1 de jan de 2019

PSDB: Partido Só do Dória e Bolsonaro. O chupim tomou o ninho


A ausência de Geraldo Alckmin, Fernando Henrique e José Serra na posse de João Dória no Governo de São Paulo, e o recado do novo governador paulista de que irá alinhar seu partido a Jair Bolsonaro é sinal de que o PSDB completou a sua transição do seu desejo fundador de ser “um partido social-democrata, de tinturas liberais” como se descrevia, para se transformar numa linha auxiliar da extrema-direita, e talvez mais.

A não ser como esqueletos empoeirados num quartinho de despejo, para eles não há lugar no velho ninho.

Está tomado pelo chupim, que o pessoal que é da roça chama de “engana tico-tico” ou “vira-bosta”, que age como o cuco europeu, do qual só se conhece o lado simpático dos relógios.

Não faz ninho, põe os seus no ninho de outros pássaros e os filhotes, que crescem rápido e  são  maiores e mais fortes, fazem os outros morrerem, a bicadas ou inanição, até crescerem o suficiente para tomarem seu próprio rumo.

Dória, que chegou ao ninho pelado e faminto há pouco mais de dois anos, fez isso com os tucanos, não vê quem não quer.

Soube ser, como poucos, o figurino da mediocridade que tomou conta da vida brasileira e ninguém duvide se de seu controle do partido não vier a surgir uma agremiação que abrigue o próprio Bolsonaro, para dar alguma estabilidade ao balaio de doidos que compõe o seu PSL.

Mas agora que, ao menos formalmente, integra um partido cujo principal líder anuncia a sua adesão ao governo proto-fascista que se inaugura, teremos algum jornalista da grande mídia exigindo “autocrítica” dos velhos e descartados tucanos por terem criado este que os destruiu.

Aliás, a propósito, onde estão os gritos de revolta por FHC não ter ido à posse de Bolsonaro. Ah, é porque ele ameaçou fuzilá-lo?Mas não fez o mesmo em relação aos petistas e os lordes da mídia não acharam que não era motivo para deixarem de ir à posse?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Discurso de Bolsonaro parece coletânea de memes


O discurso de posse de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional, nesta terça (1º.) vale pouco mais do que uma conversa de botequim. O capitão foi incapaz de apontar rumos diante de uma das mais sérias crises vividas pelo país desde a proclamação da República (1889). Nenhuma palavra consistente sobre o desemprego, sobre salário, sobre recuperação econômica, sobre educação, cultura ou política externa. 

Vale a pena relembrar como mandatários anteriores se colocaram em situações semelhantes. Discursos de posse não são programas políticos. São sinalizações breves em que o eleito discrimina prioridades de governo, acena a aliados, enfatiza suas metas principais e aponta qual será o lugar do país no mundo.

Collor, privatizações e abertura

O discurso de posse de Fernando Collor em 1990, por exemplo, foi peça importante nesse sentido. Redigido em parte por José Guilherme Merquior (1941-91), um dos mais competentes intelectuais conservadores do Brasil, assinalava as mudanças que o futuro governo faria na área econômica e política. Depois de atacar a corrupção e assegurar sua conduta democrática, Collor disse a que viera:

"Entendo o Estado não como produtor, mas como promotor do bem-estar coletivo. Daí a convicção de que a economia de mercado é forma comprovadamente superior de geração de riqueza, de desenvolvimento intensivo e sustentado. (...) Em síntese, essa proposta de modernização econômica pela privatização e abertura é a esperança de completar a liberdade política, reconquistada com a transição democrática, com a mais ampla e efetiva liberdade econômica".

FHC e a Era vargas

O discurso de FHC, cinco anos depois, completava uma importante fala de despedida do Senado, proferida em dezembro de 1994. Ali, o presidente eleito disse ser necessário "superar a Era Vargas", meta só cumprida de maneira mais sólida por Michel Temer, ao destruir grande parte da CLT, fator essencial para o desenvolvimento.

FHC prometeu: "Vou governar para todos. Mas, se for preciso acabar com privilégios de poucos para fazer justiça à imensa maioria dos brasileiros, que ninguém duvide: eu estarei do lado da maioria". Afirmou lutar por direitos humanos, democracia e estabilidade econômica. O presidente não falava em privatizações e financerização, as marcas essenciais de seu governo. Apenas mencionava que iria "mexer em vespeiros", o que se materializou em vender boa parte do patrimônio nacional em seus mandatos.

(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)

Lula e o combate à miséria

Lula fez uma fala ambígua, como é de seu feitio, em 2003. Mas apontou rumos, a partir de seu parágrafo inicial: "Diante do esgotamento de um modelo que, em vez de gerar crescimento, produziu estagnação, desemprego e fome; diante do fracasso de uma cultura do individualismo, do egoísmo, da indiferença perante o próximo, da desintegração das famílias e das comunidades, diante das ameaças à soberania nacional, da precariedade avassaladora da segurança pública, do desrespeito aos mais velhos e do desalento dos mais jovens; diante do impasse econômico, social e moral do país, a sociedade brasileira escolheu mudar e começou, ela mesma, a promover a mudança necessária".

Dilma e o desenvolvimento

Em 2011, Dilma centrou sua intervenção na produção. Ela se colocava numa profissão de fé desenvolvimentista (que negou em seu segundo mandato): "Valorizar nosso parque industrial e ampliar sua força exportadora será meta permanente. A competitividade de nossa agricultura e da pecuária, que faz do Brasil grande exportador de produtos de qualidade para todos os continentes, merecerá toda nossa atenção. Nos setores mais produtivos a internacionalização de nossas empresas já é uma realidade".

Todos esses discursos apresentam fios condutores de raciocínio lógicos; são peças encadeadas e que param em pé. Pode-se discordar deles, mas apresentam narrativas defensáveis.

Bolsonaro e os lugares-comuns

Diante desses quatro exemplos, o que é a fala de Bolsonaro no Congresso? Um remelexo desconjuntado de lugares-comuns da extrema-direita. Uma percepção tosca da realidade brasileira. Não há uma ideia-força clara e a intervenção parece uma antologia de memes de campanha. Abundam frases feitas como "ideologia de gênero", "escolas que preparem para o mercado de trabalho e não para a militância política", "política externa sem viés ideológico", "o cidadão de bem merece dispor de meios para se defender" e outras obviedades a granel. Nenhuma ideia inovadora, nenhuma formulação mais sofisticada.

Parece que o novo presidente acordou de ressaca no primeiro dia do ano, lembrou-se que teria de fazer uma intervenção no Congresso, pegou um desses aplicativos nos quais se jogam duas dúzias de palavras e saiu com o blablablá montado. Leu aos arranques, como garoto acaba de entrar no primeiro grau.

Não é apenas por discordar de fio a pavio que o discurso pode ser classificado como um lixo. É porque a direita brasileira - e mesmo a extrema-direita, com Plínio Salgado, Miguel Reale e outros - já produziu quadros menos rudimentares.

Gilberto Maringoni é professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC. É também jornalista e cartunista.
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O Inimigo Número 1 de Bolsonaro (segundo ele próprio)


O poder precisa de inimigos. Não há, na história, governantes sem seus vilões, sejam eles reais ou imaginários. Jair Bolsonaro, que toma posse hoje, já escolheu um inimigo imaginário (o comunismo) e um real, a imprensa. Ele tem razões objetivas para atacar os jornalistas.

Bolsonaro e sua família estão no baixo-clero da política há 30 anos praticamente sem serem notados. Antes de mostrarem interesse real em vencer eleições majoritárias, os Bolsonaro só viravam notícia quando diziam frases absurdas ou quando desmaiavam em debates. Eram da turma dos Severinos Cavalcanti, a faixa de políticos que se situa entre o Tiririca e um vereador reacionário de uma cidade do interior do país. Serviam para a sociedade do espetáculo e seus programas humorísticos, ora para rirmos deles, ora para nos causar repulsa e ódio. A nota evidente é que agora esse personagem grotesco vai governar um país doente. Nós elegemos um meme.

