5 de jan. de 2019

Alexandre Garcia, velho assessor da ditadura


Entre as notícias leves da semana, esteve a de Alexandre Garcia, ou Alexandre Eggers Garcia, virar porta-voz de Bolsonaro. Depois, Garcia procurou esclarecer a informação, com a eterna modéstia que não lhe falta. Alexandre, o grande jornalista, preferia continuar o seu trabalho para 15 jornais e 280 emissoras de rádio. Apenas. Melhor que Hércules, parecia, por executar mais de doze trabalhos. Mas para quem não sabe, ele escondeu o óbvio, porque é um mestre em omitir. A sua fala, falha ou coluna apenas era, é reproduzida em rede.   

Aliás, por falar em omitir, no seu perfil no Portal dos Jornalistas ele informa, e reproduz depois aonde vai, porque é mestre em rede: “O primeiro emprego no jornalismo foi um estágio na sucursal do Jornal do Brasil (RJ) em Porto Alegre. Começou a escrever na editoria de Economia e se especializou em Bolsa de Valores. Nessa época, conciliava um emprego no Banco do Brasil com o do jornal. Pouco tempo depois, foi contratado pelo JB e largou o trabalho no banco”.

Omitir também é mentir. Se ele saiu por um tempo, sob licença generosa, mais adiante voltou com ainda mais generosidade, porque ocupou cargos comissionados na direção geral do Banco do Brasil. E continuou e saiu no fim muito bem, como pesquiso aqui em um comentário na web:

“Alexandre Garcia é aposentado pelo Banco do Brasil, com uma belíssima aposentadoria paga pela PREVI. Na época, anos 70, havia uma situação esdrúxula, abominável, típica daqueles tempos apelidada de ‘teta dupla’, que consistia no seguinte. O cara estava lá no BB em Brasília, daí através de um ‘pistolão’, era convocado por um órgão público, e o funcionário era cedido para um ministério, por exemplo (Maílson da Nóbrega é outro exemplo), no chamado ‘interesse do serviço, com ônus para o Banco’. O nome ‘teta dupla’ se aplicava porque o cedido acumulava os dois proventos. O BB cedia o funcionário com ônus, isto é, ele continuava na folha de pagamentos e contando tempo de serviço normalmente. Posteriormente isso acabou, agora se o funcionário for cedido ele opta pelo salário do novo órgão ou fica com o salário do BB, porém os custos são repassados. Aposentou-se no topo da carreira, como se tivesse exercido altos cargos por mais de 30 anos. Se passou uns 2 ou 3 anos no BB foi muito”.

Na verdade, no Banco do Brasil ele fingiu trabalhar, porque na ocasião, recebendo salário de comissionado para 8 horas, não cumpria sua jornada. E falava, com modéstia e impunidade, pois sempre esteve a favor dos ventos: “o que outros fazem em oito horas, eu faço em quatro”. Gênio. Os demais, coitados, que se submetessem à carga geral das oito horas por dia.

Nesta semana, ao divulgar as razões para o seu trabalho com a ditadura, neste novo tempo da extrema-direita, ele fala, de passagem: “Certa vez, em casa, eu tirava o suor no chuveiro, minha mulher irrompeu ao banheiro com um ultimato. ‘Ou eu ou o Figueiredo’. E optei pelo Figueiredo”, publicou. É um autêntico puxa-saco de plantão, que se exibe despudorado, como prova maior de amor não há.

A propósito do ilustre servidor da ditadura, há um livro, “No Planalto com a Imprensa”, de André Singer, Mário Hélio Gomes, Carlos Villanova e Jorge Duarte, sobre o qual publiquei breve resenha em  19/01/2011, no Direto da Redação do saudoso Eliakim Araújo. O texto foi reproduzido depois na redecastorphoto e no Observatório da Imprensa.

Ali, pude ver que nos trechos onde o eufemismo recomendaria chamar de momentos menos honrosos do jornalista, eram indicadas ações vis como se fossem coisas bobas, ossos do ofício de experientes assessores, entre um riso e outro.

Ainda que o livro não tivesse qualquer espírito investigativo, pois as palavras dos assessores de imprensa entrevistados eram sempre as últimas e se aceitavam sem qualquer contraditório, podiam ser notados atos falhos dos profissionais no Planalto. A primeira coisa que se percebia vinha a ser  a banalização da ditadura. Era como se um golpe de Estado, censura, clima de terror, torturas e assassinatos não fossem o preço necessário para o acesso agradável aos ditadores da ocasião.

Mas nos flagrantes de ser vil, servil, nada se comparava a Alexandre Garcia, quando esteve numa posição intermediária entre assessor do assessor e secretário do secretário de imprensa de Figueiredo. Ele assim se dirigiu, em suas primeiras horas de poder, ao general Rubem Ludwig:

‘Agora, gostaria de ouvir os seus conselhos de como proceder lá dentro porque costumo vestir a camisa dos lugares onde trabalho.’

Quanta entrega de espírito e devoção à causa para segurar o cargo, poderia ser comentado.

Para Alexandre Garcia, enfim, nada era mais honroso que isto, exibido com orgulho em seu currículo:

‘Condecorado com a OBE (Ordem do Império Britânico) pela Rainha Elizabeth’.  Então a resenha de 2011 concluía: Deus salve a rainha. Para tal honra, John Reed e semelhantes deviam se torcer de inveja por todos os séculos.

Agora, o adulador maior de ditadores fala que não será porta-voz oficial de Bolsonaro. “Porta-voz de todos”, ele publica no Twitter. Mentira. Fora do Planalto, ele serve melhor ao presidente fascista nos comentários e artigos. Aquelas mesmas falas geniais para 15 jornais e 280 emissoras de rádio. A cada frase, nova façanha. Um Hércules da bajulação em rede.

Urariano Mota
No GGN
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As guerras táticas da comunicação de Bolsonaro


Guerra econômica, guerra cinética, guerra da informação. Esses três princípios da guerra moderna parecem estar estruturando a tática militar de comunicação do “staff” de Bolsonaro. Em quatro dias desde a posse do capitão da reserva, ficou evidente a linha de continuidade entre a campanha eleitoral e a rotina diária do governo. Marcadas não pela estratégia clássica de propaganda, mas por táticas diversionistas de comunicação: “Marxismo cultural”? “Ideologia de gênero”? Bolsonaro desautorizou Paulo Guedes? Quem é menina ou menino? Quem veste rosa ou azul? A logística da guerra é uma questão de desorientar e criar pânico no adversário – no caso atual, criar dissonâncias e ambiguidades. Com isso, qualquer discussão sobre a “guerra econômica” (“tirar”, “acabar”, “reduzir”, “diminuir” etc.) e a guerra cinética (a guerra ao pan terrorismo narco-político), embora com impactos bem concretos num futuro próximo, está oculta da opinião pública com a proliferação de memes, metamemes e análises da grande mídia que escondem o essencial: a guerra produzida sob o discurso da “terra arrasada”.

Em postagem anterior, esse humilde blogueiro argumentava que desde a campanha eleitoral, Bolsonaro não utilizou estratégias de propaganda, mas de comunicação: ao invés dos instrumentos de convencimento e persuasão (doutrinação ideológica, retórica, repetição de slogans, festas e discursos em palanques), sistematicamente produziu informações dissonantes, ambiguidades, bravatas e provocações para criar, principalmente, polarização - clique aqui.

Por isso, é sintomático que o seu “parlatório” sejam as mídias sociais no lugar dos meios de comunicação de massas – apesar do papel fundamental dessas mídias clássicas como função de pauta ou agendamento dos pitacos no WhatsApp e Twitter: o pano de fundo da grande mídia acaba sendo o condutor dos “debates” nas redes sociais.

Propaganda não é comunicação, é a esteticização da informação, de caráter acumulativo, aditivo, afirmativo; e comunicação é acontecimento – tudo aquilo que gera eventos que criam dissonâncias, que confrontam, interferem, tornam-se agentes disruptivos.

Bastaram apenas quatro dias desde a posse (ou possessão?) do presidente eleito, para ficar clara a linha de continuidade entre a campanha eleitoral e a estratégia de Governo: uma atividade sistemática e diária de comunicação que objetiva criar uma espécie de fosso repleto de crocodilos em volta do castelo.

