23 de jan de 2019

Ilegítimo por quê?


Será que esta pergunta foi feita por aqueles que afirmam que Nicolás Maduro é um ditador, um usurpador e que o mandato para 2019-2025 carece de legitimidade? Ou eles apenas repetem o que ouvem?

Os 12 países reunidos em Lima começaram a construir essa opinião. A declaração dizia: "... o processo eleitoral realizado na Venezuela em 20 de maio de 2018 carece de legitimidade porque não teve a participação de todos os atores políticos venezuelanos, nem a presença de observadores internacionais independentes, nem as garantias e padrões internacionais necessários para um processo livre, justo e transparente."

Os líderes da oposição venezuelana (nos referimos à oposição não-democrática), repetem sem descanso e, claro, sem argumento, que Maduro é um usurpador.

Em um ato de desespero, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, ao se ver obrigado a convocar pessoalmente a marcha da oposição para este 23 de janeiro, devido à incompetência da liderança da oposição, insistiu e repetiu que o presidente Nicolás Maduro é um ditador, usurpador e ilegítimo.

A estratégia é clara: repita a mentira mil vezes para torná-la verdade.

Desmontemos a mentira:

1. Houve eleições presidenciais. Realizaram-se em 20 de maio de 2018, ou seja, antes de 10 de janeiro de 2019, momento em que, de acordo com os artigos 230 e 231 da Constituição, expira o mandato presidencial de 2013-2019. A Constituição seria violada se as eleições tivessem se realizado após 10 de janeiro de 2019, ou pior ainda, se não tivessem ocorrido.

2. Foi a oposição venezuelana que solicitou o adiantamento das eleições. As eleições aconteceram em maio e não em dezembro, como era tradicionalmente o caso, porque foi a oposição que solicitou, no âmbito do diálogo na República Dominicana, que ocorresse no primeiro trimestre de 2018.

3. Na Venezuela, o voto é um direito, não um dever. Aqueles que livremente, embora influenciados por algumas organizações políticas não-democráticas que pediram a abstenção, decidiram não comparecer à votação, estão em seu pleno direito, mas isso de nenhuma maneira ilegitima o processo eleitoral, ainda mais quando isso implicaria em ignorar e desrespeitar os 9.389.056 que decidiram votar e exercer seu direito democrático.

4. 16 partidos políticos participaram da disputa eleitoral: (PSUV), (MSV), (Tupamaro), (UPV), (Podemos), (PPT), (ORA), (MPAC), (MEP), (PCV), (AP), (MAS) (Copei) Esperanza por el Cambio, (UPP89). Na Venezuela, não é obrigatório que todos os partidos políticos participem dos processos eleitorais. Eles têm todo o direito de decidir se querem ou não participar. Precisamente porque o nosso sistema é democrático. O fato de 3 partidos(AD, VP e PJ) decidirem livremente não participar, não ilegítima o processo eleitoral.

5. 6 candidatos concorreram: Nicolás Maduro, Henri Falcón, Javier Bertucci, Reinaldo Quijada, Francisco Visconti Osorio e Luis Alejandro Ratti (os dois últimos decidiram se aposentar).

6. Maduro venceu com uma margem ampla, obteve 6.248.864 votos, 67,84% do total; Henri Falcón veio na sequência com 1.927.958, 20,93%; Javier Bertucci teve 1.015.895, 10,82% e Reinaldo Quijada, 36.246 votos, 0,39% do total. A diferença entre Maduro e Falcón foi de 46,91 pontos percentuais.

7. Cerca de 150 pessoas acompanharam o processo eleitoral, incluindo 14 comissões eleitorais de 8 países; duas missões técnicas eleitorais; 18 jornalistas de diferentes partes do mundo; 1 parlamentar europeu e uma delegação técnico-eleitoral da Central Eleitoral da Rússia.

8. As eleições foram realizadas com o mesmo sistema eleitoral usado nas eleições parlamentares de dezembro de 2015, nas quais a oposição venezuelana venceu. Sistema automatizado e submetido a auditorias antes, durante e depois das eleições. Sistema que garante os princípios de "um eleitor, um voto" porque somente com a impressão digital é que a urna eletrônica é desbloqueada; e garante o "segredo do voto".

9. 18 auditorias foram realizadas no sistema automatizado. Os representantes do candidato Henri Falcón participaram das 18 e assinaram a ata na qual expressam seu acordo com o sistema eleitoral. As auditorias são públicas e transmitidas ao vivo no canal do Conselho Nacional Eleitoral. Uma vez concluídas as auditorias, o sistema é bloqueado e a única maneira de acessá-lo novamente é com a introdução simultânea dos códigos secretos que cada organização política possui.

10. Nenhum dos candidatos que participaram do processo eleitoral contestou os resultados. Não há evidência de fraude; eles não apresentaram nenhuma evidência ou reclamação específica de fraude.

As eleições presidenciais de 20 de maio de 2018 foram livres, transparentes, confiáveis, seguras e de acordo com a Constituição e as leis, apesar do pedido antidemocrático de abstenção por parte de um setor da oposição.

Há outros que pretendem usurpar o cargo de Presidente da República com o argumento de um suposto vácuo de poder, uma figura que não está contemplada em nossa Constituição e o estabelecimento de um "governo de transição", figura nem mesmo prevista na Carta Magna. Como se isso não bastasse, eles pretendem exercer o poder fora de nossas fronteiras em violação do artigo 18 da Constituição, que estabelece que Caracas é a sede dos poderes públicos.

Posto tudo isso, são outros os usurpadores, ilegítimos e antidemocráticos.

É ilegítimo e se configura como uma tentativa de usurpação a pretensão de alguns setores da oposição de se sustentar no apoio de setores estrangeiros provenientes de governos imperialistas para exercer uma autoridade que nem o povo nem a Constituição lhes dão.

