15 de jun. de 2019

“Quem está falando que foi hacker tem que investigar e provar”, diz editor do Intercept

O site "aliado a hackers criminosos"

No último domingo, o Brasil foi surpreendido por três reportagens explosivas publicadas pelo TIB. Nelas, nós mostramos as entranhas da Lava Jato e mergulhamos fundo em poderes quase nunca cobertos pela imprensa. Quase todos os jornalistas que eu conheço preferem se manter afastados disso: apontar o dedo para procuradores e juízes é, antes de tudo, perigoso em muitos níveis – eles têm razão.
As primeiras reações dos envolvidos no escândalo foram essas: O MPF preferiu focar em hackers, e não negou a autenticidade das mensagens. Sergio Moro disse que não viu nada de mais, ou seja: não negou a autenticidade das mensagens.
Moro, na verdade, se emparedou: em entrevista ao Estadão, ele inicialmente não reconhece como autêntica uma frase que ele mesmo disse. Mas depois diz que pode ter dito. E depois ainda diz que não lembra se disse. Moro está em estado confusional.
Horas depois, à Folha, Moro confirmou um dos chats que publicamos: em uma coletiva, ele chamou de “descuido” o episódio no qual, em 7 de dezembro de 2015, passa uma pista sobre o caso de Lula para que a equipe do MP investigue. Confessou que ajudou a acusação informalmente, o que é contra a lei. Como dizem as piores línguas: tirem suas próprias conclusões. 
Deltan Dallagnol não negou tampouco. Ele está bastante preocupado com o que diz ser um “hacker”, mas sequer entregou seu celular para a perícia.
É evidente que nem Moro, nem Deltan e nem ninguém podem negar o que disseram e fizeram. O Graciliano Rocha, do BuzzFeed news, mostrou que atos da Lava Jato coincidiram com orientações de Moro a Deltan no Telegram. Moro mandou, o MPF obedeceu. Isso não é Justiça, é parceria. Ontem nós mostramos a mesma coisa: Moro sugeriu que o MPF atacasse a defesa de Lula usando a imprensa, e o MPF obedeceu. Quem chefiava os procuradores? Só não vê quem não quer.
Durante cinco anos, a Lava Jato usou vazamentos e relacionamentos com jornalistas como uma estratégia de pressão na opinião pública. Funcionou, e a operação passou incólume, sofrendo poucas críticas enquanto abastecia a mídia com manchetes diárias. Teve pista livre para cometer ilegalidades em nome do combate a ilegalidades. Agora, a maior parte da imprensa está pondo em dúvida os procuradores e o superministro.

Mas existe uma força disposta a mudar essa narrativa. A grande preocupação dos envolvidos agora, com ajuda da Rede Globo – já que não podem negar seus malfeitos – é com o “hacker”. E também nunca vimos tantos jornalistas interessados mais em descobrir a fonte de uma informação do que com a informação em si. Nós jamais falamos em hacker. Nós não falamos sobre nossa fonte. Nunca.

Já imaginou se toda a imprensa entrasse numa cruzada para tentar descobrir as fontes das reportagens de todo mundo? A quem serve esse desvio de rota? Por enquanto nós vamos chamar só de mau jornalismo, mas talvez muito em breve tudo seja esclarecido. Nós já vimos o futuro, e as respostas estão lá.

A ideia é tentar nos colar a algum tipo de crime – que não cometemos e que a Constituição do país nos protege. Moro disse que somos “aliados de criminosos”, em um ato de desespero. Isso não tem qualquer potencial para nos intimidar. Estamos apenas no começo.


Leandro Demori, Editor Executivo

Glenn Greenwald, Editor, Fundador e Colunista



Leandro Demori, editor-executivo do Intercept, diz em entrevista ao podcast Mamilos que Sergio Moro precisa comprovar que dossiê divulgado pelo site tem relação com a história de suposta invasão hacker


O editor-executivo do Intercept Brasil Leandro Demori afirmou, durante entrevista ao podcast Mamilos, que “quem está falando que foi hacker” que vazou mensagens do Telegram trocadas entre Sergio Moro e os procuradores de Curitiba precisa “investigar” e “provar”.

Demori frisou que, em nenhum momento, o Intercept revelou a natureza da fonte que garantiu o acesso às conversas divulgadas ao público na última semana. Elas atestam que Moro e os procuradores formaram conluio contra Lula no caso triplex.

O ex-juiz, o procuradores Deltan Dallagnol e outros atingidos pela chamada #Vaza Jato não tocam no mérito das acusações, pois alegam que o dossiê é produto de um crime. Além disso, eles insinuam que houve fraude ou adulteração nas conversas.

Em entrevista ao Estadão, na sexta (14), Moro pediu que o Intercept entregue todas as mensagens para que uma “autoridade independente” faça perícia. Ele também questionou se o site pretende continuar trabalhando com “criminosos”.

“O Intercept não fala sobre a fonte. Ponto. Tudo que está hoje na imprensa – de forma direta ou indireta, está se tentando colar ao site um crime – quem está falando que foi hacker precisa investigar, provar e trazer as provas. O Intercept nunca falou sobre isso e nunca vai falar sobre isso”, disparou Demori.

Na visão do editor do Intercept, a Lava Jato tampouco tem moral para apontar crime em vazamento de material sigiloso para a imprensa.

“Vazamento é assim: vamos pegar a Lava Jato como exemplo, para a gente ver o vício de origem, se há produto de crime. Dentro da Lava Jato, (…) se algum jornalista tem acesso a um documento que está sob sigilo, aquilo foi passado por alguém de dentro da operação. Teve desvio de função, é uma ilegalidade, alguém cometeu uma legalidade, então tem vício de origem. Ao longo de 5 anos, a Lava Jato recorreu diariamente a esse expediente para manter a fervura alta, (…) era a estratégia de comunicação para que a população estivesse ao lado da operação.”



No GGN

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