A essa altura, vocês já sabem: Jair Bolsonaro bloqueou toda a redação do Intercept (inclusive nossa conta oficial) no Twitter. O que teme Bolsonaro?

Será que ele teria dificuldades em explicar seu plano econômico que só faz sentido para o mercado financeiro? Ou que sua candidatura agiu ativamente para censurar a liberdade de imprensa que ele diz defender enquanto fabricava boatos e tentava chupar dados de celulares para sua máquina de propaganda? Conseguiria ele defender o partido de seu vice, Mourão, que financiou a maior rede de fake news do Brasil, derrubada pelo Facebook? Ou a condenação do general Heleno? As tramóias do caricato Marcos Pontes?

Bolsonaro teme a imprensa porque foi ela que descobriu a Wal do Açaí, o Queiroz, o cofre milionário que sumiu de uma agência do Banco do Brasil. Foi ela que identificou os 15 milhões de reais em imóveis de uma família com salários incompatíveis com isso.

Bolsonaro odeia e tenta deslegitimá-la porque sabe que ela não vai desaparecer. “A imprensa acabou” é só um bordão ruim e velho repetido por todos os governantes desde que a imprensa existe. Os governantes sumiram, a imprensa segue por aqui.

Bolsonaro já escolheu seus assessores travestidos de jornalistas, entre grandes redes de TV e sites produtores de lixo disfarçado de informação. Alguns deles estão se orgulhando por terem sido convidados para a posse, como se estivéssemos de volta à Corte de Dom João. Vocês podem dar a isso o nome que quiserem.

Se Bolsonaro é inimigo da imprensa, a imprensa não é inimiga de Bolsonaro. A imprensa seguirá cumprindo seu papel e não vai tirar os olhos do novo governo. A Presidência da República é do povo, por mais que Jair Bolsonaro pense que seja dele e de sua turma.

Estou muito feliz porque nós batemos (e já superamos!) a meta de nosso crowdfunding. E já decidimos o que vamos fazer com esse dinheiro: contratar um editor em Brasília e investir ainda mais em reportagens na capital federal, bancando viagens, buscando documentos, descobrindo novas fontes. Isso tudo custa muito caro, mas é um preço barato a se pagar para ajudar a proteger nossa frágil democracia. Por isso, nós queremos ir além da meta. A campanha seguirá aberta de modo contínuo. Avise seus amigos, seja parte disso. O TIB precisa de vocês.

Ótimo ano novo!

Leandro Demori
No The Intercept
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Coalizão francesa vai apoiar sociedade civil brasileira diante de ameaças de Bolsonaro

Organizações francesas enviam mensagem de solidariedade: “não vamos fechar os olhos!”
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Um grupo de organizações francesas decidiu formar uma coalizão para apoiar a sociedade civil brasileira durante o governo de Jair Bolsonaro. Essa coalizão divulgou, nesta terça-feira (1), no jornal Libération, um texto expondo as razões da criação dessa articulação internacional e manifestando grande preocupação com a segurança de ativistas brasileiros que atuam na área dos direitos humanos. As organizações francesas destacam que militantes anti-racistas, feministas e LGBT já foram particularmente apontadas como alvos pelo presidente brasileiro que assume nesta terça-feira. O texto faz um apelo às instituições francesas e europeias para que não deixem seus interesses econômicos se sobreporem à defesa dos direitos humanos e do meio ambiente no Brasil.

Segue abaixo a tradução do texto publicado hoje no Libération:

Face a Bolsonaro, uma coalizão para apoiar a sociedade civil brasileira

Nesta terça-feira, Jair Bolsonaro (Partido Social-Liberal, PSL), assume oficialmente suas funções na presidência do Brasil. Contando com o apoio de certas elites tradicionais (latifundiários, militares, indústria armamentista e poderosas igrejas evangélicas), seu discurso de ódio seduziu uma parte da população brasileira, agravando perigosamente as tensões sociais. Desde o início do período eleitoral, no fim de setembro, os casos de violência se multiplicaram contra militantes de movimentos sociais, membros de organizações não-governamentais, defensores de direitos, jornalistas e universitários.

Os sinais inquietantes se acumulam. A composição anunciada do novo governo deixa poucas dúvidas sobre a linha política que será adotada. Saída do Acordo de Paris, fim da demarcação de terras indígenas, extinção do Ministério do Trabalho, censura à imprensa, regressão nos direitos das mulheres, transferência da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém, questionamento do sistema universal de saúde e criminalização do ativismo são exemplos de medidas que podem ser esperadas neste início de ano.

Defensores e defensoras de direitos humanos, militantes e ativistas, bem como minorias discriminadas (população negra, indígena, mulheres e comunidade LGBTQ) são um alvo especial das políticas de Bolsonaro. Ao longo de toda sua campanha eleitoral ele não cessou de qualificar os movimentos sociais e as ONGs de organizações terroristas, deixando aos seus membros a única alternativa de escolher entre a prisão e o exílio e afirmando que “se for necessário prender 100 mil, qual o problema? “. Uma das primeiras medidas que o novo governo pretende tomar é o endurecimento da lei sobre o terrorismo, com o objetivo de incluir na mesma toda forma de contestação, manifestação ou ocupação de espaços. Movimentos sociais que já são vítimas de repressão poderiam ser proibidos. Desde a eleição um acampamento de sem teto em Curitiba foi alvo de um incêndio e dois integrantes do Movimento de Trabalhadores Sem Terra (MST) foram assassinados, dia 8 de dezembro, no nordeste do país.

As forças políticas de oposição também se tornaram alvo do novo presidente. Sob o pretexto de combater a corrupção, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, pode continuar seu trabalho de repressão judicial contra grupos da esquerda institucional, visando especialmente o Partido dos Trabalhadores e colocando em risco o direito do ex-presidente Lula ter um julgamento justo.

Diariamente alertados pelos defensores dos direitos brasileiros preocupados com sua própria segurança, com o respeito aos direitos humanos e o futuro das lutas sociais e ambientais em seu país, nós, movimentos sociais, ONGs, defensores dos direitos humanos, decidimos nos juntar à coalizão que estamos lançando em apoio à sociedade civil brasileira.

Também pedimos às instituições francesas e européias que sejam extremamente vigilantes e que não deixem que seus interesses econômicos ou geopolíticos particulares se sobreponham ao respeito aos direitos humanos e ambientais. As relações entre os estados não podem ser construídas à custa de direitos, liberdades e democracia. Esse chamado é uma mensagem de solidariedade com o Brasil: não vamos fechar os olhos!

Participam da coalizão e assinam o texto as seguintes organizações:

Act Up Paris, Amnesty international, Attac France, Autres Brésils, CCFD – Terre Solidaire, Centre d’études et d’initiatives de solidarité internationale (Cedetim), Centre d’étude du développement en Amérique Latine (Cedal), Centre de recherche et d’information pour le développement (Crid), Coopérative Écologie sociale, Emmaüs International, Fédération SUD PTT, France Amérique Latine (FAL), France Libertés, Internet sans frontières, Réseau Initiatives Pour un Autre Monde (Ipam).

No RS Urgente
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Vazio como ele, discurso de Bolsonaro foi o mais curto da história


"Excelentíssimo senador presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira; senhoras e senhores chefes de Estado, chefes de governo, 20 chefes de Estado e 20 chefes de governo que me honram com as suas presenças. Vice-presidente da República Federativa do Brasil Hamilton Mourão, meu contemporâneo de Academia Militar das Agulhas Negras; Presidente da Câmara dos Deputados e prezado amigo e companheiro, deputado Rodrigo Maia; ex-presidentes da República Federativa do Brasil, senhor José Sarney, senhor Fernando Collor de Mello; Presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli; senhoras e senhores ministros de Estado e comandantes das forças aqui presentes; Procuradora Geral da República Raquel Dodge; senhoras senhores governadores, senhoras e senhores senadores e deputados federais; senhoras e senhoras chefes de missões estrangeiras acreditados junto ao governo brasileiro, minha querida esposa Michelle, daqui vizinha Ceilândia. Meus filhos e familiares aqui presentes. A conheci aqui na Câmara.

