21 de jan. de 2019

Globo volta a atacar e aponta contradição de Flávio Bolsonaro - assista




De acordo com apuração dos jornalistas Arthur Guimarães e Paulo Renato Soares, do Jornal Nacional, a data da escritura registrada pelo senador eleito Flávio Bolsonaro diverge em três meses do período que fez os depósitos em dinheiro apurado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

A escritura registra que Flávio Bolsonaro recebeu dois imóveis e mais R$ 600 mil pela venda de um apartamento. Ele disse que parte do sinal dessa compra foi paga em espécie e que depositou esse dinheiro na conta dele, entre junho e julho de 2017. O comprador, o ex-atleta Fábio Guerra, confirma que pagou cerca de R$ 100 mil em dinheiro vivo.

A apuração do Jornal Nacional aponta que na escritura, o pagamento de R$ 550 mil aconteceu três meses antes das operações consideradas atípicas pelo Coaf. Os outros R$ 50 mil foram pagos em agosto, em cheques no ato da escritura.

O documento aponta ainda que, em 2017, ele fez uma permuta com Fábio Guerra e a mulher, Giordana Vinagre de Farias Guerra, dando o imóvel de Laranjeiras pelo valor de R$ 2,4 milhões em troca de um outro apartamento no bairro da Urca, também na Zona Sul do Rio; uma sala de escritório na Barra da Tijuca, na Zona Oeste; e mais R$ 600 mil.

Em entrevista ao JN, Guerra confirmou os pagamentos em dinheiro, mas apesar do montante, ele diz que não se recorda dos valores. "A média foi isso ai. Não posso falar ao certo, porque de repente foi 70, 80, foi 120, 110 [mil reais], entendeu, mas a média foi isso ai mesmo. O resto foi tudo depósito", disse.

"A escritura, no entanto, diz que os R$ 600 mil foram pagos da seguinte uma forma: R$ 550 mil a título de sinal, em 24 de março de 2017; 5 cheques que somaram R$ 50 mil, em 23 de agosto de 2017", diz a reportagem.
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Patrimônio declarado de Flávio Bolsonaro aumentou 6.723% em dezesseis anos

Eles
A revelação de que Flávio Bolsonaro comprou dois imóveis, no valor de R$ 4,2 milhões, entre 2014 e 2017, gera um novo problema para o primeiro-filho.

Em 2018, quando apresentou sua declaração de bens à justiça eleitoral, informou possuir um apartamento na Barra da Tijuca de R$ 917 mil, aplicações bancárias que totalizavam R$ 558 mil, sala comercial na Barra da Tijuca no valor de R$ 150 mil, carro da marca Volvo (66 mil), 50% de uma loja Kopenhagen. Total: 1,7 milhão.

Onde foi parar a diferença entre R$ 4,2 milhões e R$ 1,7 milhão?

A declaração de bens entregue à justiça eleitoral tem outro problema.

O valor informado do apartamento é inferior ao que está registrado na escritura, conforme reportagem da Folha de S. Paulo.

Flávio teria comprado o apartamento da Barra daTijuca nesse período pelo valor de R$ 2,55 milhões, R$ 1,64 milhão a mais do que o que foi declarado ao Tribunal Regional Eleitoral.

Segundo o jornal, mesmo o preço declarado em escritura é inferior ao que está registrado na Prefeitura do Rio de Janeiro para efeito de cobrança do IPTU.

O apartamento fica numa das áreas mais valorizadas na cidade, na avenida  Lúcio Costa, de frente para a praia.

No mesmo período em que fazia essas aquisições, o então assessor dele, Fabrício Queiroz, movimentava R$ 7 milhões em sua conta bancária, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

De onde teria vindo os recursos que geraram o movimento de R$ 7 milhões em três anos?

Fabrício Queiroz, como o DCM mostrou, não tem sinais exteriores de riqueza. Pelo contrário. Mora em uma casa simples de uma comunidade e a família toda trabalha — durante muito tempo, em cargos políticos de confiança da família Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro entrou na política em 2002, quando se elegeu deputado estadual. Na época, declarou como patrimônio apenas um Gol 1.0 16 válvulas, no valor de R$ 25.500,00.

Oito anos depois, em 2010, ele já aparecia em intensa transação imobiliária.

Comprou sete salas comerciais em um condomínio da Barra, o Prime, e sete dias depois vendeu para a MCA, empresa que tem uma offshore do Panamá como uma de suas controladoras.

Essas negociações passam longe de suas declarações à justiça eleitoral, obrigatória quando se elege.

Ainda assim, a evolução patrimonial declarada por Flávio Bolsonaro em quatro mandatos consecutivos (16 anos) já é surpreendente.

Aumentou 6.723%, um absurdo principalmente se se levar em consideração o salário do deputado: R$ 25,3 mil brutos. 

Repita-se: evolução patrimonial por declarações dele próprio.

Atribuir essa evolução patrimonial e a montanha de dinheiro identificada nas contas de Flávio e Fabrício ao pedágio pago pelos funcionários de confiança de gabinete não fecha a conta.

Os valores tornados públicos são muito mais expressivos. Muito maior do que pixulecos de funcionários de gabinete poderiam proporcionar.

Talvez isso explique o desespero de Flávio Bolsonaro.

Ele não quer esclarecer nada, porque não tem como.

Se quisesse, já teria se apresentado ao Ministério Público.

Ao contrário, ele conseguiu suspender a investigação através de uma medida liminar no Supremo Tribunal Federal.

Vai bater na tecla de que está sendo perseguido, contando com os amigos na imprensa, como a Record e a RedeTV.

Quer levar o caso para a esfera federal, onde a influência da presidência é maior.

Nesse momento, segundo informações de bastidores, há uma disputa política no âmbito da Procuradoria Geral da República.

Raquel Dodge quer permanecer no cargo de procuradora geral, que Bolsonaro gostaria de entregar a partir de setembro a Deltan Dallagnol — o que completaria a ascensão dos líderes da “República de Curitiba” ao poder central.

Tanto Raquel Dodge quanto Dallagnol estão muito discretos em relação ao escândalo Flávio Bolsonaro.


O primeiro-filho sabe que o primeiro dos dois que tomar qualquer iniciativa contra ele, ainda que na forma de declaração, perderá a chance de comandar a PGR.

A república brasileira, nas mãos de Bolsonaro, já emite o mau cheiro da podridão.

Joaquim de Carvalho
No DCM



Queiroz devolveu R$ 16,8 mil após obter auxílio-educação irregular e responder a processo na Alerj


Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), recebeu irregularmente R$ 16,8 mil de auxílio-educação para uma das filhas, entre 2007 e 2011, quando trabalhava para o então deputado estadual. O montante foi recebido irregularmente por Queiroz como auxílio-educação da filha Nathália Melo de Queiroz. Ela, no entanto, não tinha direito ao benefício porque trabalhava — na Alerj, inclusive, e indicada pelo pai.

Queiroz teve de ressarcir o valor, com parcelas que foram pagas até 2015, após um inquérito concluído em 2012 na Assembleia. O documento foi obtido com exclusividade pelo G1.

O auxílio foi renovado – irregularmente – mesmo depois de devassa em benefícios concedidos pela Casa, em episódio conhecido como Bolsa Fraude, em 2008. Na época, todas as bolsas foram cortadas temporariamente. Para renová-la, o funcionário precisava assinar uma declaração de que estava ciente das regras. Queiroz assinou, mesmo sem cumpri-las. Esta irregularidade só foi descoberta em 2011.

No episódio do Bolsa Fraude, deputados chegaram a ser cassados por contratar funcionários-fantasma e embolsar o benefício. Nem Flávio nem Queiroz são citados naquela investigação.

O G1 entrou em contato com o advogado que defende Queiroz no caso do Coaf. À reportagem, ele informou que a Alerj também descontou valores indevidos do ex-assessor. Quanto à renovação irregular, o próprio Queiroz alegou “correria”.

(…)



Queiroz se escondeu em favela do Rio dominada pela milícia


A coluna de Lauro Jardim, no Globo, informa que no dia 7 de dezembro, um dia depois de o repórter Fabio Serapião, de “O Estado de S. Paulo”, ter revelado que Fabrício Queiroz tinha movimentado de forma atípica R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017, o ex-motorista tomou um chá de sumiço. A partir dali, surgiu a provocação do “cadê o Queiroz?”.

O texto continua: “No dia 20 de dezembro, foi para São Paulo para internar-se no Hospital Albert Einstein, a fim de iniciar seu tratamento de câncer. Beleza. E onde Queiroz se escondeu nessas quase duas semanas, uma vez que a partir dali desapareceu de sua modesta casa, numa viela da Taquara, na Zona Oeste do Rio de Janeiro?

Queiroz se abrigou numa casa na favela de Rio das Pedras, também na Zona Oeste. É a segunda maior favela da cidade e dominada da primeira à última rua pela milícia mais antiga do Rio de Janeiro”, conclui a publicação.
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Fake News aos italianos - Bolsonaro passa notícia falsa à emissora de TV da Itália


O presidente Jair Bolsonaro divulgou uma fake news que seus apoiadores vêm disseminando há bastante tempo. Tornou-se transparente, assim, a origem dessas acusações, uma vez que agora foram feitas diretamente pelo próprio presidente para um público internacional.

