21 de jun. de 2019

Bolsonaro, a raposa


O novo secretário geral da Presidência, que substitui um dos generais demitidos ou rebaixados de cargo por Bolsonaro nos últimos dias, é um policial aposentado que trabalhou muitos anos como assessor parlamentar do clã. Do naipe do Queiroz, como se vê.

Oliveira não é militar, nem olavete, nem demista, nem evangélico, nem guedista. É homem dos Bolsonaro – ponto. O mais raiz deles a chegar ao primeiro escalão.

Mourão está encolhido. Bolsonaro peitou o generalato, até agora com sucesso.

O escândalo da Vaza Jato lhe fortalece dentro do governo. A exposição final da conspiração liderada por Moro contra a democracia só leva a duas saídas possíveis.

Uma é a anulação do julgamento de Lula, a punição ao juiz desonesto e a convocação de novas eleições. Mas o golpe de 2016 não foi dado para isso. Pelo contrário, foi dado para tornar o campo popular um coadjuvante irrelevante do jogo político. Portanto, essa é uma alternativa vetada de antemão pela classe dominante.

A outra alternativa é a desmoralização total de qualquer fachada de Estado de direito que ainda reste no Brasil. Às favas com os escrúpulos, para citar uma personagem que caberia bem na nova ordem, Jarbas Passarinho. O arbítrio é escancarado.

Esse sempre foi o caminho de Bolsonaro. Aliás, a opção por Bolsonaro em 2018 já sinalizava que o conjunto das forças que deflagraram o golpe estavam aceitando essa saída.

Há poucas semanas, eu escrevi que Bolsonaro mantinha sua base militante sempre agitada para mostrar que ele não era descartável para a direita. Para mostrar que um governo que o substituísse após um eventual impeachment não conseguiria sustentação.

Agora, o cenário mudou. Bolsonaro saiu da defensiva e se impõe sobre seus aliados.

Avançamos algumas casas na direção de algum tipo de “Estado miliciano”, um governo de criminosos comuns fundado na ameaça aberta da violência.

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