Brasileiros e brasileiras,

Primeiro quero agradecer a Deus por estar vivo. Que pelas mãos de profissionais da Santa Casa de Juiz de Fora operaram um verdadeiro milagre. Obrigado, meu Deus.

Com humildade, volto a esta casa onde por 28 anos me empenhei em servir à Nação brasileira. Travei grandes debates e acumulei experiências e aprendizados que me deram oportunidade de crescer e amadurecer. Volto a esta casa não mais como deputado, mas como Presidente eleito da República Federativa do Brasil, mandato a mim confiado pela vontade soberana do povo brasileiro.

Hoje, aqui, estou fortalecido, emocionado e profundamente agradecido a Deus pela minha vida e aos brasileiros que confiaram a mim a missão a honrosa missão de governar o Brasil neste período de grandes desafios e ao mesmo tempo de enorme esperança, governar com vocês.

Aproveito este momento solene e convoco cada um dos congressistas para me ajudarem na missão de restaurar e de reerguer nosso país, nossa pátria, libertando-a definitivamente do jugo da corrupção, da criminalidade, da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica. Temos diantes de nós uma oportunidade única de reconstruir o nosso País e resgatar a esperança dos nossos compatriotas. Estou certo de que enfrentaremos enormes desafios, mas se tiver sabedoria de ouvir a voz do povo, alcançaremos êxito em nossos objetivos. E pelo exemplo, pelo trabalho, levaremos as futuras gerações a nos seguir nesta tarefa gloriosa. Vamos unir o povo, valorizar a família, respeitar as religiões e nossa tradição judaico-cristã, combater a ideologia de gênero, conservando nossos valores. O Brasil voltará a ser um País livre de amarras ideológicas.

Pretendo partilhar o poder de forma progressiva, responsável e consciente. De Brasília para o Brasil, do poder central para Estados e municípios. Minha campanha eleitoral atendeu ao chamado das ruas e forjou o compromisso de colocar o Brasil acima de tudo e Deus acima de todos. Por isso, quando inimigos da pátria, da ordem e da liberdade tentaram pôr fim a minha vida, milhões de brasileiros foram às ruas. Uma campanha eleitoral transformou-se em um movimento cívico, cobriu-se de verde e amarelo, tornou-se espontâneo, forte e indestrutível, e nos trouxe até aqui.

Nada aconteceria sem o esforço e o engajamento de cada um dos brasileiros que tomaram as ruas para preservar nossa liberdade e democracia. Reafirmo meu compromisso de construir uma sociedade sem discriminação ou divisão. Daqui em diante, nos pautaremos pela vontade soberana daqueles brasileiros que querem boas escolas capazes de preparar seus filhos para o mercado de trabalho e não para a militância política, que sonham com liberdade de ir e vir sem serem vitimados pelo crime, que desejam conquistar pelo mérito bons empregos e sustentar com dignidade suas famílias, que exigem saúde, educação, infraestrutura e saneamento básico, e respeito aos direitos e garantias fundamentais da nossa Constituição. O pavilhão nacional nos remete a ordem e ao progresso. Nenhuma sociedade se desenvolve sem respeitar esses preceitos. O cidadão de bem merece dispor de meios para se defender respeitando o referendo de 2005, quando optou nas urnas o direito à legítima defesa.

Vamos honrar e valorizar aqueles que sacrificam suas vidas em nome de nossa segurança e da segurança de nossos familiares. Contamos com o apoio do Congresso Nacional para dar respaldo jurídico para os policiais realizarem seu trabalho. Eles merecem e devem ser respeitados. Nossas forças armadas terão as condições necessárias para cumprir sua missão constitucional, de defesa da soberania, do território nacional e das instituições democráticas, mantendo suas capacidades para resguardar nossa soberania e proteger nossas fronteiras.

Montamos nossa equipe de forma técnica, sem o tradicional viés político que tornou o Estado ineficiente e corrupto. Vamos valorizar o Parlamento, resgatando a legitimidade e a credibilidade do Congresso Nacional. Na economia, traremos a marca da confiança, do interesse nacional, do livre mercado e da eficiência. Confiança no cumprimento de que o governo não gastará mais do que arrecada. E na garantia de que as regras, os contratos e as propriedades serão respeitadas. Realizaremos reformas estruturantes que serão essenciais para a saúde financeira e sustentabilidade das contas públicas, transformando o cenário econômico e abrindo novas oportunidades.

Precisamos criar um círculo virtuoso para a economia, para que traga a confiança necessária para permitir abrir nosso mercados para o comércio internacional, estimulando a competição, a produtividade e a eficácia sem viés ideológico. Nesse processo de recuperação do crescimento, o setor agropecuário seguirá desempenhando um papel decisivo em perfeita harmonia com a preservação do meio ambiente. Dessa forma, todo o setor produtivo terá um aumento de eficiência, com menos regulamentação e burocracia.

Esses desafios só serão resolvidos mediante um verdadeiro pacto nacional entre a sociedade e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário,na busca de novos caminhos para um novo Brasil. Uma de minhas prioridades é proteger e revigorar a democracia brasileira, trabalhando arduamente para que ela deixe ser apenas uma promessa formal e distante e passe a ser um componente substancial e tangível da vida política brasileira, com respeito à democracia. A construção de uma nação mais justa e desenvolvida requer a ruptura com práticas que se mostram nefastas para todos nós, maculando a classe política e atrasando o progresso. A irresponsabilidade nos conduziu à maior crise ética, moral e econômica de nossa história. Hoje começamos um trabalho árduo para que o Brasil inicie um novo capítulo de sua história. Um capítulo no qual o Brasil será visto como um país forte, pujante, confiante e ousado. A política externa retomará seu papel na defesa da soberania, na construção da grandeza e no fomento ao desenvolvimento do Brasil.

Senhoras e senhores congressistas, deixo esta casa rumo ao Palácio do Planalto com a missão de representar o povo brasileiro. Com a benção de Deus, o apoio da minha família e a força do povo brasileiro, trabalharei incansavelmente para que o Brasil se encontre com seu destino e se torne a grande nação que todos queremos.Muito obrigado a todos vocês. Brasil acima de tudo e Deus acima de todos."



O discurso de Bolsonaro no Palácio de Planalto:

Amigas e amigos de todo o Brasil, é com humildade e honra que me dirijo a todos vocês como presidente do Brasil.

E me coloco diante de toda a nação, neste dia, como o dia em que o povo começou a se libertar do socialismo (sic), da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto.

As eleições deram voz a quem não era ouvido.

E a voz das ruas e das urnas foi muito clara.

E eu estou aqui para responder e, mais uma vez, me comprometer com esse desejo de mudança.

Também estou aqui para renovar nossas esperanças e lembrar que, se trabalharmos juntos, essa mudança será possível.

Respeitando os princípios do estado democrático de direito, guiados por nossa Constituição e com Deus no coração, a partir de hoje, vamos colocar em prática o projeto que a maioria do povo brasileiro democraticamente escolheu, vamos promover as transformações de que o país precisa.

Temos recursos minerais abundantes, terras férteis abençoadas por Deus e um povo maravilhoso.

Temos uma grande nação para reconstruir e isso faremos juntos.

Os primeiros passos já foram dados.

Graças a vocês, eu fui eleito com a campanha mais barata da história (sic).

Graças a vocês, conseguimos montar um governo sem conchavos ou acertos políticos (sic), formamos um time de ministros técnicos e capazes para transformar nosso Brasil. Mas ainda há muitos desafios pela frente.

Não podemos deixar que ideologias nefastas (sic) venham a dividir os brasileiros. Ideologias que destroem nossos valores e tradições, destroem nossas famílias, alicerce da nossa sociedade.

E convido a todos para iniciarmos um movimento nesse sentido. Podemos, eu, você e as nossas famílias, todos juntos, reestabelecer padrões éticos e morais que transformarão nosso Brasil.

A corrupção, os privilégios e as vantagens precisam acabar. Os favores politizados, partidarizados devem ficar no passado, para que o governo e a economia sirvam de verdade a toda Nação.

