22 de jan. de 2019

O parvo de Davos


Se o discurso de Lula em Davos, no ano 2003, entrou para a história como um dos mais importantes pronunciamentos feitos naquele Foro Econômico, o de Bolsonaro destacou-se pelo exato oposto: foi, na opinião praticamente unânime dos observadores internacionais, um dos discursos mais decepcionantes realizados por um Chefe-de-Estado. Um fracasso retumbante destacado por todos os jornais do mundo.

Fazendo jus à sua proverbial incapacidade de articular qualquer discurso mais consistente, Bolsonaro espremeu penosamente, em apenas 8 minutos, um conciso e morno festival de platitudes vazias, misturadas com informações equivocadas. Justiça seja feita, a tortura intelectual durou pouco. Ficou, no entanto, a eterna vergonha mundial.

Foi a estreia internacional da parvoíce provinciana. Um discurso à altura de um histórico deputado do baixo clero. O pronunciamento de um estadista às avessas.

O discurso mais parece um somatório confuso de twitters, tamanha a sua mediocridade. Mediocridade acentuada pelo grande carisma e a brilhante eloquência do capitão.

Além das obviedades vazias (“vamos reduzir a carga tributária” (como?), “vamos equilibrar as finanças públicas” (como?), “vamos privatizar” (o quê?), “vamos abrir a economia” (de que forma?), as quais decepcionaram o mercado, que esperava mais detalhes sobre o que irá fazer, Bolsonaro veiculou informações “equivocadas” em seu patético pronunciamento.

Destaco algumas.

1) “Nas eleições, gastando menos de 1 milhão de dólares e com 8 segundos de tempo de televisão, sendo injustamente atacado a todo tempo, conseguimos a vitória. ”

Bolsonaro não menciona o uso de dinheiro sujo, em torno de R$ 13 milhões, de acordo com a famosa reportagem da Folha de São Paulo, para divulgar fake news absurdas contra seu adversário de segundo turno, Fernando Haddad. Lacuna imperdoável.

2) “Pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe de ministros qualificados. Honrando o compromisso de campanha, não aceitando ingerências político-partidárias que, no passado, apenas geraram ineficiência do Estado e corrupção. ”

Essa passagem suscita dúvidas cartesianas. Quais seriam os ministros qualificados? O astronauta que vende travesseiros? A equilibrada Damares? O chanceler pré-iluminista? O ministro de Educação colombiano que é discípulo do insigne astrólogo Olavo de Carvalho? Essa equipe de iluminados não tem ideologia e preferências políticas? Mistério insondável.

3) “Somos o país que mais preserva o meio ambiente. Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós.”

De onde a armada Bolsoleone tirou essas informações, não sei. Mas é fato que a Rússia tem cerca de 3 milhões de quilômetros quadrados a mais que o Brasil de florestas. Também é fato que ninguém considera o Brasil como o “país que mais preserva o meio ambiente”. De acordo com o Environmental Performance Index (EPI), produzido pelo Yale Center for Environmental Law & Policy, o Brasil não figura nem entre os 20 países mais ambientalmente amigáveis do mundo. O Brasil também não entra na lista dos países que têm, proporcionalmente, mais área protegida. A campeã, nesse quesito, é (surpresa!) a Venezuela, que tem 53,9% da sua área preservada. Em contraste, o Brasil teria, de acordo com o respeitado instituto, apenas 28,44% da sua área realmente preservada.

4) “Nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir.”

Como assim? O chanceler templário, discípulo do insigne astrólogo e admirador incondicional de Trump, não tem ideologia e preferência política? Não está em santa cruzada contra o “marxismo cultural” e o iluminismo? Não vai mais transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, emulando os EUA? Será que a Liga Árabe, que já anunciou retaliação ao Brasil, acredita nisso? Que decepção!

5) "Vamos defender a família e os verdadeiros direitos humanos; proteger o direito à vida e à propriedade privada e promover uma educação que prepare nossa juventude para os desafios da quarta revolução industrial, buscando, pelo conhecimento, reduzir a pobreza e a miséria".

Como assim? Existem “falsos” direitos humanos? Quais seriam? Seriam aqueles que eram defendidos, entre outros, por Marielle Franco? Seria esse o motivo de seu assassinato? Como a juventude será educada para os desafios da quarta revolução industrial se a Emenda Constitucional n° 95 reduz estruturalmente os investimentos públicos nessa área estratégica, assim como em outras? Outro mistério.

Mas a grande enganação de Bolsonaro está, em nosso entendimento, nessa singela e poética passagem:

“Quero mais que um Brasil grande, quero um mundo de paz, liberdade e democracia.”

Creio que Bolsonaro não conduz a um Brasil grande. Ao contrário, sua política externa coloca o país na órbita geoestratégica dos EUA de Trump, e tende a torná-lo pequeno, desprezível.

Também pelo mesmo motivo, o governo Bolsonaro não contribuirá para um “mundo de paz, liberdade e democracia”. Ao contrário, se somará a Trump na geração de uma ordem internacional mais unilateralista, belicista e autoritária. Com sua atitude agressiva contra a Venezuela, deverá contribuir até para transformar a América do Sul, um subcontinente de paz, num novo Oriente Médio.

Não. Bolsonaro jamais será “o Cara”, como Lula foi e é. Não chegará nem perto. Jamais terá o respeito do mundo. Na realidade, ele suscita apenas medo, repulsa e incredulidade.

Ele está destinado a ser apenas mais um cara, um parvo subserviente a militar por um mundo mais conflagrado, mais autoritário e mais injusto.

Nos livros de História, entrará como triste e medíocre nota de pé de página. Como seu discurso.

Marcelo Zero
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Queiroz “assina” culpa por “bolsa-milícia” a família de ex-capitão PM


Como bem sabe quem lida com jornalismo policial, aquele que não tem salvação vai “assinando” em nome de outros que ainda esperam escapar do que fizeram.

Fabrício Queiroz, sem salvação depois do movimento de R$ 7 milhões  – saiu em socorro do amigo Flávio Bolsonaro e assumiu a “nomeação” da mulher e da mãe do ex-capitão e chefe da milícia “Escritório do Crime”, Adriano Nóbrega, porque este se encontrava preso.

“(…) vale frisar que o Sr. Fabrício solicitou a nomeação da esposa e mãe do Sr. Adriano para exercerem atividade de assessoria no gabinete em que trabalhava, uma vez que se solidarizou com a família que passava por grande dificuldade, pois à época ele estava injustamente preso, em razão de um auto de resistência que foi, posteriormente, tipificado como homicídio, caso este que já foi julgado e todos os envolvidos devidamente inocentados”, informa a nota do advogado de Queiroz publicada por O Globo.

Quer dizer que Queiroz, além de financeiro, motorista, também era o recrutador de pessoal para os cargos do gabinete de Flávio? E que o vereador, por puro espírito cristão, deu a cada uma uma “boca boa” de R$ 6,5 mil mensais sem nem saber quem eram?

É o “bolsa-milícia”?

Será que nessa história da carochinha alguma hora vai aparecer algo “plausível”.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O que falta para o Deltan Dallagnol desenhar o power point do Bolsonaro?


Sempre é útil lembrar que Flávio Bolsonaro e o laranja dos Bolsonaro, Fabrício Queiroz, foram poupados pela Operação Furna da Onça, o braço da Lava Jato do RJ que levou à prisão 10 deputados estaduais e assessores parlamentares.

