20 de jan. de 2019

É sempre bom lembrar: o que fazia o filho de Bolsonaro para o pai achar que ele iria para a Papuda?


Alguns episódios, vistos retrospectivamente, ganham outra dimensão, maior ou menor.

Em fevereiro de 2017, o fotógrafo Lula Marques flagrou uma troca de mensagens de WhatsApp (sempre ele) entre os então deputados Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo.

Você vai se lembrar.

A cena fica diferente após o imbroglio Queiroz e a lambanças da família. Flavinho não é o único.

Voltando.

Marques postou a foto do papo em seu Facebook. A conversa é a seguinte:

Jair: “Papel de filho da puta que você está fazendo comigo”.

Jair: “Tens moral para falar do Renan? Irresponsável” (O caçula de Bolsonaro se chama Renan)

Jair: “Mais ainda, compre merdas por ai. Não vou te visitar na Papuda”.

Jair: “Se a imprensa te descobrir ai, e o que está fazendo, vão comer seu fígado e o meu. Retorne imediatamente”.

Eduardo: “Quer me dar esporro tudo bem. Vacilo foi meu. Achei que a eleição só fosse semana que vem. Me comparar com o merda do seu filho, calma lá”.

O registro foi feito no plenário no dia da eleição para a Presidência da Câmara. Jair teve quatro votos, menos que os brancos.

A lista de presença não contém o nome de Eduardo, que não compareceu à sessão.

Mas isso é apenas uma parte da história.

A pergunta que não quer calar: o que Eduardo estava fazendo, e onde, para seu pai achar que ele iria para a Papuda?

A família brasileira, cujos valores são resguardados pelos Bolsonaros, aguarda ansiosamente a resposta.

Almoço dos Bolsonaros. Aquele na seta é Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio citado no Coaf

Kiko Nogueira
No DCM
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'Mito' desmonta o combate à corrupção


Além da segunda bomba contra Flávio Bolsonaro, a edição deste sábado do Jornal Nacional destacou um documento que é mais um tiro contra o presidente Jair Bolsonaro. Um memorando da Corregedoria da Receita Federal critica os cortes de cargos e setores no órgão feitos pelo atual governo, o que significaria, segundo o documento, um "desmonte" e pode comprometer seriamente o trabalho da Receita no combate à corrupção.

"O corregedor também diz que tomou conhecimento de uma proposta de alteração do decreto que indica o corte de cinco dos dez escritórios de Corregedoria da Receita. De acordo com o corregedor, essas mudanças representam um desmonte do órgão, o que teria efeito desastroso no combate à corrupção com acúmulo de denúncias, diminuição do ritmo das investigações e paralisação de trabalhos conjuntos com a Polícia Federal e o Ministério Público", diz a reportagem.

O memorando foi divulgado inicialmente pelo jornal O Globo nesta sexta-feira. Ele foi encaminhado diretamente ao secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra.

A Receita negou que as demissões representam um desmonte no trabalho de combate à corrupção. "Pelo contrário, queremos é aprimorar o combate à corrupção e as regras de compliance, que são extremamente importantes principalmente num órgão como a Receita Federal", declarou o secretário da Receita, Marcos Cintra, citando um ajuste fiscal que está sendo colocado em prática pelo governo.

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O deputado que fala em narcotráfico na Venezuela

Crédito: Noite Universitária no Facebook



 Matéria de Sep 11 2018, 3:41pm 

O passado playsson-emo de Eduardo Bolsonaro

O candidato a reeleição como deputado federal por São Paulo dava rolê na zona norte carioca com membros do Forfun durante a juventude.

Praia, sol, surfe, hardcore, droga e alegria. Um típico carioca da zona norte dos anos 2000 viveu tudo isso em sua juventude, por mais reaça-de-terninho-fora-todos que tenha se tornado mais pra frente na vida. O maior exemplo disso talvez seja Eduardo Bolsonaro, o mais jovem do trio de filhos do candidato à presidência, que aparentemente passou seus anos de ouro dando rolê com ninguém menos que os membros da banda carioca Forfun.

O auê aparentemente começou com um post no Facebook (agora apagado ou trancado pelo usuário que postou originalmente). Segundo informações que chegaram à superfície da internet nos últimos dias, o Bolsonaro Júnior era de uma forma ou de outra um frequentador desses rolês. A usuária @highpippin juntou alguns indícios num post no Twitter.


Em 2014, o Instagram oficial do Forfun postou uma foto que a legenda sinaliza ser dos anos 2000, da banda junto de um grupo de amigos surfando na Joatinga. Na ponta esquerda da foto lá está o pequeno Bolso:


Ele também aparece aos 0:40 do clipe de "História de Verão", o primeiro gravado pela banda:



Com o auê causado pelo tweet repercutindo, o baixista da falecida banda, Rodrigo Costa, confirmou que os Forfun davam rolê com Eduardo e Carlos por essa época. O baixista garantiu que a faixa “O Melhor Bodyboarder da Minha Rua” não foi escrita para Bolsonaro, mas que "podia ter sido! Surfa pacas!"


"Eu cheguei a ser de esquerda!...."

Rodrigo já tinha falado em outros tweets, também, que "conhece pessoalmente todos os Bolsonaro" e saído em defesa da família algumas vezes na rede social. Há quem diga que o Forfun acabou por divergências ideológicas entre resto da banda e Rodrigo — afinal, ele é o único ex-membro da banda fora da formação do novo grupo Braza, formado por Danilo, Vitor e Nicolas —, que já declarou ser leitor do notório filósofo de direita Olavo de Carvalho e fez posts na página do Facebook da banda contra o "politicamente correto".

A página @bolso_feios no Instagram, de apoio à família Bolsonaro, também postou algumas fotos de Eduardo e Carlos dando rolê com o Forfun.



Ainda bem que o tempo passa, né? Ou não...

Amanda Cavalcanti
No Vice
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Foi isso que os ignorantes conseguiram eleger. Os alunos da escolinha do Prof Olavo

DCM levanta a ficha de cada um dos 52 deputados do PSL


O PSL elegeu a segunda maior bancada de deputados, atrás apenas do PT. Era um partido conhecido por eleger apenas um deputado a cada eleição. Agora elegeu 52.

Tornou-se uma força política, ao pegar carona do nome Bolsonaro, que se filiou ao partido há menos de um ano.

Como sigla, o PSL deve ter o mesmo destino do PRN, o partido pelo qual se elegeu Fernando Collor de Mello, em 1989, ou o Prona, que chegou a ter alguns deputados na onda do candidato Enéas Carneiro (já falecido).

Alguém se lembra desse partidos?

A bancada do PSL é um ajuntamento de personalidades que se projetaram na onda anti-petista que o então juiz Sergio Moro ajudou a alimentar, com a seletividade da sua Lava Jato.

Poucos desses 52 deputados continuarão na Câmara a partir de 2023, quando uma nova leva de parlamentares tomará posse.

Mas, até lá, você vai ouvir falar muito neles, e é bom que saiba que turma é essa.

Tem de tudo, mas prepondera generais, coronéis — tem até um cabo no núcleo militar; delegados e agentes, no núcleo da polícia civil; comunicadores e empresários.

Tem gente enrolada, tem gente muito enrolada, como Julien Lemos, processado pela Lei Maria da Penha, e Alexandre Frota, com tantas condenações na justiça civil que parece nem se importar mais: até zomba dos magistrados.

Olavo de Carvalho, o guru dessa turma, rejeita as crias.

Em vídeo divulgado esta semana, criticou os deputados eleitos que foram à China, em viagem patrocinada pelo governo chinês.

Ele vê nos chineses um risco à paz mundial, como se Trump e Bolsonaro, suas referências, fossem madres carmelitas de pés descalços.

Chamou alguns de seus discípulos de analfabetos funcionais e palhaços.

Os jornalistas Larissa Bernardes, Pedro Zambarda e Walter Niyama, sob a coordenação do editor Joaquim de Carvalho, do DCM, levantaram as informações sobre a carreira de cada um deles.

O resultado desse trabalho está publicado abaixo. Não se pode falar em biografia, mas de currículo e, em alguns casos, de ficha corrida.

Saiba quem é quem no partido ou na escolinha do professor Olavo de Carvalho:

Abou Anni

Nascido em São Paulo, Paulo Sérgio Abou Anni é um político de 52 anos.

Policial militar, antes de ingressar na polícia foi instrutor de trânsito. Em 2006, quando ainda era vereador pelo PV, seu partido anterior, foi acusado de ter pedido a um funcionário da CET que anulasse suas multas. Em 2009, teve mandato cassado por doação irregular de campanha, porém obteve efeito suspensivo e, no julgamento do recurso, ganhou.

Ele investiu R$ 325 mil em sua campanha, aproximadamente um terço de seus bens declarados: R$1.164 milhão.

