19 de jan de 2019

Agressão à Venezuela é reflexo do Itamaraty dominado pelo fanatismo da extrema-direita


O ex-embaixador Rubens Ricúpero exprimiu como ninguém a estupefação causada pelo comunicado do Itamaraty sobre a reunião do ministro Ernesto Araújo “com as principais forças políticas democráticas venezuelanas”.

O chanceler do Bolsonaro atacou que “O sistema chefiado por Nicolás Maduro constitui um mecanismo de crime organizado. Está baseado na corrupção generalizada, no narcotráfico, no tráfico de pessoas, na lavagem de dinheiro e no terrorismo” [ler comunicado].

Para Ricúpero, o linguajar do comunicado “não tem nenhum propósito útil” […], representa “uma mudança de mais de 200 anos de tradição de comedimento, senso de medidas e de proporção” […] que “desmoraliza o Brasil não perante a Venezuela, mas perante o mundo. Eu nunca vi nada parecido”.

Outro antigo diplomata afirmou, em off, que “nunca se viu uma nota dessas no Itamaraty, … e nem no hospício”.

Na opinião de Ricúpero, esta “linguagem desabrida, ofensiva, de acusações de crimes, […] em outra época da história, levaria a uma guerra” [ler aqui].

Ricúpero lamenta que “O Brasil vai ficar sempre com essa mancha. Ainda que um dia ele evolua e não tenha um governo troglodita no futuro, vai ficar sempre com essa mancha histórica de um país que foi capaz de cometer esses absurdos. É uma coisa que não se apaga”.

Estão cheios de razão diplomatas, analistas e especialistas em relações internacionais que se escandalizam com a condução e os rumos da política externa sob o governo Bolsonaro.

Há um amplo consenso nos meios políticos nacionais e estrangeiros, independentemente de identidade ideológica, acerca dos prejuízos e das dificuldades desnecessárias que o Brasil enfrentará devido aos desatinos e estupidezes do atual comando do Itamaraty.

A política de alinhamento incondicional com o presidente Donald Trump e de permanente confronto ideológico – que no caso da Venezuela equivaleu a uma declaração de guerra – é reflexo do domínio e da hegemonia do fanatismo da extrema-direita brasileira e internacional, em especial a norte-americana, na gestão da política externa do país.

Com Bolsonaro, o Itamaraty não desempenha uma política de Estado para defender e exercer os interesses do Brasil no mundo, como seria esperado, mas executa a política partidária do PSL. É uma política alinhada, organizada e articulada internacionalmente com estruturas partidárias da extrema-direita de outros países do mundo, sob a liderança do filho presidencial Eduardo Bolsonaro.

A reunião que gerou o comunicado contra a Venezuela ilustra bem essa indecorosa realidade, conforme comprovam os aspectos a seguir destacados:

1] a agenda do ministro Ernesto Araújo no dia 17/1/2019 previa, exclusivamente, “Reunião com interlocutores venezuelanos e representantes de países do Grupo de Lima e dos Estados Unidos, seguida de almoço”. A reunião teve 11 horas de duração. Nos tempos de “diplomacia civilizada”, para usar uma expressão do embaixador Rubens Ricúpero, no mínimo causaria estranheza a intromissão dos EUA e da OEA em decisões do Brasil a respeito de assuntos sul-americanos;

agenda itamaraty sobre venezuela

2] embora participaram agentes norte-americanos e os empregados da OEA submissos a Washington, a reunião não contou com representação institucional do MERCOSUL, da UNASUL e da CELAC – organismos e mecanismos regionais de integração eficientes na resolução de conflitos continentais e no esforço contínuo de preservação da paz na região;

3] a agenda divulgada menciona a participação de “interlocutores venezuelanos” na reunião. Posteriormente, com a repercussão na imprensa, soube-se que os tais “interlocutores venezuelanos” são, na realidade, conhecidos agentes da ultra-direita venezuelana; alguns deles implicados em atos de conspiração e sabotagem e fugitivos da justiça do país vizinho.

Outro fato marcante acerca da reunião foi o tweet que Eduardo Bolsonaro publicou às 22:57h de 17/1/2019, pouco tempo depois do término da reunião que tomou toda a agenda diária do chanceler brasileiro:

Mesmo em recesso voltei dos EUA direto para Brasília, onde tive reuniões por toda a tarde e agora também de noite tratando de temas emergenciais referentes à Venezuela e [à] política externa. A Narcoditadura de Maduro é um câncer que precisa ser extirpado”.

eduardo bolsonaro sobre venezuela

A manifestação de Eduardo Bolsonaro permite inferir que ele retornou dos EUA, onde estava recebendo instruções sobre o posicionamento do Brasil contra a Venezuela, e desembarcou diretamente na reunião do Itamaraty para operar as agressivas instruções recebidas.

Em debate televisivo, o jornalista Samy Adghirni, da Bloomberg, fez o seguinte comentário:

A reunião […] foi um evento cercado de mistério. Houve muito pouco contato com a imprensa. É muito importante destacar que a divulgação do evento foi feita pelo PSL, pelo partido do Presidente, e não pelo Itamaraty. Causou alvoroço no ministério, muita gente só ficou sabendo ali na hora que o evento estava começando. Mas, por trás disso, está a figura do Eduardo Bolsonaro …” [vídeo aqui].

O chanceler Ernesto Araújo é uma figura lunática e simplória que faz as vezes de bobo útil. Talvez seja o preço que ele esteja disposto a pagar para se manter no cargo que jamais ocuparia não estivesse o Brasil vivendo esse estado de transe reacionária e anti-civilizacional.

A política externa do Brasil está inteiramente dominada por um fanatismo ideológico e religioso. A imposição ideológica da extrema-direita, além de inconsequente e irresponsável, é burra e desastrosa, porque trará prejuízos duradouros à imagem e aos interesses do Brasil no mundo.

Jeferson Miola
Leia Mais ►

Enfim, a “diferença” dos Bolsonaros a Lula e aos ex-presidentes

Em quinze dias no poder, os Bolsonaros mostraram a diferença deles para os demais ex-presidentes
Não restam dúvidas que a, no mínimo mal articulada, jurídica e politicamente, Reclamação (Rcl. 32989) que a defesa do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) provocou incontáveis prejuízos não apenas ao próprio, mas em especial ao chamado capital político de todo o clã, à frente o pai, o capitão da reserva Jair Bolsonaro, hoje presidente da República.

Como adiantou, na sexta-feira (18/01), o ministro Marco Aurélio Mello, que assumirá o processo como relator, a decisão de Luiz Fux acatando o pedido de paralisação das investigações pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) sobre as movimentações bancárias atípicas de Fabrício José Carlos de Queiroz, irá, nas suas próprias palavras, “para a lata do lixo”.

Ou seja, Flávio Bolsonaro além de não ter alcançado seu objetivo processual, tornou-se uma espécie de “réu confesso”, com “culpa no cartório”. Mais ainda: publicamente mostrou-se “amedrontado”.

Não é para menos. Melhor do que ninguém, sabia de antemão dos depósitos atípicos e suspeitos de ilegalidade em sua conta, que começaram a vir a público a partir de um “providencial” vazamento, na edição de sexta-feira do Jornal Nacional.

Sarney, Fernando Henrique, Lula e Michel Temer jamais interferiram em investigações sobre os filhos.
Fotos: reproduções
 Há, porém, prejuízos políticos graves. Muitos já apontados não apenas pelos opositores, mas também pelos próprios apoiadores e defensores da claque que se apoderou do poder, em uma eleição – não se deve esquecer – altamente suspeita pelo uso indevido de Fake News. O maior desses prejuízos, contudo, ainda não explicitado diretamente, aos poucos será realçado, para desespero dos bolsomitos.

