24 de jan de 2019

Facebook muda regras e vai identificar “notícias falsas”


O Facebook anunciou mudanças nas regras para as páginas dentro da plataforma. A principal delas é a identificação de publicações consideradas “notícias falsas” e que, em razão disso, têm a distribuição reduzida. Os administradores das páginas poderão ver quais mensagens foram enquadradas nesta categoria. Também terão acesso a outros conteúdos retirados por violarem as normas internas da companhia (os Parâmetros da Comunidade).


Os administradores de páginas passarão a ter acesso a uma “aba” denominada “Qualidade da Página”. Nela, ficarão listados os posts avaliados como “falsos”, “mistos” ou com “título falso”, conforme categorias definidas pela empresa. A classificação é feita por agências de checagem de fatos parceiras (conheça as regras de análise aqui). Até agora, quando uma publicação era marcada desta maneira não havia qualquer sinalização nem ao autor nem aos administradores de páginas. O autor, contudo, seguirá sem ser notificado.


A redução de alcance de conteúdos considerados “notícias falsas” vem sendo adotada pela rede social, sem remover os posts mas criando obstáculos a sua difusão. “Esperamos que isso forneça às pessoas as informações necessárias para policiar comportamentos inadequados de administradores de uma mesma página, entender melhor nossos Padrões da Comunidade e, em alguns casos, nos informar quando acreditarem que tomamos uma decisão incorreta sobre um determinado conteúdo”, afirmou a empresa em comunicado oficial. No Brasil, o Facebook estabeleceu parceria com entidades de checagem de fatos, como a Agência Lupa, aos Fatos e France Press para verificar circulação de notícias falsas durante as eleições de 2018.

Conteúdos removidos

Além das publicações classificadas como “notícias falsas”, os administradores de páginas poderão ver também os conteúdos removidos por não respeitarem as normas internas, os chamados Parâmetros da Comunidade. Entram aí mensagens enquadradas como “discurso de ódio”, “violência”, “conteúdo explícito”, “assédio”, “bullying”, “produtos controlados”, “nudez adulta”, “atividades sexuais” e “apoio ou glorificação de indivíduos não permitidos no Facebook”.


Os posts apontados dentro dessas categorias já eram retirados, mas sem explicação. Com isso, o administrador poderá ver as publicações banidas. Segundo o anúncio do Facebook, o administrador passa também a poder contestar uma remoção. Alguns tipos de derrubada não serão informados nesse processo, como “spam”, “posts caça-cliques” ou “violações de propriedade intelectual”.

Reincidência

Outra medida anunciada foi a fiscalização mais rígida de autores de páginas removidas. A plataforma já impedia a criação de um espaço deste tipo semelhante a um derrubado por violar as normas internas. Mas, segundo a companhia, foram identificadas “pessoas trabalhando para contornar nossa política, usando páginas existentes que elas já gerenciavam para o mesmo propósito que a página removida por violar nossas políticas”.


Em resposta a isso, o Facebook poderá retirar outras páginas de autores de páginas removidas mesmo que aquelas não tenham incorrido em alguma violação. Para fazer isso, explicou a plataforma, será avaliado “um amplo conjunto de sinais”, como os administradores ou se o nome é similar.

Medida “tímida”

Na avaliação do mestre em direito e pesquisador do Instituto Beta Paulo Rená, as medidas anunciadas sinalizam para maior transparência na remoção de conteúdos, mas ainda são “tímidas” e podem “não fazer muita diferença”.


“Não me parece haver nenhum indicativo de mais permeabilidade do Facebook para ouvir a comunidade. Isso pode manter a situação de inércia perante falsos positivos, quando conteúdos legítimos são removidos sem que haja real possibilidade de reação pelas pessoas interessadas; ou quando conteúdos ofensivos, especialmente relacionados a discurso de ódio, são mantidos online a despeito de protestos na própria rede”.


Já a advogada e integrante do Comitê Gestor da Internet no Brasil Flávia Lefévre argumenta que a despeito das novas regras, permanece o problema dos Parâmetros da Comunidade serem pouco transparentes. Ela cita casos, como situações que ela própria viveu, em que usuários têm conteúdos removidos e mesmo após questionamento o Facebook não explica a razão da remoção ou reverte a situação.


“A remoção de conteúdos acontece com base em critérios dos tais Padrões da Comunidade, que não são claros. Essa prática se configura como arbitrariedade com alto risco para a liberdade de expressão. Essa prática deveria estar ancorada em critérios claros e relacionados às leis brasileiras e em concordância com a jurisprudência”, defende a advogada.

No Sul21
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Mourão assina “transparência secreta” de Bolsonaro. “Acuenda o pajubá”, Moro


A pressa é muito amiga das intenções.

Não era algo urgente, mas certamente era algo muito conveniente.

Portanto, Jair Bolsonaro delegou e Hamílton Mourão assinou decreto permitindo que não apenas  um grupo muito restrito de autoridades – presidente da República, vice-presidente, ministros de Estado, comandantes das Forças Armadas e chefes diplomáticos – possam limitar o acesso à informação dos atos de governo.

Estendeu o poder para “maçanetas” de segundo e de terceiro escalão, que agora podem, sem os ônus políticos que seus chefes teriam, carimbar “reservado”, “secreto” ou “ultrassecreto” a papeis cujo conteúdo ficará fora do alcance do público por até 25 anos.

Isso enquanto o ministro da Justiça, que considera que devam ser de conhecimento público até escutas não-autorizadas do telefone da Presidente da República passeia em Davos…

Uma bela maneira de cumprir o que ele está prometendo em Davos, acabar com a corrupção: tornando secreta a informação que ermita ao cidadão e à imprensa chegar a ela.

Taí, é a velha máxima sendo posta em prática: o que os olhos não vêem é corrupção que não se sente.

Ou ainda o que pregava o físico Niel Bohr, um dos gênios da física quântica: “Nenhum fenômeno é fenômeno até ser observado.”

Talvez, porém, a razão seja a de que permaneça entre poucos o que poderia causar constrangimento fora da “turma”.

A versão governamental do “acuenda o pajubá” oficial, a bobagem inserida na prova do Enem sobre o “dialeto secreto” gay  que virou cavalo de batalha presidencial.