O castelo do “núcleo duro”

Esse castelo seria o “núcleo duro” do Governo (economia, justiça e segurança) que, à todo custo, deve se manter longe de qualquer debate racional na opinião pública.

Enquanto os “crocodilos ferozes” são jogados diariamente nesse fosso para chamar a atenção e distrair – são as dissonâncias e provocações.

Desde o primeiro dia do ano, a estratégia de comunicação foi a de encher esse fosso de proteção com diversos “crocodilos”:


(a) Meganhização da posse com Brasília em estado de sítio não declarado: soldados fortemente armados com toucas ninja e ordens para abater qualquer “OVNI” (desculpe a ironia...) que aparecesse no espaço aéreo da capital – na verdade, apenas a continuação icônica das imagens diárias dos telejornais nos últimos quatro anos com policiais federais nas ruas armados até os dentes para fazer prisões coercitivas nas inesgotáveis operações da Lava Jato;

(b) Contenção e maus tratos dos jornalistas na posse como indício do alvorecer de uma distopia autoritária brasileira na qual os pobres jornalistas serão censurados e executados. Enquanto isso, nas telas da TV, Bonner só faltou bater continência para as câmeras do Jornal Nacional, elogiando a tecnologia de informação da emissora que conseguiu suplantar os “desafios logísticos” da cobertura da posse presidencial;

(c) Em pouco mais de 12 horas, recorrentes dissonâncias de informações entre o que Bolsonaro fala daquilo que efetivamente a equipe econômica está planejando – o capitão da reserva fala em aumento da alíquota do IOF, redução das faixa de Imposto de Renda e anúncio de idade mínima para aposentadoria (57 para mulheres e 62 para homens), enquanto integrantes do Governo como Marcos Cintra (secretário da Receita Federal) e Onix Lorenzoni (ministro chefe da Casa Civil) tentam acalmar os ânimos diante de estupefatos jornalistas, tentando traduzir a fala presidencial: “não era bem assim...”, “ele estava querendo dizer...”;

(d) O confuso e inacreditável discurso do ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo dizendo que o “marxismo cultural pilota o globalismo”, a “fé em Cristo para lutar contra o globalismo anti-cristão”, entre citações a Raul Seixas e Renato Russo;

(e) O discurso de posse (ou possessão?) do novo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodrigues, dizendo que vai acabar com o “marxismo cultural nas escolas” e “ideologia de gênero” porque “faz mal à saúde”;

(f) E, o mais pirado crocodilo do fosso que cerca o castelo, a fala da ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) dizendo que “o Estado é laico, mas essa ministra é terrivelmente cristã!” e que “é uma nova era no Brasil: menino veste azul e menina veste rosa”, tendo ao fundo uma bandeira de Israel desfraldada por apoiadores...


Esquerda identitária namastê

De (a) a (f), tudo foi repercutido pelos analistas econômicos e políticos da grande mídia. Mas, em particular, a “metáfora” de Damares gerou a previsível reação da chamada “esquerda identitária namastê” com direito a Fernando Haddad posando de camisa rosa e livro na mão em foto nas redes sociais e o inefável Caetano Veloso posando no Instagram com uma camiseta rosa e a inscrição “proteja seus amigos”.

Modus operandi do artista que posava vestido de black bloc no auge das manifestações de 2013. Mais do mesmo: criação reativa de metamemes, atingindo em cheio o objetivo dessas verdadeiras bombas semióticas de dissuasão criadas pela estratégia de comunicação da assessoria de Bolsonaro.

E toca até a fazer análises linguísticas cognitivas de um não-acontecimento criado pela dublê de ministra e pastora neopentecostal. Como se houvesse algum substrato em um simulacro propositalmente plantado como “pseudo-evento”.

Sintomaticamente, enquanto grande mídia e a pretensa oposição política criam metamemes (recombinações e variações reativas das provocações) para supostamente denunciar as incorreções autoritárias e ideológicos do novo governo, o discurso do núcleo duro segue numa fileira de verbos no infinitivo: “acabar”, “tirar”, “reduzir”, “diminuir”, “cortar”, “encolher”, “fundir”, “finalizar”, “extirpar” e assim por diante.

Enquanto a grande mídia coloca acima de qualquer crítica esse discurso de gestor (sem projetos, imaginação ou criação), a esquerda se perde na polarização artificialmente criada. Para os luminares da esquerda, o ministério de Bolsonaro é formado por aloprados, pirados e proto-fascistas que poderiam tranquilamente figurar como personagens da distópica República de Gilead da série Handmaid’s Tale.

Tudo pode parecer descoordenação, bagunça e tosquice, comandado por um néscio na presidência. Mas isso é um personagem ficcional que a estratégia de comunicação pretende criar para Bolsonaro. Como fala o antropólogo Piero Leiner da UFSCar, estudioso das estratégias militares, “é muito mais uma estratégia de criptografia e controle de categorias, através de um conjunto de informações dissonantes” – clique aqui.



Núcleo de entretenimento

Por incrível que possa parecer, até aqui a fala mais lúcida em tudo isso veio do comentarista de Política do programa "Estúdio I", da Globo News. Octávio Guedes analisou: “o governo Bolsonaro é formado pelo núcleo econômico (Paulo Guedes), o núcleo da Justiça (Moro), o núcleo militar (Mourão, Heleno) e o núcleo de entretenimento, que cria todas essas polêmicas para entreter a opinião pública e evitar debater aquilo que é essencial”.

Em entrevista à BBC, o ex-estrategista-chefe da campanha de Trump e apoiador informal da campanha de Bolsonaro, Steve Bannon, faz a seguinte afirmação que parece orientar a atual estratégia de comunicação do Governo: “na guerra moderna, há três categorias: guerra de informação, guerra econômica e guerra cinética” – clique aqui.

O Governo Bolsonaro parece estar se estruturando em torno desses três núcleos: a guerra econômica (o discurso do gestor: “tirar”, “acabar”, “cortar” etc.), guerra cinética (Sérgio Moro e o combate ao pan terrorismo narco-político - que começa agora com envio de tropas ao Ceará sob o impacto de incêndios a ônibus e agências bancárias naquele Estado) e a guerra da informação, baseada nos princípios de dissonância e ambiguidade para distrair a opinião pública, mídia e oposição.

O que converge para as teses de outro especialista nos estudos sobre guerra e comunicação: o francês Paul Virilio. Para o estudioso, faz parte da logística da guerra criar desorientação para derrotar a vontade seja do prisioneiro, seja do oponente. Sirenes acionadas, voos rasantes de aviões, mobilizações contínuas e constantes são mais eficazes que bombas reais – são bombas semióticas que causam pânico, desorientação pela fragmentação da percepção – leia do autor “Guerra Pura”, “A Máquina de Visão” e “Estética do Desaparecimento”.


O quê fazer?

Também, por incrível que possa parecer, de dentro da cadeia na PF de Curitiba, Lula avaliou que Bolsonaro “está usando temas morais ou de comportamento como cortina de fumaça para ações impopulares nas áreas econômica e de direitos sociais”. Talvez um olhar à distância dos acontecimentos esteja dando maior lucidez a Lula do que a esquerda imersa e confusa diante blitzkrieg de Bolsonaro.

Uma guerra que conseguiu inverter a natureza dos temas: enquanto os temas econômicos que deveriam ser concretos (por se tratar da sobrevivência no dia-a-dia) tornam-se abstratos, os temas ideológicos, de valores ou costumes deixam de ser abstratos para vivarem concretos e emergenciais.

De repente moinhos de ventos como “marxismo cultural” ou “ideologia de gênero” viram monstros reais para a esquerda transformada em Dom Quixote.

Porém reverter essa inversão não será fácil. Tem a ver com uma guinada total na estratégia reativa da esquerda. Como?

Por exemplo, que tal ao invés de produzir metamemes (que mais parecem paráfrases que prestam homenagens às provocações de uma Damares Alves ou um de um Ernesto Araújo), atual no mesmo campo simbólico da “direita alternativa” (alt-right), o politicamente incorreto?