Já se mostrou que, ao tentar interferir em uma investigação criminal, seja lá por qual motivo for, os Bolsonaros conseguiram, em apenas 15 dias de governo, derrubar o discurso de que vieram para combater toda e qualquer corrupção e para por um fim na velha impunidade. Foi por águas abaixo também a promessa de fazer valer a lei para todos. Prejuízo esse já contabilizado.

Mais grave, entretanto, é que, através do primogênito do clã, deram demonstração prática de uma grande diferença para com os políticos – por eles sempre criticados, ainda que com ênfase diferente – que passaram pela Presidência da República nos últimos anos. Entre eles, José Sarney, Fernando Henrique Cardoso, o próprio Michel Temer e, notadamente, aquele que elegeram como seu maior inimigo, o petista Luiz Inácio Lula da Silva. São, na visão dos bolsomitos, políticos tradicionais que o novo governo enterraria de vez.

Todos esses quatro ex-presidentes, porém, como citou a Folha de S.Paulo na tarde de sexta feira (18/01) em Relembre as investigações envolvendo filhos de presidentes da República, viram seus filhos acusados de irregularidades sofrerem pesadas investigações. O que a Folha não realçou é que nenhum dos quatro, contudo, pelo menos publicamente, recorreu ao subterfúgio de tentar paralisar o trabalho dos investigadores. Tal como Flávio Bolsonaro fez agora.

Lula, o inimigo: diferença marcante – Notadamente aquele que os Bolsonaros e seus seguidores em geral elegeram como maior rival, o ex-presidente Lula, atualmente preso por crime não comprovado e em consequência de julgamento altamente questionável, logo, suspeito. Julgamento, cabe lembrar, inicialmente presidido e depois sobre fortes influências do hoje ministro da Justiça dos Bolsonaros, o ex-juiz Sérgio Moro.

 Lula viu as vidas de seus filhos, Fábio Luís e Luís Cláudio da Silva, serem totalmente vasculhadas. Na verdade, toda a sua família sofreu junto com as investidas policiais, devidamente incentivadas e aplaudidas pela mídia. Muitas das vezes com ilegalidades acobertadas pela omissão de tribunais superiores.

Relembrando: presenciou a sua casa invadida e até o colchão de sua cama revirado. Foi conduzido coercitivamente sem motivos. Em outro flagrante desrespeito à lei, assistiu nos jornais da TV conversas telefônicas suas com a presidente Dilma Rousseff, assim como da mulher Marisa com o filho. Todas reproduzidas com estardalhaço. Vivendo sobre pressão, a esposa sofreu um AVC e faleceu, depois de dias internada.

Pode-se até alegar que a defesa do ex-presidente petista abarrotou os tribunais superiores de recursos na tentativa de melhorar a situação do cliente, cujo fim já estaria previamente determinado, como citam mais de 120 juristas no famoso livro Comentários sobre uma sentença anunciada: o processo Lula.

Houve sim, tentativas de deslocar processos alegando-se falta de isenção do juízo, o que hoje parece ter ficado cristalino. Não há, porém, ao longo de todo este tempo, nenhuma informação de tentativa de se impedir uma investigação. Fosse a benefício do próprio ou de seus filhos e parentes. Ainda como presidente, só soube da busca e apreensão na casa de seu irmão quando ela ocorria.

Antes pelo contrário, nos mais diversos setores da sociedade e da própria vida política brasileira, incluindo-se autoridades responsáveis pelos órgãos de fiscalização e investigação do governo federal, e no próprio Judiciário, há um reconhecimento geral de que foram nas suas duas gestões como presidentes que ocorreram os maiores investimentos e modernizações nestes mesmos órgãos fiscalizadores. Notadamente a Polícia Federal.

Dilma e Cardozo: críticas dos petistas por não
interferirem nas investigações da Lava Jato.
Dilma fortaleceu, Bolsonaro desmonta – Da mesma forma, sua sucessora, Dilma Rousseff, mesmo sendo vitima de uma campanha feroz da oposição raivosa, não mexeu nenhum pauzinho para evitar a devassa que a própria Polícia Federal – sob o comando do seu ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo -,lhe promoveu. Não por outro motivo os dois são criticados por diversos setores do PT e da esquerda em geral, acusando-os de deixarem as rédeas da PF soltas na chamada Operação Lava Jato.

Teoricamente, deu cordas para enforcarem-na. Foi em seu governo que o Congresso aprovou e ela sancionou, em 2013, a lei das delações premiadas. A mesma que Moro e a chamada República da Lava Jato usaram e abusaram contra petistas.

Já os Bolsonaros, no segundo dia de governo, tal como denunciou

José Pereira de Barros Neto, corregedor da Receita Federal em ofício encaminhado ao secretário da Receita, Marcos Cintra, editou decreto provocando o desmonte da corregedoria e prejudicando o combate à corrupção no órgão, tal como noticia, neste sábado (19/01) o jornal O Globo em Corregedor da Receita critica gestão Bolsonaro por ‘desmonte’ em área de combate à corrupção.

Exemplos variados – Os governos petistas não foram os únicos a respeitarem as leis e as instituições fiscalizadoras. É verdade que no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso muitos escândalos foram engavetados pelo então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, o que jamais ocorreu com os seus sucessores petistas.

Mas FHC teve a sua filha, Luciana, secretária na sua administração, bem como o ex-marido dela, o engenheiro David Zylbersztajn, nomeado diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), e o filho, Paulo Henrique, alvo de investigações durante a sua gestão, sem que surgisse qualquer informação de interferência para evitá-las. Contou apenas com a ajuda da “mídia” que, ao contrário de como se comportou nos governos petistas, silenciou-se sobre muitos casos.

José Sarney também viu sua filha Roseana, assim como o marido dela, Jorge Murad, serem alvo de investigações e suspeitas. Claro que não gostou. Mas nada fez para tentar impedir as investigações. Até porque, ao contrário do que demonstraram os Bolsonaros, a velha raposa política maranhense, sabia que qualquer tentativa nesse sentido não daria bons resultados.

Mesmo Michel Temer, para se citar exemplo mais recente, na presidência da República teve sua vida pregressa vasculhada e assistiu a filha, Maristela Temer, em maio de 2018, ser chamada para depor. Protestou publicamente em pronunciamento, mas não se teve notícia de qualquer tentativa de interferência para impedir o prosseguimento das investigações.

Outro exemplo célebre foi o chamado Caso Collor, no início dos anos 90. Coube à Polícia Federal esmiuçar as ligações do então presidente com seu tesoureiro, Paulo César Farias, além da relação espúria deste com empresários. Mesmo vendo a pressão para lhe tirarem a cadeira de presidente da República, o alagoano até protestou e chegou a convocar a população para sair em sua defesa. Jamais, porém, interferiu junto aos órgãos encarregados da devassa feita.

Já com os Bolsonaros bastaram duas semanas no poder para que mostrassem aos seus eleitores realmente suas diferenças daqueles que classificam como “políticos tradicionais”. Em apenas 15 dias, sob o silêncio sepulcral do ex-juiz legalista, hoje ministro da Justiça, Moro, sinalizaram que a lei, que diziam ser igual para todos, para eles deveria ser diferente. Queiram os bolsomitos ou não, mostraram-se realmente diferentes. Só que para pior.

Marcelo Auler
Leia Mais ►

Próximo passo do MP deve ser identificar quem fez os depósitos na conta de Flávio Bolsonaro


Se antes investigar Flávio Bolsonaro era uma possibilidade, agora é uma obrigação dos agentes públicos, e a instituição competente para fazer esse tipo de investigação é o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, não o Supremo Tribunal Federal, como decidiu, liminarmente, o ministro Luiz Fux.

