Fabrício Queiroz quem depositou dinheiro na conta da primeira dama Michele Bolsonaro, e é aqui que as histórias se juntam.

Acontece que o dinheiro não era da Michele, mas do Jair Bolsonaro, como o próprio presidente declarou. "Eu podia ter botado na minha conta. Foi para a conta da minha esposa, porque eu não tenho tempo de sair. Essa é a história, nada além disso", afirmou Jair, alegando um "empréstimo", sem mostrar nenhuma prova (empréstimos precisam ser declarados no IR, como todos sabem).

Em se confirmando que Queiroz era o operador de um esquema ilegal que faturou milhões de reais (funcionários fantasmas? milícias?), teremos o presidente da República afirmando que recebeu dinheiro do operador desse esquema, sem comprovar, até agora, o motivo.

Os Bolsonaro defendem as milícias há muitos anos. Flávio queria até mesmo legalizá-las.

Jair disse que eles faziam a "segurança das comunidades", em um tom que fazia parecer que criticar milicianos era algo injusto. Nessa fala pública, o presidente praticamente descreve a máfia italiana em sua defesa das milícias: alguém que tem uma arma e que "organiza a segurança da vizinhança" em troca de dinheiro. Na verdade: me pague pra que eu não faça mal a você. Extorsão pura, um dos mais antigos crimes das máfias mundiais.

Nascidos sob a aura de proteção das comunidades contra o tráfico, os grupos de "autodefesas comunitárias" foram encorajados por políticos como Bolsonaro, cresceram e se tornaram o que vemos hoje: concorrência que bate de frente com as facções de traficantes pelo controle de uma mina de ouro. Tudo isso ao custo de muito sangue. Milícia não é segurança comunitária, milícia é crime.

Os "seguranças comunitários" se tornaram senhores da vida e da morte, explorando um modelo de negócios baseado em extorsão e exploração clandestina de serviços como gás, luz, televisão a cabo e as vans do transporte alternativo. E obviamente também tráfico de drogas e armas.

Esse rolo é imenso. Já teve presidente da República caindo por muito menos. E parece que alguém já está botando as asas de fora.

Leandro Demori
No The Intercept

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Delator do Moro conta que subornou ministro do STJ

E quando o Serginho Cabral começar a delatar?

Martins é também "corregedor" do Conselho Nacional de Justiça que deveria julgar a desembargadora que quer executar o Jean Wyllys
Créditos: Gustavo Lima/STJ
De Walter Nunes, na Fel-lha, com a delação de Léo Pinheiro, que ajudou o Imparcial de Curitiba a encarcerar o Lula.

(Convém não esquecer que o Serginho Cabral, que governou e roubou o Rio, já disse que subornou juízes da esfera federal, no Rio.)

Ex-presidente da OAS aponta propina a atual corregedor de Justiça

O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, preso em Curitiba pela Operação Lava Jato, disse em delação premiada que pagou R$ 1 milhão em propina ao ministro Humberto Martins, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), em troca de ajuda com um recurso que tramitava na corte. Martins atualmente é corregedor nacional de Justiça do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

A colaboração de Pinheiro foi assinada neste mês com a Procuradoria-Geral da República. O acordo ainda precisa ser homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Pinheiro afirmou aos procuradores que a propina foi negociada com o advogado Eduardo Filipe Alves Martins, filho do ministro, e que o procurou por sugestão do senador Renan Calheiros (MDB-AL).

O empreiteiro afirmou que Eduardo pediu inicialmente R$ 10 milhões para reverter um julgamento desfavorável à empresa e, após nova negociação, foi acertado um pagamento de R$ 1 milhão para que o caso fosse retirado da pauta.

Segundo Pinheiro, a maior parte da propina foi paga em dinheiro vivo e o restante por meio de contratos fictícios entre uma fornecedora da OAS e o escritório de Eduardo.

O recurso citado na delação foi proposto pela OAS contra uma decisão do TJ (Tribunal de Justiça) da Bahia, que deu ganho de causa à Prefeitura de Salvador em ação da empreiteira em razão de créditos da obra do canal Camurujipe.

O recurso tramitou na Segunda Turma do STJ e o ministro Humberto Martins foi designado como seu relator. Em 18 de junho de 2013, o recurso da OAS foi negado.