A fonte criativa para a criação de memes incorretos que simplifiquem por meio de memes, cartuns ou charges questões econômicas podem estar na revista "MAD" dos anos 1970 – quando a linguagem politicamente incorreta era anti-stablishment, contra o governo republicano Nixon, cujas origens estavam nas HQs underground e contracultural dos anos 1960, de Robert Crumb a Trina Robbins.

Marxismo Cultural? Então, fale-me mais sobre “os jovens se libertarem das leis trabalhistas...”.

Wilson Ferreira
No CineGnose
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Mudança desejada por Moro no processo penal é a chave do fascismo

Moro quer adaptar no Brasil acordo usado nos EUA para diminuir processos  
Foto: Reprodução/UOL
ESTE É O PRINCIPAL MOTIVO PELO QUAL VOU DEIXAR DE LECIONAR DIREITO PROCESSUAL PENAL, APÓS 39 ANOS.

O PROCESSO PENAL NÃO PODE SER TRANSFORMADO EM UM INSTRUMENTO DE PERSEGUIÇÃO POR PARTE DE UM SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL QUE TEM “LADO”!!!

A SELETIVIDADE É PRÓPRIA DO INSTITUTO DA “PLEA BARGAIN”!!!

Na prática, o processo penal vai ser substituído por um contrato entre um membro do Ministério Público e um criminoso confesso. Quem vai controlar esta “barganha”, este negócio envolvendo o interesse público???

Mais uma indagação: teremos também, no processo penal, a execução por título extrajudicial?

A famigerada Resolução 181 do Conselho Superior do Ministério Público já criou (?) esta violação ao princípio fundante do Estado de Direito, qual seja, “nulla poena sine judicio” (não há pena senão através do processo).

Incrível que assistamos ao CNMP legislando sobre Direito Processual Penal, derrogando regras do Código de Processo Penal. Como lecionar com este caos jurídico???

O “plea bargain” é a substituição do devido processo legal por um contrato, entre partes desiguais. É o negociado sobre o legislado. É o negociado sobre normas cogentes de Direito Público.

O Direito Penal e o Direito Processual Penal serão o que o Promotor (ou Procurador) e o criminoso disserem que eles devem ser (ou deveriam ser).

Trata-se da importação de um instituto próprio do sistema Norte Americano, incompatível com o nosso sistema jurídico, que é baseado no princípio da legalidade – “Civil Law”.

Se bem observado, pode-se constatar que a “Lava Jato”, sem lei que autorize, já vem aplicando a FUTURA lei!!!

Através dos acordos de cooperação premiada (delação premiada), estão negociando penas e regimes de penas em desacordo com o atual Código Penal e a Lei de Execuções Penais!!! Um verdadeiro descalabro, admitido pelo omisso e débil (quando interessa) Poder Judiciário.

Por isso, quase todos corruptores da classe empresarial estão cumprindo “pena” em suas mansões, muitos deles condenados a “penas” altíssimas, tudo ao arrepio do Código Penal e da Lei de Execução Penal!!!

A absurda ampliação da discricionariedade, no processo penal, serve para usá-lo, seletivamente, como instrumento de todo tipo de perseguição (Lawfare).

Esta semana, coloquei aqui um contundente texto alertando sobre isto e tenho vários estudos sobre o tema publicados na minha coluna do site Empório do Direito. Vejam o que eu disse sobre esta estratégia da Direita, citando outro trabalho de minha autoria.

Grande parte dos processualistas penais não perceberam ainda a perversidade desta estratégia Norte Americana e se mostram seduzidos pelos sistema adversarial. Como juristas críticos podem estar em comunhão com a “Direita Penal”??? Alguém está sendo enganado!!!

Tudo isso resulta agravado no Brasil, na medida em que o nosso sistema de justiça criminal assumiu claramente ter uma postura ideológica: eles têm “lado”.

Não tenho dúvida: será mais um instrumento jurídico para a introdução do fascismo em nossa sociedade.

Afrânio Silva Jardim
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O desgoverno Bolsonaro e o tratamento de Napoleão aos ignorantes com iniciativa

O governo Bolsonaro
Um dia Napoleão explicou a um amigo que havia quatro tipos de soldados.

“Os primeiros são os burros sem iniciativa. Esses eu coloco na infantaria. Há também os inteligentes com iniciativa. Esses são meus marechais de campo. O terceiro tipo são os inteligentes sem iniciativa. Esses eu transformo em generais”, disse.

O interlocutor, então, notou que faltava um grupo. “E os ignorantes com iniciativa?”, quis saber.

Napoleão respondeu sem pestanejar: “Esses eu fuzilo”.

Por onde começaria o Corso no desgoverno Bolsonaro?

Movido por entusiasmo, inépcia e estultice em iguais medidas, um bando despreparado e sem noção vive de dar caneladas a esmo, inclusive e principalmente uns nos outros.

Em seu mísero quarto dia como presidente, Jair foi desmentido e desautorizado por dois integrantes de sua equipe com relação ao decreto para aumentar a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Primeiro foi Marcos Cintra, Secretário da Receita, depois Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil, que afirmou que o chefe “se equivocou”.

Nunca antes na história desse país governantes produziram tantas declarações desastradas em tão pouco tempo.

Damares Alves e sua doutrinação jumento-evangélica, os três patetas dos filhos agredindo quem não deixa eles brincarem, o chanceler anão e seus delírios de grandeza, Olavo de Carvalho, o guru do cupiroquismo, o general Heleno, o colega Mourão…

A anarquia do final da ditadura militar retorna como farsa.

Para coroar a cacofonia, Bolsonaro anuncia o novo slogan: “Pátria Amada Brasil”.

Nunca Samuel Johnson foi tão adequado: “O patriotismo é o último refúgio do canalha”.

Napoleão não teria balas suficientes na baderna entusiástica de Bolsonaro.

E teria que começar, obviamente, pelo aparvalhado capitão da banda.

Kiko Nogueira
No DCM
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Hackers ameaçam revelar a verdade sobre o atentado nas Torres Gêmeas


Piratas informáticos ameaçam revelar a verdade sobre o atentado de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, se não lhes pagarem em bitcoins.

O grupo de hackers denominado The Dark Overlord, ameaçou nesta sexta-feira revelar ao menos 1.800 documentos que possuem sobre o atentado de 11 de setembro de 2001 nas Torres Gêmeas, coração financeiro de Nova York.

Os textos conteriam informação "altamente confidencial" dos terríveis fatos que deixaram mais de 3.000 pessoas mortas e com o que o Governo dos EUA, sob a administração de George Bush justificou a invasão do Iraque e Afeganistão.

Os piratas informáticos dizem que ao se revelar estas provas se conheceria a "verdade", e algumas das razões por que se originaram tal sucedido. Para não publicar esses documentos classificados, os hackers pedem um pagamento de bitcoins em troca.

As informações estão divididas em cinco volumes, todas com um alto nível de dados confidenciais, e oferecem entregar parte da primeira a quem pagar 250 dólares em bitcoins, e o volume completo a quem oferecer 5.000 dólares na mesma criptomoeda. Assim, se vai aumentando o preço a cada volume.

O grupo ofereceu a "dezenas de escritórios de advogados para comprarem a informação e assim poder evitar que se torne pública", estendendo o convite aos governos da Rússia e da China.

"Qualquer pessoa que possa estar preocupada por sua aparição nos documentos pode pagar pelo resgate da citada informação", acrescentaram.

Em 2016, o The Dark Overload ficou conhecico por tornar público os prontuários médicos de pacientes de diferentes centros médicos dos EUA. Também é atribuído ao grupo um ataque informático a Netflix e a mais de 50 grandes companhias que foram afetadas.

No TeleSur
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Bolsonaro já não detém o poder; só ainda não sabe


Neste momento, e de maneira avassaladora, só se tem uma certeza em Brasília: o governo nem bem começou e já está à mais absoluta deriva. O país tem um presidente que já não governa, não sabe do que fala e é a toda hora desmentido por ministros, militares e civis, assessores e auxiliares, além de tomar a iniciativa ele mesmo de comprar briga com outros tantos e os mesmos ministros, auxiliares, assessores e incorporar a esta penca de desafetos os governadores do nordeste, o seu próprio ministro da economia e o ministro chefe da Casa Civil. Ou seja, um militar que não consegue fazer respeitar a hierarquia. Os ministros tampouco se entendem entre si e nem até cada um individualmente consegue entrar em acordo consigo mesmo. Ou seja, uma tropa em completo caos por falta de comando.

