16 de jan. de 2019

Centrão implode e esquerda socorre Maia


Não se pode dizer que a reeleição do deputado Rodrigo Maia para a presidência da Câmara esteja perdida, mas não vai ser o passeio que muita gente previa. O apoio do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, funcionou como uma faca de dois gumes.

Ao mesmo tempo em que neutralizou a oposição de alguns planaltinos, como o ministro Onyx Lorenzoni e os filhos do presidente, acabou por dar a Maia um carimbo governista que o fez perder apoios na oposição de esquerda. Afastou também de sua base de apoios o MDB e o PP, por razões mais pragmáticas, já que ambicionavam os cargos na Mesa e as comissões prometidas ao PSL. A candidatura do emedebista Fabio Ramalho cresceu e o PP apresentou o nome do deputado Arthur Lyra.

O Centrão, grupo conservador criado na era Eduardo Cunha e fiel da balança do poder na Câmara, implodiu. E quem veio em socorro de Rodrigo Maia? A esquerda. Nos últimos dois dias, PDT e PCdoB fizeram manifestações de apoio à candidatura do deputado do DEM.

Não é uma novidade a afinidade da esquerda com Maia, que sempre teve interlocução com esses partidos, incluindo até setores do PT. Mas seu inesperado papel decisivo nessa eleição sinaliza que a composição do poder e a correlação de forças no Legislativo poderá ficar mais complexa do que se pensava.

É evidente que Rodrigo Maia, para obter apoio público dos oposicionistas PDT e PCdoB, negociou com eles alguma coisa. Assim como fará nesta quinta com o PSB, em conversa com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, a quem pedirá ajuda para demover sua bancada de votar contra ele. Da mesma forma, algum compromisso Maia poderá vir a fazer com petistas que, no escurinho da urna secreta, poderão votar com ele.

Cresce em Brasília a impressão de que o grau de governismo do novo presidente da Câmara, seja ele quem for, não será dos mais altos.

Helena Chagas
No Os Divergentes
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A liberdade de imprensa venceu, líder do MBL perde ação contra Altamiro Borges na Justiça


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Bolsonários vão à China para aprender a identificar cidadãos e Olavo critica

Cariocas serão as cobaias

Esse é São Judas Tadeu
De Aiuri Rebello, na Fel-lha:

Bancada do PSL vai à China conhecer sistema que reconhece rosto de cidadãos

Deputados federais e senadores da bancada do PSL no Congresso Nacional vão apresentar no início do ano legislativo (que começa em fevereiro) um PL (Projeto de Lei) que define a obrigação da implantação de tecnologia de reconhecimento facial em locais públicos para auxiliar as forças de segurança pública no combate ao crime e captura de suspeitos ou foragidos.

De acordo com o projeto, a primeira capital onde o sistema seria instalado seria o Rio de Janeiro.

O sistema consiste em câmeras especiais que podem ser usadas por policiais ou instaladas em estações de trem e metrô, aeroportos, vias públicas de grande movimento de pedestres e até em pontos estratégicos de comunidades dominadas por traficantes e milícias.

O custo estimado não foi divulgado até o momento.

A iniciativa parte de um grupo de cerca de 20 parlamentares eleitos em 2018 pelo PSL, que conta com uma bancada de 52 deputados na Câmara e 4 senadores, e será apresentado pelo deputado Felício Laterça.

"Os chineses estão muito à nossa frente na questão da segurança pública, e como representante do estado do Rio de Janeiro essa tecnologia toda muito me interessa", afirmou o deputado ao UOL antes de embarcar junto com uma comitiva de 12 parlamentares rumo à China para conhecer o sistema de reconhecimento facial, na terça-feira (15).

Chineses têm 170 milhões de câmeras com essa capacidade. A China tem em uso o maior e mais moderno sistema de vigilância do mundo, que usa o reconhecimento facial para identificar os cidadãos – e, desta maneira, prender criminosos e suspeitos.

(...)

No CAf



Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro, chama parlamentares do PSL que vão à China de “analfabetos” e “caipiras”


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A ida do PCdoB para Maia e o futuro do campo progressista

https://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2019/01/16/a-ida-do-pcdob-para-maia-e-o-futuro-do-campo-progressista/


O PCdoB anunciou ontem seu alinhamento à candidatura de Rodrigo Maia juntando-se ao PDT de Ciro Gomes e deixando PT, PSB e PSoL numa posição mais frágil em relação a um braço de ferro que poderia ser realizado com a direita programática, do tipo DEM, que defende todas as privatizações e reformas, e a extrema direita oportunista e enlouquecida, representada por Bolsonaro, seu PSL e agregados.

A decisão do PCdoB não surpreende, muito pelo contrário. Desde o ano passado o partido está dividido em relação à sua análise de conjuntura e as decisões a serem tomadas. O apoio a Haddad foi fechado numa reunião altamente dividida e o atual líder da bancada na Câmara, Orlando Silva, foi embora antes de a decisão ser anunciada.
Ele defendia o apoio a Ciro, mas se isso não se concretizasse preferia manter a candidatura de Manuela do que se juntar ao PT.

A análise de Orlando e da nova geração do PCdoB é a de que o partido não pode ser mais linha auxiliar do PT que é extremamente hegemonista. Orlando também tem grande proximidade pessoal com Rodrigo Maia e já foi um dos seus articuladores na primeira tentativa à presidência da Câmara.

O racha do PCdoB foi explicitado num artigo duro, com destinatário claro, publicado por José Reinaldo Carvalho em vários sites. Carvalho é dirigente comunista histórico. E muito respeitado dentro e fora do partido. O título do seu artigo era “Esquerda com Maia, uma aliança extravagante”.

Entre outras coisas, Carvalho escreveu: “O cenário dos últimos dias mostra que estão em curso intensos entendimentos e pressões para que a esquerda ou pelo menos parte desta apoie a reeleição de Maia. Será extravagante a formação de um bloco de forças que tenha por vértice no parlamento um presidente da Câmara comprometido com a estabilidade e o êxito do governo de extrema direita”.

E ainda disse que quando se iniciou a pressão para que o campo progressista apoiasse Maia, o discurso era de que isso era importante para derrotar Bolsonaro. Mas que depois que o demista fechou com o PSL, o discurso mudou, como se nada tivesse sido dito antes.

Antes do PCdoB, o PDT já tinha aderido a Maia com o PSL e com tudo.

No PT, vários deputados também defendem a mesma linha de Orlando Silva. Consideram que o maior erro é o isolamento. Uma nota de ontem na coluna de Lauro Jardim registrou que Maia tem mais votos que Gleisi Hoffmann, presidenta do partido que é contra o apoio a Maia.

Não é reportagem e muito menos trabalho sério. É típico folclore do jornalismo de notas. O blogueiro apurou com várias fontes que hoje na bancada do PT, no limite, 1/3 defendem Maia.

Não é apenas Gleisi Hoffmann que está nesta posição de que se deve buscar uma alternativa a chapa Maia-Bolsonaro, mas também o líder da bancada, Paulo Pimenta. Além disso, quase a totalidade das lideranças populares da base do partido e dos dirigentes tem posição semelhante a de Gleisi e Pimenta. Definitivamente eles não são minoria ou estão isolados.