Alê Silva

Nascida em Petrópolis no Rio de Janeiro, Alessandra Ribeiro Silva, de 44 anos, é advogada e perita contábil. Em 2018 concorreu à sua primeira eleição, tendo sua principal força no Vale do Aço, região de Minas Gerais. É uma das líderes do movimento Nas Ruas, que organizou manifestações pró-impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Com patrimônio declarado de quase R$ 225 mil, doou R$ 45 mil para a própria campanha.

O ator Alexandre Frota comemorou a derrota de Lula no STJ (Foto: Reprodução)

Alexandre Frota

Nascido no Rio de Janeiro, Alexandre Frota de Andrade é ator, diretor, empresário, ex-ator pornô, ex-apresentador, ex-comediante, ex-jogador de futebol americano. Frota coleciona polêmicas, uma das mais sérias foi quando, em um programa de TV, narrou uma história em que teria praticado sexo com uma mãe de santo desacordada.

A ex-ministra de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci, o criticou. Ela disse que Frota “não só assume ter estuprado, mas faz apologia ao estupro”. Frota a processou por danos morais, ganhando em primeira instância, mas perdendo na segunda.

Frota coleciona processos. O senador Humberto Costa (PT) moveu uma ação contra o ator por ser responsável por um grupo no WhatsApp que disseminava conteúdo ofensivo contra o parlamentar.

Sobre o caso, Frota ainda se referiu ao político de modo jocoso nas redes sociais “só podia ser de Pernambuco”. Isso lhe rendeu mais um processo, desta vez por parte de Túlio Gadêlha (PDT), namordo de Fátima Bernardes, por xenofobia.

Alexandre Frota já foi condenado a pagar R$ 50 mil a Chico Buarque por danos morais, ao xingar o cantor no Twitter e chamá-lo de ladrão. Ainda no mesmo ano, 2018, foi condenado a pagar multa de R$ 5 mil por conta de uma fake news contra o então candidato ao Senado, Chico Leite (Rede).

Este ano, foi condenado a dois anos e 26 dias de prisão, além de multa de R$ 295 mil por conta de uma fake news contra o deputado Jean Wyllys (PSOL), em que lhe atribuía uma frase de defesa da pedofilia. A prisão foi convertida em serviço comunitário: ele terá que picotar papel por cinco horas diárias em um fórum federal. Frota fez troça da decisão e da juíza na internet.

Alexandre Frota teve seu nome negativado em 2018 quando a Justiça de Brasília deferiu o pedido de protesto dos representantes do filho do ator, Mayã Frota. Mayã move uma ação contra Frota por dívida de pensão alimentícia.

O TJ de São Paulo este ano condenou Frota a pagar R$ 30 mil ao jornalista Juca Kfouri por ofensas na internet, desde “capacho do PT” até a xingamentos com conotação sexual.

Frota também fala que é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre, o que é questionado judicialmente. Atualmente ele é proprietário da Associação Movimento Brasil Livre.

Aline Sleutjes

Nascida em Castro, no Paraná, Aline Sleutjes Roberto, de 39 anos, é agente administrativa com formação em educação física. Desde 2004, disputa eleições, tendo sido vice-prefeita e prefeita de sua cidade natal, além de vereadora e também deputada federal. Ela já foi filiada ao PSDB, DEM, PSDC e PR.

Bibo Nunes

Nascido em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, Alcibio Mesquita Bibo Nunes é jornalista e apresentador de TV. Com 19 anos, foi vereador de sua cidade natal. Em 2014, tentou se eleger deputado federal pelo PSD, fato que culminou com sua saída do programa de TV.

Em 2016, se candidatou a vereador de Porto Alegre pelo MDB. Nesse ano, suas contas foram aprovadas, mas com ressalvas. Em 2018, o TRE recomendou a desaprovação das contas de campanha de Bibo Nunes. Ele declarou mais de R$ 9 milhão de patrimônio.

Cabo Junio Amaral

Nascido em Belo Horizonte, Minas Gerais, Geraldo Junio Amaral, de 33 anos, policial militar, exerce pela primeira vez um cargo político. Mas já possui um histórico de militância por ser um dos fundadores do grupo Direita Minas Gerais, grupo que inclusive organizou recepções em aeroportos do estado a Jair Bolsonaro.

Na cerimônia de diplomação em 2018, o cabo trocou socos com o deputado Rogério Correia que ergueu uma placa em que se lia “Lula livre”.

Carla Zambelli, militante de extrema direita

Carla Zambelli

Nascida em Ribeirão Preto, São Paulo, Carla Zambelli Salgado, de 38 anos, é gerente de projetos. Ela ficou conhecida durante os protestos pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em nome dos movimentos NasRuas e o Varre Brasil, dos quais ela é uma das fundadoras.

Carla já participava de ativismo político em 2012 quando se manifestava pelo parto mais humanizado. Nessa época, houve uma aproximação com o Femen do Brasil e também com sua líder na época, Sara Winter. Em vídeo publicado em 2018, Carla afirma que foi apenas uma aproximação por compartilharem algumas pautas, e que nunca pertenceu ao grupo de origem ucraniana.

Em 2016, ela se envolveu em um processo quando o ministro do Supremo Ricardo Lewandowski enviou ofício ao diretor-geral da Polícia Federal pedindo providências contra os responsáveis por um boneco inflável seu que era usado nas manifestações do NasRuas. Carla acabou sendo responsabilizada por ser uma das líderes.

Este ano, Carla Zambelli organizou uma vaquinha online para pagar os R$ 40 mil da multa que o movimento NasRuas foi condenado por fake news que relacionavam o deputado Jean Wyllys (PSOL) a pedofilia.

Olavo de Carvalho, o guru de parte do governo Bolsonaro, a citou nominalmente em um vídeo no qual criticou a ida de parlamentares do PSL à China.

Carlos Jordy

Chamado de “filhote de Bolsonaro”, Carlos “Jordy” Roberto Coelho de Mattos Júnior é um funcionário público formado em Turismo e Hotelaria pela Universidade de Itajaí. Ele tem 36 anos e nasceu em Niterói. Fez carreira no PSC, partido anterior de Bolsonaro, e foi eleito vereador em 2016.

Deixou o cargo público e entrou no PSL para ser eleito deputado federal, sendo o quarto mais votado pelo seu estado. Teve 204.048 mil votos.

Na Câmara Municipal de Niterói, Jordy foi preso em flagrante no dia 29 de maio de 2017 ao gritar “volta pra África” para quatro mulheres negras durante um debate sobre o projeto Escola Sem Partido. Foi solto horas depois. Por essas atitudes, ele abraçou o apelido “filhote” do novo presidente.

Carlos Jordy protagonizou debates com a então vereadora de Niterói Talíria Petrone, do PSOL, que denunciou genocídio nas favelas. Talíria era amiga de Marielle Franco, política assassinada no Rio de Janeiro.

Caroline de Toni

Nascida em Chapecó, Santa Catarina, Caroline Rodrigues de Toni, 32 anos, é advogada. Ela já havia sido candidata a vereadora de sua cidade natal pelo PP, ficando como suplente. Ela também já foi integrante do MBL. Ela apresentou é pedido de abertura de processo de impeachment contra Dias Toffoli.

Charlles Evangelista

Nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, Charlles Thomacelli Evangelista, é oficial de Justiça. Em 2016, se elegeu vereador por sua cidade natal pelo PP, mas já foi filiado ao PROS, pelo qual tentou se eleger deputado federal.

Em 2016, teve sua candidatura embargada quando foi considerado inelegível pelo Ministério Público Eleitoral, mas o TRE-MG acabou por legitimá-lo como vereador.

O PTB entrou com pedido de decretação de perda de mandato eletivo contra Charlles por infidelidade partidária quando ele deixou o PP para ingressar no PSL, mas o agora deputado ganhou a causa.

Chris Tonietto

Nascida na cidade do Rio de Janeiro, Christine Nogueira do Reis Tonietto, de 27 anos, é advogada ligada ao Centro Dom Bosco, um grupo religioso conservador. Chris já moveu ação contra um grupo de católicos progressistas que apoiam a legalização do aborto por uso do termo “católicas”. Em 2017, ela processou o grupo de humor Porta dos Fundos por causa de um vídeo que mostrava o céu dos católicos.

Coronel Armando

Nascido em Resende, no Rio de Janeiro, Luiz Armando Schroeder Reis, de 61 anos, é coronel da reserva do Exército e acaba de ingressar na carreira política. Ele já foi assessor do Estado-Maior do Comando Militar e foi inclusive colega de Jair Bolsonaro na Academia Militar das Agulhas Negras.

Coronel Chrisóstomo

Nascido em Tefé, Amazonas, João Chrisóstomo de Moura, 59 anos, é militar, e já possui um histórico político. Em 2004, tentou se eleger vereador por Lages, Santa Catarina, pelo MDB. Em Porto Velho, Rondônia, foi secretário municipal de Infraestrutura. Sua candidatura ficou em risco quando o PSL de Rondônia foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral por não obedecer à exigência de cota de 30% de mulheres na chapa. Mas o TSE acabou por negar provimento.

