15 de jul de 2019

Os diálogos imaginários entre Deltan e Janot


Anos atrás, em um almoço, Paulo Cunha, presidente do grupo Ultra, desabafou comigo. Tinha ido a Nova York, no escritório de um banco de investimentos. Na saída, pegou o elevador com jovens yuppies celebrando:

– Amanhã vamos detonar o México!

Milhares de pessoas sendo afetadas, famílias sendo destruídas por uma crise cambial e os jovens yuppies celebrando o poder que lhes foi conferido.

Lendo os diálogos entre Deltan Dallagnol e Rodrigo Janot, lembrei-me do episódio e imaginei a seguinte conversa de alto nível, aliás do nível daquela revelada pela Folha.

– Rodrigo, hoje vamos detonar a Odebrecht. Kkkk

– Boa, Deltan. Quantos empregos serão liqüidados?

– Na tacada de hoje, uns 50 mil. Kkkk

– Muito bom. Kkkkk.

– As próximas serão a Camargo e a Andrade. Quero ver eles aguentarem choradeira dia e noite de empregados demitidos.

– Vai abrir um bom mercado de palestras para nós. Vamos ensinar esses empreiteiros atrasados que, sem uma consultoria de compliance, vão quebrar mesmo.

– E vamos preparar um curso de empreendedorismo para os demitidos, bancado pela XP. O que acha?

– Você é um empreendedor nato, Deltan. Kkkkk

– Seria o caso de levar o Carlos Fernando com a gente? Ele já está montando seu escritório para compliance.

– Belo amigo, você. Kkkkk. Meu escritório está quase pronto e não quero competidores. A propósito, como está indo o acordo com o DoJ? Eles estão cumprindo o combinado?

– Claro, Rodrigo. Os americanos têm palavra, não são que nem os brasileiros. Kkkk. Já estou abrindo minha empresa, em nome da minha mulher. A Rosângela Moro já abriu o dela junto com o Zucolotto. Vai ter trabalho para todo mundo depois que a fundação colocar a mão na bufunfa.

– Bufunfa?! Você usa essa expressão nos cultos?

– Kkkkkk. Nos cultos, sou culto.

– Não esqueça de incluir minha filha nessa. Com 27 anos ela já representou essas empreiteiras no CADE.

– Menina precoce, heim Rodrigo. Kkkkkk

– Outro dia, um assessor meu, ligado a direitos humanos, veio me perguntar se não havia jeito de preservar as empresas e os empregos. Eu disse que não. Vamos atribuir todo o desemprego à corrupção e usar como marketing para nossas próximas palestras. Vamos dizer que eles quebraram porque demoraram em aceitar nossas condições. Vai reforçar ainda mais nosso discurso.

– Aproveite e fale para o corregedor parar de me perturbar com essas investigações sobre palestras pagas. enão vou delatar o chefe dele Kkkk

– Não se preocupe, Deltan. Ele é bola nossa.

Luís Nassif
No GGN

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