19 de jun de 2019

Corra, Moro, corra

Resultado de imagem para Sérgio Moro no senado

Sérgio Moro não foi ao Senado Federal se explicar, mas apenas participar do primeiro de muitos eventos bajulatórios que o governo Bolsonaro irá programar, dentro e fora do Congresso Nacional, para tentar impor a narrativa de que o alvo da oposição não é o ex-juiz, mas a Operação Lava Jato.

Trata-se de uma manobra tão legítima quanto manjada.

Moro, um desastre de retórica e dicção, foi enquadrado num treinamento de media training eficaz, mas que só reforça o vazio de seus argumentos. De forma pusilânime, conseguiu conduzir seus depoimentos dentro da bolha de segurança montada pela base do governo no Senado. Não esclareceu nada, não respondeu nada, manteve-se naquelas notinhas de falsete na voz, focado nos números e na delirante natureza divinal da Lava Jato.

Enfim, o horror de sempre.

Mimado pela Globo e alçado ao status de herói anticorrupção, o ex-juiz só engrossa a voz quando está sendo paparicado, como cabe a celebridades de ocasião. Estivesse mesmo certo de sua inocência, Moro não estaria se dispondo a falar a um público hostil, coisa que odeia. Estaria, desde o primeiro vazamento do Intercept Brasil, arrotando autoritarismo e processando deus e o mundo.

Não o fez por uma razão: medo da “exceção da verdade”, o recurso processual que permitiria ao Intercept Brasil requerer a abertura do sigilo de Moro, no Telegram, para que ficasse provada a alegada falsidade das mensagens, caso o ex-juiz processasse o site de notícias.

Moro não pode fazer isso, entre outras coisas, porque não é só a pele dele que está em risco. Como se viu no caso de Fernando Henrique Cardoso, os arquivos do Telegram são uma Caixa de Pandora sobre a qual nem Moro, nem ninguém no governo Bolsonaro têm qualquer controle – ou ideia – do conteúdo geral.

Moro vai continuar ganhando comendas militares, vai seguir visitando inferninhos da mídia chapa branca, como o Programa do Ratinho, ou mesmo sendo convocado para esses teatros do absurdo, no Congresso Nacional.

Mas só vai se safar se, ao fim dessa jornada, tivermos, realmente, nos tornado uma República das Bananas sem lei, sem ética, sem vergonha, conduzida por um demente adorado por uma multidão de sociopatas.

Leandro Fortes, jornalista

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