Em 2 de agosto, a empreiteira entrou com embargos de declaração para tentar reverter a decisão. Pinheiro, então, disse que pediu ajuda ao senador Renan Calheiros.

"Como tinha conhecimento da relação de proximidade existente entre o senador Renan Calheiros e o ministro Humberto Martins, o procurei para solicitar que intercedesse", disse Pinheiro, segundo trecho da delação. Renan, de acordo com ele, comprometeu-se a falar com Martins.

Em 10 de setembro, porém, os embargos foram incluídos na pauta do dia 17 de setembro sem que Pinheiro tivesse uma sinalização qualquer sobre a possibilidade de modificação do julgado.

Diante disso, Pinheiro disse que procurou Renan novamente, que sinalizou que falaria com Martins "sobre a possibilidade de adiar o julgamento, o que, de fato, ocorreu".

Segundo o delator, em relação à possibilidade de reversão do julgamento desfavorável ocorrido na turma, Renan lhe aconselhou a procurar Eduardo Martins, filho do ministro e que tinha escritório de advocacia em Brasília. "Eduardo Martins me solicitou a importância de R$ 10 milhões para reverter o julgamento desfavorável à empresa", disse Pinheiro na delação.

O empreiteiro disse que considerou o valor elevado e pediu para que o filho do ministro estudasse uma alternativa, já que a OAS não teria ganhos imediatos, pois antes de receber enfrentaria uma fila de precatórios da prefeitura.

Eduardo, segundo o delator, disse não ser possível desconto na propina porque haveria desgaste para reverter o julgado, sobretudo com a ministra Eliana Calmon, que é da Bahia e pressionava para que o julgamento fosse rápido.

Pinheiro disse que Eduardo Martins sugeriu R$ 1 milhão "pela retirada da pauta dos embargos e pelo atraso no seu julgamento até a saída da ministra Eliana Calmon do STJ", que havia anunciado sua aposentadoria.

O empreiteiro afirmou ter aceitado a proposta, mesmo ela não resolvendo seu problema, por considerar que o ministro poderia julgar outros assuntos de interesse da OAS. O caso, de acordo com ele, foi pautado várias vezes, mas por interferência de Martins foi retirado da pauta.

"Este valor de R$ 1 milhão foi pago da seguinte forma: R$ 820 mil em espécie entregue em um flat no Lago Sul (em Brasília) de propriedade de Eduardo Martins e R$ 180 mil através de contratos de honorários fictícios realizados por fornecedor da OAS. O contrato em questão foi celebrado em 30.10.2013 com pagamentos realizados em 16.12.2013 e 16.01.204, de R$ 90 mil cada", afirmou Pinheiro na delação.

Ele disse que, após seis meses de atraso nos embargos, Eduardo Martins quis cobrar "valores adicionais para tal interferência no andamento processual", o que não foi aceito pela empreiteira. Em 19 de agosto de 2014, os embargos de declaração foram então incluídos na pauta e rejeitados pelos ministros.

Investigações sobre ministros do STJ tramitam perante o STF, devido ao foro especial dos magistrados.

Recentemente, os ministros do STJ Francisco Falcão e Marcelo Navarro foram alvo de inquérito aberto no Supremo a pedido da PGR, após delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral. O caso foi arquivado porque não foram encontradas provas de que eles participaram de um esquema para obstruir a Lava Jato, como dissera o delator. (...)

No CAf
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Contrição

J. Robert Oppenheimer foi o físico americano que dirigiu o Projeto Manhattan, responsável pela construção das primeiras – e únicas, até agora – bombas atômicas usadas numa guerra. Ele também ficou famoso pelo seu ato de contrição, ao se dar conta dos efeitos terríveis das armas cuja eficiência ele e sua equipe tinham acabado de festejar. “Funcionaram!”, foi o grito triunfal ouvido em Los Alamos, sede do projeto tão secreto que o mundo só ficou sabendo da sua existência quando Hiroshima e Nagasaki já estavam arrasadas.