Tudo o que propusemos e tudo o que faremos a partir de agora tem um propósito comum e inegociável: os interesses dos brasileiros em primeiro lugar (sic).

O brasileiro pode e deve sonhar. Sonhar com uma vida melhor, com melhores condições para usufruir do fruto do seu trabalho pela meritocracia (sic). E ao governo cabe ser honesto e eficiente.

Apoiando e pavimentando o caminho que nos levará a um futuro melhor, ao invés de criar pedágios e barreiras.

Com este propósito iniciamos nossa caminhada. E com este espírito e determinação que toda equipe de governo assume no dia de hoje.

Temos o grande desafio de enfrentar os efeitos da crise econômica, do desemprego recorde, da ideologização de nossas crianças (sic), do desvirtuamento dos direitos humanos (sic), e da desconstrução da família (sic).

Vamos propor e implementar as reformas necessárias. Vamos ampliar infraestruturas, desburocratizar, simplificar, tirar a desconfiança e o peso do Governo sobre quem trabalha (sic) e quem produz.

Também é urgente acabar com a ideologia que defende bandidos e criminaliza policiais (sic), que levou o Brasil a viver o aumento dos índices de violência e do poder do crime organizado, que tira vidas de inocentes, destrói famílias e leva a insegurança a todos os lugares.

Nossa preocupação será com a segurança das pessoas de bem (sic) e a garantia do direito de propriedade e da legítima defesa, e o nosso compromisso é valorizar e dar respaldo ao trabalho de todas as forças de segurança.

Pela primeira vez, o Brasil irá priorizar a educação básica (sic), que é a que realmente transforma o presente e o futuro de nossos filhos e netos, diminuindo a desigualdade social.

Temos que nos espelhar em nações que são exemplos para o mundo e que por meio da educação encontraram o caminho da prosperidade.

Vamos retirar o viés ideológico de nossas relações internacionais (sic).

Vamos em busca de um novo tempo para o Brasil e os brasileiros!

Por muito tempo, o país foi governado atendendo a interesses partidários que não o dos brasileiros. Vamos restabelecer a ordem neste país.

Sabemos do tamanho da nossa responsabilidade e dos desafios que vamos enfrentar. Mas sabemos aonde queremos chegar e do potencial que o nosso Brasil tem. Por isso vamos dia e noite perseguir o objetivo de tornar o nosso país um lugar próspero e seguro para os nossos cidadãos e uma das maiores nações do planeta.

Podem contar com toda a minha dedicação para construir o Brasil dos nossos sonhos.

Agradeço a Deus por estar vivo e a vocês que oraram por mim e por minha saúde nos momentos mais difíceis.

Peço ao bom Deus que nos dê sabedoria para conduzir a nação.

Que Deus abençoe esta grande nação.

Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.
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Trajano e Bob Fernandes - Papo com Zé Trajano


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Bolsonaro sobe a rampa com a mão no coldre e de salto 15


Enfim, Jair Messias Bolsonaro sobe a rampa nesta terça-feira (1°) para receber a faixa presidencial.

Carrega uma autoconfiança e um desdém com o contraditório poucas vezes vistos. A parentada se esbalda em exibir camisetas com recadinhos para a malta e em congestionar as redes sociais com toda a sorte de regras sobre como estão certos e sobre como são a redenção para tudo isso que está aí. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos e eles acima do Brasil, de Deus e de todos.

Veja a promessa de facilitar a posse de armas para o “cidadão de bem”. Você já deve ter calo nos ouvidos de tanto escutar policiais recomendarem não reagir a assaltos. O bandido tem a seu favor o elemento surpresa, a prática. E sua vida sempre vale mais do que qualquer bem material.

Mas os Rambos de botequim não estão preocupados com estudos, lógica, racionalidade, essas besteiras.
Enxergam-se como um Lee Van Cleef de barriga avantajada e pantufas a acertar testas de malandros, todos lerdos e ruins de mira, em um desempenho que policiais treinados muitas vezes não conseguiram ter.

E não vamos falar aqui de brigas com vizinho, violência doméstica, disparos acidentais ou de crianças e adolescentes fuçando o armário. Não, vamos tentar entender o que define um cidadão de bem apto a se armar. Para bolsonaristas, quem não tem antecedente criminal, ora bolas.

Como o cidadão de bem que entrou no último dia 11 em uma igreja em Campinas e meteu chumbo em quem estava ao redor. Ou o cidadão de bem, sem antecedentes, que disparou em 2011 mais de 60 vezes em uma escola do Rio, matando 12 adolescentes. Ou estariam eles se referindo aos cidadãos de bem que cometeram mais de 2.000 feminicídios no país, em 2016 e 2017, muitos sem nem unzinho antecedente criminal?

Os Bolsonaros sobem a rampa com a mão no coldre e de salto alto. Com soberba e ouvidos moucos a críticas. Como realizaram o milagre de vencer a eleição contra todos os prognósticos, parecem não ter dúvida de que irão acertar o alvo outra vez.

Rainier Bragon
No Folha
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Ano Novo, Vida Pior


Uma convenção, nada mais? De fato a passagem do 31/12 ao 01/01 é arbitrária. Faria algum sentido se o ano começasse no solstício. Mas, tanto faz, né? Está combinado que 2018 termina hoje.

Uma data, como qualquer outra? Também não. É algo que nos convida a planejamento, desafia a promessas e induz balanços.

Esse ano está difícil desejar “feliz ano novo” contra todas as evidências de que será o pior ano das vidas de mais de 100 milhões de pessoas que não vivenciaram a ditadura. Não há a menor possibilidade de que 2019 seja melhor que nenhum dos anos anteriores, a parir da redemocratização. Será um ano de ainda maiores retrocessos para as mulheres, para os negros, para os idosos, para os homossexuais, para os índios, para todos os coletivos vulneráveis, e para quem precisa vender sua força de trabalho para viver.

Não se trata de “torcida contra”. É conclusão racional. Quem conseguir emprego ganhará este ano muito menos do que ganhou em cada um dos anos anteriores. Milhões perderão seus empregos, serão substituídos por outros trabalhadores pior remunerados. Com menos dinheiro na mão dos consumidores o comércio e o setor de serviços encolherá. Com menos vendas no comércio o patronato demitirá em massa sob a justificativa de “salvar os negócios”. Todos perderão renda. O Brasil se tornará um lugar horrível para se viver.

A inadimplência e a pobreza aumentarão e, com elas, a criminalidade e a violência praticada por pessoas desesperadas e pelas “pessoas de bem” contra os mais pobres atingirá níveis jamais vistos. O novo governo, com a qualidade do Ministério, com a capacidade dos eleitos e de seus apoiadores, se “der certo”, se fizer tudo o que dele esperam seus eleitores, tornará o Brasil em um inferno para quem compreende a realidade.

Sem uma grande dose de hipocrisia é impossível acreditar em um “feliz ano novo”. E desejar, pode? Claro que sim. Claro que pode. Mas os desejos não mudam a realidade. Salvo para os muito ricos, em 2019 será muito difícil ser feliz.

E o que desejar, então?

Sei lá. Quem souber me diga. Eu, mesmo sabendo que em 2019 será impossível sermos felizes, desejo aos meus amigos e amigas saúde e capacidade para resistir. Não há mal que sempre dure. A idade da pedra não acabou por falta de pedra, mas porque houve criatividade. A idade média não acabou por falta de trevas, mas porque as pessoas se deram conta da sua perversidade. A ditadura de 64 não acabou por falta de milicos ignorantes e autoritários e o governo que inicia amanhã não terminará por falta de imbecis, mas porque não basta fazer arminha com a mão e rezar a um deus vingativo para que a realidade social melhore. Saúde, capacidade de resistir e paciência. Muita paciência, para esperar que o desastre social que se antevê crie logo as condições objetivas para uma tomada de consciência por parte da maioria da população. E a felicidade? Fica adiada para quando houver condições objetivas e subjetivas para que concebamos, juntos, um novo futuro.

