21 de jun de 2019

Tacla Durán é bandido! O Youssef... não!

Xavier: de juizeco a ministrinho, Moro naufraga na ilegalidade


O Conversa Afiada publica artigo sereno (sempre!) de seu exclusivo colUnista Joaquim Xavier:

Esperar Sergio Moro pegar o boné por conta própria é tão realista quanto aguardar Jair Bolsonaro se converter à democracia.

Moro está no governo certo: é um mentiroso sem conserto, criminoso confesso a serviço de causas estranhas aos interesses do Brasil.

Após tantas outras conversas escandalosas, os recentes diálogos divulgados pelo Intercept são acachapantes. O juizeco de Curitiba, transformado em ministrinho, chegava ao detalhe de instruir quem do ministério público deveria comparecer ao depoimento de Lula. Vetou uma procuradora e foi prontamente atendido. Em vez de magistrado, era ele o chefe da promotoria da Lava Jato!

O circo montado no Senado para levar Moro aos céus saiu pela culatra. Serviu apenas para duas coisas: abrir palanque para a oposição e escancarar a falta de compromisso dele com a verdade, princípios morais, jurídicos, constitucionais e a paciência do povo.

Ao lado dos inúmeros momentos já ressaltados pela mídia verdadeira, cabe assinalar a “justificativa” para não ouvir Tacla Durán. O advogado acusa o mico do Paraná sentado na cadeira de depoente na CCJ de cobrar para aliviar sentenças. “É um bandido que não merece crédito”.

Opa! Alberto Youssef, após o caso Banestado onde jogou de pivô, foi considerado um “criminoso incorrigível”, imprestável, a quem não se devia sequer dar uma segunda chance. Todos se lembram: Moro chefiava a “apuração” daquela roubalheira.

Como não havia Lula como alvo, mas sobretudo tucanos, a CPI e o processo do Banestado terminaram no vazio, o PSDB continuou com o bico no cofre, mas a dupla Moro/Youssef não se dissolveu.

Anos depois, o dueto entre um “criminoso incorrigível” e o juizeco reapareceu em grande estilo.

Youssef falou pelos cotovelos na Lava Jato, mas Tacla Durán é “bandido”.

O doleiro hoje vive em liberdade, usufruindo da maior parte do que roubou.

Além de selecionar inquisidores, Moro também se dá o direito de escolher entre os que ele acha criminosos úteis e inúteis!

Até outro dia juiz de primeira instância e de última categoria, Moro é indefensável. Sua estratégia de defesa convoca espanto e gargalhadas. Não lembro se falei, as conversas podem ter sido editadas, mas pelo que foi publicado nada fiz de errado. Ou seja, vale tudo.

O ministrinho saiu ainda a espalhar sua própria miséria moral para avacalhar o conjunto da justiça brasileira. “Todo mundo faz assim”. Todo mundo quem, cara-pálida?

O supreminho tem uma chance de pelo menos manter as aparências. Protelar o julgamento da suspeição de Moro e não decidir pelas punições correspondentes será como desligar os aparelhos de um poder já agonizante.

Joaquim Xavier

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