Fernando Brito
No Tijolaço

DECRETO Nº 9.690, DE 23 DE JANEIRO DE 2019
Altera o Decreto nº 7.724, de 16 de maio de 2012, que regulamenta a Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 - Lei de Acesso à Informação.
O VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, caput, incisos IV e VI, alínea "a", da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011,
DECRETA:
Art. 1º O Decreto nº 7.724, de 16 de maio de 2012, passa a vigorar com as seguintes alterações:
"Art. 7º ....................................................................................................................
...........................................................................................................................................
§ 3º .........................................................................................................................
...........................................................................................................................................
VI - remuneração e subsídio recebidos por ocupante de cargo, posto, graduação, função e emprego público, incluídos os auxílios, as ajudas de custo, os jetons e outras vantagens pecuniárias, além dos proventos de aposentadoria e das pensões daqueles servidores e empregados públicos que estiverem na ativa, de maneira individualizada, conforme estabelecido em ato do Ministro de Estado da Economia;
...........................................................................................................................................
§ 8º Ato conjunto dos Ministros de Estado da Controladoria-Geral da União e da Economia disporá sobre a divulgação dos programas de que trata o inciso IX do § 3º, que será feita, observado o disposto no Capítulo VII:
...........................................................................................................................................
II - por meio de informações consolidadas disponibilizadas no sítio eletrônico do Ministério da Economia; e
................................................................................................................................." (NR)
"Art. 8º Os sítios eletrônicos dos órgãos e das entidades, em cumprimento às normas estabelecidas pelo Ministério da Economia, atenderão aos seguintes requisitos, entre outros:
................................................................................................................................." (NR)
"Art. 30. ..................................................................................................................
...........................................................................................................................................
§ 1º É permitida a delegação da competência de classificação no grau ultrassecreto pelas autoridades a que se refere o inciso I do caput para ocupantes de cargos em comissão do Grupo-DAS de nível 101.6 ou superior, ou de hierarquia equivalente, e para os dirigentes máximos de autarquias, de fundações, de empresas públicas e de sociedades de economia mista, vedada a subdelegação.
§ 2º É permitida a delegação da competência de classificação no grau secreto pelas autoridades a que se referem os incisos I e II do caput para ocupantes de cargos em comissão do Grupo-DAS de nível 101.5 ou superior, ou de hierarquia equivalente, vedada a subdelegação.
§ 3º O dirigente máximo do órgão ou da entidade poderá delegar a competência para classificação no grau reservado a agente público que exerça função de direção, comando ou chefia, vedada a subdelegação.
§ 4º O agente público a que se refere o § 3º dará ciência do ato de classificação à autoridade delegante, no prazo de noventa dias.
.................................................................................................................................." (NR)
"Art. 46. ...................................................................................................................
............................................................................................................................................
II - Ministério da Justiça e Segurança Pública;
.............................................................................................................................................
V - Ministério da Economia;
VI - Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos;
VII - Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República;
VIII - Advocacia-Geral da União; e
IX - Controladoria-Geral da União.
.................................................................................................................................." (NR)
"Art. 47. ..................................................................................................................
...........................................................................................................................................
III - ..........................................................................................................................
a) pela Controladoria-Geral da União, em grau recursal, a pedido de acesso à informação ou de abertura de base de dados, ou às razões da negativa de acesso à informação ou de abertura de base de dados; ou
.................................................................................................................................." (NR)
"Art. 69. Compete à Controladoria-Geral da União e ao Ministério da Economia, observadas as competências dos demais órgãos e entidades e as previsões específicas deste Decreto, por meio de ato conjunto:
................................................................................................................................." (NR)
Art. 2º Fica revogado o inciso X do caput do art. 46 do Decreto nº 7.724, de 2012.
Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 23 de janeiro de 2019; 198º da Independência e 131º da República.
ANTÔNIO HAMILTON MARTINS MOURÃOONYX LORENZONI
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Estupidez diplomática e cegueira geoestratégica

Os grandes objetivos dos EUA com a tentativa de golpe de Estado na Venezuela são muito claros. Um é econômico e o outro é geopolítico.

O econômico tange à necessidade de ter acesso privilegiado e seguro à maior reserva provada de petróleo do mundo, que dista apenas 3 dias de navio das grandes refinarias norte-americanas situadas no Golfo. Já o geopolítico se refere ao desejo de conter a influência da China e da Rússia na América do Sul, uma vez que a nova doutrina de segurança nacional dos EUA colocou essa disputa como prioridade absoluta.

Ao contrário dos que acreditam em kit gay e mamadeira de piroca, essa ação bélica dos EUA contra a Venezuela é motivada basicamente por esses dois fatores, e não tem nenhuma relação com suposta preocupação com democracia e direitos humanos. Afinal, a longa e tenebrosa história das intervenções dos EUA na América Latina e no Oriente Médio mostra claramente que a democracia é a última das preocupações do Departamento de Estado.

Evidentemente, pode-se questionar essa atitude violenta e inescrupulosa dos EUA, do ponto de vista ético. Contudo, é forçoso reconhecer que há racionalidade nessa ação norte-americana. Eles estão defendendo seus interesses imperiais. Se a Venezuela entrar em guerra e milhões morrerem, para eles pouco importa. O importante é que o acesso ao petróleo esteja assegurado e que o regime aliado da Rússia e da China seja eliminado da face da Terra.

No entanto, cabe a pergunta: quais seriam os interesses objetivos do Brasil que estariam sendo defendidos ao se apoiar essa aventura golpista na Venezuela?

A Rússia e a China são nossos rivais? Não, não são. São grandes aliados. Formamos com esses países, e também com Índia e África do Sul, o grupo dos BRICS, provavelmente a mais importante iniciativa diplomática mundial desse início de século. Um grupo que tornou a ordem mundial mais multipolar e democrática e que elevou extraordinariamente o protagonismo internacional do Brasil.

Além disso, a China é, de longe, nosso principal parceiro comercial, e temos com ela uma parceria estratégica que já completou 25 anos. Em 2018, exportamos para a China quase US$ 67 bilhões, com um saldo comercial positivo a nosso favor de mais de US$ 31 bilhões. Em contraste, no mesmo período, exportamos “apenas” US$ 28,77 bilhões para os EUA, com déficit contra nós de cerca de US$ 200 milhões.  Ou seja, exportamos mais do que o dobro para a China que para os EUA, e obtemos com ela um saldo extraordinariamente positivo. Não bastasse, temos com a China projetos de grande relevância estratégica, como o de desenvolvimento conjunto de satélites, por exemplo.

Com a Rússia, embora nossa relação econômica não seja tão expressiva, temos relações políticas e diplomáticas muito adensadas. A Rússia vê o Brasil como um dos polos emergentes em uma ordem global policêntrica e mais democrática. Por isso, valoriza muito nossas relações bilaterais. Temos, inclusive, um Plano de Ação da Parceria Estratégica entre a República Federativa do Brasil e a Federação da Rússia, firmado em 2010.

E a Venezuela? É um país rival do Brasil? Temos com ela algum conflito? Dependemos do petróleo venezuelano, como os EUA?  O regime bolivariano foi alguma vez hostil ao Brasil?

Não. É exatamente o contrário. A Venezuela é uma grande amiga do Brasil. Amizade que vem de longe, mas que se adensou e se solidificou justamente no período bolivariano.

A progressiva aproximação entre os dois países foi facilitada por fatores históricos e geográficos. Em primeiro lugar, a fronteira da Venezuela com o Brasil, a mais extensa daquele país (2.199 km), foi estabelecida definitivamente por um tratado de 1859. Assim ao contrário do que ocorreu com seus outros vizinhos, Colômbia e Guiana, a Venezuela nunca teve disputas territoriais com o Brasil. Em segundo, as relações bilaterais, sempre foram cordiais, embora pouco densas para a sua potencialidade.

A partir de meados dos anos 90, foram feitos muitos investimentos conjuntos para o desenvolvimento da fronteira amazônica conjunta e da infraestrutura energética e de transporte bilateral.

Essas relações, porém, se adensaram muito neste século. Entre 2003 e 2008, as exportações brasileiras para a Venezuela passaram de US$ 608 milhões para 5,15 bilhões, um crescimento de 758% em apenas 5 anos. Além da quantidade, é preciso também ressaltar a qualidade desse comércio. Cerca de 72% das nossas exportações para a Venezuela são de produtos industrializados, com elevado valor agregado e alto potencial de geração de empregos. Em 2009, já no início da grande crise mundial o Brasil teve com a Venezuela seu maior saldo comercial: US$ 4,6 bilhões dólares, 2,5 vezes superior ao obtido com os EUA (US$ 1,8 bilhão).

Em 2012, o montante agregado de contratos de investimento de empresas brasileiras na Venezuela ascendia a US$ 15 bilhões, cifra extraordinária.

