20 de jun de 2019

Moro mentiu no Senado e escolheu acusadores de Lula


O ministro da Justiça, Sergio Moro, mentiu na última quarta-feira (19), no Senado Federal, em relação à sua atuação em conluio com os procuradores da Operação Lava Jato para condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, o ex-juiz, ao contrário do que disse as parlamentares, interferiu de maneira direta na montagem da equipe de acusação do Ministério Público Federal contra Lula, articulando junto aos procuradores para que uma profissional que ele considerava inadequada fosse substituída por outros dois. Após a ordem de Moro, Deltan Dallagnol determinou a troca de escala dos procuradores e a substituição que determinou o ex-juiz.

É isso que revelam novos trechos de conversas no chat particular de Sergio Moro com os procuradortes da Lava Jato, que formavam uma das partes no processo em que Moro deveria ser juiz, mas que atuou como chefe de acusação.

As revelações foram trazidas à tona pelo jornalista Reinaldo Azevedo nesta quinta-feira (20), em parceria com o site The Intercept Brasil.

Conforme já havia sido noticiado pelo site, Moro tinha aconselhado Dallagnoll a substituir uma procuradora Larissa Tessler, por considerar seu desempenho ruim. Isso, por si só, conforme preconiza o ARTIGO 254, inciso IV, do Código de Processo Penal, é causa para nulidade do processo contra Lula, já que um juiz não pode dar conselhos a uma das partes de um processo que preside.

Mas, as revelações desta quinta mostram mais. Veja, abaixo, o trecho de conversas revelado nesta quinta:

Deltan Dallagnol: Recebeu a mensagem (de Sergio Moro) sobre a audiência também?

(Procurador) Carlos Fernando dos Santos Lima: Não, o que ele disse?

Dallagnol: Não conta para ninguém e me assegura que teu Telegran não tá aberto no computador e que outras pessoas não estão vendo o que eu falo. Você vai entender por que estou dizendo isso.

(Dallagnol retransmite a mensagem do Moro para o outro procurador)

Carlos Fernando: vou apagar ok?

Dallagnol: Vamos ver como está a escala (…) e fazer uma reunião de estratégia de inquirição sem mencionar ela.

Carlos Fernando: Na audiência do Lula, não podemos deixar (que a procuradora preterida por Moro estivesse presente).

Dois dias depois, a escala de procuradores, conforme ordenara Sergio Moro, tinha sido alterada, e a procuradora Laura Tessler foi substituída pelos colegas Júlio Noronha e Robson Pozobon.

Já em sua audiência no Senado na última quarta-feira, Sergio Moro disse que a procuradora não havia sido substituída de acordo com o que ordenou aos procuradores. É mentira que chama.








Nota do PT

As últimas revelações veiculadas pelo jornalista Reinaldo Azevedo sobre o caso da denominada “Vaza Jato” demonstram, de forma cristalina e insofismável, que o Ministro da Justiça, Sérgio Moro, cometeu o crime de perjúrio, em seu depoimento ante a CCJ do Senado Federal.

Lembramos que, em virtude de questão de ordem feita pelo senador Humberto Costa, Líder do PT no Senado, Sérgio Moro renunciou, naquela ocasião, ao direito de ficar calado e não se autoincriminar. Por conseguinte, terá de sofrer as consequências legais de ter mentido publicamente ao Senado e à nação brasileira.

As novas informações fornecidas por Glenn Greenwald, jornalista de sólida reputação mundial e ganhador do prêmio Pulitzer, demonstram que, além do perjúrio, Sergio Moro e sua equipe de procuradores cometeram diversos ilícitos em sua obsessiva perseguição ao maior líder popular da nossa história.

Em particular, os novos diálogos, não desmentidos cabalmente por ninguém, revelam, de forma definitiva, que Moro atuava como chefe da força-tarefa, orientando e aconselhando os procuradores, os quais chegaram ao cúmulo de substituir uma procuradora, cuja atuação não era do agrado do juiz, não sem antes propor apagar os diálogos comprometedores, pois sabiam da ilicitude que cometiam.

Na realidade, as revelações que até agora surgiram demonstram que, no caso das ações contra Lula, Moro e seus procuradores agiram ao arrepio da Declaração Universal dos Diretos Humanos, da Constituição do Brasil e do nosso Código de Processo Penal. Em vez de perseguir a verdade e combater a corrupção, buscaram seu objetivo político mesquinho e preferiram acusar e condenar com base em mentiras e ilicitudes, corrompendo a nossa democracia, a nossa Justiça e traindo a confiança do povo brasileiro.

Por último, a Liderança do Partido dos Trabalhadores no Senado Federal e na Câmara dos Deputados soma-se à presidência do PT para externar a sua mais completa solidariedade aos jornalistas do The Intercept, e dos demais veículos que estão acompanhando o caso, os quais, ao cumprir com seu dever profissional dentro da mais absoluta legalidade, vêm sendo covardemente ameaçados por Sérgio Moro e pelo governo Bolsonaro.

Humberto Costa Líder do PT no Senado
Paulo PimentaLíder do PT na Câmara
Gleisi HoffmannPresidenta do Partido dos Trabalhadores

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