Em entrevista concedida a um programa de auditório da RAI, emissora italiana de TV, o presidente proferiu acusação falsa e ignomiosa, atribuindo a mim participação na VPR, organização de oposição à ditadura militar. Construiu a sua fala de modo a passar a ideia de que eu teria participado de ações violentas, em especial de uma que causou a morte de um soldado.

A verdade é que nunca fui integrante deste grupo, jamais participei de qualquer ação armada e não propus ou contribui para a morte de quem quer que seja.

Pertenci, na verdade, a outra organização política de oposição à ditadura, a VAR-Palmares.

O curioso é que os detalhes da minha atuação contra a ditadura militar no Brasil foram investigados e julgados pelos órgãos integrantes do aparato judicial-repressivo do regime militar, dos quais o então militar Bolsonaro foi próximo. Fui presa por três anos, fui torturada, e jamais me interrogaram ou julgaram por tais acusações, que agora, de forma irresponsável e injuriosa, me faz o presidente.

Meu nome também não é citado entre os militantes acusados de participarem da ação de São Paulo, no livro que trata do assunto, editado pelos próprios militares, após o fim da ditadura.

A ação específica a que Bolsonaro e seus apoiadores se referem ocorreu em São Paulo, em 26 de junho de 1968, período em que eu residia em Belo Horizonte e frequentava a Faculdade de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais. Não tinha o dom da ubiquidade, e ainda não tenho.

O presidente está apenas repetindo uma notícia falsa e insidiosa espalhada por seus apoiadores durante a campanha eleitoral, por meio de um vídeo comprovadamente forjado.

É a terceira vez que, por má-fé, essa mesma fake news é usada contra mim. A primeira foi em 2010, quando assumi a Presidência da República. A mentira foi divulgada por blogs fascistas. A segunda vez ocorreu na campanha eleitoral do ano passado, quando enormes somas de dinheiro foram gastas para espalhar notícias falsas contra os principais candidatos do PT, nas redes sociais. Agora, já na Presidência da República, Jair Bolsonaro repete aos telespectadores italianos informações falsas usadas para enganar o eleitor brasileiro.

É profundamente lamentável que um chefe de Estado venha a proceder dessa forma.

Dilma Rousseff
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O “Mito” acabou, seu Governo ainda não

As últimas notícias sobre a corrupção na família Bolsonaro, evidenciada em provas materiais, mostraram à opinião pública o que qualquer pessoa bem informada sobre política já sabia há muito tempo: o “Mito” nada mais é que um político do mais baixo clero, incompetente, mentalmente fronteiriço, sem ideias e projetos racionais para o país e que entrou na política para enriquecer e defender interesses paroquiais.

O rei está nu e o “Mito” acabou.

Bolsonaro nunca passou de um idiota útil, que chegou ao poder graças ao antipetismo e à mentalidade profundamente retrógrada propiciados pelo processo golpista e por um oportunista, hipócrita e seletivo combate à “corrupção”.

Bolsonaro ganhou às eleições graças a esse processo e a um festival de fake news financiado pelo grande capital, que viu nele a última esperança para derrotar o projeto de crescimento com distribuição de renda simbolizado pelo PT.

Junto com ele, chegou ao poder gente totalmente desqualificada, emergida das cloacas das redes sociais. Um somatório confuso e patético de quadros que acreditam na Terra plana, no criacionismo, no kit gay, na mamadeira de piroca e até mesmo em Trump compõe o núcleo ideológico e mais barulhento de um governo que não tem menor ideia para onde ir.

O somatório de um governo que se desdiz a todo tempo, que não sustenta decisões por 24 horas, que desautoriza o presidente todos os dias, que só vocaliza absurdos e que já soma denúncias comprovadas de corrupção resultou num processo galopante de progeria política.

Bolsonaro nasceu velho, decrépito. O “Mito” desfez-se e revelou uma realidade crua e abjeta.

Mas Bolsonaro não é o governo Bolsonaro.

Ao contrário de Lula, por exemplo, Bolsonaro não é uma liderança real, assentada em grandes lutas históricas e no respeito de seus pares. Nunca foi. Bolsonaro é apenas um front man, um produto artificial do antipetismo e das fake news. Uma espécie de Temer II.

Bolsonaro, o sabem todos, não tem condições de administrar nem um simples condomínio, quanto mais um país complexo com o Brasil.

Sua função ideal é assinar atos com sua caneta Bic e fazer gestos de “arminha” com um sorriso beócio.

Assim sendo, a crise gerada pelos comprovados atos de corrupção de sua família poderá ser contornada.

É imperativo que assim seja. As grandes forças nacionais e internacionais que apostaram tudo no golpe, na venda do Brasil e na implantação de um projeto ultraneoliberal no país não vão “largar o osso” e botar tudo a perder por causa de um deputado do baixo clero.

O cenário mais provável é que Flávio Bolsonaro seja jogado aos tubarões como forma de preservar o “Mito”. O Judiciário partidarizado e o pior Congresso eleito da história se encarregariam de blindá-lo por pelo menos 2 anos. Antes disso, seu eventual impeachment implicaria a realização de novas eleições, incógnita política que não interessa em absoluto aos reais donos do poder.

É claro que tudo isso cobrará preço para Bolsonaro e famiglia. O “Mito”, que, pelo que se observou, já não mandava muito, passará a não mandar nada. O poder real será exercido definitivamente pelo triunvirato Mourão-Guedes-Moro e pelos grupos de pressão que elegeram o sujeito que faz “arminha”. A famiglia vocal e barulhenta deverá ser silenciada e contida.

Bolsonaro tende a ser um lame duck (pato manco) precoce. Com tal reviravolta, é possível que o governo Bolsonaro se desfaça progressivamente de algumas figuras patéticas, como a do chanceler templário, que só causam desgaste interno e embaraços internacionais, comprometendo a governabilidade e os grandes interesses econômicos. Mourão já sinalizou tais mudanças.  Deverá ocorrer uma depuração política, que torne o governo algo minimamente consistente e coeso.

Nesse processo, poderá ocorrer também uma reacomodação de interesses com a parte rebelde da imprensa, que decidiu fazer jornalismo para tentar salvar não o Brasil, mas a si mesma.

Entretanto, o sucesso desse inevitável processo de rearranjo político e de blindagem do “Mito” dependerá estreitamente do desempenho da economia.

O golpismo submergiu o país na pior crise da sua história e há três anos promete a recuperação que não vem. Criou o problema e prometeu ser a solução que não surge.

Pelos cenários que se apresentam na economia internacional e em âmbito nacional, tal recuperação não virá. Teremos, no máximo, voos precários e transitórios de galinha, somados ao andar vacilante e sem rumo de um pato manco.

Abraham Lincoln teria dito que “pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo”.

Portanto, é provável que o próprio governo Bolsonaro demonstre, com o tempo, a sua verdade. Demonstre ter a mesma consistência intelectual, política e moral do oligofrênico que faz “arminha” e acredita na Terra plana e no neoliberalismo como modelo adequado para promover o desenvolvimento sustentado com distribuição de renda.

Bolsonaro e o governo Bolsonaro poderão ter o mesmo triste e precoce fim.

Marcelo Zero
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Paulo Guedes tentou ajudar Globo com investimento suspeito


Revelação foi feita por seu irmão Gustavo ao MPF. Bolsonaro não é inimigo da emissora?

Jair Bolsonaro está em guerra com a Globo desde a eleição. Privilegia concorrentes em entrevistas, prega novas práticas no mercado publicitário para empobrecer os cofres globais, concorda com seus apoiadores que taxam a emissora de degenerada por desrespeitar os “valores da família”. O que dirá o presidente se souber que Paulo Guedes, seu ministro da Economia, tentou salvar a Globo com um negócio suspeito feito com dinheiro de fundos de pensão?

A tentativa de salvamento foi revelada ao Ministério Público Federal (MPF) por um irmão do “posto Ipiranga”, Gustavo Guedes. Foi em um depoimento em 3 dezembro, em Brasília, perante o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, chefe da operação que desde 2016 faz uma devassa em fundos de pensão estatais, a Greenfield. CartaCapital obteve o depoimento.

“A Rede Globo de televisão foi procurada pelo Paulo Guedes, que falou assim: ‘Olha, todas as empresas de mídia do mundo estão quebrando, todas’”, contou Gustavo. “Você não vai poder mais cobrar quanto você cobra de assinatura, em coisas desse tipo. A tendência é isso custar zero, por causa da internet. E a família (Marinho) virou e falou: ‘Isso nós não queremos’”.

E assim começou a nascer o negócio suspeito. Gustavo depôs por ser sócio do irmão na empresa que concebeu esse negócio, a BR Investimentos.

O ministro é investigado desde outubro por crimes contra o sistema financeiro no uso de dinheiro de fundos de pensão estatais. Deveria depor dois dias após o irmão, mas ficou providencialmente doente (como o amigo e motorista do clã Bolsonaro, Fabricio Queiroz) e não apareceu.

São duas investigações diferentes. Uma delas mira um negócio específico feito por um fundo de investimento concebido por Guedes e sua BR Investimentos e montado por ele com verba de fundos de pensão a fim de apostar em negócios na área da educação, o FIP BR Educacional.