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Bolsonaro é um defunto político


A avalanche de denúncias gravíssimas que atingem o filho Flávio, retira de Bolsonaro a condição de preservar o mandato presidencial.

Bolsonaro virou um defunto político. A essas alturas, a saída mais honrosa e digna para ele seria a renúncia, se é que já não lhe reservaram alguma “coincidência” no procedimento cirúrgico a que se submeterá nos próximos dias.

A imagem do presidente da oitava economia planetária almoçando sozinho em Davos, sem compromissos de trabalho com autoridades e líderes mundiais, dimensiona o desprestígio e a insignificância do mandatário brasileiro na arena internacional.

A descoberta de crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, associação criminosa, enriquecimento ilícito e, para assombro geral, envolvimento com a milícia Escritório do Crime, confirmam suspeitas antigas acerca da atuação dos Bolsonaro nos porões da criminalidade.

O escândalo é não menos que chocante. Abre uma crise profunda que pode levar ao impeachment do presidente recém-empossado.

Em sociedades civilizadas e não dominadas pela bandidagem, o simples fato de haver denúncias dessa natureza – que inclusive não são desmentidas pela família – causaria uma hecatombe.

A constatação, entretanto, de que tais fatos têm materialidade comprovada, torna a situação do chefe do clã insustentável.

Os militares continuam observando e monitorando, em silêncio, as encrencas da família Bolsonaro. Os militares, que colonizaram todas as áreas estratégicas e controlam os setores prioritários do governo, mantêm as rédeas do jogo nas mãos.

Do ponto de vista das FFAA, a presença de Bolsonaro à frente do governo, mesmo como mero fantoche, passou a ser extremamente inconveniente, e sua continuidade, por isso, passou a ser indesejável.

Com o impeachment do Bolsonaro, assume a Presidência o general Mourão, vice-presidente eleito no contexto conhecido, de uma eleição “anormal”, para dizer diplomaticamente.

A destituição do Bolsonaro em razão desses fatos aterradores coloca em dúvida a legitimidade não só do governo eleito de maneira atípica em outubro passado com a cumplicidade do TSE e do STF, mas sobretudo questiona a legitimidade do regime de exceção, que pariu esta aberração dantesca [ler aqui].

A substituição do Bolsonaro por Mourão, portanto, ainda que seja o remédio previsto na Constituição, não solucionaria a profunda crise de legitimidade do regime.

A solução estável e legítima que, todavia, demandaria um amplo acordo democrático e que poderia criar as condições para o Brasil restaurar a democracia e encontrar o caminho do desenvolvimento, da geração de empregos e da reconstrução econômica e social, é a realização de eleição livre, limpa e soberana.

Fora disso, haverá a instalação de um governo militar num ambiente de instabilidade, conflito social crescente e ilegitimidade do regime.

Jeferson Miola
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Mico internacional dos Bolsonaros

Em café da manhã de Bolsonaro, jornal que criticou discurso foi chamado de "vagabundo"

O jornalista Jamil Chade flagrou o café da manhã de Jair Bolsonaro em Davos, nesta quarta (23). Sentado à mesa ao lado, o repórter correspondente do Estadão conseguiu ouvir parte da conversa do presidente da República com sua equipe, que incluia o filho Eduardo Bolsonaro - que perguntou aos demais se "bilionário" e "trilionário" levavam a letra "h".

Na pauta, o discurso de Bolsonaro, feito um dia antes no Fórum Econômico Mundial. Com 6 minutos, foi o discurso mais curto de um presidente brasileiro em Davos. A imprensa nacional e internacional criticou não apenas a fala enxuta, mas o conteúdo. O El País, contudo, fez uma manchete dupla. Na versão espanhola, dizia que Bolsonaro, prometendo abrir a economia, "animou" os investidores. Já na versão brasileira, o discurso foi classificado como decepcionante. A comitiva presidencial não poupou críticas: "jornal vagabundo", concordaram.

Bolsonaro também criticou as notícias dizendo que o real havia sofrido uma desvalorização após dua fala em Davos. "Tem cinco dias de alta e dá uma baixadinha e dizem que é o discurso", se queixou.

Numa mudança de conversa, Bolsonaro começou a falar do Enem, dizendo que havia facilitade de a prova ser fotografada e vazada por um "petista".

Chade chamou atenção para outros temas discutidos, como o uso das redes sociais. Ele ainda escreveu que esá confirmado que Olavo de Carvalho é visto pelo grupo como um líder intelectual, uma "referência" em matéria também de como fazer vídeos e se comunicar na internet.

"Ao terminar o café da manhã, a reportagem se aproximou do presidente, ainda que a segurança tentasse evitar. (...) Questionado se comentaria a situação de seu filho, Flávio Bolsonaro, o presidente virou as costas e, entrando em um elevador, apenas repetia: 'Não, não'."

Mico do Dudão


Eduardo Bolsonaro cometeu uma gafe em nível internacional nas redes sociais e acabou corrigido pela jornalista Alícia González, do El País, nesta quarta (23).

Para sutentar que a imprensa persegue seu pai, Eduardo Bolsonaro publicou uma montagem com as manchetes do El País espanhol e a versão brasileira do jornal. As duas matérias foram assinadas por Alícia, mas os títulos, para Bolsonaro, pareciam destoar completamente. 

Na versão brasileira, o título dizia que o discurso de Jair Bolsonaro em Davos foi decepcionante. No Espanhol, o verbo "anima" confundiu Eduardo, que achou que o presidente havia literalmente animado os investidores.

"Mesmo jornal, mesma fonte, mas uma tremenda diferença no título que vai para o Brasil do título que vai para a Espanha...", escreveu Eduardo em suas redes sociais.