Depois do grito triunfal veio a tomada de consciência do Oppenheimer, o único que se opôs à extensão do projeto para incluir bombas de hidrogênio. Oppenheimer foi chamado a depor diante de uma comissão do Congresso americano para explicar sua posição política, e houve até quem o chamasse de traidor da pátria por ser contra a bomba de hidrogênio. Ele escapou da caça às bruxas comunistas da época, mas perdeu seu acesso a pesquisas nucleares, o que não o impediu de continuar participando ativamente das discussões sobre a neutralidade moral da ciência, que é a grande questão da era nuclear. Oppenheimer citou um trecho do livro sagrado Bhagavad Gita, “eu me transformei na Morte, destruidora de mundos”, de certa maneira convocando para sua contrição pessoal a culpa de uma geração.

Quando só uma meia dúzia de pessoas no mundo sabia o que era o Projeto Manhattan, ele causava controvérsia e dúvidas. Seria verdade que um programa nuclear adiantado já existia na Alemanha nazista enquanto o projeto americano recém-começava? A misteriosa visita de um físico alemão a um físico dinamarquês no meio da Segunda Guerra Mundial fora para sondar o estágio em que estava o projeto americano, ou – como especulou-se depois – o alemão teria ido propor uma espécie de aliança de consciências entre os físicos do mundo, que se comprometeriam a não despertar o monstro nuclear? E seria verdade que o próprio Hitler vetara a pesquisa nuclear porque achava que física era coisa de judeu, como provava o fato de a mulher de Enrico Fermi, um dos pais da bomba, ser judia? Fermi fugira da Itália com a mulher para Los Alamos, Hitler ficara sem a bomba, e sobrara remorso, preconceito e contrição para todo o mundo.

Luís Fernando Veríssimo
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Bolsonaro e o “perigoso terreno da galhofa"

A posse de Jair Bolsonaro tem menos de um mês, mas o festival de erros primários, recuos, novos erros, gafes políticas e diplomáticas é tamanho que já dá um volume na Barsa do nosso folclore político. Some-se a isso as contradições e disputas entre os núcleos de poder do bolsonarismo e a crise política envolvendo o filho do presidente. O resultado não poderia ser outro: o governo nasce velho e desgastado.

A crítica política, que nos primeiros dias preferiu creditar as sucessivas lambanças como desacertos naturais de nova gestão, já passa a ficar alarmada com o evidente despreparo de figuras centrais da administração, a começar do próprio mandatário.

E é para se preocupar mesmo.

É fartamente divulgado pela mídia que o pseudofilósofo Olavo de Carvalho é uma espécie de guru intelectual (risos) do clã Bolsonaro. Segundo foi noticiado e jamais negado, duas indicações ministeriais são de sua lavra: Educação e Relações Exteriores, dois dos quadros do 1º escalão que se destacam pela inépcia.

O Ministério da Educação já mostrou seu cartão de visitas na patacoada da portaria dos livros didáticos. As Relações Exteriores, caso a parte, de cortar o coração, pelos 200 anos de brilhantismo do Itamaraty. O chanceler é um fanático que quer inaugurar uma “nova era” na política externa brasileira, transformando-a numa edícula do Departamento de Estado dos EUA. A "era" Ernesto Araújo já nos rendeu uma retaliação da Arábia Saudita, nosso principal comprador de frango; pode nos render ainda uma guerra em nossas fronteiras amazônicas pela ridícula ingerência na Venezuela.

Aqui temos uma primeira grande contradição no governo: entre o núcleo militar e o olavismo. O vice-presidente, general Hamilton Mourão, já colocou em total descrédito o ministro - mostrou-se reticente quanto à questão da mudança da embaixada em Israel e declarou que o Brasil não fará parte de nenhuma intervenção na Venezuela.

Outra contradição, que fatalmente virá à tona com a proposta de Reforma da Previdência a ser enviada ao Congresso, opõe o núcleo militar e o econômico. O grande interesse por trás da reforma é privatizar o sistema previdenciário brasileiro. No fundo, é o que interessa a Paulo Guedes e à turma do rentismo. Mas como acabar com a aposentadoria de milhões de trabalhadores privados e manter intacto o regime dos militares? A briga será sangrenta. Não à toa, o presidente sequer citou a palavra "Previdência" nos seis minutos do discurso relâmpago em Davos.

A viagem ao Fórum de Davos, aliás, é um prodígio da humilhação pública autoproduzida. O minidiscurso, o almoço isolado no bandejão, as loucuras da Damares, as sucessivas fugas da imprensa e dos compromissos agendados fizeram do Brasil não apenas uma decepção geral, mas uma chacota mundial. Como voltar a ser levado a sério depois de Davos?