Em off, um deputado petista disse ao blogue que isso é tão verdadeiro que mesmo quem defende Maia tem medo de se expor pelo alto custo político que isso pode implicar.

Mas qual o motivo deste racha e o que ele pode implicar? Há muitas análises na praça hoje sobre o que será o governo Bolsonaro e por isso há muitas táticas e estratégias à disposição. Uma delas é a de que o governo Bolsonaro vai fazer água rapidamente e que por isso o presidente da Câmara tem que ser alguém com traquejo político capaz de superar isso de forma institucional. Ciro tem apostado nisso.

Há uma outra que considera que o governo Bolsonaro tem mais fôlego e que as reformas e perseguições só serão impedidas com pressão popular e rua. A maior parte do PT, PSoL e movimentos sociais aposta nisso.

Há ainda uma terceira percepção, que seria a de alguns líderes do PCdoB de que Bolsonaro vai instalar o governo do fim do mundo para o campo popular e as esquerdas. E que por isso não o campo progressista tem que fazer alianças à direita e ao centro. Por isso à opção Rodrigo Maia seria o sapo da vez. Ontem, no seu artigo escrito para defender o apoio ao demista, Orlando lembro de Guimarães Rosa: “o sapo não pula por boniteza, mas por precisão”.

O fato concreto é que no atual momento essas diferentes visões da conjuntura levaram a um racha. Ele ainda não é tão significativo. A situação política pode fazer com que o campo progressista se aglutine de novo. Mas é algo para ficar atento. O que de pior pode acontecer neste momento é apostar que a divisão do que restou da esquerda e da centro esquerda pode nos levar a um destino melhor.
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Quem está por trás da chegada da CNN ao Brasil?

A operação do Brasil vai ocorrer por meio de um licenciamento da marca
Sobrinho do bispo Edir Macedo, dono da Record, e empresário mineiro estão liderando projeto para licenciar marca de TV

A chegada do canal de televisão CNN ao Brasil foi divulgada na última segunda-feira (14). Sobrinho do bispo Edir Macedo, o jornalista Douglas Tavolaro, e o segundo empresário que mais investiu nas últimas eleições, Rubens Menin, encabeçam o projeto.

O canal estadunidense, no entanto, não vai operar no Brasil. A negociação para trazer a marca CNN para o país ocorreu por meio de um licenciamento com a Turner International, responsável pelas operações da CNN fora dos EUA.

Douglas Tavolaro: o CEO sobrinho de Edir Macedo

O CEO da CNN Brasil será o jornalista Douglas Tavolaro, que foi vice-presidente da TV Record por 14 anos. Ele é coautor da biografia de Edir Macedo — seu tio, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da emissora.

A Record, segundo canal de televisão mais assistido no país, alinhou-se editorialmente ao novo governo e foi a escolhida por Jair Bolsonaro (PSL) para a primeira entrevista exclusiva após a divulgação do resultado das eleições.

Foto: Reprodução

Em outubro, durante o pleito presidencial, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) denunciou a pressão e assédio moral da direção da emissora para que o noticiário beneficiasse Bolsonaro em detrimento do candidato Fernando Haddad (PT). Tavolaro estava na vice-presidência do setor de jornalismo no período.

Paulo Zocchi, presidente do SJSP, afirma que houve “manipulação aberta” do noticiário para favorecer o então candidato do PSL, poucos dias após Edir Macedo anunciar apoio público a Bolsonaro.

“Órgãos de comunicação eventualmente podem ter posição política, editorialmente falando. Na nossa opinião, nada mais claro e razoável que tomem mesmo porque, assim, a posição do órgão fica explícita”, defende Zocchi. “Mas o fato é que a Record passou a adotar um posicionamento em que o noticiário passou a ter um viés consagrado a apoiar Bolsonaro e criticar os demais candidatos.”

“Na home do Portal R7, nesse período, tinha um padrão que eram quatro matérias de destaque: duas favoráveis ao Bolsonaro e duas críticas ao Haddad. Esse era o padrão”, lembra o sindicalista.

Segundo Zocchi, que apurou as denúncias pelo sindicato, a orientação vinha das chefias da empresa. “Isso foi uma posição, eu entendo, feita diretamente pelos donos da empresa, mas evidentemente o Douglas [Tavolaro] tinha responsabilidade nisso, na medida em que ele era o diretor editorial”, pontua.

Como presidente do sindicato, Zocchi comemora a contratação de novos profissionais pela CNN Brasil em um momento crítico para o mercado. Estima-se que 400 jornalistas integrem a equipe do canal. "A gente espera que todos sejam contratados regularmente e que eles sigam a lei trabalhista. E, pelo sindicato, vamos representar as pessoas e defender direitos."

Além de escrever a biografia de Edir Macedo, Tavolaro também assina a produção executiva do filme Os Dez Mandamentos, versão cinematográfica da novela produzida pela TV Record. Em abril de 2016, o longa-metragem se tornou o filme nacional com mais ingressos vendidos desde 1970, quando a Embrafilme começou a medir a bilheteria do cinema nacional. Mas muitas sessões aconteceram com salas vazias, fato atribuído às vendas coletivas para igrejas.

No meio jornalístico, a saída de Tavolaro para a CNN Brasil foi recebida com surpresa, já que ele era cotado para assumir a presidência da Record.

Rubens Menin: o conselheiro investidor

O anúncio da chegada da CNN Brasil foi feito pelo empresário Rubens Menin pelo Twitter. Ele fará parte do Conselho Administrativo e será investidor do canal.


Menin está à frente da MRV Engenharia, que patrocinou o filme Nada a Perder, biografia de Edir Macedo baseado no livro de Tavolaro.

Além de financiar filmes, o líder da construtora mineira MRV Engenharia foi o segundo empresário que mais injetou dinheiro em candidaturas nas eleições 2018. A construtora investiu mais de R$ 2,6 milhões na campanha de 23 candidatos que concorriam aos poderes legislativo e executivo. Os dois candidatos que mais receberam doações foram Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Bruno Araújo (PSDB-PE). Ribeiro foi eleito como deputado federal.

Foto: Divulgação/MRV Engenharia

Sócios e familiares de Menin também doaram para campanhas políticas nas últimas eleições. A sua filha, Maria Fernandes Menin, doou R$ 300 mil para o ex-governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), que se candidatou ao cargo de senador, mas não foi eleito.

Trabalho escravo

Menin foi atuante em tentativas do meio empresarial para barrar a chamada “lista suja” do trabalho escravo. A MRV Engenharia foi flagrada cinco vezes, entre 2011 e 2014, por explorar mão de obra escrava. Segundo a Repórter Brasil, foram 203 trabalhadores resgatados em quatro anos em construções ligadas à empresa.

No final de 2014, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) conseguiu suspender no Supremo Tribunal Federal (STF) a publicação da lista. Menin era o presidente da entidade, na época.

Além da MRV, a família Menin controla o Banco Inter e a Log Commercial Properties.

O que é a CNN

A Cable News Network (CNN) é um canal de televisão criado em 1980 que tem sede em Atlanta, nos EUA. É conhecido por sua cobertura de notícias breaking news ou seja, factual e 24 horas.