Primeiro caiu Fabrício Queiroz, agora Flávio Bolsonaro. A primeira-dama, Michele Bolsonaro, saiu arranhada, com um depósito suspeito de Queiroz na sua conta.

Pelo indícios revelados, existe uma cadeia sob a batuta de Jair Bolsonaro, que até ontem era um expoente do baixo clero da Câmara dos Deputados.

A investigação pode levar à descoberta de fatos que confirmarão o que alguns já sabiam ou suspeitavam e outros achavam absurdo: o combate de Bolsonaro à corrupção é só da boca para fora.

Se o objetivo agora é buscar a verdade, o primeiro do Ministério Público é identificar quem fez os depósitos em dinheiro na conta de Flávio. Ao contrário do que informou o Coaf, é possível.

Os depósitos foram feitos entre junho e julho de 2017, e uma lei estadual do Rio de Janeiro, a 7.209/16, determina que os bancos guardem por pelo menos dois anos os registros de suas câmeras de monitoramento.

Segundo o relatório do Coaf, divulgado pelo Jornal Nacional, depósitos de 2.000 reais — que totalizaram 96 mil reais — foram feitos na conta de Flávio, num período de cinco dias, no caixa eletrônico da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

A pedido do Ministério Público, a justiça pode determinar a entrega de cópias das gravações feitas nesses equipamentos. É simples, mas tem que agir rápido, já que, daqui a cinco ou seis meses, as gravações não estarão mais disponíveis.

Outro passo importante na investigação é quebrar o sigilo bancário do senador eleito, para descobrir outros depósitos e, principalmente, para verificar para onde foi o dinheiro.

O ministro da Justiça de Bolsonaro, Sergio Moro, quando era juiz e realizava palestras no Brasil e no exterior, deu, certa vez, uma orientação para investigações sobre corrupção e lavagem de dinheiro.


“O velho conselho norte-americano: siga o dinheiro e você descobre quem é o chefe, quem é o responsável pelo crime”, afirmou.

Também é de Moro a descrição sobre movimentos que caracterizam lavagem de dinheiro. O texto está em um livro publicado em 2010 pela Saraiva — Crime de Lavagem de Dinheiro. Sua descrição encaixa-se perfeitamente na movimentação de Flávio Bolsonaro informada ao Coaf.


Falando sobre um caso concreto, em que atuou como juiz, Moro contou:

“Foram apreendidos em operação policial dezesseis cheques emitidos na mesma data, pelo mesmo emitente, tendo sempre o mesmo beneficiário, e com valores que variavam de quatro mil e quinhentos a quatro mil e novecentos. Aparentemente, os cheques seriam utilizados para a realização de um saque em espécie do valor somado de todos. Todos os cheques tinham, portanto, valores inferiores a dez mil reais, e ainda a sua soma era inferior a cem mil reais. Condutas dessa espécie visam evitar que as operações sejam comunicadas ao COAF”.

É que depósitos ou saques realizados acima de determinada quantia precisam ser, necessariamente, comunicados. O cliente é obrigado até a assinar uma declaração para informar a que se destina aquele dinheiro.

Com o relatório do Coaf divulgado, entende-se por que Flávio Bolsonaro recorreu ao Supremo Tribunal Federal, durante o plantão de um ministro que mantém relações pessoais com o grupo de Bolsonaro — a filha de Luiz Fux é amiga do ministro Gustavo Bebianno, chefe da Secretaria de Governo, por sua vez amigo muito próximo de Paulo Marinho, primeiro suplente do senador Flávio Bolsonaro.

O senador eleito não pediu apenas a suspensão temporária da investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Ele quer também a anulação das provas — em outras palavras, o relatório do Coaf.

Flávio Bolsonaro está, nitidamente, tentando resolver politicamente uma questão que é criminal. Foi por isso que bateu nas portas do STF, depois de se recusar a depor do Ministério Público Estadual.

Disse que não teve acessos aos autos, mas teve, e sabe do peso das provas — daí querer anulá-las.

Não fosse assim, não teria procurado o refúgio do foro por prerrogativa de função, um privilégio que o pai dele afirmou rejeitar.

Com seu comportamento, o filho do capitão deixou seguidores perplexos, alguns indignados, outros em silêncio e os mais sinceros, revoltados.

Mas ele ganhou dois apoios. Um é do senador Renan Calheiros, que é candidato à presidência do Senado.

“Ele não pode ser investigado nem no Rio de Janeiro nem no Senado. A investigação no Senado só acontece em circunstâncias especialíssimas”, afirmou Renan.

O vice-presidente, general Hamílton Mourão, também saiu em seu socorro e deu um jeito de enfiar o PT na história.

“São várias pessoas investigadas nessa operação, na Furna da Onça. As quantias que estavam ligadas ao Flávio eram as menores. As maiores, se não me engano, eram ligadas a um deputado do Partido dos Trabalhadores. E ninguém está falando nisso. Eu acho que está havendo algum sensacionalismo e direcionamento nesse troço. Por causa do sobrenome. Não pela imprensa, que revela o que chega às mãos dela. O Ministério Público tem de ter mais foco nessa investigação”, disse ele.

Dezenove dias depois da posse de Bolsonaro, essa nova turma que chegou ao poder já tem fisionomia e cheiro de coisa velha.

Joaquim de Carvalho
No DCM
Leia Mais ►

Barraco no ninho dos bolsominions


Marcello Reis, do Revoltados Online e ex-marido da deputada federal eleita Carla Zambelli, publicou na sexta-feira um vídeo intitulado “Agente do PCC infiltrado no governo Bolsonaro a mando do MDB”.

Reis se refere a Vinícius Aquino, assessor de Alexandre Frota, a quem acusou de ser traficante de drogas.

“Ele levava cocaína para a gente quando estávamos acampados no gramado do Congresso, esperando a votação do impeachment da Dilma, em 2016”, afirmou Reis.



Barracos de família no ar

“Ele levava cocaína para a gente quando estávamos acampados no gramado do Congresso, esperando a votação do impeachment da Dilma, em 2016” disse o fundador do movimento revoltados Online em um ataque ao empresário Vinícius Aquino, de 28 anos, assessor do deputado eleito Alexandre Frota e dono da marca Pixuleco, a quem Reis acusou de ser traficante de drogas.

As acusações ocorreram após o guru da direita, Olavo de Carvalho, incitar seu rebanho contra os deputados do PSL que foram a China, chamando-os de 'jumentos', 'caipiras' e 'semianalfabetos'. A viagem foi organizada por Vinicius Aquino, acusado agora de ser o traficante oficial de drogas da direita.

Direto da China, agindo como porta voz dos parlamentares, Aquino mandou a letra para Bolsonaro: “Todos nós respeitamos o Jair, mas não vamos aceitar esses ataques dos filhos dele. Isso não é uma monarquia. Ele não é rei e os filhos dele não são filhos do rei.”

Histérica, a Deputada Carla Zambelli, telefonou para Araújo, Ministro das Relações Exteriores, de dentro da embaixada do Brasil na China, exigindo que ele se posicionasse em defesa dos parlamentares. Parece que ele desligou o telefone na cara da Deputada. A final, ele foi indicado por Olavo de Carvalho, a quem segue fielmente.

Espumando de raiva, enviaram mais um recado, agora em tom de ameaça, a Bolsonaro: 'Fernando Henrique, perdeu a reforma da previdência em 1998 por um voto, presidente. Não se esqueça.'