As ilicitudes cometidas por Flávio e Queiroz, idênticas às praticadas pelos parlamentares e assessores presos, foram abafadas pela Lava Jato para proteger a candidatura presidencial do Jair e a candidatura ao Senado do Flávio.

O esquema do Queiroz e do Flávio somente foi descoberto depois do segundo turno da eleição, e por meio de vazamento do COAF que escapou ao controle do Moro e do Dallagnol.

Desde então, a cada dia surgem novos detalhes sobre as falcatruas e abundam novas provas dos ilícitos [ler aqui]. A despeito disso, Deltan Dallagnol, Moro e a horda da Lava Jato incrivelmente fazem de conta que o assunto não é com eles.

Para facilitar o trabalho do Deltan e a turma da Lava Jato, segue adiante um roteiro com os fatos conhecidos, para que finalmente deixem de prevaricar e preparem o power point do Flávio e do Queiroz:
  1. as suspeitas são de práticas de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, formação de quadrilha, negócios obscuros, enriquecimento ilícito e, cereja do bolo, de envolvimento com o alto-comando do Escritório do Crime.
O Escritório do Crime, organização especializada em matar sob encomenda, é considerada a mais letal e secreta milícia do Rio. A milícia controla “da primeira à última rua” da segunda maior favela do Rio, a Rio das Pedras, e é suspeita de relação com o assassinato da Marielle Franco e do Anderson Gomes;
  1. são muito fortes os indícios de relação da família Bolsonaro com milícias do Rio;
  2. em dezembro passado, Fabrício Queiroz se escondeu e buscou refúgio na favela Rio das Pedras para fugir da justiça [ler aqui];
  3. a mãe e a esposa do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do BOPE e um dos chefes do Escritório do Crime, trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro até novembro passado, e repassavam para o esquema da família Bolsonaro parte do salário que recebiam no gabinete do Flávio;
  4. na ALERJ, Flávio Bolsonaro apresentou Moção de Louvor e Congratulações ao miliciano Adriano “pelos inúmeros serviços prestados à sociedade” [2003], bem como a outro chefe da milícia, o ex-capitão Paulo Alves Pereira [em 2004];
  5. Bolsonaro pai fez carreira política enaltecendo a prática de extermínio e defendendo a atuação das milícias, e na ALERJ o filho Flávio defendeu a legalização das milícias; e, finalmente,
  6. Flávio Bolsonaro, que já homenageou os chefes do Escritório do Crime suspeitos de envolvimento no assassinato da Marielle, foi o único deputado da ALERJ que votou contra a concessão da medalha Tiradentes em homenagem à vereadora.
Diante desse roteiro, pergunta-se ao DD, Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato: isso tudo basta para fazer o power point do Queiroz ou ainda é preciso desenhar?

Jeferson Miola
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Xadrez do elo perdido que liga Flávio Bolsonaro a Marielle

 Artigo impecável 


Peça 1 – o suspeito-chave

No “Xadrez do fim do governo Bolsonaro” montei um mapa mostrando uma série de correlações entre Flávio Bolsonaro, as milícias e a morte de Marielle Franco.

Agora de manhã, foi deflagrada a Operação Intocáveis do Rio das Pedras, que visa uma das maiores milícias do Estado, entocada no Rio das Pedras. Segundo as primeiras informações, se teria chegado ao Escritório do Crime, braço armado da organização especializado em assassinatos sob encomenda.

Foi detido o Major Ronald Paulo Alves Pereira, um dos grandes assassinos mantidos na Policia Militar do Rio. Ele foi o responsável pela Chacina da Vila Show, sequestro e assassinato de quatro jovens que saíam de uma festa.

Ronald passou em um concurso para a PM, foi considerado inapto no exame psicológico, por "demonstrar irritabilidade e onipotência", segundo o laudo, o que indicaria um perfil incompatível com a função. Conseguiu entrar graças a uma liminar obtida em 1995. Um mês após a chacina, recebeu uma moção de louvor do então deputado Flávio Bolsonaro.

Mas o personagem-chave na saga das milícias é o Capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como o chefe do Escritório da Morte, grupo especializado em execuções sob encomenda, e também preso na operação.

É mais grave que isso.

Há pelo menos seis meses a equipe que investiga a morte de Marielle Franco tem convicção de que foi ele o autor dos disparos que mataram a vereadora. Demorou-se mais tempo que o normal nas investigações depois que a equipe se deparou com as ligações do capitão com o gabinete de Flávio Bolsonaro, filho de Jair. As menções a figuras políticas influentes que impediriam as investigações não se referiam a meros vereadores, deputados ou políticos do PMDB. Era a uma força maior. Daí o nome da operação: Os Intocáveis.

Redobraram-se os cuidados para alicerçar a denúncia em provas irrefutáveis. Se, hoje, houve a prisão de Adriano Nóbrega, provavelmente é porque as provas foram consideradas consistentes.

Na operação foi detido também o contador da milícia e apreendido o cofre forte que guardava toda a documentação das operações – incluindo pagamentos de subornos.

E aí se entra no maior imbróglio político das últimas décadas.

Peça 2 – o mapa das correlações

Vamos a uma pequena atualização do mapa anterior, à luz de novos fatos.


No episódio do assassinato de Marielle Franco, aparecem três personagens centrais:
  • Vereador Marcelo Siciliano, apontado como o homem que encomendou a morte de Marielle.
  • Zinho, chefe de milícia, detido na Operação Quarto Elemento, e apontado como a pessoa que acertou com o assassino.
  • Capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, principal suspeito de ter sido o assassino.
Até agora, aparecem as seguintes correlações com os Bolsonaro

Marcelo Siciliano à Michele Bolsonaro

O vereador foi autor de lei autorizando a construção de um templo de cinco andares da Igreja Batista Atitude, na Barra da Tijuca, frequentado pelo casal Jair Bolsonaro, depois que Michele rompeu com o pastor Silas Malafaia. O guru do casal é o pastor Josué Valandro Jr. Foi lá que Jair apareceu, logo após as eleições, orou, ficou de joelhos, chorou e atribuiu a vitória a Deus, segundo reportagem da Folha.

Capitão Adriano à Flávio Bolsonaro à Fabrício Queiroz


Há mais coincidências incômodas. Segundo reportagem de O Globo, Raimunda é sócia de um restaurante localizado na rua Aristides Lobo, no Rio Comprido. Ele fica em frente à agência 5664 do Banco Itaú, na qual foram realizados 17 depósitos em dinheiro vivo na conta do motorista Fabrício Queiroz.

Uma nota na coluna de Lauro Jardim, de O Globo, diz que, no período em que se escondeu da imprensa e do Ministério Público Estadual, Queiroz se abrigou no Rio das Pedras, totalmente dominada pela milícia que comanda a região, alvo da Operação Os Intocáveis.

Segundo reportagem de 26/10/2018, de O Globo,  os milicianos dominam completamente o Rio Comprido. Cobram pela água, pelo estacionamento, cobram taxas de segurança. Antes, a taxa era cobrada apenas do comércio. Agora, é de toda a população.