Nos EUA, a CNN tem feito uma cobertura crítica ao governo do republicano Donald Trump.

A Turner International é dona da marca para operações fora do país. Ela atua no Brasil e é afiliada da AT&T, que, por sua vez, comanda a SKY no Brasil, o que pode ser um entrave, já que a legislação brasileira não permite que transmissores também tenham canal a cabo.

Aqui, a Turner era responsável pelo canal Esporte Interativo que, em 2018, foi extinto e cerca de 250 profissionais foram demitidos.

Rute Pina
No Brasil de Fato
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Sobre o salário, o lucro e o socialismo


É muito comum as pessoas acreditarem que por investirem muito na construção de seus negócios, os empresários tenham mesmo o direito de lucrarem e ficarem muito ricos. No geral acredita-se que essa riqueza vem pelo mérito do patrão, que trabalha e investe bastante para ter sucesso no negócio. Mas, a realidade é bem outra. A riqueza do patrão não tem nada a ver com sua habilidade ou sorte. Ela só existe porque o patrão rouba do trabalhador. Essa é natureza do capitalismo: roubar o trabalho alheio.

Explicando: um empresário resolve montar uma empresa. Ele compra as máquinas, monta a estrutura, a matéria prima para produzir seu produto. Então vai buscar a mercadoria que definitivamente vai trazer o lucro: o trabalhador. Esse trabalhador não tem nada de seu. Nem máquina, nem estrutura, nem matéria prima. A única coisa que pode vender é sua força de trabalho. E é essa força que o empresário compra.

Bom, como o provável patrão calcula o preço a pagar pela mercadoria (força de trabalho do trabalhador) adquirida? Ele precisa calcular o preço dos alimentos que manterão o trabalhador vivo, o preço das roupas que o vestirão, do aluguel, dos gastos com saúde, educação, enfim, tudo aquilo que é necessário para que a pessoa possa se manter, a ela e sua família, e ter condições de trabalhar. Somados esses valores, o total é dividido pelos 365 dias do ano. Assim, o empresário saberá qual é o preço diário do trabalho do trabalhador. Então, se para se manter vivo o trabalhador precisar de 100 reais por dia, o patrão entenderá que o preço justo a pagar pela força de trabalho dele será 100 reais.

Pois bem, depois de comprar tudo que necessita para iniciar a empresa e contratar os empregados pagando o valor que considera justo, no caso os 100 reais por dia, o empresário está pronto para iniciar seu negócio. E quando chegar o fim do mês, o patrão terá de fazer novas contas. Observem que o empresário tem despesas grandes. Os meios de trabalho (máquinas, o prédio, as ferramentas) se gastam, há que comprar os insumos e ainda pagar o salário dos trabalhadores. Logo, é justo que ele tenha seu lucro. Afinal, no capitalismo, o lucro, o excedente, é só o que importa. Até aí vamos bem.

Mas, o lucro do patrão não tem nada a ver com o preço que ele cobra pelas mercadorias que produz, porque ao somar tudo que envolve a produção, vamos ver que o preço da mercadoria não pode ser tão maior do que o custo da produção. Onde o patrão lucra então? No roubo do trabalho do empregado. Como assim?

Ora, o trabalhador é contratado por oito horas e recebe 100 reais por dia (preço que foi calculado com base no que é necessário para a pessoa se manter viva). Bem, nessas oito horas o trabalhador, por exemplo, de uma fábrica de roupas, produz 50 peças. Bem, os 100 reais que é pago ao trabalhador representa a manutenção dele por 24 horas e não o que ele produziu nas oito horas de trabalho. É como o agricultor com seus animais. Ele sabe que uma vaca vai produzir muito mais leite do que o custo que ele tem para mantê-la.

Veja que o trabalhador vai para casa considerando que está bem, o salário é muito justo. Mas, na verdade, não é. Porque ele não recebe sobre o que produz. No caso do trabalhador da fábrica de roupas, ele consegue fazer, em oito horas, 50 peças. Cada peça será vendida por 50 reais. Sua produção foi equivalente, então, a 2.500 reais num dia apenas. E por esse dia ele receberá 100 reais. Ou seja, 2.400 reais vão para o bolso do patrão, limpinho.

Outra coisa importante para se levar em conta é que na soma das necessidades do trabalhador, o patrão geralmente só leva em conta a sobrevivência mínima do empregado. É por isso que existe um “salário mínimo”. Isso significa que esse valor é menor valor possível que se pode pagar para que alguém consiga sobreviver, comendo, vestindo e morando.

Muitos já devem ter ouvido falar no salário mínimo do DIEESE. O DIEESE é uma entidade dos trabalhadores que atua justamente com pesquisa sobre temas referentes aos trabalhadores. O cálculo que o DIEESE faz para determinar um salário “mínimo” é bem diferente do cálculo feito pelo governo ou pelos empresários. Porque como é uma entidade dos trabalhadores, leva em consideração outras variáveis. E considera que os trabalhadores não apenas devam sobreviver (manter-se vivos com o mínimo), mas fundamentalmente, viver. Ou seja, o trabalhador tem direito a uma moradia digna, comida de qualidade, educação, saúde, diversão, lazer e tudo isso entra na conta. Por isso os valores são bem diferentes.

Por exemplo, nesse primeiro de janeiro de 2019, o governo brasileiro definiu o valor do salário mínimo em 998 reais, frustrando a expectativa de que ele passasse dos mil reais (1.006) conforme já tinha sido definido no orçamento para esse ano, o que ainda seria ruim. O governo entendeu que esses 998 reais devem ser suficientes para que o trabalhador não morra. Pode ser, mas, não é suficiente para que viva.

Para ter uma vida plena e segura, o salário mínimo do trabalhador deveria ser de 3.960 reais, segundo os cálculos do DIEESE. No cálculo, essa cifra é que conseguiria garantir os direitos básicos de uma pessoa: moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e Previdência Social. Alguns poderiam dizer: “ah, mas aí não há quem aguente pagar”. Bom, os grandes empresários aguentam sim (eles lucram muito), e aquela família que tem empregada e não quer pagar muito por ela teria que repensar se precisa de alguém para chamar de “sua”.

Outros poderiam pensar: bem, mas é justo que o patrão ganhe com o meu trabalho, afinal ele investiu tanto. Não, não é. Porque quando o patrão faz as contas dele ele sempre leva em consideração o desgaste das máquinas, dos prédios e dos equipamentos. Está tudo contabilizado e é tirado justamente do lucro que obtém com o roubo do trabalho do trabalhador. Ele nunca perde. Mas, e o desgaste do trabalhador, quem paga? Pois o próprio trabalhador. Onde está a justiça disso? Quando o trabalhador fica doente, ele tem de bancar seu tratamento. Quando ele envelhece, ele que tem de aguentar as consequências de não poder mais trabalhar já que a previdência não lhe garante quase nada.

Para o patrão, o desgaste do trabalhador não interessa. Quando um fica velho, ele demite e contrata braços mais vigorosos. O que ficou pelo caminho que se dane. Essa é a lógica do capitalismo. Sugar o máximo do trabalhador, e deixa-lo a própria sorte quando não puder mais produzir.