Alexandre Frota, então, entrou na briga, defendendo seu assessor, o cara acusado de ser traficante, dizendo que Olavo de Carvalho é um louco, e que ele, bem como os outros deputados, não devem satisfação a Bolsonaro, e viajam para onde quiserem, mas que o presidente deveria sair em defesa deles, pois quem vai conseguir os votos no congresso será ele, e não Olavo de Carvalho.

“Agente do PCC infiltrado no governo Bolsonaro a mando do MDB” foi a acusação feita mais tarde, em tom ainda mais raivoso, por Marcelo Reis, ex-marido de Carla Zambelli, referindo-se ao assessor de Frota que está na China.

“Ele levava drogas não só para mim, mas também para deputados no Congresso” - Reis, sobre Aquino.

Reis ainda se dirigiu a Bolsonaro, agora mais manso, e a Frota: “Presidente, gosto muito do senhor e dos seus filhos. Tenho carinho especial pelo Carlos, o Pitbull do governo Bolsonaro. Me identifico com ele. Carlos, protege o teu pai”, clamou. E pediu que Frota “fosse homem” e demitisse Aquino de seu gabinete. “Você não é o homem que falou que era contra as drogas? Agora seja homem e não seja gogo boy. Você agora é deputado. Demite esse cara”

Aquino, o acusado de tráfico, agora responde Reis, direto da China: Disse que não vai processar ele, pois “é um duro, não tem onde cair morto”. Afirmou que Reis “não tem qualquer moral”, é um esquecido nas redes e que “está postando isso para ganhar uns likes”.

Pancada! Aquino falou sobre o rompante de Eduardo Bolsonaro de querer desmoralizar seus correligionários, ao chamá-los de “favelados” por terem tido poucos votos, ao passo que ele e Joice Hasselmann tinham sido os mais bem votados, ele com 1,8 milhão de votos e ela 1 milhão. “Ele esquece que agora cada parlamentar tem o mesmo peso. Cada parlamentar é um voto”. E ameaçou. “Se ele vier falar nesse tom no gabinete do Frota eu quebro a cara dele.”

Ainda disse que eles não devem nada a Bolsonaro, e jogaram na cara: “Não foi o Bolsonaro que os Elegeu. (os deputados) Quando Bolsonaro estava numa cama de hospital, essa turma estava nas ruas fazendo campanha para ele.” E reclamou. “Está na hora de o governo sair em defesa dos deputados na China abertamente, já que estão lutando pelos interesses do país. Deveria exigir que parem com essa palhaçada. Isso aqui não é para brincadeira.”

Vai ter mais barraco. Essa foi a turma super capacitada que governará os rumos do nosso pobre país.

Quem viver, verá. Ou não.




Marcelo Reis, Revoltado On Line, detona Joice Hasselmann

Leia Mais ►

Xavier ouviu falar em "capitalização" e saiu correndo!

No Chile, o Pinochet teve que matar 45 mil pessoas...


O Conversa Afiada reproduz sereno (sempre!) artigo de seu colUnista exclusivo Joaquim Xavier, que está em desabalada carreira, não sabe em que direção:

A opinião publicada na grande mídia começa a embarcar na conversa de que realmente é preciso mexer na previdência. “Não podemos apostar no quanto pior, melhor”, diz, por exemplo Nelson Barbosa, que foi ministro em governos do PT. “Temos que ter nossa proposta”. É o primeiro passo para o abismo.

O ex-ministro Carlos Gabas, um dos maiores entendidos no assunto, já mostrou por A+B que essa história de déficit da previdência é uma farsa. A seguir o que prega a Constituição, a Previdência não tem déficit: é superavitária. Tudo depende de como se fazem as contas. Os defensores da liquidação das aposentadorias retiram das receitas itens previstos pela Carta de 88. Daí surge um buraco monstruoso, fruto, aí sim, de uma pedalada contábil-fiscal dos arautos da banca nacional e internacional.

Os próprios governo Lula e Dilma promoveram ajustes diante da mudança do perfil demográfico no Brasil. A população vive mais tempo, enquanto os índices de natalidade tendem para baixo. Afora isso, é claro que setores como o judiciário e parcelas do funcionalismo público beneficiam-se de regras privilegiadas na hora de se aposentar. Tudo isso pode ser objeto de discussão, como aconteceu nas mudanças realizadas por Lula e Dilma.

Mas não é disso que se trata no momento. A discussão de fundo é outra: deve a aposentadoria ser uma espécie de “contrato” entre as gerações mais jovens e aquelas que envelhecem – o regime de repartição, solidário e calcado no estado de bem-estar social -, ou deve a aposentadoria virar um problema individual, “meritocrático”, baseado na capitalização selvagem?

No primeiro caso, a aposentadoria é um pacto civilizatório, em que trabalhadores, empresas e o Estado destinam recursos para assegurar condições dignas aos que dedicaram sua vida produtiva ao crescimento do país. “Despesas” com a aposentadoria devem ser encaradas como investimento social, não como gastos que cabem eliminar. É isso o que acontece nos países civilizados. Nestes, não se assiste por exemplo à farra de calotes registrada pelo INSS local, em que magnatas dão calotes milionários sem que a Receita tome qualquer providência digna deste nome.

Já na fórmula de capitalização, tudo isso vem abaixo. O regime solidário, o pacto social entre as gerações passadas, presente e futuras é eliminado. O papel do Estado como regulador das distorções impostas pelos abutres do mercado desaparece.

Tome-se o exemplo chileno, paradigma dos Paulo Guedes da vida. Para implementá-lo, foi preciso instituir uma ditadura sanguinária: o Pinochet matou 45 mil pessoas. Só.

Os resultados não demoraram a surgir. Quem se aposentou pelo regime de capitalização viu-se obrigado a viver com pensões abaixo do salário mínimo. Quem não aguenta, mata-se. É o que ocorreu com milhares de idosos no Chile. A ponto de os governos pós-ditadura serem obrigados a rever os ditames dos Paulos Guedes andinos.

No Brasil, a adoção do regime de capitalização é ainda mais cruel. A maioria das famílias está endividada. Mal têm como honrar compromissos presentes, quanto mais reservar dinheiro para o futuro. A reforma trabalhista agravou a situação. “Trabalhadores intermitentes”, empreendedores cujo negócio resume-se a vender panos de chão e bolos de nada nas calçadas correm atrás do ganha pão cotidiano. Como vão “poupar” para a aposentadoria se nem sequer conseguem quitar as despesas do presente?

O PT e a oposição progressista não podem cair na ladainha de apresentar “sua reforma”. Se querem ser coerentes com a vontade do povo, que rejeitou a reforma de Temer e com mais razão ainda renega sua versão piorada, só podem dizer NÃO aos planos de Bolsonaro, Paulo Guedes e seus oráculos instalados em território americano.

Fazer diferente é cair no jogo de um governo avesso à democracia, eleito de forma fraudulenta a soldo dos financistas nacionais e internacionais. Não se trata de “quanto pior, melhor”, mas sim de “quanto melhor, melhor”. E o melhor, neste caso, é cerrar fileiras contra os planos de liquidação de fato da aposentadoria.

Joaquim Xavier
Leia Mais ►

Nova delação contra Lula vaza um dia após Bolsonaro se complicar no caso Queiroz


A sexta-feira (18) começou com analistas e até ministros do Supremo Tribunal Federal dizendo, em off, que Flávio Bolsonaro deu um tiro no pé e assumiu parcela de culpa no caso Coaf-Queiroz, e chega ao final com uma ajuda providencial para tirar o escândalo do noticiário: a divulgação de um novo capítulo da delação de Antonio Palocci.

A divulgação só ocorreu porque a Polícia Federal decidiu anexar, hoje, parte da delação que existe desde abril de 2018 em um inquérito sobre Belo Monte que tramita sob sigilo.