Coronel Tadeu

Nascido na cidade de São Paulo, Marcio Tadeu Anhaia de Lemos, de 53 anos, é policial militar. Ele já afastado pelo comandante-geral da PM de São Paulo, junto de outros três colegas. O motivo foi o livro que escreveram chamado “Reaja! Prepara-se para o Confronto – Técnicas Israelenses de Combate”, em que inclusive defendiam o armamento da população.

Na época Tadeu, era do comando de choque da PM.

O coronel declarou patrimônio de R$ 32 milhão — o que fez dele um milionário na PM. É a sua primeira vez em um cargo político.

Daniel Freitas

Nascido em Criciúma, Santa Catarina, Daniel Costa de Freitas, 34 anos, é empresário e já foi vereador duas vezes, 2012 e 2016, em sua cidade natal, pelo PP. Por conta de sua saída de seu antigo partido para o PSL, teve seu mandato cassado pelo TRE de Santa Catarina.

Isso porque fez a troca em março de 2018, durante a janela partidária para que deputados estaduais e federais troquem de legenda sem perda de mandato. Dias depois da decisão, ele acabou por renunciar ao cargo.

Daniel Silveira

Nascido em Petrópolis, Rio de Janeiro, Daniel Lucio da Silveira é policial militar de 36 anos. É a primeira vez que se elege para um cargo político. Ficou famoso após participar de um ato em que ele, junto de outro candidato do PSL na época, o agora deputado estadual Rodrigo Amorim, quebraram uma placa de rua em homenagem a vereadora assassinada Marielle Franco.

Ainda em 2018, depois desse ato, ele entrou no colégio estadual Dom Pedro 2º, e gravou um vídeo dizendo que iria investigar a gestão da escola, afirmando que o “marxismo cultural” não seria implantado nas instituições de ensino. Silveira ainda falou que a diretora do colégio seria uma das primeiras a sofrer uma auditoria.

Por conta desse episódio, a Associação Petropolitana dos Estudantes (APE) protocolou uma denúncia sobre o vídeo.

Delegado Antônio Furtado

Nascido na cidade do Rio de Janeiro, Antônio da Luz Furtado é um servidor público de 46 anos. Delegado da Polícia Civil do Rio, já esteve à frente da delegacia de Volta Redonda. Em 2015, moradores da cidade fizeram um abaixo-assinado por sua permanência.

Sua primeira tentativa de ingressar na carreira política foi em 2016, quando concorreu como vice-prefeito da cidade pelo MDB.

Delegado Marcelo Freitas

Nascido em Montes Claros, Minas Gerais, Marcelo Eduardo Freitas, de 42 anos, é delegado da Polícia Federal e chegou a trabalhar em sua cidade natal. Inclusive Freitas foi um dos nomes entregues pela Associação dos Delegados de Polícia Federal ao presidente Michel Temer em 2016 para substituir o diretor da PF Leandro Daiello.

Ele também participou da prisão do então prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz (PSB).

Foi ainda em 2016 que foi convidado pelo deputado estadual do PT, Paulo Guedes, a se candidatar a prefeito da cidade pelo Partido dos Trabalhadores. Isso causou polêmica na época, pois o encontro aconteceu depois da condenação de Ruy Muniz.

Guedes, inclusive, foi um dos alvos na Operação Curinga, da alçada da delegacia chefiada por Freitas.

Delegado Pablo

É novo na política. Eleito com 151.649 votos, Pablo Oliva, mais conhecido como Delegado Pablo, foi o segundo deputado mais votado no Amazonas na eleição de 2018. É delegado da Polícia Federal há 11 anos e atuou na operação Maus Caminhos, que prendeu, entre outras pessoas, o ex-governador do Amazonas, José Melo (PROS), em 2017.

Delegado Waldir

Waldir Soares de Oliveira, conhecido como Delegado Waldir, foi reeleito deputado em Goiás. Atuou como delegado da Polícia Civil no estado. É membro da bancada da bala e se filiou ao PSL em abril de 2018. Entre os projetos de lei de sua autoria, está a proposta de que o preso pague as próprias despesas durante o cumprimento da pena.

Dr. Luiz Ovando

Médico cardiologista, de 69 anos, foi eleito pelo Mato Grosso do Sul após disputar, sem sucesso, várias eleições durante 20 anos.

Antes do PSL, foi filiado ao PPS e ao PSC. Em entrevistas, afirmou que suas bandeiras em Brasília serão investimentos para a saúde e resgate dos “valores da família”.

Dra. Soraya Manato

Soraya Manato é médica ginecologista. Aos 57 anos, foi eleita pelo Espírito Santo com 57.741 votos. Seu lema é “pela vida, pela família”. É casada com o deputado federal Carlos Manato (PSL-ES), que foi investigado por ter auxiliado na articulação da greve dos policiais militares no estado em 2017.

Soraya declarou um patrimônio de R$ 5,2 milhões à Justiça Eleitoral.

Eduardo Bolsonaro foi aos EUA de bonezinho de Trump

Eduardo Bolsonaro

Eduardo Nantes Bolsonaro nasceu em 10 de julho de 1984, no Rio de Janeiro. É o terceiro filho do presidente Jair Bolsonaro. Se formou em direito pela UFRJ e atuou como escrivão da Polícia Federal. Foi eleito deputado pela primeira vez em 2014, quando tinha 30 anos. Em 2018, foi reeleito deputado federal por São Paulo, com 1.814.443 votos, sendo o mais votado da história do país.

Em abril de 2018, Eduardo foi notificado pela PGR para responder denúncia de ameaça contra a jornalista Patrícia Lélis. O filho de Bolsonaro já esteve envolvido em outras polêmicas. No final do ano passado, apareceu em um vídeo dizendo que ,“para fechar o STF, basta um cabo e um soldado”. Seu patrimônio aumentou 432% em apenas 4 anos, período de seu primeiro mandato.

O deputado tem como ídolo o torturador coronel Brilhante Ustra.

Seu início de carreira na Polícia Federal é polêmica. Pela classificação, ele só conseguiu lotação em Guajará Mirim, em Rondônia, fronteira com a Bolívia. Depois foi transferido para o Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Ele diz que passou três anos em Guajará Mirim, mas pelo menos um policial mais antigo que trabalhou lá não se lembrar de tê-lo visto na delegacia.

Ele teria sido emprestado para trabalhar em outras unidades da PF, mais próximas do Rio.

O pai, à época, era deputado federal.

Fabio Schiochet

O empresário de 30 anos atua no ramo de combustíveis. Antes de entrar no PSL, onde disputou sua primeira eleição, foi filiado ao PSD. Foi eleito por Santa Catarina com a pauta de defender os interesses econômicos da região. Defende a redução da maioridade penal e a revogação do Estatuto do Desarmamento.

Felício Laterça

Delegado da Polícia Federal em Macaé. Felício Laterça de Almeida foi nomeado superintendente da PF no Rio de Janeiro, mas desistiu do cargo após ser revelado que ele era filiado ao PSC e mantinha vínculos com políticos da região.

Seu irmão e sua cunhada foram nomeados para cargos comissionados por políticos. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a abrir um procedimento para apurar as circunstâncias da nomeação de Felício. Declarou à Justiça Federal quase R$ 3 milhões em bens.

Felipe Francischini

Nascido em Curitiba, Felipe Francischini, de 27 anos, é filho do deputado Delegado Francischini. Era deputado estadual pelo Paraná e irá exercer seu primeiro mandato como congressista. É formado em direito. Após o atentado contra Jair Bolsonaro, Felipe gravou um vídeo atribuindo ao Partido dos Trabalhadores (PT) a responsabilidade pelo ataque e pelos acidentes aéreos que mataram Eduardo Campos e Teori Zavascki.

Filipe Barros

Integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), Filipe Barros, de 27 anos, foi eleito vereador em Londrina (PR), em 2016, pelo PRB.

Chegou a ser denunciado por intolerância religiosa e injúria racial, após postar um vídeo de uma peça sobre a história africana com o comentário: “Na Semana da Pátria, a programação para crianças foi: MACUMBA EM FRENTE À PREFEITURA”.

Foi alvo de protestos por ter chamado trabalhadores de “vagabundos” durante a greve geral contra o governo de Michel Temer, em abril 2017. Também já foi investigado por compra de votos.

O parlamentar é seguidor do guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, e já chegou a dar palestras contra “ideologia de gênero”. Com quase R$ 212 mil de patrimônio, doou R$ 129 mil para a própria campanha.