Mas, poderia ser diferente? Sim, poderia. Numa sociedade onde o trabalho fosse parte da vida coletiva (e não objeto de lucro para alguns) e o trabalhador, por qualquer tipo de produção, recebesse conforme suas reais necessidades. A isso se chama socialismo. E é isso que os empresários procurar demonizar para que os trabalhadores não se deem conta do quanto poderia ser bom. “Ah, mas o socialismo deu errado em toda parte”, argumentam alguns. Essa é uma meia verdade já que algumas experiências chamadas de socialistas não foram muito bem sucedidas. Mas, outras tentativas, como a de Cuba, apresentam vitórias importantes para a população, como saúde gratuita e de qualidade, educação gratuita e de qualidade, segurança, moradia. Não é o mundo perfeito, claro, até porque a pequena ilha vive sob o ataque econômico dos Estados Unidos. Só que ainda assim conseguiu garantir avanços incríveis. Imaginem se fosse livre para negociar.

O socialismo não é uma forma de bolo na qual colocamos a massa e esperamos crescer. Não se faz por decreto ou por qualquer forma de lei. O socialismo é um processo que precisamos construir, coletivamente, em comunhão. Que nos custará muito, mas nos trará também grandes benefícios. Claro que nem todo mundo consegue acreditar que é possível viver num estado de Justiça, onde cada qual viva conforme precise, e ninguém tenha mais que ninguém. Onde o trabalho seja sinônimo de vida, de criação, e não de morte. Mas, pessoas há que querem viver assim e não deveriam ser condenadas por isso.

Então, quando ouvirem os empresários ou gente do governo dizer que o socialismo é o demônio, tenham bem claro: é mesmo. Mas, é o demônio para os empresários que enriquecem a custa de todos nós, os trabalhadores. No socialismo eles não seriam os patrões, nem seriam os ricos, porque uma fábrica de roupas, por exemplo, seria gerida por todos os seus trabalhadores. Assim, o que é ruim para eles é bom para a maioria dos trabalhadores. Não é interessante?

Então, não compre o discurso assim, tão rápido. Pense.

Elaine Tavares, jornalista
No Desacato
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Aventura é o caminho mais fácil para destruir instituições


Vai se fixando a impressão que, em relação às Forças Armadas, estabeleceu-se um processo de partidarização que se assemelha em muito ao que transformou o Poder Judiciário num lixo, indigno do respeito da maioria da população.

Lá, um aventureiro – Sérgio Moro – acompanhado de uma trupe de fundamentalistas obtusos do Ministério Público – alguém se lembra do “Hegel” do início “tripatético” do processo que condenou Lula? – foi se impondo sobre os tribunais superiores e levou a submissão total da Justiça a um punitivismo inédito no Brasil e à substituição da prudência pela histeria na quase totalidade dos juízes.

No meio militar, a composição dos ministérios e cargos-chave da Administração  com enorme presença de generais sendo – ainda pior – muitos deles recém saídos de posições de comando ativas, mais do que transformar o governo em apêndice da instituição militar, está transformando as Forças Armadas em apêndice de Jair Bolsonaro e sua aventura insana.

Pode-se argumentar que Jair Bolsonaro não tem projetos e os militares os têm.

Talvez estejamos pensando nas Forças Armadas de algumas décadas atrás, porque é difícil ver algum projeto em um grupo que se inaugura demonstrando uma única causa: a de não serem atingidos pela reforma previdenciária.

Jair Bolsonaro é um energúmeno intelectualmente, mas não é bobo.

Mostrou ontem que mesmo alguém com prestígio de “herói”, como Sérgio Moro, pode ser atropelado e enquadrado. Engoliu o decreto das armas  e, se quiser, que vá se divertir com as propostas de eliminação de garantias do cidadão em nome do combate à corrupção. A dos adversários, naturalmente.

Ao colocar boa parte do seu Estado Maior e seu próprio comandante, Eduardo Villas-Boas, nos cargos políticos, o Exército assumiu mais que a subordinação constitucional a um chefe de Estado.

Assumiu a subordinação a um projeto político autoritário, brutal, entreguista, intelectualmente desqualificado e anacrônico.

Pior, com mais “prestígio na tropa” do que todos eles somados.

As três décadas de separação entre política e armas foram jogadas fora em menos de dois anos.

Ter cargos não é o mesmo que ter poder.

Entregaram-se ao comando, de fato, de um sujeito que saiu da caserna pela porta dos fundos. Entregaram a ele a própria caserna.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O que é o MBL?


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Como será aberta a caixa preta do BNDES


Na campanha, Bolsonaro prometeu abrir a caixa preta do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). E exigiu o cumprimento da promessa pelo novo presidente do banco, Joaquim Levy.

Daqui a alguns dias, Levy entregará o prometido, de forma organizada, transparente, deixando Bolsonaro, os generais Heleno e Mourão, e a torcida do Flamengo espantados com o detalhamento das operações.

Vamos escolher um grande grupo nacional, a Gerdau, por exemplo.


No sistema que Levy irá apresentar aos iluminados do Planalto, haverá uma tela inicial, onde colocar o nome do grupo.


No caso da Gerdau, haverá 7 projetos financiados.

Clicando em qualquer um deles, o primeiro, por exemplo, Bolsonaro irá para a segunda tela:


Três tipos de financiamento, portanto. Clicando no primeiro deles, se abrirá mais uma camada da caixa preta.


Na nova tela, 11 caixas pretas adicionais a serem abertas. Clicando na primeira, se verá na tela seguinte:


Há muito mais dados nessas caixas pretas. Por exemplo, o número de empregos gerados, o volume de impostos pagos, o impacto sobre o desenvolvimento regional. Mas Bolsonaro não se importa com esses detalhes. Eles quer saber dos dados de financiamento à exportação, inclusive de serviços de engenharia, que o douto Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, considerou operação criminosa.

Ali, verá os nomes suspeitos de Angola, Cuba, Moçambique, antes que a Lava Jato destruísse o potencial de exportação da engenharia nacional.

Clicando em Angola, por exemplo, se verá a relação de obras financiadas:


Clicando em qualquer linha se terá, alvíssaras!, todos os dados do contrato (clique aqui).

E aí, serão abertas todas as caixas pretas do BNDES.

Aliás, quem quiser saber antecipadamente o que Joaquim Levy oferecerá a Bolsonaro, basta ir ao portal de Transparência do banco - http://www.bndes.gov/transparencia -, pois esses dados são públicos há muito tempo.

Mas como, hoje em dia, há a obrigação de levar carne fresca para os ogros que assumiram a Esplanada, o bravo Levy terá o trabalho apenas de organizar os financiamentos por ordem de valor. E, depois, ficar rezando que para a ignorância bruta da turma se contente com essas iguarias e não descubra que não existe caixa preta no BNDES.

Luís Nassif
No GGN
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Programa Pensamento Crítico - Conjuntura Brasileira


Programa de análise da conjuntura brasileira e latino-americana, produzido pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos, com a participação de Elaine Tavares, Nildo Ouriques e Waldir Rampinelli.