Na delação divulgada pelo G1, Palocci afirmou que Lula recebeu propina pela obra da Andrade Gutierrez em Belo Monte. O ex-ministro relatou que levou o dinheiro pessoalmente ao ex-presidente, uma vez dentro de uma caixa de uísque, em outra suposta oportunidade, dentro de uma caixa de celular.

"[Palocci] Também se recorda que, dos recursos em espécie recebidos da ODEBRECHT e retirados por Branislav Kontic, levou em oportunidades diversas cerca de trinta, quarenta, cinqüenta e oitenta mil reais em espécie para o próprio Lula", diz trecho divulgado pelo G1.

"Em São Paulo, recorda-se de episódio de quando levou dinheiro em espécie a Lula dentro de caixa de whisky até o Aeroporto de Congonhas, sendo que no caminho até o local recebeu constantes chamadas telefônicas de Lula cobrando a entrega." Isso teria ocorrido em 2010.

Segundo o G1, dois motoristas de Palocci confirmaram os encontros com Lula, mas não puderam confirmar que viram dinheiro dentro dos pacotes. Um deles afirmou, porém, que sabia que o ex-ministro da Fazenda, às vezes, andava com grandes quantias de dinheiro tentando não chamar atenção.

Palocci também disse que a empreiteira Andrade Gutierrez "pagou despesas ao Vox Populi e que, em benefício do ex-presidente, fez doações ao Instituto Lula e pagou palestras a Lula", afirmou o G1.

No meio da eleição para presidente, o juiz Sergio Moro levantou o sigilo de um trecho da delação de Palocci que diz que Lula sabia dos esquemas de corrupção no governo. Moro, hoje, é ministro da Justiça, pasta que comanda a Polícia Federal.



Lula e Dilma rebatem teor da declaração de Palocci vazada

No meio de denúncias e suspeitas atingindo a família Bolsonaro e seu fiel escudeiro Queiroz, o vazamento de providencial delação de Antonio Palocci. Para empanar o brilho de fogo das suspeitas e documentos que atingem Flávio Bolsonaro e podem chegar até a primeira dama e o presidente, pai do envolvido, a Polícia Federal cochila e o áudio vai para as ruas. Típica movimentação já vista anteriormente.

Mas o teor da delação atinge, de novo, e mais uma vez, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba há nove meses, e a ex-presidente Dilma Rousseff, deposta do cargo por não ser conivente com um esquema sujo que previa, nas palavras de Romero Jucá, 'com Supremo com tudo'.

Os dois ex-presidentes soltaram nota contestando o teor das delações e o providencial vazamento. Primeiro a de Lula, que lembra que a Lava Jato tem quase duzentos delatores loucos por reduções de pena. Nenhum deles, ao ser estimulado pelos algozes, conseguiu apresentar qualquer prova. Pois não existem. Lembra ainda que Palocci já havia tentado ser delator, tendo implorado por isso, e a fragilidade de seu depoimento não colou.

Dilma Rousseff também soltou nota comentando as mentiras contidas na delação de Palocci. Para ela, o evento é uma cortina de fumaça, já que não carrega nenhuma prova contra ela ou mesmo o ex-presidente Lula.

Leia as notas a seguir.

Sobre histórias de Palocci e motoristas plantadas hoje contra Lula

A Lava Jato tem quase 200 delatores beneficiados por reduções de pena. Para todos perguntaram do ex-presidente Lula. Nenhum apresentou prova nenhuma contra o ex-presidente ou disse ter entregue dinheiro para ele. Antônio Palocci, preso, tentou fechar um acordo com o Ministério Público inventando histórias sobre Lula. Até o Ministério Público da Lava Jato rejeitou o acordo por falta de provas e chamou de “fim da picada”.

Mas o TRF-4 decidiu validar as falas sem provas de Palocci, que saiu da prisão e foi para a casa, com boa parte de seu patrimônio mantido em troca de mentiras sem provas contra o ex-presidente. O que sobra são historinhas para gerar manchetes caluniosas.

Todos os sigilos fiscais de Lula e sua família foram quebrados sem terem sido encontrados valores irregulares.

Há outros motoristas e outros sigilos que deveriam ser analisados pelo Ministério Público, que após anos, segue sem conseguir prova nenhuma contra Lula, condenado por “atos indeterminados”. Curiosa a divulgação dessa delação sem provas justo hoje quando outro motorista ocupa o noticiário.

Assessoria de Imprensa do ex-presidente Lula

As novas mentiras de Palocci

Dilma rebate as novas declarações fantasiosas do ex-ministro

A propósito das supostas novas declarações do senhor Antônio Palocci, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff registra:

Mais uma vez, o senhor Antônio Palocci mente em delação premiada, tentando criar uma cortina de fumaça porque não tem provas que comprometam a idoneidade e a honra da presidenta Dilma.

É fantasiosa a versão de que ela teria “dado corda” para a Lava Jato “implicar” Lula. Isso não passa de uma tentativa vazia de intrigá-la com o presidente Lula.

Na verdade, a delação implorada de Palocci se constitui num dos momentos mais vexaminosos da política brasileira, porque revela o seu verdadeiro caráter.

Assessoria de Imprensa
Dilma Rousseff
Leia Mais ►

Marcelo Yuca

                                                                                                                        
 Marcelo Yuka 
Marcelo Fontes do Nascimento Viana de Santa Ana
* 31 de dezembro de 1965, Rio de Janeiro-RJ — 18 de janeiro de 2019, Rio de Janeiro-RJ

Leia Mais ►

Moro não vai poder fingir que não vê nada do governo idiocrático e corrupto que abraçou


Moro no governo Bolsonaro


Dá para ouvir o grito da torcida nos estádios, daquela gente valorosa que lutou contra a corrupção e jurava que nossa bandeira jamais será vermelha: “Ô, Moro, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!”

Vai ficando claro como as lágrimas de Santa Teresinha que o ex-juiz da Lava Jato se meteu na maior fria de sua carreira e pode tê-la abreviado por causa de sua ambição desmedida.

Em apenas 18 dias, o governo Bolsonaro se mostrou um lixo em todos os sentidos.

Além da inépcia, da papagaiada macartista, da apologia da violência, do desmonte do mínimo estado de bem estar social, é um ninho de, como gosta o Jair, va-ga-bun-dos.

A idiocracia comporta todo tipo de bandido — do laranja que faz serviço nas casas legislativas ao engravatado que lida com Caixa 2.

Moro já perdoou Onyx Lorenzoni num episódio patético.

Já defendeu o decreto das armas desfazendo das inúmeras pesquisas sérias feitas sobre o assunto há anos.

Sua mulher já deu recado — devidamente apagado na sequencia — para os brasileiros pararem com o mimimi.

E agora, José? Como fica você diante do imbroglio de Flávio Bolsonaro?

O Jornal Nacional teve acesso a parte do relatório do Coaf sobre a conta de Flávio.

Entre junho e julho de 2017, ele recebeu, em dinheiro vivo, R$ 96 mil. Foram feitos 48 depósitos em cinco datas no valor de R$ 2 mil.

Em 27 de junho, por exemplo, houve dez depósitos em 3 minutos.

Não é possível identificar o autor porque não é necessário. Tudo na agência bancária dentro da Alerj.

Moro tem repetido que o boss já prestou todos os esclarecimentos sobre o caso Queiroz.

Não cola mais. O Coaf, vamos lembrar, está agora sob ele.

O Ministério Público pode tentar abafar o caso, mas o custo será

altíssimo. 

A chance de Sergio Moro não se desmoralizar (desculpe o trocadilho) de vez é facilitar e incentivar a investigação do filho do presidente da República.