Mas, como nada é tão ruim que não possa piorar, a crise para valer ficou na Terra de Santa Cruz.

A investigação sobre Flávio Bolsonaro saltou de inexplicáveis movimentações financeiras a ligações com o crime organizado, em dias. Cada vez que o filho do presidente vai à Record apresentar uma nova versão, sua situação piora. Cada vez que Queiroz dribla o Ministério Público fica mais indefensável que o ministro da Justiça se mantenha em silêncio obsequioso.

Não adianta o presidente tentar jogar o “garoto” ao mar. A crise já está no Palácio do Planalto.

O balaio de gatos que é o partido do presidente está conflagrado. Deputados do PSL que vistaram a China, a convite do governo do país, têm sido perseguidos nas redes sociais pela patrulha olavista e do clã Bolsonaro, essa turba de doentes que enxerga no Papai Smurf um perigoso doutrinador marxista. Os parlamentares, sentindo-se abanadonados pelo chefe, já ameaçam se voltar contra as pautas governistas, nominalmente a Reforma da Previdência.

O novo Congresso tomará posse no dia 1° de fevereiro, a temperatura política tende a se elevar, ainda mais quando o governo tem compromisso com o erro.

Vejo-me obrigado a recorrer a Stanislaw Ponte Preta para definir o momento que atravessamos: o presidente Jair Bolsonaro e seu governo aproximam-se do "perigoso terreno da galhofa". Em política, isso não costuma terminar bem.

Orlando Silva é deputado federal e líder do PCdoB na Câmara.
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Escritório do crime abriu filial no Planalto

Xavier: a Casa Grande queria outro. Se não tem tu...


O Conversa Afiada publica artigo sereno (sempre!) de seu "colUnista" exclusivo Joaquim Xavier:

Após as postagens ridículas de Jair Bolsonaro abraçado ao “menino” Flávio, não restam dúvidas: a engrenagem milicianos/assessores fantasmas/enriquecimento ilícito/suspeita de assassinatos expandiu seus tentáculos e chegou a Brasília.

Mais uma vez, o chefe da “famiglia” recua em suas declarações e atitudes. Antes de fugir de uma entrevista coletiva na Suíça e submeter o Brasil a um vexame internacional, Bolsonaro havia dito a uma rede americana que, se o filho errou, “tem que pagar”. Os mercados adoraram. No dia seguinte, porém, o paizão estende as asas sobre o “menino” de apenas...37 anos!

As evidências contra Flávio Bolsonaro & cia. estão longe de implicância da oposição. Tanto que as principais denúncias partem da mídia gorda, entusiasta da candidatura do pai depois que Alckmin, Meirelles e cia. naufragaram nas pesquisas. Criou-se uma situação curiosa: o grande capital conseguiu o objetivo maior de se livrar de Lula, mas não encontrou ninguém para colocar no lugar. Sobrou Bolsonaro: “se não tem tu, vai tu mesmo”.

Só que o militar não é exatamente do “esquema”. É rústico, ignorante, despreparado e estranho no salões da direita cheirosa do PSDB, DEM e assemelhados. (...)

Bolsonaro montou um governo às pressas, com o auxílio de um astrólogo, militares que fracassaram no Haiti, familiares truculentos e uma equipe econômica especializada em rapinas financeiras. É nesta última, aliás, que os mercados apostam. Como retaguarda, rezam para que a fatia militar mantenha o ex-capitão sob controle e o povo, domesticado.

Está difícil. Embora condicionada à realidade dos fatos, a política se faz com gente de carne e osso e com uma história no lombo. O clã carrega uma capivara de ilicitudes que só não havia sido exposta ao grande público porque o “mito” fugiu dos debates. O prontuário da famiglia Bolsonaro ostenta um modus operandi velho de 20, 30 anos. Não se muda isso com uma eleição. Os métodos permanecem os mesmos. Os cariocas que o digam.

As rusgas no PiG são apenas um novo capítulo deste enredo. Só tolos ansiosos por enganos sonham que a grande mídia está interessada de fato em apurar verdades e defender a democracia. A briga tem outro tamanho. Quem vai ficar com o butim da publicidade oficial?

A famiglia Bolsonaro adota a mesma tática dos milicianos, na qual são experts. Oferece proteção aos obedientes. A mensagem: defendam o governo e terão oxigênio garantido. Caso contrário, torneira fechada. Quem vai ganhar a queda de braço?