Fabrício Queiroz à Michele Bolsonaro

E aqui se chega no Fiat Elba de Bolsonaro – aliás, episódio muito mais grave que o álibi encontrado pelo Congresso para o impeachment de Collor: os R$ 40 mil depositados na conta de Michele Bolsonaro pelo motorista Fabrício Queiroz. O cheque coloca o presidente no meio da fogueira. Não é verossímil sua explicação de que foi pagamento de dívida. Ainda mais depois de reveladas as movimentações na conta de Queiroz.

Peça 3 – a frente de brigas dos Bolsonaros

Até agora, os Bolsonaro abriram as seguintes frentes de briga:
  • Com o Congresso, com a estratégia de negociar com blocos e não com partidos.
  • Com o sistema CNI (Confederação Nacional da Indústria) e CNC (Confederação Nacional do Comércio) com a ameaça de cortar os recursos do sistema S.
  • Com a mídia off-line, com a mudança de diretrizes da Secretaria de Comunicação. Mais especificamente, com as Organizações Globo e a Folha
  • Com os movimentos sociais.
  • Com sua própria base política, devido ao estilo extremamente atabalhoado dos filhos.
  • Daqui para a frente, com o agronegócio, depois de anunciado o descredenciamento de frigoríficos brasileiros que exportavam para a Arábia Saudita, em represália à proposta fundamentalista de Bolsonaro, de mudar a capital de Israel para Jerusalem.
  • E, agora, com o próprio mercado, depois do vexame histórico de Davos, não apenas pelo total despreparo de Bolsonaro, mas pela incapacidade da equipe de chegar a um consenso mínimo sobre o discurso a ser feito. Dos 30 minutos a que tinha direito, utilizou apenas 6 minutos, tempo suficiente para expor seu notável despreparo. Pior: a notícia de que manteria encontros apenas com líderes nacionalistas antiglobalização, comandados por Steve Bannon, o homem da eleição de Donald Trump.
Enquanto isto, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, tem sido cada vez mais procurado pelo meio empresarial, por aparentemente ser o único foco de racionalidade no governo, capaz de ouvir e entender.

Peça 4 – a campanha do impeachment

O que vai restar dessa lambança toda?

Há uma certeza e uma incógnita. A certeza é que Bolsonaro será impichado. A incógnita é quanto ao tempo que irá demorar o processo.

Seu único trunfo, junto ao bloco do impeachment, seria a eventualidade de sua queda provocar a volta do PT. Não ocorrerá. Sua queda promoveria a ascensão natural do general Mourão, preservando a unidade em torno de um comando mais racional.

Positivamente, não tem WhatsApp ou Twitter que o salve da fogueira.

Será curioso analisar o comportamento do Ministro Sérgio Moro, da Justiça. Na foto divulgada, do voo para Davos, vê-se Bolsonaro ao telefone. Com todo o Estado Maior no avião, a hipótese aventada é que estaria tratando da estratégia de defesa com o filho Flávio. No mesmo ambiente, uma das testemunhas da conversa é seu Ministro da Justiça, ex-juiz Sérgio Moro.


Enquanto isto, a cobertura das Organizações Globo tem sido de uma objetividade mortal. Há seis meses seus repórteres já sabiam das suspeitas com o capitão Adriano. Mas mantiveram um pacto de silêncio com o Ministério Público Estadual (MPE), para não atrapalhar as investigações.

A nota sobre o refúgio de Queiroz no Rio Comprido saiu um dia antes da Operação Os Intocáveis. Nos próximos dias – talvez até no Jornal Nacional de hoje – serão revelados os detalhes sobre o capitão Adriano.

Os Bolsonaro estão apanhando até no seu campo de batalha: as redes sociais.

É até possível que a Operação Marielle tenha acontecido sem conhecimento prévio de Flávio Bolsonaro e ele não passasse de um joguete nas mãos do motorista. É significativo o fato de ter publicado um Twitter se solidarizando com Mairelle e, em seguida, tê-lo apagado. Fará diferença em uma investigação criminal, não em um julgamento político.

Se valer um palpite, acho que haverá um desfecho relativamente rápido dessa crise.

Luís Nassif
No GGN
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Bolsonaro estará em "fórum anti-Davos" de Steve Bannon, sobre "nacionalismo e supremacia branca"

Enquanto magnatadas reunidos no Fórum Econômico Mundial de Davos tendem a discutir o risco do populismo na América e em países da Europa, Steve Bannon reúne representantes da extrema-direita em um evento paralelo. Na pauta do guru de Trump, supremacia branca, ultra-nacionalismo, defesa da família tradicional contra a "ideologia de gênero". Bolsonaro, é claro, "se inscreveu" para o anti-Davos, revela jornalista do La Vanguardia


Jair Bolsonaro aproveitará a viagem ao Fórum Econômico Mundial de Davos para dar uma escapadinha e participar de um evento que tem as digitais do guru da extrema-direita internacional, Steve Bannon. É o que revela o jornalista do La Vanguardia, Andy Robinson, em artigo publicado em seu blog, o Diário Itinerante, no último dia 19.

Andy foi barrado em Davos oficial neste ano porque se indispôs com parte da elite econômica que circula no local após a publicação de um livro que revela os bastidores do Fórum - ele concedeu uma entrevista exclusiva ao GGN, em 2015, para falar disso. E, dessa vez, tampouco irá ao evento de Bannon porque, além de indesejados, lá os jornalistas correm o risco de "levar uma boa surra", afirmou.

Segundo Andy, Bannon ajudou a organizar um "evento alternativo" ao Fórum de Davos, e mantém a data fora do conhecimento da imprensa.

O "anti-Davos" é um encontro da cúpula do Movimento, grupo criado por Bannon para fortalecer a ascensão da extrema-direita ao redor do mundo.

A conferência está a cargo do belga e "sócio" de Bannon, Michael Modrikamen. "Líderes desta nova extrema-direita [crescente na Europa] - certamente haverá representante da VOX [partido espanhol] - serão apresentados como defensores dos valores da pátria contra os globalistas de Davos." 

Bannon, pessoalmente, fará parte de uma agenda que defende "os valores da tradicional família branca, com olhos azuis e cabelos bem arrumados, contra as perversões da ideologia de gênero e a imigração descontrolada." De acordo com Andy, "Bolsonaro se inscreveu" neste debate.

No anti-Davos, o Brexit, por exemplo, será celebrado por seu caráter nacionalista. Enquanto isso, no Fórum de Davos, os magnatas falarão contra o Brexit.

No evento oficial, os "representantes cosmopolitas da comunidade internacional de ricos farão um esforço corajoso para defender a globalização, o liberalismo e a democracia: uma sociedade aberta diante da perigosa invasão, na política europeia e americana, dos novos populismos nacionalistas e iliberais [democracia liberais com doses de autoritarismo]".

"(...) Davos reivindicará mais do que nunca um mundo diversificado, multicultural e tolerante com todas as minorias", incluindo na programação discussões sobre o movimento feminista #MeToo e a discriminação contra a comunidade gay.

Apesar disso, Andy ressaltou que, em Davos, "ninguém vai se opor a ouvir um Jair Bolsonaor que, diferente de outros representantes da nova direita intolerante, é um neoliberal que já entregou as rédeas da política econômica do País para um gestor de fundos de investimentos chamado Paulo Guedes. Guedes é um chicago boy ultraliberal, que se encaixa perfeitamente no perfil do financista global que frequenta Davos. Com Guedes no comando da política econômica, Davos fechará os olhos quando Bolsonaro proibir a 'ideologia de gênero das escolas' ou classificar homossexuais como uma aberração."