Bolsonaro anuncia embaixada em Jerusalém. O general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, diz que é só plano. Bolsonaro bate o pé. Bolsonaro anuncia aumento de imposto de operações financeiras e redução do Imposto de Renda. O secretário da Receita nega. Moro desdiz Moro. Damares desmente Damares.

Mais impressionante ainda do que esse esvaziamento tão prematuro pelo caos, porém, não é propriamente Bolsonaro não deter o poder, mas ele achar que ainda o detém. A ficha não caiu. O pior problema é Bolsonaro ainda não ter entendido que neste exato momento ele já não manda como presidente. O comando do governo pode estar em algum lugar, talvez não esteja em nenhum, talvez esteja em todos, mas se existe essa dúvida ela é sinal de que Bolsonaro já não manda.

Ele tem a caneta, tem os microfones das emissoras de seu sistema coligado de televisão, pode ter até o sinal de continência de William Bonner, mas pairam dúvidas e reservas gerais sobre sua soberania, recebida das urnas, mas já carente de unidade, racionalidade, coerência, adesão e respeito.

Em uma de suas primeiras entrevistas ele abriu a mais grave crise, tão grave que o "mercado" soluçou incrédulo antes de ele mesmo concluir que não valia. Desmontou anos de acúmulo de negociações no Congresso em torno de uma "reforma da Previdência" a qual, boa ou ruim, fora resultado de propostas que transitam no Congresso há anos. Como sinalização de uma suposta política de equilíbrio atuarial da Previdência, a proposta que Bolsonaro tirou de seu quepe altera a idade mínima da aposentadoria para 62 os homens e 57 as mulheres.

O anúncio, sôfrego, não foi ao que parece acertado com ninguém. Nem com o Congresso, cujo provável presidente já disse que as ideias de Bolsonaro anulam regras de transição do sistema atual para o novo. Pior de tudo, não combinou nem mesmo com o superministro, o todo-poderoso, o posto Ipiranga Paulo Guedes, que simplesmente soube da entrevista pela televisão. Bolsonaro deu agora para entender de economia, e pelo jeito também já não confia em seu überministro. Afinal, quem usa quem? Guedes e o empresariado usam o capitão "ex-populista" ou é o oposto. Bolsonaro engabelou a tigrada?

Talvez tenha se divertido o Messias do Realengo ao contemplar a rasteira de moleque no Chicago Boy, falante de inglês, muito rico e brusco. A caserna tem seus porões, a ociosidade do quartel tem dessas baixarias.

O resultado é que a principal linha de justificação política dos próceres de direita do capital para esse governo de direita foi abalada. Se não é para Bolsonaro defender o ultraliberalismo e cumprir com seu enredo de maldades, transferido renda da sociedade para os privilegiados, o que diabos levou a elite de São Paulo, do Sul e do Centro-Oeste a esvaziar Alckmin em desespero de causa e, por um acaso, ver Bolsonaro milagrosamente colocado lá? Para isso?

Mas não, calma, reuniões vararam a noite, equipes e ministérios se reuniram ao redor, contornando a novidade encalhada na praia. E silenciaram. Bolsonaro terá apoio total e deixem-no falar o que quiser. Ele não manda mais nada. Ele não governa. Só não sabe ainda. Quando souber, vai estrebuchar, corcovear, bufar, mas vai se conformar. Transformou-se no perigoso herói de uma farsa, isolado na caverna, aleijão espiritual a divertir-se arrancando cabeças de inimigos ao léu. No gabinete, talvez contemple sua foto na parede, talvez sonhe então que do trono maneja naves de fumaça e realiza pouso preciso no lado escuro da Lua, junto do seu ministro astronauta.

Mario Vitor Santos é jornalista. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasilia da Folha.
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Novo coordenador do Enem se apresenta como “aluno de Filosofia de Olavo de Carvalho desde 2009”


Pelo Twitter, Bolsonaro comemorou nomeação de Murilo Resende, de 36 anos, que também é doutor em Economia pela FGV, e a prioridade de seus estudos "na medição da formação acadêmica e não somente o quanto ele foi doutrinado em salas de aula".

Nomeado por Jair Bolsonaro (PSL) para coordenar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Murilo Resende Ferreira se apresenta em uma plataforma de cursos que mantém na internet como “aluno do Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho desde 2009, estudioso do marxismo e do movimento revolucionário desde 2003”. Pelo Twitter, Bolsonaro comemorou neste sábado (5) a nomeação de Resende Ferreira, que é “doutor em Economia pela EPGE/FGV”.

“Murilo Resende, o novo coordenador do Enem é doutor em economia pela FGV e seus estudos deixam claro a priorização do ensino ignorando a atual promoção da “lacração”, ou seja, enfoque na medição da formação acadêmica e não somente o quanto ele foi doutrinado em salas de aula”, tuitou.

Olavo de Carvalho

Na “Bio” em seu site, Murilo Resende diz que, aos “15 anos resolvi que era um ateu convicto, após devorar Richard Dawkins e Carl Sagan” e que aos 17 tinha todas as certezas do mundo e “nada na cabeça”.

Em 2000, aos 18 anos – atualmente ele tem 36 – conheceu por artigos na revista Época o homem que mudaria sua visão de mundo: Olavo de Carvalho, de quem diz ter “devorado” toda a obra.

“Desde então, não tenho muitas certezas, mas estou certo que algo entrou em minha cabeça, ou, o que é ainda melhor: saí de minha cabeça e descobri o mundo. Entendi que a religião era um fenômeno universal e necessário: o homem antes parecia caminhar para a terrível consumação dos tempos da Revelação cristã do que para uma utopia tecnológica”.

Por meio de Olavo de Carvalho e do filósofo e historiador alemão Erich Hermann Vögelin, Resende diz ter aprendido que “todas as ideologias mortíferas da modernidade remontavam a antigas heresias cristãs”.

O coordenador do ENEM afirma ainda o curso online de Filosofia de Olavo de Carvalho foi “ponto central no seu amadurecimento intelectual”. “O maior amigo de todos, o professor Olavo de Carvalho, teve sempre uma presença virtual nesse processo, mas a mais forte de todas”.

No Forum
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Matusalém

Há algum tempo, convidaram o Zuenir, o Ziraldo e eu para escrever uma peça de teatro. O assunto, já que a soma das nossas idades dava mais de 250 anos (eu era o caçula!) seria a velhice, suas misérias, seus estragos, seus terrores, suas indignidades - tudo tratado com humor.

Fizemos reuniões para planejar a participação de cada um no roteiro da peça. E reuniões, e reuniões, e mais reuniões, no fim das quais tínhamos exatamente nada. Nem um título. Os produtores nos lembraram, gentilmente, que a produção andava, que já havia uma atriz principal e um teatro contratados, que o espetáculo dependia do texto para ser encenado. Concordamos. O texto era essencial. O texto sairia. Só precisávamos de mais duas ou três reuniões.

Finalmente, o alívio. Para nós e para os produtores, que chamaram um dramaturgo profissional para fazer o texto, aproveitando ideias que - milagrosamente - nós lhe déssemos durante os ensaios. Até hoje não sei a causa daquele branco tripartido que nos embotou o cérebro. Talvez a obrigação de encarar suas velhices e ainda fazer piadas a respeito tenha emburrado os três.

Algumas ideias do Zuenir e do Ziraldo chegaram ao palco. Nenhuma ideia minha sobreviveu. Pensei numa entrevista para a TV do Matusalém, o personagem mais longevo da Bíblia, avô de Noé. Matusalém, ao contrário do que todos pensam, ainda não morreu. Vive no Brasil, mais especificamente em Madureira, e chegou para a entrevista na TV de bicicleta.

- E aí, Matusalém. Quantos anos?

- Só vou dizer uma coisa. Na última vez que me fizeram um bolo de velas, a casa incendiou.

- A Bíblia diz que você morreu com mais de 900 anos.

- Vá acreditar na imprensa.

- Você... Posso chamá-lo de “você”?

- Lá na zona me chamam de “Matu”.

- Vivendo tanto tempo, Matu, você certamente se encontrou com muita gente importante...