A jornalista respondeu pelo Twitter: "Senhor @BolsonaroSP, você está fazendo uma tradução ruim do espanhol, um falso cognato. 'Anima' significa pede, não convencer os investidores. Saudações."

A manchete, portanto, dizia que Bolsonaro pede aos executivos que invistam no Brasil.

O erro de Eduardo foi reproduzido pela conta de Jair Bolsonaro no Instagram.


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Léo Pinheiro assina acordo de colaboração premiada com PGR

O empreiteiro José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, assinou um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O executivo está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR).

Sigiloso, o documento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por envolver autoridades com foro privilegiado. O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato na Corte, deve decidir se homologa ou não o acordo de colaboração premiada depois que o tribunal retomar suas atividades, em fevereiro.

A negociação do acordo de colaboração premiada levou anos. Em agosto de 2016, o então procurador-geral da República Rodrigo Janot suspendeu as negociações, após o vazamento de informações sobre as tratativas entre o empresário e investigadores da Lava Jato.

Em novembro do ano passado, Léo Pinheiro declarou à juíza Gabriela Hardt que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso e condenado no âmbito da Lava Jato, se comportava como proprietário do sítio de Atibaia e como real beneficiário das obras que a empreiteira realizou no imóvel localizado no interior de São Paulo.

Segundo o empresário, foi Lula quem o chamou para conversarem sobre as obras do sítio, mas nunca o ex-presidente teria demonstrado preocupação em saber detalhes dos valores empenhados. Ele estima que a empreiteira desembolsou entre R$ 350 mil e R$ 450 mil nas obras de melhorias da área - apenas a cozinha ficou em R$ 170 mil. Léo Pinheiro também é acusado nesta ação do sítio.

O ex-presidente da OAS também foi peça fundamental na condenação de Lula no caso do tríplex de Guarujá (SP). O ex-presidente está preso desde abril do ano passado em cumprimento de 12 anos e um mês nesta ação.

A defesa de Léo Pinheiro informou que não iria se manifestar. Procurada, a Secretaria de Comunicação Social da PGR não soube dar detalhes sobre a assinatura do acordo.
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Vergonha: Bolsonaro foge da imprensa em Davos

Moro, Guedes e Ernesto também


O presidente Jair Bolsonaro e ministros cancelaram manifestações à imprensa que fariam nesta quarta-feira (23) no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

O evento estava marcado para 13h (horário de Brasília). De acordo com a organização do fórum, seria uma entrevista coletiva, mas o governo brasileiro tratava como um pronunciamento.

A organização do fórum chegou a preparar uma sala com quatro lugares reservados para autoridades brasileiras.

Havia quatro placas, com os nomes de Bolsonaro e dos ministros Sérgio Moro (Justiça), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Paulo Guedes (Economia).

As placas foram retiradas às 13h17, quando foi confirmado que nem o presidente nem os ministros falariam.

Cansaço

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, explicou para os jornalistas no fórum que Bolsonaro cancelou a fala à imprensa porque estava cansado.

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Bolsonaro joga o filho ao mar. Será “plausível”?


Demorou, mas aconteceu.

Em Davos, Jair Bolsonaro disse a agência Bloomberg que “se por acaso ele  [Flávio Bolsonaro] errou, e isso for provado, eu lamento como pai, mas ele terá que pagar o preço por essas ações que não podemos aceitar.”

Para os xiitas do bolsonarismo, que viam as denúncias como uma conspirata contra a “Família Bolsonaro” e  para  os que estão reunindo uma montanha de fatos sobre as transações obscuras e ligações suspeitas do “Filho 01” isso equivale a lançar Flávio ao mar.

Se o pai diz que “ele terá que pagar o preço por essas ações que não podemos aceitar”, quem lhe dará um “desconto”.

O “pequeno problema” é que Fabrício Queiroz não era ligado apenas a Flávio, mas a Jair. E bem antes de se ligar ao filho presidencial.

Tão ligado que, confessadamente, o hoje presidente lhe fazia favores financeiros de emprestar R$ 40 mil, parcialmente pagos por cheques depositados na conta da agora “primeira-dama”.

Será dificílimo pretender blindar-se dos próprios filhos que, aliás,  são seus rebentos políticos, também: nenhum deles tinha luz própria e fizeram carreira não  pelo prenome, mas pelo sobrenome e pauta selvagem do pai.

Ontem, na Folha, Rainier Bragon antecipava essa incapacidade de descolar-se da história, no artigo “Bolsonaro tem tudo a ver com o Flaviogate, só não vê quem não quer”.

É plausível Bolsonaro emprestar R$ 40 mil a um sujeito que movimentava milhões, segundo o Coaf? É plausível que esse milionário fizesse o suposto reembolso não de uma vez, mas em uma espécie de carnê das Casas Bahia (dez parcelas)? É plausível o presidente não ter mostrado sequer um extratozinho bancário do suposto empréstimo? É plausível o pagamento ter ido para a mulher sob o argumento de que o marido, que recebia mensalmente R$ 33,7 mil na conta, não ter tempo de movimentar dinheiro? É plausível Bolsonaro não saber o que a filha de Queiroz fazia em seu gabinete? E, em não sabendo, não procurar se informar nem divulgar?

Não, e é bom ja ir trocando de  apelido.

“Mito” não é mais plausível.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Flávio Bolsonaro explica o que é milícia

Adriano, o cara; reprodução de video


Um mês antes de trazer o PM Queiroz para seu gabinete, Flávio Bolsonaro fez discurso defendendo as milícias

Em 07 de fevereiro de 2007, início de seu segundo mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o deputado Flávio Bolsonaro fez um discurso em defesa das milícias (texto completo abaixo).

Ele argumentou que eram na maioria das vezes bons policiais, que contavam com a ajuda de colegas de farda para proteger as comunidades em que viviam.