Wilson Ramos Filho, Xixo, é doutor em direito, professor universitário (UFPR/UFRJ) e presidente do Instituto Defesa da Classe Trabalhadora
No GGN
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Injustificável, rigor de segurança na posse alimenta narrativa de trama contra Bolsonaro

https://www.blogdokennedy.com.br/injustificavel-rigor-de-seguranca-na-posse-alimenta-narrativa-de-trama-contra-bolsonaro/
Imprensa é tratada com desrespeito por novo governo

É injustificável o rigor na segurança na posse presidencial de Jair Bolsonaro, especialmente no tratamento destinado à imprensa. Não há razão plausível para a montagem de um esquema de segurança inédito em posses presidenciais no Brasil.

O grau de alerta 5, o mais alto, alimenta uma narrativa de trama contra Bolsonaro. Cultiva um fantasma de ameaça constante que serve a um propósito político, buscando efeito favorável ao novo presidente, sobretudo entre os seus eleitores.

É uma estratégia semelhante à da campanha eleitoral, apelando a fatos inexistentes, como a ameaça comunista, a venezuelização, o marxismo globalista, o kit gay e outras bobagens de uma guerra cultural promovida, com sucesso, pela extrema-direita aqui e no exterior.

Tamanho rigor também é um desrespeito ao trabalho dos jornalistas, que terão até seu deslocamento limitado e controlado, o que não ocorria nesse nível em posses anteriores. Era possível acompanhar o desfile em carro aberto na Esplanada dos Ministérios, dar um pulo no Congresso Nacional, ir ao Palácio do Planalto ver o discurso do parlatório e ainda participar do coquetel no Itamaraty.

Hoje, jornalistas estão sendo colocados em ônibus logo de manhã e permanecerão durante horas confinados em locais específicos. Quem vai trabalhar na cobertura do coquetel do Itamaraty ficará horas a ver navios por uma decisão do esquema de segurança sem justificativa plausível.

Fica evidente a dificuldade do novo governo de conviver com o trabalho cotidiano dos jornalistas. É um começo ruim, que sinaliza dificuldades crescentes na relação com a imprensa.

A facada em Bolsonaro no dia 6 de setembro, um atentado condenado com veemência por jornalistas e adversários políticos, ocorreu em um ambiente de campanha eleitoral, no qual o candidato estava nos ombros de um apoiador no meio de uma multidão.

Tradicionalmente, a posse presidencial se dá sob um esquema de segurança muito mais rigoroso do que o ambiente de campanha. Em 2014, o então vice-presidente dos EUA, Joe Biden, chefiou a delegação dos EUA. Hoje, virá o secretário de Estado, Mike Pompeo. Já houve no passado a presença de autoridades mais importantes em posses presidenciais.

Hoje, há nas avenidas de Brasília uma ostentação militar inadequada numa democracia. Esse rigor remete a imagens do passado, imagens sombrias de 1964.
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Bozo fala pro bispo


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Governo Bolsonaro e a oposição das esquerdas


Com a posse de Bolsonaro na presidência da República impõem-se às oposições de esquerda a adoção de táticas cuidadosas e apuradas acerca da forma e do conteúdo da maneira de fazer oposição. Pelas análises que estão surgindo em artigos publicados em diversos blogs a aposta é a de uma oposição radical, de não reconhecimento do resultado das eleições, de deslegitimação tanto das eleições quanto do governo. A questão é: até que ponto uma tática desta natureza pode ampliar ou estreitar o espaço das oposições progressistas na sociedade, principalmente quando se está diante de um governo que tende a atacar as liberdades, os direitos, o Estado Democrático e a Constituição. Ou seja: a política deve ser ampla, com um programa de lutas, de diálogo com a sociedade, inclusive com boa parcela do eleitorado que votou em Bolsonaro ou deve ser de um radicalismo militante e de recusa do governo enquanto tal?

A posse de Bolsonaro está inscrita com um gesto radical das oposições de esquerda: o não comparecimento no ato formal da posse no Congresso Nacional. O gesto é polêmico, mas existem razões que o justificam. A primeira delas é que, durante a campanha, Bolsonaro ultrapassou o razoável e o aceitável na disputa democrática e pregou a violência e o banimento contra as esquerdas. Em suma: identificou nas esquerdas, não adversários, mas inimigos. Se Bolsonaro quiser o respeito das esquerdas, precisa respeitá-las. É razoável e legítimo não participar de uma festa de um inimigo, mesmo que esta festa seja revestida de teor institucional. Os bolsonaristas estão armados no sentido figurado do termo contra as esquerdas – e, talvez, no sentido real. Para que haja um convívio democrático e respeitoso no plano institucional, é preciso que os bolsonaristas deponham as armas e terminem a guerra de incitação à violência contra as esquerdas. Caso contrário, as relações serão tensas e belicosas. A responsabilidade da iniciativa, em casos desta natureza, cabe, especialmente, aos vencedores e àqueles que proclamaram a guerra.

A segunda questão é a questão da legitimidade da vitória de Bolsonaro e das próprias eleições. Há duas formas de ver o problema. Preliminarmente, é preciso considerar que as eleições obedeceram ao calendário eleitoral, sendo que eleições previsíveis é um requisito procedimental de sua legitimidade. Primeira forma: as eleições foram precedidas de um golpe e Lula, líder das pesquisas, foi impedido de participar por decisões judiciais. A questão principal aqui está na legitimidade ou não das decisões judiciais que bloquearam a candidatura Lula. Se a resposta é a de que as eleições estavam irremediavelmente  comprometidas em sua legitimidade, a atitude mais coerente seria boicotá-las.

Segunda forma de ver a questão da legitimidade eleitoral: mesmo com o golpe e  com o impedimento ilegal de Lula, as eleições foram legítimas e as esquerdas participaram delas conferindo-lhes legitimidade. Aliás, durante a campanha eleitoral, as esquerdas e os analistas não questionaram a legitimidade das eleições. Se as eleições, mesmo com o golpe, mesmo com a interdição de Lula e mesmo com as fake news foram legítimas, não se pode agora questionar a sua legitimidade e a legitimidade do governo Bolsonaro. Não se pode adotar um golpismo de esquerda.

Então, é preciso escolher: se a eleição de Bolsonaro é em tudo uma farsa, tudo fajutado, tudo ilegal e ilegítimo, a tática correta consiste em uma oposição radical, de denúncia permanente do governo, de recusa de qualquer acordo, de proposição de seu impeachment e de sua derrubada. É preciso ser coerente com o que se escreve. Se a posse de Bolsonaro é ilegal e ilegítima, porque as eleições foram ilegítimas, não basta boicotar a posse. Para não ser pusilânime, é preciso definir uma tática coerente com a avalição da ilegitimidade das eleições e do governo.

Agora, se se considera que as eleições foram legítimas mesmo com os problemas apontados, então o que cabe fazer é avaliar a natureza do governo que emergiu delas, as possibilidades e os riscos que ele comporta. Tendo em vista o que foi explicitado durante a campanha e antes dela pelo presidente vencedor e pelo programa e ideias que ele defende será preciso definir uma tática coerente com esta avaliação. Ao que se sabe, os partidos de esquerda, acertadamente, não consideram as eleições e o governo ilegítimos.

Quanto à natureza do governo, trata-se de um governo de extrema-direita e, por isso mesmo, traz riscos às liberdades, aos direitos, à democracia, ao Estado Democrático e à Constituição. Se esta é a avalição, trata-se de definir uma tática de frente ampla informal, de diálogo amplo com todos os setores políticos e sociais que possam agir em comum na defesa das liberdades, dos direitos, da democracia, do Estado Democrático e da Constituição. Trata-se de construir uma maioria social em torno desses pressupostos e de sua defesa e trata-se de agir para defende-los e denunciar ações do governo que os ataquem. Isto não significa diluir-se no interior dessa frente e nem mesmo limitar-se a ela. No plano das lutas sociais, por exemplo, é possível e necessário consolidar uma frente mais combativa e programática, seja de resistência em defesa da democracia e dos direitos, seja de luta em torno de um programa de reivindicações e de mudanças. Se o governo Bolsonaro atacar as liberdades, a democracia e a Constituição se tornará ilegítimo pela sua ação.

