10 de mai de 2019

Você não o conhece? Um dos maiores brasileiros vivos

Aí, na foto, sou eu entrevistando essa figura extraordinária, há 32 anos! Abaixo, a Ana Helena com ele. Ao lado, a capa do livro.
Dom Pedro Casaldáliga nasceu na Espanha, mas é evidentemente brasileiro, formidavelmente latino-americano, integralmente cidadão do mundo.

Naquele 1968 do planeta em ebulição, foi somar com o povo do Mato Grosso. Em São Félix do Araguaia, assentou-se para combater a pobreza, defender os mais humildes e capacitá-los para as lutas sociais.

Aquele era (talvez ainda seja) um lugar sem muita lei, de coronéis latifundiários, de prisões arbitrárias, tocaias, estupros e assassinatos. Os proprietários de terras tudo podiam contra os pequenos.

O pequenino e frágil Dom Pedro, de alma altiva e colossal, constituiu, então, seu projeto particular de evangelização, sem ranço colonialista, sem imposição de dogmas, sem verticalidade hierárquica.

Criou comunidades eclesiais de base e trabalhou dia e noite para que o próprio povo fosse protagonista de sua própria libertação.

Sua diocese tornou-se uma espécie de comuna, democrática, participativa, fundada na responsabilidade compartilhada.

Recusou de cara os trajes pomposos reservados aos bispos. Nada de mitra. Chapéu de palha. Nada de anel de ouro. Melhor aquele de tucum.

Foi um dos fundadores do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entidade até hoje fundamental na luta pelos direitos das nações nativas.

A Ditadura Militar genocida tentou por cinco vezes expulsá-lo do Brasil. Não logrou êxito. Defenderam-no os trabalhadores de sua diocese e também o cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns.

Tentaram matá-lo mil vezes, mas parece que Dom Pedro é protegido por um campo de força sobrenatural.

Esse bispo corajoso sempre contestou o poder centralizador do Vaticano, pugnando sempre por uma comunhão de igrejas locais.

Rebelde, defendeu a ordenação de mulheres, o fim do celibato sacerdotal e o regime de punições da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé.

Desde sempre, apoiou o MST, o levante mexicano de Chiapas e a luta socialista do povo cubano.

Há sete anos, precisou deixar sua casinha em São Felix do Araguaia. Soube-se que seria assassinado pelos invasores da terra indígena de Marâiwatsédé.

Aos 91 anos, mesmo com a saúde frágil, segue na defesa de uma revolução global humanista, baseada na generosidade e nos preceitos de partilha do rebelde cabeludo de Nazaré.

As histórias inacreditáveis de Dom Pedro estão reunidas no livro “Um bispo contra todas as cercas – A vida e as causas de Pedro Casaldáliga”, de Ana Helena Tavares, lançado em São Paulo nesta semana.

Na tarde deste sábado, dia 11 de Maio, na Praça Benedito Calixto, o bispo emérito será lembrado no ato “Pedro e Paulo, pilares da resistência”. Pedro é ele. Paulo é Evaristo Arns.

Que sejam inspiração nestes tempos em resistimos à ignorância, ao ódio e ao fascismo.

Walter Falceta
No GGN

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