A roubalheira nunca esteve tão perto de Moro. É uma chance de ouro para ele provar que é o que diz ser.

Não dá para ficar sumido para sempre.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

A direita terá sua TV a cabo?

Bozos, Tavolaro e Menin
Os jornalistas da CNN em inglês usam constantemente o termo "extrema direita" para se referir ao presidente Jair Bolsonaro, e já se referiram a ele como "um político brasileiro conhecido por seus pronunciamentos misóginos, racistas e homofóbicos".

Anunciada nesta semana, a CNN Brasil deve seguir um caminho bem diferente, ao menos se depender do histórico dos seus dois sócios. Um deles é Douglas Tavolaro. Coautor da autobiografia do seu tio, o pastor Edir Macedo, foi ele o responsável pela aproximação entre o líder da Universal e Jair Bolsonaro. Antigo vice-presidente de jornalismo da Record, ele esteve por trás das entrevistas laudatórias feitas pela emissora com Bolsonaro durante a campanha.

O outro sócio do novo canal será o empresário mineiro Rubens Menin, fundador da MRV, a maior empresa de construção civil do país. Líder no Minha Casa Minha Vida, a empresa também conta com um histórico de trabalho escravo em suas obras, e uma participação no lobby contra o combate ao crime no Brasil.

Assim como Tavolaro, Menin teceu diversos elogios a Bolsonaro, aos generais do seu governo e até à proximidade com seus filhos. Assim como Bolsonaro, Menin mistura família e negócios, e hoje seu filho Rafael comanda a sua empresa. "A participação da família de forma profissional, legítima e justa é salutar na vida das empresas. Bolsonaro está demonstrando que na política isso também é possível", disse ele em entrevista ao Correio Braziliense, após afirmar que os empresários são "eufóricos" com o futuro sob o novo presidente.

Menin esperou a eleição passar para poder se posicionar sobre a contenda presidencial. Consciente de que o risco político não pode atrapalhar os seus negócios, já doou para candidatos de cargos inferiores de vários partidos, mas só começou a elogiar Bolsonaro um mês após as eleições. A assessoria de imprensa da CNN Brasil negou que essa posição política do dono haverá qualquer influência em seu canal.

Menin, que foi extremamente próximo dos três últimos presidentes brasileiros, agora está fazendo movimentos para se aproximar de Jair Bolsonaro. É um homem ligado ao poder, esteja ele na mão de quem estiver.

A CNN Brasil começará sua operação na segunda metade de 2019, e pretende contratar 400 jornalistas, um número impressionante para o atual mercado do jornalismo por aqui. Uma nota à imprensa afirma que a CNN Brasil terá total independência, mas poderá passar o conteúdo produzido em outras línguas. Não foi a primeira tentativa de trazer o canal para cá, mas aquelas feitas nos últimos vinte anos fracassaram.

Trabalho Escravo

A CNN mantém, desde 2011, o Freedom Project, um projeto dedicado a "jogar luz sobre a escravidão contemporânea". Ele tem entre seus objetivos "amplificar as vozes dos sobreviventes" e "responsabilizar governos e empresas". Na sua descrição, afirma que "a escravidão não é coisa do passado.”

Em 2019, a escravidão perdura, mas a posição da CNN parece ter mudado ao conceder o uso da marca a Menin. Sua construtora foi colocada na "lista suja" do trabalho escravo por violações em três locais de trabalho diferentes. Mais do que apenas uma mancha de reputação, a lista impedia que as empresas contraíssem empréstimos do governo.

Quando a MRV foi colocada na lista, Menin defendeu veementemente sua empresa e começou a trabalhar obstinadamente para atrapalhar a luta do Brasil contra o trabalho escravo. A Abrainc, uma associação de incorporadores liderada por Menin, entrou com um processo no Supremo Tribunal Federal para suspender a lista.

O pedido foi atendido pelo então presidente do STF, Ricardo Lewandowski, durante o recesso de Natal. Menin recebeu uma decisão favorável em apenas quatro dias e a lista, considerada um exemplo por entidades como a Organização Internacional do Trabalho, foi imediatamente desmantelada.

A lista voltou mais enxuta, e não contém mais o nome da MRV. Além disso, ela também não tem mais o poder de cortar o crédito de ninguém. Se tornou um mero decorativo.

Quando Michel Temer tentou emplacar uma portaria para atrapalhar o combate ao trabalho escravo no Brasil, usou um exemplo da MRV para dizer que os fiscais estavam atuando de maneira exagerada. A MRV, claro, negou estar por trás disso.

A CNN não quis comentar os problemas em específico, e se resumiu a afirmar a mim por e-mail que “faz uma auditoria abrangente de todos seus parceiros de licenciamento. Esse é o caso dos licenciados que vão operar a CNN Brasil, que têm nosso total apoio".

Rubens Menin fez sua fortuna rapidamente, de forma aparentemente milagrosa. Em quatro anos, sua empresa saltou do 12º lugar para o primeiro no ranking das maiores construtoras civis brasileiras, onde permanece até hoje. Em 2014, a Forbes estimou seu patrimônio líquido em US$ 1,2 bilhão.

Embora Menin defenda valores econômicos liberais em seus textos e entrevistas, sua fortuna foi feita com financiamento público. A empresa é a principal construtora do Minha Casa, Minha Vida. Ele opera principalmente nas faixas 2 e 3 do programa, voltadas à classe média e com financiamento baseado no FGTS.

Fox News do Brasil

Menin anunciou a nova estação de televisão ao lado de seu sócio e futuro CEO da CNN Brasil, Douglas Tavolaro. Por quase 10 anos, Tavolaro atuou como vice-presidente de jornalismo da Record TV, que se tornou um porta-voz não-oficial do presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro durante e após as eleições de outubro.

Depois de um punhado de aparições desastrosas na TV durante a campanha e de receber uma facada, Bolsonaro decidiu controlar rigidamente o acesso à mídia e não participou de outros debates.

Sem Bolsonaro, a Record cancelou o debate entre os candidatos que aconteceria no seu canal, ao contrário de outras emissoras, que levaram os programas adiante mesmo sem ele. No dia do último debate na Globo, a emissora do bispo exibiu uma entrevista chapa-branca com Bolsonaro enquanto os outros candidatos discutiam propostas no outro canal.

A proximidade continuou após as eleições. Entrevistas recheadas de parabéns ao novo presidente, sem jamais pressioná-lo, foram exibidas na televisão, sempre sob a supervisão de Tavolaro.

Em Outubro do ano passado, o Intercept publicou uma longa declaração de um jornalista do site da Record, o R7, que reclamou de novas diretrizes editoriais para beneficiar a campanha de Bolsonaro. Como resultado, o R7 publicou um ataque ao Intercept enquanto um repórter investigativo da TV Record começou a pesquisar uma matéria mais aprofundada, que nunca foi ao ar.

As relações políticas de Tavolaro não começaram com Bolsonaro. No ano passado, escutas telefônicas da polícia revelaram suas negociações com Aécio Neves, que iria ajudá-lo a conseguir verbas de patrocínio da Caixa Econômica Federal em troca da exibição de uma entrevista com o então-presidente, Michel Temer.

Em março do ano passado, o Intercept revelou que a esposa de Tavolaro, Raissa Caroline Lima — que era uma assessora bem-paga na Assembleia Legislativa de São Paulo — viajava regularmente pelo mundo com o marido durante as votações-chave em que deveria estar presente. O Intercept Brasil não conseguiu localizá-la em seu escritório. O trabalho remoto para os funcionários é estritamente proibido na Assembleia, uma medida para reprimir o uso de funcionários fantasmas. Alguns meses depois, Lima foi discretamente exonerada de seu cargo.