O FIP foi criado no fim de 2009. Era controlado pela empresa dos irmãos Guedes. Tinha como cotistas os principais fundos de pensão do País, como Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, Funcef (Caixa Econômica Federal), Petros (Petrobras) e Postalis (Correios).

O FIP fundo apostou numa companhia que não merecia, conforme um relatório da Previc, o órgão federal fiscalizador dos fundos de pensão. A companhia era a HMS. É aqui que surge a Globo, como CartaCapital revelou em dezembro. A aposta na HSM foi para ajudar a Globo, pelo que se vê no depoimento de Gustavo Guedes.

Foi na HSM onde primeiro botou dinheiro o FIP bolado por Paulo Guedes, embora o futuro da empresa fosse nebuloso e houvesse perspectiva real de encerrar as operações, segundo a Previc.

Ao nascer, o FIP tinha 75 milhões de reais de patrimônio líquido, dos quais 80% injetados por fundos de pensão. De cara, gastou 62,5 milhões de reais na compra de 99,99% da HSM.

A empresa tinha uma subsidiária, a HSM do Brasil, e esta era um pepino. De 2010 a 2012, informa o relatório da Previc, a HSM do Brasil acumulou prejuízos de 23 milhões de reais. Seu patrimônio líquido de 62 milhões baixou a 39 milhões.

O balanço de 2011 do FIP admitia que poderia haver problemas com a empresa na qual apostara. Destacava aos leitores que continha “um parágrafo de ênfase quanto à incerteza da continuidade das operações” da HSM.

Em 2012, o balanço da própria HSM mostrava um cenário pior. Sua divisão “HSM do Brasil” tinha dívidas de 16 milhões e patrimônio negativo de 9 milhões. “Essa situação”, segundo o balanço, “suscita dúvida substancial quanto à continuidade operacional” da HSM do Brasil.

Em março de 2013, o FIP criado por Guedes resolveu sair da HSM. Faria isso ao trocar ações que tinha nela por ações de uma outra companhia, a Gaec Educação, hoje em dia Ânima.

Como a Gaec era uma empresa fechada, sem ações na Bolsa, não havia um preço conhecido, fixado no mercado, para suas ações. Foi preciso contratar um laudo para calcular o valor delas. O preço foi definido em 570 reais por papel. Só que, um ano antes, em abril de 2012, o FIP tinha comprado ações da mesma Gaec e pago menos da metade do valor, 217 reais por unidade.

Tudo somado, o FIP, ou seja, os fundos de pensão de trabalhadores de estatais, tomou um prejuízo de 16 milhões de reais ao investir na HSM. Perdas aparentemente geradas porque Paulo Guedes quis ajudar os amigos.

A Globo havia entrada de sócia na HMS. Fez isso através da empresa Geo Eventos, uma sociedade entre ela e a RBS, sua retransmissora no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Recorde-se: na época do nascimento do FIP (2009) e do investimento do fundo na HSM (2010), Guedes era colunista da revista Época e do jornal O Globo, ambas publicações globais. Foi até meados de 2018, aliás.

A RBS também foi uma empresa que Guedes quis salvar através do fundo de investimento que concebeu e montou, o FIP BR Educacional, e da aposta financeira feita por este fundo na HSM. Outra revelação do irmão do ministro ao MPF.

“Nós procuramos vários investidores para falar, em tese, sobre educação”, disse Gustavo. Um dos “investidores que estavam presos em mídia”, aquela atividade que Paulo achava que não ia mais dar dinheiro por causa da internet, e que foi procurado foi a RBS. “A gente ainda não tinha fundo (FIP), não tinha ideia do que ia fazer.”

Parece que tinham ideia sim: ajudar os amigos. A família Sirotski, dona da RBS, era e é apoiadora do instituto Millenium, think tank direitista do qual Guedes é um dos fundadores.

Segundo Gustavo, ele e o irmão fizeram uma proposta à Globo e à RBS. “Tem aqui uma empresa chamada HSM, vocês dois podem vir, você vão agregar valor à companhia, porque você é o rei da transmissão (RBS), você é o rei da mídia (Globo) e nós somos o rei do conteúdo.”

E por que o negócio não deu certo? “As duas (Globo e RBS) brigaram”, afirmou Gustavo. “Elas não executaram o business plan da companhia e ao mesmo tempo estavam brigando.”

Devido à briga, o FIP resolveu sair da HSM, por meio daquela troca de ações com a Gaec. Uma transação com prejuízo estimado em 16 milhões de reais pela Previc.

O relatório da Previc que apontou o prejuízo era preliminar e recomendava aprofundar a análise sobre o negócio FIP-HSM. Uma auditoria foi aberta e não deverá demorar para terminar, Segundo conforme CartaCapital apurou.

Maus presságios à vista para o “posto Ipiranga” que prepara-se para ir a Davos vender o Brasil de Bolsonaro aos bilionários do mundo.

André Barrocal
No CartaCapital
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Venezuela: Comunicado da Força Armada Nacional Bolivariana


A Força Armada Nacional Bolivariana informa ao povo da Venezuela que no início da manhã de 21 de janeiro de 2019, aproximadamente às 02:50, um grupo reduzido de assaltantes vinculados ao comando da área número 43 da Guarda Nacional Bolivariana, traindo seu juramento de fidelidade à pátria e suas instituições, renderam o cap. Gerson Soto Martínez, comandante do posto de coordenação policial de Macarao, de onde se deslocaram em dois (02) veículos militares; irrompendo contra a sede do Destacamento de Segurança Urbana localizado em Petare, municipalidade de Sucre, subtraindo um lote de armas de guerra e sequestrando, sob ameaça de morte, dois (02) oficiais e dois (02) Guardas Nacionais do referido destacamento.

Os criminosos foram rendidos e capturados na sede da unidade especial de segurança Waraira Repano, em Cotiza, município libertador, também ligado à Guarda Nacional Bolivariana; para onde se haviam dirigido, encontrando firme resistência por parte dos oficiais e das tropas profissionais ali acantonadas. Deve ser destacado que, durante a detenção, recuperou-se o armamento roubado e agora estão sendo recolhidas informações do interesse das organizações de inteligência e do sistema de justiça militar. A estes fatos se aplicará todo o peso da lei.

A Força Armada Nacional Bolivariana rejeita categoricamente este tipo de ato, que com toda segurança é motivado por interesses escusos da extrema-direita e são contrários às regras mais elementares de disciplina militar, honra e das tradições de nossa instituição. Neste sentido, ratifica, ante a coletividade, que todas as suas unidades operacionais, dependências administrativas e institutos educacionais, funcionam em normalidade completa e absoluta. Nós também ratificamos nosso irrestrito apoio à Constituição e as leis da República.

“Chávez vive … A pátria segue”

“Independência e pátria socialista … Viveremos e venceremos”

Vladímir Padrino López
General em Chefe
Ministro do Poder Popular Para a Defesa
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A Globo no ringue: as causas, os atores e os desdobramentos


A população optou pela continuidade da guerra quando decidiu colocar Bolsonaro e Haddad no segundo turno. Quem tentou apelar ao bom senso virou suco.

A Globo vive um momento delicado e iniciou o ano empurrada para o ringue. Seu modelo de negócio é alvo do ataque das novas mídias. A Globoplay é uma tentativa desesperada de enfrentar gigantes como a Netflix.

Bolsonaro foi à guerra. Fez em 15 dias o que o PT não fez em 13 anos. O famoso "fica tranquilo que eu resolvo com o João (Roberto Marinho)", que Zé Dirceu pronunciava durante as reuniões do comitê de crise no Planalto, parece não fazer parte do cardápio do novo governo.

O Capitão abriu fogo. Para se comunicar usa os concorrentes Twitter, Record e SBT. Anunciou que irá reduzir os recursos para a mídia tradicional e que acabará com a famosa "bonificação por volume", mecanismo que faz a Globo engolir os recursos do mercado publicitário.

Pra completar, o Planalto articula a nova CNN Brasil para disputar o nicho da Globonews. Seus sócios são Edir Macedo e empresários amigos do clã.

É cedo para dizer qual será o desfecho desta batalha. Há espaço para um acordo? Não parece haver divergência no conteúdo do projeto. Bombeiros sempre aparecem quando fica claro que morrerão todos na guerra. Por enquanto, parecem medir forças.

Por isso é muito cedo também para decretar o fim do governo. Lembram do "Temer não dura seis meses"? A situação é delicada, não há dúvida. Mas quem está interessado de verdade na queda de Bolsonaro? Derrubá-lo para colocar quem no lugar? Com qual projeto?

Qualquer recém-nascido com mais de cinco quilos já compreendeu que Queiroz é o chefe de uma lavanderia. Não é só lavagem de salário de assessor. Pelo volume, tem coisa muito maior escondida. Especula-se que milicianos podem estar lavando suas "roupas" por ali também.

Uma declaração do respeitado Raul Jungmann, então ministro da segurança, passou estranhamente "batida" pela mídia. O pernambucano declarou que "políticos poderosos estão por trás da morte de Marielle". Vereadores são "políticos poderosos"? Munição estocada há de sobra. Se será usada é outro papo.

O destino de Bolsonaro nada tem a ver com a consistência das denuncias contra Flávio. O futuro está ligado à capacidade política do Planalto de pacificar o bloco de poder que, direta ou indiretamente, o fez subir a rampa. Não é absurdo acreditar em soberba e suicídio infantil. Mas a realpolitik pode acabar se impondo também.