General Girão

O general da reserva Eliéser Girão Monteiro disputou sua primeira eleição e foi eleito pelo Rio Grande do Norte. Foi adido militar na Polônia e chefe de gabinete de Planejamento e Gestão do Comando Logístico do Exército. Girão também foi secretário de Segurança dos estados de Roraima e Rio Grande do Norte, nos governos Chico Rodrigues e Rosalba Ciarlini, respectivamente. O militar passou para a reserva em 2009, em protesto à retirada de fazendeiros da área da reserva indígena de Raposa Serra do Sol, em Roraima.

General Peternelli

Eleito por São Paulo, o general da reserva Roberto Sebastião Peternelli Junior declarou R$ 2,2 milhões em patrimônio. Em 2016, chegou a ser indicado para presidir a Funai, mas seu nome foi descartado após protestos de movimentos indigenistas. Antes de se filiar ao PSL, fez parte do PSC, partido pelo qual foi eleito em 2014 para seu primeiro mandato como deputado federal.

Guiga Peixoto

O administrador e empresário de óticas, José Guilherme Negrão Peixoto foi eleito pelo estado de São Paulo. É dono de diversos terrenos em Tatuí (SP), onde reside. Em 2016, foi candidato à prefeitura da cidade pelo PSC. Uma de suas principais bandeiras é o fortalecimento econômico da região. Doou R$ 111 mil à sua própria campanha. Seu auto financiamento representou 90% de todo o orçamento declarado, de R$ 123 mil. Foi o candidato do PSL eleito com menos votos, um total de 31.718.

Heitor Freire

O empresário Heitor Rodrigo Pereira Freire é presidente do PSL no Ceará. É um dos líderes do movimento Direita Ceará, que atuou em prol da campanha de Jair Bolsonaro no estado, inclusive financiando a colocação de outdoors em apoio ao então candidato. Em 2016, antes de se filiar ao PSL, tentou, sem sucesso, se eleger vereador pelo PSC em Fortaleza. Trabalhou no mercado financeiro, em instituições como HSBC e BankBoston. Freire já foi alvo de ações de cobrança em R$ 466,9 mil na Justiça do Estado. Em diversos processos, o deputado soma supostas dívidas de R$ 204,9 mil com o Banco do Brasil, R$ 165,6 mil com o Santander, R$ 47,1 mil com o Bradesco e R$ 49,3 mil pela Caixa Econômica Federal.

De acordo com informações dos processos, que são públicos, a maioria das dívidas foi contraída por meio de uma empresa do parlamentar, a Milford Comercial. O estabelecimento, que comercializa materiais de iluminação para obras, acumulou débitos em financiamentos que tinham Heitor e uma série de familiares dele como avalistas.

Helio Fernando Barbosa Lopes

Conhecido como Helio Negão, ou Helio Bolsonaro, Helio Fernando Barbosa Lopes se intitula o “irmão negro” de Jair Bolsonaro.

A amizade entre os dois começou há mais de 20 anos, fortalecida pela carreira militar de ambos. Foi o deputado federal mais votado no Rio de Janeiro.

Subtenente do Exército, concorreu com o sobrenome “Bolsonaro” e com o mesmo número que Eduardo Bolsonaro utilizou em São Paulo. É a única pessoa fora da família autorizada a utilizar o sobrenome.

Gravou diversos vídeos combatendo alegações de racismo contra o então presidenciável, que custeou integralmente sua campanha. Antes de se filiar ao PSL, foi membro do PRP, PTN e PSC. Havia tentado ser vereador em Queimados e Nova Iguaçu, ambas na Baixada Fluminense, e deputado federal. Sem sucesso.

Julian Lemos, homem de Bolsonaro. Foto: Reprodução/Facebook

Julian Lemos

O empresário Gulliem Charles Bezerra Lemos, conhecido como Julian Lemos, é vice-presidente nacional do PSL e presidente da legenda na Paraíba. Tem três processos por violência doméstica. Reportagem da Folha de S.Paulo de 6 de novembro de 2018 revela que a primeira queixa contra ele foi apresentada em 2013 pela ex-mulher, Ravena Coura, que disse à polícia ter sido agredida fisicamente e ameaçada por uma arma de fogo. Nesse episódio, Julian foi preso em flagrante. Três anos depois, em 2016, Ravena fez outra denúncia. Disse à polícia que o então companheiro “é uma pessoa muito violenta” e a teria ameaçado. “Vou acabar com você, você não passa de hoje”, teria dito o parlamentar.

As duas denúncias foram arquivadas meses depois, quando a mulher afirmou que havia extrapolado os fatos em suas denúncias ,e que havia “perdoado” o ex-marido.

A terceira denúncia de violência doméstica contra o parlamentar foi movida por sua própria irmã, Kamila Lemos, em 2016, e ainda está em curso. Em depoimento, Kamila contou que “apaziguar” uma briga de Julian com a ex-mulher, quando passou a ser agredida com “murros e empurrões”.

Além dos processos por violência doméstica, Julian Lemos também foi condenado em primeira instância, em 2011, a um ano de prisão em regime aberto por estelionato, mas o processo acabou prescrevendo antes de um julgamento do recurso. Neste caso, o parlamentar foi condenado por utilizar uma certidão falsa de uma empresa da qual era sócio para fechar um contrato de prestação de serviços com o governo da Paraíba, em 2004.

Junior Bozzella

Bacharel em Direito, gestor e empresário, Nicolino Bozzella Junior foi vereador em São Vicente, litoral paulista, de 2013 a 2016, e nomeado superintendente de São Paulo da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Em 2014, havia tentado a cadeira de deputado estadual pelo PSD, e em 2016 concorreu à prefeitura do município. Ao se filiar ao PSL, Bozzella  chegou a ser presidente estadual do partido, e hoje faz parte do Diretório Nacional.

Joice Hasselmann

Joice Cristina Hasselmann foi jornalista com passagens por rádio e televisão em empresas como CBN, BandNews, RIC TV (Record), Rede Massa (SBT), site da revista Veja e Jovem Pan (no programa Pingos nos Is). Nos últimos anos, atuou como youtuber antipetista e pró-Bolsonaro.

Entre os candidatos do PSL, foi a mulher com a maior votação no Brasil, chegando a mais de um milhão de votos. Foi o segundo melhor resultado, atrás apenas de Eduardo Bolsonaro, que quase chegou a dois milhões.

Apesar do sucesso eleitoral, Joice coleciona processos e controvérsias na sua carreira.

No ano de 2015, ela foi denunciada por 65 plágios, em ação movida pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná.

Entre os plágios, ela publicou em seu blog uma nota sem crédito da própria revista Veja. Poucos meses depois, ela foi desligada do veículo. Em 2017, ela foi processada por Luiza Nassif, filha do jornalista Luis Nassif, por danos morais, perdeu recurso e foi condenada a pagar R$ 15 mil.

A Editora Abril também processou Joice Hasselmann por uso indevido da marca Veja em seu canal de YouTube em 2018. Além da empresa, a ex-jornalista também foi acionada pelo Hermes Magnus, denunciante da Operação Lava Jato, por supostos erros no livro Delatores, publicado em 2017.

Joice Hasselmann

Léo Motta

Eliel Márcio do Carmo, conhecido como Léo Motta, foi vereador por dois mandatos em Contagem, Minas Gerais. O parlamentar também é cantor evangélico. Custeou integralmente a própria campanha e declarou R$ 721 mil em patrimônio.

Lourival Gomes

Nascido em Rio Bonito, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Lourival Gomes é um empresário de 63 anos na cidade de Saquarema. Era suplente de deputado federal em 2014 pelo PTN, rebatizado Podemos. Chegou a assumir o cargo em 2017 no lugar de Luiz Carlos Ramos, deputado que entrou no secretariado de Marcelo Crivella no Rio.

O deputado é dono de uma rede de supermercados e do time de futebol Sampaio Corrêa, que disputa campeonatos de divisões inferiores no Rio de Janeiro. Antes do PTN, Gomes fez parte do PDT e PSC.

A cidade de Saquarema tem um estádio chamado Lourival Gomes de Almeida, conhecido como Lourivalzão e Ninho do Galo. Foi construído em 2013, pouco antes da Copa do Mundo, mostrando a influência do deputado no futebol.

Luciano Bivar

Luciano Caldas Bivar é um empresário de Recife, no Pernambuco, de 74 anos. Criou, em 2 de junho de 1998, o Partido Social Liberal. O PSL tinha supostamente como ideologia o social-liberalismo (algo que Collor, quando foi presidente, ajudou a difundir), mas a legenda, sobretudo com a entrada de Bolsonaro em 2018, seguiu para o conservadorismo de extrema direita, profundamente antipetista.

Bivar foi candidato presidencial em 2006 e teve 62.064 mil votos, com um discurso contra impostos e burocracia. Na eleição de 2014, seu PSL foi da base da candidatura de Marina Silva, quando ela estava no PSB.