Assim, o Brasil lucrou muitíssimo com essa aproximação à Venezuela e com a entrada desse país no Mercosul, ocorrida justamente no período bolivariano.

De 2013 para cá, com a grave crise, essas cifras minguaram, mas o potencial de cooperação, face à complementariedade das duas economias, continua intocado.

O que pode não continuar intocado é a disposição política daquele país de continuar a ser um grande parceiro do Brasil.

A aposta dos EUA na intervenção e no acirramento do conflito interno na Venezuela poderá resultar numa guerra civil militarizada e internacionalizada, com consequências desastrosas para seu povo, sua economia e suas relações com o Brasil. A América do Sul, que é um subcontinente de paz, poderá ser converter numa espécie de novo Oriente Médio, uma região geopoliticamente instável e conturbada.

Ora, esse cenário não interessa ao Brasil, qualquer que seja o governo de plantão. Ao Brasil interessa um entorno próspero, pacífico e integrado e continuar a desenvolver a cooperação com a Venezuela. Por isso, é do interesse objetivo do Brasil apostar, como manda sua Constituição, na não-intervenção e na solução pacífica das controvérsias, buscando sempre o diálogo e a paz.

Mas, mesmo que não ocorra um conflito grave na Venezuela, os EUA, se tiverem êxito, deverão impor lá um regime que recoloque aquele país como seu satélite, ressuscitando o status quo ante que havia lá predominado até o final do século passado, o qual impedia que os interesses do Brasil pudessem se espraiar naquele país de forma mais densa.

Assim, mesmo na eventualidade remota de que o regime venezuelano seja substituído com facilidade, os interesses do Brasil sairiam prejudicados, pois, ainda nesse caso, sobraria pouco espaço geopolítico para que o Brasil voltasse a ter relações muito adensadas com a Venezuela. O espaço político e econômico que o Brasil ocupou na Venezuela voltaria a ser ocupado pelos EUA.

Sejamos claros: aos EUA interessa a desagregação regional e ao Brasil interessa a integração regional.

Em suma, ao secundar os EUA nessa aventura golpista e intervencionista na Venezuela, estamos atirando nos próprios pés. É uma demonstração cabal de estupidez diplomática e cegueira geoestratégica,

Isso é claro para quem tem um mínimo de discernimento e racionalidade.

Mas, ao que tudo indica, é entendimento que está muito além do alcance de gente que vai a Davos fazer discurso patético e marketing político no bandejão local.

Marcelo Zero
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A burrice e o orgulho dos eleitores do Bozo são sinais da elite estúpida


Ninguém que votou no Bozo está de fato arrependido. A burrice e o orgulho não lhes permitem uma “mea culpa”. E de que adiantaria esse “arrependimento”? Bozo é a cara da elite mais burra existente na face da Terra. Incluo aí a pseudo- elite classe MÉRDIA, que se acha rica: “meritocraticamente rica” e seus filhos podem estudar em escolas particulares e entram nas Universidades públicas . Ainda. Logo tudo isso estará mudado: a Argentina já é o Brasil de daqui à pouco, com o agravante do nosso tamanho territorial e o tamanho e diversidade/ gravidade de nossos problemas sociais. Todos serão afetados pelo governo mais DESGOVERNO, mais bizarro e mais inadequado da história deste país. Há milicianos no poder. A classe média está calada. Há reformas em andamento contra o povo trabalhador: quem votou em Bozo está calado. A cara dessa gente é de paisagem.

Sempre foram egocêntricos defensores da Tradição, Família e Propriedade. A religiosidade quase fanática de muitos reforça a ideia da Teologia da Prosperidade: todos que aceitarem Jesus, sob o comando de pastores de ovelhas cegas, ficarão ricos empresários. Terão empregados. Serão ressarcidos dos altos dízimos pagos. Em contrapartida também tiveram que votar no paladino ” contra a corrupção”. Um certo pensamento mágico( primitivo) assolou a cabeça dos brasileiros, de todas as camadas sociais: o MESSIAS viria. E veio, colocando nas diversas instâncias do seu governo, nada menos que 41 militares de alta patente. É um governo militar eleito pelo voto de 57 milhões de analfabetos políticos e/ou demenciados precocemente, pois esqueceram- se da tragédia dos 21 anos de governos militares no Brasil, gerando torturas, desaparecidos políticos, perdas de direitos e regime de força. Anos de chumbo, onde nada se podia falar abertamente. As senhorinhas de Copacabana que saíram às ruas pedindo volta dos militares ao poder, os idiotas úteis, os batedores de panela de varandas gourmets, os patos da FIESP, os do MBL, aquela meninada da dancinha ridícula pedindo “fora Dilma e leve o PT junto”, pensam que foram vitoriosos: não era possível um governo de inclusão social num paiseco destes, com uma classe média e alta tão ignorantes , individualistas e meritocráticos, cujo mote ” não se pode dar peixe a quem não sabe pescar” inflou – os de falso nacionalismo.falso , porque ninguém que colaborou com o golpe e com a ascenção do fascismo ao poder no Brasil, pensou um milímetro sequer no Brasil ” acima de tudo”. Pensaram no ” PT fora de tudo” e assim votaram.

O voto em Bolsonaro não foi a favor do país, dos excluídos e da soberania nacional: foi para tirar o PT, esse partido imenso, que com sua grandeza ameaçava e ameaça o “status quo”: não se admite neste país que pobre possa sentar num banco de universidade ao lado de um ” rico”. .Não se admite que possam ter refeições. Não se admite que possam voar de avião, que possam ter direitos trabalhistas, que possam ganhar bolsa de estudos fora do país e que suas famílias possam ser beneficiadas com casa própria. Não se admite que essas pessoas possam ter fome zero e que saiam do mapa da fome através do bolsa família, copiada por vários países da Europa. Não se pode admitir nesta república de bananas que um torneiro mecânico, semi- analfabeto, com apenas NINE( EU DISSE NINE) dedos possa ter sido o melhor presidente que este Brasil já teve. A inveja de Lula é algo incomensurável para essa gente ” de bem”

O país dos eleitores de Bozo e sua FAMIGLIA é o modelo idealizado pelos seus eleitores fiéis: família de gente agressiva, tosca, ignorante, sem projetos consistentes para o país, ligados à milícias e sem qualquer preocupação com o social. Um governo que quer governar para ricos .O resto? Ora, que se exploda!

Não estão arrependidos os eleitores de Bolsonaro, pois ainda idealizam o MITO que criaram em suas mentes fantasiosas e românticas e estão tão convictos ainda de sua honestidade ( apesar das evidências em contrário), que hoje fazem circular pelo WhatsApp verdadeiras correntes pedindo ” união” da direita para impedir que a esquerda volte. São cegos de ódio e ranco ao PT que aprenderam a odiar pela rede Goebbels que, tradicionalmente, contando uma história montada à exaustão, transformou esse mundaréu de midiotizados numa massa amorfa de anestesiados zumbis contra seu próprio país.

Bozo é apenas o reflexo de seus eleitores. E ficará o tempo que os militares de seu governo quiserem, permitirem. Aliás, já é evidente a divisão de pensamento entre Bozo e seu vice.

Racionalmente prevejo a destruição e empobrecimento rápido do país. Talvez só assim esses zumbis acordem de seu transe e percebam em que nos meteram. Espero que não seja tarde demais para reconstruirmos o Brasil que Lula ergueu

Marcia Tigani, Psiquiatra, poeta, escritora, militante e colunista do Cartas Proféticas.