Andy, ao final, escreveu que não participará de nenhum dos dois fóruns. Em Davos não entrará por causou "tensões" decorrentes do livro "Um repórter na Magic Mountain", sobre a hipocrisia e os bastidores do Fórum. E no evento com dedos de Bannon tampouco entrará porque "eles não só vetam um jornalista que não lhe cai bem, como lhe dá uma boa surra."

"De qualquer forma, para a saúde mental, decidi que é melhor manter uma distância segura tanto do Davos globalizado quanto do anti-Davos da ultra-direita não globalista. Ambos são altamente tóxicos."

Cíntia Alves
No GGN
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Eleição de Bolsonaro tem legitimidade para lá de duvidosa

Estamos chegando ao fim da terceira semana de governo e o ex-capitão, sua equipe e sua família já mostraram que estamos de frente a todo o horror que esperávamos, sem nenhum desconto. A esquerda ainda parece meio anestesiada pela paulada que levamos em outubro. Alguns se levantam para dar os braços a Rodrigo Maia, o que está longe de ser um progresso; outros lacram no twitter. Mas ainda falta organizar a ofensiva contra um governo tão descaradamente antipovo, antinação, incompetente e sujo.

A paulada que levamos em outubro é descrita pela expressão “derrota eleitoral”. Sim, Bolsonaro foi escolhido por quase 58 milhões de brasileiros no segundo turno. Mas o quão legítima foi essa escolha?

O problema, para responder à pergunta, é que costumamos adotar um critério muito lasso de legitimidade eleitoral. Se não teve intimidação armada contra partidos, candidatos e eleitores ou fraude na contagem dos votos, então está tudo bem.

Muitos dos argumentos contrários à legitimidade da eleição de Bolsonaro serviriam para impugnar também seus antecessores. A campanha dele foi sustentada por doações ilegais? Mas doações ilegais são o arroz com feijão da política eleitoral no Brasil. Apesar do discurso da campanha franciscana, a eleição de Bolsonaro foi apoiada em dinheiro grosso de seus apoiadores no empresariado? Mas todos os vitoriosos, inclusive Lula e Dilma, tiveram campanhas milionárias. A cobertura da mídia foi enviesada contra seu adversário? Também não há nenhuma novidade aí.

Bolsonaro ganhou apoio disseminando mentiras sobre seus adversários? Devia pagar royalties a Collor. Fez promessas que sabia que não iria cumprir? Pois Fernando Henrique se reelegeu em 1998 com base no discurso da”moeda forte”, mas promoveu uma maxidesvalorização do real assim que ganhou a disputa.

Não participou de nenhum debate? Também em 1998, a estratégia de FHC foi recusar qualquer debate e transformar a eleição num ritual para sua recondução ao cargo. Disse que ia combater a corrupção e fez o contrário? Bom, Dilma fez a campanha da reeleição combatendo o discurso aecista da austeridade, mas nomeou o Levy para o Ministério da Fazenda e tentou implantar o ajuste de que todos lembramos.

A única – mas central – diferença, no caso de Bolsonaro, é a prisão de Lula. Sim, o judiciário nunca esteve à altura de sua prometida imparcialidade e declarações de chefes militares com o objetivo de sinalizar o veto a alguma candidatura tampouco são novidade. Até o caso de Moro tem o precedente de Francisco Rezek, que conduziu a eleição de 1989 na qualidade de presidente do TSE e depois abandonou (provisoriamente) a magistratura para se tornar chanceler de Collor. Mas nunca antes testemunhamos a perseguição, condenação e emprisionamento de um líder político com o exclusivo objetivo de retirá-lo da corrida presidencial. (Tendo, como cereja do bolo, o descumprimento da decisão de uma corte internacional para garantir sua presença na disputa.)

Sob um padrão mais rigoroso, a influência do dinheiro e o viés da mídia serviriam para condenar a democracia eleitoral brasileira desde sempre. Mas, mesmo sob o padrão flexível que adotamos no Brasil, a eleição de Bolsonaro tem legitimidade para lá de duvidosa.

Luis Felipe Miguel, Cientista Político e professor da UnB
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E se vier a tirania? Ameaças não faltam!

Confesso que não sei bem o que fazer. Entretanto, sei que é preciso fazer algo. Resistiremos sem medo.

Hoje, mais do que nunca, concordo com o jurista chileno Eduardo Novoa Monreal. Em seu clássico livro, de há muito, já mostrava que o Direito é um “fator” de manutenção de uma determinada estrutura política e social. O título que deu a sua obra já diz tudo: “El derecho como obstáculo al cambio social”.

Também não tenho dúvidas: através da aplicação das regras jurídicas, não vamos alterar substancialmente o nosso modelo de sociedade. Ao contrário, vamos sim realimentá-lo e legitimá-lo. O Direito, em uma sociedade injusta, está compromissado com esta injustiça. Também por isso, estou me afastando do magistério jurídico.

Tudo se agrava quando temos governantes e magistrados tíbios e “fisiológicos”, sem maiores compromissos com as questões sociais.

Pior ainda, quando aqueles que têm o poder de interpretar e aplicar o Direito estão ideologicamente comprometidos com a manutenção de uma sociedade absolutamente injusta. Neste caso, o Direito passa a ser instrumento de retrocessos sociais e de perseguição política (Lawfare) a todos aqueles que não se conformam com a pobreza e a exploração de uma classe social sobre as outras.

Desta forma, temos de buscar outros instrumentos de transformação social, temos de apostar em práticas mais efetivas e de efetivo convencimento dos principais atores sociais.

Se a sociedade não compreender o sofisticado mecanismo de exploração e enganação a que está submetida, qualquer mudança será muito difícil e efêmera.

Por isso, achamos que o socialismo democrático deve ser uma opção da população e não uma escolha de uma “vanguarda iluminada”.

Temos de desconstruir os instrumentos de que se vale o sistema capitalista para “domesticar” a sociedade, para lhe impor seus valores elitistas e para ocultar a verdadeira realidade, profundamente injusta.

A internet, nos dias de hoje, é mais um elemento complicador. A Direita mais radical está enganando e atemorizando as pessoas através das redes sociais e algo precisa ser feito para neutralizar essa “lavagem cerebral”. Um Estado popular e democrático não pode assistir a estas mazelas “de braços cruzados”.

Julgo que temos de começar pela conscientização e mobilização de todos os democratas e humanistas residentes neste país. Não é hora para omissões. Os chamados “formadores de opinião” têm que entrar na “luta”. Vamos fazer um “trabalho político” realmente competente.

As mobilizações sociais são fatores de conscientização e surgimento de novas lideranças autênticas. Não há espaços para aventuras inconsequentes, à míngua das chamadas condições objetivas para algo mais radical. Precisamos aprender com a história …

Acho interessante dialogar até com os setores esclarecidos e democráticos das Forças Armadas. Patriotas (não extremados) e legalistas não devem aceitar também as ameaças de violações ao nosso ordenamento jurídico, ao direito das minorias. Aqui, a nossa esperança não é de mudança, mas de impedir uma nova aventura cruel das forças autoritárias de direita.