No discurso, Flávio não fala em gatonet, monopólio na entrega de botijões de gás, no recolhimento de lixo, taxa de proteção, agiotagem, extorsão, parceria com o tráfico de drogas e armas e esquadrões da morte, alguns dos crimes associados às milícias.

Curiosamente, foi no mês seguinte que Flávio trouxe para dentro de seu gabinete o subtenente da Polícia Militar Fabrício José Carlos de Queiroz, amigo da família Bolsonaro há 30 anos.

Queiroz, se mandava tanto quanto ele e Flávio agora querem fazer crer, deixou a própria família em segundo plano: uma de suas primeiras contratações para o gabinete de Flávio, no dia 06 de setembro de 2007, foi de Danielle Mendonça da Costa Nóbrega, esposa do então capitão PM Adriano Magalhães da Nóbrega, que agora se encontra foragido.

Mas, Adriano era um desconhecido de Flávio?

Impossível: no dia 23/08/2005, ou seja, dois anos antes, o deputado havia proposto a concessão da mais alta honraria do Rio de Janeiro, a medalha Tiradentes, ao então primeiro tenente Adriano.

Segundo a base de dados da Alerj, ao longo de seus quatro mandatos Flávio Bolsonaro propôs a entrega da medalha a 13 pessoas, sendo 7 policiais — um deles, Adriano.

Ops, mas Adriano já havia sido alvo de homenagem anteriormente: em outubro de 2003, em seu primeiro ano de mandato, Flávio apresentou moção de louvor a Adriano — muito antes, portanto, de ter contratado Queiroz.

Duas homenagens públicas, contratação da esposa e mais tarde da mãe. Será que a relação de Flávio com Adriano passava mesmo por Queiroz?

Ligado à contravenção, à máfia dos caça-níqueis e investigado por extorsão, Adriano foi expulso da Polícia Militar em 2014.

A essa altura, obviamente, Flávio Bolsonaro cortou suas relações com Adriano, certo?

Errado.

A mãe e a esposa de Adriano só foram demitidas do gabinete de Flávio em 13 de novembro de 2018, cinco dias depois da Operação Furna da Onça, da Polícia Federal, que prendeu deputados estaduais acusados de vender favores ao ex-governador Sérgio Cabral.

Adriano está foragido. Corre sério risco de ser vítima de queima de arquivo.


Sr. Presidente, venho falar sobre as milícias, assunto tão noticiado pela imprensa.

Como bem disse o Sr. Deputado Paulo Ramos, não se pode, simplesmente, estigmatizar as milícias, em especial os policiais envolvidos nesse novo tipo de policiamento, entre aspas.

Estendem uma exceção, um caso isolado em que há excesso por parte de alguns maus policiais que cometem atrocidades e covardias contra moradores de uma comunidade, à regra.

A milícia nada mais é do que um conjunto de policiais, militares ou não, regidos por uma certa hierarquia e disciplina, buscando, sem dúvida, expurgar do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos.

Em todas essas milícias sempre há um, dois, três policiais que são da comunidade e contam com a ajuda de outros colegas de farda para somar forças e tentar garantir o mínimo de segurança nos locais onde moram.

Há uma série de benefícios nisso. Eu, por exemplo, Sr. Deputado André Corrêa, gostaria de pagar 20 reais, 30 reais, 40 reais para não ter meu carro furtado na porta de casa, para não correr o risco de ver o filho de um amigo ir para o tráfico, de ter um filho empurrado para as drogas.

Pergunte a qualquer morador de uma dessas comunidades se ele quer outra coisa, se quer sair de lá, se não está feliz de poder conversar com seus vizinhos na calçada até tarde da noite!

É claro que sim, porque ele sabe que não corre mais o risco de morrer!

Penso que não há diferença entre o policial militar que vai fazer a segurança de um deputado ou de um condomínio de luxo e o policial que está fazendo a segurança, na maioria esmagadora das vezes, no local onde mora e onde tem família.

Não acho justa essa perseguição – é neste ponto que eu quero chegar – principalmente por parte de políticos e entidades ligadas aos direitos humanos.

Por um motivo muito simples, eles se sentem apavorados com as milícias porque, raríssimas exceções – ONGs de Direitos Humanos, políticos ligados a essa área – vivem da miséria, da desgraça e da violência de uma comunidade porque, caso contrário, eles ficarão sem trabalho, não terão nada a oferecer em troca.

Imaginem se acabassem com o tráfico na Rocinha. O que o Viva Rio vai fazer lá dentro? Não vai ter mais função.

Como irá justificar a quantidade de recursos financeiros públicos e privados que recebe para exercer esse trabalho social entre aspas naquele lugar?

Então, para essas ONGs, não interessa ter milícia. Se não houver violência, miséria, morte, bala perdida, estupro, eles não terão o que fazer lá.

E mais, esses políticos ligados aos direitos humanos estão preocupados com a sua própria carreira política, Sr. Deputado Dionísio Lins.

A partir do momento em que não estiverem numa comunidade, como vão lá pedir voto? Então, este é um ponto que também deve ser levado em consideração.

Lógico que não devemos generalizar, mas raríssimas exceções, esta é a regra.

Podemos condenar tais policiais que estão trabalhando ali para tentar expurgar do seio de sua família criminosos que não têm recuperação mesmo?

Qualquer jornal hoje estampa a foto de um grupo de traficantes segurando fuzis de última geração com carregadores onde cabem centenas de balas.

Será que um vagabundo sendo preso poderá se recuperar? Será que ele quer ser recuperar? Será que é justo continuarmos mantendo esse tipo de gente na cadeia? Para quê?

Temos de deixar de ser hipócritas! Não há recuperação mesmo.

Precisamos rediscutir uma série de coisas: o problema social, o problema constitucional, penal, processual penal.