- Iiiiih ... Diz um aí.

- Noé, seu neto.

- Grande safado. Quase me deixou fora da Arca, só porque eu estava sem mulher na ocasião e só aceitavam duplas.

- Jesus Cristo.

- Amigaço. Numa mesa com Jesus, nunca faltava vinho.

- Como está se dando no Brasil?

- Mais ou menos. O INSS não aceita meus documentos porque o papiro está se esfarelando e não querem me pagar.

A peça não foi um grande sucesso nas teve uma carreira respeitável. Sobraram da experiência três autores penitentes.

Luís Fernando Veríssimo
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A disputa da presidência da Câmara e a possibilidade de impor a primeira derrota ao bolsonarismo


O acordo de Rodrigo Maia (DEM-RJ) com o partido de Bolsonaro, o Partido Social Liberal (PSL), não passa de uma aliança formal do DEM com o governo Bolsonaro. Se eleito, Maia entregará as duas principais Comissões da Câmara, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e a de Finanças e Tributação. Com isso, na prática, o Governo controlará a Câmara. Cenário pior, não há.

Pelo campo democrático, o PSOL se antecipou e lançou Marcelo Freixo à Presidência da Câmara dos Deputados em nome da unidade do campo popular. Freixo é um ótimo quadro, dos melhores, mas o momento exige ampliação para se construir uma oposição progressista e democrática. Infelizmente, o momento não está propício para quadros do PSOL, PT e PCdoB assumirem tal desafio por razões óbvias. Diante disso, a oposição precisa dialogar, se organizar, se entender.

Não se trata aqui de escolher o melhor em competência, representatividade ou carisma. Trata-se de pragmatismo. Temos que parar com essas disputas por protagonismo, de um partido indicar um nome para marcar posição. É legítimo, é verdade, mas pode atrapalhar também. Parece que não aprendemos com o ocorrido em 2015, como o bate-cabeça do campo popular, com o PT, PSOL e PSB lançando candidatos próprios e facilitando a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara. O processo que desencadeou depois disso, todos lembram, não é?

O campo democrático-popular, a centro-esquerda, se quiser impor a primeira derrota ao bolsonarismo, precisará mais do que os 136 votos (PT, PSOL, PDT, PSB e PCdoB) que dispõe hoje, mas de um candidato que consiga dialogar e transitar com a centro-direita republicana que não aderiu ao bolsonarismo. Ou seja, com setores do PSDB, do PPS, com o PV e boa parte do MDB. Nesse quesito, o que não falta é nome com alta capacidade de trânsito e diálogo para se colocar à disposição de tal desafio: Molon (PSB-RJ), Orlando Silva (PCdoB-SP) e, em especial, a combativa deputada Lidice da Mata (PSB-BA), que seria um ótimo nome da oposição para governar a Câmara.

Também não podemos excluir a possibilidade de se apoiar um nome da centro-direita, desde que seja minimamente comprometido com valores republicanos e democráticos que o afastam do bolsonarismo. Pra isso, também precisaremos dos nossos parlamentares mais qualificados e capacitados para construir pontes de diálogo e consensos. Para que se possa ter uma ampla coalizão democrática, os atores precisam deixar suas armas do lado de fora e sentar na mesa para conversar, com um único pré-requisito: a defesa da democracia nos marcos da Constituição cidadã de 1988.

O esforço da oposição democrática deve ser no sentido de fazer com que o Congresso não se alinhe ao bolsonarismo. Maia tem hoje como certos os votos dos parlamentares do PSL, PRB e do próprio DEM, que são insuficientes para elegê-lo. Derrotar Maia na eleição da Câmara dos Deputados significa impor a primeira derrota ao bolsonarismo.

Daniel Samam
No GGN
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Hino da Escolinha da Dona Damares

Laerte

Ao chegar na Escolinha da Dona Damares, antes de entrar na sala de aula os alunos e alunas tem a obrigação de cantar o hino da instituição, confira no vídeo abaixo:



No Blog do Briguilino
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Médium João de Deus não é filiado ao PT, mas já foi do DEMo


Circula pelas redes sociais a afirmação de que o médium João de Deus, preso no mês passado sob acusações de abuso sexual, seria filiado ao PT há 20 anos.

O charlatão, estuprador João de Deus é filiado ao PT a [sic] mais de 20 anos, isto explica o silêncio da turminha do Ele Não

A reportagem identificou diferentes textos e mensagens, mas todos apontavam para a filiação do médium ao Partido dos Trabalhadores há duas décadas.

Outra relação entre elas é que todas as mensagens encontradas foram publicadas depois do dia 8 de dezembro, quando as primeiras denúncias de abuso foram reveladas. No final de dezembro, o Ministério Publico protocolou uma denúncia baseada em 19 testemunhos. O médium foi preso no dia 16 de dezembro. 

FALSO: João de Deus não é filiado ao PT

A mensagem é enganosa. O médium não é filiado ao PT, mas registros mostram sua ligação ao DEM (Democratas), quando o partido ainda se chamava PFL (Partido da Frente Liberal).

De acordo com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), não há nenhum João Teixeira de Faria, verdadeiro nome do médium, filiado ao PT em Goiás, onde ele nasceu e vive até hoje. Há, no entanto, o registro de uma antiga filiação com este nome ao DEM goiano, entre fevereiro de 1999 e outubro de 2007.

O registro aponta que a filiação foi cancelada a pedido do eleitor. Um perfil da revista Veja, publicada em agosto de 2014, confirma a filiação do médium ao antigo partido, que fazia parte da base de apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e foi oposição aos governos petistas a partir de 2003. 

O UOL também encontrou um João Teixeira de Faria filiado ao PT desde 2001, mas no estado de São Paulo. À reportagem, o PT negou que o médium preso faça parte de seu quadro.

Além disso, o partido também publicou, no último dia 19, um artigo que criticava a defesa do médium e a acusava de "tentar culpar as vítimas".

O UOL tentou entrar em contato com a defesa do médium, mas não teve sucesso até o fechamento da matéria.

Procurado por poderosos e famosos


Apesar de não ser filiado ao PT, João de Deus foi procurado pelos dois ex-presidentes petistas na última década. Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o médium enquanto tratava de um câncer na laringe no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, em 2012, e Dilma Rousseff visitou-o em seu centro em Abadiânia (GO) em 2008, ainda ministra-chefe da Casa Civil, quando enfrentava um câncer linfático.

Lula e Dilma não foram os únicos. Muitas personalidades e poderosos se aproximaram do médium ao longo dos anos: do ex-presidente Michel Temer (MDB) e os juristas Luís Roberto Barroso e Carlos Ayres Britto, respectivamente atual e ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), às estrelas americanas Oprah Winfrey e Shirley MacLaine.
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Piada de caserna


O porta-voz da indisciplina nas FFAA perdeu o senso de realidade. Depois de permitir que a instituição virasse o PARTIDO DO EXÉRCITO, vem com essa pérola na Folha de S. Paulo.

O comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, disse à Folha que é “absolutamente proibido fazer proselitismo político” nas fileiras das Forças Armadas e que elas estão “extremamente disciplinadas” e coesas.

Antes de mais nada, é de se perguntar: coesas em torno do quê, de alinharem-se servilmente aos EUA, de apoiar a entrega do patrimônio nacional, de permitir a instalação de bases estrangeiras em território brasileiro?

É de se perguntar se a coesão é, também, para romper com a história da política externa multilateralista construída pelo general Ernesto Geisel, nos anos setenta, em nome de argumentos ideológicos e/ou delírios pessoais?

Ou, ainda, em apoiar aventuras de único e exclusivo interesse estratégico dos Estados Unidos na América Latina, particularmente nos casos de Venezuela, Nicarágua e Cuba, rasgando nossa tradição de convivência pacífica com os vizinhos?

A entrevista de Villas Bôas, segundo o jornal, ocorreu antes do discurso feito por Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, em que ele afirmou, sem dar detalhes, que o general era “um dos responsáveis” pela sua chegada à Presidência.

No mesmo momento, o comandante das FFAA ainda ouviu do próprio capitão-presidente que ele foi “amigo” do general Leônidas Pires Gonçalves, o alvo político de suas ameaças de explodir quartéis, no final dos anos oitenta.