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Folha: negócio relâmpago de Flávio pode ser lavagem de dinheiro

Compra e venda de imóveis rendem 260% em um ano...


O Conversa Afiada reproduz trechos de reportagem de Italo Nogueira, Camila Mattoso e Ranier Bragon, na Fel-lha:

Flávio Bolsonaro lucrou R$ 813 mil com transação relâmpago de imóveis

​Filho do presidente Jair Bolsonaro, o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) realizou de 2012 a 2014 operações de compra e venda de imóveis com características consideradas suspeitas de lavagem de dinheiro. As transações lhe renderam um lucro equivalente a 260% no período.

Em novembro de 2012, Flávio adquiriu dois imóveis em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Localizados em ruas pouco valorizadas do bairro, pagou um total de R$ 310 mil pelas duas unidades e as revendeu, um ano e três meses depois, por mais que o triplo do preço.

Os dois imóveis haviam sido adquiridos em 2011 pelos proprietários anteriores por um total de R$ 440 mil. Em pleno “boom imobiliário” na cidade, eles tiveram um prejuízo de 30% ao revendê-los ao senador eleito, segundo dados do 5º RGI (Registro Geral de Imóveis) da capital do estado.

O deputado revendeu um imóvel em novembro de 2013 (por R$ 573 mil) e outro em fevereiro de 2014 (por R$ 550 mil). Somadas, as transações lhe renderam um lucro de R$ 813 mil --diferença entre os R$ 310 mil investidos nas compras e o R$ 1,12 milhão que recebeu com as vendas.

Flávio nega irregularidades e diz que as transações foram normais.

​A dinâmica das operações, porém, é considerada suspeita, segundo resolução do Cofeci (Conselho Federal de Corretores de Imóveis). A entidade determina que seja comunicado ao Coaf (Conselho das Atividades Financeiras) negociações com “aparente aumento ou diminuição injustificada do valor de imóvel”.

A resolução em que consta a determinação é de outubro de 2014, posterior às vendas realizadas por Flávio, motivo pelo qual possivelmente não foram comunicadas ao Coaf.

A queda repentina de valor de imóveis é alvo de suspeitas dos órgãos de controle porque podem encobrir um possível pagamento não declarado (fora dos registros oficiais), o que caracteriza a lavagem de dinheiro. Não há elementos adicionais para indicar que isso tenha ocorrido nas transações feitas pelo filho do presidente. (...)
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Editoriais do PIG

Relação de Flávio com milícias leva crise a novo patamar

Editorial da Folha associa revelações ao Governo Bolsonaro

O Conversa Afiada republica editorial da Fel-lha:

Novo patamar

Se já era desconfortável a situação do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), ela ficou ainda pior com a revelação de que seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro mantinha como funcionárias a mãe e a mulher de um ex-policial militar suspeito de comandar uma milícia na zona oeste carioca.

A descoberta põe a crise em outro patamar porque não se trata mais de desconfiar que Flávio, como deputado estadual, integrasse um esquema banal de desvio de recursos públicos. Não que fosse um pecadilho perdoável, mas pelo menos o escândalo reproduziria práticas há muito conhecidas na política.

Nada tem de banal, porém, a ligação de um legislador brasileiro com um sujeito apontado como chefe de uma das quadrilhas mais perigosas do Rio, acusada de sequestrar, torturar e assassinar pessoas, além de explorar mercado imobiliário clandestino e extorquir moradores de comunidades carentes.

Tampouco é prática conhecida, e muito menos aceitável, a proximidade do próprio presidente da República com gente que parece pertencer a uma organização criminosa armada. Pois, por mais que o governo federal tente atribuir apenas ao filho de Jair Bolsonaro (PSL) qualquer responsabilidade nesse caso, há indícios de sobra a apontar na direção do pai.

Se por mais não fosse, Fabrício Queiroz, pivô dessa teia deplorável, é amigo de longa data não de Flávio, mas do atual presidente.

Entre as movimentações milionárias em sua conta que chamaram a atenção do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) está um cheque de R$ 24 mil repassado à primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente se encarregou de afirmar que o montante chegava a R$ 40 mil e que o dinheiro se destinava a ele.

O mesmo Queiroz, cuja lista de atividades indecorosas não para de crescer, estaria por trás da contratação da mãe e da mulher do ex-PM suspeito de ser miliciano — e isso de acordo com Flávio. A crer na declaração, o senador eleito confessou ter delegado a seu motorista o poder de decidir como usar recursos do contribuinte fluminense.

Não é preciso ser muito cético, no entanto, para conjecturar que ele tenha se disposto a assumir o que soa como culpa menor para tentar esconder algo mais grave: um envolvimento profundo com indivíduos da pior espécie. A esta altura, em nada ajudam a família Bolsonaro os inúmeros discursos feitos em defesa de milícias.

No caso de Flávio, há ao menos outro episódio em que seu nome se misturou com o de gente dessa laia. No ano passado, a polícia desbaratou uma quadrilha especializada em extorsões. Entre os presos estavam dois ex-PMs que teriam atuado como segurança em eventos do então candidato a senador.

Diante do acúmulo de fatos incompatíveis com o discurso moralizador do presidente, seria de esperar que ele aproveitasse Davos para apresentar a sua versão.

Em vez disso, cancelou a entrevista coletiva que daria, e o fez sob justificativas distintas — a última foi a troca da bolsa de colostomia, a primeira foi a “abordagem antiprofissional da imprensa”.

Antiprofissional é, numa democracia, o presidente imaginar que uma situação dessa gravidade possa ficar sem explicações convincentes.



Editorial do Estadão revela que parte da elite já se arrependeu da aventura Bolsonaro

A editorial do Estadão de hoje reflete o que devem pensar muitos eleitores que deram a Bolsonaro a chance de se mostrar à altura da presidência do Brasil: estão arrependidos.

Ao tratar da situação patética que gerou ao fugir de uma entrevista coletiva, o jornal escreveu:

“O cancelamento da entrevista comprovou suas más condições para o exercício de uma função física e psicologicamente exigente”.

O Estadão, ecoando o que devem pensar muitos dos homens de classe média alta que embarcaram na onda do “Mito”, também criticou o discurso de Bolsonaro:

“Produziram um mexidão com ideologia e insuficiência de informação relevante. Foi mais uma versão requentada de um discurso eleitoral. Mesmo os frequentadores mais conservadores de Davos devem estar pouco interessados na restauração dos valores da família brasileira. Os menos pacientes devem ter achado patética a afirmação sobre como foi escolhida a equipe de governo”.

O Estadão é um jornal decadente, mas ainda encontra repercussão junto ao extrato mais conservador da população, e é por isso que o texto indica o esboroamento do que restava de credibilidade de Jair Bolsonaro.

O jornal, assim como todos os seus parceiros velha imprensa, sabia que Bolsonaro seria um desastre, mas preferiu omitir de seus eleitores um jornalismo minimamente crítico que revelasse quem de fato o capitão é.

Com uma visão estreita, concentrou suas baterias no ataque a Lula, que na época já estava preso, e abriu, inclusive, suas páginas para o mais importante articulador da campanha de Bolsonaro: o general Eduardo Villas Bôas.

Foi pelas páginas do jornal que o então comandante do Exército pressionou o TSE, na véspera do julgamento do registro da candidatura de Lula, para que não permitisse a candidatura de “um ficha suja”.

Não citou o nome de Lula, mas o recado era evidente. “A sociedade não vai aceitar”.

Quem?