Rodrigo Maia e Renan comemoram. As denúncias enfraquecem o governo e trazem o presidente para o mundo dos mortais. Colocam o parlamento no centro do jogo. O Senado terá a denúncia contra Flávio nas mãos. A Globo parou de atirar em Renan. Coincidência?

Moro vive seu inferno astral. Seu capital político ainda é enorme, mas nunca esteve tão ameaçado. Como virar o campeão da moralidade se não consegue ir ao supermercado sem ouvir “E o Queiroz?” Se a situação piorar viverá o dilema de abandonar o barco ou segurar as pontas agarrado à promessa de sua vaga no STF.

O núcleo militar acompanha preocupado. Sabe que parte do desgaste pode acabar na conta das instituições militares. O general Mourão está ali para qualquer “eventualidade”.

Paulo Guedes passa a ser o maior fiador do governo. O mercado está eufórico. A Bolsa virou uma festa rave. Se a reforma da previdência for aprovada tudo será esquecido. O que são alguns milhões do Queiroz perto do bilionário mercado de previdência privada?

Bolsonaro é apenas a mula que fez o capital financeiro chegar ao poder. Se o animal fraquejar na travessia, trocar de montaria é sempre uma opção, desde que não mude o rumo.

O campo progressista, dividido e isolado, continua como coadjuvante numa luta sem sentido pela liderança da derrota. A necessária Frente Ampla é um sonho distante.

O canhão da Globo continua poderoso. A luta pela sobrevivência desperta os instintos mais agressivos. O desfecho deste capítulo ditará o rumo dos próximos acontecimentos.

Haverá um acordo? Quem recuará? O campo conservador ficará observando a luta fratricida que pode colocar em risco seus interesses estratégicos? A única certeza é que a instabilidade continuará a ser o sobrenome do Brasil, por um longo tempo.

Ricardo Cappelli é secretário da representação do governo do Maranhão em Brasília e foi presidente da União Nacional dos Estudantes
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Enfrentar a Globo exige causa e causa Bolsonaro não tem


Enfrentar o poder da Rede Globo é a alternativa menos confortável para qualquer político ou governante no Brasil.

Mas este enfrentamento só será compreensível pela população e se transformar num movimento de opinião pública se nele houver causas essenciais para o país em jogo.

Qual é a divergência essencial entre as posições da Globo e as de Jair Bolsonaro?

Procurem na pauta econômica e é provável que nem uma sequer seja encontrada.

Não há, exceto nas questões de costumes, onde a Globo sempre adotou uma postura “moderna”, aliás essencial para seu mercado de publicidade e para sustentar um suposto “jornalismo com opinião” que passou a adotar desde o final dos anos 80, para “qualificar-se” politicamente, o que não era sua marca antes.

Aliás, não apenas não era sua marca, mas também sua “inveja” ante o velho Jornal do Brasil e o Estadão, até ali os “formadores de opinião”.

Este movimento empolgou também a Folha, tendo como marca a campanha das “Diretas Já”.

Portanto, o enfrentamento de Bolsonaro à Globo prendeu-se apenas a duas questões, para ele essenciais na campanha: a pauta “moral” e o elogio à ditadura que a Globo defendeu e, para adaptar-se aos novos tempos, renegou.

E, claro, à sua aliança com as correntes evangélicas fundamentalistas, pilar de sua campanha e donas de um apetite jamais disfarçado de controlarem as comunicações de massa no Brasil.

Essa é a “diferença que faz toda a diferença” ao se analisar o enfrentamento entre ambos ao menos até agora, porque não havendo conflito no essencial o armistício sempre é mais simples.

O que não quer dizer que esteja para acontecer, ao contrário: a queda de braço entre as entrevistas amestradas do bolsonarismo na Record e no SBT e a metralhadora de denúncias do Jornal Nacional é evidente e pende para este último no momento.

O dano principal, até agora, é o de ter tirado a desenvoltura do clã Bolsonaro nas redes sociais, seu “front” mais favorável.

Há ganhos, porém, e o principal é o de ter eclipsado a pauta econômico-social – justamente aquela que a ambos reúne – da ribalta do noticiário: a reforma da previdência e a venda de patrimônio nacional.

Maior que danos e vantagens, porém, é o perigo.

Porque escândalos, como se dizia antigamente das CPIs, todo mundo sabe como começam e ninguém pode prever como terminam.

Este, pelo visto, está muito longe de ter chegado ao fim e as notícias dos próximos dias o mostrarão.

No momento, o saldo é negativo para ambos: Bolsonaro perdeu apoio entre os que acreditam na Globo e a Globo perdeu apoio entre as hordas bolsonaristas.

É pela teia destas contradições que temos de saber escalar.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Os 26 mais ricos do mundo têm 50% da renda dos pobres!

Oxfam mostra no que dá o neolibelismo do Guedes e do FHC!


Do britânico Guardian:

As 26 pessoas mais ricas do mundo têm tanto quanto os 50% mais pobres, revela a Oxfam

A crescente concentração da riqueza mundial é o destaque de um novo relatório que mostra que os 26 bilionários mais ricos do mundo têm tantos bens quanto os 3,8 bilhões de pessoas que compõem a metade mais pobre da população do planeta.

Em seu comunicado anual, divulgado na abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos, a organização não-governamental Oxfam afirma que 2018 foi mais um ano que os ricos ficaram mais ricos e os pobres, ainda mais pobres.

Segundo a organização, o aumento do abismo entre ricos e pobres dificulta o combate à pobreza. De acordo com o relatório, um imposto sobre grandes fortunas de apenas 1% seria capaz de arrecadar cerca de U$ 418 bilhões ao ano - o suficiente para garantir toda criança na escola e fornecer serviços de saúde que poderiam prevenir três milhões de mortes por ano.

A Oxfam afirma que a riqueza de mais de 2.200 bilionários em todo o mundo cresceu U$ 900 bilhões em 2018 - ou U$ 2,5 bilhões ao dia. O aumento de 12% na riqueza dos mais ricos contrasta com a queda de 11% na renda da metade mais pobre da população mundial.

O resultado, conclui o relatório, é que o número de super-ricos que detém tanta riqueza quanto os 50% mais miseráveis do planeta caiu de 43 em 2017 para 26 no ano passado. Em 2016, o número era 61.

O relatório da Oxfam também aponta que:

• Nos dez anos desde o início da crise financeira, o número de bilionários praticamente dobrou.

• Entre 2017 e 2018, uma nova pessoa tornou-se bilionária a cada dois dias.

• A fortuna de Jeff Bezos, dono da Amazon.com e o homem mais rico do mundo, aumentou para U$ 112 bilhões. Apenas 1% disso seria o equivalente a toda a riqueza da Etiópia, um país de 105 milhões de habitantes.

• Na Grã-Bretanha, os 10% mais pobres pagam, proporcionalmente, mais impostos que os 10% mais ricos: 49% contra 34%.

O diretor de políticas da Oxfam, Matthew Spencer, afirma: "A enorme queda no número de pessoas vivendo na extrema pobreza é uma das maiores vitórias dos últimos 25 anos. Mas o aumento da desigualdade pode prejudicar esse avanço".

"A forma como a economia global é organizada faz com que a riqueza, cada vez mais, se concentre de forma injusta em uma pequena elite, enquanto milhões de pessoas sobrevivem de forma precária. Mulheres morrem por falta de cuidados médicos e crianças não têm acesso à educação, que poderia ser uma porta para sair da situação de miséria. Ninguém deveria ser condenado ao analfabetismo ou a uma morte precoce apenas por ter nascido pobre."

"Não precisa ser assim. Existe riqueza suficiente no mundo para prover chances justas para todos. Os governos devem agir para garantir que os impostos das grandes empresas e dos bilionários sejam utilizados para financiar serviços públicos gratuitos e de qualidade, que podem salvar e transformar vidas."

O relatório da Oxfam diz que muitos governos, na verdade, contribuem para aumentar a desigualdade de renda, ao não investir o suficiente em serviços públicos. Cerca de 262 milhões de crianças estão fora da escola em todo o mundo - muitas vezes, porque seus pais não têm como pagar por uniformes, material escolar ou outras taxas.

A Oxfam afirma que os governos precisam agir com mais vigor para financiar a saúde e educação - para isso, é necessário combater a evasão fiscal e garantir a cobrança justa de impostos, incluindo dos mais ricos e das grandes corporações que, de acordo com o relatório, muitas vezes pagam taxas desproporcionalmente baixas.

O economista francês Thomas Piketty já defendeu um imposto global sobre grandes fortunas. Segundo ele, seria uma medida necessária para frear o avanço da desigualdade em todo o mundo.

O Relatório Global de Desigualdade 2018, com o qual Piketty colaborou, mostrou que, entre 1980 e 2016, os 50% mais pobres da população mundial ganharam apenas 12 centavos de cada dólar do crescimento da renda global. Em comparação, os 1% mais ricos ganharam 27 centavos de cada dólar.

A Oxfam defende que, além de combater a desigualdade dentro de suas próprias fronteiras, os países mais ricos poderiam implantar impostos sobre grandes fortunas - e, assim, arrecadar os bilhões de dólares necessários para combater a extrema pobreza nos países mais pobres.