A verdade é que, por quebra de disciplina e hierarquia, temos um governo composto, em mais da metade, por militares que, aliás, organizaram a campanha eleitoral do presidente eleito desde tempos atrás, sob ameaças de golpes.

Agindo assim, a exemplo de outras instituições nacionais, as Forças Armadas caminham definitivamente para a falência institucional, abrindo mão de seu papel, o que a sociedade brasileira cobrará a seu tempo.

Uma Nação, em especial o Brasil, precisa ter Forças Armadas fortalecidas, valorizadas, mas comprometidas com a defesa nacional, formada por brasileiros que defendam o país, a sua soberania e o seu povo.

Não de um comando de “congelados” (como na novela da Globo), que retornam no tempo com um “anti-comunismo” de ficção, aliando-se ao que de pior a humanidade produziu nos últimos anos.

Fernando Rosa
No Senhor X
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Geopolítica e fé


While the US government is moving toward a policy of regime change in Venezuela, its action may simply lead to a prolonged standoff.

Stratfor Worldview, Daily Brief, Oct, 4, 2018

Três anos depois do início das sanções econômicas americanas contra a Venezuela, o presidente, Donald Trump anunciou, numa entrevista coletiva no estado de New Jersey – concedida no dia 14 de agosto de 2017 – que os EUA poderiam fazer uma ação militar na Venezuela. E, um ano depois, no dia 8 de agosto de 2018, o jornal NYT noticiou que de fato, vários funcionários americanos já haviam se reunido com militares venezuelanos, para promover a derrubada do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Por outro lado, e dentro deste mesmo tabuleiro, no mesmo mês de agosto de 2018, o presidente venezuelano visitou Pequim e recebeu o apoio político e financeiro do presidente Xi Jinping, assinando 28 acordos de cooperação com a China, nas áreas de energia e mineração – acordos que alargam e aprofundam uma relação econômica de mais de uma década, que já superou a casa dos 50 bilhões de dólares emprestados ou investidos em 780 projetos econômicos financiados pelos chineses ou montados em parceria com os venezuelanos.

Paralelamente, o presidente Maduro visitou e foi recebido na cidade de Moscou como um “aliado estratégico” da Rússia, com quem assinou acordos de investimento, no valor de R$ 6 bilhões de dólares, destinados aos setores de petróleo e mineração de ouro.

Mas não há dúvida que este “conflito anunciado” mudou de qualidade, no dia 10 de dezembro do ano passado, quando aterrissaram no aeroporto internacional de Caracas dois bombardeiros estratégicos TU-160, um avião de transporte militar AN124, e uma aeronave IL-62, da Força Aeroespacial da Rússia, para participar de exercícios militares conjuntos com as forças venezuelanas.

Neste momento, como toda certeza, a Venezuela mudou de posição no cenário internacional e passou a ocupar um outro lugar, muito mais importante, na competição entre as três grandes potências que lutam pelo poder global, neste início do Século XXI.

Uma disputa aberta e sem fim previsível que se acelerou na segunda década do século, depois da posse de Vladimir Putin e Xi Jinping, em 2012 e 2013, respectivamente, e ainda mais, depois da posse de Donald Trump, em janeiro de 2017.

Como todos os analistas já entenderam, Donald Trump abandonou a velha política norte-americana de apoio e promoção ativa de regras e instituições de governança multilateral e adotou como bússola de sua política externa, o modelo westfaliano de solução dos conflitos mundiais, através da competição e do uso agressivo do poder econômico como arma de guerra, e o uso permanente da ameaça militar para o caso em que as sanções econômicas não funcionem.

Numa luta sem quartel e sem religião, orientada pelo mesmo nacionalismo econômico da Rússia e da China, e de todas os demais países que tem ainda algum peso dentro do sistema mundial.

O petróleo não é a causa de todos os conflitos do sistema internacional. Mas não há dúvida que a grande centralização de poder que está em curso dentro do sistema interestatal também está transformando a permanente luta pela “segurança energética” dos estados nacionais, numa guerra entre as grandes potências pelo controle das novas reservas energética que estão sendo descobertas nestes últimos anos.

Uma guerra que se desenvolve palmo a palmo, e em qualquer canto do mundo, seja no território tropical da África Negra, ou seja nas terras geladas do Círculo Polar do Ártico; seja nas turbulentas águas da Foz do Amazonas, ou seja na inóspita Península de Kamchatka.

Mas não há dúvida que as descobertas mais importantes e promissoras deste início de século, foram a das areias betuminosas do Canadá, do pré-sal brasileiro, e a do cinturão do rio Orinoco, na Venezuela. O cinturão do Orinoco transformou a Venezuela na maior reserva de petróleo do mundo, calculada hoje em 300 bilhões de barris; enquanto as areias monazíticas transformaram o Canadá na terceira maior reserva, estimada em 170 bilhões de barris, logo depois da Arábia Saudita, mas muito à frente do Brasil que assim mesmo saltou para o décimo quinto lugar do ranking mundial, com reservas estimadas de 13 milhões de barris; sem levar em conta, evidentemente, as estimativas de alguns centros de pesquisa que falam deque haveria até 176 bilhões de barris de reserva em nos todo o “polígono do pré-sal” brasileiro.

Se somarmos a isto o salto da produção americana de petróleo e de gás, nos últimos três ou quatro anos, produzido pelo “fracking boom”, entenderemos porque o continente americano está se transformando no novo grande foco da geopolítica energética mundial.

E entenderemos também, duas outras coisas: a decisão norte-americana de voltar a ser o maior produtor de petróleo do mundo, e o pivot ou controlador – em última instância – dos níveis de produção e preço do mercado mundial de petróleo.

O problema é que agora, do outro lado desta disputa, já não está apenas a OPEP, liderada pela Arábia Saudita, que segue sendo um “estado-cliente” dos Estados Unidos, e está a Rússia, que é o segundo maior produtor mundial de petróleo, e que está cada vez mais próxima e articulada com a OPEP, e com a própria Arábia Saudita. E está também a China, cada vez mais interessada em diversificar e garantir o seu fornecimento de energia, impedindo ao mesmo tempo que os Estados Unidos imponham sua supremacia e o seu controle sobre o mercado do petróleo, somando-o ao controle que já exercem sobre a moeda de referência internacional.

E tudo indica que esta disputa deverá se acirrar ainda mais no ano de 2019, quando os EUA estarão tentando aumentar a produção mundial de óleo, enquanto a Rússia e a OPEP estarão forçando na direção contrária. No mesmo ano de 2019, aliás, em que a OPEP estará sendo presidida pela Venezuela, e a Rússia talvez esteja entrando na organização com o apoio da Arábia Saudita.

Dessa perspectiva, talvez se possa compreender melhor a “ordem unida” que os norte-americanos decidiram impor dentro do seu hemisfério, e o enfrentamento geopolítico e geoeconômico que se anuncia na Venezuela.

Dentro deste quadro de enorme complexidade econômica e geopolítica, soa absolutamente delirante, quase infantil, imaginar que está sendo travada na Venezuela uma batalha em defesa da fé cristã, e dos valores e arquétipos da civilização ocidental.

Este tipo de visão milenarista costuma reaparecer de tempos em tempos, em certas idades, e em alguns momentos da história, mas não costumam chamar atenção nem causar maiores danos coletivos enquanto se mantenham como uma fantasia individual.

Mas tudo muda de feição quando estes arroubos milenaristas se transformam numa Cruzada que pode dar lugar à uma guerra insana, neste caso, envolvendo pelo menos três países da América do Sul que não tem a menor experiência, nem a menor competência técnica, logística e psicológica para fazer uma guerra com suas próprias pernas.

Em momentos como este, de grande exuberância teológica e entusiasmo salvacionista, é bom lembrar aos cruzados uma velha lição da história, a respeito destas “guerras santas”, entre pequenos “peões militares” terceirizados pelas grandes potências: depois que começam, elas não costumam ter fim.

Janeiro de 2019.

José Luís Fiori
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Por que não se deve acreditar em Bolsonaro


Uma das primeiras lições, nessa estreia inicial do novo governo, é que a palavra de Jair Bolsonaro não deve ser levada a sério.

