10 de mai de 2019

Um governo de recordes


Até onde posso ver, o atual governo está batendo todos os recordes.

Já tivemos ministros da Educação de todos os feitios, inclusive péssimos: ultra-autoritários, como Francisco Campos e Gama e Silva, ou ignorantes, como Mendoncinha. Tivemos Suplicy de Lacerda, notório inimigo dos estudantes, defensor da educação como forma de adestramento. Tivemos negocistas como Jorge Bornhausen. Tivemos Cristovam Buarque, de notável incapacidade administrativa e vazio de ideias. Sofremos o longo reinado de Paulo Renato, adepto da ideia de que educação é, em primeiro lugar, despesa. Era também um grande amigo do ensino privado, como vários outros, entre eles Cid Gomes. Poucos são aqueles de quem se pode dizer que estiveram sempre, sem vacilo, ao lado da educação pública, gratuita e emancipadora. Mas um lunático agressivo como Weintraub nos coloca em outro patamar. Perto dele, qualquer outro se torna um erudito iluminista. Incapaz de sustentar um argumento, inimigo da lógica mais elementar, com um conhecimento do mundo que parece alimentado exclusivamente por youtubers de extrema-direita, repleto de ódio ao saber, de preguiça intelectual e de ressentimento pela academia, atormentado por bizarras visões conspiratórias: só neste governo alguém assim poderia ocupar um cargo.

O ministério da Justiça era, na ditadura, o espaço por excelência dos algozes da democracia, de Gama e Silva a Alfredo Buzaid e Armando Falcão. Pois Moro não deve a nenhum deles em termos de desprezo pela democracia e ainda acrescenta a suprema incompetência em matéria de Direito, a inigualável desfaçatez e a vocação serviçal.

Pelo ministério da Economia – ou da Fazenda, o nome muda – passaram monumentos de arrogância: Roberto Campos, Delfim Netto, Zélia Cardoso de Mello. Nenhum é páreo para Guedes. Passaram muitos próceres de projetos de destruição do povo brasileiro, chegando a Joaquim Levy. Guedes põe todos no chinelo. Até um recorde considerado imbatível, que pertencia a Mailson da Nóbrega, o da incompetência na gestão da economia, está sob ameaça. Como escreveu Luis Nassif, é “um ministro sem a menor noção do mundo real, movendo-se exclusivamente pela ideologia”.

Um criminoso ambiental no Ministério do Meio Ambiente. Uma apóstola do machismo no Ministério da Mulher. Um alienado delirante, que anuncia que seu objetivo maior é a submissão plena do Brasil aos Estados Unidos, no Itamarati. Uma ministra da Agricultura cujo projeto é nos envenenar a todos. Um Onyx Lorenzoni na Casa Civil. O maior plantel de militares saudosos de uma ditadura que já chegou ao poder em um país formalmente democrático.

E, na presidência, o que todos sabemos.

Luis Felipe Miguel
No GGN

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