Joaquim Xavier
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Desastre atinge em cheio política “desambiental” de Bolsonaro


Escrevi, antes, sobre a exploração que tenta fazer o General Mourão da “inocência” do Governo Bolsonaro no caso do rompimento da barragem de Brumadinho.

E é verdade que o novo governo não tem nenhuma responsabilidade sobre a tragédia que se passou com o deslizamento de lama, que ainda não mostrou seus horrendos números definitivamente e talvez não venha a mostrar, até pela dificuldade de resgatar corpos soterrados a muitos metros de profundidade.

Mas há um ponto em que o deslizamento de milhões de toneladas de rejeitos de mineração atingiram – além da natureza, casas e pessoas – os projetos insanos do governo que se inicia.

Diante das primeiras evidências que  houve – com consequências ainda não esclarecidas – uma aprovação a toque de caixa da ampliação da capacidade de produção da mina – algo tão provável que, antes de todas as informações, já se aventara aqui – a intenção bolsonarista de eliminar ou transformar em mera e rápida formalidade os processos de licenciamento ambiental vai demorar muito tempo até poder colocar suas mãos acima da lama de Brumadinho.

Nem tanto porque as consciências ambiciosas, públicas ou privadas, tenham se comovido, mas porque se evidenciou, de maneira tragicamente didática, que é preciso cuidar com rigor dos inevitáveis danos e riscos ambientais e humanos de processos industriais de porte significativo.

Sobrevôos e “grupos de emergência” diante do desastre não são novidade nem representam mais do que a demonstração – tardia ou hipócrita – de minimizar o dano que antes se assumiu causar.

Na prática, porém, o efeito sobre o governo, por conta do impacto na opinião pública, aqui e lá fora, será o de frear, ao menos temporariamente, o processo de liberação da fome de lucros empresarial, que gasta alguns milhões imprimindo cadernos em papel couchet sobre sua responsabilidade social e ambiental mas não hesita em violá-la por alguns bilhões que lhes virão da exploração predatória.

Empresas privadas – ao contrário das estatais, onde o corpo técnico tem garantias e identidade – avaliam projetos minimizando riscos. Se o estado não interferir, controlando e fiscalizando (o que é muito mais difícil quando a minimização do risco não vem desde o berço dos projetos) é inevitável que tragédias se sucedam.

Neste aspecto, a lama de Brumadinho pode ter feito, ainda que frágil  temporária, uma barragem contra a exploração voraz e temerária que esta gente, ao colocar o dinheiro acima de todos e o lucro acima de tudo, pratica contra o Brasil.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Xadrez de Hamilton Mourão, futuro presidente


Nas próximas semanas, o grande trabalho da opinião pública será decifrar o general Hamilton Mourão. A probabilidade de substituir Jair Bolsonaro na presidência da República é cada vez maior. Repito: a única incógnita é o prazo para a queda de Bolsonaro.

São vários os fatores de desgaste de Bolsonaro.

Fator 1 - a dinâmica das denúncias

Os indícios contra a família Bolsonaro eram antigos e conhecidos. Mas havia uma espécie de linha divisória psicológica impedindo a mídia de avançar além de certas ilações. O excesso de evidências contra Flávio Bolsonaro fez a imprensa atravessar o Rubicão e aponta-lo como ligado às milícias. Agora, se tornou uma caça ao alvo.

Há várias frentes de denúncias apertando o torniquete no pescoço da família Bolsonaro - por suas relações com as milícias.

A principal delas são os trabalhos do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro - que deverão ser retomados a partir do dia 1o, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) retoma seus trabalhos e o Ministro Marco Aurélio de Mello desfizer o pacto carioca de blindagem, encabeçado por seu colega Luiz Fux. Nos próximos dias, o filho Flávio Bolsonaro e o motorista Fabrício Queiroz serão convocados a depor.

No momento, há uma caçada ampla da Polícia Federa, Interpol e outros agentes ao capitão Adriano Magalhães Nóbrega, principal suspeito do assassinato da vereador Mariele. Flávio Bolsonaro não apenas conferiu a Adriano a Medalha Tiradentes - quando ele já estava preso, sob suspeita de outro assassinato -, como empregou mãe e esposa na Assembleia Legislativa.