É muita coisa que precisa ser colocada numa máquina de lavar para poder sair toda essa sujeira, Sr. Presidente, Deputado Pedro Fernandes Neto.

Mas uma coisa deve ser levada em consideração: não podemos simplesmente generalizar, dizendo que esses policiais, que estão tomando conta de algumas comunidades, estão vindo para o lado do mal. Não estão.

A diferença é que eles têm sua origem nesses locais e estão preocupados sim, em permanecer ali e combater como eu falei, o que há de pior na criminalidade, seja com a ajuda do batalhão da região, seja com a ajuda de outros policiais colegas de farda. Não importa.

O que importa é que, de repente, pela primeira vez na vida, muitas dessas pessoas carentes estão tendo o mínimo de segurança, o mínimo de tranqüilidade, o mínimo de dignidade para, pelo menos, tentarem dar o mínimo de educação e saúde para suas famílias.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

No Viomundo
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Saudade


“Que saudade hein, Jair?!
Daquele tempo em que você xingava sem reservas, ameaçava mulheres, defendia torturas, atacava negros, gays, índios… e nada acontecia.

Tá bom… acontecia sim, uma frágil indignação da platéia que você amava indignar.

Saudade do tempo em que era o escroto folclórico, o insano inconsequente, o raivoso brincalhão e o mito para os iguais. Você era o mito!

Saudade do tempo em que você pedia impeachment aos berros e com isso se sentia dono do mundo, o inatingível, o guerreiro sedento por guerra.

Do tempo em que era o discípulo homenageando o herói torturador e assim ganhava, no máximo, matérias assustadas. E você amava assustar.

Saudade do tempo em que você, do baixo clero, podia ser o ladrão invisível, o corrupto disfarçado, a reserva imoral, a mentira deslavada. E nada acontecia.

Ah quanta saudade, hein Jair!

Saudade do tempo em que podia roubar sem ninguém ver, empregar fantasmas ao bel prazer e distribuir dinheiro público com a família sem ninguém perceber.

Você era a insignificância produtiva.

Saudade do início do estrelato. Saudade dos gestos de armas. Saudade de ser carregado. Saudade de provocar petistas, ciristas, comunistas, socialistas e até capitalistas. Sim, você já foi nacionalista, embora não conseguisse cantar o Hino Nacional.
Saudade, saudade de honrar a bandeira americana e receber tapinhas de “meu querido escravo”.

E faz tão pouco tempo, não é?

Agora você olha pro lado e vê uma traíra. Olha pra trás e vê uma arma engatilhada. Olha pra frente e vê o precipício.

Agora você está diplomado presidente do maior país da América Latina. Um gigante que enxerga você como a formiga miúda e você olha pro gigante como uma célula intestinal.

Agora você nem tem mais família. A familia Bolsonaro virou sinônimo de falcatrua. Então, Jair, isola a família.

Sua família oficial vai vigiar seus passos com chicotes de 4 ou 5 estrelas. Sua família oficial vai massacrar seus dias e noites com tarefas oficiais que você odeia, odeia, odeia.

Trabalhar, Jair, nunca foi seu forte.

Agora você vê os filhos fugirem das redes com medo do povo. Agora você tem medo até do seu povo. E medo de abrir a boca, quem diria, você que era um boquirroto incansável.

Seu silêncio durante o Hino Nacional foi esse medo da boca, não foi Jair? Abrir a boca é um perigo, disseram a você. E você tem saudade até disso, bons tempos da boca aberta sem medo da língua.

E comer porcarias? Nunca mais, Jair. Beber água, tomar suco de caixa, uma pinga, nunca mais.

Porque seu medo chegou à comida. E comida é boca!

Você precisa de provadores. Você precisa de seguranças, 12 mil. Você precisa de vigilantes, você precisa de sono. Vc precisa sumir. Dá vontade de sumir, não dá Jair?

E pensar que tudo o que você queria era brincar de super-herói.”

Imagens & História 2.0
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Itamaraty blues


Ernesto Araújo tem o voluntarismo de personagens da “Comédia Humana” de Balzac, que querem galgar rapidamente os escalões da alta sociedade, e a alegria do protagonista de um romance de Michel Houellebecq — um cara de meia-idade em plena crise existencial que redescobre o sentido da vida depois de uma epifania.

Tudo bem se o leitor distraído tende a confundir Ludwig Wittgenstein com um zagueiro da seleção alemã dos tempos de Franz Beckenbauer. O importante, para o chanceler Araújo, é continuar disseminando pelas redes a boa palavra do novo governo.

Talvez essa nobre missão impeça o chanceler de reparar nas mudanças profundas que ele está provocando na sua própria instituição.

Pois além de libertar o Itamaraty das suas amarras ideológicas, ele também está libertando a Esplanada das amarras do Itamaraty. Nos últimos 20 dias, tem sido notável constatar o surgimento de novos patrões da política externa.

Paulo Guedes, o ministro da Economia, está se tornando o interlocutor exclusivo do capital estrangeiro. Sergio Moro está tornando o Ministério da Justiça e Segurança Pública em um ator autônomo da cooperação internacional bilateral e multilateral.

Treinados na experiência formadora das missões de paz no Haiti e nos países africanos, os generais do Planalto estão confortáveis na posição de mediadores entre o governo e as instituições internacionais.

É caso para se perguntar para que servem os diplomatas no novo governo.

O dilema existencial da diplomacia brasileira não vem de hoje — todos se lembram dos tempos de cólera sob Dilma Rousseff (2010-2016).

No mais, o esfriamento nas relações entre elites políticas e diplomatas, consideradas a crème de la crème dos servidores de Estado, acontece no mundo inteiro.

Nos Estados Unidos, Donald Trump indicou o magnata do petróleo Rex Tillerson (depois substituído por Mike Pompeo, deputado do Kansas alçado a diretor da CIA, a Agência Central de Inteligência do país) para amainar os diplomatas e privilegiar novos atores, como o chanceler informal e coincidentemente marido da sua filha Ivanka, Jared Kushner.