O tema dessa edição é "Conjuntura Brasileira - jan/2019".

Equipe: Pedro Cruz e Lucas Henrique da Silva. Edição: Elaine Tavares.

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Governo Bolsonaro – o último que entrar acenda a luz

Um balanço prematuro, mas necessário, de um governo que ainda não começou e já cansou. Necessário pelo que ainda pode vir a cansar.


Shame and scandal in the family

Com escândalos rondando a figura do presidente, seus auxiliares diretos e seus familiares; e com desentendimentos na equipe, que melhor definiu o governo Bolsonaro foi Gilberto Dimenstein: o governo Bolsonaro começava do modo que outros terminavam. Quando Dimenstein exarou seu vaticínio, Bolsonaro ainda não havia assumido.

Faz quinze dias da posse e, nessas duas semanas, o chanceler de Bolsonaro já recitou Ave Maria em tupi e indispôs o Brasil com boa parte dos seus melhores mercados de exportação; o ministro da Casa Civil paralisou o governo do ponto de vista operacional ao buscar “despetizar” um governo que era do PMDB – o PT não estava mais no poder havia dois anos . A ministra da Família sonha com príncipes azuis e princesas rosas. O ministro da Educação combate o “globalismo pragmático sofístico gramsciano” – seja lá o que isso for – e, então, nomeia para o MEC um auxiliar acusado de plágio acadêmico e que responsabiliza os governos militares pela admissão de professores marxista nas escolas.

O filho do vice-presidente é promovido para um cargo no Banco do Brasil que triplica seu salário, um amigo particular do presidente é nomeado gerente na Petrobras e a primeira-dama nomeia uma amiga para uma secretaria no Ministério dos Direitos Humanos. Enquanto Queiroz samba no hospital e vira marchinha de carnaval.

Dos filhos do capitão nada a falar. Continuaram a bater boca nas redes sociais – corno e micropênis – e daí para baixo. Quando não um deles tomava carona no bebê-conforto do carro oficial da posse.

Bolsonaro precisou ser desautorizado pelo pessoal do segundo escalão quando declarou que havia assinado aumento de IOF. E de recuo em recuo recuou mais de uma vez. E, por último, tentou surfar na extradição de Battisti e Evo Morales tirou-lhe a prancha. Bolsonaro ficou a lata de parafina e brocha na mão.

Quinze dias de governo. O governo acabou? Longe disso. Na verdade, o governo ainda não começou. Paulo Guedes, esse é o cara. Esse vai acender a luz.

Me ajuda a te ajudar

Bolsonaro concorreu a eleição sem apresentar um plano de governo e mesmo sem participar de sequer um debate. Era seu preço e foi aceito e pago pelo poder econômico para derrotar Haddad e o PT. Para derrotar Lula, quem ainda está pagando o preço é o STF.

Assim, diante do desgoverno que estão sendo as duas primeiras semanas do governo Bolsonaro, analista puseram-se a dar tratos às bolas … de cristal.

Logo tornou-se consenso entre esses analistas que não se pode falar em “governo Bolsonaro”. Seria mais adequado falar em um aglomerado de três partes que formariam a estrutura que está no governo. Bolsonaro e sua trupe – a parte irracional – é o que tratamos acima.

Mas haveria duas partes racionais. O bloco Guedes-Moro – os superministros – Guedes cuidando da economia e Moro cuidando na Justiça do que seja lá for – talvez das “negociações com o Congresso” baseadas em informações do COAF. E, completando, o bloco dos militares cuidando da infraestrutura e de tudo mais.

Agora, o que atualmente dá sustentação institucional ao governo é o fato do poder econômico ter em relação a ele – governo – uma pauta definida. Pauta que não é afetada pelas bizarrices da parte irracional do governo Bolsonaro, nem pelas do próprio presidente. Pauta onde a reforma da Previdência é a ação mais urgente. Depois virão todas as outras que facilitem seus negócios. Como com Temer, enquanto acreditar que isso ocorrerá, o poder econômico dará apoio a Bolsonaro. E não só ele. Não é à toa que o STF, fortemente alinhado com o poder econômico, já sinalizou que, a parte suprema do Judiciário, não trará dificuldades ao governo.

O por enquanto, no entanto, não irá até 2022. E as dificuldades virão.

Não há reforma da Previdência que gere os “recursos disponíveis para investimentos” que o mercado espera, sem que as aposentadorias dos militares e do Poder Judiciário sejam afetadas. Isso sem falar das de outros órgãos sensíveis, tais como, a Policia Federal. Como aliás, foi mencionado pelo próprio superministro Paulo Guedes.

Ocorre que já há sinalizações explícitas, por parte dos militares, de que querem ser incluídos fora dessa. Se os militares forem poupados, não há como avançar sobre o Poder Judiciário e a Policia Federal. E, então, sem isso, não haverá sacrifício que baste aos trabalhares da economia privada para bancar uma tal “nomenclatura” apenas com a pele do couro das costas dos seus velhos. A diferença de vencimentos é brutal – literalmente brutal com o trabalhador da iniciativa privada, já espoliado de direitos trabalhista e até de um Ministério do Trabalho que colocasse os interesse do trabalho como pauta de governo.

Eis, no curto prazo, o desafio da parte racional do governo Bolsonaro. E isso é tudo e somente o que se pode enxergar daqui – a reforma da Previdência. Sem ela, podem ser curtos mesmo não só o prazo para as reformas, mas o próprio governo Bolsonaro. Por conseguinte, pela ótica do mercado, os médio e longo prazos do governo Bolsonaro dependem, para existirem, do sucesso da reforma da Previdência .

E, então, resta a incógnita quanto a como reagirá o  bloco dos militares e qual a ordem unida que fará conhecer à “tropa”, no caso de o mercado decidir que seria melhor que os médio e longo prazos do governo Bolsonaro não chegassem a existir.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia
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O estratégico silêncio de Bolsonaro e Queiroz

Flavio Bolsonaro e Fabrício Queiroz dificilmente falarão sem saber
o que o Ministério Público do Rio já conhece
Foto: reprodução da internet
Ao expor, após assumir seu segundo mandato como procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, que o Ministério Público do Rio (MPRJ) independe de depoimentos dos envolvidos para investigar as estranhas movimentações apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) na conta de Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Eduardo Gussem acabou apresentando o real motivo do silêncio de todos os envolvidos em tais movimentações finaceiras suspeitas.

O oficial reformado da PM-RJ Queiroz, suas filhas Nathalia e Evelyn Melo de Queiroz, sua atual esposa, Márcia Oliveira Aguiar, assim como o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), com alegações variadas e pouco críveis não compareceram ao MPRJ quando chamados a depor para esclarecimento. Na verdade, querem, como é direito deles, evitar contradições.

Se silenciam é por não terem explicações razoáveis. Caso as tivessem, como o próprio Gussem explicou, seriam os primeiros e os maiores interessados em apresentá-las. Ao levarem suas justificativas, ou mesmo a chamada tese de defesa, ao conhecimento dos promotores permitiram que elas fossem checadas e as dúvidas por final existentes afastadas. Desde que verdadeiras. Ao que parece, porém, é que não as tem.