Algumas análises, principalmente de natureza psicológica, acerca o futuro que nos espera com Bolsonaro, chegam a beirar o delírio, pois sugerem o aparecimento de um fascismo inevitável vindo das ruas, das massas, do povo. A conclusão é equivocada porque a análise é equivocada. A vitória de Bolsonaro não se deveu a um suposto pendor fascista do povo, ao seu conservadorismo entranhado que jazia adormecido e foi desporto pela pregação do líder. A imensa maioria do eleitorado que votou em Bolsonaro não é fascista e nem sabe do que isto se trata. Bolsonaro venceu, principalmente, por dois motivos: 1) porque o povo queria mudanças e identificou em Bolsonaro o candidato que proporcionaria as mudanças, mesmo que isto significasse um salto no escuro; 2) por um sentimento difuso antiPT, que foi amplamente explorado não só por Bolsonaro, mas por outros, a exemplo de Alckmin, Dória etc.

A ideia de que o povo brasileiro é bolsonaro e que Bolsonaro é a encarnação do povo é uma ideia falsa. Se existem fascistas, trata-se de uma minoria. Uma das tarefas da oposição é impedir que essa minoria se transforme em maioria. O povo não está tomado por uma psicose bolsonaro-fascista. Ele quer simplesmente que o Brasil e a vida mudem para melhor. Não quer a corrupção, não quer que o dinheiro público seja roubado e quer um Estado eficiente. Por isso a moralidade na política precisa ser uma bandeira das esquerdas, assim como um programa de reformas amplas, que busquem mais eficiência, menos privilégios e mais justiça e igualdade. Se Bolsonaro não garantir uma vida melhor, o povo se voltará contra ele. Como o programa e os compromissos do governo Bolsonaro pouco têm a oferecer ao povo, as esquerdas precisam ganha-lo para enfrentar novas batalhas.

De qualquer forma, as oposições de esquerda não terão êxito contra o novo governo se não se organizarem nas bases sociais da periferia. Para mudar o Brasil é preciso construir uma aliança entre o povo pobre e as classes médias. A demonização e culpabilização das classes médias, como fazem alguns escritores, é um redondo equívoco.

Resistência e mudanças são consequência de força social e política organizada, algo que as esquerdas vêm negligenciando. As esquerdas se comunicam mal. É preciso ter capacidade de convencimento, discursos e mensagens persuasivos. Organização e persuasão são os pressupostos da legitimidade de um líder, de um partido e de um programa. Ou se tem as virtudes para se ter essas capacidades, para organizar os meios, ou a história das esquerdas no Brasil será uma história de sucessão de derrotas. Discursos arrogantes, pretenciosos, radicalóides e vazios não passam de cortinas de fumaça para encobrir fracassos e derrotas.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).
No GGN
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A bananeira e a jaca


Ao garoto que, no final dos anos 60, procurava entender como as pessoas agem, minha velha avó ensinava, nas palavras simples de gente que aprendera muito com a vida: “meu filho, não espere que um bananeira lhe dê jacas. você vai falar, falar, falar e ela só dará bananas”.

Os colunistas de O Globo – e donos da sabedoria da classe média, a partir do púlpito da Globonews – se dedicam hoje a falar das jacas que virão da bananeira que vai governar o país.

Na manchete, o jornal dos Marinho diz que “Bolsonaro vai pregar união e austeridade em discurso”. Isso depois de disparos de twitter clamando contra o “marxismo nas escolas” e de um discurso, segundo o jornal, redigido com a ajuda dos filhos, pitbulls notórios da radicalização.

Merval, o bedel da pátria, diz com gravidade afetada que “cabe a ele, Jair Bolsonaro, desanuviar o ambiente político e encaminhar o país para novos rumos, como a vontade majoritária do eleitorado quis.  Mas procurando conciliar as partes”.

Bolsonaro, conciliador? “Jacas, jacas”, pede-se à bananeira…

Míriam Leitão, mais desencantada e menos esperançosa coloca a pedra chave no tabuleiro: “o dilema é: como subir impostos [retirando exonerações fiscais], quando se deveria reduzi-los, e como reduzi-los se o rombo é enorme?”.

E sugere que o novo presidente pare com seus rompantes [ jacas, jacas…] e  lhe propõe as condições para que a mídia pinte de verde as bananas: “Se o governo continuar alimentando a fantasia de que está lutando contra os grandes jornais e as maiores emissoras de televisão vai desperdiçar tempo, munição e recursos.”

Passa ao largo da compreensão destes gajos que o governo que se instala hoje não tem outro projeto senão o enunciado pelo seu vice-presidente, o General Hamilton Mourão: o desmanche do Estado brasileiro e a abertura do país a uma predação ainda mais selvagem do Brasil.

Bananas não têm sementes e, nas que comumente encontradas, são inférteis: bananeiras apenas rebrotam à medida em que murcham depois de lançarem seus cachos.

E junto a elas, ensina o saber da roça, cuidado com as cobras.

Fernando Brito
No Tijolaço
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2018 – o ano em que deu merda

A zero hora do dia 1º de janeiro de 2019 encerra o grande acordo nacional… com o Supremo com tudo. A frase síntese de Romero Jucá para o Golpe de 2016.

acordo nacional

Uma marcha da insensatez que teve início logo após o final da eleição presidencial de 2014, com a suspeitíssima insubordinação do PSDB aos resultados das urnas, e que levou ao pior resultado possível: o perde-perde.

Não há ganhadores. Há perdedores menores e maiores. Mas todos perdedores.

PT – o grande e pequeno perdedor

lula livre2

O PT perdeu. Foi vítima de um movimento de demonização levado a efeito pelo poder econômico, pela mídia e pelo Judiciário. Suas maiores perdas foram ter seu grande líder preso e a presidente eleita derrubada em um golpe. Eleitoralmente, no entanto, ele é um pequeno perdedor. Levou seu candidato ao segundo turno das eleições pela quinta eleição consecutiva e de lá saiu com 48 milhões de votos. Não ganhou a eleição. Tinha a maior bancada de deputados em 2014 – 69 deputados – tem a maior bancada de deputados em 2018 – 56 deputados – perdeu 13 cadeiras na Câmara Federal. Elegeu cinco governadores em 2014 e quatro em 2018. Perdeu Minas Gerais. No entanto, é o partido com maior número de governadores.

O personagem Lula – é um mártir. Ninguém sério o acusa ser corrupto. Basta ler seus detratores na grande imprensa – os que ainda têm veleidades de ter o nome de alguma maneira respeitado – o máximo que afirmam é que foi “condenado por corrupção”. Não é um mero jogo de palavras obviamente. A vigília Lula Livre está lá, há quase um ano, nas portas na Polícia Federal Curitiba para lembrar que ele ainda é o maior político vivo do Brasil. Fato único na nossa história política. Mas Lula é um homem de 73 anos confinado a uma solitária gourmet. Enquanto se mantiver forte e firme, será, paradoxalmente, a reserva moral da política brasileira. Enquanto se mantiver forte e firme…

PSDB – o grande perdedor

alckmin sozinho

A grande mídia pouco fala da derrocada do PSDB. Mas não há como não identificá-lo o grande perdedor. Era para reconduzi-lo ao poder que deram o apoio necessário ao Golpe de 2016. Aceitando a proposta da quadrilha de Michel Temer: um grande acordo nacional com o Supremo com tudo. Não tiveram votos para chegar ao segundo turno nas eleições. Na verdade, nem para chegar a terceiro colocado no primeiro turno.

Era a terceira maior bancada em 2014 – 54 deputados federais – em 2018 é a nona – com 29 deputados federais. Atrás de PP – PR e PRB – sejam lá o que forem tais partidos. Tinha cinco governadores em 2014. Terá três agora – se é que podemos considerar João Doria como um governador do PSDB.