A maioria dos eleitores que, à época, manifestavam intenção de votar no ex-presidente é que não era.

Nos primeiros dias de governo, Bolsonaro agradeceu a Villas Bôas pelo que fez por ele e disse que ambos tiveram uma conversa que levará para o túmulo.

“Não fosse o senhor, eu não estaria aqui”, disse.

Setores da elite brasileira brincaram de feiticeiro ao sufocar a democracia com uma aplicação da lei que violava a jurisprudência do TSE, a Constituição e uma resolução da ONU.

Foi uma atitude irresponsável, típica dos bolsonaristas que diziam: “Vamos dar uma chance a ele. Se não for bom, a gente tira”.

Como se isso fosse fácil.

Bolsonaro sempre fez política sabotando a democracia.

Surgiu no cenário nacional com um artigo na revista Veja em que atacava seu comandante, o ministro do Exército à época, Leônidas Pires Gonçalves.

Depois, foi acusado de planejar uma ação terrorista para forçar decisões no Exército.

Defensor da tortura, da ditadura e das milícias, sempre esteve do lado oposto ao que se poderia classificar de cultura civilizatória.

Foi contra a lei do feminicídio e a extensão das leis trabalhistas a empregadas domésticas.

Defendeu salários menores às mulheres, porque podem engravidar.

A lista de absurdos é grande, e não se faz necessário registrá-la aqui.

Importa é saber que, ao informar seus leitores da inépcia do capitão para o exercício da presidência, o Estadão esquece de fazer uma autocrítica e de pedir desculpas ao Brasil por não ter cumprido seu papel de informar corretamente, e no tempo adequado, seus leitores.

O Estadão já se arrependeu.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Ao chamar Flávio de "garoto", Jair reduz responsabilidade do senador eleito


"Não é justo atingir um garoto, fazer o que estão fazendo com ele, para tentar me atingir." Não é a defesa do filho Flávio, feita em conversa com a TV Record, nesta quarta (24), após cancelar entrevista coletiva, em Davos, na Suíça, que chama a atenção na frase. Mas como Jair Bolsonaro se refere ao deputado estadual e senador eleito pelo Rio de Janeiro.

Durante a campanha eleitoral do ano passado, após a repercussão da declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (de que para fechar o Supremo Tribunal Federal bastaria um cabo e um soldado), Jair usou o mesmo expediente: "Eu já adverti o garoto, o meu filho, a responsabilidade é dele. Ele já se desculpou".

Não é novidade que chame os três filhos políticos de "garotos" e não há problema algum que faça isso em sua esfera pessoal. Mas quando os qualifica assim diante de comportamentos questionáveis que tiveram por conta de sua atuação na esfera pública, Bolsonaro parece esquecer que são adultos eleitos para funções públicas e que devem agir com o decoro esperado. Ao usar uma tribuna pública para chamar o deputado estadual e senador eleito de "garoto" faz exatamente o oposto daquilo que seu governo tenta fazer, que é deixar os problemas do filho longe do Palácio do Planalto.

Toda família de um presidente da República é politicamente exposta. Os filhos de Fernando Henrique e de Michel Temer e, principalmente, os de Lula estiveram sob intensos holofotes, portanto Bolsonaro não pode reclamar de perseguição. E, sim, a sociedade demanda que a "primeira família" tenha um comportamento exemplar. O que não é novidade e faz parte da liturgia do cargo. Deve, portanto, ter na transparência um princípio.

Transparência que tem faltado no caso. Desde o início, Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz preferiram dar entrevistas a TVs ao invés de falar com o Ministério Público do Rio de Janeiro. O filho de Bolsonaro envolveu até o Supremo Tribunal Federal para conseguir adiar suas explicações e as convocações de seu ex-assessor e faz-tudo.

Politicamente, Flávio não é um garoto. Mas um político experiente. A oposição ao governo acusa Queiroz de ser um laranja usado pela família Bolsonaro para repassar parte dos salários recebidos por funcionários de seus mandatos. Há coincidências entre datas de pagamentos pela Assembleia Legislativa do Rio, depósitos na conta de Queiroz feitos por outros funcionários do gabinete de Flávio e saques em dinheiro pelo ex-assessor. Flávio não conseguiu fornecer uma "explicação plausível" pelas compras e vendas de imóveis e dezenas de depósitos estranhos em caixas eletrônicos. Nesta terça, os eleitores descobriram que a esposa e a mãe de um miliciano poderoso trabalhavam no gabinete do deputado – miliciano que pode não ter ordenado, mas pode saber quem planejou e executou Marielle Franco e Anderson Gomes. Bolsonaro defendeu, há anos, a atividade de milícias.

Antes, no mesmo Fórum Econômico Mundial, Bolsonaro havia dito à agência Bloomberg que "se por acaso ele errou, e isso for provado, eu lamento como pai, mas ele terá que pagar o preço por essas ações que não podemos aceitar". A palavra "erro" foi muito compreensiva para tratar de todo o caso, mas era uma oitava acima do depoimento dado à Record. Nele, o presidente mudou o tom, chamando de "infundadas" as acusações. "Fizeram uma arbitrariedade contra ele."

O fato é que jornalistas estão fazendo o seu papel de investigar, reportar, analisar – papel que foi muito útil a Jair Bolsonaro quando o alvo do escrutínio é Lula e família. Os dados divulgados pelo Coaf e os documentos e depoimentos obtidos durante reportagens não criam um cenário de fantasia, mas ajudam a revelar o comportamento de um parlamentar com capacidade de influenciar diretamente o presidente. Ninguém está "fazendo" nada contra Flávio, tudo o que foi descoberto é resultado das decisões do deputado. E o impacto das descobertas seria muito menor se Jair não tivesse transformado seus "garotos" em um conselho informal no centro de poder da República. Pois se Flávio é um "garoto", quem é o "adulto responsável" pelo o que ele faz?

A diferença entre garotos e garotas e adultos é que o segundo grupo sabe que deve responder pelos próprios erros e crimes sem ninguém passando a mão. Enquanto o primeiro culpa quem for preciso para fugir da responsabilidade.

Leonardo Sakamoto
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Bolsonaro parece apavorado


A cada aparição do presidente Jair Bolsonaro a impressão é que ele foi convidado para um jantar de muitos talheres e não parece à vontade ao manusear a parafernália. É garfo de peixe ou de carne? Para que tantos copos? Percebe-se o seu desconforto em situações oficiais, apesar dos quase 30 anos de vida pública.

No dia da posse, foram raros os momentos em que sorriu, sem que a tensão deixasse seu semblante. Na maior parte do tempo, franze a testa, os maxilares parecem retesados. Receio que Bolsonaro quis ser presidente, realizou seu desejo, mas, ao dar de cara com este Titanic desgovernado que é o Brasil, pensa: o que faço com esta merda? A ficha caiu e ele parece em pânico.

Era pavor o que havia em seus olhos no breve discurso em Davos e na entrevista que se seguiu. Jair acreditava que só precisava se cercar de especialistas para governar e talvez tenha percebido apenas agora que são necessários talentos que ele não tem, como gerir uma equipe, administrar crises, comunicar-se com outros líderes, e também com a população, de forma clara e assertiva.

A imagem de sujeito de hábitos simples, que lava suas roupas, recebe autoridades sem formalidade e almoça sozinho no bandejão do maior fórum econômico mundial, deixa de funcionar, mesmo entre parte de seus eleitores, quando o líder se revela raso, superficial e nervoso.