É muito preocupante a movimentação de um dos filhos do capitão eleito, em vários países das Américas, no sentido confessado de constituir uma frente da direita autoritária em nosso continente. Isso nos faz lembrar a terrível “Operação Condor”, que vitimou vários militantes políticos na América do Sul. Tomara que eu esteja errado e esteja me mostrando um alarmista inconsequente …

Creio que não poderemos contar com grande parcela do Poder Judiciário e do Ministério Público que, nos dias de hoje, são instituições contaminadas pelo pensamento conservador e reacionário ligado às forças sociais da direita, como dissemos acima. Isto é trágico, pois ficamos desprotegidos no plano institucional.

Parte da imprensa pode nos ajudar, denunciando as truculências do novo poder que a todos atemoriza, até porque ela também será vítima deste autoritarismo. Quando atacada, a imprensa corporativa e empresarial sabe reagir com inteligência. O governo do capitão truculento já está hostilizando alguns meios de comunicação.

Atenção: estamos tratando de uma estratégia para agora, em nosso país, tendo em vista o novo governo autoritário que se avizinha. Em termos de efetiva mudança social, a estratégia há de ser mais radical e não podemos contar com as estruturas burguesas. Aliança com a “pequena burguesia” deve ser tópica, pontual, efêmera e desconfiada …

Ainda acredito que possamos evoluir para uma sociedade mais justa através de meios pacíficos, desde que todos do pensamento de esquerda estejam unidos, não criando divisões em razão de interesses pessoais ou mesmo partidários. Um dos pressupostos para isso é que o povo seja educado e tenha consciência do que é realmente melhor para ele.

Temo que, em futuro breve, tenhamos conflitos e convulsões sociais aqui no Brasil. É preciso estabelecer uma “correlação de forças”, de modo a neutralizar o recrudescimento político em nossa sociedade.

Na Itália de Mussolini, o fascismo começou assim, “comendo pelas beiradas”. Tudo fica mais fácil para as forças fascistas quando aqueles que estão no poder não têm compromisso com a busca de uma sociedade menos ruim, não têm firmeza de caráter, coragem e honestidade intelectual. Abaixo os dissimulados e pusilânimes !!!

O “macartismo” já começou pelo novo governo federal, de extrema direita. Aí vem a “caça às bruxas”. Só espero que ela não sejam queimadas em praça pública… (nem seus livros!!!)

Vamos nos organizar para defendermos o Estado Democrático de Direito e os direitos assegurados em nossa Constituição Federal. Somos a maioria e não temos medo.

Vamos mostrar aos trabalhadores que eles são a maioria. Vamos mostrar aos trabalhadores que são eles que produzem a riqueza nacional e são os que menos dela usufruem. Vamos mostrar aos trabalhadores que é possível um mundo melhor e que ninguém nasce para viver na pobreza.

Eu continuo acreditando nisso, por isso continuo querendo viver mais alguns anos …

Afrânio Silva Jardim é professor associado de Direito Processual Penal da UERJ, mestre e livre-docente em Direito Processual, Procurador de Justiça (aposentado).
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Mídia europeia diz que Bolsonaro vai na contramão de Forum Econômico Mundial


Na edição do Fórum Econômico Mundial em que as mudanças climáticas serão uma das principais questões, a imprensa europeia anuncia que Bolsonaro é uma das principais atrações, mas na contramão do evento.

O Diário de Notícias, de Portugal, destaca os protestos em Davos contra a presença do novo presidente brasileiro. Diz que suas políticas ambientais e de migrações, outro dos grandes temas a ser debatido, vão ser um verdadeiro “teste” para Bolsonaro.

“Os espinhos chegam das áreas do ambiente e das migrações, em que Bolsonaro parece estar na contramão dos discursos dos demais líderes globais (Trump excluído)”.

Segundo a publicação, “a saída recente do Pacto Global para a Migração e a ameaça de abandono do Acordo de Paris são, portanto, pedras no sapato de Bolsonaro”. O Diário de Notícias observa também que será a primeira vez em três anos que um vice-presidente assumirá o comando do Estado, já que Temer não tinha vice.

O jornal menciona os casos de corrupção que o presidente interino terá de gerir: “Ao general Hamilton Mourão cabe nesse período gerir o caso conhecido como Bolsogate ou Coafgate, envolvendo um suposto esquema de corrupção de Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente. Para Mourão, o caso não atinge o governo”.

A imprensa europeia diz que, a exceção de Angela Merkel, rumo à sua aposentadoria política, o evento carece de grandes líderes. Para o Le Figaro, principal jornal conservador da França, o destaque da edição não é Bolsonaro, mas as ausências, referência a Trump, Macron e May, que faltarão à edição em meio às crises políticas que vivem em seus respectivos países.

O Le Figaro só cita Bolsonaro no final de uma reportagem para dizer que “o novato do bruto 2019 é hostil ao acordo de Paris sobre o clima e desconfia do multilateralismo, como Donald Trump, que ele diz admirar”.

A agência de notícias francesa AFP destaca o mesmo problema: “o percurso de Bolsonaro não o destina a ser um fervente adepto do mantra da cooperação transnacional do Fórum Econômico mundial, constata Douglas Rediker, presidente do International Capital Strategies”.

Parece até ironia, mas o site do Fórum diz que uma das grandes problemáticas a debater este ano será a “legítima frustração sobre o fracasso da globalização em aumentar o nível de vida das populações conduzindo ao populismo e ao nacionalismo”.

A revista francesa L’OBS, uma das principais do país, prevê tensão na passagem de Bolsonaro: “Ele enfrentará uma assembleia adepta à causa do livre comércio e cuja principal preocupação é o aquecimento global, sinônimo de desastres humanos mas também de grandes prejuízos econômicos, segundo uma pesquisa realizada pelos organizadores”.

O The Telegraph, de Londres, aponta a mesma preocupação: “todo mundo sabe que Bolsonaro é cético ao aquecimento global. Essa deve ser a chave para uma recepção menos calorosa. Uma pesquisa conduzida pelo Fórum descobriu que as mudanças climáticas são a maior ameaça à economia global. Sir David Attenborough, que recebeu um prêmio por seus engajamentos ambientais, disse aos delegados: ‘Não há mais Jardim do Éden”.

Willy Delvalle, de Paris
No DCM
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Bolsonaro fala em Davos e não diz nada


Só não dá para dizer que a fala de Jair Bolsonaro na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, foi a de um “Rolando Lero”, aquele personagem da “Escolinha do Professor Raimundo” que falava sem dizer nada porque o ator Rogério Cardoso, que fazia o personagem, ao menos se expressava com desenvoltura verbal.

Os 30 minutos previstos para o discurso viraram seis e desperdiçados com declarações que pareciam de um folheto impresso. Só faltou o “venha conhecer Brasil, sol, samba e carnaval”

Reformas, combate à corrupção, meio-ambiente tudo foi abordado de maneira absolutamente genérica, vaga.

De concreto, propositivo, nada. Já de afirmações ideológicas, quase tudo.

Bolsonaro falava com a tensão visível de quem estava louco para que aquilo ali terminasse logo.

Provincianamente, fez a leitura de parágrafos citando os ministros da comitiva – Paulo Guedes, Sérgio Moro e Ernesto Araújo – como quem procura muletas em auxiliares e não se afirma como líder.