Queiroz, seus familiares e o senador eleito Bolsonaro sabem que, depondo ou não, as investigações avançam sobre as suspeitas movimentações que totalizaram mais de R$1,2 milhão, no período de um ano. Mas desconhecem o que o MPRJ já tem em mãos. Com isso, qualquer história mal contada poderia ser derrubada no próprio depoimento, com a apresentação de dados já levantados e ainda não revelados.


O Ministério Público Estadual do Rio, com Eduardo Gussem à frente, dispõe de informações
que os suspeitos desconhecem,motivo de retardarem seus depoimentos.
Foto: reprodução

A esta altura, por exemplo, os promotores, à frente o procurador-geral de Justiça, Gussem, contam não apenas com quebras de sigilos bancários, que ajudem a destrinchar os depósitos e saques feitos na referida conta.

Possivelmente já rastrearam cadastros dos DETRANs que revelem a veracidade dos argumentos usados pelo ex-assessor parlamentar e amigo da família Bolsonaro. Ele, em entrevista ao SBT, sem maiores questionamentos ou cobrança de detalhes, argumentou ter ganhado dinheiro com a compra e venda de carros.

“Estamos checando por todas as frentes”, revelou fonte do órgão ao Blog ao ser questionada sobre possível pedido de informação em torno dos carros que a família do oficial reformado já teve.

Sem noção do que o MPRJ já sabe, o melhor para a defesa de todos, inclusive do próprio senador eleito que oficialmente não estava na lista de suspeitos, foi silenciar e esperar que os promotores mostrem suas cartas.

Não à toa que o filho mais velho do capitão-presidente, Jair Bolsonaro, condicionou seu depoimento ao acesso prévio à investigação que está sendo realizada. Quer saber o que existe para acertar o que irá dizer. Não tivesse dúvidas do que falar, já teria comparecido para depor. O que não fez na data inicialmente indicada.

Verdade que o deputado estadual – ao contrário do que previmos na reportagem Flávio, por ser Bolsonaro, se acha acima da lei – teve deferido pelo MPRJ o pedido de acesso às investigações. Na Procuradoria Geral de Justiça do Rio alegou-se que a partir do momento em que foi chamado para se manifestar ele pode ter acesso aos autos. Pesou ainda sua carteira da Ordem dos Advogados. O Estatuto da OAB prevê tal prerrogativa.

O curioso nesta decisão do MPRJ é que, como revelamos na matéria citada, o Supremo Tribunal Federal (STF) já deixou claro que não há direito de vista (a um inquérito) se o peticionário não for investigado, ou seja, quando não se verificar qualquer ato concreto no inquérito policial. Em outras palavras, não há acesso aos autos a quem não está sendo vítima da investigação. Teoricamente, como o próprio deputado federal alegou, ele não está entre os investigados. Deporia como testemunha.

Nesses casos, nosso velho Código de Processo Penal (CPP) determina em seu artigo 210: “As testemunhas serão inquiridas cada uma de per si, de modo que umas não saibam nem ouçam os depoimentos das outras, devendo o juiz adverti-las das penas cominadas ao falso testemunho”. (grifo nosso). Mesmo assim, o pedido dele foi acatado.

Apesar do acesso aos autos da investigação, o deputado e os advogados que atuam no caso sabem que podem não ter tido conhecimento de tudo o que vem sendo apurado. As decisões do Supremo dão aos investigadores o direito de não apresentarem aos interessados diligências e investigações ainda não concluídas.

A entrevista de Gussem após a cerimônia da posse para o segundo mandato na PGJ-RJ guarda outra curiosidade. Quando cobrado pelos jornalistas das ausências de Queiroz, seus familiares e do deputado estadual, disse textualmente:

Essa questão toda da oitiva do Queiroz, de seus familiares e do deputado Flavio Bolsonaro, nesse caso específico, ela contribui mais para que eles apresentem a versão deles. Para que eles apresentem, até mesmo, uma tese defensiva, porque o Ministério Público trabalha com um conjunto probatório e, acima de tudo, busca a verdade real dos fatos O depoimento vai apresentar a versão deles dos fatos. Nesse caso específico, a prova documental é uma prova muito consistente. Então, obviamente, eles apresentando a versão deles, através dos depoimentos, vai contribuir, o quanto antes, para elucidar”.

Ainda que tente colocar no mesmo balaio todas as 22 investigações abertas a partir das revelações do Coaf sobre 22 movimentações atípicas nas contas bancárias de deputados ou servidores da Assembleia Legislativa do Rio (ALERJ), Gussem sabe que o caso do filho do presidente tem destaque próprio. Ele reconheceu isso ao afirmar:

“Obviamente o caso do deputado Flavio Bolsonaro tem uma visibilidade maior porque se trata hoje de um senador e do filho do presidente da República. Mas quero deixar registrado, claro aqui, que todos os casos caminham com a mesma intensidade”.

Ao usar a expressão “o caso do deputado Jair Bolsonaro“, o procurador-geral de Justiça, ainda que indiretamente, deixa no ar a possibilidade que interpretem-no como a admitir que o parlamentar possa acabar em uma situação não tão confortável como apenas de uma simples testemunha.

Afinal, uma das fortes suspeitas que recai sobre todas as movimentações financeiras atípicas levantadas pelo Coaf é de que parlamentares, de forma indireta ou não, possam ter recebido (cobrado?) valores dos servidores que atuavam em seus gabinetes. Algo que a se confirmar não se configurará em novidade.

Nas movimentações atípicas de Queiroz essa suspeita foi reforçada pela coincidência das datas dos depósitos feitos por alguns servidores do gabinete do deputado estadual Bolsonaro na conta do oficial reformado da PM que atuavam como assessor do parlamentar. Coincidiram com os dias de pagamento dos salários dos mesmo pela ALERJ ou ocorreram em datas muito próximas.

Trata-se de indícios que o Ministério Público do Rio pode estar confirmando através da prova documental que, nas explicações de Gussem, ” é uma prova muito consistente“. Acrescentou:

O Ministério Público pode, através da prova documental, chegar à conclusão que tem elementos suficientes, indícios suficientes para a propositura de uma ação penal e aí ele vai ter oportunidade de se pronunciar em juízo“.

A situação de Flávio Bolsonaro, mesmo a partir de 1 de fevereiro, quando assumirá a cadeira de senador pelo Rio de Janeiro, não sofrerá modificação, ainda que ele passe da condição de testemunha para a de investigado.

A partir da jurisprudência recente do Supremo Tribunal, ele não terá mais direito ao foro especial de senador, que seria o próprio STF. Como o caso que vem sendo apurado ocorreu durante – e em função do – seu mandato de deputado estadual, a jurisdição continuará sendo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Com isso, Gussem, que acaba de ver seu mandato como procurador-geral estendido por mais dois anos, permanece com a prerrogativa de decidir se o atual deputado e futuro senador deve ou não ser denunciado.