A tentativa do governo, de reduzir a área de atuação dos órgãos de controle deflagrará uma nova onda de vazamentos do lado do COAF (Conselho de Controle das Atividades Financeiras), Receita e CGU (Controladoria Geral da União). Recorde-se que a primeira dama, Michele Bolsonaro, entrou na linha de tiro devido ao cheque de R$ 24 mil que recebeu de Fabricio Queiroz, o motorista dos Bolsonaro.

As informações divulgadas nos últimos dias não deixam nenhuma margem a dúvidas de que Queiroz é elo direto da família Bolsonaro com a milícia do Rio das Pedras.

O jogo de assessores indo do gabinete do filho para o pai, a troca de cheques, o fato de Queiroz ser amigo do pai, todos esses fatores tornarão impossível qualquer ginástica para isolar o pai dos malfeitos do filho.

Fator 2 - o desastre internacional

As notícias sobre as relações dos Bolsonaro com as milícias já ganharam mundo. Le Monde, Financial Times, The Guardian, The New York Times.

E não apenas pelas milícias. Diz o NYTimes:

“Três ministros, bem como alguns diretores de nível médio implicados em investigações de corrupção, foram contratados pela administração, apesar da política declarada de tolerância zero de Bolsonaro. O filho do vice-presidente foi promovido e recebeu um triplo aumento em um banco estatal. Mesmo uma multa aplicada contra Bolsonaro pela pesca em águas protegidas em 2012 foi anulada pelas autoridades.

Bolsonaro e seus aliados também continuaram usando privilégios políticos legais, mas muito desprezados, como aceitar as concessões móveis concedidas a legisladores e funcionários federais - mesmo quando eles já moram na capital”_.

O encontro de Davos foi um fracasso retumbante, pela falta de propostas, mas, sobretudo, pela falta de postura de Bolsonaro, descrito de modo fulminante pelo diário italiano La Reppublica:

“O 'duro' da ultra-direita sul-americana, o presidente homofóbico e xenófobo dos tons marciais e a paixão pelas armas, de repente parece um cordeirinho na frente do público rico e poderoso”.

O otimismo do mercado com o Brasil se agarrava na possibilidade do Ministro da Economia, Paulo Guedes, conseguir fazer alguma coisa, apesar do presidente Bolsonaro, de acordo com Brian Winter, correspondente do Americas Quarterly.

Depois de tecer loas a “um homem que parece destinado a mudar o Brasil para melhor”, esclarece que se trata de Paulo Guedes.

Não se esqueça, porém: ele não é o presidente.

Esse seria  Jair Bolsonaro (…)  Desde que assumiu o cargo, em 1º de janeiro, ele cometeu uma série de  gafes e reversões de políticas  em tudo, desde cortes de impostos até uma  oferta  (rapidamente retirada) dos EUA para construir uma base militar em solo brasileiro. Sua família é subitamente  enredada em um escândalo de corrupção  com consequências imprevisíveis e potencialmente terríveis. Bolsonaro e seus aliados parecem mais focados em atacar inimigos imaginários ou irrelevantes - “ marxismo cultural ” , “ ideologia de gênero ”,  globalismo  e imprensa, entre outros - do que oferecer soluções viáveis para os reais problemas do Brasil. As poucas políticas que ele apresentou incluem um afrouxamento do controle de armas  em um país que já tem  mais mortes por arma do  que qualquer outro,  movimentos que podem permitir  um desmatamento mais rápido da Amazônia, e um  decreto  para “supervisionar, coordenar e monitorar” ONGs internacionais que operam no Brasil.

Simultaneamente, ganhavam mundo também os diversos aloprados indicados para Ministérios. Em Davos, o chanceler Ernesto Araújo enredava o país nas confusões da Venezuela, mostrando o risco de se manter um estúpido em cargo chave. Por sua vez, a Ministra dos Direitos Humanos escandalizava os holandeses ao sugerir, nas pirações evangélicas pré-governo, que o país estimulava masturbação de bebês.

A semana terminou com a segunda tragédia de Mariana, no início de um governo que se propôs a desmontar os sistemas de fiscalização do meio ambiente.


Além de esvaziar a pasta de Meio Ambiente, indicou para o Ministério pessoa acusada de improbidade visando atender a interesses de mineradoras em áreas de preservação.

