3 de jun. de 2019

Mais de 70% dos brasileiros são contra a flexibilização do porte de armas

Dois últimos decretos editados por Bolsonaro facilitando o porte de armas não condiz com os anseios da maioria, mostra pesquisa feita em todas as regiões


O governo Bolsonaro editou nos primeiros cinco meses de gestão três decretos de armas, dizendo cumprir uma promessa de campanha. Dois decretos foram publicados depois de uma pesquisa do Ibope, realizada em março, mostrando que 73% dos entrevistados são contrários à flexibilização do porte de armas para cidadãos comuns e 26% são favoráveis – 1% não quiseram ou não souberam responder.

Isso mostra o quanto Bolsonaro ainda trabalha no Planalto como se estivesse numa constante campanha eleitoral. O Ibope mostra ainda que 51% da população discorda da afirmação de que o aumento de pessoas armadas torna a sociedade mais segura.

Além disso, 37% discordam que ter uma arma em casa a torna mais segura, enquanto
31% disseram sentirem-se mais seguros com a ideia. Quanto ao porte, 47% discordam totalmente que carregar uma arma de fogo deixa a pessoa mais segura, contra 18% que discordaram em parte.

O porte de armas diz respeito a poder transitar com o equipamento, já a posse de armas de fogo é o direito de ter o equipamento na casa ou no local de trabalho.

O levantamento mostra que 61% são contrários a facilidade legal para possuir armas de fogo em casa ou no local de trabalho, e 37% são favoráveis – 2% não souberam responder ou não responderam.

O Ibope fez as entrevistas entre 16 e 19 de março com 2.002 pessoas em 443 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

No dia 15 de janeiro, Bolsonaro publicou o primeiro decreto, flexibilizando as regras para ter a posse de armas. Na prática, brasileiros de qualquer região do país acima de 25 anos, sem antecedentes criminais e após teste de aptidão técnica e laudo psicológico passaram a poder ter armas apenas apresentando à Polícia Federal uma declaração de “efetiva necessidade”.

No dia 8 de maio, o presidente assinou outro decreto com normas para facilitar o porte e compra de munições. Após questionamentos na Justiça, Bolsonaro publicou um terceiro decreto, dia 22 de maio, alterando alguns pontos como impedir que o cidadão comum possa comprar e portar alguns tipos de equipamentos, como fuzis, porém, o último decreto aumentou o direito de comprar mais munições. Na ocasião, Bolsonaro disse que o decreto de armas é para “legítima defesa” da população.

Por região, o Ibope mostra que existe um maior apoio a flexibilização do posse de armas na região Sul:

48% – Sul
43% – Norte/Centro-Oeste
35% – Sudeste
33% – Nordeste

Homens (50%) aceitam mais a flexibilização da posse do que as mulheres (27%).

O levantamento mostra também que a flexibilização do porte de armas também varia por região, mas em todas elas a minorria é favorável ao porte:

34% – Norte/Centro-Oeste
29% – Sul
27% – Nordeste
22% – Sudeste

Novamente, homens (34%) são mais favoráveis a flexibilização do porte de arma de fogo do que as mulheres (18%).

No GGN

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