O crescimento acelerado da China ao longo das últimas quatro décadas foi responsável por boa parte da queda da extrema pobreza. Entretanto, dados do Banco Mundial mostram que a taxa de redução da pobreza caiu pela metade desde 2013. Na África Subsaariana, a extrema pobreza cresceu.

Segundo a Oxfam, a metodologia para mensurar o abismo entre ricos e pobres se baseou em dados de distribuição de riqueza fornecidos pelo Credit Suisse, entre junho de 2017 e junho de 2018. A riqueza dos bilionários foi calculada a partir do anuário de bilionários da Forbes, publicado em março de 2018.
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Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro processam Revista Fórum

"Bolsonaro e seus filhos têm que explicar o esquema Queiroz e o enriquecimento com compra e venda de imóveis. A Fórum não tem nada que explicar. Temos é que continuar fazendo jornalismo. E é o que faremos”, afirma Renato Rovai, editor da Fórum.


Na sexta-feira (18), a Fórum recebeu na sua sede um mandado de citação postal de um processo movido pelo atual presidente da República, Jair Bolsonaro, e por seu filho, o deputado federal, Eduardo Bolsonaro. A revista está sendo processada junto com o fotógrafo Luiz Araújo Marques, o Lula Marques. O motivo é a publicação feita por ele e publicada pela Fórum de uma conversa de Bolsonaro com Eduardo, em que num dado momento o pai diz que não vai visitar o filho na Papuda.

A ação movida pelo presidente da República e o deputado federal tem por objetivo uma indenização por “uso abusivo de imagem e violação de privacidade e conduta difamatória”.

“Na verdade essa é a forma que a família Bolsonaro encontrou para nos ameaçar e tentar nos intimidar, mas já aviso que isso não nos fará mudar em nada nossa linha editorial. Bolsonaro e seus filhos têm que explicar o esquema Queiroz e o enriquecimento com compra e venda de imóveis. A Fórum não tem nada que explicar. Temos é que continuar fazendo jornalismo. E é o que faremos”, afirma Renato Rovai, editor da Fórum.

O editor também disse que já conversou com os advogados da revista e com o fotógrafo Lula Marques. E que todos estão dispostos a enfrentar o processo denunciando a intimidação e o seu viés de censura inclusive internacionalmente.

“São dezenas de reportagens que já foram feitas e premiadas com fotos reportando conversas entre personagens políticos. Desde bilhetes a mensagens de celulares. O fato de eles estarem usando isso para nos processar mostra o quanto eles desprezam a liberdade de imprensa”, conclui Renato Rovai.
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Coaf não quebrou sigilo bancário, explicam juristas

Senador Flávio Bolsonaro questiona legalidade das informações obtidas para barrar investigação no caso Queiroz


O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) tem respaldo na lei e jurisprudência para compartilhar com o Ministério Público dados, incluindo nomes e valores, sobre movimentações financeiras suspeitas de pessoas que atuam na esfera da administração pública. 

O jornalista Mario Cesar Carvalho, da Folha de S.Paulo, conversou com alguns juristas e buscou casos em que o Coaf atuou de forma semelhante. A ação foi chamada de ilegal pelo senador eleito, Flávio Bolsonaro. Na semana passada, o filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) pediu para o STF (Supremo Tribunal Federal) suspender as investigações sobre movimentações atípicas em seu gabinete, envolvendo o ex-motoristas Fabrício Queiroz, justificando que os dados só poderia ser obtidos com autorização judicial.

Em 2017, o Coaf e o Ministério Público reagiram da mesma forma para obter e trocar dados sobre a suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o jogador de futebol, Iago. Na ocasião o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) decidiu que “o mero fato de o Ministério Público ter efetuado solicitação de manifestação do Coaf sobre eventuais irregularidades nas movimentações financeiras de pessoa investigada, por si só, não constitui, necessariamente, risco de obtenção de informações protegidas por sigilo fiscal e, portanto, independente de prévia autorização judicial”. 

Nesse mesmo caso, o Ministério Público explicou porque a troca de informações com o Coaf não se configurava como mera quebra de sigilo: “A consulta ao Coaf não guarda qualquer relação com o sigilo bancário ou financeiro, pois através dela não se obtém extratos de instituições financeiras, informações que permanecem preservadas sem serem violadas, obtendo-se exclusivamente informação pertinente à inteligência financeira”.

A professora de direito da Fundação Getúlio Vargas, Heloisa Estellita, completou ao jornal que a "lei autoriza o Coaf a compartilhar as informações suspeitas com o Ministério Público", completando sobre o caso Bolsonaro: "Não há violação de sigilo aí". 

Apesar de ter sido criado em 1998, junto com a lei de lavagem de dinheiro, o Coaf passou a ter poder de incluir nos relatórios nomes e movimentações suspeitas, em 2001, após o Congresso aprovar uma emenda à lei de lavagem. Dali em diante, prevaleceu o entendimento de que Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários e Coaf podiam trocar informações de pessoas da esfera da administração pública sem passar por um juiz. Para ler a matéria da Folha na íntegra, clique aqui.

No GGN
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Boris Casoy mostrou na entrevista com Flávio Bolsonaro que continua mestre na arte de puxar o saco

Casoy na esquerda, na foto

Senador Flávio Bolsonaro questiona legalidade das informações obtidas para barrar investigação no caso Queiroz

Com uma ou outra exceção, as perguntas e respostas das entrevistas de Flávio Bolsonaro à Record e à RedeTV na noite de domingo foram as mesmas.

Boris Casoy, em particular, brilhou com um talento irrepreensível de sicofanta na emissora de Marcelo de Carvalho.

Carvalho é o sujeito que gravou uma live em dezembro com Luciano Hang, da Havan, declarando apoio ao Jair.

“Eu tenho muito orgulho de estar engajado”, disse. “Desde 2010 ele frequenta os programas da RedeTV!. Eu o considero um amigo”.

Boris, por tabela, também considera os Bolsonaros amigos e assim os trata.

Ele saiu do script acertado previamente em duas ocasiões e em ambas foi patético.

Abriu o bate papo com uma levantada de bola espetacular, caprichando no beicinho.

“Queria saber se o senhor se sente perseguido. O que move as pessoas que estão vazando esse noticiário? Por que está indo a público”, quis saber. 

Em outras palavras: por que essa massa de informação que cheira a trambique não ficou escondida, mano?

Flávio pôde desfilar suas alegações estapafúrdias para os 48 depósitos de R$ 2 mil sem erguer uma sobrancelha do interlocutor.

Ao final, outra cortesia da casa: “Como o cidadão Flávio Bolsonaro está encarando toda essa questão? O ser humano, como é que se sente?”

Faltou completar: “Sinta-se abraçado, Flavinho”.

O programa satisfez a curiosidade dos telespectadores que se questionavam se Boris Casoy ainda estava vivo.

Continua morto.


Marcelo de Carvalho, chefe de Boris, no programa do Raul Gil
Foto: Divulgação

Kiko Nogueira
No DCM


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Globo acusa Record de cumplicidade com esquema Bolsonaro - assista


Um fato raro, quase inédito: a Globo partiu para o confronto público com a Rede Record do bispo Edir Macedo. O governo Bolsonaro está no centro da ofensiva da emissora dos Marinho contra a concorrente. Enquanto a Globo distancia-se cada vez mais do governo de extrema-direita, a Recoro (ao lado do SBT) tornaram-se as emissoras extraoficiais do novo regime. O jornalista Maurício Stycer, um dos maiores especialistas em TV do país, apontou em seu blog: "Fato muito incomum, neste domingo (20) a Globo fez uma crítica pública ao jornalismo praticado pela concorrente Record. Deu-se durante o 'Fantástico' e fez menção a uma entrevista exibida minutos antes por seu concorrente direto, o 'Domingo Espetacular'".

Os apresentadores do "Fantástico", Ana Paula Araújo e Tadeu Schmidt, resumiram em 60 segundos o conteúdo das respostas dadas por Flávio Bolsonaro à Record.

Em seguida, anotou Stycer em seu blog, Ana Paula detonou o programa concorrente. Com ironia, registrou que o senador eleito não respondeu a uma questão essencial por que não foi questionado a respeito:



"Ao senador, não foi perguntado, e por isso ele não respondeu, por que optou por 48 depósitos de R$ 2 mil com diferença de minutos em cada operação em vez de depositar o total que recebeu em espécie de uma só vez na agência bancária onde tem conta. Também não foi questionado por que preferiu receber parte do pagamento da venda em dinheiro e não em cheque administrativo ou transferência bancária".

Uma critica desse gênero na Globo não seria veiculada sem autorização expressa da cúpula da emissora e sem a concordância dos Marinho. A guerra cada vez mais aberta entre a Globo e o clã e governo Bolsonaro começa a se tornar também uma guerra que está demolindo a unidade que a mídia conservadora construiu nos últimos anos ao redor da perseguição ao PT. De um lado, Globo e Folha começam a ter uma postura crítica e de oposição cada dia mais agressiva a Bolsonaro. Do outro lado, com Record e SBT à frente, Rede TV, Band e Jovem Pan têm alinhamento integral ao novo regime -com o provável reforço em breve da versão brasileira da rede norte-americana CNN. O conservador O Estado de S.Paulo tem oscilado entre os dois grupos. 