Nos últimos anos, Tavolaro teria se afastado de algumas das tarefas do jornalismo cotidiano para ser o co-autor da biografia e de dois roteiros de filme sobre Edir Macedo. Ele agora parece estar se afastando de Macedo para lançar a CNN brasileira, uma marca obtida da Turner Broadcasting System por uma quantia desconhecida. A assessoria de imprensa negou especulações de que Edir Macedo tenha envolvimento direto no novo projeto.

A Record tenta se aproximar da CNN desde 2007, mas a emissora norte americana rejeitou suas ofertas, pois não queria ser associada à poderosa mega-igreja evangélica de Macedo.

Há anos, a direita brasileira tem clamado por sua própria versão da Fox News, enquanto a Record e SBT deram passos nessa direção, é um sonho que nunca foi totalmente realizado. A chave para desvendar esse sonho pode estar na combinação de Rubens Menin e Douglas Tavolaro sob a bandeira da CNN Brasil.

Nem todos, no entanto, estão convencidos. Ativistas de extrema direita alinhados com Bolsonaro já foram ao Twitter para criticar a nova rede. “CNN BRASIL vai contratar 400 jornalistas para difamar a mudança pela qual o Brasil está passando?”, twittou um funcionário do blog de fake news Terça Livre. “É o [George] Soros quem vai mandar naquela joça", referindo-se ao filantropo liberal, um frequente bicho papão em teorias de conspiração da extrema-direita (o fundo de Soros detém uma pequena participação na empresa-mãe da CNN). Luciano Hang, o empresário que o Ministério Público do Trabalho quis multar em R$100 milhões por coagir seus funcionários a votar em Bolsonaro, também tuitou criticamente sobre o acordo: “Mais uma TV comunista no Brasil. Alguém pode montar uma Fox?"

Então, será que a CNN Brasil será uma conspiração comunista apoiada por Soros, tentando acabar com o movimento Bolsonaro? Menin respondeu a Hang: "Luciano, não caia nessa história."

Piero Locatelli | Andrew Fishman
No The Intercept
Leia Mais ►

PC Farias chegou antes da hora


Nas redes sociais bolsonaristas, periferia do esquema em que se sustenta o atual presidente, a bomba que o Jornal Nacional detonou ontem – com os 48 depósitos sequenciais, em rajadas de poucos minutos, na conta de Flávio Bolsonaro – teve o efeito da Operação  Choque e Pavor, desfechada pelos EUA contra o Iraque, em 2003.

As labaredas são visíveis na internet, em várias tonalidades: desde os “arrependidos”, passando pelos “decepcionados” e pelos “atônitos”, até os que bradam contra o “Grande Satã” global, atribuindo tudo a uma trama urdida no Jardim Botânico.

As estruturas do governo não foram atingidas, o líder não foi  diretamente alcançado, mas os efeitos políticos são evidentes: desapareceu a garantia de que a casamata do bolsonarismo era invulnerável e que garantia proteção absoluta contra os mísseis da mídia e as tropas do Ministério Público.

Mais que danos diretos, o estrago principal foi que o episódio faz com que, exceto os kamikaze, os mais prudentes tiveram a devida sinalização a manterem-se longe do bunker familiar de Bolsonaro, depois de aberta a imensa rachadura de ontem.

É inevitável que, nos cenários estratégicos de gente acostumada a imaginá-los a opção “Bolsonaro Fugaz” tenha subido alguns lugares na lista de situações possíveis ou prováveis. Só quem delira ao acreditar que Jair Bolsonaro ascendeu à Presidência sozinho, por seus méritos e talentos, pode acreditar que não há núcleos de poder, econômicos, militares e políticos que não o encaram como líder, mas como ferramenta.

Com a companhia luxuosa, claro, dos que viram nele uma escada confortável para suas próprias ambições, na qual tivesse o trampolim para seus vôos futuros, como é o caso de Sérgio Moro.

Nestas áreas, as chamas não são visíveis, nem muito se ouvirá, no início, do crepitar das contestações. Mas o braseiro está aceso e as pressões para que se faça logo o que se esperava ao levar Bolsonaro ao Planalto vão se acentuar, a começar pela reforma da Previdência.

Esta turma, que sabe muito bem como manipular os cordéis do poder sempre esperou pela chegada de um PC Farias, um personagem rastaquera que exibisse a lama de onde fizeram brotar o seu controle político sobre o país.

Esperava, mas não contava com que viesse tão cedo.

Antes da hora.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Nota à imprensa - COAF - Novos esclarecimentos


O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) esclarece as seguintes demandas da imprensa:

Improbidade Administrativa

As investigações decorrentes de movimentações financeiras atípicas de agentes políticos e servidores públicos podem desdobrar-se em procedimentos cíveis, para apurar a prática de atos de improbidade administrativa, e procedimentos criminais. No âmbito cível, parlamentares não têm direito a foro privilegiado.

Portanto, em 10 de janeiro de 2019, os Relatórios de Informação Financeira (RIFs) oriundos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) foram distribuídos entre as oito Promotorias de Justiça de Tutela Coletiva da Cidadania da Capital, tendo sido instaurados 22 inquéritos civis, que tramitam em absoluto sigilo e serão trabalhados de forma conjunta e integrada. 

Vale registrar que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) prolatada nos autos da Reclamação de nº 32.989 atinge exclusivamente o procedimento instaurado na esfera criminal, não gerando efeitos nas investigações na área cível e de improbidade administrativa.

Quebra de sigilos

Não procede a alegação de que houve a quebra dos sigilos fiscal e bancário.

Flávio Bolsonaro era investigado?

O relatório de inteligência financeira (RIF) remetido pelo COAF noticia movimentações atípicas tanto de agentes políticos como de servidores públicos da ALERJ. Por cautela, não se indicou de imediato na portaria que instaurou os procedimentos investigatórios criminais (PIC) os nomes dos parlamentares supostamente envolvidos em atividades ilícitas. A dinâmica das investigações e a análise das provas colhidas podem acrescentar, a qualquer momento, agentes políticos como formalmente investigados. Esta forma de atuar indica o cuidado que o MPRJ tem na condução das investigações, com o fim de evitar indevido desgaste da imagem das autoridades envolvidas.

Fabrício Queiróz tem foro privilegiado?

Havendo a suspeita de prática criminosa de algum agente com foro por prerrogativa de função, a jurisprudência consolidada determina que as investigações comecem pelo órgão jurisdicional e ministerial de maior hierarquia, incluindo todos os envolvidos, independentemente do foro privilegiado, até que se defina eventual necessidade de declínio ou desmembramento. Por esse motivo, as investigações no MPRJ abrangeram Fabrício Queiroz e todos os outros servidores com movimentações atípicas indicadas pelo COAF.
Leia Mais ►

Foi Moro quem vazou para o jn ferrar o Bolsonaro?

Quem morre primeiro: Bolsonaro, a Globo ou o... Moro?




O jornal nacional disparou 24 minutos de metralhadora AK-47 no peito do Bolsonaro.

O jn teve acesso a devastadores documentos do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), subordinado desde 2/I/2019 ao Ministério da Justiça do Ministro Sergio Moro.

(Assista aqui à reportagem do COAF).

Segundo o COAF do jornal nacional, Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República, recebeu em sua conta bancária 48 depósitos EM DINHEIRO (EM DINHEIRO), sempre no valor de R$ 2 mil, numa agência que fica dentro da Assembleia Legislativa do Rio.

(Ele se elegeu senador em 2018.)

No total, segundo o documento do COAF de Moro, R$ 96 mil foram depositados em cinco dias.