Deu vergonha de ter um presidente brasileiro se mostrando uma nulidade maior que Michel Temer, que fazia o “Rolando Lero” muito melhor.

No final, numas perguntinhas arranjadas com Klaus Schwab, presidente do Fórum, ainda se tentou salvar o fiasco. Não deu.

Se o discurso de abertura era o prato principal da viagem a Davos, o cardápio foi macarrão sem sal e sem molho.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Bozo dá medo em Davos




"Boa tarde a todos!

Muito obrigado, professor Schwab!

Agradeço, antes de mais nada, o convite para participar deste fórum e a oportunidade de falar a um público tão distinto.

Agradeço também a honra de me dirigir aos senhores já na abertura desta sessão plenária.

Esta é a primeira viagem internacional que realizo após minha eleição, prova da importância que atribuo às pautas que este fórum tem promovido e priorizado.

Esta viagem também é para mim uma grande oportunidade de mostrar para o mundo o momento único em que vivemos em meu país e para apresentar a todos o novo Brasil que estamos construindo.

Nas eleições, gastando menos de 1 milhão de dólares e com 8 segundos de tempo de televisão, sendo injustamente atacado a todo tempo, conseguimos a vitória.

Assumi o Brasil em uma profunda crise ética, moral e econômica.

Temos o compromisso de mudar nossa história.

Pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe de ministros qualificados. Honrando o compromisso de campanha, não aceitando ingerências político-partidárias que, no passado, apenas geraram ineficiência do Estado e corrupção.

Gozamos de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós.

Aqui entre nós, meu ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o homem certo para o combate à corrupção e o combate à lavagem de dinheiro.

Vamos investir pesado na segurança para que vocês nos visitem com suas famílias, pois somos um dos primeiros países em belezas naturais, mas não estamos entre os 40 destinos turísticos mais visitados do mundo. Conheçam a nossa Amazônia, nossas praias, nossas cidades e nosso Pantanal. O Brasil é um paraíso, mas ainda é pouco conhecido!

Somos o país que mais preserva o meio ambiente. Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós. A agricultura se faz presente em apenas 9% do nosso território e cresce graças a sua tecnologia e à competência do produtor rural. Menos de 20% do nosso solo é dedicado à pecuária. Essas commodities, em grande parte, garantem superávit em nossa balança comercial e alimentam boa parte do mundo.

Nossa missão agora é avançar na compatibilização entre a preservação do meio ambiente e da biodiversidade com o necessário desenvolvimento econômico, lembrando que são interdependentes e indissociáveis.

Os setores que nos criticam têm, na verdade, muito o que aprender conosco.

Queremos governar pelo exemplo e que o mundo restabeleça a confiança que sempre teve em nós.

Vamos diminuir a carga tributária, simplificar as normas, facilitando a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos.

Trabalharemos pela estabilidade macroeconômica, respeitando os contratos, privatizando e equilibrando as contas públicas.

O Brasil ainda é uma economia relativamente fechada ao comércio internacional, e mudar essa condição é um dos maiores compromissos deste Governo.

Tenham certeza de que, até o final do meu mandato, nossa equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes, nos colocará no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios.

Nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir.

Para isso, buscaremos integrar o Brasil ao mundo, por meio da incorporação das melhores práticas internacionais, como aquelas que são adotadas e promovidas pela OCDE.

Buscaremos integrar o Brasil ao mundo também por meio de uma defesa ativa da reforma da OMC, com a finalidade de eliminar práticas desleais de comércio e garantir segurança jurídica das trocas comerciais internacionais.

Vamos resgatar nossos valores e abrir nossa economia.

Vamos defender a família e os verdadeiros direitos humanos; proteger o direito à vida e à propriedade privada e promover uma educação que prepare nossa juventude para os desafios da quarta revolução industrial, buscando, pelo conhecimento, reduzir a pobreza e a miséria.

Estamos aqui porque queremos, além de aprofundar nossos laços de amizade, aprofundar nossas relações comerciais.

Temos a maior biodiversidade do mundo e nossas riquezas minerais são abundantes. Queremos parceiros com tecnologia para que esse casamento se traduza em progresso e desenvolvimento para todos.

Nossas ações, tenham certeza, os atrairão para grandes negócios, não só para o bem do Brasil, mas também para o de todo o mundo.

Estamos de braços abertos. Quero mais que um Brasil grande, quero um mundo de paz, liberdade e democracia.

Tendo como lema "Deus acima de tudo", acredito que nossas relações trarão infindáveis progressos para todos.

Muito obrigado."
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Acuado e deslocado, Bolsonaro almoça sozinho em bandejão de Davos

Bolsonaro em bandejão de Davos
Foto: Jamil Chade
Jamil Chade, correspondente do Estadão em Davos, fez uma série de tuítes com um retrato da participação medíocre de Jair Bolsonaro em Davos.

“3,5 mil participantes e 70 chefes de estado e governo. Mas Bolsonaro almoçando sozinho em Davos”, escreveu Chade na legenda de uma foto de JB num restaurante.

Bolsonaro discursou por míseros 8 minutos na plenária do 49º Fórum Econômico Mundial.

Na sequencia foram 7 de perguntas. Inicialmente ele tinha acertado 45 minutos, depois reduzidos a 30.

“Hoje em dia um precisa do outro. O Brasil precisa de vocês, e vocês com certeza precisam do nosso querido Brasil”, afirmou, com a voz trêmula.

“É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida”, diz o velho adágio.

Os tuítes de Chade:






Kiko Nogueira
No DCM
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Atentado na Venezuela: Assim age a oposição

Grupo violento quema centro cultural Robert Serra en Venezuela


Los delincuentes encapuchados lanzaron bombas molotov en la Casa de la Cultura Robert Serra ubicada en Caracas, capital venezolana.

El centro cultural Robert Serra ubicado en Puerta Caracas, en el sector La Pastora, de la capital venezolana, fue incendiado en horas de la noche de este lunes por un grupo fascista, para generar desestabilización en el país.

A través de un video se puede observar a un grupo de encapuchados lanzando bombas molotov contra la sede en la que se realizan actividades recreativas para la comunidad, en homenaje al líder social y dirigente del Partido Socialista Unido de Venezuela (Psuv) Robert Serra, quien fue asesinado el 1° de octubre de 2014.

“No pudieron vencerlo en vida por eso les aterroriza su nombre, su legado y su ejército de jóvenes dispuestos a multiplicarlo, fascistas atacan la casa de la cultura Robert Serra ubicada en Puerta Caracas”, denunció a través de Twitter la presidenta de la Misión Robert Serra, Mayerlin Arias.

La acción vandálica se enmarca en nuevos hechos de violencia promovidos por la derecha, en sus intentos de derrocar al presidente Nicolás Maduro que asumió su nuevo mandato en enero.

La oposición venezolana desconoce la legitimidad del mandatario venezolano, quien resultó reelegido el pasado mayo de 2018.

No teleSUR
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Caso Queiroz/Bolsonaros: a questão é o que não responderam

No Instagram, em 1 de outubro de 2017, a foto de Flávio e Jair Bolsonaro com os dois irmãos gêmeos e soldados da PM, Alan e Alex. Elogiados como “família mil”, os dois foram presos como milicianos.
Na entrevista do procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, na segunda-feira, 21/01, talvez mais sintomático do que todas as explicações que ele quis dar sobre a ação legal do Ministério Público estadual fluminense, tenha sido perguntas que deixaram de ser respondidas.