Ou seja, não se trata apenas de um presidente de ultradireita, mas de um personagem desqualificado para as funções públicas, que está envergonhando o Brasil perante o mundo.

É aí que entra o fator Hamilton Mourão.

Peça 3 - o fator Hamilton Mourão

Durante a transição, Mourão se tornou o interlocutor preferencial dos empresários pelo fato de ser dos poucos focos de racionalidade dentro do governo.

Teve o bom senso de desqualificar as maluquices de Bolsonaro com a tal missão militar norte-americana, com as pretensões lunáticas do chanceler de invadir a Venezuela. Ou a intenção  de mudar a embaixada de Israel para Jerusalém.

Após o anúncio da existência do deputado Jean Willys de assumir o mandato, devido às ameaças recebidas, proclamou que a ameaça a um deputado é atentado contra a própria democracia.

Imediatamente ganhou status de presidenciável junto aos setores mais racionais.

Mas, ao mesmo tempo, foi o interino que assinou um decreto que, na prática, acaba com a Lei da Transparência. O decreto faculta a qualquer funcionário comissionado (isto é, indicado pelo governante de plantão) decretar sigilo para informações requeridas. Hoje em dia, a responsabilidade pelos dados é de Ministros. Estendendo a todos os comissionados, ficará fácil o jogo das gavetas, esconder informações com a censura sendo diluída por vários responsáveis.

Alegou que pretendia apenas desburocratizar. E que a responsabilidade final seria do Ministros. Aventou-se também a hipótese de que eram demandas antigas do Itamaraty e das Forças Armadas. Nenhuma desculpa convincente e todas elas sem respaldo no texto do decreto.

Ao mesmo tempo, surge a proposta do Banco Central de afastar o monitoramento, pela COAF, de parentes de políticos. Mais uma vez, desculpas inverossímeis, de que a medida visava adaptar o país a práticas internacionais contra corrupção. Ora, os parentes são os candidatos naturais a laranjas dos corruptos.

Essas medidas foram anunciadas depois do escândalo Flávio Bolsonaro, passando a suspeita de que Mourão poderia estar se envolvendo para além da prudência na blindagem do primeiro filho de Jair.


Será quase inevitável a substituição de Bolsonaro por Mourão em um ponto qualquer do futuro. Enquanto, em público, Bolsonaro parece um lagarto assustado, Mourão é senhor de si.

A dúvida que fica é sobre a natureza de um eventual governo Mourão. 

Do ponto de vista de mercado, significaria dar chão firme para as formulações econômicas de Paulo Guedes. No plano internacional, significaria tirar o país do centro da galhofa mundial. Mas não se espere nenhum compromisso mais aprofundado com valores democráticos.

Luís Nassif
No GGN
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Brumadinho e o “sinistro” do Meio Ambiente


As primeiras imagens, tristes e revoltantes, indicam que o rompimento da barragem da Vale na ‘Mina Feijão’, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, pode ser consequências ainda mais graves do que o crime ambiental de Mariana, em 2015. Até o início da noite desta sexta-feira (25), o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais havia confirmado quatro feridos e mais de 200 desaparecidos. A onda de lama deve atingir até 19 municípios mineiros. Reportagem de Leonardo Fernandes, no jornal Brasil de Fato, mostra a gravidade da tragédia. Reproduzo alguns trechos:

As primeiras imagens, tristes e revoltantes, indicam que o rompimento da barragem da Vale na ‘Mina Feijão’, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, pode ser consequências ainda mais graves do que o crime ambiental de Mariana, em 2015. Até o início da noite desta sexta-feira (25), o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais havia confirmado quatro feridos e mais de 200 desaparecidos. A onda de lama deve atingir até 19 municípios mineiros. Reportagem de Leonardo Fernandes, no jornal Brasil de Fato, mostra a gravidade da tragédia. Reproduzo alguns trechos:

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Embora a quantidade de rejeito de mineração vazada da barragem localizada no município de Brumadinho seja menor do que a despejada sobre o Rio Doce em dezembro de 2015, os danos socioambientais serão grandes. O alerta é feito pelo biólogo Renato Ramos. “As informações são muito desencontradas no momento. A gente vê informações de que são um milhão de metros cúbicos de rejeito, outras de que pode chegar a até 13 milhões de metros cúbicos de rejeito. É uma proporção muito menor do que aconteceu no desastre de Mariana, mas também é um desastre severo”, alerta.