Mas mais do que isso, cabe perguntar se o PSDB, como o conhecíamos até então, ainda existe. Seus grandes nomes ainda existem? FHC – o presidente emérito do Brasil – José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin. Todos presidente e candidatos a presidentes que chegaram ao segundo turno nas eleições que disputaram. Alguém os convidaria para abrilhantar uma festa de formatura?

Todos necessitando contar com a boa vontade do Judiciário de seus Estados – que jamais lhes faltou – para continuarem fora da cadeia e por aí a falar mal do PT. Não lhes sobrou mais nada. Faltam lhes principalmente ouvidos que os ouçam.

Geraldo Alckmin – o delfim da plutocracia paulista – um picolé de chuchu jurado e sacramentado. De Aécio há o que dizer?

Enfrentarão agora João Doria – o corvo que criaram. Doria é um psicopata social megalômano. Quer ser presidente da República. Mas, além da pecha de traidor, tem o toque de Sadim – transforma em merda tudo que toca. Perdeu a cidade de São Paulo, para a qual tinha sido eleito em primeiro turno dois anos antes. Perderá o Estado de São Paulo.

E, então, sem um Franco Motoro para refundar um novo partido – como foi o caso quando Quércia tomou de assalto – literalmente – o MDB paulista, restará ao PSDB completar o seu ciclo e ser incorporado pelo partido em que Ciro Gomes e Tasso Jereissati – velhos novos aliados – se abrigarem.

PMDB – da tragédia ao golpe – menores

temer e bolsonaro

O PMDB havia estado na presidência da República, 28 anos antes. A tragédia elegeu Sarney após a morte de Tancredo Neves. Voltou com o Golpe de 2016. Com a quadrilha de Temer e Eduardo Cunha. Nunca, no entanto, deixou o poder. Seu maior ativo político era sua grande bancada de deputados que compunha com quem tivesse ganhado.

Em dois anos de Temer, viu sua bancada encolher de 66 deputados federais, em 2014 – a segunda maior – para quase que a metade disso – 34 deputados federais em 2018. Está no mesmo blocão em que estão partidos como PSD – PP – PR – PSB e PRB. Agora, é mais um do mesmo.

Não sabe viver na oposição, então terá que baixar e preço e fazer um saldão, se quiser alguma proeminência nos anos Bolsonaro.

O personagem Michel Temer – um Joaquim Silvério dos Reis apequenado. Um nome e um rosto para figurar a hipocrisia da nossa burguesia. Essa que bradava contra a corrupção em praça pública e apoiou o chefe da quadrilha que tomou o lugar de uma presidente honesta – o tempo o provou. Bandido bom é bandido nosso.

Temer deixará a presidência pela porta lateral do Palácio do Jaburu. A mesma pela qual recebia – altas horas – senhores para negociar facilidades. Buscará ser esquecido. Buscarão esquecê-lo. Será melhor para ele e para os que o apoiaram. E assim, esperará a resolução de seus processos por corrupção baixados à primeira instância da Justiça paulista; ou por prescrição, como é de costume, ou por falecimento – o que vier primeiro.

Todos perdedores – o ano em que deu merda

A mídia – perdeu para as fake news impulsionadas por mensagens de Whatsapp ou Facebook. Nem para mentir tem mais algum valor.

A Rede Globo – foi comprada pelo empresário Edir Macedo e agora transmite programas evangélicos 24 horas por dia. Seus antigos proprietários – a família Marinho – que não podem viajar para o exterior, por causa de processos na Justiça americana derivados do assim chamado “escândalo da FIFA”, se refugiaram em uma mansão a beira-mar em Paraty.

O STF – Supremo Tribunal Federal – foi fechado por um cabo e um soldado.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia
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Resistência — Apesar De Você


R e s i s t ê n c i a

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Mensagem de ano novo do Presidente Lula


Meus amigos e minhas amigas,


Quero agradecer a Deus por estarmos iniciando mais um ano. Espero que esta noite todos possam estar reunidos à família e aos amigos, festejando a renovação da esperança em um mundo melhor.


Como vocês sabem, vou passar o Ano Novo numa cela em que fui preso sem ter cometido crime nenhum, condenado sem provas e sem direito a um julgamento justo. Mas não me sinto só. Não estou só.


De onde me encontro, posso ouvir e até mesmo imaginar as expressões de solidariedade e amor dos companheiros e companheiras que me acompanham nessa vigília pela democracia desde a noite de 7 de abril, quando fui ilegalmente encarcerado.


É a vocês da Vigília Lula Livre que dirijo meu primeiro e mais profundo agradecimento nesta passagem de ano. Vocês são símbolo mais forte de uma corrente de solidariedade e clamor por justiça que se estende por todo o Brasil e ao redor do mundo.


Agradeço de coração a todos e a todas, do PT, dos mais diversos partidos do Brasil e de outros países, aos que não são de partidos mas praticam a democracia, aos militantes sociais, aos religiosos e pessoas espiritualizadas, aos intelectuais, estudantes, trabalhadores da cidade e do campo, à gente boa e simples que me fortalece diariamente com manifestações, cartas e orações.


Os últimos anos foram muito difíceis para o povo brasileiro, e é nisso que penso todos os dias. A fome voltou ao nosso país, o desemprego está rondando milhões de lares, os direitos dos trabalhadores estão sendo rasgados, as políticas sociais que protegem o povo estão sendo destruídas, a economia patina.


Em 2018, nós lutamos nas urnas para mudar esta situação de forma democrática. Mas fizeram de tudo para impedir que os eleitores se pronunciassem livremente. A começar pela proibição ilegal da minha candidatura, desrespeitando a vontade da maioria e até uma decisão da ONU que garantia meus direitos políticos.

E não vamos desistir de lutar por um Brasil melhor e por um mundo de paz. Ao longo da história, o povo brasileiro soube enfrentar grandes desafios e injustiças. Por mais duras que fossem as condições, jamais nos curvamos às tiranias.


Eles podem prender uma pessoa, como fizeram comigo, mas não podem encarcerar nossas ideias, muito menos impedir o futuro. 2019 será um ano de muita resistência e muita luta, para impedir que o nosso povo seja ainda mais castigado do que já foi. O Brasil precisa mudar, sim, mas mudar para melhor.


Precisamos retomar o caminho do desenvolvimento com inclusão social. E isso se faz com transferência de renda, com geração de empregos, com investimento público e privado; isso se faz tratando os trabalhadores e os mais pobres como solução e não como problema.


Nosso objetivo em 2019 deve ser a defesa do povo brasileiro. Defender o direito à saúde e educação de qualidade. Ao emprego e à oportunidade de estudar e trabalhar em paz por um Brasil melhor.


E isso só vai ser possível garantindo a democracia plena; em que seja livre o direito de organização, de manifestação e de expressão. Em que todos sejam reconhecidos como cidadãos e cidadãs. Em que se pratique a verdadeira Justiça, sem perseguição política, ódio ou preconceito.


Eu continuo tendo fé em Deus e no povo brasileiro. Não vamos baixar a cabeça nem deixar que tirem nossa alegria de viver e de batalhar por dias melhores. Nós sempre tivemos coragem de lutar e temos coragem de recomeçar.


Desejo que o ano de 2019 seja o início de uma nova caminhada por um Brasil sem fome e sem pobreza, com emprego digno, saúde e educação para todos.


Como diz a canção do grande Chico Buarque: “Amanhã vai ser outro dia”.


Paz, amor e esperança!


Um Feliz Ano Novo para todos!


Um abraço fraterno do companheiro


Luiz Inácio Lula da Silva
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Como atuam os eco-terroristas da bomba em Brazlândia


O grupo que deixou um artefato explosivo no Santuário Menino Jesus em Brazlândia e, depois, enviou um manifesto ao jornal online Metrópoles (https://www.metropoles.com/distrito-federal/pf-e-pcdf-buscam-grupo-terro...) tem raízes nos movimentos anarco-terroristas que nascem a partir dos atentados de Theodore Kaczynski, o “Unabomber”.

O movimento brasileiro se autodenomina “Sociedade Secreta Silvestre”. O site do grupo está no endereço https://maldicaoancestral.org. E a revista “Anhangá” é um dos veículos de comunicação do grupo (https://goo.gl/1LycJp). Há um movimento Maldição Ancestral em outros países, aparentemente uma facção dos eco-anarquistas.