No novo cenário, a Globo e a Folha assumem, em determinados momentos, aspectos da narrativa das mídias independentes do país, como o 247, Fórum, DCM, Brasil de Fato, RBA, ContextoLivre entre outros.
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Depois das explicações confusas que deu à Record e RedeTV, Flávio Bolsonaro se afundou um pouco mais na lama

Ele
Se a situação de Flávio Bolsonaro já era complicada, depois da entrevista esta noite para a TV Record ela se tornou insustentável.

Só pessoas com déficit de inteligência podem acreditar na história que ele contou para justificar depósitos fracionados que totalizaram R$ 96 mil reais em sua conta, no período de um mês, entre junho e julho de 1997.

Certos momentos da entrevista foram incompreensíveis, e o repórter, Lúcio Sturm, visivelmente não tinha autonomia para fazer os questionamentos pertinentes.

Carlos Bolsonaro, ao que parece, usou a entrevista como uma tentativa de conter o escândalo. E se o propósito era falar sem ser contestado, estava no lugar certo.

A Record é uma empresa amiga de Jair Bolsonaro, como tem demonstrado desde a campanha eleitoral. 

Mais tarde, o senador eleito apareceu na Rede TV, para uma entrevista ao jornalista Boris Casoy, em que também não esclareceu nada.

Mas aí o tom foi outro, provocado pelo entrevistador. Flávio Bolsonaro tentou ir para o ataque, uma tática comum de Jair Bolsonaro. Emparedado, ele ataca, para não ter de dar explicação.

Logo na primeira pergunta, Boris quis saber: “Nesta história toda que está nas primeiras páginas dos jornais e nos noticiários de TV e rádio, o senhor se sente perseguido? O que move as pessoas que estão vazando ou estão levando este noticiário a público?”.

Bola levantada, Carlos Bolsonaro cortou:

“Eu não tenho mais dúvida de que é um grande processo de ataques a mim, de perseguição a mim, e o alvo não sou apenas eu. Também é o presidente da república”, respondeu.

Tanto em uma entrevista quanto em outra, Flávio Bolsonaro exibia um papel que dizia ser o contrato de compra ou de venda de um apartamento.

Ele mostrava, mas não permitia que os jornalistas lessem. “Vou apresentar no foro adequado, para as autoridades competentes, com todo o respeito pela imprensa”, disse.

Flávio teve a oportunidade de fazer isso no dia 10 de janeiro, quando foi convidado para prestar esclarecimentos na investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro que tem como alvo o ex-assessor dele, Fabrício Queiroz.

Não foi.

Nas duas entrevistas de Flávio, não houve nada de substancial, detalhado, consistente, embora ele dissesse que estava ali para resgatar a verdade.

Mas qual é a verdade?

Segundo ele, tempos atrás comprou um apartamento e depois fez um financiamento de R$ 1 milhão junto à Caixa Econômica Federal para pagar o restante do imóvel.

Ele disse que isso explica o pagamento do título sem beneficiário identificado pelo Coaf no valor de R$ 1 milhão.

Mais tarde, esse apartamento teria sido vendido por R$ 2,4 milhões. E parte desse pagamento foi feito em dinheiro, o que justificaria o depósito de R$ 96 mil em sua conta.

Mas por que o dinheiro era depositado de forma fracionada, em valores de R$ 2 mil? “É porque o limite para você fazer depósito no caixa eletrônico, aquele papelzinho, são R$ 2 mil reais”, disse.

“Não tem mistério nenhum”, acrescentou.

Como não tem?

Numa época em que transferências podem ser feitas pelo celular, não é comum depósitos em dinheiro no banco, a não ser que ele fosse dono de empresa de ônibus ou tivesse praça de pedágio.

“Eu sou empresário”, disse, sem citar que tem uma representação de uma empresa de chocolate num shopping da Barra da Tijuca, onde também não há tanta transação em dinheiro vivo.

“O que eu ganho na minha empresa é muito mais do que eu ganho como deputado. Eu não vivo só do salário de deputado e, além disso, está aqui a origem: alguma coisa que eu vou mostrar, mas eu peço reserva, porque vou apresentar, no momento oportuno, para as autoridades, que é a escritura do apartamento que eu vendi. Sabe qual foi o valor do apartamento que eu vendi? Dois milhões e quatrocentos mil reais. Esse apartamento foi comprado, pago direitinho”, respondeu.

Este seria o álibi para justificar essa forma atípica, peculiar, de lidar com o dinheiro. Ele teria recebido parte do pagamento pela venda do apartamento em dinheiro vivo.

O caixa eletrônico onde foram feitos os depósitos fracionados fica na agência do Banco Itaú, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, centro da cidade, uns 15 quilômetros de distância da Barra.

Ainda que ele optasse por fazer o depósito numa agência distante de seu negócio e em sua conta de pessoa física, não precisava usar o caixa eletrônico.

Bastaria a ele ou a quem fez o depósito caminhar alguns passos mais e ir até o caixa físico, e fazer o depósito no valor total, sem precisar preencher uma série de envelopes.

O problema, porém, é que depósitos vultosos em dinheiro devem ser acompanhados do preenchimento de um formulário para explicar a origem dos recursos.

É uma norma do Banco Central. Já em relação a depósitos fracionados no caixa eletrônico, não há necessidade de preencher formulário algum.

Sergio Moro, quando era juiz, escreveu um livro — Crime de Lavagem de Dinheiro — em que explica que fracionar depósitos ou saques é indício de prática de crime financeiro, já que quem faz isso está tentando se eximir da exigência de comunicação ao Coaf.

No caso concreto de Flávio Bolsonaro, filho do presidente a que Moro serve como ministro da Justiça, houve dias em que foram feitos vários depósitos no caixa eletrônico, alguns com diferença de minutos entre um e outro.

Quando o repórter perguntou, com muito tato, se aquele dinheiro era fruto da chamada rachadinha, ou seja, a devolução de parte do salário dos servidores nomeados por ele no gabinete — mas pagos com dinheiro público —, Flávio demonstrou indignação.

“No meu gabinete, não. E se eu soubesse que tinha alguém cometendo isso, era o primeiro a denunciar e mandar prender, porque todo mundo sabe, quem me conhece, quem me acompanha, que não tem sacanagem comigo”, respondeu.

Sobre o pedido de suspensão da investigação pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e a anulação de provas, Flávio Bolsonaro também deu uma explicação confusa.

Ele disse que não quer foro privilegiado, mas quer saber a que órgão deve prestar esclarecimentos.

Se ele nada deve, como diz, por que escolher o lugar que irá investigá-lo?

“É que estão fazendo sacanagem comigo”, afirmou.

Flávio insinuou que os membros do Ministério Público que o investigam são simpatizantes do PT e citou como indícios de prova fotografias que circulam pela internet, que mostrariam os responsáveis pela investigação com camiseta “Sou contra o golpe”.

O senador eleito se mantém, com essa tática, dentro do universo em que se elegeu: não importam os fatos, mas a versão.

Ele tenta desqualificar quem o investiga para escapar da investigação. E por que anular as provas, como pediu ao STF?

Segundo ele, é porque divulgaram sigilo bancário dele sem ordem judicial. Uma correção: relatório do Coaf não representa quebra de sigilo.

Ainda assim, se Flávio está convicto de que é tudo armação, deveria ser o primeiro a desejar prestar esclarecimentos detalhados.

Não fez isso ao Ministério Público, nem nas entrevistas, e parece apostar suas fichas numa solução política para a encrenca em que está metido.

Para isso, precisava dizer alguma coisa em público — daí as entrevistas —, ainda que suas palavras careçam de verossimilhança.

Para quem quer acreditar, qualquer palavra serve.

Quando se fala em quantias expressivas, eempre é bom lembrar que, trinta anos atrás, quando seu pai era capitão do Exército e se elegeu pela primeira vez e assumiu uma cadeira na Câmara Municipal do Rio, Jair Bolsonaro tinha poucos bens declarados, um Fiat Panorama e uma moto, patrimônio que valia cerca de 10 mil reais.

Hoje, o patrimônio declarado dele e dos filhos políticos está em torno de R$ 15 milhões. Patrimônio declarado, frise-se.

E Flávio diz que sua principal fonte de renda nem é o salário de deputado.

Ao encerrar a entrevista, Boris Casoy apertou a mão de Flávio e desejou a ele boa sorte.

Ele vai precisar.

Está na cara que o MP do Rio só mostrou a ponta do iceberg.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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A queda moral dos bolsonaristas


O escândalo que envolve Flávio Bolsonaro e a própria família do presidente da República vem se revelando bem mais grave do que parecia no início: suspeita de lavagem de dinheiro, de corrupção e até de envolvimento com as milícias. Este escândalo tem um grande alcance na disputa política em geral e na disputa pelo poder. Ele representa a queda moral dos bolsonaristas, pois eles eram os detentores quase exclusivos do discurso moral, condição que lhes dava grande vantagem estratégica já que os mantinha na ofensiva retórica e embretava seus adversários, principalmente o PT, numa já prolongada defensiva.