A reportagem indesmentível do jn imediatamente instalou-se no PiG: no Globo, é claro, na Fel-lha e no Estadão (que, por sinal, tem também uma outra denúncia contra o senador Bolsonaro, oriunda do mesmo COAF do Moro), como demonstra essa ilustração:



Trata-se de uma declaração formal de guerra.

A Globo quer derrubar o Bolsonaro.

Ela não faria isso em nome de um princípio que jamais respeitou, a liberdade de expressão múltipla.

Como disse seu fundador, o Dr Roberto, ao Boni:

- Isso aqui é uma usina de poder, não é um circo.

Bolsonaro já disse que pretende destruir a Globo em seus alicerces: com o fim do Bônus por Volume e a revisão da publicidade oficial.

Ele não precisou da Globo para se eleger.

A Globo não tem alternativa.

Se correr, o novo mundo da internet pega ela: o Google vai googlar a Globo.

Se ficar, os bolsonários matam ela de fome.

Porém, nessa batalha tem um outro agente de poder: o Moro!

Moro tem posse e porte de arma!

Moro é um vazador contumaz, confesso e disso se vangloria.

Vazar documentos sigilosos foi a arma que ele e a Globo usaram para destruir o PT, prender o Lula, desmoralizar a Política, derrubar a Dilma, uma presidenta honesta, e fechar a indústria nacional com o desemprego de um milhão de trabalhadores honestos.

No dia seguinte à posse, Bolsonaro realizou o maior desejo do Moro: tirou o COAF do Ministério do Primata do tal neolibelismo e entregou ao Moro.

Quem vaza para o jn os documentos do COAF que atiram no peito do Bolsonaro?

O primeiro suspeito é o Moro!
Leia Mais ►

O pé do Flavinho, a primeira vítima da liberação das armas no governo Bolsonaro

Inteligência não parece ser um ativo prestigiado na família Bolsonaro. Coisa distinta de esperteza, essa, sim, em abundância. A diferença é que uma é construída, com esforço, pedrinha por pedrinha, até formar um castelo de conhecimento; a outra, fruto da perspicácia oportunista e rasteira, mui encontradiça em animais predadores, é parte da herança genética talvez, sem muito valor agregado.

O episódio da reclamação de Flávio Bolsonaro ao STF ilustra bem o caso, como esperteza em abundância, sem inteligência nenhuma, leva tudo a perder.

Pois bem. Desde as vésperas da investidura do mito da extrema direita brasileira no cargo de presidente da República, o escândalo em torno das movimentações financeiras do ex-motorista de seu júnior, Flavinho, vem ocupando a mídia sem qualquer explicação razoável por parte dos suspeitos.

Ao que tudo indica, Flavinho fazia penas o que grande número de parlamentares de baixo clero fazem Brasil afora: contratam assessores com a condição de que lhes entreguem um portentoso naco de seus ganhos no final do mês. Isso se chama extorsão. Mas infelizmente é muito comum.

O que não é comum é essa dinheirama extorquida trafegar sem pejo pelas contas de familiares do parlamentar, como a do pai ou da madrasta. Mas, como inteligência não abunda no clã, provavelmente nem sabiam que existe uma categoria de contas bancárias mais detidamente observadas pela inteligência financeira do governo federal, o COAF: aquelas que pertencem a autoridades politicamente expostas, dentre as quais os parlamentares.

A lei é clara: observada movimentação suspeita, o COAF compartilhará a informação com o ministério público. Quem ocupa funções estratégicas no estado tem que se expor a esse escrutínio permanente de seus ganhos. É um ônus justo para esses atores, instrumento relevantíssimo de combate à corrupção adotado a partir do… sim! … governo Lula!

Caiu na rede, é peixe. Não interessa se é piaba ou merlim! É a coisa mais normal do mundo. Afinal, quem não deve não teme, não é, bolsominions? Expliquem-se, autoridades!

Mas o clã acha que não deve explicações a ninguém. Afinal, até hoje, seu padre-padrone não se desculpou por dizer a colega parlamentar que não merecia ser estuprada, nem se posicionou sobre a sordidez da campanha mentirosa da mamadeira de piroca. No melhor estilo de coronel do cafundó do Judas, nossos personagens de baixo-clero dão carteirada no seu dia a dia: ninguém pode com eles. E, assim, deram default. Seus colaboradores e familiares não compareceram ao ministério público quando chamados! Não deram pelotas e ficou por isso mesmo.

Até o motorista da família, com talento para dancinhas hospitalares com jograis, não se sentiu obrigado a dar satisfação, mesmo que a dinheirama toda tenha trafegado por sua conta. 1,2 milhões num ano só, para alguém que recebia bem menos do que um décimo disso no período e fez, até, depósito na conta daquela que hoje é a primeira dama do país.

Fico só a imaginar o que aconteceria se tivessem descoberto esse tipo de depósito na conta de Dona Mariza! O mundo viria abaixo e o juizinho de piso, hoje dublê de ministro da justiça, faria um carnaval com escutas telefônicas a serem amplamente divulgadas pelo Jornal Nacional e pela Globo News. A severidade das instâncias superiores se faria sentir com sucessivas decisões a coonestarem a prática abusiva vinda do judiciário provinciano…

Mas, Flavinho achou-se esperto. Ficou incomodado com a insistência das notícias envolvendo seu Queiroz-que-traz-o-dinheiro-pra-nós. Aborreceu-se ou, como se diz no jargão que cursa nas redes sociais, ficou “xatiado”. E aí decidiu matar a formiga com um foguete Stinger. Foi ao STF invocar seu foro privilegiado. Foi dizer que o COAF entregou seus dados ao ministério público sem autorização judicial.

É tudo que não podia fazer.

Primeiro, porque o clã sempre bateu no instituto da competência por prerrogativa de função como se fosse um escudo a blindar personagens duvidosas contra o combate à corrupção, à moralidade administrativa. Temos aí, portanto, não só uma questão de coerência, mas também de boa fé. O clã jamais poderia invocar o escudo a seu favor.

Em segundo lugar, porque Flavinho, mesmo que eleito e diplomado, ainda não tomou posse como senador e, portanto, ainda não tem foro no STF.

Em terceiro lugar, porque os fatos se referiam a sua atividade como deputado estadual, não estando, portanto, acobertado pelo foro especial do STF, segundo sua mais recente interpretação da constituição.

Em quarto lugar, porque quem estava a ser escrutinado, num momento inicial, era seu motorista, havendo apenas indicativos de que tinha se locupletado do resultado dessa inusual movimentação financeira. Mas, ele mesmo, Flavinho, era mais alvo de especulação midiática – justa especulação, diga-se de passagem – do que de ação oficial das autoridades persecutórias.

Mas, o esperto, ao antecipar a falsa discussão sobre se foro, deu um tiro no pé, porque se colocou no centro do procedimento investigatório, saindo do conforto de sua periferia. É como se admitisse como natural que deveria ser ele o alvo principal das perquirições do ministério público – e não o motorista pé de valsa! Com isso se fez automaticamente cliente da procuradora-geral da República e o foguete Stinger, ao invés de atingir o processo, atingiu o clã.

Bom, claro que contou com a benevolência do STF ou, pelo menos, de seu generoso presidente ad hoc, que, prontamente, achou que poderia matar a investigação com um despacho de férias. Ledo engano, a peça de teatro que começara num palco de subúrbio foi transferida para a Broadway e só está a começar.

Como diz a sabedoria popular lusa: a esperteza, quando é muita, vira bicho e come o dono!

Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça
No DCM
Leia Mais ►

Globo detona Flávio Bolsonaro


Leia Mais ►