O fundador do PSL admitiu, em março de 2013, que pagou membros da CBF para que o volante Leomar, jogador do Sport, fosse convocado pelo então técnico Emerson Leão.

O procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schimitt, pediu abertura de inquérito para que Bivar fosse investigado por tal afirmação. Não deu em nada.

Quando o PSL abrigou Bolsonaro, Luciano Bivar teve resistência do próprio filho, Sérgio Bivar, fundador do Livres, movimento de jovens liberais. Ele saiu do partido com sua ala. Na ocasião, julho de 2018, comparou Jair Bolsonaro a Lula e disse que ambos tinham “ares messiânicos de justiceiro”.

Lula justiceiro?

Mesmo criticado dentro de sua família, Bivar manteve a aposta no ex-capitão para a disputa presidencial e, politicamente, acertou: só assim o PSL conseguiu eleger uma das maiores bancadas na Câmara dos Deputados.

Luiz Philippe O. Bragança

Luiz Philippe Maria José Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança é um dos herdeiros da família real portuguesa, tem 49 anos, fundou o movimento “Acorda, Brasil” pelo impeachment de Dilma Rousseff e foi cotado para ser vice de Jair Bolsonaro.

Com carreira no mercado financeiro, trabalhou no JP Morgan em Londres e em outras instituições financeiras nos Estados Unidos.

Trocado pelo General Mourão na chapa presidencial, elegeu-se deputado federal pelo PSL. Entre as ideias que defende, além do liberalismo, estão o parlamentarismo e um retorno à Constituição de 1824, da época do império, quando sua família reinava.

Luiz Lima

Luiz Eduardo Carneiro da Silva de Souza Lima é ex-nadador. Hoje com 41 anos,  participou dos Jogos Pan-Americanos entre 1995 e 2003. Lima faz do RenovaBR, a organização política apoiada e financiada por Luciano Huck.

Major Fabiana

Fabiana Silva de Souza é uma policial militar que se tornou deputada federal pelo PSL com 57.611 mil votos. A major ficou conhecida em 2014 após controlar um tumulto próximo à Favela do Jacarezinho. Estava armada, mas sem a farda. No local, estava um ônibus que foi incendiado.

Major Vitor Hugo

Líder do governo na Câmara dos Deputados, Vitor Hugo Araújo de Almeida tem formação na Academia Militar das Agulhas Negras e foi aluno dos generais Augusto Heleno (hoje ministro de Bolsonaro no Gabinete de Segurança Institucional) e Carlos Alberto Santos Cruz (chefe da Secretaria de Governo de Bolsonaro) na escola de cadetes.

Sua carreira militar no Exército tem mais de 20 anos e ele está em seu primeiro mandato como parlamentar.

Marcelo Alvaro Antonio

Deputado mais votado em Minas Gerais, com 230.008 mil votos, o empresário Marcelo Antonio é um político com base eleitoral na Região do Barreiro em Belo Horizonte. Foi vereador pelo PRP (hoje fundido ao partido Patriota) em 2012, eleito deputado pela primeira vez em 2014 e disputou a prefeitura filiado ao PR em 2016.

Filho do ex-deputado federal Álvaro Teixeira Dias, Antonio responde a cerca de 20 processos no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, como mostrou reportagem do DCM. É acusado de crime contra a economia popular e calote.

Ele foi chamado para ser ministro do Turismo do governo Bolsonaro.

Márcio Labre

Márcio da Silveira Labre é jornalista e empresário. Aos 44 anos, advoga pelas teses mais conservadoras do governo Bolsonaro. Nascido no Rio de Janeiro, ele tem proximidade com youtubers bolsonaristas, como o grupo Terça Livre, de Allan dos Santos.

Nelson Barbudo

Nascido em Monte Aprazível, Nelson Ned Previdente foi o deputado federal mais votado do estado do Mato Grosso nas eleições de 2018, com mais de 125 mil votos. Conhecido como Nelson Barbudo, é agricultor e foi promovido pelas redes sociais discursando “contra o comunismo”.

Foi promovido pela youtuber Joice Hasselmann, também ela eleita deputada.

Nereu Crispin

Nereu Crispin é um empresário nascido em Porto Alegre. Tem 55 anos e negócios no setor de concreto, argamassa, transporte, construção e locação de equipamentos.

Nicoletti

Antonio Carlos Nicoletti é um político eleito para deputado federal em Roraima. Ele é ex-sargento do exército e ex-policial rodoviário federal. Ele faz parte da Bancada da Bala, que cresceu 111% nas eleições de 2018.

Prof. Dayane Pimentel

Professora aos 32 anos, Dayane Jamille Carneiro dos Santos Pimentel é deputada federal eleita pela Bahia, de Feira de Santana. Nas redes sociais, Dayane tem 200 mil seguidores, foi tiete de Bolsonaro e gravou vídeos atacando o PT.

Professor Joziel

Joziel Ferreira Carlos é militar reformado, ou seja, aposentado, do Rio de Janeiro de 52 anos.

Sanderson Federal

Ubiratan Antunes Sanderson, o “Sanderson Federal”, é policial federal de 49 anos e deputado federal do PSL pelo Rio Grande do Sul. Ele fez parte da “Frente Lava Jato” na eleição de 2018.

Dessa frente, somente três parlamentares foram eleitos, entre 19 candidatos.

Sargento Gurgel

João Carlos Soares Gurgel, o “Sargento Gurgel”, tem 38 anos e é policial civil do Rio. Nascido em Nova Iguaçu, ele é presidente do Ibrasppe (Instituto Brasileiro de Segurança Pública e Pesquisa).

Tio Trutis

Loester Carlos Gomes de Souza, conhecido como “Tio Trutis”, é empresário e chef de cozinha de 36 anos. Foi eleito deputado federal pelo Mato Grosso do Sul. Ele é dono do negócio Trutis Bacon e se define como “conservador, carnívoro, anti-aborto e pró-armas” no Instagram.

É um dos parlamentares do PSL que viajaram para a China com o objetivo de conhecer a tecnologia de reconhecimento facial. De acordo com o TRT, Trutis acumulou oito processos trabalhistas e foi acusado de dar calote em uma ex-funcionária grávida.
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Datena, José Mayer e o assédio na TV

Dois casos de assédio sexual envolvendo celebridades midiáticas agitaram a televisão brasileira nesta semana. Na terça-feira (15), a TV Globo confirmou, por meio de comunicado à imprensa, a dispensa do ator José Mayer após 35 anos de trabalho na emissora. Já na quinta-feira, estourou a denúncia contra o apresentador José Luiz Datena, o falso moralista que comanda programas policialescos e sensacionalistas na Band. Este último caso teve enorme repercussão na internet e ainda promete desdobramentos. A acusação foi feita por Bruna Drews, ex-repórter do programa “Brasil Urgente”. O apresentador nega que tenha assediado a jornalista. “Tenho defeitos, mas não este”, jura Datena.

Segundo Keila Jimenez, do R7, a acusação de Bruna Drews deve render. “A jornalista protocolou representação no Ministério Público de São Paulo afirmando que o âncora teria lhe dito que ela não precisava emagrecer porque já ‘era muito gostosa’, entre outras coisas. Na ação, a repórter diz ter sido abordada pelo apresentador durante uma festa em junho do ano passado. Bruna também está movendo ação trabalhista contra a Band. Segundo ela, a emissora teria sido conivente com as supostas atitudes de Datena”. Além da ação na Justiça, Bruna Drews decidiu amplificar a denúncia. “Na sexta-feira, ela compartilhou imagem da campanha ‘Mexeu com uma, mexeu com todas’ em forma de protesto contra o assédio. ‘Estou do lado da verdade! Consciência limpa e tranquila! Faço isso por todas as mulheres que são obrigadas a passar por isso diariamente’”.

Keila Jimenez ainda revela que o apresentador da Band, sempre metido a valentão, está disposto a enfrentar a briga jurídica e na sociedade. “Procurado, Datena negou todas as acusações e disse que está tomando medidas legais. ‘Isto é calúnia. Sempre elogiei esta moça ao vivo no Brasil Urgente, como faço com outros repórteres, homens e mulheres, pela beleza e competência acima de tudo... Quando eu soube desta mentira em respeito à minha mulher com que sou casado há 41 anos, meus cinco filhos e seis netos, tomei minha providências jurídicas contra esta profissional de quem espero que resolva seus problemas psicológicos que são muito anteriores aos fatos que ela descreve... Tenho muitos defeitos, mas este não está entre eles’”.