Bolsonaro não tem noção sobre tema algum, a não ser sobre o exercício do preconceito. Quando dispara declarações sobre cada tema, as bolsas ainda reagem, como reagiriam às declarações de qualquer presidente normal, de um governo normal.

Em breve irão aprender que nem como insider (dono de informações privilegiadas) Bolsonaro serve. Se, algum dia, alguma declaração sua bater com as decisões que estão sendo tomadas por seu governo, será por absoluta coincidência.

Três exemplos do presidente sem-noção:
  1. Anuncia o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e a redução do Imposto de Renda. Imediatamente é desmentido pelo Secretário da Receita, o terceiro na hierarquia governamental.
  2. Anuncia a mudança da embaixada brasileira de Israel para Jerusalém. Já foi desmentido três vezes por fontes militares.
  3. Anuncia a disposição do Brasil abrigar uma base militar norte-americana.
O caso da base militar

Fonte do GGN conversou agora à tarde com William Perry, ex-Secretário de Defesa dos Estados Unidos. Ele ficou surpreso com a notícia e afirmou que ninguém do Brasil falou desse assunto em Washington. São dele as explicações abaixo.

Desde o final da Guerra Fria, os Estados Unidos fecharam 1.200 bases militares pelo mundo, visando cortar custos. Trump quer fechar bases militares até na Coreia do Sul. Lá, tem a finalidade de conter algum avanço bélico da Coreia do Norte. A troco de quê abriria no Brasil, país sem nenhum problema de fronteira ou de insurreição?

Além disso, se tivesse a menor noção sobre o Plano Nacional de Defesa, Bolsonaro veria que acabou a era das tropas acantonadas em locais distantes. Com os jatos supersônicos, porta-aviões, submarinos nucleares, quem necessita de base fixa?

Hoje em dia, bases militares são um ônus para ambos os países. Dependem de um tratado de negociação complexa e juridicamente difícil, porque envolve imunidades judiciais, soberania extraterritorial, bloqueio a nacionais na base.

No caso do Plano Colombia, que permitiu a instalação de seis bases militares mistas na Colombia, com soldados americanos, mas com comando da base colombiano, a negociação conduzida pelo Embaixador em Washington Luis Alberto Moreno (hoje presidente do BID) levou cinco anos.

A instalação de bases aéreas americanas na Espanha de 1951 a 1954 no Governo Franco implicou em longas negociações que incluiram a admissão da Espanha na ONU em 1951, a visita de Estado do Presidente Eisenhower à Espanha, a aprovação do Tratado de cooperação no Congresso. Da mesma forma a instalação de bases aéreas na Turquia foi uma complexa negociação diplomática, dificílima, com problemas contínuos que se arrastam até hoje.

A ideia de uma base militar americana no Brasil  de hoje deve ser precedida de um tratado entre os dois países especialmente porque os EUA exigem imunidade judicial para seus soldados, que jamais poderão ser julgados por um tribunal brasileiro, mesmo em caso de assassinato ou estupro.

Ou seja, um tema de ampla complexidade reduzido a uma afirmação de Bolsonaro. Vale apenas pelo lado emblemático: a humilhante subserviência de Bolsonaro aos Estados Unidos. Uma subserviência ignorante, até nos aspectos que ele deveria dominar, os militares.

Luís Nassif
No GGN
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Como apagar os dados que Google e Facebook juntam há anos sobre você

Mergulhei nas profundezas de meus dados digitais para entender o que duas das maiores empresas do mundo repassam sobre mim — e como podemos conter essa avalanche.


Escrevo pro Motherboard há um tempinho e, para mim, nunca foi novidade a forma como empresas como Google e Facebook tocam seus negócios. (A quem não sabe: vendendo propagandas baseadas em nossos dados.) O que me deixou intrigado foi sacar que talvez seja mais fácil abrir o teoricamente inviolável banco de dados dessas empresas do que se acreditava — como o escândalo da Cambridge Analytica mostrou nas últimas semanas.

Há dias resolvi fazer o teste e baixei tudo que essas duas companhias sabem sobre mim. Queria sanar uma série de dúvidas que surgiam: qual o tamanho dos meus rastros digitais? O que eu, um cara supostamente esclarecido quanto às políticas digitais, deixaria passar em relação a minha privacidade? O que as redes sociais e apps sabem sobre mim e repassam a outros?

Conforme eu descobria a sangria de meus dados, buscava meios de contê-la. É o que conto nessa jornada em busca de minha identidade digital logo abaixo.

Tudo que o Facebook sabe sobre mim

Agenda, mensagens, locais, rostos e likes dizem quem sou em poucos megabytes

Como a rede social de Mark Zuckerberg acaba sendo uma das primeiras acessadas durante meu dia — ou um de seus outros produtos como Whatsapp, Instagram ou Messenger —, acabou sendo minha primeira opção na jornada.

Para ver o que eles tinham sobre mim, o primeiro passo foi acessar a página de Configurações. Logo embaixo das “Informações básicas da minha conta”, no cantinho inferior esquerdo do menu central da página, há a opção para “Baixar uma cópia dos seus dados do Facebook”. Você deve esperar alguns minutos para poder fazer o download, mas rola numa boa.

O tamanho do arquivo vai depender do quanto você compartilha suas informações, fotos e vídeos etc. Quanto mais uso, mais dados. Se você usa o Messenger para se comunicar, por exemplo, mais material ainda você está fornecendo.

Eu, embora cadastrado na rede de Zuckerberg há dez anos, não sou dos usuários mais ativos: o arquivo com todos meus dados entregues ao Facebook não chega a ter 300 MB. O tamanho reduzido, porém, esconde um monte de coisa que eu preferiria que não tivessem sido compartilhadas.

As fotos daquela viagem triste tiradas em 2010 que eu havia esquecido da existência, todas as mensagens enviadas, todas as recebidas, localizações geográficas. Basicamente tudo vem junto no arquivo. E se você, como eu, instalou o aplicativo da rede social no seu celular, há um bônus meio perturbador que é toda a sua agenda de contatos. Número de telefone fixo, celular, e-mail; quanto mais completa a informação que você adicionou na agenda, mais completa é a informação que o Facebook vai ter acesso.

Além disso, informações como os dados brutos do seu rosto vem junto nesse pacotão. Pode parecer meio bizarro, mas sabe aquela opção aparentemente inofensiva que permite que o Facebook reconheça e tagueie você nas fotos dos outros? Os dados brutos estão aí e podem ser usados por ele no futuro.

Ok, mas como isso é útil para a empresa? Bom, a essa altura do campeonato você já deveria saber que propaganda é a alma do negócio. Segundo a BBC, em 2016, dos US$ 7 bilhões do faturamento da empresa, cerca de US$ 6,38 bilhões tiveram a publicidade como fonte. Na época, a estimativa foi que o seu perfil rende à empresa por volta de R$ 50 ao ano. É meio barato se você pensar o tanto de coisa que você revela sobre si.

Crédito: captura de tela/Facebook

E a coisa toda acontece de forma bastante eficiente: uma vez que você curtiu uma série de páginas, elas dão a dimensão exata do que você provavelmente vai comprar. Meus likes em vídeos de animais fazem, toda semana, pintar anúncio de pet shops, e por aí vai. Dá pra saber quais são os assuntos que o Facebook acha que você vai comprar olhando na parte de publicidade deles.

Com o desconforto causado depois de sacar o que a rede social de Zuckerberg sabe sobre mim mesmo sem eu dar tanta importância a ela, tive impulso de deletar a minha conta, sair dali, mandar uma mensagem geral avisando o fim do meu perfil e nunca mais colocar o pé ali. Mas nem tudo é exatamente simples assim. Fui em busca de soluções melhores.

Como limpar o lodo: evitar apps e sujar os próprios dados

Se você, como eu, não quer compartilhar tantas informações assim com a rede social, um bom começo é se livrar de qualquer aplicativo dela no seu celular. Uma breve lida nas permissões que você concede aos aplicativos mostra que eles pedem um acesso bastante completo ao seu aparelho. Provavelmente você já ouviu a história de que o Facebook ouve suas conversas sem você saber, o que pode ou não ser uma lenda urbana.