O presidente alegou cansaço e atacou a imprensa ao cancelar a entrevista coletiva que daria, nesta quarta (23). De onde eu vim, isso se chama “arregar”. Arregou diante de um oponente maior do que ele: o desafio de ser presidente.

Assessores dizem que ele não tem pregado os olhos. Desconfio que sofra de bruxismo. Será que Bolsonaro aguentará o peso da faixa presidencial durante quatro anos? Pelas bandas de cá, general Mourãoafaga a imprensa e dá um show de desenvoltura em entrevistas e em suas aparições públicas. Vai vendo.

Mariliz Pereira Jorge
No Fel-lha
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Até Merval, o “último dos moicanos”, vê Bolsonaro atingido no caso Queiroz


As crescentes evidências das ligações entre o gabinete do agora senador Flávio Bolsonaro e as milícias que controlam o submundo do crime no Rio de Janeiro estão abalando, pela imundície explícita, até os mais intransigentes defensores do “papel civilizatório” do selvagem governo sob o qual caímos. Até mesmo o quase inabalável Merval Pereira.

Na sua coluna de hoje, certamente escrita antes que Bolsonaro recuasse da atitude de lançar ao mar o “garoto”, elenca a quantidade implausível de indícios daquela promiscuidade, mas procura tirar deste meio o impoluto ex-juiz Sérgio Moro, o mudo.

(…) seu alcance é limitado por suas novas funções. Ele já não é o juiz da Operação Lava Jato. Cabe ao Ministério Público do Rio de Janeiro investigar e, se for o caso, denunciar os culpados. Ele já demonstrou que é eficiente e ágil no combate à corrupção, e tem atuado com firmeza na investigação do caso Marielle, que pode acabar se imbricando com esse caso do senador eleito Flávio Bolsonaro. O que está na sua alçada, Sérgio Moro está fazendo: anunciou que tratará as milícias na legislação que proporá ao Congresso como organizações criminosas, como o PCC ou o Comando Vermelho. E o Coaf, agora sob sua gestão, não parou de trabalhar no caso.

Curioso que, antes, quando o “alcance” de Moro era limitado pela sua condição de simples juiz de 1 ª instância em Curitiba, moveram-se paus, pedras e mundos para que tudo lhe caísse às mãos.

Ocaso Queiroz avança há 40 dias rumo ao pântano e nem mesmo uma palavra mais firme se ouviu de Sua Excelência, que se anunciava antes como uma espécie de Corregedor Geral do novo governo.

Antes de saber da novo abraço de afogado que aceitou do filho, Merval escreveu que Jair Bolsonaro errava por achar que o assunto não o atingia:

O presidente Bolsonaro já disse em Davos: se ficar provado que o filho errou, terá que pagar pelo que fez. Afinal, é sabido que o presidente, equivocadamente, acha que esse assunto não lhe diz respeito.  

E a Sérgio Moro, que trocou o que deveria ser seu limitado alcance como juiz de piso pela condição, muitíssimo mais ampla, politicamente, de Ministro da Justiça, também não lhe diz respeito, Merval?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Wall Street Journal: o tsunami está a caminho!

Só os bolsomínios ainda não perceberam...



A TV Afiada avisou que o tsunami já chegou: governo de dez minutos vai mudar de fora pra dentro.

E agora reproduz da Bíblia do Capitalismo americano - o Wall Street Journal, do mega-hiper-capitalista Rupert Murdoch, vídeo/comentário de um de seus principais analistas, Gerald Seib:

O "boom" global, que mal começou, pode estar no fim

GERALD SEIB: Se você folhear o Wall Street Journal ou visitar o nosso site, verá que o episódio mais importante da política em 2019 talvez não venha de Washington.

Pode ser o seguinte: a possibilidade de uma redução da velocidade do crescimento econômico.

É isso que preocupa os líderes políticos e empresariais que se reuniram esta semana em Davos, Suíça, para o Fórum Econômico Mundial.

A pergunta aqui é: quais serão os efeitos políticos de uma redução da velocidade do crescimento?

Precisamos, primeiro, ver as evidências de que realmente é isso o que está tomando forma.

O crescimento da China está em sua menor taxa desde os anos 1990.

O crescimento na Zona do Euro também foi mais fraco do que o esperado, em parte por conta das incertezas sobre o acordo do Brexit com o Reino Unido.

Terceiro, os EUA talvez tenham crescimento menor do que o esperado, também - em parte por conta da disputa comercial com a China, mas também porque começam a diminuir os efeitos positivos do corte de impostos do fim de 2017.

Em quarto lugar, novos dados sugerem que o comércio mundial está esfriando. Por isso, o FMI diminui sua previsão de crescimento da economia global para este ano.

CHRISTINE LAGARDE: Resumindo, depois de dois anos de sólida expansão, a economia mundial está crescendo mais lentamente do que o esperado. E os riscos estão aumentando.

GERALD SEIB: Então, a pergunta é: como isso afeta as coisas que acontecem em Washington? Bom, eu posso ver vários efeitos possíveis dessa situação:

Primeiro, essa crise irá aumentar a pressão para que o presidente Trump assine um acordo comercial com a China. Isso poderia acabar com uma das fontes de incerteza e poderia permitir um pouco de crescimento na economia dos EUA e da China e também um aumento no comércio internacional.

DONALD TRUMP: Já tivemos um número incrível de encontros e negociações. Um acordo com a China pode acontecer.

GERALD SEIB: Em segundo lugar, haverá pressão sobre o Congresso para aprovar um orçamento que realmente inclua investimentos e estimule a economia americana um pouco. Ainda que isso signifique, no futuro, um déficit maior. Isso pode ser um problema mas, a curto prazo, as pessoas querem algum estímulo na economia.

Em terceiro lugar, o Banco Central será pressionado para interromper o aumento das taxas de juros este ano. Eles já estão desistindo, e isso pode se tornar uma tendência ao longo do ano.

E, por último, uma diminuição global do crescimento da economia, e, particularmente nos EUA, mudaria o cenário da campanha presidencial de 2020, que já está começando por aqui.

Seis meses atrás parecia que o grande mote do presidente Trump para a próxima campanha seria a economia americana forte. Se não for este o caso, a situação será completamente diferente.
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A receita depois do pesadelo Bolsonaro


Prêmio Nobel de Economia em 2006, Edmund Phelps publicou um artigo instigante sobre as razões do dinamismo, ou da perda de dinamismo nas economias ocidentais.

Ele critica a dificuldade dos economistas em trabalhar com a incerteza. Tratam a economia como se fosse um processo cumulativo, calculado, em que o futuro é previsto a partir do passado. É o manual do cabeça de planilha. Em momentos de ruptura, de crise sistêmica, dançam.

O desenvolvimento do Ocidente, diz Phelps, sempre esteve ligado à noção da incerteza, e da busca do novo. A revolução se deu através da inovação na base, envolvendo todas as pessoas, trabalhadores, empresários, e todo tipo de indústria.

Ele atribui a Robert Solow, do MIT, a consagração da tese de que a taxa de progresso técnico era exógena à economia. Lembra em muito o ex-Ministro Pedro Malan, que minimizava políticas científico-tecnológicas, afirmando que bastaria importar máquinas modernas, que já vinham com o conhecimento embutido.

Aí se volta à noção da economia e do desenvolvimento como um sistema, uma engrenagem que produz desenvolvimento quando todos os fatores avançam na mesma direção.