Se a queda moral dos bolsonaristas ainda não representa uma reversão das posições ofensiva/defensiva na relação com o PT e o campo progressista, ao menos, no momento, equilibra um pouco mais o jogo nas escaramuças e do fogo cruzado da política entre governistas e oposicionistas. O desfecho da luta pela ocupação da posição ofensiva vai depender do desdobramento da crise, das ações do governo, das ações da oposição e da virtude e capacidade dos líderes em conduzir as batalhas.

É importante observar que nenhuma força que detém o poder conseguirá mantê-lo se estiver numa longa defensiva moral. Da mesma forma, nenhuma força de fora do poder conseguirá vitórias significativas se estiver na defensiva moral. Na política brasileira recente sobram exemplos para ilustrar essas situações. Mesmo no campo militar, a defensiva moral é coveira de forças poderosas. Basta lembrar o exemplo dos Estados Unidos no Vietnã: lutavam uma guerra injusta que os colocou na defensiva moral junto à opinião pública interna e internacional, fator decisivo na sua derrota e retirada dos americanos. Ocorre que a defensiva moral erode a autoridade, a legitimidade, a confiança e o ânimo de quem a carrega, por mais meios de poder que detenha.

A moralidade, assim como a perversidade e o egoísmo, é uma potência inerente à natureza humana. Sua aspiração torna-se mais forte à medida em que as sociedades se humanizam e se civilizam, afirmam direitos, justiça, igualdade e liberdade. A exigência de conduta moral tornou-se um paradigma do republicanismo clássico por entender que o Estado deve ser res publica. E daí vem o forte repúdio às práticas de corrupção.

A exigência de moralidade na vida pública, no entanto, não está isenta de problemas. Ocorre que o discurso moral pode ser manipulado e tornar-se moralismo. O moralismo  pode ser entendido como aquela atitude que se empenha em moralizar todas as coisas e situações sem expressar uma compreensão sobre as quais o moralismo se manifesta. Assim, o moralismo se esvazia de conteúdo e se torna uma mera retórica incitadora de valores igualmente vazios. Veja-se, como ilustração, a fórmula “O Brasil acima de todos e Deus acima de tudo”. O que significa isto? Nada! Trata-se de um mero formalismo, carente de qualquer conteúdo, de qualquer significado real.

Ocorre que o moralismo vem imbricado com uma aspiração justa: o combate à corrupção, embora o moralismo seja incapaz de combate-la, pois esta requer leis pertinentes de punibilidade, a certeza de sua aplicabilidade e mecanismos de controles públicos e sociais do poder. Ademais, o moralismo vem carregado com as ideias de purificação, de pureza e de limpeza, mesmo que esta seja feita pelos instrumentos demoníacos da violência. O moralismo político, por ser um ardil na busca do poder ou de sua manutenção, sugere a violação da Constituição e das leis em nome da pureza. Ele contamina a decisão judicial, pois os juízes emitem sentenças, não a partir da Constituição, das leis e da técnica jurídica, mas a partir de sua vontade moral. Contamina as políticas públicas, pois estas também são moldadas a partir dos valores morais dos agentes públicos e políticos e não a partir das necessidades e dos direitos sociais dos cidadãos. Contamina também a elaboração legislativa, pois a carga moral conservadora privilegia grupos específicos e bloqueia direitos civis e políticas sociais necessárias.

O moralismo, em nome de valores genéricos e vazios, escamoteia os que são os verdadeiros injustos e os injustiçados e disfarça a injustiça real assentada na desigualdade, pois a sua clivagem é entre os puros e os impuros. O moralismo é uma forma de autoritarismo e pode generalizá-la, pois, em nome dos valores morais, a alteridade é negada e pretende-se construir a nação como  um lugar exclusivo para os iguais iniciados na comunidade dos puros. Em regra, os moralistas são hipócritas já que não praticam o pregam e usam o próprio moralismo não para uma melhora moral da sociedade, mas para conquistar e manter o poder. Não há um conteúdo moral no moralismo, mas mero uso instrumental.

Note-se que quase todos os políticos que foram às ruas exigir moralidade pública e o impeachment de Dilma se revelaram como moralistas sem moral, pois eram corruptos juramentados. O sistema, corrupto que era de fato, entrou em colapso, mas não foi superado. Valendo-se dessa situação, Bolsonaro apresentou-se como o último baluarte da moral e como o candidato antissistema. Sem que se completassem ainda 30 dias de governo, esse baluarte ruiu e mergulhou nas profundezas apodrecidas do sistema. A família Bolsonaro emergiu desse lodo como uma família de moralistas sem moral. Com isso, Bolsonaro perdeu a pureza e a condição de ser o eleito de Deus, por revelar-se um pecador.

Há que se notar que o discurso moralista tem uma grande capacidade persuasiva e de convencimento nos momentos das disputas, pois ele se isenta de fornecer explicações racionais. Este poder persuasivo aumenta se a sociedade está desesperançada, mergulhada na crise e nas vicissitudes do desemprego e da pobreza. Todo o mal é atribuído à corrupção que, de fato, é um mal, mas não o único e talvez nem o mais importante. Já o moralismo instalado no poder é um instrumento frágil de sua manutenção, pois o elemento mais valioso da manutenção do poder são os resultados proporcionados pelo governante em benefício dos governados. Quando os governados se sentem enganados, a sua cobrança por resultados será mais incisiva e o  repúdio ao governo fracassado será ainda mais contundente. Este agora é o grande risco de Bolsonaro que poderá ver sua lua de mel com os eleitores drasticamente reduzida.

O equacionamento da crise Queiroz-Bolsonaro não é fácil. A solução mais radical seria a renúncia de Flávio ao mandato de senador. O presidente Jair Bolsonaro, claro, não pode ser imputado pelos elementos do escândalo, mas pode ser investigado, o que o enfraquecerá politicamente. Se a crise se agravar, poderá ocorrer um aumento da tutela dos militares sobre o presidente. Se se tornar incontrolável, no limite, poderá ser pressionado a renunciar. Mas a hipótese mais provável é que ele permaneça na presidência sob forte tutela dos generais de seu governo.

Bolsonaro, seus filhos e os bolsonaristas não poderão mais atacar Lula, a esquerda, o PT, o PSol e os movimentos sociais com a mesma desenvoltura que vinham atacando. As oposições agora também estão municiadas para o fogo cruzado. O Ministério Público, o Judiciário e Sérgio Moro foram postos contra a parede pela crise. Ou darão respostas claras e convincentes à sociedade ou a máscara enganosa de sua imparcialidade será rasgada para revelar rostos acabrunhados ou desavergonhados da cumplicidade com a corrupção e com o crime.

A crise Queiroz-Bolsonaro é a continuidade da crise anterior, é a crise de um sistema falido que não quer morrer. É a crise da incapacidade das forças políticas em reformar o sistema. É a crise da falta de lideranças virtuosas e corajosas. O que se tem são políticos acostumados à política miúda, aos conchavos, à manutenção de uma ordem institucional ineficiente que esmaga os direitos dos cidadãos. É a crise da manutenção dos privilégios inescrupulosos e criminosos que condenam o futuro da juventude e do país.

O escândalo Queiroz-Bolsonaro desfez o mito do justiceiro da pureza e fechou o caminho aos bolsonaristas em sua caminhada rumo à comunidade dos bem-aventurados. Agora eles precisam caminhar na estrada dos malditos junto com gente pecadora do PT, do PSol, do MDB, do PSDB etc. É neste jogo brutal dos interesses e das

necessidades que os bolsonaristas terão que se ater. Sem o manto da pureza, terão que se revelar quem realmente são. E se o governo não for capaz de dar respostas às dramáticas necessidades sociais, a onda bolsonarista  poderá se espatifar nas mãos de um povo irado, pois o povo não perdoa moralistas sem moral.

Aldo Fornazieri, professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP)
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Antes de julgar, pergunte a si mesmo: e se fosse comigo?


Julgam as palavras, o silêncio, a presença e a ausência. Julgam o que se faz e o que não é feito. Julgam tudo, sem se importarem com os sentimentos de ninguém. Eis o perigo: não se importar.

Já virou lugar-comum falar sobre a urgente necessidade da empatia nos dias atuais. Porém, ainda que muito se discuta sobre isso, é raro o exercício de se colocar no lugar do outro, de tentar sentir as dores alheias, de buscar o entendimento daquilo que não faz parte da própria vida. Esse desprendimento de si mesmo pode ser doloroso, por isso poucos se dispõem a enfrentá-lo.

Muitas pessoas parecem ter muito a esconder ou de que se envergonhar e, para tirar a atenção sobre elas mesmas, vivem apontando supostas falhas alheias, medindo o comportamento de qualquer um com as medidas de uma régua que elas mesmas inventaram. Julgam as roupas, os penteados, as maneiras. Julgam as palavras, o silêncio, a presença e a ausência. Julgam o que se faz e o que não é feito. Julgam tudo, sem se importarem com os sentimentos de ninguém. Eis o perigo: não se importar.

A melhor maneira de fugirmos a essa prática nociva de questionar e menosprezar tudo o que está fora de nós, consiste em tentarmos analisar o que nós faríamos se estivéssemos na situação daqueles a quem tanto criticamos. Existem momentos em que existe uma única forma de agir, mesmo que ela não seja bem vista por quem assiste lá de fora do redemoinho. Porque ninguém tem nada a ver com a dor que só você e ninguém mais sentiu. Fácil ficar condenando, do alto do próprio conforto, o desconforto dolorido do outro.