Outra medida importante é restringir o que você compartilha com seus aplicativos. Não existem muitas razões para você compartilhar as informações de onde estudou e eventos que vai comparecer com um teste que só vai manipular uma das suas fotos de perfil, tipo aquele do “Como seria sua versão de sexo oposto”, entre outros similares. (Eu, aliás, caí nessa, confesso.)

Na página de "Configurações" é possível excluir o acesso que aplicativos de terceiros têm à sua conta. Só que há um detalhe importante: as informações que já foram coletadas pelo Facebook não são deletadas no ato da desvinculação da sua conta, como ficou claro quando estourou o escândalo da Cambridge Analytica.

Uma solução mais radical seria desabilitar a permissão do Facebook para fazer login em aplicativos de terceiros, como mostrada no campo “Aplicativos, sites e plug-ins” nas "Configurações dos aplicativos". E mais importante: preste atenção com coisas como termos de privacidade e o acesso às informações que você concede a programas, sites e apps.

É claro, você sempre têm a opção de deletar totalmente a sua conta na rede social. Se essa for a sua opção, o Facebook afirma que em até 90 dias tudo sobre você será deletado dos servidores da empresa.

Também é possível tentar sujar os seus dados que a rede social coletou ao longo dos anos. Com um script que altera suas postagens com textos gerados randomicamente, a solução requer algum conhecimento em programação. O autor do código defende que, se rodado uma vez, talvez programa não faça muita diferença; depois de cem ou mil alterações de uma mesma postagem, porém, fica mais difícil resgatar informações verdadeiras sobre você e, assim, suas postagens passam a ser inúteis para o banco de dados da empresa.

De qualquer maneira, antes de adotar qualquer uma das medidas, para não perder coisas importantes como fotos antigas, existem outras formas para resgatar coisas importantes na rede, como explicamos nessa matéria.

Feito o trabalho no Facebook, está na hora de passar para a próxima empresa que sabe mais sobre mim do que minha própria mãe.

Tudo e mais um pouco que o Google sabe sobre mim

Buscas, emails, documentos, vídeos e perfil de compra dizem mais sobre mim do que meus amigos próximos sabem

Você procura coisas na internet pelo Google? Sua conta de e-mail é Gmail? Seu celular usa sistema operacional Android? Você escreve textos no Docs? Assiste a vídeos pelo YouTube? Cria planilhas eletrônicas no Sheets? Abre o Maps para se localizar? Acessa à internet usando o Chrome? Usa o compartilhamentos de arquivos do Drive? Quanto mais afirmativas foram suas respostas nos últimos segundos, maiores serão os arquivos disponíveis para download e o volume de dados que o Google têm sobre você.

Assim como o site de Mark Zuckerberg, o Google permite baixar um grande volume de dados que você entregou sem muita dificuldade. A tendência é que o tamanho do arquivo seja bem maior, já que a extensão do seu envolvimento pode ser bem mais ampla. Se você não quiser baixar para analisar com mais calma o que o Google sabe sobre você, também é possível acessar um painel que centraliza os dados que o a empresa têm sobre você.

No meu caso, em três contas de e-mail — duas pessoais e uma profissional — foram mais de 20 gigabytes de dados gerados desde 2010. Fotos vexatórias guardadas no Drive, documentos com ideias ruins de textos abandonadas, tudo agora salvo em meu HD. A máxima “vaza meus nudes, mas não vaza meu histórico de buscas” também é outro pensamento inevitável consultando o histórico de buscas e achando termos como “hatoful boyfriend walkthrough”, entre outros mais pessoais e vexatórios.

Outro ponto que o histórico de buscas revela é o quanto de informações são entregues se você não estiver prestando atenção. Buscas com a localização geográfica de onde elas foram efetuadas são algo perturbador de se ver. Não que eu não soubesse disso, mas ver os dados escritos na página dão dimensão do quanto nos expomos em cada simples pesquisa.

Buscas localizadas. 
Crédito: Captura de tela

Você já deve ter visto o seu navegador pedir sua localização. Se você der esse acesso, ajuda a detalhar e a tornar mais certeira as informações que a empresa têm sobre você. Isso também ajuda a otimizar quais são os anúncios certos para você.

Como já é sabido, a oferta e veiculação de anúncios é também uma das principais fontes de renda do Google. Por meio de uma base de dados imensa — no meu caso, 20 gigabytes — fica fácil te oferecer algo que você provavelmente vai comprar.

Vale ressaltar que todos esses serviços possuem seus dados, já que mudança na política de privacidade do Google em 2012 transformou a política de todos os seus mais de 70 serviços em uma só. Isso significa que o serviço de publicidade da empresa, o Adwords, sabe qual é o tipo de conteúdo que você anda buscando ao longo do tempo.

Outro ponto de interessante e pouco legal é acessar o perfil de consumo que a empresa formulou sobre você com base nesses dados coletados. A própria página informa a como o seu histórico é valioso para fazer esse tipo de oferta: “Podemos mostrar, também, anúncios baseados em páginas que você visitou anteriormente”. De uma coisa você não pode reclamar: eles bem que avisaram...

Deixando as coisas um pouco menos piores

O caso do Google é um pouco mais complicado do que o Facebook, pois o volume de informações compartilhadas é bem maior e, dependendo do quanto você usa os produtos da empresa, mais difícil é tirar da sua vida.

Por padrão todas as atividades em plataformas do Google são salvas. Se você não quer mais que isso aconteça, é melhor deletar o histórico de atividades e desabilitar que ele continue a ser gravado.

Dashboard com meus dados no Google. 
Crédito: Captura de tela

Um bom começo é desativar os armazenamentos mais óbvios que a plataforma faz dos seus dados. Para impedir a gravação das informações é possível acessar a página onde a empresa mostra quais informações estão sendo salvas. Nela é possível “pausar” a captação de uma série de dados como: histórico de busca em navegadores e aplicativos, histórico de localização, informações de dispositivos móveis, registros de voz e áudio, buscas do YouTube e vídeos visualizados na plataforma. Dentre esses dados, talvez o principal seja desligar a “linha do tempo” de localização do Maps, pois não necessariamente é algo legal ter os dados exatos das suas caminhadas. Em especial se essas informações são sensíveis.

Se você também quer deixar de usar o serviço de fotos da empresa, é necessário deletar manualmente suas fotos. O problema aqui é o volume de dados que cada foto contém. O aplicativo é bastante cômodo, mas capta muita coisa que talvez você não queira: reconhece a face das pessoas que estão com você nas imagens, o local onde foram tiradas (se você deixou o GPS ligado) e uma série de metadados que as imagens contém.

Além disso, é importante revisar os aplicativos de terceiros que estão diretamente ligados na sua conta. Nesta página você acessa quais são e quais informações você está compartilhando. Quanto à navegação com o Google Chrome e o Android, a solução, se você não quiser dar nenhuma informação sua à empresa, é uma só: pare de usar.

Pronto, agora só falta ficar ligeiro

Depois do expurgo de contas e praticamente me tornado um ermitão digital, essas empresas deixaram de ter informações sobre mim e agora posso ficar tranquilo que não usarão minhas infos por aí. Certo? Bom, a resposta pra isso é um pouco mais complicada. Apesar das empresas negarem, elas podem manter suas informações caso você use o serviço delas. No Brasil, o próprio Marco Civil estabelece que as empresas prestadoras de serviços devem manter registros de acesso por um prazo de pelo menos seis meses.

Outro fator importante: muitos sites utilizam plugins tanto do Google quanto do Facebook. Usando extensões como o Ghostery ou o Privacy Badger é possível ter uma dimensão de quais são os cookies — um pequeno arquivo de dados que permite identificar a seção de sua máquina — que estão sendo utilizados no site e bloqueá-los.

Para se ter uma ideia do quanto o seu navegador está exposto a este tipo de programa, é possível fazer o teste do projeto Panopticlick, da Electronic Frontier Foundation. E para se ter certeza de ter o máximo de privacidade, o jeito é navegar usando Tor.

Não é nada fácil manter sua privacidade a salvo, mas, no fim, valerá a pena. Seus dados são muito importantes e, se forem usados de uma forma errada, vão te dar uma dor de cabeça maior bem maior do que 50 reais por ano. Cuide bem deles.

Brunno Marchetti
No Vice
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