Ramos é responsável por um estudo, em parceria com o geólogo Sófocles de Assis, e que aponta que 19 municípios mineiros devem ser atingidos pela onda de lama. São eles: Betim, Brumadinho, Curvelo, Esmeraldas, Felixlândia, Florestal, Fortuna de Minas, Igarapé, Juatuba, Maravilhas, Mário Campos, Morada Nova de Minas, Papagaios, Pará de Minas, Paraopeba, Pequi, Pompéu, São Joaquim de Bicas e São José da Varginha. Segundo os pesquisadores, é possível que a pluma chegue até a barragem de UHE Retiro Novo, próximo a Três Marias.

Ao Brasil de Fato, os especialistas afirmaram que já vinham trabalhando no estudo das consequências do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, e por isso puderam elaborar rapidamente um prospecto do impacto dessa nova tragédia. Esses estudos poderiam, por exemplo, evitar que a lama chegue ao Rio São Francisco, provocando um dano ainda maior. “A gente está pensando nesse momento que uma medida para conter o fluxo da lama é fechar a barragem de Três Marias. Ali tem um reservatório muito grande e talvez a quantidade de água que existe ali depure a lama, segura ela, que seria depositada no leito do reservatório. Isso ajudaria a não impactar o restante do Rio São Francisco”.

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Diante do grave crime, o segundo em curto espaço de tempo cometido pela empresa privatizada Vale, muita gente – inclusive os bolsonaristas menos tapados (se é que eles existem) – deve ter ficado preocupada com o futuro da questão ambiental no novo governo. Jair Bolsonaro sempre tratou com desdém o tema. Prova disso foi a indicação de um capacho dos ruralistas e dos devastadores para o cargo de ministro do Meio Ambiente. Logo que foi anunciado, Ricardo Salles, ex-secretário do tucano Geraldo Alckmin e fundador da seita fascistoide Endireita Brasil, deu uma entrevista na qual disse que “o Ibama é uma fábrica de multas”. A idiotice causou a demissão de Suelly Araújo, presidenta do órgão responsável pela fiscalização das empresas.

O novo ministro pode agora até fazer demagogia com a tragédia de Brumadinho, mas ele nunca teve qualquer compromisso com a questão ambiental. Pelo contrário. Ele inclusive já foi condenado por crimes nesta área. Em 19 de dezembro passado, a Justiça de São Paulo ordenou a suspensão de seus direitos políticos por um crime de improbidade administrativa quando era secretário de Meio Ambiente de São Paulo. Como registrou na ocasião o jornal Estadão, “a decisão foi tomada pelo juiz Fausto José Martins Seabra, da 3.ª Vara da Fazenda Pública, sobre ação do Ministério Público que acusava Ricardo Salles de ter favorecido empresas de mineração em 2016. O futuro ministro do Meio Ambiente teria acolhido mudanças feitas nos mapas de zoneamento do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Tietê”.

O presidente-capetão Jair Bolsonaro, que ainda engana muito otário com suas bravatas sobre a corrupção, havia dito que não nomearia condenados em primeira instância em seu governo. Ele mentiu e manteve Ricardo Salles mesmo após a decisão da Justiça. Na prática, ele pagou a dívida com a cloaca burguesa que viabilizou sua chegada ao governo. O líder do Endireita Brasil foi uma indicação dos ruralistas e dos empresários – inclusive das mineradoras.

Uma notinha no Painel da Folha, em 11 de dezembro, revelou que “nas semanas que antecederam sua escolha para comandar o ministério, Ricardo Salles reuniu cartas de recomendação de representantes de vários setores empresariais para levar a Bolsonaro. Em nome do mercado imobiliário, o presidente do Secovi de São Paulo, Flavio Amary, disse que ele ‘desburocratizou processos’ e ‘promoveu a segurança jurídica’ em sua temporada como secretário do governo Alckmin (PSDB). A Sociedade Rural Brasileira disse a Bolsonaro que Salles ‘conciliou os interesses do produtor rural pelo aumento da produtividade com as questões ambientais de forma objetiva, sem ideologias e priorizando o respeito às leis e às instituições’”. É um típico capacho!*****

Altamiro Borges
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