E aquela história de “não estou nem aí para o que os outros pensam” pode dar certo muito bem na teoria, mas, na prática, não é bem assim que funciona. Infelizmente, acabamos nos importando, sim, com as opiniões alheias, principalmente das pessoas de quem gostamos, uma vez que dói sermos incompreendidos, dói quando menosprezam a nossa dor e determinam como devemos agir, bem quando estamos passando por tempestades colossais sobre nossas cabeças.

Quem não tiver a capacidade de se colocar no lugar do outro nunca conseguirá perceber que teria agido da mesma forma daquele que condena, caso estivesse naquela mesma situação. E, mesmo que se discorde do que se vê, a empatia nos torna mais sensíveis às dores alheias, evitando que se crucifique quem apenas precisa de compreensão, de ajuda, de acolhimento, de um abraço. A empatia dói, por isso é tão rara.

Prof. Marcel Camargo
No Fãs da Psicanálise
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O colapso do Bolsonaro, os militares e a ilegitimidade do regime


Em “Era bolsonarista pode terminar antes de começar”, de 10/12/2018 [ler aqui], dissemos que “Escândalos, incompetências e riscos ao país são motivos que alimentam as conjecturas sobre o encurtamento do prazo de validade do Bolsonaro”.

Concluímos o artigo sustentando que “A era bolsonarista poderá acabar antes de iniciar. O general Mourão já admitiu que, ‘na hipótese de anarquia, pode haver autogolpe do presidente com apoio das FFAA’”.

O que no início de dezembro passado era uma hipótese plausível afigura-se como uma tendência realista, decorridos 40 dias. Doravante, pelo tempo que os militares decidirem manter Bolsonaro no cargo, ele será um zumbi político sem autoridade política e institucional.

A descoberta das falcatruas da família na política e no submundo miliciano do Rio de Janeiro ganharam força inercial, e os Bolsonaro já não conseguem deter a exposição dos escândalos nos quais, suspeita-se, estejam implicados.

Moro, Deltan e a Lava Jato, apesar da larga expertise em vazamentos seletivos contra os inimigos e na contenção de vazamentos prejudiciais aos amigos, já não conseguem abafar as ilicitudes do clã, mesmo que o super-ministro da Justiça tenha o COAF sob seu controle e mantenha articulações orgânicas com setores bolsonarizados do judiciário, do MP, da PF e da mídia.

No “Xadrez do fim do governo Bolsonaro”, o jornalista Luis Nassif oferece um panorama dos negócios dos Bolsonaro, a associação deles com esquemas escabrosos do RJ e com outros escândalos que poderão ser revelados em investigações sérias e independentes e que têm enorme potencial de abreviar a vida do governo [ler aqui].

O Globo detonou uma bomba que não poderia ser mais aterradora para os Bolsonaro: revelou dados do COAF que mostram que Queiroz movimentou atipicamente não “apenas” R$ 1,2 milhão em 1 ano, mas R$ 7 milhões em 3 anos em transações típicas de lavagem de dinheiro [ler aqui].

Queiroz integra o círculo íntimo da família há quase 3 décadas, o que indica que o montante de dinheiro ilícito transacionado e os ilícitos cometidos em todo esse período deve ser muito maior, realidade que poderá reverberar ainda mais o escândalo.

A bajulação de Luiz Fux, o vice-presidente do STF que fabricou uma decisão teratológica e sob medida para safar o filho presidencial Flávio, acabou produzindo o efeito contrário, exponenciando a desmoralização da família presidencial e dele próprio, Fux.

Afora o escândalo familiar, em 3 semanas o governo revelou-se uma usina de absurdos, desatinos, incompetências e atrapalhações protagonizadas pelos ministros civis. Damares, Ricardo Salles, Vélez Rodriguez, Onyx, Ernesto Araújo etc [ler aqui] propiciaram momentos não menos que ridículos, para não dizer escatológicos.

Dos ministros civis responsáveis pelas áreas governamentais mais relevantes, por enquanto Teresa Cristina, Sérgio Moro e Paulo Guedes não caíram na fritura militar. Por sinal, as áreas mais estratégicas.

A colonização do governo por militares – 45 oficiais de altas patentes ocupam ministérios centrais e funções-chave de 21 áreas – é sintoma do poder de mando e da influência técnica, gerencial, política e ideológica das Forças Armadas no aparelho de Estado.

Os militares conhecem as imensas debilidades do Bolsonaro, e têm consciência dos limites do governo. Por isso assumiram a gestão de áreas prioritárias para preservar a imagem pública das FFAA diante dos riscos de colapso governamental.

É sintomático que generais se reúnam mais com empresários, representações sociais, agentes políticos, embaixadores de outros países e representantes de organismos internacionais – ou seja, que governem de fato – que os ministros das Pastas aos quais corresponderia cumprir agendas específicas.

O silêncio e a discrição dos militares ante o caos instalado não significa indiferença ou desatenção, mas observação e acompanhamento atento da conjuntura.

Embora sejam os maiores fiadores do Bolsonaro, os militares agem como árbitros, não como parte da crise. Eles não hesitarão, por isso, em assumir as rédeas do jogo para deter o desastre político, econômico e institucional derivado do colapso do governo.

O impeachment seria um remédio prescrito na Constituição, mas isso não garante que possa ser a primeira escolha do regime de exceção.

O vice-presidente general Mourão, por exemplo, em setembro de 2017 defendeu que

ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso [a intervenção militar]. […]. Se [os Poderes constitucionais] não conseguirem, né, chegará a hora que nós teremos que impor uma solução. E essa imposição ela não será fácil, ele trará problemas, podem ter certeza disso aí” [ler aqui].

Já no período eleitoral, em setembro de 2018, em entrevista na Globo News [ler aqui], Mourão explicitou defender um “autogolpe”, se “necessário” para conter a “anarquia”:
Mourão: As Forças Armadas têm responsabilidade de garantir que o país se mantenha em funcionamento. Cruzamos os braços e deixamos que o país afunde?

Cristiana: A política não tem como mediar isso?

Mourão: Se a política não estivesse mediando. Olha a situação que eu estou colocando, Cristiana, é o momento em que a anarquia toma conta do país. Não está acontecendo.

Cristiana: Mas em qualquer hipótese, uma intervenção é …

Merval: Quem é que vai decidir que a situação está de anarquia nesse limite que o senhor está colocando?

Mourão: Para isso que existe comandante, né? O comandante teria que decidir, não seria a iniciativa…

Merval: Mas o comandante quem? O presidente da República?

Mourão: O próprio presidente é o comandante-chefe das Forças Armadas, ele pode decidir isso. Ele pode decidir empregar as Forças Armadas. Aí você pode dizer: ‘mas isso é um autogolpe’.

Merval: É, é um autogolpe.

Mourão: É um autogolpe, você pode dizer isso.

Cristiana: Mas o congresso que tem que decidir…

Mourão: É um autogolpe também.

Merval: O senhor admite a possibilidade teórica de haver um autogolpe?

Mourão: Já houve em outros países, né? Aqui nunca houve”.
A solução militar defendida pelo general Mourão não está prevista na Constituição. Isso não significa, contudo, que não possa ser empregada, porque o país está sob a vigência do regime de exceção e a presidência do STF está tutelada pelos militares.

A eleição da chapa Bolsonaro/Mourão transcorreu num ambiente de fraude que foi tolerada pelo TSE e STF.

Não foi uma eleição limpa e livre. Houve manipulação com injúrias e notícias falsas, financiamento milionário da fraude do WhatsApp com dinheiro de caixa 2 por empresários corruptos, e proibição ilegal da candidatura do candidato favorito, Lula.

Esta realidade atesta a ilegitimidade do golpe, do regime de exceção e do atual governo.

A velocidade vertiginosa dos acontecimentos não permite a interpretação da realidade em tempo real. É preciso, nesse momento, confiar que os militares possam agir como corresponde, ou seja, devolvendo a soberania deliberativa ao povo.

Se prevalecer a visão do vice-presidente Mourão, o Brasil ficará ameaçado de sofrer mais um golpe dentro do golpe. É fundamental, nesse sentido, resistir à imposição de uma solução militar que, se implementada, poderá evoluir para uma ditadura – opção que, infelizmente, está no horizonte de certos setores dos estamentos militares e judiciais.

Não se deve esquecer que o poder militar hegemônico hoje é exercido pelos setores mais especializados da contra-insurgência das FFAA, ou seja, pelo militarismo de cultura e temperamento repressivo, treinado a combater e reprimir insurgências e inimigos.

São segmentos militares que, por formação, criminalizam e combatem com violência e repressão o conflito social legítimo existente em toda sociedade de classes.

É importante lembrar que os comandantes militares que dirigem o governo foram treinados e aperfeiçoados em missões internacionais contra-insurgentes, de enfrentamento de crise humanitária [Haiti] e de atuação em guerra civil [Congo].

A saída para a crise brasileira está na democracia, não na ditadura. A saída mais correta para o impasse criado pela própria classe dominante, nessa perspectiva, está na convocação de eleição livre, limpa e soberana.

O Brasil precisa se reencontrar com a democracia, com o desenvolvimento, com o emprego, com a liberdade, com o respeito e com a paz entre seus irmãos.

Jeferson Miola
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