A edição nº 2 do Anhangá tem um editorial anunciando a conspiração eco-extremista.

 (…) Esta edição nasce de um tremendo esforço cúmplice de manos e minas afins do Sul e Norte. O período entre a primeira publicação e esta é marcado por uma significativa expansão dos grupos ocultos aderentes a ITS (Individualidades Tendiendo a lo Salvaje, com atuação no México), que além de rugidos e mais acometidas pelo Sul, surgiram e cresceram também nas terras do Velho Continente, aquele onde pisaram os bárbaros, os vikings, que com ferocidade e paganismo implantaram o terror no cerne das civilizações europeias. Os esporos do eco-extremismo foram levados por fortes ventos e cruzaram as grandes águas até caírem nos solos da Grécia, onde caminha agora Seita Iconoclasta e Caçadores Noturnos; Reino Unido, terra maldita de Misanthropos Cacoguen e Espanha, extensões de Criminosos Animistas. Já pelo Sul e Norte o ânimo dos guerreiros não se detém, contamos com proximamente uma dezena de mortes em mais de 50 diversificados ataques; pacotes incendiários e explosivos abandonados

No pé da edição, uma foto com matéria do Sun sobre suposto reportagem do The Sun acerca de um atentado que o grupo teria promovido nas Olimpíadas.

O Unabomber

O referencial máximo desse grupo é Theodore Kaczynski, o “Unabomber”.

Um autor mencionado na Revista Anhanguera é John Jacobi, professor do Instituto Vanderbilt de Energia e Meio Ambiente, com bom currículo. Jacobi possui um blog que não é atualizado desde 31 de julho de 2017. Um de seus artigos é sobre o Projeto Vontade Selvagem, aparentemente na origem do movimento, e Ted Kaczynski, analisando o início do grupo, em 1995, sob o codinome FC.

Seu primeiro ato foi um manifesto enviado ao New York Times, com a proposta: se fosse publicado, se comprometiam a não enviar bombas a personalidades anti-natureza. O manifesto era intitulado “Sociedade Industrial e seu Futuro”. Pouco depois, o FC enviou uma bomba a um lobista da indústria madeireira. Foi a terceira morte atribuída ao Unabomber. Em seguida, dois Prêmios Nobel receberam cartas com ameaças, se não interrompessem suas pesquisas em genética.

Segundo Jacobi, Kaczynski era um gênio que foi aceito em Harvard com apenas 16 anos. Fez mestrado na Universidade de Michigan e sua tese de doutorado resolveu várias problemas complexos de matemática, relacionados às “funções de fronteira” (entenda aqui o que vem a ser),

Logo depois, deixou Berkeley e se mudou para uma cabana, em uma área remota de Montana, sem água e sem eletricidade. Hoje em dia, cumpre pena perpétua em Florence, Colorado.

Todos os anarco-terroristas nascem dessa árvore do Unabomber.

O movimento no México

Um dos países que abrigou esse movimento foi o México.

No site Maldição Ancestral há uma página sobre Abe Cabrera, estudioso que analisou o fenômeno do anarco-terrorista no México. Seu estudo provocou reações indignadas dos membros brasileiros do grupo.

No dia 14 de outubro passado publicaram um alerta aos “caguetas da 325” (um site de movimento rival), envolvidos com Abe.

Pela última vez os anarco-frades se pronunciaram contra nós eco-extremistas com a intenção de nos prejudicar de alguma maneira. Vocês da ONG 325 e seus consortes pagarão caro pelas delações contra a suposta pessoa por trás do teórico eco-extremista Abe Cabrera que sequer faz parte de ITS e por difamar e tentar entregar informações de Misanthropos Cacoguen (Nota: um aco-anarquista) à polícia do Reino Unido. Olho por olho, dente por dente.

(...)  Jamais há perdão, cagueta paga com a vida. A traição e a delação são comportamentos repugnantes onde quer que seja, inclusive entre os anarcos, e o que fizeram terá um preço. (…)

Segundo Abe, em 2011 o grupo ITS  inaugurou os ataques eco-terroristas no México. Enviou bombas pelo correio a várias instituições de pesquisa e assassinou um pesquisador de biotecnologia em Cuernavaca, Morelos. 

Cada ataque era acompanhado de comunicados explicando o raciocínio por trás do ato. Em 2014, a ITS juntou-se a outros grupos similares e alterou o nome para “Wild Reaction” (Reação Selvagem). Segundo Abe, o grupo se autodefinia como “sabotadores niilistas, nômades incendiários, delinquentes individualistas, anarco-terroristas”.

Abe não conseguiu levantar o tamanho da ITS/RS. Mesmo debruçando-se sobre o tema, admitiu que o caráter secreto da organização dificultava a identificação do grupo e de suas influências.

Com o tempo, o ITS/RS passou a condenar qualquer forma de ação coletiva, tornou-se um crítico do esquerdismo, e ampliou a combate à civilização técno-industrial, ameaçando não apenas empreendimentos, como cientistas, especialmente os que estudavam nanotecnologia e genética.

Dizia sobre o esquerdismo:

Acima de tudo, o esquerdismo é impulsionado pela necessidade de poder, e o esquerdista busca o poder em uma base coletiva, através da identificação com um movimento de massa ou uma organização. É improvável que o esquerdismo desista da tecnologia, porque a tecnologia é uma fonte valiosa de poder coletivo.

Nessa caminhada, passaram a descrer até da “revolução”. Seu único objetivo passou a ser os atentados terroristas, sem nenhuma utopia de futuro.

Nós não esperamos por “revolução”, nem pela “crise mundial”, nem pelas “condições ideais”. A única coisa que esperamos é que depois de um ataque, saímos intactos com nossa vitória individualista, com nossas mãos cheias de experiências para os próximos passos, que serão ainda mais constantes, destrutivos e ameaçadores. 

Outros atentados

Há denúncias de atentados similares. Movimento similar no Chile chamou a sia a responsabilidade por um atentado que incendiou um caminhão (https://goo.gl/PBREzY). Segundo o manifesto:

Colocar fogo em um caminhão está atacando as mega-máquinas e estruturas que contribuem para a devastação da Terra, está incendiando as idéias de progresso e civilização, é nossa contribuição para a contínua agitação contra o projeto IIRSA-COSIPLAN e construção de milhares de quilômetros de estradas que destroem ecossistemas para facilitar o trânsito de caminhões cheios de mercadoria e acelerar o avanço da cidade que contamina nossa vida.

Pode haver muita piração nesses movimentos que se articulam nos porões da Internet. Mas, de qualquer modo, há um histórico demonstrando que, em muitos casos, a piração evoluiu para ações concretas.

A prisão de cinco membros da organização, pela Polícia Federal, ajudará a identificar a extensão do movimento no Brasil, se tudo não passa das libações de fanáticos pela Internet, ou de um terrorismo que avançou para além do virtual..

Construção coletiva

Que tal vocês ajudarem na construção do tema, trazendo mais links e mais informações sobre o tema. Inclusive ajudando a conferir as fontes consultadas.

Aqui, parte dos links consultados para esse levantamento.

  1. PDF - ia802805.us.archive.org
  2. PF e PCDF buscam grupo que fez ameaça terrorista à posse de Bolsonaro
  3. Em direção à selvageria: desenvolvimentos recentes no pensamento eco-extremista no México - Abe Cabrera
  4. PDF - www.sober.org.br
  5. Santiago, Chile: Caminhão incendiado para dezembro negro por incendiários Complicit in Sabotage FAI-FRI
  6. 325
  7. PDF - evelynbrooks.com
  8. Ted Kaczynski and Why He Matters - Dark Mountain
  9. John Jacobi
  10. Ted Kaczynski and Why He Matters - Dark Mountain
  11. Wildism.org
  12. Not Our Comrades: ITS Attacks on Anarchists - It's Going Down
  13. Abe Cabrera | Maldição Ancestral

Luís Nassif
No GGN
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