Na França de Emmanuel Macron, os peritos da famosa “célula do Eliseu”, que assessoram diretamente o presidente, acumularam imenso poder discricionário na Quinta República.

No Reino Unido, todos os membros do governo têm um palpite sobre o maior desafio internacional desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o “brexit”. Todos menos os diplomatas, afastados das negociações e completamente inaudíveis.

Os recursos do Ministério das Relações Exteriores desses países caíram drasticamente nos últimos 30 anos.

Se a tendência continuar se agravando, os diplomatas correm o risco de conhecer o destino dos atendentes de voo, outrora admirados e invejados por todos.

Haverá resistência ao processo em curso de redução de poderes do Itamaraty. Os diplomatas recorrerão a sua habilidade política e à memória institucional para impedir ou pelo menos adiar o seu ocaso. Afinal, o prestígio e a competência de cada um deles permanece incontestável.

Mas o fato é que a ideia bizarra de transformar o Itamaraty no Farol de Alexandria do populismo tropical está comprometendo a sacralidade da instituição e, de quebra, acentuando o seu declínio.

Mathias Alencastro, é historiador e cientista político
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Davos: Vamos comparar...






Bolsonaro “flopa” e é “big fail”

Imprensa internacional: ele se agarrou aos cartões...

Na Fel-lha, por Nelson de Sá:

Bolsonaro 'flopa' com discurso curto e sem respostas concretas

Para o Le Monde, Bolsonaro “se satisfez em fazer o mínimo” e seu discurso “não deve ir para os anais” de Davos. Ficou “se agarrando aos cartões, levados ao palco por auxiliar”, e “escapou das perguntas”.

O Financial Times afirmou que foi uma “aparição breve e controlada”. Que Bolsonaro, “consciente de sua reputação, fez um discurso curto e, quando respondeu perguntas, se agarrou aos cartões”.

O New York Times descreveu o presidente brasileiro como “a face do populismo” em Davos, alguém que copia o americano Donald Trump até na insistência em “vestir casaco de inverno, apesar de falar numa sala aquecida”.

O Wall Street Journal anotou, no meio de texto sobre o ambiente “quieto” no fórum esvaziado, a observação de um ex-vice-secretário do Tesouro dos EUA, sobre Bolsonaro: “Não foi de levantar plateia”.

No Twitter, a avaliação foi menos contida. Sylvie Kauffmann, que escreve no Le Monde e no NYT, falou em “fiasco [flop] de Bolsonaro em Davos”, com “curto discurso de campanha” e “evitando dar respostas concretas”.

Heather Long, do Washington Post, resumiu: “Big fail”, grande fracasso.

Alerta às elites

O venerando colunista Martin Wolf, no FT, publicou alerta a Davos: “Elites precisam refletir sobre sua responsabilidade pelo ressurgimento de homens-fortes ao redor do mundo”.

Cita novo livro sobre autoritarismo, que identifica duas características na “ascensão dos populistas autoritários”: eles “comem a democracia por dentro” e montam “governo pessoal”, inclusive com promoção de familiares. Diz que ficará “surpreso se Bolsonaro não seguir o caminho” de Filipinas e Hungria, estabelecendo “democracia iliberal, eufemismo para autoritarismo”. (...)
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Bolsonaro exalta as milícias desde 2003




A ligação de Flávio Bolsonaro com as milícias é algo que passou de pai para filho.

Jair é um herói para esses bandos e os exaltou ao longo da carreira.

Em 2003, fez na Câmara a elegia de um grupo de exterminadores que atuava na Bahia, com um convite.

“Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo”, falou.

“Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o meu apoio” (o áudio está no pé do artigo).

O que significa “todo meu apoio”?

Há dez anos, criticou em plenário o relatório da CPI da Alerj que apurava a atuação dos grupos paramilitares e as punições requeridas.

Detectaram-se cobrança de propina, serviços clandestinos, venda de apoio político etc.

“Existe miliciano que não tem nada a ver com gatonet, com venda de gás. Como ele ganha R$ 850 por mês, que é quanto ganha um soldado da PM ou do bombeiro, e tem a sua própria arma, ele organiza a segurança na sua comunidade”, declarou o então deputado.

“O Marcelo Freixo tem trânsito livre em qualquer favela do Rio de Janeiro e a sua principal proposta é desarmar o bombeiro militar”.


“Ele inclusive pregou, por ocasião do referendo do desarmamento, o voto sim, ou seja, pela proibição do comércio e da fabricação de armas de fogo no Brasil. Hoje, de forma covarde – porque ele é um covarde –, Marcelo Freixo anda em carro blindado e com meia dúzia de seguranças. Ele tem de dar o exemplo. Se é homem suficiente para pedir o desarmamento, dê o exemplo: não ande em carro blindado e com meia dúzia de seguranças.”

Em entrevista à BBC, defendeu a legalização do que chamou de “defensores da ordem”.

Refere-se ao inimigo pelo apelido idiota de “Frouxo”, algo supostamente engraçado entre repetentes de 15 anos.

Em fevereiro, na encarnação de candidato, voltou ao tema na Jovem Pan.

“Tem gente que é favorável à milícia, que é a maneira que eles têm de se ver livres da violência. Naquela região onde a milícia é paga, não tem violência”, inventou.

As milícias surgiram há cerca de 20 anos a reboque do abandono da população pelos governos.

São herdeiras dos esquadrões da morte da ditadura, contratadas por comerciantes e “caciques” para “limpar” a área da “bandidagem” (lato sensu).

Cresceram e atualmente podem faturar 20 milhões de reais por mês na zona oeste do Rio, seu principal reduto.

