7 de jun. de 2019

Peso irreal


A ideia de uma moeda única para Brasil e Argentina não é de Bolsonaro. Aliás, esse homem nunca teve uma ideia própria na vida, diga-se de passagem. O que ele não copiou da mente doentia de Olavo de Carvalho, veio do mingau nazifascista que inunda aquele cabelinho oleoso.

Ainda nos anos 1980, durante o duro processo de redemocratização da América do Sul, os então presidentes do Brasil, José Sarney, e da Argentina, Raúl Alfonsín, chegaram a discutir a possibilidade de criar uma moeda comum aos dois países, o “Gaúcho”. A unidade monetária serviria apenas para ações de comércio exclusivas dos dois países. A ideia, contudo, nunca foi adiante, por muitas razões, entre as quais, as desconfianças históricas entre as partes.

Mesmo o Mercosul, a partir do chamado Protocolo de Ushuaia, em 1998, debateu a concepção de uma moeda única para o bloco, então resumido a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O modelo, claro, era o Euro, dentro de um plano de uniformização de taxas de juros, índice de deficit comercial e taxas de inflação. Nunca foi definida uma data para a criação da tal moeda e, como sempre, a ideia foi descansar na gorda nuvem dos esquecimentos da América Latina.

Como não entende nem o básico de economia e só macaqueia as ideias de Paulo Guedes, Bozo embarcou alegremente nessa discussão, animado em fortalecer a proximidade ideológica entre ele e Maurício Macri, um governante tão incompetente e reacionário como ele, mas com a vantagem de saber falar o próprio idioma e, ao que parece, dominar as quatro operações.

Trata-se, como o próprio Banco Central apressou-se em esclarecer, de um delírio típico do bolsonarismo: vazio de argumentos, baseado em conceitos alheios e, fundamentalmente, lançado nas redes para causar frenesi no gado que o segue, em transe.

Leandro Fortes, jornalista

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