O procurador-geral de Justiça do Rio, José Eduardo Ciotola Gussem, 54 anos, dos quais há 25 no MPR (ingressou em 1993), vem se empenhando para resgatar a credibilidade do órgão que dirige e que foi tremendamente abalada nas gestões anteriores por omissão e ou conivência de seus antecessores com o esquema montado no Rio de Janeiro pelos grupos políticos de Sérgio Cabral e Jorge Picciani, com participação ativa do ex-deputado federal Eduardo Cunha e do ex-governador Luiz Fernando Pezão. No passado, ainda promotor o interior do Estado, ele comprou uma briga com o poderoso escritório de advocacia Zveiter, ligado à família do desembargador Luiz Zveiter. O embate jurídico acabou diante de um acordo firmado entre as partes.

Pelo que se sabe, o caso Queiroz hoje está a cargo do Grupo de Atribuição Originária da Procuradoria Geral de Justiça do Rio, considerado excepcional. Pelas informações recebidas, anda com celeridade. Como o próprio procurador-geral adiantou que “tão logo se forme o juízo de valor, as decisões serão tomadas”, alguma surpresa pode surgir antes do que muitos esperam.

Marcelo Auler
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Coronel da PM desmonta com bom senso a ideia estúpida de armar o ‘cidadão de bem’

O cidadão de bem e a bala perdida

Armar o cidadão de bem, como resposta à violência, é o argumento mais falacioso, mais inescrupuloso, que já ouvi a respeito do assunto. No ano passado, o Brasil registrou 59.103 mortes por crimes violentos letais e intencionais (CVLI). Na guerra da Síria, de 2017 a maio deste ano, portanto cinco meses a mais, morreram 43 mil pessoas. Estamos em guerra, estamos em guerra!

Daí, uma mente iluminada propõe como solução: mudar a legislação para armar o “cidadão de bem”. A primeira pergunta: quem é o cidadão de bem? Quem decide, ou escolhe, ou elege o “cidadão de bem”? Obviamente, interesses políticos e comerciais norteiam o engodo de que armar as pessoas diminuirá o número de mortes.

Quantos policiais têm perdido suas armas e, muitas vezes, suas vidas, pela ação de marginais? Ora, somente sendo muito estúpido para acreditar que o “cidadão de bem” estará preparado para esse enfrentamento. Armas matam, então, quanto mais armas mais mortes.

O discurso em defesa da “tese” é de que haverá treinamento, teste psicológico, para que as pessoas estejam aptas a andar armadas. Ora, se treinamento e teste psicológico garantissem o uso correto das armas, não teríamos policiais mortos e policiais presos, como temos.

Por falar em Policiais – uma categoria tão abandonada, tão desvalorizada, na qual deságuam os problemas que o poder público não deu solução, como se ela pudesse solucionar – vai ter seu trabalho multiplicado e dificultado. Além de mais gente armada, para fiscalizar, terá que possuir uma bola de cristal para distinguir, em segundos, o infrator do “cidadão de bem”. E, não se enganem, se errarem e confrontarem o “cidadão de bem”, adivinhem para que lado a “corda” vai arrebentar…

Arma é para a Polícia! Para os cidadãos, uma polícia bem formada, bem paga, bem fiscalizada para protegê-lo. QUANTO MENOS ARMA, MENOS VIOLÊNCIA!

O aspecto decisivo nesses embates cotidianos, envolvendo armas de fogo, é o fator surpresa. Esse é determinante! O infrator sempre busca o “alvo” mais fácil, distraído. Isso significa dizer que o “cidadão de bem” tem que estar atento o tempo todo, sem direito à distração, à diversão e à descontração. Assim é o dia-a-dia de um policial, nas ruas.

Por mais treinado que seja o profissional, isso gera tensão. Tensão essa, que pode levar a falhas, como o caso do policial que, recentemente, matou um trabalhador, porque confundiu um guarda-chuva com um fuzil. Imaginem o grau de estresse de um Policial, mal pago, morando em locais dominados pelo crime, não podendo sair de casa fardado, deixando sua mulher e filhos à mercê da sorte. Não! Não aumentem seus problemas. Os erros com armas de fogo, não são os mesmos cometidos nas provas de matemática, os erros com armas de fogo são fatais.

O outro discurso: “Vejam, não defendemos o porte de arma e sim, a posse, que é o direito de ter uma arma dentro de casa, não podendo transportá-la”. Muito bem, agora é diferente! Afinal, uma das qualidades do nosso povo é o cumprimento das leis. Comparemos, com uma arma legalizada e também letal, os veículos automotivos: quarenta e sete mil mortes por ano e quatrocentas mil pessoas com algum tipo de seqüela. Ops! Ultrapassamos a Síria, mais uma vez. Vivemos duas guerras! Alguém acredita, que pessoas que dirigem sem habilitação, com licenciamento vencido, embriagadas, vão deixar suas armas em casa, por não possuírem porte? Isso sem falar nos acidentes domésticos, na maioria das vezes, envolvendo crianças.

Hoje, o reduto de paz e segurança do “cidadão de bem”, são os condomínios fechados, murados, com vigilância eletrônica. Imaginemos cada casa com pelo menos uma arma. Lembremos da impaciência com som alto, animais soltos, veículos mal estacionados, que geram os pequenos conflitos nos espaços comuns. Juntemos à bebida do fim de semana e a alguns temperamentos mais violentos. Hum! Perigo à vista.

Daí, o cotidiano das favelas, que se tornou o trivial, o banal – uma mãe negra, com seu filho morto por bala perdida, nos braços (para alguns, menos um marginal no futuro) – transforma-se no extraordinário: a favela é um condomínio de luxo e a mãe, uma senhora de classe média alta. E o assassino? O “cidadão de bem”!

Que horror! Inacreditável! Que absurdo!

Pois é, “a felicidade não tem cor”, a tristeza, também não. Na tragédia, nos igualamos.

Então, cidadãos e cidadãs, refletir é de graça. Remediar tem preço. E, às vezes, não é possível remediar.

Armas matam! Bom senso, não!

Precisamos de menos armas, de menos mortes, de mais amor e tolerância!

VIVAM e DEIXEM VIVER!

Luís Fernando Silveira de Almeida – Coronel da Reserva da PM e Cidadão, apenas cidadão.
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Bolsonaro sabota policiais honestos ao permitir mais armas em circulação


Segurança pública sempre foi um dos temas preferidos de Jair Bolsonaro, muito antes dele se tornar candidato à Presidência da República. Era de se esperar, portanto, que já tivesse um planejamento detalhado para reduzir de forma significativa (e já no primeiro ano de seu mandato) os indicadores de violência. Não deixa de ser frustrante para parte de seus eleitores que a primeira grande ação que ele anuncie nesse sentido seja flexibilizar a posse de armas. Que é o equivalente a "olha, não temos como resolver seu problema, mas você pode comprar essa pistola". Pelo visto, o responsável pela segurança pública, Sérgio Moro, está tendo que construir do zero um plano para a área porque do mato de Bolsonaro não deve sair coelho.

Como disse aqui no último post, o governo erra ao dar início à flexibilização do posse de armas, facilitando o acesso a elas e devolvendo ao cidadão comum parte da responsabilidade por sua própria proteção armada. Mais armas circulando significam um número maior delas indo para a ilegalidade. Policiais honestos estão sendo vítimas de sabotagem por parte do poder público, que prefere afrouxar o acesso a armas para civis muito menos treinados que eles do que anunciar uma política nacional para valorização imediata de seus salários e das condições de trabalho.