Em 2016, candidatos a prefeito e a vereador foram assassinados, incluindo o presidente da Portela, Marcos Falcon.

Em março passado, foi Marielle Franco.

Essa máfia hoje tem um padrinho e ele está sentado no Palácio do Planalto, cercado daqueles filhos.



Kiko Nogueira
No DCM
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Globo em pele de cordeiro

Xavier: Bolsonaro é uma fraude eletrônica


O Conversa Afiada publica sereno (sempre!) artigo de seu exclusivo "colUnista" Joaquim Xavier:

Tem muita gente espantada com a inesperada “adesão” da Globo ao jornalismo elementar. Diferentemente do que fizeram com Lula e Dilma, os filhos de Roberto Marinho resolveram ir atrás da notícia e investigar as roubalheiras escancaradas da famiglia Bolsonaro.

No caso de Lula e Dilma, os Marinho torceram os fatos para transformar em verdade sua própria realidade: governos progressistas são sinônimo de corrupção, farra com dinheiro público, irresponsabilidade fiscal e populismo. Aliaram-se a Sérgio Criminoso Moro para encarcerar Lula e impedir sua candidatura à Presidência. Não se importaram com a falta de provas, tampouco com as evidências de que estava em curso um processo fraudulento.

A situação mudou de figura, para desespero dos Marinho filhos. Estão diante de um governo destrambelhado, mas conhecedor do poder de uma rede de comunicação monopolista. Algo que os governos Lula e Dilma desprezaram e pagaram caro o preço pela ignorância.

(A propósito da queda da Dilma, o Conversa Afiada acrescenta que um dos principais responsáveis pelo acúmulo do descomunal poder da Globo foi precisamente um ministro (sic) e advogado (sic) da Presidenta, o zé da Justiça - PHA)

Todas as denúncias estampadas atualmente em rede nacional contra a famiglia Bolsonaro são caudalosas. Irrespondíveis. A cada dia, emerge uma nova história. A última envolve um jogador de vôlei de praia. Pergunta: por que ele surgiu apenas agora?

Pior: suas “explicações” nada esclarecem sobre as movimentações milionárias da turma Fabricio Queiróz/Flávio Bolsonaro/Michelle Bolsonaro/Jair Bolsonaro.

Flavio Bolsonaro deu longas entrevistas a redes de TV. Disse que ganha dinheiro como empresário. Os repórteres não se interessaram em saber em que ramo ele atua, que empresa ele possui, que negócios ele faz. “Não vem ao caso”, diria Sérgio Criminoso Moro.

Voltando ao caso Dilma. A presidenta derrubada por um golpe jurídico-midiático-parlamentar foi alvo de uma saraivada de mentiras marteladas 24 horas por dia pela Globo. Nunca se provou que Dilma tenha se beneficiado de um tostão de dinheiro público. Ao contrário: foi acusada de privilegiar os interesses dos mais humildes. A mídia gorda chamou isto de “pedaladas fiscais”, embora expedientes com interesses bem diversos e muito mais escandalosos sejam utilizados por dez entre dez prefeitos, governadores e presidentes brasileiros.

Jair Bolsonaro, já ficou evidente, é uma fraude eletrônica. Não passa de um capataz medíocre de interesses antibrasileiros, fantasiado de salvador de costumes ancestrais. Sua performance em Davos revela mais um pouco sobre isso. Ao ser perguntado sobre o escândalo envolvendo sua famiglia, responde falando de Nicolás Maduro e a Venezuela.

Salve-se quem puder.

Joaquim Xavier
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jornal nacional compromete Flávio Bolsonaro com milícias


E desmente explicação sobre escritura de apartamento suspeito

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Flávio Bolsonaro joga mais uma na conta do Queiroz


Primeiro foram os 48 depósitos em dinheiro vivo. Depois apareceram os R$ 7 milhões na conta do motorista. Era difícil imaginar outra notícia capaz de piorar a situação de Flávio Bolsonaro. Aí veio a Operação Os Intocáveis.

O Ministério Público deu um passo importante para desmontar o Escritório do Crime, principal grupo de extermínio em atividade no Rio. A Justiça ordenou a prisão do ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como chefe da gangue. Ele conseguiu fugir, mas não apagou os vínculos com o senador eleito.

Como deputado estadual, Flávio propôs uma moção de louvor ao miliciano por sua “dedicação, brilhantismo e galhardia”. “É com sentimento de orgulho e satisfação que presto esta homenagem”, escreveu. Dois anos depois, ele premiou o ex-PM com a Medalha Tiradentes, a maior honraria do Estado.

O reconhecimento não se limitou às palavras. O filho do presidente também empregou a mãe e a mulher do foragido em seu gabinete. As duas ficaram penduradas até dezembro. Quando largaram a boquinha, o deputado já havia sido promovido a senador.

A simpatia da família Bolsonaro pelas milícias já era conhecida. Pai e filho usaram seus mandatos para defender os grupos paramilitares. “Não se pode simplesmente estigmatizar as milícias”, discursou Flávio, em 2007. “Naquela região onde a milícia é paga, não tem violência”, elogiou Jair, em 2018.

O fato novo é a proximidade do primeiro-filho com um chefão do Escritório do Crime, cuja lista de vítimas pode incluir Marielle Franco. Em tempo: Flávio foi o único deputado a votar contra a concessão da Medalha Tiradentes à vereadora assassinada.

Ontem o senador eleito adotou uma tática pouco original para se defender. Jogou a contratação da mãe e da mulher do miliciano na conta do motorista. Nessa toada, Flávio ainda vai tentar nos convencer de que ele era o assessor do Queiroz — e não o contrário.

* * *

É cada vez mais barulhento o silêncio de Sergio Moro sobre as suspeitas que envolvem o filho do chefe.