No início dos anos 90, quando começaram os primeiros movimentos pela qualidade, parecia que esse sentimento tinha tomado conta de amplos setores. Aliás, no alvorecer do período democrático, Fernando Collor acertou em cheio com o conceito de câmaras setoriais - juntando, em um mesmo ambiente, produtores, fornecedores, trabalhadores em torno do objetivo de conferir competitividade ao setor.

Atrás de sua estratégia, havia conceitos claramente definidos pelo maior – e mais desconhecido – economista brasileiro da época, Júlio Mourão, do quadro do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Coube a ele lançar as bases da política da integração competitiva, entendendo o desenvolvimento como um processo sistêmico.

No governo Fernando Henrique Cardoso, avançaram-se nos conceitos de Arranjo Produtivo Local e nas bases dos primeiros programas de inovação, muito devido ao então Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira.

No governo Lula, as conferências nacionais se constituíram em poderosíssimo instrumento de coordenação federativa. As conferências de inovação deram início a um pacto envolvendo associações empresariais, trabalhadores, sindicatos. Ganharam corpo os movimentos pela educação e pela inovação. A Confederação Nacional da Indústria chegou a montar o MEI (Movimento Empresarial pela Inovação), pelo qual grandes empresas – nacionais e multinacionais – implementariam programas para levar a qualidade aos pequenos.

O governo Dilma lançou alguns programas relevantes de inovação, como o Brasil Competitivo, em parceria com a CNI, estimulando institutos de pesquisa a atuarem em rede resolvendo problemas estruturais da indústria. E foi relevante com o MEI (Microempreendedor Individual), permitindo a formalização de milhares de microempresários por todo o país.  As políticas de compras da Petrobras estimulavam pequenas empresas.

Todos esses movimentos, uma construção social e econômico penosa – dado o ambiente negativo das políticas monetária e cambial – ruíram com a perda de rumo do governo Dilma. A própria Dilma poderia ter promovido uma correção de rumos. As eleições seguintes garantiriam a alternância de poder, necessária em toda democracia, com o esgotamento do ciclo petista.

Mas, aí, sobreveio o golpismo, com Ministério Público Federal, através da Lava Jato, e com a complacência cúmplice do STF (Supremo Tribunal Federal), dando início à destruição do sistema partidário e da economia nacional.

Agora, o pesadelo de Bolsonaro traz uma nova divisão, que irá se consolidar gradativamente: entre o Brasil moderna, de esquerda e direita, e o país dos subterrâneos e das milícias.

Seria relevante que as lideranças mais racionais, de lado a lado, começassem a construir a ponte para o recomeço, que se dará um ponto qualquer do futuro.

Assim que passar o pesadelo bolsonariano, o trabalho de reconstrução terá que se dar em torno de um amplo pacto nacional juntando movimentos, sindicatos, empresas, mercado, universidades, institutos.

O político, ou o pacto, que lograr essa síntese dominará o próximo ciclo político.

Luís Nassif
No GGN
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Bolsonaro e Trump fazem da Venezuela a Síria da América Latina


Num desatino diplomático que evidencia o desespero em criar fatos políticos para distrair a opinião pública dos escândalos que poderão custar seu mandato [ler aqui], Bolsonaro se associou ao extremista Donald Trump e a outros líderes lunáticos no apoio ao golpe da extrema-direita que poderá fazer da Venezuela a Síria latino-americana.

A posição do governo brasileiro em relação ao conflito no país vizinho destoa da tradição de 200 anos da tradição diplomática do Brasil [ler aqui].

Uma tradição que está consagrada na Constituição, baseada no respeito à auto-determinação dos povos, à não-intromissão em assuntos de outros países e, em especial, no esforço contínuo de construção da paz na região e da “integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações” [Art. 4º da CF].

A elite venezuelana, organicamente associada ao establishment norte-americano e à elite petroleira mundial, nunca aceitou a perda do poder para Hugo Chávez em 1998.

Inconformada com o invento chavista de democracia plebiscitária e direta, que pela primeira vez deu ao povo venezuelano poder deliberativo para escolher o destino da renda petroleira, essa elite egoísta e predadora sabotou e combateu o processo bolivariano desde o início, sem tréguas, e instituiu um padrão insano de polarização.

Em 11 de abril de 2002, com o apoio político, militar e financeiro dos EUA, desfechou o mal-sucedido golpe de Estado que consistiu no sequestro e na tentativa de assassinato do então presidente Chávez.

Aquele golpe foi revertido pela resistência popular, e sedimentou a desconfiança do povo venezuelano em relação à burguesia conspirativa e desestabilizadora.

Contrariamente ao propalado pela propaganda hegemônica, apesar de agredido e sabotado, o chavismo manteve a imprensa livre, o direito à organização partidária e a rotina institucional do país com eleições, plebiscitos e referendos sucessivos – mais de 1 evento de consulta popular a cada 2 anos; prática não verificada em nenhum outro país.

Com a obtenção de maioria parlamentar na eleição de 2015, a oposição de extrema-direita arvorou-se um poder que a Constituição Bolivariana não lhe confere, e passou a dar ultimatos no governo constitucional de Nicolás Maduro.

A oposição transformou a Assembléia Nacional em contra-poder; converteu o Parlamento em força insurgente contra-revolucionária [ler Alarme na Venezuela].

Iniciou-se ali a dinâmica de enfrentamento permanente, desestabilização e de dualidade de poder cuja expressão maior é a auto-proclamação de Juan Guaidó como presidente do país.

É improvável uma operação militar direta de tropas dos EUA – China, Rússia e UE são fatores de contenção. A atuação está se dando com operações coordenadas entre o Pentágono, Departamento de Estado, CIA, FFAA, Colômbia, sicários e grupos mercenários.

A estratégia combina a dualidade de poder político apoiado em maciça propaganda contra o governo e a tentativa de abertura de fissuras nas Forças Armadas para fraturar a hegemonia do chavismo e desequilibrar a correlação de forças no plano militar/armado.

A posição do governo brasileiro é irresponsável e insensata; isola o país e deslegitima a vocação natural do Brasil como liderança continental e hemisférica.

A política externa do Bolsonaro alicerçada no ódio, no obscurantismo ideológico e na submissão aos desatinos de Donald Trump, está contribuindo decisivamente para a eclosão de uma guerra civil que poderá fazer da Venezuela a Síria da América Latina.

Essa política equivocada e irresponsável atenta contra a Constituição Brasileira [Art. 4º], e deve ser imediatamente revertida, antes que o inferno de uma guerra insana que atende a interesses imperialistas desabe sob a América Latina.

Jeferson Miola
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Um argentino na Venezuela










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A ideologia de Bolsonaro e Araújo é o servilismo

Quando não está fugindo de entrevistas, Ernesto Araújo enche a boca para dizer que a política externa brasileira não é mais “ideológica”. Como classificar, então, a decisão de reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela?

Nunca simpatizei com os governos de Chavez ou de Maduro, demasiado personalistas, autoritários e demagógicos para meu gosto. Simpatizo menos ainda, claro, com a oposição venezuelana a serviço do imperialismo estadunidense. E tenho consciência de que, por uma combinação de erros de Maduro e de boicote externo e interno, a situação na Venezuela é dramática.

Caberia ao Brasil, no papel de grande país vizinho, ajudar a encontrar uma solução para a crise. Em vez disso, o governo Bolsonaro macaqueia Trump, joga gasolina na fogueira e traz algo próximo a uma guerra civil para nossas fronteiras.

Podemos – e devemos – criticar o comportamento dos Estados Unidos, que estão dispostos a levar o povo venezuelano a todo o tipo de sacrifício a fim de proteger seus (estadunidenses) interesses econômicos. Mas o que dizer do Brasil, que está agindo não só contra a Venezuela, mas também contra o próprio Brasil, no afã de satisfazer Washington?