Ao invés de anunciar um projeto para investimento em inteligência policial (com integração das polícias e cruzamento de dados de segurança pública) e o endurecimento da punição caso seja constatado o envolvimento de policiais no comércio ilegal de armas, o governo preferiu lançar uma medida polêmica, de caráter duvidoso e duramente criticada para o enfrentamento da violência.

Parte das armas que chegam às mãos de criminosos que cometem assaltos, sequestros, estupros e homicídios já estiveram na legalidade. Muito além de uma fronteira mal fiscalizada e porosa por onde passa armamento contrabandeado, existe um mercado e uma dinâmica internos que não são fiscalizados corretamente.

Em 82% dos homicídios do Rio de Janeiro, a arma vem do mercado legal e, em algum momento, vai para o mercado do crime – o dado é do deputado estadual Marcelo Freixo, que presidiu a CPI do Tráfico de Armas e Munições. Um total de 119.484 armas de fogo foram apreendidas, em 2017, de acordo com levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Dessas 94,9% não foram registrada no sistema da Polícia Federal. E, das armas apreendidas, 13.782 (ou 11,5%) acabaram perdidas, extraviadas ou roubadas. Vão para as mãos de quem não devia.

Para a socióloga Julita Lemgruber, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, a polícia apreende armas, que são desviadas para os próprios criminosos. Ela, que foi diretora do Departamento do Sistema Penitenciário e ouvidora da polícia do Estado do Rio de Janeiro, acredita que esses desvios poderiam ser facilmente investigados se houvesse vontade política.

O presidente da República enche a boca para falar contra a corrupção na política. Mas parece ignorar que nossa corrupção é estrutural, com a polícia sendo reflexo do que acontece na política. Com uma política corrupta seria estranho se parte da estrutura de segurança pública também não fosse.

Diante de indagações de como reduzir essa corrupção, como evitar crimes e punir criminosos, como atacar milícias formadas por policiais e militares, como privilegiar os agentes de segurança honestos e como punir os que rifam a vida alheia em nome de caraminguás, muitos mostram falta de vontade, de conhecimento e de coragem.

Coragem que provavelmente reaparece quando empunham uma arma.

Leonardo Sakamoto
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Veterinário Lorenzoni (o chuveiro) compara arma a liquidificador

Criança corta o dedinho. E por isso vai proibir liquidificador em casa?


Quem diz que o Onyx Lorenzoni (duplo Caixa Dois que o Moro perdoou) é o "chuveiro" não foi o Conversa Afiada, mas o Primata do tаl neolibelismo.

Veja, amigo navegante, se essa comparação não saiu da cabeça de um chuveiro:

Arma em casa é risco para criança tanto quanto liquidificador, compara Onyx

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, comparou nesta terça-feira (17) o risco para uma criança de alguém manter uma arma de fogo em casa ao risco de a mesma criança se acidentar com um liquidificador. Segundo o ministro, evitar acidentes é uma questão de “educação” e “orientação”.

Nesta terça-feira (15), o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que facilita a posse de armas de fogo. A autorização de posse permite manter uma arma dentro de casa. Cumpridos os requisitos de "efetiva necessidade", cidadãos das zonas rural e urbana em todo o país poderão ter até quatro armas cada um. Nas residências onde há crianças, adolescentes ou pessoas com deficiência mental, é preciso comprovar existência de cofre ou local seguro para armazenamento.

“A gente vê criança pequena botar o dedo dentro do liquidificador e ligar o liquidificador e perder o dedinho. Então, nós vamos proibir os liquidificadores? Não. É uma questão de educação, é uma questão de orientação. No caso da arma, é a mesma coisa. Então, a gente colocou isso [a exigência de cofre] para mais uma vez alertar e proteger as crianças e os adolescentes”, afirmou o ministro Onyx Lorenzoni.

Segundo Lorenzoni, é preciso "cuidado redobrado" com arma. "Eu criei quatro filhos com arma dentro de casa. Meus filhos nunca foram lá brincar com arma porque eu ensinei a todos eles o que ela significava”, declarou. (...)

No CAf
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Arma não será só “área violenta”. Vale em todo o país; decreto traz “pegadinha”


O decreto de Jair Bolsonaro e Sérgio Moro liberando o porte de armas é cínico como seus autores.

Prevê que haverá, automaticamente, “efetiva necessidade” de possuir uma arma aquele que residir “em áreas urbanas com elevados índices de violência, assim consideradas aquelas localizadas em unidades federativas com índices anuais de mais de dez homicídios por cem mil habitantes, no ano de 2016, conforme os dados do Atlas da Violência 2018, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública”.

Isto é o que está no novo texto do Art. 12, no inciso IV do § 7°.

Mas é  um “não-critério”, apresentado como critério apenas para fazer parecer que houve algum critério.

Nossa imprensa, incompetente como sempre, não atentou para o que o próprio Bolsonaro havia dado como “pista” em sua fala de propaganda no SBT e que foi destacado neste blog há duas semanas.

Todos os estados brasileiros ultrapassam a marca definida no decreto e é só conferir na página 26 do Atlas da Violência.

É, portanto, só uma “pegadinha” para fingir que é decisão voltada apenas para áreas mais violentas. Não é, é o “liberou geral”.

Como não podiam abolir a exigência de “efetiva necessidade” que está contida na lei, um artigo do decreto diz que “presume-se a veracidade dos fatos e das circunstâncias afirmadas na declaração de efetiva necessidade ” de possuir arma. Ou seja, qualquer coisa vale.

É com gente deste tipo, capaz desta má-fé, num assunto de tamanha seriedade, que se está lidando.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Bolsonaro é flagrado com "dossiê" contra "petista" em sua mesa de gabinete

Imagem estava sobre a mesa do gabinete do presidente da República durante a visita da comitiva da Festa da Uva, na tarde desta segunda-feira


O presidente da República, Jair Bolsonaro, recebeu na tarde desta segunda-feira (14) as soberanas da Festa da Uva de Caxias do Sul e a presidente da comissão comunitária, Sandra Mioranzza Randon, no Palácio do Planalto.

Na mesa do gabinete de Bolsonaro, onde foram depositadas as lembranças e agrados ao presidente levados pela comitiva, repousava uma pasta com uma cópia impressa. Não se tratava de algo levado pelas caxienses. Já estava lá.

Aproximando a foto, é possível ler, na folha de frente, a menção a uma pessoa chamada "Eliane Caref", com a reprodução da foto da mulher e de uma mensagem que circula em uma rede social.

O texto da postagem, localizado em busca na internet e reproduzido na cópia impressa sobre a mesa, diz: "Esta é uma petista doente. Fez campanha contra Bolsonaro dentro do Banco do Nordeste. Responsável pela divulgação do "Ele não" no Estado do Ceará. Está pretendendo ser nomeada para o Conselho de Administração do BNB (o Banco do Nordeste). Vamos fazer campanha contra".


Ciro Fabres
No Clicrbs
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