Bernardo Mello Franco
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O Brasil não pode ser governado por um miliciano


Um presidente que vivia no meio de marginais. A frase, dita pelo jurista Afrânio Silva Jardim, ecoa quando se assiste ao vídeo com o discurso de Jair Bolsonaro em Davos.

Olhos congelados, expressão de um homem frio, repetindo frases de efeito, para uma plateia mundial.

“Ele me dá medo”, resumiu o Prêmio de Economia (2013) Roberto Shiller. “O Brasil é um grande país e merece alguém melhor”, disse também. “Eu terei que ficar longe do Brasil”, acrescentou.

Ao mesmo tempo em que formadores de opinião como Shiller e a imprensa internacional definiam Bolsonaro exatamente como ele é — sinistro —, no Brasil as notícias colocavam não só Flávio, mas também o pai, alguns palmos abaixo na lama.

A família Bolsonaro enriqueceu na política com um discurso em que elogiava a ditadura e torturadores, e, ao mesmo tempo, abrigava criminosos em gabinetes públicos.

Um abrigo que não se resumia a homenagens ou discursos, mas envolvia dinheiro público também.

A mãe e a mulher de Adriano Magalhães, ex-capitão do Bope e suspeito de liderar o “Escritório do Crime”, eram assessoras de Flávio Bolsonaro.

Também a irmã de dois PMs presos sob a acusação de darem cobertura a extorsionários, recebiam do orçamento público, por nomeação do filho do presidente, na época deputado estadual.

Ao mesmo tempo, Flávio e o pai defendiam  de suas tribunas os milicianos, que, ao contrário do que ele dizem, não são bem-vistos nas comunidades, pela truculência e por cobrar por serviços que deveriam ser públicos.

No passado recente, o Brasil teve um sociólogo e um torneiro mecânico na presidência.

Agora, quando se olha para a figura de Bolsonaro discursando para a elite econômica do planeta, o que se vê é a imagem de um miliciano.

Um miliciano que tem respaldo do Exército e do juiz Sergio Moro, como muito bem definiu o ator José de Abreu.

Pode-se dizer muita coisa sobre isso, exceto que não se sabia que seria assim.

Na última eleição, o confronto era entre civilização e barbárie.

A velha imprensa sabia quem era Bolsonaro, mas preferiu não aprofundar questões delicadas, como a relação com as milícias.

Mostrar Bolsonaro exatamente como ele é significava jogar água para o moinho de Fernando Haddad, o candidato do Lula.

A figura de Bolsonaro evoca gritos de dor, gemidos, sangue, cadáveres encontrados na periferia ou em vielas de comunidade, no rastro deixado por homens que servem a uma organização que aceita receber dinheiro para matar seres humanos.

O “Escritório do Crime” desmontado ontem pelo Ministério Público fica na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Mas há outros escritórios do crime em pleno funcionando, nos palácios mais bem protegidos.

Urge desmontar estes também, para que o Brasil possa voltar a receber personalidades como o Prêmio Nobel de Economia de 2013.

Um presidente brasileiro não pode despertar medo.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Ligando os pontos, tá tudo dominado!















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Em Davos Bolsonaro divulga fake news sobre meio ambiente


Presidente disse que Brasil é quem mais preserva meio ambiente, mas índice internacional situa o país na 69ª posição

Além de breve, o discurso de Jair Bolsonaro (PSL) no Fórum Econômico Mundial de Davos, nesta terça-feira (22), foi baseado em informações incorretas. “Somos o país que mais preserva o meio ambiente. Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós”, disse o presidente. No entanto, dados do Índice de Desempenho Ambiental (Environmental Performance Index – EPI), ranking bienal feito pelas Universidades de Columbia e Yale, que conta com apoio do próprio Fórum Econômico Mundial, mostrou que, entre 180 países, o Brasil ocupa a 69ª posição.

O relatório analisa a performance dos países com base em 24 indicadores de categorias sobre ações de proteção da saúde do meio ambiente e da vitalidade do ecossistema. Na verdade, a Suíça, país que sedia o encontro, é quem ocupa o primeiro lugar.

Ainda, em contradição com o que Bolsonaro afirmou, em 2016 o Brasil ocupava a 46ª posição no mesmo ranking. Ou seja, em dois anos, houve piora na proteção do meio ambiente no país.

O presidente ainda afirmou que “nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós”. Porém, segundo dados do Banco Mundial, o país com a maior área florestal do mundo é a Rússia. O Brasil é o país com maior biodiversidade do mundo, segundo relatório do Ministério de Meio Ambiente para a Convenção de Diversidade Biológica da ONU. No entanto, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, de 1990 até 2015 o Brasil foi o país com maior taxa de desmatamento do mundo.

Contradições

Apesar de um discurso ao mundo que tentou destacar o meio ambiente, as primeiras iniciativas e propostas de Jair Bolsonaro em relação ao meio ambiente têm sido muito contrárias à ideia de preservação. O novo governo anunciou rever a Terra Indígena Raposa Serra do Sol; colocou na presidência da FUNAI um general que trabalhou recentemente para uma mineradora em conflito com indígenas; transferiu a identificação, delimitação e demarcação de terras indígenas e quilombolas para o Ministério de Agricultura; e colocou à frente do Ministério do Meio Ambiente, Ricardo Salles, réu acusado de descumprir leis ambientais e manipular mapas de manejo ambiental do rio Tietê, em São Paulo.

Bolsonaro foi o primeiro chefe de Estado latino-americano a discursar na abertura do Fórum, que reúne cerca de 250 autoridades do G20, que reúne as vinte principais economias do mundo.

O discurso do presidente brasileiro durou menos de dez minutos. Com poucas cifras e dados, a fala do político do PSL foi caracterizada por uma defesa contundente de abertura comercial e submissão aos interesses internacionais.

Lu Sudré
No Brasil de Fato
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