Os “defeitos” do oportunista

De fato, Datena tem “muitos defeitos”. Na tevê, o âncora ganhou fama e muita grana com os seus programas sensacionalistas e violentos, que estimulam os piores instintos. Ele adora posar de moralista, de defensor de Deus e da família. Na política, ele se converteu num ultradireitista – apoiador dos fascistas Jair Bolsonaro e João Doria. Nas últimas eleições, Datena cogitou sair candidato dos “homens do bem” pelo ético DEM. O oportunista até se licenciou da Band, passando o bastão do programa para seu filho. Mas novamente recuou, o que levantou a suspeita de que teria negociado o apoio político à vaga paulista do Senado – não se sabe a que preço. Quanto aos outros “defeitos”, a vida deve demonstrar algum dia.

No que se refere à denúncia de assédio sexual, a jornalista Bruna Drews garante que tem provas. Em entrevista ao programa “Fofocalizando”, da emissora rival SBT, ela deu várias pistas. “Eu me sentia muito constrangida com o assédio que sofria no ar, mas tinha que pagar coisas para os meus pais, tinha que sustentar uma casa”. Na representação protocolada no Ministério Público de São Paulo, ela relata que o apresentador disse que ela "era muito gostosa", que várias vezes teria “se masturbado pensando nela” e que achava “um desperdício” a profissional "namorar uma mulher". As frases teriam sido ditas em um bar durante a confraternização de fim das gravações do programa "Agora é Com Datena", em que Bruna Drews era repórter.

“Eu relatei o ocorrido para a Band, que me mandou para casa descansar e não procurou o Datena, não procurou testemunhas. Alguém precisa parar esse homem... Quando aconteceu o assédio no restaurante, senti que deveria procurar a Justiça e denunciar. Mandei uma carta à Band falando sobre o assédio... Ouvi frases de funcionários da Band, superiores, que disseram que isso é típico do Datena, ele faz isso com quem ele gosta. Só quero que a verdade seja mostrada, alguém precisa parar esse homem. Espero que eu seja essa pessoa. Já desisti da minha carreira, exatamente por causa dele, da Band, fiquei bem destruída por dentro. Não tenho mais esperança nenhuma de voltar à televisão, por isso estou abrindo o jogo”.

José Mayer é demitido da Globo

Já o caso do ator José Mayer, demitido nesta semana, é bem mais antigo e também teve forte repercussão, principalmente em decorrência da mobilização das atrizes da própria TV Globo. Conforme descreve Gilvan Marques, do UOL, “o galã de 69 anos foi afastado das novelas depois que a figurinista Susllen Tonani escreveu um relato em primeira pessoa para o blog ‘Agora é que são elas’, do jornal Folha de S.Paulo, no qual o acusava de assédio sexual. No texto, a jovem de 28 anos contou diversos momentos em que foi constrangida pelo ator durante os bastidores da novela ‘A Lei do Amor’ (2016 - 2017)”.

Na ocasião, março de 2017, o próprio José Mayer divulgou uma carta-confissão. “Eu errei. Errei no que fiz, no que falei, e no que pensava. A atitude correta é pedir desculpas. Mas isso só não basta. É preciso um reconhecimento público que faço agora. Mesmo não tendo tido a intenção de ofender, agredir ou desrespeitar, admito que minhas brincadeiras de cunho machista ultrapassaram os limites do respeito com que devo tratar minhas colegas. Sou responsável pelo que faço”. A carta-confissão não convenceu. Quando surgiram as denúncias, ele foi suspenso “por tempo indeterminado”. Agora, a TV Globo anuncia sua demissão.

Altamiro Borges
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Moro, quem do COAF vaza para a Globo?

Todo cidadão brasileiro é refém do COAF!


No dia 2/I/2019 o presidente Bolsonaro transferiu o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) da pasta da Fazenda, do Primata do tal neolibelismo para o Presidente da Justissa, o Minixtro Sergio Fernando Moro, o Imparcial de Curitiba.

O responsável pelo COAF é Roberto Leonel Lima, que trabalhou com Moro na Lava Jato, o que significa, que ajudou a desestruturar o PT, derrubar a Dilma, prender o Lula, desmoralizar os partidos políticos, desempregar mais de um milhão de trabalhadores - e eleger o Bolsonaro, que levou Moro para o Ministério!

Grande obra!

Naquela altura, a Cruzada de Moro era santa: libertar Jerusalém (o poder) dos Infiéis (os trabalhistas).

E, portanto, os fins justificavam os meios.

Por isso, Moro se vangloria de ter sido um vazador contumaz, para realizar a Santa Cruzada!

Valia vazar tudo.

Vazar para a Globo até uma conversa privativa de uma presidenta com um ex-presidente, o que, nos Estados Unidos, equivaleria a mandar para a cadeira elétrica um juizeco de primeira instância que entregasse à Fox o grampo de uma conversa do Trump com o Obama!

Agora, é um pouquinho diferente.

Bolsonaro é poder.

E o filhinho senador está preso nas algemas da Globo Overseas (empresa que tem sede na Holanda para lavar dinheiro e subornar agentes da FIFA com objetivo de ter a exclusividade para transmitir os jogos da seleção).

A Globo declarou guerra a Bolsonaro!

E a munição da Globo é precisamente o material sigiloso (quá, quá, quá,) do COAF do Dr Lima, e, portanto do Minixtro Moro.

Vazar documento sigiloso é crime.

Só não era quando era para derrotar o PT.

Mas, o PT já foi derrotado.

Vazar agora só pode ser para derrubar o Bolsonaro.

Quem vaza, Dr Moro?

É o Dr Lima?

É o senhor, vazador contumaz e auto-proclamado.

É alguém da sua confiança?

Da confiança do Dr Lima?

A resposta a essas perguntas está acima da sobrevivência do Governo Bolsonaro.

Isso é o de menos.

O general Mourao não nos faltará.

O problema é saber se todo cidadão brasileiro é refém do COAF!

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Davos, a crônica de um constrangimento anunciado


Nas malas de Jair Bolsonaro, para a viagem a Davos, onde pretendia brilhar pela ausência de chefes de Estado mais importantes iam apenas a arrogância pessoal, a submissão aos interesses do capital, a vaidade de pretender-se um “Trump Tropical” e, claro, um ponto eletrônico emprestado pela Miriam Leitão, para que possa repetir, sem escrever na mão, o ditado de Paulo Guedes sobre política econômica.

Porque no teleprompter que estreou estes dias (veja aqui), ainda está muito tatibitati.

Hoje à noite, porém, quando partir, a bagagem estará acrescida de um enorme baú de preocupações com o escândalo das contas do “filho 01” e do amigo e mutuário Fabrício Queiroz.

A coletiva de imprensa, ponto alto de sua “marketagem” já  havia sido cancelada.

Agora, terá de colocar uma escolta de sujeitos para evitar os contatos com os jornalistas que transitam nos corredores e limitar-se a uma ou duas frases escolhidas, sem ter de responder perguntas.

Não dá mais para tentar se sair com “isso vocês têm de perguntar ao Flávio”, porque qualquer repórter com alguma agilidade perguntará em seguida: “mas o senhor não perguntou?”

Ele e seu ministro da Justiça, o implacável Sérgio Moro, a rigor, não deveriam sair do país sem dar explicações minimamente convincentes sobre o episódio, porque ambos, a esta altura, sabem mais do que a lama que, aos baldes, a cada dia vai se espalhando nas tevês e nos jornais.

É suicida a tese, se for esta, de manter-se em silêncio, por Davos e, depois, pela cirurgia de retirada da bolsa de colostomia, marcada para 28 de janeiro.

Seu recado para os políticos e integrantes do governo para que assumam a defesa de Flávio só por um ou outro – e com renitência e ressalvas – vem sendo cumprido.

Em ritmo infinitamente menor do que brotam dos esgotos de Ministério Público – liberado faz tempo para vazar – as informações cada vez mais assustadoras sobre a movimentação de dinheiro.

A cada dia de silêncio, qualquer história, ainda que minimamente plausível, vai se tornando inacreditável.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Jornal suíço compara Bolsonaro a Pinochet


Nesta segunda-feira, Bolsonaro fará sua estreia internacional no Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Ficará quatro dias na cidade, um recorde — o costume é um pernoite. Trump, Theresa May e Emmanuel Macron já anunciaram que não vão.

O jornal Le Temps, o único francófono na Suíça, publicou um artigo sobre Bolsonaro na última quarta feira, 16, assinado por Charles Wyplosz, comparando-o a Pinochet.

Alguns trechos:

O novo presidente do Brasil despreza abertamente as mulheres e defende uma atitude particularmente agressiva em relação às populações indígenas da Amazônia. Ele é um admirador dos generais ditatoriais dos anos 70 e de todos os militares que torturaram e executaram aqueles que protestaram.