Gussem, por exemplo, aos 23 minutos da entrevista alegou impedimento para responder sobre possíveis vínculos da família Bolsonaro com as milícias do Rio de Janeiro. A pergunta, feita por este Blog, gerou certa surpresa entre alguns jornalistas presentes.

Não leram, nem sequer tomaram conhecimento das informações de Luís Nassif, no JornalGGN, em Xadrez do fim do governo Bolsonaro. No seu artigo, Nassif levanta alguns fortes indícios das ligações dos Bolsonaros com as milícias que dominam diversas comunidades no Rio. Cita o caso da Operação Quarto Elemento a qual, “deflagrada no dia 25 de abril de 2018 pelo Ministério Público Estadual, destinou-se a desbaratar a maior milícia do estado, que atuava na Zona Oeste do Rio”.

Nela, como lembrou, foram presas 43 pessoas. Diz ainda que “o maior negócio da quadrilha era a extorsão” e acrescenta que entre os presos estavam “os irmãos gêmeos, PMs Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, que atuavam como seguranças de Flávio Bolsonaro na campanha de 2018. Flávio defendeu-se tratando-os apenas como voluntários sem maiores ligações. Fotos no Twitter desmentiam, mostrando intimidade ampla dos Bolsonaro – pai e filho – com os irmãos”.

Antigas relações

Este envolvimento dos Bolsonaros com as milícias já era conhecido e divulgado. Foi, por exemplo, noticiado pelo O Estado de S.Paulo em 5 de setembro de 2018, na reportagem de Constança Rezende: Policiais presos em operação no Rio participaram de campanha de filho de Bolsonaro. À época, porém, a preocupação maior era barrar a candidatura petista.

Coincidentemente, na mesma segunda-feira, menos de duas horas depois de Gussem se recusar a falar sobre as possíveis ligações com milícias, Lauro Jardim, em sua coluna em O Globo, anunciava: Queiroz se escondeu na favela de Rio das Pedras. A nota lembrou o domínio da área por milicianos:

Queiroz se abrigou numa casa na favela de Rio das Pedras, também na Zona Oeste. É a segunda maior favela da cidade e dominada da primeira à última rua pela milícia mais antiga do Rio de Janeiro.” (o grifo é do original).

Na manhã desta terça-feira (22/01), o mesmo O Globo noticiou a Operação Os Intocáveis, desencadeada pelo MPRJ e pela polícia civil fluminense na comunidade de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio. Entre os presos estão “ao menos cinco suspeitos de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes”.

Segundo a reportagem, “os presos são integrantes da milícia mais antiga e perigosa do estado”. Trata-se da favela Rio das Pedras, “dominada da primeira à última rua pela milícia mais antiga do Rio de Janeiro”, como noticiou Jardim.

Em 2004, Flavio Bolsonaro propôs Moçao de Apoio ao capitão PM Ronald, 
preso nesta terça-feira como chefe de milicia no Rio

Defesa e homenagem

Novamente o jornal foi obrigado a lembrar passagens em que os Bolsonaros se envolveram com milicianos, defendendo-os e os homenageando. Consta do site do jornal: “Alvos de operação, milicianos foram homenageados por Flávio Bolsonaro em 2003 e 2004“. O texto dos jornalistas Chico Otávio e Vera Araújo explica:

“Os dois principais alvos da Operação Intocáveis , o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega e o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, foram homenageados, em 2003 e 2004, na Assembleia Legislativa do Rio por indicação do deputado estadual Flávio Bolsonaro. O parlamentar sempre teve ligação estreita com policiais militares”.

Em outra reportagem do jornal – Flávio Bolsonaro empregou mãe e mulher de chefe do Escritório do Crime em seu gabinete -, os repórteres Bruno Abbud, Igor Melo e Vera Araújo relatam:

“Flávio Bolsonaro empregou até novembro do ano passado a mãe e a mulher do capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, tido pelo Ministério Público do Rio como o homem-forte do Escritório do Crime, organização suspeita do assassinato de Marielle Franco. O policial, alvo de um mandado de prisão nesta terça-feira, é acusado há mais de uma década por envolvimento em homicídios”.

Silêncio providencial

Sem a menor dúvida que se escudar no segredo de justiça do Caso Queiroz/Bolsonaro decretado por Fux no malfadado pedido apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo deputado estadual Flávio Bolsonaro, foi uma excelente estratégia para Gussem. Permitiu que se calasse sobre assunto espinhoso, como as investigações em torno das milícias no Rio e o declarado envolvimento da família do hoje presidente da República com as mesmas. Ao menos na posição de defensores dela. Mas será apenas esta?

Na entrevista de segunda-feira, Gussem fez questão de deixar claro, logo no início, que “o Ministério Público não tem vinculação com nenhum segmento político. O Ministério Público é defensor da ordem jurídica e do regime democrático. Essa é nossa missão constitucional”.

Talvez sua intenção foi rebater acusações e insinuações, por parte não apenas do deputado estadual e senador eleito, Flávio Bolsonaro, como ainda pelo vice-presidente Hamilton Mourão e outros bolsomitos de que estaria ocorrendo uma perseguição ideológica, através do Caso Queiroz/Bolsonaro.

O procurador-geral de Justiça do Rio fez questão de rebater todas essas insinuações, inclusive da ilegalidade na coleta dos dados relacionados às movimentações financeiras de Fabrício Queiroz e do próprio Flávio Bolsonaro. Tudo foi feito dentro da lei.

Há dois anos o MPRJ recebia um dos principais cabos eleitorais dos Bolsonaros.
Hoje, a instituição vem sendo criticada por muitos deles.

Defesa de quem criticou

Curioso na história é que há menos de dois anos, em setembro de 2017, o MPRJ, já tendo à frente o próprio Gussem, recebeu democraticamente em seu auditório um dos, posteriormente, principais cabos eleitorais dos Bolsonaros, o líder Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Kataguiri. Hoje, parte dos apoiadores de Bolsonaro criticam o mesmo Gussem.

A recepção foi em um evento promovido pelo promotor Marcelo Rocha Monteiro para debater “Segurança Pública como Direito Fundamental”. Na época, a ida do líder do MBL foi divulgada pelo site JustificandoMP-RJ convida Kim Kataguiri para palestra sobre segurança pública e “bandidolatria”-, que informou: “Programado para acontecer no dia 15 de setembro, o evento contará com procuradores, promotores e juízes, incluindo o Procurador-Geral de Justiça do MPRJ, Eduardo Gussem, o procurador de Justiça, Marcelo Rocha Monteiro, e a juíza de Direito do TJRJ, Yedda Cristina Assunção”.

Na porta da Procuradoria Geral de Justiça um grupo de familiares de vítimas da violência protestava. A advogada e professora da UFRJ, Luciana Boiteux, embora inscrita no evento, acabou barrada, sob a alegação de que a entrada só era permitida no início. Na mesma reportagem do Justificando, consta seu questionamento:

(…) Há gente conservadora e séria debatendo o tema, não precisavam baixar tanto o nível teórico do debate em assunto tão importante. Minha solidariedade aos promotores cariocas comprometidos com a Constituição, a segurança pública e os direitos humanos no RJ que ainda honram o MP“.

