23 de jun de 2019

Moro era a personalidade dominante na organização Lava Jato


Há dificuldade cada vez maior de construir uma contra narrativa em cima do dossiê Intercept.
  1. O álibi padrão, o chamado fruto da árvore envenenada – o telefone foi hackeado, logo o processo deve ser anulado – vale para processos judiciais, não para furos jornalísticos. E foi desmoralizado pelas próprias mensagens de Deltan Dallagnoll, defendendo o jornalista que divulga dados vazados.
  2. Para conseguir um contraponto aos juristas que questionam a parceria Moro-Lava Jato, Época se valeu de uma “advogada constitucionalista”, recém-formada, sem currículo Lattes, sem que sua especialidade constasse sequer do Linkedin (aqui).
  3. Josias de Souza louvou a atitude de Sérgio Moro, de condenar o vazamento da relação de políticos que consta da delação da JBS. Forçou a interpretação. As conclusões do episódio são totalmente opostas:
    • Moro não era contra vazamentos, mas contra a oportunidade daquele vazamento, naquele momento, que poderia expor a operação ao Supremo Tribunal Federal (STF).
    • O diálogo comprova que Moro era a personalidade dominante da Lava Jato; Dallagnol apenas o discípulo, encantado com a capacidade do mestre de enfrentar o perigo.
    • No dia seguinte ao vazamento da lista de políticos, Moro envia a planilha ao STF e minimiza sua gravidade (aqui).
  4. Teori Zavascki era obstáculo a dois movimentos: ao arbítrio da Lava Jato e à blindagem do sistema, conforme se pode conferir na gravação em que Romero Jucá e Sérgio Machado discutem sobre o grande acordo (aqui).
  5. A exemplo do caso Cachoeira-Robert Civita, nos próximos dias a Lava Jato e parças da mídia tratarão de levantar algum escândalo antigo que permita cobertura diária para competir com a estratégia do The Intercept.
Luís Nassif
No GGN

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