Admira ainda mais Pinochet, que executou ainda mais pessoas do que seus colegas brasileiros e entregou as chaves das questões econômicas aos Chicago Boys. Esse atalho é importante: como Pinochet era um ditador particularmente cruel, tudo o que ele fazia era nojento. (…)

Como muitos outros populistas em todo o mundo, Bolsonaro foi eleito porque, há muito tempo, os brasileiros estão desesperados. As desigualdades são terríveis. A violência atingiu níveis alarmantes. A corrupção é generalizada. O orçamento é insustentável. Na década de 1990, o presidente Cardoso, um homem de centro-direita, parou a inflação líquida que durante anos ultrapassou mil por cento. Seu sucessor de esquerda, Lula, reduziu a desigualdade por meio de programas inteligentes, especialmente na educação. Ele cedeu o poder a Dilma Rousseff, que praticava o populismo de esquerda, arrastando Lula em sua queda. (…)

O sucesso de Bolsonaro é, acima de tudo, o fracasso da política brasileira desde o retorno da democracia em 1985. Diante do crime, ele pretende responder com a força. (…)

Ele nomeou como ministro da Justiça Sergio Moro, o pequeno juiz que mandou Lula para a prisão e que parece ter feito da luta contra a corrupção e a violência o negócio de sua vida. (…) Na economia, Bolsonaro recorreu a Paulo Guedes. Com um Ph.D. em Chicago, ele é altamente competente. Fervorosamente ligado aos benefícios da economia de mercado, ele obviamente pensa nos “Chicago Boys” de Pinochet.

Mas se o Chile tem agora a economia com melhor desempenho na América do Sul, isso deve muito aos Chicago Boys. Em um país como o Brasil, devastado por lobbies e corrupção, gastos públicos de interesse mais do que duvidoso e um sistema de pensões particularmente negligente, um retorno aos fundamentos não é insano, mesmo que a luta contra a pobreza seja esquecido ou, pior, revertida. (…)

Em questões fundamentais para o Brasil – violência, corrupção, economia pervertida -, a chegada ao poder de Bolsonaro representa uma aposta. Aposta arriscada, já que o personagem é sulfuroso e inexperiente, mas não necessariamente perdida com antecedência. O que é certo é que a outra questão essencial, das desigualdades, será esquecida.

No DCM
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O Brasil nas mãos de uma quadrilha


Provavelmente, editores assustados, revisores apavorados e empresários timoratos irão se incomodar com o que vai ser dito, a começar do título. Já eu não tenho nem idade, nem estômago, tampouco trajetória jornalística turva para deixar de falar a verdade sem disfarce. Não tenho nenhum problema em responder pelo que escrevo.

Muito do que o Brasil sofre atualmente deriva da covardia da mídia oficial acostumada a amestrar seus “profissionais” para falar apenas o que soa como música nos ouvidos dos patrões. Enquanto isso, o país e o povo escoam pelo ralo das roubalheiras, da submissão a interesses externos e da ganância do grande capital.

Não há nada mais repulsivo do que ler, ver e ouvir de supostos democratas que “torcemos para que o governo Bolsonaro dê certo”. O que significa isso? Esse governo defende o retrocesso nos costumes, o obscurantismo na educação, o ataque aos movimentos populares, o extermínio da oposição, o faroeste social, o desrespeito diante das diferenças, a submissão colonial, a corrupção permitida aos amigos da “famiglia” no poder.

Eu, não. Torço para que dê errado. Essa conversa de que tudo faz parte da alternância democrática não passa de discurso hipócrita, que esconde as condições em que Bolsonaro foi eleito. Valeu-se de artimanhas eletrônicas, de um “atentado” até hoje mal explicado e da fuga de debates livres para assaltar o poder. Mesmo com tudo isso, seus votos foram inferiores aos da oposição somados aos nulos, brancos e abstenções.

As pesquisas, tão ao gosto desta gente, comprovam este horizonte bizarro. Nas questões fundamentais –previdência, educação, posse de armas, reforma trabalhista--, a maioria do povo brasileiro tem dito NÃO às intenções de Bolsonaro e sua turma. É de se perguntar, a quem ainda está interessado em pensar, tamanha assimetria entre o resultado a eleição e a vontade do país. Steve Bannon, assessor de Trump e “brother” da famiglia, talvez possa explicar como algoritmos mudam o resultado de qualquer eleição.

Os últimos episódios relacionados ao laranja bolsonarista Eduardo Queiróz dissipam quaisquer dúvidas. A famiglia Bolsonaro, tudo indica, cevou sua fortuna com base em roubalheiras de dinheiro público. A cada dia, surgem novas denúncias. Documentadas e exibidas em rede nacional de televisão. Irrefutáveis, a não ser para gente como Luiz Moradia Fux, cuja presença no STF é um acinte para qualquer estagiário de Direito.

A eleição de Jair Bolsonaro é produto de uma fraude. Quanto mais cedo seu mandato for interditado, mais o Brasil terá a ganhar. A oposição precisa ter isso em mente. Mas para isso não bastam manifestos subscritos em ambientes refrigerados. É necessário coragem e determinação. Recorrer à mobilização popular, já que a articulação midiática-judiciária-policial-parlamentar joga abertamente no sentido contrário.

Ricardo Melo é jornalista, presidiu a EBC e integra o Jornalistas pela Democracia
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Bolsonaro está visivelmente perdido

Artilharia pesada: Queiroz movimentou R$ 7 mi em três anos


Haja carro para vender.

A coluna de Lauro Jardim, em O Globo,  noticia que, em 2014 e 2015, a conta bancária do amigo e motorista dos Bolsonaro Fabrício Queiroz serviu de vala para fluírem nada menos que R$ 5, 8 milhões.

Somados aos R$ 1,2 milhão de 2016, nada menos que R$ 7 milhões de “entra e sai” de dinheiro.

Dobra a média de movimentação mensal, agora para R$ 200 mil.

No Governo Bolsonaro, talvez só o ex-banqueiro Paulo Guedes possa se ombrear a isso.

A história que ficou, agora, totalmente implausível é a do empréstimo de R$ 40 mil do amigo Jair a um Fabrício que se meteu em dificuldades.

Quem está em dificuldades é o ex-capitão, de viagem marcada para hoje para Davos, onde vai mostrar que está “moralizando o país”.

Ele e Sérgio Moro, o ex-fiscal do que seriam indícios “consistentes” de corrupção no Governo.

O “capitão do mato” do capital, eleito sobre o alicerce da indignação da classe média com a corrução está assistindo sem reação ruir aquilo em que se apoiava.

Achava-se tão forte que poderia reinar com seus fanáticos, sua guarda pretoriana e a “turma da bufunfa”. Com o bispo e sem a Globo.

Agora, está visivelmente perdido sobre que tipo de acordo poderia ainda fazer para parar o incêndio.

Fogo é mil vezes mais fácil de acender do que de apagar.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Eles não são apenas desonestos. São burros também.

Kataguiri diz que Marx percebeu seus erros na 1ª Guerra, quando ele estava morto havia 31 anos




No DCM
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COAF e o Globo detonam R$ 7 milhões do Queiroz

Quem vaza?


Da "colona" de Lauro Jardim no Globo Overseas (empresa que tem sede na Holanda para lavar dinheiro e subornar agentes da FIFA com objetivo de ter a exclusividade para transmitir os jogos da seleção):

O Coaf sabe muito mais do que já foi revelado sobre o caso Fabrício Queiroz, o ex-motorista de Flávio Bolsonaro.

Nos arquivos do órgão federal de controle de atividades financeiras consta que Queiroz transacionou um volume de dinheiro substancialmente maior do que o que veio a público em dezembro.

Além dos famigerados R$ 1,2 milhão, movimentados atipicamente entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, passaram por sua conta corrente mais R$ 5,8 milhões nos dois exercícios imediatamente anteriores. Ou seja, no total Queiroz movimentou R$ 7 milhões em três anos.

Segundo o próprio Jair Bolsonaro disse em entrevista, Queiroz "fazia rolo". Haja rolo.

Flávio chegou a dizer, no início de dezembro, que ouviu de Queiroz "uma história bastante plausível" sobre o R$ 1,2 milhão. E enfatizou: "a gente não tem nada a esconder", numa frase em que atrelou o seu destino ao de Queiroz.

O que dirá agora sobre essa montanha de dinheiro? Pela relação dos dois, imagina-se que o senador eleito saiba desses R$ 7 milhões.

Quando o MP do Rio voltar a se debruçar sobre o caso — as investigações estão suspensas desde quinta-feira passada por uma decisão de Luiz Fux, mas a tendência é que sejam retomadas — as explicações de Queiroz sobre suas atividades paralelas terão que ser mais convincentes do que as dadas até agora em declarações ao SBT.

A notícia de Lauro Jardim mereceu espalhafatosa primeira página do Globo:





Em tempo: o jornal nacional e o COAF, ontem, 19/I já tinham "descoberto" uma movimentação "atípica"  conta de Flavio Bolsonaro.



Em tempo²: o Conversa Afiada não deixa de se perguntar: será que é o Moro, chefe do COAF, quem vaza para o Globo ferrar os Bolsonaros?