Hoje, é a professora quem sai em defesa do MPRJ, na sua página do Facebook, onde se lê: “O que chama atenção nesse caso do Flavio não é a investigação do MP que cumpre seu papel, assim como o COAF, ao pedirem explicações sobre caso que envolve agentes públicos. Bastava ir lá, levar os documentos e relatar sua versão. O que causa estranheza é ele fugir do MP (que foi super cauteloso e discreto) e a ausência de explicações claras e documentadas sobre os altos valores detectados. Nem ele nem Queiroz foram prestar depoimento, deram entrevistas (superficiais) ao SBT e a Record, falaram de negócios com apartamentos e carros, mas não mostraram documentos.”

Marcelo Auler
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Folha desconstrói versão do empresário Flávio Bolsonaro

Senador já era rico antes de ser dono de uma bombonière


Por Camila Mattoso, Ranier Bragon e Ítalo Nogueira, na Fel-lha:

Flávio Bolsonaro construiu patrimônio antes de ser empresário

O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) construiu seu patrimônio antes de se declarar empresário, de acordo com informações cartoriais, da Justiça Eleitoral e da Junta Comercial do Rio de Janeiro.

O ainda deputado estadual é sócio da Bolsotini Chocolates e Café Ltda, uma franquia da Kopenhagen no Via Parque Shopping, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

De acordo com a Receita Federal, a empresa foi aberta em 7 de janeiro de 2015 e tem mais um sócio.

Essa foi a única atividade empresarial que o senador eleito declarou em toda a sua trajetória política, desde 2002.

Fabrício Queiroz, ex-motorista do deputado estadual, é investigado sob suspeita de ser o pivô de um esquema ilegal de arrecadação de parte dos salários de servidores do gabinete, prática conhecida como rachadinha.

A partir da investigação, o Ministério Público do Rio solicitou ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) relatório sobre as contas de Flávio. O levantamento apontou 48 depósitos de R$ 2.000 para o deputado entre junho e julho de 2017.

Em entrevista à TV Record no domingo (20), o filho do presidente Jair Bolsonaro afirmou que tentam de "forma baixa" insinuar que a origem de seu dinheiro tem a ver com ex-assessores de seu gabinete.

"Não tem. Explico mais uma vez. Sou empresário, o que ganho na minha empresa é muito mais do que como deputado. Não vivo só do salário de deputado", afirmou o senador eleito.

Como mostrou a Folha no ano passado, Flávio fez pelo menos 20 transações imobiliárias em 14 anos, entre compras, vendas e permutas.

A maior parte das aquisições ocorreu antes de 2015, segundo dados de cartório. Em alguns casos, o parlamentar fez dívidas e só as quitou depois, quando já tinha a loja.

Segundo a assessoria da Kopenhagen, "o retorno do investimento aplicado ocorre de dois a três anos após o início das atividades". Ou seja, no caso de Flávio, só começaria a ocorrer em 2017 ou 2018.

A Folha apurou com pessoas familiarizadas com esse tipo de franquia que o faturamento bruto (não descontados os impostos e outras despesas) é de cerca de R$ 60 mil ao mês. A Kopenhagen não divulga faturamento de seus franqueados.

A Folha perguntou a Flávio se ele exerce mais algum trabalho além da sociedade na filial de chocolates e o mandato. A assessoria informou que ele não se manifestaria.

Uma reportagem da revista Piauí, de setembro de 2016, relata que o deputado estadual entregou um cartão de sua filial na Barra da Tijuca e chamou a atividade de plano B.

"A gente nunca sabe quanto tempo vai permanecer na política e é importante ter um plano B", afirmou.

Atualmente, o salário de um deputado estadual do Rio é de R$ 25,3 mil brutos.

Na última declaração de bens, de 2018, Flávio disse ter R$ 1,74 milhão —considerando o fato de que ele diz ser dono de apenas 50% dos imóveis, já que é casado em regime de separação de bens.

Ele entrou na vida política em 2002, com apenas um carro Gol 1.0, declarado por R$ 25,5 mil.

Entre 2012 e 2014, Flávio teve uma intensa movimentação imobiliária.

Suas duas últimas grandes aquisições, um apartamento no bairro de Laranjeiras e outro na Barra da Tijuca, no Rio, ocorreram antes de 2015.

Os dois imóveis foram registrados ao custo de R$ 4,2 milhões. Nos dois casos, o filho de Bolsonaro pediu empréstimos, um na Caixa e outro no Itaú, respectivamente.

Segundo a versão de Flávio, a dívida de R$ 1 milhão com a Caixa foi quitada em 2017.

Valor aproximado foi detectado em um segundo relatório do Coaf, divulgado pelo Jornal Nacional, da TV Globo, sobre movimentações atípicas na conta do filho do presidente. Segundo a reportagem, o órgão não identificou a data exata e o beneficiário.

Flávio não explicou a origem do dinheiro pago à Caixa.

Após 2015, documentos de cartório mostram que houve apenas uma permuta feita por Flávio e uma venda. Ele se desfez do imóvel das Laranjeiras, em troca de um na Urca e também de uma sala comercial na Barra, bairros do Rio de Janeiro. O parlamentar ainda recebeu um valor de R$ 600 mil na operação. Em maio 2018, o apartamento da Urca foi vendido, por R$ 1,1 milhão.

Além de dizer que o retorno de investimento demora entre dois e três anos para ocorrer, a Kopenhagen informou ainda que para aquisição de uma franquia nos moldes da do filho do presidente da República é cobrada uma taxa de R$ 45 mil, além de investimento de R$ 350 mil, mais R$ 100 mil de capital de giro.

A Folha enviou no começo da tarde desta segunda (21) cinco perguntas para a assessoria de Flávio.

Além de questionar se há outra atividade desempenhada pelo parlamentar, a reportagem perguntou o valor do lucro líquido da loja, se ele teve alguma fonte de renda antes de 2015 que auxiliou nas aquisições e a origem do R$ 1 milhão utilizado para quitar o empréstimo com a Caixa.

Ele disse que não iria se manifestar.



Veja as transações imobiliárias e o patrimônio de Flávio Bolsonaro desde 2002

O filho mais velho de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), atual deputado federal e eleito senador, entrou na mira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).​

O órgão de combate à lavagem de dinheiro estranhou 48 depósitos em dinheiro na sua conta, sempre no valor de R$ 2.000, num total de R$ 96 mil, feitos entre junho e julho de 2017. Os depósitos foram feitos no autoatendimento da agência bancária que fica dentro da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

Segundo Flávio, o dinheiro é parte de um pagamento em dinheiro que recebeu ao vender um imóvel em Laranjeiras. Como mostrou a Folha, Flávio fez 20 transações imobiliárias em 15 anos, lucrando com a compra e venda de imóveis em curto período de tempo.

De 2002 a 2018, seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral passou de um Gol 1.0 de R$ 25,5 mil para quase R$ 1,75 milhão em bens.

Flávio justifica o patrimônio por ser empresário, mas não detalhou suas atividades no ramo. Seu primeiro negócio registrado é uma filial da loja de chocolates Kopenhagen, aberta em 2015. Antes disso, porém, ele já acumulava imóveis e transações.

Veja as negociações de Flávio em detalhes.


Reprodução: Folha de S. Paulo

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