A ideologia de Bolsonaro e Araújo é o servilismo.

Luís Felipe Miguel
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Por ora, o começo

Impossível não é, mas também não é convincente que Flávio e Jair Bolsonaro pontuassem seus percursos políticos com defesas, elogios e apoios práticos às milícias apenas por ideias degenerativas. Sem sequer conhecer a ligação do seu influente amigo e assessor Fabrício Queiroz com a poderosa milícia de Rio das Pedras.

O que emerge, quase só por acaso, da simplória denúncia de que um PM movimentou pouco mais de um milhão em um ano, tem potencial de chegar a desfechos dramáticos em várias frentes.

Tudo depende da disposição de investigar e, a fazê-lo, que não haja os dirigismos e limitações próprios dos grandes inquéritos brasileiros.

A operação de há dois dias em Rio das Pedras, aliás, foi um feito sem precedente que a intervenção militar no Rio construiu, mas não pôde concluir.

Sua continuidade, pedida pelo novo governador, foi negada pelo governo Bolsonaro. Se por desejo do Exército ou por motivos que fatos atuais e futuros sugiram são hipóteses disponíveis para os exercícios interpretativos. Apesar de hipóteses, valem mais do que as explicações dadas.

Os generais Braga e Richard, no pouco que saíram do silêncio, deram pistas da prioridade à apreensão de armas (sem êxito) e às milícias. O que combinava com as principais suspeitas sobre a morte de Marielle e do motorista Anderson.

Mas uma operação contra a milícia da Rio das Pedras precisava de mais do que as informações necessárias: exigiu uma composição humana especial, pelos riscos implícitos e até para evitar o vazamento ameaçador.

O problema para a operação era conhecido e vinha de muito longe. O comando da milícia por um major da ativa na PM, agora preso, e de um major expulso da PM, agora foragido, ambos tidos como muito perigosos e competentes, bloqueava as polícias.

Era mais do que suficiente ao corporativismo de uns e ao medo de outros, quando não ao comprometimento, para evitar ações policiais contra os milicianos e suas atividades a partir de Rio das Pedras.

O numeroso transporte em vans, controlado por aquela milícia, proporciona às investigações uma informação útil ao levantamento dos elos: os Queiroz têm permissão do comando miliciano para explorar esse serviço, e o fazem.

Se pagam a quota convencionada, é incerto, consideradas as retribuições às honrarias da Assembleia Legislativas patrocinadas por Flávio Bolsonaro para os dois majores.

Presença anotada no gabinete de Bolsonaro na Câmara, para uma filha de Queiroz que exercia sua profissão no Rio. Contradições nos dados de compras e vendas de imóveis por Flávio. Discordâncias entre fatos e as explicações por ele dadas. Os discursos em Brasília e no Rio pró-milícias. Condecoração a milicianos. A intermediação do amigo e “motorista” Queiroz com oficiais PM problemáticos. Empregos para filha e mulher de chefe miliciano, emprego fantasma para outra. As sucessivas derrubadas das explicações defensivas — enfim, nada disso é desconectado.

E o todo não é uma ilha isolada de outras realidades. Não pode ser. Não é crível que seja.

Janio de Freitas
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Retardocracia


Será que libertar o país das amarras de um socialismo que nunca existiu por aqui e combater o politicamente correto (entenda-se permitir toda forma de brutalidade moral, verbal e física) vai resolver nossos problemas e fazer com que nosso povo viva melhor?

Quando assistimos a um discurso de posse, sobretudo quando se trata de um presidente da República, esperamos que, em linhas gerais, haja uma breve exposição daquilo que a pessoa eleita se propõe a fazer em quatro anos. O povo espera soluções, alternativas e propostas para cultura, educação, saúde, economia, transporte, dentre outros aspectos imprescindíveis. De modo geral, é possível dizer que o povo (ou parte dele) espera o mínimo de seriedade.

No último dia 1º, tivemos os mesmos delírios que marcaram a campanha eleitoral. Era de se esperar que surtos como o kit gay e a mamadeira em forma de pênis fossem gracejos com o explícito fim de cativar um público sedento por violências (no plural, pois há várias delas). Mas fomos além: conseguimos presenciar delírios (também no plural) em pleno discurso de posse.

Falou-se em libertar o país das “amarras do socialismo”. O eleito, assim como a massa de assalariados aplaudindo como forma de alívio e/ou gratidão, não sabe diferenciar socialismo e políticas públicas com uma qualidade mínima. Do mesmo modo que nos mandam para Cuba, devemos mandá-los para a Suécia e a Noruega.

Falou-se, também, em combate ao “politicamente correto”, o que foi um convite para que o povo seja ainda mais (pois sempre foi) racista, machista, elitista, classista, egoísta e patologicamente violento. Será que não caberia a um chefe do Estado levantar os principais problemas de seu país, prometendo tentar resolvê-los? Será que libertar o país das amarras de um socialismo que nunca existiu por aqui e combater o politicamente correto (entenda-se permitir toda forma de brutalidade moral, verbal e física) vai resolver nossos problemas e fazer com que nosso povo viva melhor?

Tivemos um discurso absolutamente fraco e rasteiro. Um discurso do tipo que agrada à classe média que sonha em ser elite e sonha em ver o pobre em uma situação cada vez pior. Aliás, são esses os valores que nossa classe média porta: sonhar em ser algo que não é e pisotear quem está em posição desfavorável.

Se todos os problemas estivessem no discurso, estaria tudo relativamente bem. O problema é que trapalhadas começam a surgir. Retirar a embaixada brasileira de Tel Aviv, realizando sua transferência para Jerusalém significa colocar o Brasil na rota do terrorismo internacional. Isso, para agradar seitas de beira de estrada em troca de votos. Trata-se de grupos que pararam nos tempos bíblicos e sequer conseguiriam localizar o atual Estado de Israel em um mapa-múndi. Os comentários feitos por ministros e ministras são simplesmente deploráveis. São comentários de quem não entende o básico que o cargo exige. É impossível ver algo além de trapalhadas.

Tivemos um processo eleitoral forjado da maneira mais suja possível: notícias falsas circulando pelas redes sociais. Foi isso. A campanha foi exatamente assim. Não houve propostas, não houve diálogo e nem debates, já que foram evitados por motivos óbvios. Incapacidade. Ausência absoluta de propostas. O pouco de propostas surgiu do impossível: combater o socialismo (qual?); combater uma escola que forma militantes (se escolas formassem militantes, Guilherme Boulos ganharia no primeiro turno e o real vencedor não conseguiria ser síndico de prédio em cidade pequena); combater a ideologia de gênero (defina). E, mesmo após a vitória, temos uma completa falta de seriedade. Vemos uma marionete, alguns fanfarrões tirando proveito da situação e aqueles que provavelmente darão as cartas estão quietos, quietos.

Lamentavelmente, o que temos é isso. Gritaria, balbúrdia, fanfarronice, agressão, truculência e aplausos de uma massa assalariada e sem rumo. Uma massa que aplaude, mas que ficará mais pobre, com menos perspectivas, com menos direitos, com mais chibata (mesmo invisível, ela existe) e com menos acessos. A afirmação de Lima Barreto continua atual: não temos povo, temos público.

Giam C. C. Miceli é professor da rede municipal de Itaboraí, licenciado em Geografia, com pós em Educação e mestrado em História da Educação.
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