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Xadrez do fim do governo Bolsonaro

“A verdade iniciou sua marcha, e nada poderá detê-la”.

Emile Zola, analisando os movimentos da opinião pública no caso Dreyffus.
Há uma certeza e uma incógnita no quadro político atual.

A certeza, é que o governo Bolsonaro acabou. Dificilmente escapará de um processo de impeachment. A incógnita é o que virá, após ele.

Nossa hipótese parte das seguintes peças.

Peça 1 – a dinâmica dos escândalos políticos

Flávio Bolsonaro entrou definitivamente na alça de mira da cobertura midiática relevante com as trapalhadas que cercaram o caso do motorista Queiroz. Não bastou a falta de explicações. Teve que agravar o quadro fugindo dos depoimentos ao Ministério Público Estadual do Rio, internando Queiroz no mais caro hospital do país, e, finalmente, recorrendo ao STF (Supremo Tribunal Federal) para trancar a Operação Furna da Onça, que investiga a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Nas próximas semanas haverá uma caçada implacável aos negócios dos Bolsonaro. A revelação, pelo Jornal Nacional, de uma operação de R$ 1 milhão – ainda sem se saber quem é o beneficiário – muda drasticamente a escala das suspeitas.

No dia 07/01/2018, a Folha lançou as primeiras suspeitas sobre Flávio. Identificou 19 operações imobiliárias dele na zona sul do Rio de Janeiro e na Barra da Tijuca.

Em novembro de 2010, uma certa MCA Participações, que tem entre os sócios uma firma do Panamá, adquiriu 7 de 12 salas ee um prédio comercial, que Flávio havia adquirido apenas 45 dias antes. Consegiu um lucro de R$ 300 mil.

Em 2012, no mesmo dia Flávio comprou dois apartamentos. Menos de um ano depois, revendeu lucrando R$ 813 mil apenas com a valorização.

Em 2014 declarou à Justiça Eleitoral um apartamento de R$ 566 mil. Em 2016 o preço foi reavaliado para R$ 846 mil. No fim do ano, a compra foi registrado por R$ 1,7 milhão. Um ano depois, revendeu por R$ 2,4 milhões.

Ou seja, não se trata apenas de pedágio pago pelos assessores políticos, dentro da lógica do baixo clero. As investigações irão dar inexoravelmente nas ligações dos Bolsonaro, particularmente Flávio, com negócios obscuros por trás dos quais há grande probabilidade de estarem as milícias do Rio de Janeiro.

Peça 2 – a Operação Quarto Elemento

A Operação que chegará ao centro da questão não é a Furna da Onça, mas a Operação Quarto Elemento.

Deflagrada no dia 25 de abril de 2018 pelo Ministério Público Estadual, destinou-se a desbaratar a maior milícia do estado, que atuava na Zona Oeste do Rio.

Foram presas 43 pessoas. O maior negócio da quadrilha era a extorsão. A ala Administração atuava na 34ª DP (Bangu), 36ª DP (Bangu) e na Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA) de Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Identificavam pessoas que seriam alvos de operações e iam na frente, para extorqui-las.

Foram detidos 23 policiais civis, cinco policiais militares, dois bombeiros e um agente penitenciário.

O líder da organização é Wellington da Silva Braga, o Ecko, que assumiu o comando depois da morte de seu irmão Carlinhos Alexandre Braga, o Carlinhos Três Pontes. Outros irmãos participavam da quadrilha, incluindo Luiz Antônio Braga, Zinho, dono de uma empresa, a Macla Extração e Comércio de Saibro.

O mapa abaixo é incipiente. Foi montado exclusivamente com informações divulgadas pela imprensa do Rio, especialmente jornais O Dia, Extra e G1 e mostra a abrangência de atuação da milícia.


Carlinhos Três Pontes era o cappo da milícia. Morto, foi substituído pelo irmão Wellington da Silva Braga, secundado pelos também irmãos Wallace e Luiz Antônio, conhecido como Zinho.

Vamos ao jogo de relacionamentos:
  1. Zinho é o principal suspeito de ter contratado o assassino da vereadora Marielle Franco. Na campanha, o ato de maior impacto foi o do futuro governador do Rio, Wilson Witzel, comemorando dois brutamontes arrebentando a placa com o nome de Marielle.

  1. Na operação foram presos os irmãos gêmeos, PMs Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, que atuavam como seguranças de Flávio Bolsonaro na campanha de 2018. Flávio defendeu-se tratando-os apenas como voluntários sem maiores ligações. Fotos no Twitter desmentiam, mostrando intimidade ampla dos Bolsonaro – pai e filho - com os irmãos.

  1. Três PMs membros da organização, e detidos pela operação - Leonardo Ferreira de Andrade, Carlos Menezes de Lima, Bruno Duarte Pinho  - , foram alvos de moções de louvor e congratulações de Flávio, quando deputado estadual. Dizia a moção:
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, ao longo de mais de dois séculos de imaculada existência, sempre cumpriu seu sagrado dever constitucional de proteção de nossa sociedade. (...) Dentre tais sucessos, merece especial citação e motiva a presente moção o confronto armado em comunidade localizada em Santa Cruz que culminou na prisão de diversos criminosos – dentre eles o chefe de tráfico conhecido pelo vulgo de “Zé da Colina”, possuidor de extensa ficha criminal

Segundo a Operação Quarto Elemento, “o esquema teve início quando os policiais eram lotados na 36ª DP (Santa Cruz) e continuou após a transferência do grupo para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Niterói, a partir de maio de 2017”

Peça 3 – o histórico dos Bolsonaro com as milícias


Quero dizer aos companheiros da Bahia — há pouco ouvi um Parlamentar criticar os grupos de extermínio — que enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo. Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o meu apoio, porque no meu Estado só as pessoas inocentes são dizimadas.

No dia 17/12/2008, outro discurso defendendo os milicianos das críticas de Marcelo Freixo, do PSOL, marcado para morrer.

Nenhum Deputado Estadual faz campanha para buscar, realmente, diminuir o poder de fogo dos traficantes, diminuir a venda de drogas no nosso Estado. Não. Querem atacar o miliciano, que passou a ser o símbolo da maldade e pior do que os traficantes.

Eleito deputado estadual em 2007, com 43.099 votos, Flávio Bolsonaro passou a integrar a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio. Na época, foi visto com uma camiseta com os dizeres "Direitos Humanos, a excrescência da vagabundagem”.

Na época, frequentava uma comunidade do Orkut “Estuprador merece a morte”.

Em seus discursos, defendia o pagamento de taxa de proteção às milícias por parte dos moradores dos territórios ocupados.

"As classes mais altas pagam segurança particular, e o pobre, como faz para ter segurança? O Estado não tem capacidade para estar nas quase mil favelas do Rio. Dizem que as mílicias cobram tarifas, mas eu conheço comunidades em que os trabalhadores fazem questão de pagar R$ 15 para não ter traficantes".

Flávio atuou fortemente contra a CPI das Milícias e anunciou sua intenção de apresentar um projeto regulamentando a profissão das “polícias mineiras”, termo da época para policiais que atuavam fora dos regulamentos.

Peça 4 – a serventia dos Bolsonaro

A Operação Quarto Elemento ocorreu em plena campanha eleitoral. Deu alguma repercussão, mas as informações foram abafadas para não influenciar as eleições e a candidatura de Fernando Haddad.

Àquela altura, mídia, mercado., Círculos Militares, o general Villas Boas, tentavam pegar carona na onda anti-PT. Quando Bolsonaro passou a cavalga-la, foi poupado em nome da causa maior: ele tinha serventia. Agora, não tem mais. Pelo contrário. A cada dia torna-se um peso excessivo para ser carregado por seu maior avalista, o estamento militar.

Não é Sérgio Moro quem está vazando informações. Aliás, Moro está mais agarrado ao cargo que caranguejo na pedra. Muito provavelmente é o próprio MPE do Rio, que há tempos entendeu a extensão do envolvimento dos Bolsonaro com as milícias.

Esse processo terá consequências sobre as instituições.

Mídia – com os fatos se sucedendo, rompeu definitiva e precocemente a blindagem sobre Bolsonaro.

Forças Armadas – dificilmente manterão o aval a um governo ligado às milícias, tendo se mostrado um carro desgovernado, incapaz de se articular minimamente.

Ministério Público – com o aval da mídia, e com o impacto das revelações sobre Flávio, continuará agindo e tirando da gaveta mais informações sobre a família.

Supremo Tribunal Federal – com a opinião militar mudando, recuperará a valentia e endossará as ações da PGR e do MPE. O Ministro Luiz Fux ficou literalmente com a broxa na mão.

Senado – o caos em que se transformou o PSL, facilitando a eleição de Renan Calheiros, deixará o Senado como poder autônomo em relação a Bolsonaro, especialmente agora, que se vislumbra o desmonte da blindagem institucional.

Luís Nassif
No GGN
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