13 de jun de 2019

Fiat Fux


Escolhido por Dilma Rousseff para o Supremo Tribunal Federal, em 2011, Luiz Fux faz parte da mais pura gema de judeus reacionários cariocas. Eles são menos ricos e muito menos sofisticados que seus correligionários paulistanos, mas sofrem do mesmo sarampo de elitismo. Por isso, invariavelmente, estão sempre ao lado da direita – qualquer direita.

Nunca vi Fux de quipá, acho que a cobertura judaica não pode ser usada sobre uma peruca. Sério, só acho. Todo meu conhecimento sobre costumes judaicos vem do meu apreço por escritores judeus americanos, os meus preferidos, e de tudo que aprendi sobre o Holocausto, tema em torno do qual gravito, de forma totalmente empírica, desde os 14 anos.

Enfim, cansei de remoer essa mágoa com os governos do PT, Lula e Dilma, que tiveram a chance de moldar o STF aos interesses populares, de deixar um legado de várias gerações, mas cometeram a sandice de privilegiar as bancas, as polainas, os medalhões e os oportunistas de toda ordem.

Fux é só a face mais bizarra dessas péssimas escolhas. O ministro que mata no peito tudo que é de ruim, que, sabe-se agora, estava mancomunado com Moro e Dallangnol na conspiração que colocou um homem inocente na cadeia à custa de mentiras, de morte e de suicídio.

À custa da eleição de um facínora cercado de tresloucados, da destruição econômica e moral do Brasil.

"In Fux we trust", diz Moro a Dallangnol, o primeiro, esmerando-se na língua mãe, o segundo, um jeca deslumbrado com a oportunidade de viver esse amor platônico, a esperança adolescente de visitar a casa de um ministro do STF, um sonho freudiano construído sobre um desejo tão genuíno quanto reprimido.

A linhagem não lhe traiu os modos.

A filha, Marianna, tornou-se desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, com apenas 35 anos, apoiada por ele, Fux. Recebe auxílio-moradia, apesar de ter dois apartamentos no Leblon, crème de la crème da zona sul carioca. Foi Fux que, liminarmente, estendeu essa mordomia para todos os magistrados brasileiros.

O filho, Rodrigo, é diretor da Federação Israelita do Rio de Janeiro, entidade que administra o Clube Hebraica, palco do show abjeto de racismo e machismo dado por Jair Bolsonaro, em 2018. Lá, diante de uma plateia de judeus tristemente fascinada por uma narrativa nazista, Bozo pesou quilombolas em arrobas e confessou ter fraquejado ao gerar uma filha.

O rapaz, jovem advogado, é um militante sionista destrambelhado. Tem esse viés autoritário bem típico de herdeiros branquinhos e bem nutridos da zonal sul do Rio, daqueles meninos limpinhos que eram os donos das bolas.

É ele o autor de um processo contra o genial chargista Renato Aroeira, por conta de uma charge na qual Bolsonaro e Netanyahu, seu alter ego hebreu, formam uma suástica com os braços. A acusação é de antissemitismo.

Eu sei, os Fux parecem ridículos, mas não se enganem, eles também são bem espertos.

Em hebraico, Fux (פוקס) significa "raposa".

Leandro Fortes, jornalista

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